EntreContos

Detox Literário.

Lua, Morte, Fantasma e Zumbi (Thales Soares)

Numa velha sacada em uma pequena casa na Inglaterra, sob o luar do século XVII, John e Emily encontravam-se inteiramente imersos na mais profunda e sincera paixão que suas almas podiam suportar. As estrelas, vidradas e levemente envergonhadas, presenciavam suas juras de amor com vigor enquanto a Lua cheia e brilhante de empolgação assistia à cena de camarote.

– Calma, John – disse Emily, enquanto John arrancava sua calcinha usando os dentes – Eu fiz um jantar especial para nós hoje.

– A comida pode esperar – disse John, ansioso.

– Não seja bobo. Nosso amor jamais vai esfriar. Não posso garantir o mesmo do filé de peixe que está nos aguardando – disse Emily, dirigindo-se para a sala de jantar.

– Tudo bem… Estou ansioso para comer peixe… e depois você.

Emily era uma garota linda. O esplendor de seus profundos olhos verdes eram mais impressionante que a noite mais estrelada que um ser vivo já presenciou. O som produzido por sua voz era mais belo que o som produzido pelo mais afinado violino manuseado pelo mais habilidoso violinista em seu mais inspirado dia. Seus cabelos longos, ondulados e castanhos, seus lábios pequenos e rosados, a maçã de seu rosto branco e perfeito, tudo contribuía para formar aquele ser que, se não for realmente um anjo, causava inveja nas mais belas criaturas da cidade prateada. Ela amava John mais do que qualquer coisa em sua vida.

Os dois sentaram-se à mesa, prontos para se fartar. Havia uma garrafa de um bom vinho para sanar a sede e, no centro da mesa, uma boa porção de purê de batata com manteiga para comer com o peixe. John agraciou-se tanto com a comida que resolveu repetir o prato. Mantendo um pedaço de peixe empalado em frente a sua boca, e deslizando sua língua vagarosamente com um movimento de ida e volta, massageando a carne morta do peixe com sua saliva, ele dizia:

– Adivinhe onde minha língua vai repetir esse mesmo movimento dentro de alguns instantes… hehe.

Emily, com a boca cheia e a temperatura corpórea elevada, esforçando-se para comer um pouco mais rápido afim de prosseguir com a programação da noite, respondeu com um sorriso. Engoliu tudo que estava em sua mandíbula para retribuir verbalmente a investida de seu amado, porém, algo não saiu como o esperado. Tossiu uma vez. Tossiu duas. Algum detrito de alimento estava enroscado em sua garganta.

– Querida, você está bem?

A garota levantou-se da cadeira procurando uma maior eficiência para expelir aquilo que a estava engasgando. Tossiu novamente e seu rosto começou a tingir, ficando roxo.

– Emily… EMILY! – John levantou-se e correu para auxiliar a coitada.

Um espinho encaixado de forma perfeita a entupir a passagem de ar por sua laringe estava asfixiando Emily. John não conhecia a Manobra de Heimlich, pois essa tática de desobstrução de vias aéreas só seria descrita em 1974, então pouco pôde fazer além de assistir com desespero e angústia o amor de sua vida se distanciando, perdendo o fôlego e as energias. Impossibilitado de levar oxigênio para seu cérebro, o corpo de Emily caiu sobre o tapete de veludo no chão da sala. Ela estava morta.

John não conseguia acreditar. Só pode ser um sonho ruim, pensou, apenas um pesadelo que desaparecerá assim que eu acordar. O cadáver em suas mãos, porém, não mentia. Ele a segurava com forças envolvendo-a com seus braços, como se, de alguma forma, ele pudesse trazê-la de volta, ou ao menos impedir que as últimas gotas de vida esvaíssem de seu corpo, agora completamente inanimado.

– Emily, por favor… não me deixe… Emily! – suplicava John compulsivamente.

Não dava para aceitar sua perda. Era nesta noite que John a pediria em casamento. Ele não conseguiria viver sem ela, seu único e verdadeiro amor.

Após horas de berros e choradeira, John acabou percebendo que o mundo era uma merda sem Emily. O nascer do sol era uma merda. O vinho tinha gosto de mijo. O peixe que assassinara sua namorada tinha gosto de bosta. As pessoas na rua pareciam umas formigas idiotas, tão ocupadas com suas vidas de operárias que não enxergavam que viviam num formigueiro insano, e que a qualquer momento poderiam ser pisoteadas e mortas e perder tudo o que conquistaram ao longo da vida inteira. Somente John enxergava o mundo como ele realmente era. A perda havia aberto seus olhos para a realidade, que dizia que ele era um nada, em busca de nada, num lugar sem nenhum significado.

Com a nuca de Emily apoiada sobre sua mão esquerda, John deu um último beijo em seus lábios que outrora foram doces, descendo por seu queixo até chegar em seu pescoço sem vida. Com a mão direita, abriu o decote do cadáver de sua amada e chupou seus peitos gelados e mortos pela última vez. Parecia um cão lambendo um osso velho.

A Lua, que já estava sendo ofuscada pelo brilho do Sol que estava nascendo, sentiu pena daquela cena tão deprimente e não conseguiu ficar parada. Um raio de luz cósmico originado em seu interior veio à Terra chegando ao quarto onde o casal mórbido se encontrava. Os olhos de John se contraíram e reclamaram da claridade que foi aumentando de forma exponencial até atingir seu ápice. Todo aquele clarão deu origem a uma misteriosa figura. Era um homem alto e imponente, vestindo uma capa branca e reluzente que escondia um terno negro e cheio de purpurina; seus sapatos pareciam que haviam sido acabado de ser engraxados e um par de luvas brancas como a neve completavam o visual do viajante. Dava para notar que não se tratava de um humano, pois o estranho ser possuía uma cabeça de lobo ao invés de uma cabeça humana, um lobo com pelos brancos e aparência calma e sábia.

– Mas que luz do inferno é essa? – reclamou John, com as pupilas ardendo e com a mão na frente do rosto – Saia do meu quarto, demônio. Não percebe que estou tendo um momento de amor com minha noiva e que preciso de privacidade?

– A mulher que você diz ser sua “noiva” está morta – respondeu o Lobo lunar com frieza. Sua voz era rouca e potente, e suas palavras eram pronunciadas de forma lenta e com bastante clareza.

– CALE-SE! – gritou John enquanto recuava como se estivesse sendo ameaçado – Não preciso que nenhuma besta julgue meus atos. Afinal, o que você quer? Veio aqui somente para ficar me humilhando com esses olhos grandes e enxeridos?

O Lobo levou a mão ao queixo e inclinou levemente a cabeça enquanto observava o casal naquele chão de madeira velha, corroído por cupins e rangendo a cada movimento ou mudança de peso que John executava.

– Não estou aqui para lhe fazer mal, John. Sou apenas um mensageiro da Lua.

– Você veio… veio buscá-la? Você vai tirar Emily de mim?

– Sou um mensageiro da Lua, e não da Morte. A Lua estava observando com bastante gosto e atenção sua noite de amor. Assistir casais apaixonados é algo que dá grande prazer para minha mestra. Vocês a estavam entretendo bem, até que esse terrível desastre ocorreu. Por possuir um tamanho colossal, minha mestra não pode vir aqui pessoalmente, por isso fui mandado para intervir na situação a seu favor.

John levantou o olhar e pela primeira vez encarou a criatura. Um punhado de esperança começou a se juntar no fundo de seu coração.

– Então você… vai trazê-la de volta para mim?

– Não é assim tão fácil, John. A Lua não possui o poder de vida e morte. Eu, menos ainda.

– Maldição, como você vai me ajudar então?!

– A Morte está vindo buscar sua garota. Talvez, com a minha ajuda, você pudesse ter uma conversa com ela e, quem sabe, negociar, conseguir estender o prazo de vida de Emily.

– Você está falando sério? – John até ficou em pé de tanta empolgação e, pela primeira vez naquela manhã, um sorriso brotou em seu rosto – É possível negociar com a Morte? O que ela vai pedir em troca?

– Não sei… o que você estaria disposto a dar em troca?

– Qualquer coisa! Eu daria o cu para ter Emily de volta!

O mensageiro da Lua apoiou sua mão sobre a testa de John e fechou os olhos por uns instantes. Concentrou-se bastante e pronunciou algumas palavras numa língua desconhecida. John sentiu um pouco de cócegas no cérebro, e então um estalo surdo e repentino sugou sua atenção. Tudo ficou escuro por alguns segundos, mas depois a luz voltou a ser percebida por sua íris, junto a um novo elemento que agora também era detectado por seus olhos. John tornou-se capaz de enxergar e ouvir espíritos e entidades paranormais.

– O que é isso? – John ainda não compreendia direito seu novo poder.

– Olhe para sua garota – disse o mensageiro.

Ao virar a cabeça, John pôde observar um punhado de substância levemente transparente e roxa que estava concentrado no corpo de Emily, juntando-se e formando algo gelatinoso. O roxo se tornou um verde-musgo, que logo mudou para um azul-piscina. A substância saiu completamente do corpo da garota e começou a crescer e ganhar forma. Perplexo, observando aquela coisa tentando ficar em pé, percebeu que aquilo estava assumindo um formato humano. Dois olhos, um nariz, uma boca, orelhas, cabelo. E logo notou que não era um humano qualquer, era Emily!

– QUERIDA! – John, surpreso, tentou tocar em seu rosto, mas sua mão a atravessou – Ela é um fantasma?

– Seu corpo faleceu, agora seu espírito o está abandonando – esclareceu o Lobo.

– John? O que está acontecendo? Quem é esse homem assustador? É verdade isso que eu morri e agora sou um espírito?

– Fique calma, querida… eu sei que não vai ser fácil, mas juntos poderemos dar um jeito em toda essa bagunça.

Emily olhou para sua carcaça jogada ali no chão, perto de uma escrivaninha, e com espanto questionou:

– Por que meu corpo está com o vestido aberto e os seios nus? Você me estuprou depois que eu morri?

– Calma, não é o que parece… bom, na verdade é… mas não foi tão grotesco assim, você ia entender se você estivesse aqui naquela hora.

– Como você pôde?! Mas que ultraje, seu porco, seu… – Emily foi interrompida por um estrondo que mais pareceu um trovão.

– Ela está vindo – disse o mensageiro da Lua.

– Quem? – perguntaram John e Emily simultaneamente.

– Aguarde e verão.

A luz que inundava o quarto ficou mais fraca. O céu, que até então estava limpo, com o sol a raiar, escureceu-se por completo. As tábuas do chão e dos móveis começaram a ranger como se estivessem participando de uma orquestra sinfônica. O lugar foi invadido por uma fumaça e um cheiro de podridão e carniça. Não dava para vê-la, pois não possuía uma forma definida, diferente dos desenhos onde usa uma capa preta e uma foice, na vida real ela é apenas algo embaçado e que causa aflição a todos os sentidos do corpo. A Morte estava ali, dava para sentir.

– Chegou a sua hora – disse uma voz disforme e amedrontadora, tão horrível quanto o som de milhões de unhas arranhando um quadro negro.

– Espere! – interveio John – Leve a mim no lugar dela!

– Não. Sua hora ainda não chegou.

– Então o que você quer no lugar da alma dela? – disse John, tentando barganhar com a Morte.

– Nada. Quem faz acordos é o diabo. Eu sou a Morte. Apenas faço o meu trabalho.

– Ora essa… me ajude aqui Lobo da Lua… – disse John, começando a ficar desesperado.

O mensageiro da Lua apoiou o joelho esquerdo ao chão e disse de maneira tranquila:

– Oh Morte, aquela que representa o final de uma trilha e o começo de outra. Não queremos lhe impedir de executar seu ótimo trabalho. Mas em nome de todos os deuses, só desta vez, não há outra alma que, por hora, você queira guiar no lugar desta que está destinada a ser levada neste quarto?

– Hmm… – ponderou a Morte por alguns segundos – O que esta alma tem de tão especial que faz com que a Lua se intrometa em meus assuntos?

– Ela é uma alma apaixonada – disse o Lobo – A Lua aprecia muito esse tipo de alma.

– Muito bem… – disse a Morte, com seu tom de voz insuportável para ouvidos comuns – Se querem uma oportunidade de salvar esta alma condenada, eu lhes darei uma. Mas já vou avisando que não será nada fácil.

John e Emily olharam um para o outro de forma apaixonada, tão animados como no dia em que se conheceram. Era como se já estivessem comemorando a vitória que estava para ser conquistada.

– Eu farei qualquer coisa – disse John, entusiasmado.

– Há uma única alma que aceito em troca da alma desta garota.

– Diga qual, minha senhora, e eu a trarei para ti – disse John, ajoelhando-se à disposição da Morte.

– Bem longe daqui, além do mar, há um país chamado Brasil, colônia de Portugal. Nessa terra há um refúgio chamada Quilombo dos Palmares, construído por escravos negros fugitivos. Seu líder é um homem conhecido como Zumbi. Esse homem escapou de mim diversas vezes. Eu aceito sua alma no lugar da alma de sua garota, mas você terá que consegui-la até o pôr do sol de hoje.

– Mas minha senhora – disse John, preocupado – Seriam necessários vários dias de viagem para chegar ao Brasil… como eu poderia realizar tal tarefa em menos de 12 horas?

– Eu falei que não seria uma tarefa fácil – disse a Morte enquanto sua presença deixava o quarto. O céu voltou ao normal, as tábuas pararam de ranger e o aroma do recinto parou de cheirar a podridão.

John sentou-se no chão e apoiou a cabeça entre os joelhos. Como atravessar os oceanos e matar um homem que nem conheço o rosto em menos de 12 horas?, pensou. Emily sentou-se em seu colo, buscando conforto, mas ela não conseguia se apoiar em suas pernas e nem sequer sentir seu calor. Ser fantasma era algo extremamente desagradável.

– O que está fazendo? – questionou o mensageiro – Não percebe que o tempo está passando?

– Puxa, é mesmo? – disse John de forma sarcástica ao levantar a cabeça – E como você espera que eu chegue ao Quilombo dos Palmares?

– Feche os olhos por um instante.

– Pra quê?

– Apenas feche.

Obedecendo ao pedido do mensageiro, John fechou seus olhos vagarosamente e manteve-os cerrados por um tempo. Ao abri-los, algo surpreendente aconteceu. As tábuas secas e a mobília velha deram lugar à uma fauna nunca antes vista por seus olhos, com cabanas e casas rudimentares espalhadas em meio às folhas verdes da floresta. Um aroma natural invadia o ambiente. Gritos de aves, grilos e outros animais selvagens ecoavam por todo o lugar. O tempo era quente, abafado e úmido. John estava em Palmares.

Pessoas escuras formavam uma roda à sua volta, encarando-o. Eram ex-escravos, com marcas de maus tratos feitas por seus donos, confusos e com medo por ver um homem branco em sua região. John permanecia imóvel, evitando fazer qualquer movimento suspeito. Se fosse atacado, seria morto antes mesmo de conhecer Zumbi.

– Me levem ao seu líder – disse John, em vão. Os negros não entendiam sua língua.

Eles gritavam numa língua a qual John não compreendia.

– Fique calmo e não faça movimentos bruscos – disse o mensageiro da Lua que surgira sem que John se desse conta – Zumbi já está chegando para julgá-lo.

– Você ficou maluco? Olha o tamanho desses homens. Zumbi deve ser o maior e mais forte deles. Eu jamais conseguirei vencer uma luta dessa forma. Eu preciso atacá-lo enquanto ele estiver dormindo, tampando sua respiração com um travesseiro, e não lutar contra ele no meio de uma roda de guerra.

– Se você realmente deseja salvar a mulher que ama, você não dispõe de muitas alternativas.

– Onde ela está? Emily veio conosco? – perguntou John intrigado enquanto os negros faziam rebuliço e abriam espaço para alguém passar.

– Ela ficou nos aguardando no quarto da casa. Seus olhos não precisam ser depreciados com a violência que está para acontecer aqui. Veja, parece que Zumbi chegou.

Zumbi. Seu nome significava “fantasma” no idioma africano quimbundo. Era o principal ícone de resistência negra ao trabalho escravo no Brasil colonial, considerado o rei de Palmares. Exímio comandante e capoeirista, possuía estratégias de ataque e defesa incríveis, e era cercado por lendas que diziam que possuía o dom da imortalidade. Seu físico fazia jus à sua reputação. Ele era gigante, assustadoramente forte. As veias saltavam de seus músculos extremamente definidos. Seus punhos pareciam duas bolas de boliche, um único soco seria suficiente para arrancar a alma de John do corpo. Ele estava chegando cada vez mais perto, de forma apavorante.

– Não dá, mensageiro. Eu desisto.

– Seu amor por Emily está colocado à prova.

– Nada está colocado à prova. Eu vou morrer, porra! Olha o tamanho desse homem!

Ao entrar na roda, acompanhado pelo som musical do berimbau de seus colegas, Zumbi começou a executar algumas manobras de capoeira que ele usava para assustar portugueses. Com o coração quase saindo pela boca, John disse:

– Por favor, por favor me ajude, mensageiro!

– O que quer que eu faça?

– Leve-o para longe daqui, assim como você me transportou para cá! Transporte-o para um lugar que o machuque, de preferência, que o deixe ferido para facilitar as coisas para mim.

O Lobo aproximou-se sorrateiramente e tocou no ombro de Zumbi, teletransportando-o para o núcleo do Sol. A música parou e todos ficaram olhando pasmos para John e o mensageiro.

– O que você fez com ele? – perguntou John.

– Joguei-o no sol. Ele está morto, já podemos retornar.

– Puxa, foi mais rápido que o esperado. Quanto tempo demoramos?

– Cerca de 15 minutos desde que conversamos com a Morte.

– Ótimo, vamos pra casa.

Assim, John e o Lobo voltaram para Inglaterra, deixando Palmares sem seu líder. Em poucas semanas o refúgio seria destruído por bandeirantes, encerrando de uma vez por todas com o sonho de liberdade de milhares de escravos brasileiros, sem contar com as milhares de mortes que ocorreriam no processo.

De volta à Inglaterra, Emily ficou muito contente com o retorno de seu herói.

A Morte não demorou para aparecer, demonstrando-se satisfeita com os serviços de John.

– Muito bem, mortal. Você cumpriu com sua parte do acordo, mesmo que com uma pequena ajuda, agora honrarei com a minha. Emily renascerá.

– Obrigado, Morte – agradeceu John.

Um brilho intenso envolveu o corpo de Emily, levitando-o no ar, com muitos efeitos de pirofagia ao seu redor. O espírito fundiu-se com o corpo novamente e ambos foram envolvidos por um casulo cristalino. Aquilo, como o Lobo explicou, era o casulo da vida. Para completar a magia, o casulo finalmente se abriu, e a intensidade da luz que o envolvia foi diminuindo gradativamente. Não havia nem sinal de Emily. Em seu lugar, havia um bebê recém-nascido, chorando sem parar, largado nos destroços do casulo.

– Mas que diabo… onde está Emily? – perguntou John.

– Essa é a Emily, John – disse o mensageiro.

– Só pode ser brincadeira…

John aproximou-se do bebê e o colocou em seu colo, fazendo com que ele parasse de chorar.

– Mensageiro, você pode envelhecê-la e trazê-la de volta para a idade adulta? Ou melhor, deixe-a com uns 16 anos, será mais divertido.

– Sinto muito, John. Nem eu e nem minha mestra possuímos o dom de amadurecer frutos. Você terá que ser paciente e deixar o tempo se encarregar dessa tarefa – o mensageiro caminhou até a sacada e olhou para cima – Agora eu preciso ir. Foi um enorme prazer lhe acompanhar em sua jornada. Adeus.

John, ainda irritado, não agradeceu e nem se despediu. O mensageiro foi embora, e John agora estava por conta. Somente ele e o bebê.

De início, John teve dificuldades em aceitar o destino de sua amada. Depois, porém, compreendeu que a situação não era tão crítica quanto aparentava. Ele amava Emily mais do que qualquer coisa no mundo e tudo o que ele mais queria era tê-la de volta. Agora ele a tinha de volta. Ela não estava do jeito que ele queria, mas pelo menos não estava morta. E dentro de alguns anos ela estaria mais do que perfeita.

Assim, John cuidou de Emily como se fosse sua própria filha. Quando ela ficou mocinha, eles voltaram a namorar. Era assustador para um espectador que observava a situação de fora, mas para eles (e para a Lua) era o amor mais puro e doce que existia no mundo inteiro.

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37 comentários em “Lua, Morte, Fantasma e Zumbi (Thales Soares)

  1. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Bem, existe, sem dúvida, pontos criativos dentro da história, que ajudam a sair da mesmice de contos que tratam do sobrenatural. Além disso, a escrita me pareceu razoável, embora tenha me desagradado em alguns pontos, que tratarei mais abaixo. O que quero levantar com isso é que não parece o caso de um autor com grandes idéias, mas que ainda não tem competência para colocá-las no papel. Não. Quem escreveu esse texto poderia, acredito, ter elaborado um trabalho um pouco mais elevado para acompanhar a própria imaginação.

    Acredito que algumas passagens sejam desnecessárias, como a segunda referência a sexo oral e, principalmente, o comentário dobre a manobra de Heimlich(?).

    Além disso, o texto tenta criar um paralelismo entre uma linguagem poética e algo mais cru. Há o personalismo da Lua, o mensageiro, a promessa de enfrentar a morte e… John dizendo que daria o cu para trazer Emily de volta? Sei lá, pra mim isso não funcionou. Me pareceu que faltou ousadia de se manter dentro de um estilo e de se permitir errar, perdendo o clima. Mas, claro, pode ser que alguém goste.

  2. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Uma “viajem total” que não me agradou…

  3. Paula Melo
    12 de janeiro de 2014

    Como questão de gosto não me envolvi com a historia, logo de inicio me fez desanima em alguns ponto,mas como disse foi questão unicamente de gosto.
    Fora isso o conto esta bem desenvolvido e bem escrito.
    Boa Sorte!

  4. Marcelo Porto
    8 de janeiro de 2014

    Um verdadeiro “samba do crioulo doido”.

    Mesmo não sendo purista, e até gostando de palavrões e linguagem chula permeando contos, achei que a linguagem utilizada não se encaixou.

    Para um casal do século XVII, os diálogos estão muito contemporâneos, deixando a narrativa totalmente anacrônica. Tanto que pensei que quando o mensageiro da lua apareceu seria revelada a verdadeira origem do casal: a época atual.

    A introdução de Zumbi dos Palmares ficou sem razão, sem contar que o protagonista não fez nada, quem fez tudo foi o mensageiro. Outra coisa, não consegui captar nenhuma justificativa plausível para o esforço da Lua em manter o casal vivo.

    A necrofilia e a pedofilia também estão mais que subentendidas na história.

    Em resumo, não gostei. Muito mais pelas pontas soltas, do que pela mistura insana.

  5. Tom Lima
    8 de janeiro de 2014

    Acho que você criou problemas que não foi capaz de resolver.
    Foi o Lobo quem tirou a vida de Zumbi, não Jhon. A morte não teria que cumprir sua parte.

    Até a morte de Emily a estória se arrastou para mim. Não me cativou. Depois disso fluiu bem.

    Eu ri bastante durante a leitura. Se essa foi a sua intenção, parabéns!

  6. Mariana Borges Bizinotto
    7 de janeiro de 2014

    Não vi nada de original. A leitura também não me prendeu muito, talvez por já ir prevendo o que aconteceria.

    • Lulubaby
      7 de janeiro de 2014

      Você realmente leu a história?

  7. Pedro Viana
    1 de janeiro de 2014

    Criativo, bastante criativo, mas a narração não me cativou. Apesar disso, é inegável que, para o tipo textual a qual este conto se propõe, ele se enquadra com perfeição. Então, mesmo que não ganhe meus votos, eu parabenizo o(a) autor(a).

  8. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Gente, que salada você fez aqui, Lulubaby!!!!! Eu não gostei desde o começo, mas como tinha que ler para comentar, fui lendo e… cara, gargalhei imaginando essa situação nonsense toda que você escreveu aí, hahahahahhahahahah!!! Parecia uma comédia pastelão, esdrúxula e sei lá mais o quê, tudo misturado… Tudo vai acontecendo aos turbilhões, uma coisa louca depois da outra, uma cena sem sentido depois da outra, e eu aqui chorando, de tanto rir e pensando: “Não é possível! Não é possível que estou lendo tudo isso!” Nessa parte aqui:

    “– Nada. Quem faz acordos é o diabo. Eu sou a Morte. Apenas faço o meu trabalho.
    – Ora essa… me ajude aqui Lobo da Lua… – disse John, começando a ficar desesperado.”

    Eu me lembrei de uma vez em que fui obrigada a revisar um romance sobrenatural, em que a autora colocou tudo o que podia dentro dele: vampiro, elfo, anjo, OGRO! Tudo com a maior naturalidade… Foi um dos meus primeiros livros que recebi para revisar e quase me fez desistir da profissão, hahahhahhah! Os personagens desse texto que eu revisei agiam bem dessa forma: o mais natural possível. Como se fosse conversa de colegas, “me ajude aqui, Lobo da Lua”, e o Lobo ajudou, fazendo o quê? Pelamor!!!!!! Desculpe, eu li seu conto inteirinho, e me diverti com esse nonsense todo, mas foi só. Se essa era a sua intenção, conseguiu, rs. Desculpe qualquer coisa. Eu te desculpo também.

  9. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Esse foi o que menos me agradou até o momento, não pela ideia da história, mas pela execução. O Caio comentou algo interessante, “você tem ideias que a sua escrita ainda não consegue acompanhar”. Me parece que a ideia pode ser realocada numa história maior, com mais calma, mas para um conto não rolou. As cenas de sexo e os diálogos também estão fracos, porém, acho sim que dá para retrabalhar a história.

    Eu penso que não devemos descartar as histórias, mas se ruins, reavivá-las mais tarde. Mas bom, parabéns ao autor pela criação do texto, porque “dimidium facti qui coepit habet: sapere aude”.

  10. Weslley Reis
    24 de dezembro de 2013

    Não quero ser grosseiro, mas nada me agradou nesse conto, além da criatividade.

    Achei os diálogos fracos e o sexo que permeia a história foi mal executado. Me senti num filme B, sei lá.

    Mas que fique claro, é uma opinião pessoal, nunca querendo desmerecer o autor do texto.

  11. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso. Suas respectivas respostas fizeram-me ver o tão grosseiro fui e assim concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Insatisfeito, Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor que dedicou seu tempo e criatividade nesta obra. Perdoem-me, mas sou um nacionlista fervoroso e adoro nosso País. Pelo motivo já postado e outras coisas que ao meu ver discordo; desculpe, não gostei. Porém, a criatividade investida não deixa de revistir tal obra de relevância. Parabéns.

    • Lulubaby
      24 de dezembro de 2013

      Gunther, seu comentário não foi, de forma alguma, grosseiro. Fiquei bastante satisfeito se você ter lido a história inteira, coisa que nem todos fizeram. Eu construí propositalmente uma narração agressiva e estava aguardando por críticas agressivas.
      Eu andei lendo seus comentários nas outras histórias, e estava bastante ansioso para que ver o que você acharia do meu texto! Quando você finalmente leu e comentou aqui, até achei que você pegou meio leve…

      Eu gosto muito de críticas construtivas (como as que o pessoal está comentando por aqui). Detesto aqueles comentários que apenas dizem “Sua história está muito boa, parabéns para o autor!”, pois comentário assim não acrescentam nada, e, para mim, não possuem o menor valor. Eu gosto do leitor que aponta os defeitos da obra, para que o escritor perceba coisas que ele não havia percebido na hora da criação. Dessa forma é possível aprender com os erros e evoluir.

      A história se passa na Inglaterra pelo simples fato de a maioria das histórias clássicas sobre fantasmas serem europeias e não brasileiras. Mas eu aprecio o conteúdo nacional. Tanto é que, para onde meus personagens viajam? Palmares, no Brasil, lutar contra Zumbi. Não tive a oportunidade de retratar mais a nossa cultura pela limitação de palavras (usei quase que todas as 3500 palavras permitidas).

      Espero ver seu comentário e análise novamente em minhas futuras histórias.

  12. Ana Google
    23 de dezembro de 2013

    Ai, senti um quê de Entrevista com o Vampiro, mas infelizmente mal executado. Sinceramente, nada me convenceu nesse texto. O escritor tem criatividade, mas ainda tem muito pra melhorar, aperfeiçoando diálogos, descrições, elaborando melhor os personagens, utilizando do erotismo com maior moderação, enfim, essas coisas! Duas cenas me incomodaram mais: a necrofilia torta e a facilidade na morte do Zumbi dos Palmares. Fixou sem nexo, como se fosse uma ideia solta.

    Alguns erros: “eram mais impressionante” – correto: era mais impressionante;
    afim de prosseguir” – o correto na passagem é a fim, separado (com a finalidade de).

    De qualquer forma, parabéns!

  13. Pedro Luna Coelho Façanha
    23 de dezembro de 2013

    Não gostei. Mas achei corajosa a sua ideia para o conto, dá pra ver que não quis ficar no lugar comum. A trama não me convenceu e a escrita tem muitas repetições de nome, problema que eu, inclusive, tenho também quando escrevo meus contos. Atenção nisso. vlw

  14. Caio
    23 de dezembro de 2013

    Olá. Sendo honesto: acho que você tem ideias que a sua escrita ainda não consegue acompanhar. Você se propôs a escrever um texto ambientado numa época e local específico que desconstrói o conceito de amor puro e do medo do sexo, ao mesmo tempo em que mexe com a história e com criaturas fantásticas. É uma ambição grande – e, para o que o valha, eu deixo meu apoio à ideias novas e livres -, mas com grande ambição tem que vir grande trabalho, não adianta pensar em tudo isso e escrever “de qualquer jeito”. E deixa eu explicar, eu sei que não foi mesmo de qualquer jeito, mas quer ambientar, pesquise, leia textos escritos naquela época, aprenda como era a linguagem. Quer falar de sexo, não vá direto para o apelativo, o chocante. Abuse do português, ele tem muitos jeitos de falar tudo – inclusive se você usasse linguagem mais poética nas falas do homem dava pra ele dizer as mesmas coisas sexuais que disse e o leitor ainda achar romântico ou engraçado.

    Do outro lado, dava pra ter mais motivação pra menção do Zumbi, quer dizer, pensar diferente é ótimo, mas colocar uma coisa aleatória só por colocar não causa boa impressão. Seria melhor se o enredo desse algum tipo de volta que fizesse o leitor pensar “ah, por isso então que ele tava na história”. As criaturas fantásticas podiam também ter mais mitologia, e com isso eu quero dizer: o lobo podia ter trejeitos próprios, podia precisar de algo em troca, podia, quem sabe, ser um escravo da lua que quer ser libertado, coisas que dessem a ele mais características próprias. A morte podia precisar que se falasse de um jeito extremamente servente com ela, ou ela podia ter um ego gigante, ou ser extremamente entediada pela vida eterna, detalhes que a tornassem mais viva, ironicamente, aos olhos do leitor.

    Tudo isso é uma chatisse e tal, mas é o trabalho extenso que faria esse texto virar uma obra impressionante, as pessoas iam ler e pensar na habilidade e no conhecimento do escritor, em vez de pensar que ele está querendo chamar atenção com ideias loucas e randômicas.

    A maioria das pessoas tem ideias mais simples e por isso saem textos bons sem esse tanto de esforço, mas se o seu barato é inventar mesmo, e eu acho que devia ser o de todo mundo e o meu no futuro, o trabalho é proporcional à ambição. Fica o meu encorajamento, gostei de encontrar textos assim no desafio, acho que o potencial é animador.

    É, espero que ajude aí, abraços

  15. Gunther Schmidt de Miranda
    23 de dezembro de 2013

    Mais uma obra que ocorre muito longe do Brasil… Até parece que os participantes deste concurso não gostom deste lindo país. Mais uma obra que ocorre numa época distante… Século XVII. Mas, enfim, localizei-me no espaço tempo; porém… Linguaguem imprópria para a época. O “fantasma” da trama em verdade tem carne e osso. Momentos explicativos que não explicam. Há indícios de pedofilia. Enfim, não gostei. Mas, boa sorte, nesta vida (ou melhor, conto) ou na próxima…

    • José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
      23 de dezembro de 2013

      Eu não acho que isso seja de propósito, Gunther. Acredito que a maioria dos jovens brasileiros nunca leu (ou pouquíssimo leu) autores nacionais, ou leu autores nacionais que imitam autores estrangeiros. Então, para esses jovens, simplesmente não lhes ocorre a ideia de ambientar histórias no Brasil. Parece-lhes tão antinatural que um personagem se chame João em vez de John, que a história se passe em Juiz de Fora em vez de New Jersey! O Brasil lhes parece exótico, embora eles vivam aqui. Muitos desses jovens chegam a dizer que nomes próprios em português “não combinam” com a atmosfera que pretendem para suas histórias, porque suas histórias derivam da cultura pop.

      Infelizmente estes mesmos jovens farão suas escolhas neste concurso baseando-se nos seus gostos e [pre]conceitos, realimentando essa cultura derivativa e sem raiz.

      • Pedro Luna Coelho Façanha
        23 de dezembro de 2013

        Eu concordo, e isso também me incomodou nesse conto, mas também ficaria puto da vida se outros fizessem suas escolhas baseadas no inverso dessa questão. Não votarei em um conto ruim só porque ele se passa em Juiz de Fora, ou porque o personagem se chama João. A qualidade da história e da escrita é que vai me atrair.

      • Lulubaby
        24 de dezembro de 2013

        Já li muitos autores nacionais. Não sou um apreciador de Machado de Assis, nem fã de Grasiliano Ramos, e muito menos Euclides da Cunha. Compreendo que são bons escritores, mas suas obras não são de meu agrado. Um autor brasileiro que acho fantástico é o Monteiro Lobato… esse sim é um escritor que respeito e admiro. Usando a nossa cultura, nosso folclore, ele fez obras fantásticas.

        Escolhi que a trama se passasse na Inglaterra por causa do tema. Quis trabalhar com fantasmas clássicos. Mas eu não trai totalmente minhas raízes. Os personagens vieram até o Brasil e conheceram Zumbi.

  16. Jefferson Lemos
    23 de dezembro de 2013

    Não consegui me identificar com a história, não me agradou nem um pouco.
    O autor sabe fazer bom uso das palavras, porém não apreciei o tema e o rumo que a história tomou.
    Enfim, espero que outros possam gostar.
    Parabéns e boa sorte!

  17. Inês Montenegro
    22 de dezembro de 2013

    O conto contradiz-se naquilo que diz ao leitor, e naquilo que mostra ao leitor: coloca a data e o local em que ocorre, mas a ambientalização não corresponde. Fala de um amor dito “puro”, mas os actos do rapaz revertem mais para o interesse sexual, e a menina nem foi desenvolvida o suficiente para ver seja o que for.
    O enredo também não se encontra bem desenvolvido, tudo decorre muito rápido, os trechos seguindo-se como que esbarrando uns nos outros, e uma facilidade de resoluções é apresentada ao protagonista.

  18. Felipe Holloway
    22 de dezembro de 2013

    Bom, gente, eu tentei. Passei da metade, até.

    Mas nunca me senti tão feliz por ter o direito de interromper uma leitura.

    Adaptando o Millôr, foi daqueles contos que, quando a gente larga, não consegue pegar mais. Até onde li estava horrível, e mesmo que fosse melhorar (coisa da qual duvido muito), é alínea implícita do contrato entre autor e leitor uma mínima cativação pelo páthos da narrativa, suscitada ainda no primeiro ato. E não houve nada disso, para mim, aqui. Em nível algum.

    Por suas medidas, creio, um conto não pode se dar ao luxo de demorar muito para despertar esse interesse. Um romance (ou uma novela), sim, já que tem a possibilidade de vencer o leitor por pontos, como lembrou o Cortázar. Com o conto é nocaute (ou a sugestão de um nocaute, se for do Hemingway) ou nada.

    O que esse conto (ou os três quartos dele que li) me provocou foi menos que nada. Infelizmente.

  19. Ricardo Gnecco Falco
    22 de dezembro de 2013

    Bem… Não é o tipo de criação literária que me agrada. Não me identifiquei com a história nem com o estilo, mas isto não significa que ela não possa ser bem aceita por alguns. Penso que há plateia para (quase) todo tipo de encenação e, nesta em questão, não me incluo.
    Contudo, é sempre válido como exercício criativo.
    Boa sorte!

  20. Thata Pereira
    22 de dezembro de 2013

    PS: PODE CONTER SPOILERS!

    Bom, vamos lá. Sem querer ser chata, concordo com uma coisa dita pelo José Geraldo: “O cenário é tão importante que o autor se deu ao trabalho de situar no tempo e no espaço”.

    Esse conto poderia permanecer como está, se o autor não tivesse situado tempo e cenário. Apesar que a presença do Zumbi dos Palmares entregaria isso, mas ele poderia ser substituído. Aproveito para dizer outra coisa que me desagradou na história: foi muito fácil aniquilá-lo!

    Os diálogos. Foi o que mais me desagradou. Desculpa, mas se o/a autor/a afirma que a história se passa no século XVII, precisa convencer o leitor!

    E, sinceramente, se esse for o amor mais puro e verdadeiro do mundo (boiei). O que eu vi foi pura atração sexual! Tanto que quando a moça morre, o que ele faz? Abre a blusa dela e começa a chupar seus seios. Eu fiquei tipo: tudo que ele vê nela é sexo! O amor aí precisa ser melhor trabalhado.

    É claro que você pode brincar com os fatos e criar a história conforme seu desejo. Mas para mim que gosto de ver contos com essa mistura de história e épocas passadas, não me senti satisfeita.

    O fato de Emily ter voltado bebê, nossa, isso foi demais!! Apesar de ser perturbador pensar que eles voltaram a “namorar” (novamente, voltaram a fazer sexo!) assim que ela ficou “mocinha” (achei o termo bem cafona para como o conto foi estruturado).

    Com isso, não quero de forma alguma interferir na inspiração que você teve. Quero na verdade dizer que achei que é uma ótima história para ser trabalhada. Muito menos quero parecer saber de tudo, só espero ser sincera para ajudar como posso.

    Gostei MUITO da ideia. Falhou na execução.
    Boa Sorte!

    • Thata Pereira
      22 de dezembro de 2013

      outra coisa que só lembrei de incluir agora: o mensageiro da lua se esquece de cobrar pelos favores. Acho que seria justo ele cobrar, afinal, até para o Sol ele mandou o Zumbi dos Palmares! o.O

  21. Marcellus
    21 de dezembro de 2013

    Pedofilia, necrofilia, bestialidade, homossexualismo. Precisamos ter um concurso com o tema “erótica”!

    De qualquer forma, algumas coisas me incomodaram profundamente:

    * os diálagos nem de longe se aproximam do que se espera de um conto passado no século XVII;

    * o tom didático com que a narrativa é interrompida algumas vezes;

    * a solução mágica para a morte do Fantasma;

    * a falta da pequena revisão de praxe;

    * sexo oral no século XVII. NO SÉCULO XVII! Imaginem! Dois séculos antes do sabonete! Se era aceitável para época, factível… não sei e não importa. Mas o leitor é contemporâneo: caberia uma romantização… talvez a moça saindo da tina de banho, sob a Lua da Primavera… para evitar que uma fértil imaginação evocasse os eflúvios extemporâneos. 😉

    O autor foi muito corajoso nos diálogos e na cena de quase-sexo oral, mas acovardou-se ao escrever “pessoas escuras”? O próprio narrador reconhecia serem escravos e, portanto, não era desconhecida para ele a existência dos negros africanos. “Pessoas escuras” foi uma tentativa tardia de encaixar o texto na onda politicamente correta? Mais ou menos como chamar o “Dark side” de Star Wars de “Lado Escuro” nessas novas traduções?

    Pelo lado bom, é um texto imaginativo. Muito. Se o autor conseguir retrabalhá-lo, pode se transformar em algo formidável. Boa sorte!

  22. bellatrizfernandes
    21 de dezembro de 2013

    É um texto que oscila entre a sacanagem sexual e o palavrão (Adoro! Acho que tem que colocar mesmo! Politicamente correto é uma p****) e o amor verdadeiro e a afeição. São personagens bem desenvolvidos, embora a missão da Morte tenha sido um pouco estranho.
    Uma coisa que me chamou a atenção foi o fato de ser a Inglaterra do séc. XVII e ela, teoricamente, morar sozinha. Porque, afinal, ele ainda não tinha pedido ela em casamento, então eles não eram casados. Uma moça, nessa época, não podia trabalhar, então não podia arcar, ela mesma, com os custos de uma casa, o que nos leva a pensar que ela moraria com a família, mas não havia mais ninguém para criá-la depois que ela renasceu.
    Não importa o último parágrafo. Ainda é estranho kkkk
    Adorei! Parabéns!

  23. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    21 de dezembro de 2013

    Deixando as calcinhas de lado, vamos ao que interessa. Primeiro, ao me deparar com o apelo erótico do conto, achei que já tinha lido algo do autor, mas pode ser apenas cisma minha. Depois, o texto me remeteu ao filme Entrevista com o Vampiro. Sempre há uma criancinha a ser poupada…rs. Muita informação, não consegui me ligar à narrativa, ora romântica, ora erótica, ora irônica, ora sei lá o que. Fiquei sem entender se era mesmo amor ou somente obsessão, ou ainda mera atração sexual. Mesmo o personagem declarando seu amor, não sei, não me passou sinceridade. Amor mais puro do mundo inteiro? Forçado e lugar comum.
    Quanto a essa coisa de ser coerente com o momento histórico da narrativa, com ou sem calcinhas, oral ou escrita, o que for, isso não me interessa. Não estou procurando por uma tese sobre os costumes em tal época. No entanto, a leitura tem que levar ao envolvimento, à identificação, a um momento fora do corpo que seja. Isso não aconteceu comigo, mas valeu a tentativa. Boa sorte.

  24. Gustavo Araujo
    21 de dezembro de 2013

    Creio que literatura fantástica seja isso: subverter conceitos, dar novas interpretações a fatos históricos, dobrar as realidades conhecidas, inventar. Não me incomoda o fato de os protagonistas fazerem amor na sacada, ou o fato da garota usar calcinha no século XVII. Não me importam os diálogos “modernos” usados pelos protagonistas – dificilmente alguém falaria “porra” naquela época. Acho que essas subversões, como eu disse, fazem parte do contexto que tornam o texto único. Sejamos livres para criar e desconstruir.

    O que me desagrada é o texto mal escrito, a história rasa, o consumo rápido, a narrativa que não deixa lembranças.

    É exatamente o caso deste texto. O ponto positivo é a subversão de elementos históricos. Mas para aí. O que se sobressai é o argumento por demais simplista, típico de literatura de consumo rápido, para mim dispensável. Infelizmente, não gostei.

  25. Lulubaby
    21 de dezembro de 2013

    Guardem suas calcinhas, este não é um conto pornográfico. Não há cabimento abrir aqui uma discussão sobre costumes sexuais quando podemos gastar nosso tempo com tantas outras discussões mais ricas e que rendam melhores frutos. Peço para que LEIAM a história antes de comentar.

  26. Ricardo Gnecco Falco
    21 de dezembro de 2013

    Vou esperar a Inquisição passar… Rs! Depois volto aqui e deixo meus comentários. Não quero atrapalhar o debate! 😉

  27. Elton Soares
    21 de dezembro de 2013

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/01/080128_lingerieexposicao_np.shtml

    Talvez se você não olhasse somente o primeiro link do google seu comentário também teria sido diferente e pelo menos o ar da dúvida seria concedido aos outros leitores – leitores estes que realmente terminaram o texto.

  28. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    20 de dezembro de 2013

    O primeiro parágrafo me afastou completamente do desejo de ler o resto. Uma prosa rasa, escolar e descolorida. A descrição, embora intencional, é distante e vaga, não consegue materializar na mente do leitor a visão do lugar onde tudo se passa (“Numa velha sacada em uma pequena casa na Inglaterra, sob o luar do século XVII,”).

    Além disso, o autor não conhece a atmosfera, a cultura e os sentimentos da Inglaterra do século XVII. Jamais um casal faria amor em uma sacada, jamais um marido arrancaria a “calcinha” da mulher com os dentes. Não só por causa do “puritanismo” característico desta época (entre outras coisas as mulheres que davam indícios de orgasmo eram tidas como bruxas), mas também porque não existiam ainda calcinhas (no máximo, anáguas) e porque, com os hábitos de higiene do século XVII, o simples pensamento de aproximar o rosto dos órgãos genitais gerava um asco semelhante ao de aproximar a cara de um vaso sanitário em que não deram descarga.

    Mas, dirá o comentarista, que esses detalhes podem passar despercebidos, afinal, o cenário não é tão importante, o que importa é a história.

    Discordo. O cenário é tão importante que o autor se deu ao trabalho de situar no tempo e no espaço: Inglaterra, século XVII, zona rural. Se o cenário não fosse importante o autor teria simplesmente contado a história, sem dizer onde e quando.

    Enfim, este texto não receberá nenhum de meus votos.

    • Elton Soares
      20 de dezembro de 2013

      Me desculpe, mas todas as suas críticas quanto a “atmosfera, a cultura e os sentimentos da Inglaterra do XVII” estāo completamente equivocadas.

      Pra começar, você realmente acreditou na historinha do papai e da mamāe de que sexo é só depois do casamento e de todo o tabu que envolve o ato? É muita ingenuidade imaginar que nenhum casal jamais faria sexo na sacada pelo puritanismo da época. Era ainda o contrário. Nāo houve na história da humanidade padrões sociais que enquadrassem a todos, e o puritanismo nāo foi uma exceçāo.

      Quanto às calcinhas, já existem há 500 anos.

      Por fim, o sexo oral é tāo velho quanto qualquer outra modalidade de sexo. Aparentemente, a julgar por obras de arte de civilizações de milhares de anos, a higiene pessoal nāo parecia ser problema para que um rosto se aproximasse de órgāos sexuais.

      • José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
        20 de dezembro de 2013

        O casal não faria sexo na sacada porque provavelmente seria preso. O ato seria interpretado como um tipo de bruxaria. O puritanismo de que estou falando não é meramente uma questão de pruridos morais. Já ouviu falar de caça às bruxas, por exemplo?

        Quanto à calcinha, uma simples lida na Wikipédia lhe teria poupado o trabalho de dizer o que disse:

        http://en.wikipedia.org/wiki/Panties#History

        “Prior to the French Revolution, women simply wore long, heavy skirts with petticoats under their dresses. A need to cover the lower regions of a woman’s body didn’t arise until the Regency era when the lighter, sheer fabrics of the Empire styles of dress created a need for warm undergarments. As a result, women began wearing pantaloons under their dresses – a loose undergarment derived from the ankle-length men’s trousers of the same name. By the 1820s, women’s pantaloons had evolved into pantalettes, or drawers, a garment consisting of two separate leggings tied at the waist. Within a few decades, the Victorian era ushered in a cultural obsession with modesty, and drawers were …”

        A inexistência de calcinhas era uma consequencia dos hábitos de higiene e vestimenta da época. As pessoas não trocavam de roupa tão frequentemente quanto hoje. Na verdade, elas não trocavam de roupa por razões de higiene, mas por razões de circunstância. Houve uma época em que esse negócio de “roupa de inverno” e “roupa de outono”, “roupa de verão” e “roupa de primavera” era levado literalmente.

        Leitura sugerida: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1641183/banho-historia-e-rituais

        A existência de calcinhas em outras culturas é possível, mas certamente não havia calcinhas na Europa Ocidental do século XVII.

        Quanto ao sexo oral, realmente não vale a pena discutir, já que vivemos em um mundo no qual existe Veronika Mozer (não, não procure por isso no Google), mas ele era algo extremamente minoritário nessa época, considerado uma perversão extrema. Um casal romântico certamente não o faria.

      • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
        21 de dezembro de 2013

        E vocês dois aí, discutindo o sexo dos anjos, digo dos fantasmas. Liberdade para as borboletas e para os devaneios. Boa sorte!

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Informação

Publicado às 20 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .