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Detox Literário.

O Último (Kelly Hatanaka)

Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu único objetivo era livrar a humanidade desses monstros, banir o mal e as trevas, sempre, incansável, totalmente alheio a si mesmo.

Até que, finalmente, fincou a última estaca no último demônio.

Olhou ao redor, digerindo a estranha sensação de missão cumprida. A um canto, um móvel coberto por lençol chamou sua atenção. Descobriu-o. Era um espelho. Intrigado, percebeu que seu reflexo não estava lá.

Livre de qualquer emoção, só pode pensar:

“Quando foi que me transformei?”

38 comentários em “O Último (Kelly Hatanaka)

  1. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Ah, um microconto de vampiro, oba! Apesar da minha alegria, não espera, deixa eu comentar primeiro. Gostei de toda a trajetória. Dá pra imaginar que a missão não ia fazer ele feliz, nem concluir a jornada. Da pra sentir a passagem do tempo e o vazio dele no final. Mas vamos lá, seu final ta previsível. Ainda assim amei, eu adoro tudo que é de vampiro, são minhas criaturas sobrenaturais favoritas. Apesar da questão do desfecho é interessante pensar em como ele pode ter se transformado nas criaturas que ele odiava e matava. Talvez já estivesse anestesiado e não prestava mais atenção nenhuma nele mesmo.

  2. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Lestat

    Gostei da forma como nos contou sobre a transformação do caçador de vampiros em um vampiro, contando que sua imagem não foi refletiva pelo espelho. Todos que conhecemos histórias de vampiros sacamos na hora a transformação.

    “última estaca no último demônio”, pode parecer bobeira, talvez seja mesmo, mas estamos aqui pra dar pitacos mesmo, né? Muita coincidência ser a última estaca e o último vampiro… poderia colocar apenas “a estaca no último vampiro”. Eliminaria a repetição da palavra “última” e evitaria que pessoas estranhas como eu se incomodassem com essa coincidência entre o número de estacas e o número de vampiros rsrs. Você pode me dizer que é a última estaca a ser enfiada no vampiro, por ser o último, e não a última estaca no armário das estacas, mas me fez parar de ler e ficar pensando… você deve estar com vontade de ver se tem mesmo mais uma estaca para enfiar no meu coração agora, né?

    O final ficou muito explicativo, poderia ter acabado antes, em “percebeu que seu reflexo não estava lá”. Fica mais interessante. Como eu disse lá no começo do meu comentário, a imagem não refletiva no espelho já passa a mensagem. O restante pareceu ter sido colocado para deixar mais clara a adequação ao tema.

    Pode pensar – pôde pensar

    Parabéns pelo texto!

  3. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Uma história meio “blade”, hehe.

    Gostei, bem interessante. A a mudança silenciosa, transformar-se aos poucos naquilo que combate. Não é uma ideia tão original, mas aqui é bem executada.

    Parabéns pelo bom trabalho!

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Um conto de fantasia no formato microconto é uma decisão corajosa, porque esse gênero depende de ambientação, de estabelecimento do universo… Sem isso, o texto se estabelece pelos clichês das histórias de vampiros. E isso enfraqueceu a minha recepção como leitor logo de entrada. O texto é escrito de forma clara e concisa, o que permite uma leitura agradável. O fato de o caçador se tornar um vampiro é interessante, embora previsível. O ponto positivo desse microconto em relação ao desafio é que a metamorfose acontece sem que o personagem se dê conta, levantando a questão final: como isso aconteceu? Essa é uma boa sacada. Acredito que a história funcionaria melhor em um formato mais longo.

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi Lestat,

    Eu gostei do seu microconto, ele tem uma leitura literal (a história do vampiro) e uma leitura moral (virar aquilo que você condena enquanto se acha puro, corrosão da identidade, ser vítima de si mesmo).

    O problema é que o trecho final estraga esse golpe. Ele explica demais e põe legenda no que já estava brilhando. Se o texto terminasse no choque do espelho, o leitor faria a pergunta por conta própria e a reverberação seria bem mais forte.

    De toda forma, a metamorfose tá bem colocada e o microconto é bom. Parabéns!

    Boa sorte no desafio.

  6. leandrobarreiros
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Lestat.

    Que bom, um pouco de fantasia para mudar um pouco o clima.

    E, como toda boa fantasia, ela diz respeito a um problema bem real que é a transformação pela qual muitos de nós passamos, nos tornando aquilo que odiamos, ou que temos problemas com, talvez até por sermos nós mesmos aquilo.

    Nesse sentido, acho que uma boa resposta para o “quando me transformei?” poderia ser, quem sabe, “já era assim desde o início”.

    Mas eu não gostei tanto do encerramento com a última frase. Não sei explicar bem o motivo. Acho que da a impressão do personagem estar em aceitação para com a situação. Eu acho que ficaria melhor com um pouco de ironia ou tragédia.

    Enfim, o conto é um bom respiro fantástico.

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Lestat! Teu conto traz aquela ironia clássica que eu adoro: o caçador que, na obsessão de banir as trevas, acaba se tornando o próprio monstro. A imagem do espelho revelando a ausência de reflexo é o ponto alto e amarra o tema da metamorfose de forma certeira.

    Mas ó, sendo direto: o início está um pouco carregado de clichês como “mais tempo do que conseguia se lembrar”. Além disso, você “mastigou” demais o final. O impacto seria muito maior se terminasse no choque de não ver o reflexo, deixando o leitor concluir a transformação sozinho. Na gramática, um detalhe: em “só pode pensar”, o correto seria “só pôde”, por se tratar do passado.

    É um texto redondinho e funcional, mas que ganharia mais força com uma poda nas explicações finais.

  8. Astrongo o Brabo
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo o Brabo

    O caçador passa a vida eliminando vampiros sem se dar conta de q era um. A revelação é previsível desde o momento em que o objeto aparece e essa pergunta ao final pareceu muito didática, não precisava dela. Funciona um pouco como o sentimento melancólico dos vampiros que, vivendo eternamente, acabam perdendo o sentido da vida esquecendo até o que são, de tanto que vivem.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Gosto da forma como o texto trabalha a ironia clássica do caçador que, sem perceber, se torna aquilo que combate. A narrativa é direta e funciona bem dentro da proposta, especialmente no momento final, quando o espelho revela o que ele mesmo ignorava. Um micro como dizem por aí: redondinho. E com uma boa virada, a partir do que o próprio leitor precisa construir em sua imaginação. É um bom exercício esse.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Tava demorando pra aparecer um vampiro… mas o autor soube utilizar esse universo tão presente em obras literárias e cinematográficas para questiona um ponto interessante: são as pessoas transformadas ou elas se transformam? O uso do espelho, também presente na mitologia vampiresca, foi um recurso útil e bem aplicado. Não me ligo muito a esse universo, mas reconheço o bom trabalho do autor. Parabéns, sucesso no desafio!

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá Escritor(a), tudo bem ?

    Seu microconto trabalha muito bem a transformação interna do caçador de vampiros, que após cumprir sua missão se dá conta de que ele próprio mudou, de forma sutil e profunda. A ausência do reflexo no espelho funciona como metáfora perfeita da metamorfose existencial e psicológica, provocando reflexão no leitor sobre identidade e transformação pessoal.

    O que funciona: a narrativa é clara, direta e envolvente; o suspense e a revelação final são eficientes e impactantes. A metamorfose não é explícita, o que aumenta o mistério e força o leitor a refletir.

    O que poderia melhorar: algumas passagens iniciais poderiam ser ligeiramente mais enxutas para acelerar o ritmo e aumentar o impacto do final; pequenas sugestões sobre a relação do caçador com o mundo antes da transformação poderiam reforçar o contraste.

    No geral, é um microconto eficaz, misterioso e simbólico, com metamorfose interna muito bem executada, transmitindo reflexão e surpresa.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  12. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Caramba…

    Enquanto caçava aquilo que odiava, ele se tornou exatamente o que caçava. É uma grande analogia à hipocrisia. Muitas vezes condenamos e perseguimos aquilo que somos, profundamente. Ou, aos poucos, nos tornamos aquilo que condenamos. É uma mensagem forte dentro de um micro excelente. 

    A história é tanto literal quanto metafórica. Excelente!

    Um dos meus favoritos.

  13. Priscila Pereira
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Lestat! (Gosto de pesquisar os pseudônimos e o seu é um personagem das crônicas vampirescas da Anne Rice, legal!) Tudo bem?

    Muito interessante seu micro, daria um ótimo conto, ou até romance. Tem muitas possibilidades de enredo, de aprofundar os motivos, as causas, o que levou ele a se transformar em um dos que ele tentava destruir… gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  14. Mariana
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá. O seu micro me lembrou um filão de filmes bastante específico, tipo Anjos da Noite, Van Helsing e afins. Não só pelo elemento fantástico, mas pelo caçador acabar se percebendo transformado naquilo que ele odiava. Está bem escrito, atendeu ao tema e foi divertido de ler. Mas não surpreendeu, deu para adivinhar o final no começo. Enfim, às vezes um bom arroz e feijão é o que basta não? Digo isso da forma mais respeitosa possível e como um elogio. Parabéns e boa sorte no desafio

  15. Wilian Cândido Corrêa
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    No início do desafio, comentei rapidamente: “Que intensidade nessa metamorfose silenciosa; me marcou de verdade.” Essa leitura foi imediata e emocional, mas ao revisitar com mais calma e considerando tanto o tema do desafio (metamorfose) quanto as respostas que o conto provocou nos demais participantes, penso que há mais a dizer.

    Seu microconto parte de um cenário arquetípico. O caçador de monstros — e, em poucos parágrafos, desloca esse papel até revelar uma transformação interior. Percebo na minha leitura que o protagonista torna-se aquilo que sempre combateu. Essa virada é o núcleo metafórico da obra (a metamorfose não é física, mas existencial). Ao não encontrar seu reflexo no espelho, ele descobre que sua identidade foi corroída pelo próprio zelo obsessivo (a mesma dinâmica que, na literatura clássica e na vida real, frequentemente transforma o juiz em carcereiro, o curador em carrasco).

    O reflexo ausente funciona como símbolo de um eu perdido no processo (não apenas na transformação em vampiro, mas no desvanecimento de tudo que o definia como humano). Isso dialoga diretamente com o mote do desafio: metamorfose enquanto mudança de estado que não é percebida até estar consumada.

    Nos comentários, leitores como Leandro Vasconcelos destacaram a eficácia da virada final e o papel da imagem do espelho, observando como o conto entrega o desfecho ao leitor, provocando reflexão. Já outros pontuaram que o caminho até essa revelação pode parecer um pouco previsível ou alongado (especialmente para leitores acostumados a reviravoltas mais sutis) e que a economia de linguagem poderia intensificar ainda mais o impacto da metamorfose.

    Minha posição atual é que O Último (Lestat) está na minha lista porque ele capta a essência da metamorfose como mudança psicológica e moral de forma concisa e simbólica. O uso do espelho como dispositivo narrativo (ausência em vez de presença) é um recurso potente que cumpre duplamente o tema e a surpresa. No entanto, se houver espaço para pensar a narrativa de forma ainda mais enxuta, isso poderia elevar ainda mais o efeito final.

    Parabéns pela construção que provoca reflexão mesmo depois da primeira leitura.

  16. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Lestat!

    Tudo bem?

    Geralmente essas histórias meio fantasias meio medievais não me conquistas. Ainda bem que isso não ocorreu dessa vez.

    Esse é um conto interessante. Está bem construído gramaticalmente e traz em seu escopo uma questão existencial que me cativou; o caçador de vampiros tornou-se tão obcecado em destruir o arquétipo fruto do seu ódio que acabou tornando-se no seu próprio algoz, sem perceber a metamorfose.

    O desfecho aberto ressoou na minha cabeça. “E agora, o que sobra para o último? Matar-se ou carregar consigo a maldição vampiresca?”

    No mais, o único retoque eu sugiro nesse microconto seria comprimir ele um pouco. Senti que há alguns trechos que explicam o que a descrições das ações já estão sugerindo. Confie na força da mensagem.

    Por exemplo:

    Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu único objetivo era livrar a humanidade desses monstros, banir o mal e as trevas, sempre, incansável, totalmente alheio a si mesmo.

    No mais, parabéns pelo trabalho!

    Atenciosamente,

    Givago

  17. Pedro Paulo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    O micro aborda o tema, mas não se aproveita bem do pouco espaço para um desenvolvimento mais sofisticado. Inicia-se com uma forma clichê de estabelecer o tempo de dedicação do personagem e segue na mesma toada genérica em caracterizá-lo, impedindo uma relação de quem lê com esse caçador de vampiros. Assim, o desfecho dá uma reviravolta não tão surpreendente e sem impacto devido ao persomagem não ser tão instigante em sua breve apresentação.

  18. Leandro Vasconcelos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor/autora? Gostei do seu micro, que consegue sintetizar um impacto, uma reviravolta marcante: o caçador que, subitamente, se descobre caça. É um efeito bem explorado na literatura, mas aqui foi habilmente inserido num conto de 99 palavras, o que é muito difícil. No final, fica a indagação: restou um demônio, o próprio caçador. O que ele fará? O dever vai novamente se impor? Você entregou o desfecho nas mãos do leitor. Há ainda aquela dúvida: será que sua transformação se deu por causa do contato direto com o mal? A ideia de que a justiça, no fim, não difere muito do mal que pretende combater. E, quando é para aplicar essa justiça sobre nós mesmos, será que teremos a mesma capacidade de julgamento com a qual fuzilamos o próximo? Fica mais essa reflexão. Bom conto!

  19. Gustavo Araujo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Creio que este conto é mais do que uma história sobre vampiros (ainda bem!), já que fala de descobertas, ou melhor, de percepções de si próprio. Talvez o protagonista fosse vampiro desde o início e, assim como os humanos, tenha voltado sua existência para a destruição dos semelhantes, enxergando neles seus próprios pecados. Por que não destruir no outro aquilo que não gosto em mim?

    Bom, sei que essa minha interpretação pode não ser a correta, já que é possível que o vampiro só tenha se tornado esse ser sobrenatural em algum ponto que ele mesmo desconhece, durante sua jornada de destruição. Mas essa é uma linha reta demais na minha opinião, que tira o brilho da história, já que deixa o fim um tanto previsível, telegráfico.

    De qualquer forma, é um conto bem escrito, bom de ler. Parabéns e boa sorte do desafio.

  20. Rodrigo Ortiz Vinholo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gosto da ideia, especialmente da metamorfose que não é percebida até ser tarde demais, mas pessoalmente achei a execução da trama menos interessante do que a premissa. O caminho fica previsível desde o começo, e ainda que eu goste da frase final, que levanta bem a problemática, a construção até ela não ficou tão inspirada.

  21. Kelly Hatanaka
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um ótimo micro, com subtexto e uma história que vai além de um clássico caçador de vampiros. Ele fala da transformação naquilo que odiamos. No abismo que nos olha de volta e de como este processo é silencioso.

    E aí entra minha discordância sobre algo que parece ser uma unanimidade nos demais comentários: as duas últimas frases.

    Não gosto de ficar “reescrevendo” o conto que estou comentando. Cada autor tem sua forma de escrever. Mas, não resta dúvida de que as duas últimas frases diminuíram o impacto do final do conto. Isso é indiscutível.

    Só que, a meu ver, estas duas frases cumprem uma função: mostrar a forma silenciosa, imperceptível, com que a transformação se deu. Aí fica claro que o caçador nunca foi mordido por um vampiro. Sua transformação foi interna, silenciosa e espontânea.

    Ou seja: as duas últimas frases enfraqueceram o impacto, mas elas têm função dentro do texto. Mudaria isso? Não sei, o texto não é meu. Mas enfim, gostei muito.

  22. toniluismc
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Lestat!

    Esse conto tem uma premissa sólida e faz uma crítica pertinente à caça às bruxas internas: o caçador que, no fim, vira o monstro que combatia é uma metáfora clássica, mas ainda eficaz.

    A virada do espelho sem reflexo fecha bem, deixando o leitor com essa pergunta incômoda sobre autopercepção e identidade perdida. O problema é mesmo o excesso de palavras: frases como “sempre, incansável, totalmente alheio a si mesmo” e aquela que encerra o texto alongam desnecessariamente, diluindo o punch que um microconto precisa.

    Dá pra contar a mesma história em metade do espaço, cortando redundâncias e indo direto pro espelho. Isso aumentaria o impacto e deixaria a transformação mais aguda. É um texto correto, funcional, mas que não arrisca na economia pra brilhar de verdade.

    Boa sorte no desafio!

  23. Lucas Santos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Lestat!

    O tema é posto no final do texto, quando o personagem descobre ser vampiro. No entanto, o momento da metamorfose é incerto, tanto para ele quanto para o leitor, o que é um ponto positivo. Nem tudo precisa ser exibido.

    Eu reescreveria e reduziria o primeiro parágrafo, assim: Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu propósito era extingui-los da humanidade. O trecho “Banir o mal e as trevas” soa vago, tendo em vista que o personagem caçava, especificamente, vampiros.

    Estou alinhado com os colegas que sublinharam as duas últimas linhas. De fato, poderiam ser subtraídas. No entanto, compreendo que o (a) autor (a) tenha tentado traduzir o final para aqueles que não têm familiaridade com as particularidades dos vampiros.

    É importante destacar que, talvez, o microconto não seja sobre vampiros, mas humanos. Às vezes, nos tornamos aquilo que mais condenamos e, quando percebemos, é tarde.

  24. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Um caçador de vampiros que acha ter exterminado a todos, até que se olha no espelho e não vê o seu reflexo… Achei uma interessante metáfora para a questão do mal no mundo. Ele não pode ser exterminado, porque está dentro de todos os viventes. Ele faz parte da vida. Seu conto está bem colocado, ficou bacana. Parabéns pelo seu trabalho e boa sorte no Desafio. 

  25. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Um conto que poderia ser tomado como superficial, como só mais uma história de vampiro, mas que supera o obstáculo ao tratar do risco do perseguidor se tornar o perseguido, fenômeno muito comum na política, em que, no afã de levar a efeito seus projetos, o oprimido acaba por, ao conseguir vitórias, se tornar o opressor. Quanto ao conto, peca apenas por não ter acabado antes das duas últimas linhas.

  26. Luis Guilherme Banzi Florido
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Fala, Lestat! tudo bem? Um conto interessante sobre um homem que se torna o monstro que caçou a vida toda. Isso pode ser entendido tanto no sentido literal quanto metafórico, né? Isso é bem legal. Acho que a última frase é descartável… poderia ter finalizado em “percebeu que seu reflexo não estava lá.”, pois o restante ficou implícito. Acho que essas gordurinhas podem ser cortadas num micro, melhorando o resultado final. De todo modo, uma história bem contada, que pode ser lida, como já disse, literal ou metaforicamente. É aquilo, ele dedicou a vida toda a uma obsessão, e agora que terminou, o que faz? O que ele é? Bom trabalho, parabens!

  27. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Na longa jornada o justiceiro perdeu-se, transformando-se em suas ameaças. Está bem escrito. Desejo sucesso no desafio.

  28. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    A metamorfose acontece sem o protagonista se dar conta até que se olha no espelho e nada vê. O caçador de vampiros se tornou um deles.

    Não encontrei falhas de revisão, exceto por:

    • […] só pode pensar > só pôde pensar (o verbo poder recebe acento circunflexo no pretérito perfeito)

    Narrativa bem conduzida, mas realmente as duas últimas frases não são necessárias. Entendo que o(a) autor(a) tenha tentado deixar bem clara a metamorfose para não fugir do tema, mas não precisava.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  29. Antonio Stegues Batista
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    A introdução está perfeita, se torna o pilar para a construção final (e do entendimento do mote). Eu também pensei em vampiros, mas optei por outra coisa. Seu conto está bem formado e bem explicado. A falta de reflexo no espelho diz tudo. O título é um adorno ilustrativo e impactante. Conto bem escrito, sem erros, e uma boa ideia. Parabéns.

  30. Fabiano Dexter
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Lestat,
    Gostei da história, conseguiu contá-la de forma simples e direta, seguindo uma sequência de eventos.
    Gostei do final, ainda que nao tenha sido surpreendente para mim, acho que o título leveva um pouco para esse lado.
    Ainda assim uma boa história que deixa apenas uma dúvida: ele se matou para dar fim à maldição ou será o primeiro após ter sido o último?

  31. Thiago Amaral
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Conto simples, mas que funciona como uma alegoria bem representativa dos tempos atuais. O justiceiro que se descobre tão ruim, talvez quanto os que caça. Ou talvez uma oportunidade para perceber que o que ele caçava não era tão ruim? De qualquer maneira, rico em reflexões sem ser pretensioso.

    Concordo que a estrutura dê a entender que vai ter uma punchline, mas eu esqueci do tema, e por isso não pensei que o final seria necessariamente uma transformação. Mas era óbvio que teria uma virada ali, e quando acontece não é grande surpresa.

    Eu também apagaria os dois últimos parágrafos A ausência de reflexo dá conta do recado.

    No geral, um texto honesto, bacana, com um pouquinho de excesso no final.

  32. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, autor (a)

    Eu li já imaginando que o caçador acabaria se tornando aquilo que combatia, e o espelho sem reflexo confirma essa expectativa. A ideia é boa e combina com o tema da metamorfose, mas o caminho até a revelação entregou cedo demais o final. Talvez um desvio na narrativa ou menos pistas deixasse o desfecho mais surpreendente.

  33. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Boa noite, Lestat,

    Sinto que seu texto depende totalmente da revelação final. Em si isso não é um problema. Mas se torna um problema quando o leitor já consegue prever a revelação antes da hora (aconteceu comigo e com o colega Nipar, acima).

    De todo modo, há uma relação bem interessante entre o espelho e a transformação do herói naquilo que ele mais odiava (conforme o colega acima destacou). É particularmente rico, do ponto de vista literário, que essa relação se dê por meio de uma imagem ausente: o herói não vê o vampiro ao espelho, e por isso sabe-se vampiro. Alguma coisa me diz que essa relação poderia estar mais bem construída (quem sabe omitindo informações, pois aqui se trata justamente de uma imagem omissa, chave da revelação).

    Poderia ser algo assim: “Olhou ao redor, digerindo a estranha sensação de missão cumprida. A um canto, um móvel coberto por lençol chamou sua atenção. Descobriu-o. Era um espelho. Nele, nenhum vampiro. Desesperou-se.”

  34. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Gostei da ideia. Gramática 100%. Mas após a segunda frase já se percebia o final. Não acho que o erro foi do escritor, mas o tema nos leva a pensar na transformação

  35. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Adorei, mas pararia em “sua sombra não estava lá”. Já dá entendimento da transformação e não cai no óbvio.

  36. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece no momento que o caçador de vampiros percebe sua própria transformação quando não vê seu reflexo no espelho. É bem comum nos transformarmos naquilo que mais odiamos muitas vezes sem perceber. Um ótimo exemplo de quando a fantasia é utilizada como instrumento de auto-reflexão.

  37. Nipar
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nipar

    Gostei da ideia. Gramática 100%. Mas após a segunda frase já se percebia o final. Não acho que o erro foi do escritor, mas o tema nos leva a pensar na transformação.

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que intensidade nessa metamorfose silenciosa; me marcou de verdade.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .