EntreContos

Detox Literário.

(re)viver (Fabio D’Oliveira)

O tempo congelou de súbito.

Tudo.

Pessoas, animais, carros, televisão. Menos ele. Mas a vida continuou.

Passeando pelas ruas, ele observava tudo. Beijos intermináveis, despedidas incompletas, abraços impossíveis.

Caminhou por muito tempo. Estava cansado. Tinha visto tudo. Sentido tudo.

Um dia, encontrou uma praia virgem. Nenhuma viv’alma por perto, apenas uma natureza infinita. Então se lembrou de tudo. Da despedida, das lágrimas. E também da companhia, dos sorrisos, do calor.

O coração disparou junto com o quebrar das ondas nas pedras.

43 comentários em “(re)viver (Fabio D’Oliveira)

  1. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    O microconto inverte o clichê do “tempo parado” transformando-o em condenação à solidão absoluta. A virada acontece quando o protagonista abandona a civilização paralisada e encontra a natureza intocada, que paradoxalmente o reconecta com suas próprias memórias de vínculo. Muito bom, é um pouco da finalidade contemplativa que alguns contos abordaram aqui.

    Parabéns pelo trabalho!

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto fez uma excelente analogia entre tempo que passa ou não. Me fez pensar em um mundo cono o nosso, com tecnologias que afastam as pessoas, e achei interessante quando o personagem revive os próprios momentos da vida dele. É só aí que os momentos congelados dos outros importam, é aí que eles passam a ter peso e isso dói ou muda a percepção do personagem. É como se demorasse pra ele perceber o impacto de um mundo congelado ao redor dele. Não quero nem de longe minimizar seu microconto tá? Foi só um pensamento que tive aqui: seu microconto me pareceu uma releitura do conto da Bela Adormecida. Pena que o personagem não encontrou ninguém pra beijar e quebrar o encanto. risos. E a propósito, muito bem escrito.

  3. Ana Paula Benini
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    caro(a) escritor(a)

    Gosto do estado imaginativo que nos coloca aos descrever as cenas e do desfecho, gostei muito.

    continue escrevendo

  4. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Tempus! Teu conto me deixou num estado contemplativo e melancólico. A premissa do tempo congelado é um clássico que sempre instiga, e aqui a metamorfose da apatia para o pulsar da vida é o coração da história.

    O que me agradou foi a atmosfera de “sobrevivente do tempo” e a imagem final das ondas, que marca o retorno do movimento de forma sutil. Porém, sendo direto: o texto tem “gordura”. A palavra “tudo” aparece excessivamente, o que enfraquece o ritmo. As quebras de linha também me pareceram meio gratuitas, soando mais como poesia do que prosa. Além disso, expressões como “de súbito” e “viv’alma” são lugares-comuns que tiram o frescor da obra.

    No geral, é um texto sensível, mas que ganharia muita força com uma poda literária.

  5. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    A primeira leitura não me agradou: um cenário apocalíptico seguido de um final melancólico? Fui entendendo e gostando mais nas releituras: a paralisia do mundo como metáfora da solidão, do sentimento de não pertencer… Gostei da sensação de vida só ressurgir numa praia nunca antes visitada pelos outros. Há recursos eficientes de linguagem, apesar do tom poético soar forçado, principalmente em expressões como “viv’alma”, “abraços impossíveis”… Infelizmente, o tema do desafio, metamorfose, ficou vago nesse conto.

  6. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    O conto tem uma boa premissa: o congelamento do tempo como gatilho para uma transformação interior, mas a execução fica difusa e pouco emocional. A narrativa descreve o cenário estático e as cenas congeladas, mas não aprofunda o impacto disso no protagonista; ele observa, caminha, cansa, lembra, mas nada realmente o atravessa até o final. A metamorfose sugerida é mais contemplativa do que dramática, e o texto não cria tensão, conflito ou revelação que dê peso ao desfecho. A última imagem é bonita, porém chega sem acúmulo emocional suficiente para ressoar comigo.

  7. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Impossível não lembrar de “O dia em que a terra parou”. O texto é fluído, de fácil compreensão e carrega um tom de ficção científica poética, que particularmente me agrada. Principalmente na sinestesia das ondas quebrando com o coração. Porém, não encontrei nexo na história com o tema proposto – metamorfose – seria de quem? Do planeta? Talvez. Ficou no ar. De qualquer maneira, boa sorte no desafio!

  8. Pedro Paulo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    O texto constrói uma metáfora muito bonita acerca de tentar viver além do insuperável por via do esquecimento. A lembrança da despedida é demais para aguentar e viver sem ela é como viver fora do mundo, tudo existe como cristalizado, sem ser reconhecido pelo personagem. Vagar e vagar e, na perfeita solidão, sem interagir com mais ninguém, permitir-se lembrar e sentir a dor. Só então liberado a reexistir em sincronia com o mundo… veja, na primeira vez que li, confesso não ter me chamado a atenção, mas a releitura ressaltou o efeito da narrativa. Ótimo micro!

  9. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Tempus!

    Tudo bem?

    Esse é um microconto com alguns problemas de estrutura e escolhas errôneas de palavras, ao meu ver. Com um polimento, o texto melhorará um bocado.

    Num microconto, cada palavra deve ser empregada com muito carinho e cuidado. Logo, convém evitar repetições (3 “tudo”).

    Pessoas, animais, carros, televisão. Menos ele. Mas a vida continuou. => para mim, esse “mas” soou deslocado, estranho. Para mim, acho que poderia seguir o ritmo da frase, sem uma conjunção

    Ainda sobre estrutura, penso que nem todas as quebras de parágrafo foram felizes. Onde podia ser quebrado não foi, e teve vezes que não podia separar a informação e foi.

    Sobre a narrativa, penso que ela é aberta na medida certa, o suficiente para permitir ao leitor múltiplas interpretações. Terão aqueles mais literais, que verão o conto como um Sci-Fi que termina em suicídio. Terão aqueles mais abertos ao simbolismo e às analogias, que enxergarão luto, estagnação diante de algum problema, depressão e a fuga desses sentimentos diante de uma mudança de ambiente, reconexão.

    Esse é o grande ponto positivo do micro, que deve ser exaltado.

    Atenciosmente,

    Givago Thimoti

  10. Alexandre Costa Moraes
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá, Tempus! Gostei do seu microconto.

    Um homem (em luto?) segue em movimento num mundo que congelou de repente (esse congelamento pode ser metáforico, um estado de mente turva), atravessando cenas paradas até encontrar uma praia vazia que puxa a memória de volta e faz o coração disparar.

    A premissa é forte e os quadros congelados funcionam bem, com boa atmosfera e um lirismo que combina com a ideia de suspensão do tempo. Ao mesmo tempo, a repetição de “tudo” e algumas abstrações acabam tirando um pouco do corte e do golpe final, e a metamorfose fica mais no cenário do que no personagem.

    Ainda assim, você abordou o tema, só ficou um pouco fora de foco.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    É um texto que me causou estranheza.

    Gostei.

    Ao mesmo tempo que temos a abertura para a interpretação literal, podemos interpretar de forma metafórica. Gosto dessa liberdade. E não é um texto complicado, tem certa simplicidade nele, mesmo com o potencial lírico, poético.

    A repetição do “tudo” incomoda um pouco, mas aí pensei: o que é tudo? Tudo é tudo? Qual era a intenção do autor? Acho que viajei, mas essa repetição era para incomodar mesmo. Pra mostrar que mesmo vendo tudo, ele não entendia nada. Adorei algumas passagens, como o “despedidas incompletas”. Isso me fez pensar.

    O final é bonito e dá o fechamento ideal pro conto. Tanto pro literal, quanto pro metafórico.

  12. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Tempus,

    A melhor coisa do seu conto é a frase final. A falta de conectivo dá poder cinético à narrativa e a faz esquivar explicações desnecessárias. É esse mesmo conectivo que está sobrando, a meu ver, em “Mas a vida continuou” (sobretudo porque logo antes o “Menos ele” estabelece uma relação de sentido similar [concessiva]).

    Não encontro muita razão para a repetição da palavra tudo. Algo pode ter me escapado. Costumo gostar de repetições, mas aqui me parece que torna as coisas inespecíficas. Em geral, se é tudo, é nada também. A literatura é, em parte, a arte de nomear as coisas, e ao abranger um conjunto tão vasto você se exime de nomear o que quer que seja aquilo que o protagonista vê e relembra. Claro, às vezes nomeia; mas, se nomeia, para que dizer que isso é tudo? Tal problema acontece aqui: “Passeando pelas ruas, ele observava tudo. Beijos intermináveis, despedidas incompletas, abraços impossíveis.”.

  13. Iolanda Maria
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Iolanda Maria

    Muito bom. Aqui a metamorfose é emocional. Após um luto longo e doloroso, o personagem se descongela ao conseguir ver beleza, cores, intensidade e vida no cenário praiano. Parabéns. Se eu estivesse participando o seu conto estaria na minha lista.

  14. Mariana
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Esse microconto me lembrou a história em quadrinhos que Hulk é o último ser vivo do planeta, porém, o gibi da Marvel é bem mais pessimista. Aqui, pelo que entendi, alguém sofreu uma perda e é como se o mundo tivesse parado. Até que, quando olha ao seu redor, lembra dos momentos bons e das coisas que existem e há uma segunda transformação… O coração volta a bater. A metamorfose estaria nesse mundo que para e, depois, ressurge. É um conto bonito, bem escrito. Parabéns e boa sorte no desafio.

  15. Leila Patrícia
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Tempus

    Gostei do seu texto. Eu gosto da ideia de alguém solto num mundo congelado, quase como um sobrevivente do tempo. As imagens dos beijos e despedidas suspensos dão uma sensação de solidão enorme. Quando ele chega à praia e a memória volta, o texto ganha emoção de verdade. Só senti falta de um gesto final mais decisivo, algo que fechasse essa experiência de forma mais marcante. O que não muda em nada a beleza do seu texto. Parabéns!

  16. Leila Patrícia
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Tempus

    Gostei do seu texto. 

    Eu gosto da ideia de alguém solto num mundo congelado, quase como um sobrevivente do tempo. As imagens dos beijos e despedidas suspensos dão uma sensação de solidão enorme. Quando ele chega à praia e a memória volta, o texto ganha emoção de verdade. Só senti falta de um gesto final mais decisivo, algo que fechasse essa experiência de forma mais marcante. O que não muda em nada a beleza do seu texto. Parabéns!

  17. leandrobarreiros
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Minha cabeça de fantasia e ficção científica faz sempre a minha primeira leitura ser bastante literal, então a princípio achei que o tempo havia mesmo parado.

    O final deixou mais claro para mim que se trata de uma metáfora, daí a releitura.

    Há muito eu não tenho tido a sensação de simplesmente estar no automático no cotidiano. Queria eu. O texto ressoou comigo no final, no sentir tudo de uma vez depois de um grande tempo de indiferença.

    As lágrimas e despedidas no final indicam que o estopim para esse estado de isolamento (porque no fim é isso) pode ter sido o final de um relacionamento, talvez amoroso, talvez familiar.

    A imagem da praia representa a necessidade de só ser capaz de sentir depois de se reconectar consigo mesmo, ou foi o que entendi.

    Acho que a metamorfose entra aqui, da apatia para a emoção;

    Um bom micro.

    Ah, um comentário aleatório, o antagonista em “The Hellbound heart”, Frank, passa por um problema parecido no sentido de já ter sentido tudo e não conseguir prazer com mais nada. Mas a solução dele pro dilema é buscar coisas ainda mais extremas e por isso acaba fazendo um pacto com pinhead.

  18. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Tempus.

    Gostei do seu microconto.

    Ao final, deixar claro o retorno do movimento sem citar exatamente isso, mas mostrando o retorno das ondas nas pedras foi uma linda sacada. Achei uma cena muito bonita.

    Adorei isso: “Beijos intermináveis, despedidas incompletas, abraços impossíveis.”

    Uma sugestão seria enxugar um pouco, não porque um micro precise necessariamente ser enxuto, mas porque sobras tiram a graça e empobrecem. Mesmo tendo o direito às 99 palavras, usar apenas o necessário o torno mais interessante e forte.

    O que eu tiraria: o segundo e o último “tudo”, desnecessários e a palavra aparece cinco vezes.

    “por perto” – desnecessário. “apenas uma natureza infinita – óbvio. O “também”, desnecessário.

    Não entendi algumas quebras de frases em linhas diferentes. Foi proposital ou foi erro na formatação? Não se justifica para mim, embora não ache errado. É sua escolha.

    Na minha opinião, um tanto importante, na sua narrativa é o “Sentido tudo” no meio do texto. Você finaliza com a questão de que no momento em que ele se lembra e sente, o mundo recobra o movimento. Isso é forte, é o coração do micro. Fiquei confusa. Para tirar essa confusão e dar mais força ao fato de que após caminhar muito, apenas no final ele tem recordações e sentimentos tão fortes que são capazes de fazerem as ondas baterem nas pedras, eu eliminaria esse “Sentido tudo” no meio. Deixaria o personagem apenas como observador naquele instante, para, depois, vir a mudança do personagem, a emoção, o coração pulsando.

    Parabéns pelo microconto!

  19. Astrongo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    O conto tem potência lírica. A fragilidade do conflito é compensada pela densidade e de como foram utilizadas as palavras, no contexto. Dentro de sua proposta, é um texto bom. Há virtuosismo técnico e eficácia, descontando-se apenas a opacidade que, embora funcional, também limita o alcance dramático.

  20. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Tempus,
    Gostei bastante do conto, achei bonito e diferente. Poético.
    O caminhar na busca por algo que não sabe o que, até por fim encontrar em uma praia deserta.
    Parabéns!

  21. Thiago Amaral
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Opa!

    Li seu conto de uma maneira bastante literal. Sempre imaginei o que eu faria caso tivesse o poder de parar o tempo: leria muitos livros, assistiria filmes, andaria por aí, colocaria todas as coisas que tenho que fazer em dia. Em um desses devaneios percebi que talvez eu nem voltaria a fazer o tempo rolar de novo, porque as coisas que eu gosto de fazer são muito solitárias! Eu teria que fazer o tempo rodar só pra ficar com as pessoas que gosto, mesmo (mas só de vez em quando eu faria isso, desconfio).

    E parece que a sua história traz um cenário parecido. O personagem se vê num mundo parado, e experimenta tudo, mas de fora, um observador, andando parece que pelo mundo inteiro. Então, no vazio e silêncio da natureza, ele sente falta do viver, do movimento. E tudo volta, assim como a vida volta pro coração dele. A natureza se move, assim como o coração volta a bombear sangue. Eu só percebi isso agora, escrevendo esse comentário, ficou bom! hahahah

    Pois bem. Nem percebi a questão da disposição dos parágrafos, talvez porque tenha lido no celular. Mas eu também às vezes não presto atenção nessas coisas. De qualquer forma, a interpretação da Kelly me influenciou na segunda lida, agora na tela do computador, e ficou bonito. Espero que tenha sido de propósito, e se foi, parabéns!

    A linguagem é um pouco forçada pro poético (acho viv’alma bem batido, por exemplo), mas o significado por trás faz valer a pena, apesar de eu não saber se minha interpretação acertou na mosca.

    De qualquer forma, foi uma experiência interessante. Havia achado mediano, e agora estou gostando. Se não fosse obrigado a comentar, e houvesse apenas lido, acho que o final teria me passado desapercebido, e seria uma pena.

    Parabéns novamente e boa sorte no desafio.

  22. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    olá Tempus, você me traz um conto triste. Alguém que teve que buscar a solidão para viver a sua mudança (a metamorfose? confesso que depois de ler, reler e “triler” eu continuo com uma dúvida atrás da orelha, mas vamos considerar que sim). Acho que o bom microconto tem que dar um soco (vencer por nocaute, como o Cortazar (acho que foi ele) dizia e, infelizmente, não senti essa pancada na sua história. Reflexões bonitas, mas falta uma história mais concreta pra mim. Se existe, está além da minha competência de leitor (que na verdade nem é grande). Fica com meu abraço e que seu conto seja melhor considerado pela turma que irá avaliá-lo.

  23. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    As imagens são bem desenvolvidas. A metamorfose não ficou tão clara para mim. É um bom conto. Sucesso no desafio.

  24. Renata Rothstein
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Tempus, tudo bem?

    Bem, (re)viver começa com uma ideia interessante: o tempo congelou, e ele é o único que continua em movimento. Dá pra sentir que ele observa o mundo parado: pessoas, animais, carros e percebe beijos, despedidas e abraços impossíveis. A narrativa tenta transmitir a sensação de tudo vivido e sentido, mas acaba ficando meio repetitiva e alongada (‘tinha visto tudo. Sentido tudo.’ aparece várias vezes). A chegada à praia traz um momento de epifania: ele se lembra da companhia, das despedidas, do calor humano, e finalmente sai de um estado letárgico para voltar a viver (entendi assim).

    O texto tem poesia e tenta passar saudade e memória, mas a organização e o excesso de palavras prejudicam o impacto. O final é bonito, mas poderia ter sido mais marcante ou surpreendente. Desejo boa sorte no Desafio. Beijos!

  25. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Uma interpretação imediatista pode levar a crer que alguém morreu e não percebe essa situação, já que para ele/ela o tempo parou e tudo parece congelado. De repente chega a uma praia, que talvez seja uma espécie de porto de partida para o além. Nesse aspecto é um conto interessante, já que dá à morte um significado, não necessariamente poético, mas ainda assim provocativo. Seguindo essa linha de raciocínio, a frase final me pareceu um tantinho deslocada, desnecessária até.

    Por outro lado, prefiro pensar que o conto se ajusta a outras possibilidades. Que em vez de morto(a) o(a) protagonista sente-se fora de situação, ou melhor, separado da realidade, que não pertence a este tipo de mundo. Creio que essa vertente oferece mais possibilidades, pois leva o leitor a pensar nos motivos pelos quais ele/ela se sente deslocado a ponto de enxergar os outros apenas como espectros e porque, enfim, compreende seus desígnios quando chega à praia.

    Bom conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Rodrigo Ortiz Vinholo
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Confesso que não gostei tanto da proposta. Ele é bem escrito, e sugere pensamentos interessantes, mas a trama, se metáfora, me parece incompleta, e se fantástica pelo fantástico, deixa o final aberto em um nível que considero pouco satisfatório para um microconto. Talvez a proposta funcionasse melhor em um conto maior, com mais contexto, para nos importarmos com o protagonista. A sugestão de tema de luto existe, mas achei ela um tanto vaga. (Aliás, não sei se foi por algum erro na hora do post ou se foi uma opção autoral, mas achei a formatação um tanto estranha e incômoda.)

  27. Lucas Santos
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Tempus!

    Acredito que a metamorfose tenha acontecido após o congelamento do tempo, evento a partir do qual a personagem vê e sente tudo, passando por novas experiências e, por conseguinte, mudanças. Em outras palavras, as transformações do mundo são suspensas, enquanto as dele permanecem em movimento. Boa ideia!

    No início, pessoas, animais, carros, televisão, enfim, tudo paralisa, mas a vida continua. Dependendo de quem lê, é possível enxergar certa incongruência nesse segmento. As pessoas e os animais param, mas a vida continua? Compreendo que se refere à vida da personagem, mas pode soar paradoxal. Eu suprimiria esse trecho.

    Eu reescreveria a parte “Nenhuma viv’alma por perto, apenas uma natureza infinita” de forma mais lacônica, preservando o sentido, assim: Nem sequer alma por perto, apenas natureza. Desse modo, já causaria o impacto desejado, bem como falar que há apenas natureza — o advérbio apenas já cumpre o papel do adjetivo infinito.

    Em “Então se lembrou de tudo. Da despedida, das lágrimas. E também da companhia, dos sorrisos, do calor”, eu resgataria os substantivos do quarto parágrafo, sem os adjetivos que os acompanham. Reescrito, ficaria assim: Então se lembrou de tudo: dos beijos, das despedidas e dos abraços. Suprimindo as preposições: Então se lembrou de tudo: beijos, despedidas e abraços.

    Ao final, é possível sentir a placidez da personagem, o que é positivo. No entanto, concordando o colega Rangel, as ondas quebrando expõem uma incoerência, visto que tudo havia sofrido congelamento temporal.

    Espero que minha análise tenha sido construtiva. Obrigado, Tempus!

    • Priscila Pereira
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Priscila Pereira

      Oi, Lucas! Desculpe o pitaco no seu comentário, mas parece que você e o Rangel não entenderam uma coisa importante do conto. Quando o coração dele acelera por ver as ondas quebrando é porque naquele momento o tempo descongelou e tudo voltou ao normal. E não entendendo isso, prejudica todo o entendimento do conto. Claro que posso estar errada, nesse caso a autoria pode vir me corrigir! 😁 Até!

      • Lucas Santos
        10 de fevereiro de 2026
        Avatar de Lucas Santos

        Olá, Priscila!

        Fique à vontade para dar pitacos em meus comentários!

        Agora, enxergando pela sua ótica, faz bastante sentido.

        Muito obrigado pela elucidação!

  28. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, Tempus. Tudo bem? Gostei de como seu microconto deixa muito em aberto para a imaginação do autor. Ao usa rbem as entrelinhas, você acaba contando muito mais do que está escrito, e dessa forma valoriza o uso do limite de palavras. Sobre as possibilidades em aberto a que me refiro, acredito que o conto trate do luto, mas de dois lutos possíveis: o luto causado pela morte de alguém amado, ou o luto causado pela morte da vida como se conhecia, o luto que não é causado por uma morte literal, mas pela perda, pelo fim de algo a que se apegava desesperadamente. De todo modo, seja qual for o tipo de ‘morte’ que fez com que o tempo parasse para o protagosnita, o conto trabalha a ideia de ‘reviver’ de forma lúdica, com uma longa trajetoria do protagonista até encontrar a paz do espírito que fez o mundo voltar a girar. Só não acho que a forma mais poetica, com as quebras, tenha necessariamente contibuido para o conto. Ainda que nao atrapalhe, nao me parece haver uma função tecnica aqui. Parabens pelo trabalho!

  29. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Considero que o sucesso de um microconto está na capacidade de síntese: incluir o máximo de informação no mínimo possível de palavras. Há técnicas para se fazer isso. Figuras de linguagem, ambiguidades, variação de forma etc. É o que dá alma ao texto. Aqui, vejo esse tipo de recurso. É um microconto que, no fim, nos impele à indagação: “há algo de diferente, algo escondido”. O que há de escondido? Cabe ao leitor decifrar o mistério. Parece-me que este conto é uma alegoria da memória de um amor, do primeiro amor, da primeira vez… Quando o personagem se lembrou disso, foi como se o tempo tivesse parado, e ele passou a reviver momentos marcantes desse amor, para, ao final, desbravar a natureza crua da juventude inocente, onde tudo começou. Daí percebeu o quanto mudou, o quanto se tornou outro. As ondas vinham e vinham, levando a virgindade. É a interpretação que fiz do seu texto, e é a que julguei adequada ao tema do concurso. Gosto quando o texto nos chama a refletir desse modo, e o escritor não o entrega de mão beijada ao leitor. Provavelmente será bem debatido pelos colegas.

    Há alguns elementos, porém, que não compreendi. Cito a disposição anormal dos parágrafos. Não consegui identificar o papel que isso desempenhou na narrativa. Há também alguns pequenos detalhes que não apreciei. Por exemplo: “de súbito” é um tanto batido. Se você tivesse suprimido esse lugar-comum, o efeito seria idêntico, dado o corte seco entre os parágrafos. “Mas a vida continuou”: a conjunção adversativa é igualmente desnecessária, pois você já tinha dito que o personagem não congelara, ou seja, já havia exposto a contradição com o restante do período.

    Você pode alegar que isso são minudências, detalhismo exagerado. Talvez. Mas, nos microcontos, o diabo está nos detalhes! De todo modo, parabéns pela proposta! Me fez refletir um bocado.

  30. andersondopradosilva
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    No contexto do desafio, tão somente, não gostei do microconto. Ele não me contou uma história, ao menos não sem mais esforço do que seria razoável esperar de um microconto. Também o julguei demasiado adjetivado e um tanto antiquado no uso da linguagem. Por fim, não me ficou claro o motivo das quebras de texto, da escrita em versos – me soou forma pela forma, algo de que não gosto (pra mim, a forma tem de se prestar a um fim minimamente claro). Acho que este micro corre o risco de soar mais poesia do que prosa.

  31. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Adoro microcontos devido à facilidade de leitura e à riqueza de interpretações possíveis.

    Li e reli, acabei chegando a uma conclusão bastante subjetiva. Imaginei o(a) protagonista enfrentando algum tipo de demência, Alzheimer, algo assim. Por isso, tudo congelou, tudo a sua volta paralisou, o tempo parou. A vida continuou. Sim, ele ou ela continuava vivo(a). A descoberta da praia – um oásis – é um dos poucos momentos em que recupera a lucidez e se lembra de tudo o que viveu. E por isso é tão triste. Sinceramente, acho que não foi bem isso que você quis transmitir, mas gostei dessa ideia, então…

    Outra interpretação possível pode ser um momento pós apocalipse, onde só ele(ou ela) sobreviveu. Depois de um período de amnésia, lembra-se das despedidas… alguém partiu ou morreu? Quem sabe a(o) próprio(a) protagonista?

    Acho que está dentro do tema proposto.

    Quanto à revisão, não encontrei grandes falhas, só não entendi o deslocamento nos parágrafos. Foi proposital?

    Gostei do exercício de imaginação que o seu texto me provocou.

    Parabéns pela participação e boa sorte!

  32. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ótima sua descrição. Consegue transmitir bem a solidão do personagem. Deixa pontos abertos para reflexão, como todo bom micro conto deve ser. Merecia um conto maior e desenvolver o tema. Parabéns

  33. Priscila Pereira
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Tempus! Tudo bem?

    Eu vi o luto no seu micro. O tempo parou para todos, menos para ele, mas e se for ao contrário? Todos estão em movimento, mas é ele quem está congelado no tempo, revivendo infinitas vezes o que poderia ter sido e não foi, mas em algum momento, o luto se torna mais suportável, e as lembranças trazem um fechamento necessário, aí o tempo volta a passar para ele. A solidão, a melancolia, e um amor interrompido, mas eterno. Amei o micro! 💖

    Parabéns! Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  34. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    O tempo congelou de súbito, como as imagens, os lugares, as lembranças que foram sumindo aos poucos numa lenta transformação e de repente tudo pára. Poucas lembranças afloram à mente. O tempo nubla as ideias. Um dia encontrou um lugar de seu passado, onde esteva há anos e ali se sentia vivo e apaixonado, um lugar de encontros, mas também de despedida. Muito bom

  35. Nipar
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nipar

    Ótima sua descrição. Consegue transmitir bem a solidão do personagem. Deixa pontos abertos para reflexão, como todo bom micro conto deve ser. Merecia um conto maior e desenvolver o tema. Parabéns

  36. Kelly Hatanaka
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    O tempo para e o protagonista observa todas as cenas da vida e sente tudo. Cansa-se e, depois de muito tempo, encontra uma praia deserta e o vazio o faz se lembrar de tudo o que havia visto e, então, se comove.

    Este é um microconto muito bonito e poético, com imagens ricas. Porém, cadê a metamorfose?

    Entendo que houve uma mudança de estado. Ele passa de cansado para emocionado. Mas é uma passagem sutil, uma pequena mudança. Penso que numa situação como esta, de solidão e observação, muitas cosias poderiam mudar dentro da pessoa, grandes, significativas. Mas o que o conto mostra não é isso.

    Meu questionamento aqui não é sobre o tema. É só que, se a transformação fosse mais intensa, o texto ganharia força.

    Agora, uma coisa muito interessante e que exigiu bastante habilidade do autor é o formato do texto. Ele tem uma estrutura que lembra ondas no mar. Um pequeno movimento, mudanças que dão caminho a mais movimento, um movimento que recua, para que venha o novo e tudo isso dialoga lindamente com o conteúdo.

  37. Rangel
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rangel

    Olá, Tempus,

    Sua escrita é bastante poética e reflexiva. A repetição de palavras e dos fonemas T e V trazem uma ideia de que embora o tempo tenha parado, há algo cíclico nessa ausência de movimento. 

    Como sou um chatinho vou deixar uma observação: no segundo parágrafo é dito que ele observava tudo, incluindo as despedidas incompletas, mas no penúltimo parágrafo, após encontrar uma praia virgem, ele se lembra da despedida. Imagino que aqui ele tenha se lembrado de uma despedida específica (a morte, talvez?). Ainda assim me pareceu um descuido não intencional.

    Agora, sobre o final, quando o coração dispara, as ondas quebram. Pensei, se tudo estava parado, como as ondas quebraram? Será que o movimento retorna quando ele se recorda? Me lembrou um pouco a ideia reencarnacionista (re-viver). A praia virgem como esse novo corpo. O coração como o de um bebê que um dia dispara e então um novo movimento se reinicia. Me pareceu uma ideia muito bonita. Parabéns!

  38. toniluismc
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Tempus!

    O conto tem uma escrita fluida e uma atmosfera interessante; essa ideia do tempo congelado é sempre instigante. Mas aqui ela acaba soando meio batida, porque o texto não traz um olhar novo pra situação.

    A repetição do esquema “tudo ou nada” enfraquece o ritmo, e a tal “metamorfose” do personagem não convence, parece acontecer mais por força do tema do que por coerência interna. No fim, fica bonito de ler, mas um pouco vazio de sentido.

    De todo modo, parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  39. Léo Augusto Tarilonte Júnior
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Léo Augusto Tarilonte Júnior

    Achei seu microconto bastante interessante. O tema da metamorfose está bem claro na paralisia do mundo, que obviamente anteriormente estava em movimento. Sua ideia é bastante interessante. Ela nos leva a refletir sobre a solidão que vivemos hoje mesmo estando entre todas as pessoas. Me parece uma crítica a vida moderna onde vemos tudo pela tela do celular. Nessa cultura das postagens intermináveis de fotos de todos os lugares onde estamos. Um dia, encontrou uma praia virgem. Nenhuma viv’alma por perto, apenas uma naturezainfinita. Então se lembrou de tudo. Da despedida, das lágrimas. E também da companhia, dossorrisos, do calor.Nesse trecho acima eu trocaria apenas uma natureza por por apenas a natureza. Parabéns por este microconto bastante reflexivo e filosófico. Espero que minha pequena crítica ajude a melhorar de alguma forma a sua forma de escrever. Nos veremos futuramente em outros desafios.

  40. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei!!! Dá para sentir cada momento, cada emoção, como se estivesse junto com ele.

  41. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    ”despedidas incompletas” – amei.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .