Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu único objetivo era livrar a humanidade desses monstros, banir o mal e as trevas, sempre, incansável, totalmente alheio a si mesmo.
Até que, finalmente, fincou a última estaca no último demônio.
Olhou ao redor, digerindo a estranha sensação de missão cumprida. A um canto, um móvel coberto por lençol chamou sua atenção. Descobriu-o. Era um espelho. Intrigado, percebeu que seu reflexo não estava lá.
Livre de qualquer emoção, só pode pensar:
“Quando foi que me transformei?”
Adorei, mas pararia em “sua sombra não estava lá”. Já dá entendimento da transformação e não cai no óbvio.
Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece no momento que o caçador de vampiros percebe sua própria transformação quando não vê seu reflexo no espelho. É bem comum nos transformarmos naquilo que mais odiamos muitas vezes sem perceber. Um ótimo exemplo de quando a fantasia é utilizada como instrumento de auto-reflexão.
Gostei da ideia. Gramática 100%. Mas após a segunda frase já se percebia o final. Não acho que o erro foi do escritor, mas o tema nos leva a pensar na transformação.
Que intensidade nessa metamorfose silenciosa; me marcou de verdade.