EntreContos

Detox Literário.

No Escarlate do Beijo Borrado (Luis Guilherme)

Inclinou-se em direção a Catarina, boca sedenta, costas rangendo ao peso do tempo e destino. Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em si desejo impossível. Descerrou o véu daqueles olhos ocos que então miravam o vazio. Partiu. Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo. Simultâneo, o estrondo de um corpo que despencara, despido da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe. Do ventre, instantes atrás vazio, agora à luz era dado um algo. Não um alguém, mas a mistura infame do que outrora fora puro.

56 comentários em “No Escarlate do Beijo Borrado (Luis Guilherme)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Inclinou-se em direção a Catarina, boca sedenta, costas rangendo ao peso do tempo e destino. Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em si desejo impossível. Descerrou o véu daqueles olhos ocos que então miravam o vazio. Partiu. Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo. Simultâneo, o estrondo de um corpo que despencara, despido da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe. Do ventre, instantes atrás vazio, agora à luz era dado um algo. Não um alguém, mas a mistura infame do que outrora fora puro.

    Oi, Nygaard.

    Achei o conto interessante, mais pela aparência de ter uma mensagem de fato do que qualquer outra coisa.

    . Está no limiar do “não entendi nada” com o “tem alguma coisa claramente acontecendo aqui”. Então não me parece abstração por abstração. Assim, acabou chamando minha atenção e me prendendo.

    O problema é que não consegui concluir nada.

    Quando acho que entendi uma linha a outra parece divergir.

    Entendi “desejo impossível” como um amor proibido. Talvez fosse amante de Catarina e os olhos ocos não são necessariamente de morte, mas de alguém que morreu em vida.

    O escarlate não é necessariamente sangue, pode ser batom. Um corpo despido de alma remete a morte, mas também pode estar falando sobre alguém que pecou e por tanto perdera a alma. E o corpe que cai ele… ele…

    AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto tá bem escrito, mas me perdoe dizer isso, só que achei poético demais. Eu acho que houve um beijo, houve uma morte, mas no geral eu não entendi. Ficou enigmático pra caramba, o que era puro? O amor? Falou de ventre, então havia um bebê? A morte foi da mãe e do bebê no ventre dela? Por que os lábios explodiram? Isso deve ser simbólico. Eu entendo mas o estrondo do corpo caindo foi um corpo como um terceiro? Ou era de alguém que participou desse beijo fatal aí? Enfim, seu microconto só me gerou perguntas e quase nenhuma resposta. kkk. mas tá muito bem escrito.

  3. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    É um pacto fáustico erótico. O beijo funciona como transação de almas: alguém beija Catarina morta e, nesse ato de necrofilia metafísica, troca sua própria vida pela dela, gerando algo monstruoso no ventre antes vazio.

    A linguagem barroca é muito boa.

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Nygaard

    Seu microconto é cheio de poesia. Avre espaço para interpretações variadas, em alguns momentos me pareceu bastante cifrado. Confesso que precisei ler várias vezes e não sei se captei o que você gostaria que eu tivesse captado. Esse hermetismo não é um problema, é uma escolha, um risco…exige mais do leitor e diminui as chances de passar a mensagem.

    Algumas escolhas me incomodam, como “lábios assimetricamente explosivos”, primeiro pela repetição da ideia, já foi citada a explosão dos lábios, depois pq fica complicado, pelo menos para mim, imaginar e entender o que seria algo assimetricamente explosivo.

    “Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo” – gostei dessa construção. Não é à toa que está no título também.

    No final, o ventre, que não traz aguém, mas algo, é bastante enigmático.

    Parabéns pelo texto!

  5. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    A primeira leitura foi um desastre, li e não entendi nada. A segunda e a terceira me deixaram ainda mais confuso. Prefiro textos mais claros, mais concretos. Só entendi o que acontece nele depois de ler os comentários. Aí reli o conto e consegui aproveitar um pouco da construção do texto, os recursos de estilo, etc. Fico com essa impressão: quem escreveu esse conto não é ingênuo! A obscuridade não é acidental, afinal o texto não é tão confuso, é hermético. Admiro, portanto, a coragem de apostar num estilo que não agrada facilmente. Outro ponto é que, mesmo na primeira leitura, sobressaía a vertigem da cena e a sensação de um ar pesado, bem como a impreesão de um cenário bizarro, mesmo sem entender quem estava fazendo ou sofrendo o quê. Infelizmente, a minha primeira recepção a esse texto não permitiu que eu o reconsiderasse melhor, já que outros contos do desafio me ganharam logo na primeira leitura e continuaram entregando novas associações e possibilidades a cada vez que os lia.

  6. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Nygaard.

    Será que você imaginou a polêmica que seu microconto causaria?

    Pois bem. Sobre o enredo, você põe em cena um beijo pesado, quase fatal, que parece misturar desejo e condenação e termina com “alguma coisa” nascendo do ventre, não como pessoa, mas como “mistura infame do que outrora fora puro”.

    O que marcou mais no texto foi a linguagem gótica barroca, a metáfora em alta voltagem, corpo, alma, escarlate… danação, tudo para sugerir uma transfiguração mais simbólica do que “explicada”. Isso cria uma atmosfera forte, mas também pode deixar a metamorfose meio nebulosa, porque a linguagem às vezes encobre a cena em vez de revelar. Acho que você se arriscou aí, mas eu gosto de gente que não fica no lugar comum. Que arrisca.

    A meu ver você abordou bem o tema.Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Nygaard! Teu conto é um mergulho visceral num cenário gótico e barroco que me deixou bem impressionado, embora um tanto confuso. A atmosfera de “vida e morte” condensada num beijo é potente e produz um sentimento de suspense sombrio e perturbador.

    O que me agradou foi a força sensorial das imagens, como o “escarlate borrado”. No entanto, sendo direto: o texto é denso demais. A linguagem rebuscada e o excesso de adjetivos acabam por “soterrar” a clareza da narrativa, dificultando a compreensão do que realmente ocorreu — foi um crime, um pacto sobrenatural ou uma metáfora de danação?. Tecnicamente, notei que “assimétricamente” não leva acento.

    No geral, sua escrita demonstra uma sofisticação literária admirável, mas a metamorfose final ganharia muito mais impacto emocional se o enredo fosse menos opaco.

  8. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Intenso.

    Na primeira leitura, imaginei uma cena mórbida. Sombria. Uma pessoa obcecada que está diante de seu objeto de desejo, mas, logo depois do ato, seja sexual não consentido, seja do desviver, sentiu a chama apagar. O desejo de querer o que nunca pode ter, o tédio de conquistar aquilo que sempre desejou, mesmo pela força. Na segunda leitura, por incrível que parece, entendi outra coisa. Algo mais leve. Como o primeiro beijo de uma pessoa. Sempre pensamos que algo vai ser melhor antes de experimentar. É um micro multifacetado. E dá para extrair muita coisa dele. Essa é uma grande qualidade. Mas ele é muito poético. Muita gente não gosta de textos que exigem que o leitor complete a história. É um risco, mas acredito que valeu a pena. O resultado ficou ótimo.

    Gosto de autores ousados.

  9. Asstrongo
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    O beijo não é romântico, mas sim uma explosão que fere. Ela ganha no ventre algo que não é gente, isso é assustador. O então sabe-se que que os olhos são ocos, o que torna a coisa mais assombrosa. Fiquei incomodado com esse micro, mas o complicado do micro é exatamente isso, se ele te incomoda por causar um desespero ou se ele te incomoda por você ter que criar um mundo paralelo para manter o entendimento.

  10. danielreis1973
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise: Restou da leitura uma sensação de 50 tons de cinza, misturado com horror necrófilo (do qual já explorei num conto aqui no EC, chamado Mea Culpa). Gostei do ritmo, alternando frases longas e curtas. Porém, não gostei justamente da construção das frases, trazendo às vezes ideias imprecisas ou ambíguas, em expressões complexas que não entendi absolutamente (“… da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe.”)  – custo impossível? Danação do amor?). Desculpe minha limitada capacidade, mas não consegui captar. Mesmo assim, desejo boa sorte no desafio.

  11. danielreis1973
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Restou da leitura uma sensação de 50 tons de cinza, misturado com horror necrófilo (do qual já explorei num conto aqui no EC, chamado Mea Culpa). Gostei do ritmo, alternando frases longas e curtas. Porém, não gostei justamente da construção das frases, trazendo às vezes ideias imprecisas ou ambíguas, em expressões complexas que não entendi absolutamente (“… da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe.”)  – custo impossível? Danação do amor?). Desculpe minha limitada capacidade, mas não consegui captar. Mesmo assim, desejo boa sorte no desafio.

  12. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    O texto cria uma atmosfera densa e trágica, quase barroca, em que o beijo se torna ao mesmo tempo morte, condenação e origem de algo impuro. Realmente não sei se entendi bem, mas gosto de como a narrativa trabalha esse excesso sensorial: o escarlate, o corpo que cai, o “algo” que nasce… tudo sugerindo mais do que explicando, como se a história acontecesse num espaço simbólico. Fica um micro carregado de dramaticidade e imagens fortes, que aposta na sensação antes da clareza.

  13. Mariana
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá. A minha interpretação – Catarina foi estuprada por alguém mais velho e, após o crime que sofreu, cometeu suicídio. É um conto poético, no qual as palavras jogam um jogo que não é para todo mundo. A metamorfose estaria no ventre de Catarina? Talvez eu não seja tão capaz de compreender, espero que o trabalho seja apreciado pelas pessoas certas. Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Escritor(a), seu microconto explora de forma intensa a transformação radical do corpo e da alma. O beijo e o encontro com Catarina funcionam como catalisador de uma metamorfose violenta, quase alquímica: vida e morte se misturam, e a pureza se corrompe, criando uma sensação de fascínio e horror. O que funciona: a força poética, a riqueza de imagens e a densidade simbólica prendem o leitor e transmitem o impacto da metamorfose de maneira muito original. A linguagem intensa reforça o tema de transformação física, emocional e espiritual.

    O que poderia melhorar: a densidade e complexidade do texto tornam a leitura extremamente difícil; algumas imagens e construções poderiam ser ligeiramente simplificadas ou reorganizadas para que a metamorfose fique mais perceptível e o leitor consiga acompanhar sem se perder na linguagem. Pequenos ajustes aumentariam o impacto sem perder a intensidade poética. No geral, é um microconto potente, original e simbólico, que trabalha metamorfose de forma dramática e arrebatadora.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  15. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Nygaard,

    Confesso que chego um tanto cansado depois de trinta e tantos textos lidos e analisados. Na verdade li “Escarlate” lá atrás e posterguei o comentário. Erro meu, talvez. Hoje me vence a preguiça de destrinchar o labirinto verbal que você erigiu. Escrevo “erigiu”, “escarlate”, e me pego pensando em Carlos Argentino Daneri, de “El Aleph”. Do conto de Borges, a gente costuma lembrar de Beatriz Viterbo e da visão do objeto mágico, mas mais da metade do texto é francamente humorístico e trata das escolhas poéticas pedantes do rival de Borges, Carlos Argentino Daneri. Leia (ou releia). É demais.

    Não estou dizendo que seu texto é pedante. Eu mesmo, no desafio passado, mandei um “carmim” no título. Meu próprio conto, neste desafio, foi parar na categoria dos “crípticos”, conforme alguns. Mas me pego aqui pensando nas motivações das suas escolhas estéticas. E das minhas também. É uma longa conversa…

  16. Lucas Santos
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Nygaard!

    O texto retrata a atração proibida entre uma criatura mítica e Catarina, uma humana. A sentença “As costas rangendo ao peso do tempo e destino” indica imortalidade, levando a crer que a criatura é um vampiro. É justamente em razão do contraste de naturezas que a relação entre os dois é proibida. A sina dele é matá-la, e ela sabe disso. No entanto, comparada ao desejo, a morte torna-se insignificante, e eles cedem: beijam-se. Os lábios da vida (Catarina) tocam os da morte (vampiro).

    A expressão “Descerrou o véu daqueles olhos ocos que então miravam o vazio” refere-se à metamorfose de Catarina. O véu simboliza tanto barreira visual quanto pureza. Assim, quando ele abre o véu de seus olhos, ela passa a enxergar o que não via, sem a inocência de antes.

    Em “Partiu. Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo”, o vampiro a descarta, visto que seu desejo já tinha sido saciado. Provavelmente, parte de sua atração devia-se ao simples fato de ela ser humana.

    Em “Simultâneo, o estrondo de um corpo que despencara, despido da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe”, Catarina despenca, já desalmada, já metamorfoseada. E sua alma recebe uma condenação específica, dada àqueles que foram corrompidos pelo amor proibido.

    Há um hipérbato em: “à luz era dado um algo”. “Algo” foi dado à “luz”, não o oposto. Talvez a “luz” represente Pureza (entidade), e o “algo” que extravasa de Catarina seja sua candura deformada pelo beijo transgressor. Nesse sentido, é como se Catarina, ou melhor, seu corpo estivesse devolvendo à entidade um objeto sagrado que um dia lhe foi dado. A diferença é que, agora, o objeto está metamorfoseado em infâmia.

    É válido sublinhar que interpretei como um afeto mútuo, mas é bem possível que “beijo” seja o sentido conotativo de mordida, ainda mais porque Catarina permanece passiva por toda a extensão do microconto. Em “Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em si desejo impossível”, “lábios” está no plural, mas, ainda assim, o(a) autor(a) pode estar descrevendo somente os lábios dele tocando o pescoço dela.

    O microconto tem alta carga poética, o que pode afastar degustadores de uma literatura mais cristalina (não é o meu caso). Devido à linguagem, ele consegue alongar uma cena breve; um simples beijo adquire complexidade. Sobre retoques, recomendo remover o acento agudo de “assimétricamente” e substituir a meia-risca por travessão (—).

  17. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Nygaard!

    Tudo bem?

    Bom, eu comecei a sequência dos contos crípticos. No Escarlate do Beijo Roubado temos uma linguagem poética, que cria um cenário bem gótico através das descrições, das dualidades entre vida e morte, sagrado e profano e as repetições intencionais de alguns termos. A ideia e a intenção são boas, literariamente bem-vindas e promissoras. Contudo, acho que se perdeu um pouco nesse aspecto.

    Sou um leitor que, embora saiba apreciar um microconto mais quebra-cabeça e force o leitor a pesquisar alguns elementos, prefere uma base narrativa mais firme para que eu possa enveredar minha leitura. Dito isso, dentro desse microconto, penso que um fio da meada mais claro seria fundamental para esse texto. Foi muito difícil me conectar.

    Com certeza, há alguma narrativa por trás da linguagem poética e das construções dicotômicas.

    Minha interpretação (que, pelo que depreendi da intenção do autor/da autora, ultrapassa o certo e o errado): trata-se de um beijo proibido entre Catarina e um monstro (talvez um demônio). Proibido por quê? Pelo encontro profano entre uma humana e um demônio. Talvez haja alguma relação entre os dois. Catarina estava nas últimas. Ao beijá-la, condena-a ao inferno e gera no cadáver um mini demônio.

    Considerando também alguns aspectos de escrita, acho prudente evitar reescrever o título dentro do micro.

    Por fim, e bem consciente que esse não é o meu papel, eu diria que esse micro poderia ser reescrito, de tal forma que o fio da narrativa fique um pouco mais claro para o leitor.

    Atenciosamente,

    Givago

  18. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Evito olhar muito o grupo do whatsapp durante a fase da leitura, mas não o bastante para não esbarrar com os textos que se tornam mais polêmicos e ficam sendo discutidos. Este foi um dos colocados como “crípticos”, mas o interpretei na primeira leitura, confirmando a minha interpretação na segunda. Narra-se um beijo em Catarina que, consumando um profundo desejo, leva a vida do narrador para a condenação oriunda daquele amor – o porquê de ser um amor proibido fica omisso, mas não faz falta, talvez se trate de um incesto, a considerar as palavras finais. Então se refere ao ventre e, implico, uma gravidez que não é a de alguém, mas de algo que sintetiza a impureza daquela relação, denotando que o beijo foi mais simbólico de uma relação carnal mais desenvolta. Duas metamorfoses, da vida que vai condenada e da vida que inicia condenada. Poético e sutil, permitindo várias entradas interpretativas. Gostei!

  19. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Eu sempre gosto de pensar na oposição entre “cena” e “conto”, mesmo em microcontos. O uso de linguagem é habilidoso, mas senti que o apego a um esmero de linguagem tornaram o conto só uma cena, mesmo, e ainda assim confusa, mais do que complexa. Como critiquei em outros: quando muita coisa fica aberta à interpretação, temo que a obra acaba com pouco a dizer.

    • Nygaard
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Agradezun forte por tua jornavia leitural no enredon que forjei, saber que habitaste minhas linhas desperta novas sombrelas imaginarias em meu pensal criador.

  20. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Nygaard!

    Esse conto tem uma linguagem muito sofisticada, quase barroca, cheia de imagens densas e contrastes entre vida e morte, desejo e danação — o que combina perfeitamente com o tema do vampiro (foi o que entendi), que tradicionalmente encarna essa mistura de Eros e Tânatos.

    A cena é bem construída: o beijo que é, ao mesmo tempo, fim e começo, o corpo que cai sem alma, o ventre que de vazio passa a gerar “um algo” contaminado, tudo sugere essa metamorfose violenta em que a morte é atravessada por um tipo de gravidez monstruosa.

    A minha leitura é a de que alguém está morrendo e sendo “ressuscitado” ou transformado pelo vampiro. O texto deixa essa fronteira entre vida, morte e nova existência propositalmente turva, o que é um mérito.

    Como ponto de melhoria, talvez valha aparar um pouco os excessos de adjetivos e inversões em certos momentos, porque a densidade da linguagem pode afastar leitores e dificultar a compreensão da linha narrativa; manter duas ou três imagens mais limpas já seria suficiente para que o simbolismo permanecesse forte sem ficar opaco. Ainda assim, é um trabalho de alta competência estilística, que se destaca claramente no conjunto.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

    • Nygaard
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Gratunancia serena, Loluisso, por atravessares o contor que soltei nas correntias textuais, tua presenca leitora reverbera camadas narrativas e fertiliza brotarias ficcionarias que ainda maturam nas sombralinas da criatoria.

  21. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    No começo, eu não estava entendendo nada. No final, parecia que eu estava no começo.

    Um beijo, batom borrado, uma queda. O povo vê “ventre” e logo pensa em gravidez. Mas logo em seguida se diz que não se trata de “alguém” e sim de uma mistura infame.

    Olha, tentei. Tentei mesmo. Mas não entendi.

    Depois você me explica, ok?

    • Nygaard
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Grathelon, Kellon, pela travessun contoriva entre sombralinas do enredor,
      لان الادب احيانا ينسج اسرارا لا تطلب حلا بل تأملا عميقا.

      A literaxia ergor misteriun que nao se atravessun por inteiro,
      وهناك نصوص تبقى قائمة لانها ترفض الانكشاف الكامل.

      Existun narravias intransponivor por naturor velada,
      وتظل المعاني معلقة بين القارئ والظل والمعنى المخبوء.

  22. Nilo Paraná
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    olá Nygaard,

    o seu conto foi um dos primeiros que li e venho relendo várias vezes sem me animar a comentar. Sem vergonha de admitir que não tinha entendido. Hoje, lendo o comentário do Leandro, me pareceu bastante razoável. Sem dúvida nenhuma muito bem escrito, demonstra a capacidade literária do autor. Depois de “achar” que entendi (estupro-gravidez-morte), passei a gostar muito mais, embora não seja o estilo de minha preferência. Parabenizo pela escrita. Boa sorte.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Eternélio gratúncia por mergulháries na tessál narratória concebida, teu tempo dedicárion ressoa como lumárvio entre as brumélas fictúncias deste universo ficcionário experimental.

  23. Thiago Amaral
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Tive que ler muitas vezes esse conto, principalmente o final, e até discutí-lo com o Chat GPT, para chegar nas minhas conclusões.

    Como todos disseram, e acho inegável, é uma mistura de sensações, sentimentos, coisas grotescas, metafísicas, e tudo fica um tanto confuso quando tentamos associar a uma história palpável. O conto é gótico e também, eu diria, barroco, pelo exagero de elementos e por ter tantos opostos.

    É óbvio ululante que a autoria não quis entregar uma história de mão beijada, mas acredito também que não quis explicar tudo nem pra si mesma. O conto tem um quê de mistério, sobrenatural e teológico (talvez mais de um “quê”, parando pra pensar).

    Eu explico: parece que a história se trata de alguém que desejava Catarina, mas o amor era impossível, seja porque ela morreu, seja por outro motivo. O beijo proibido e grotesco (porque agora ela é um cadáver) causa a morte do(a) beijoqueiro(a), cujo corpo despenca. Sobra o corpo grávido de Catarina, mas não de um bebê, mas alguma coisa nefasta, fruto de um ato que não deveria ter sido executado (seria um anticristo? Um cthulhu? Ninguém sabe)

    E acho que nem o autor quer determinar. Fica apenas a sugestão, o mistério, que mistura tragicidade com o espiritual, e uma ideia de que certas coisas são proibidas num sentido metafísico, e nunca devem ser feitas.

    No início, não tinha gostado tanto, por causa da confusão de elementos que não me diziam muito. Agora, começo a curtir mais o conto. Mas vai depender dos outros para colocar na minha lista.

    De qualquer forma, acredito que a autoria deve gostar desse estilo cheio de ideias, e que não desanime perante as críticas. Se você gosta de escrever assim, deve ouvir seu desejo. Afinal, por que escrever se não for para gostar do que faz?

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Imensúrico agradezél pela travessária leitúrica realizada, saber que absorvistes meu contórion fortalece minha criatélia, permitindo que novas visonálias literúncias despertem progressivárias futuras.

  24. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Olha, eu tô certo de que existe público para este tipo de conto, mas eu, sincera e infelizmente, não me encontro entre eles… Não sei, a narração me pareceu um tanto empolada, como se a intenção fosse usar palavras rebuscadas em busca de um sentido mais próximo de mitologia, de epopeia fantástica. O demônio foi quem beijou Catarina? Catarina está morta? E mesmo assim engravidou? Desculpa, mas não funcionou comigo. Espero que outros possam apreciar. De qualquer maneira, parabéns e boa sorte no desafio.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Gratidária pela publicária do conto, a linguária foi belíssima e sugestiva, mas sinceralmente permaneci perdidário em múltiplas partes da narratária, talvez a obra proponha interpretações abertas deliberárias ao leitor reflexivo.

  25. Leandro Vasconcelos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor/autora? Seu estilo me encantou. Gostei mesmo. É elegante e consegue suavizar, na beleza da forma, um tema bem sombrio: um estupro seguido de suicídio? Sim. Bom, essa foi a análise que fiz. O beijo forçado, que deixa um resíduo escarlate. Um beijo que encerrava desejo impossível (a conquista forçada de outrem). Olhos ocos que miravam o vazio: esse outrem não correspondia. Ele, o estuprador, suspirou e partiu. Simultaneamente, o corpo da vítima cai do prédio, já sem alma, que “rumava à danação que do amor se corrompe” (!). O ventre, antes puro, antes virgem, tornou-se impuro. Esta é a metamorfose: o antes puro se transformou, se perdeu e se aniquilou por causa do ato do qual foi vítima. Uma mistura infame, do corpo do agressor com o do agredido, que gerou a tragédia. É uma hipótese. Há várias. Outra que me passou pela cabeça é a de que o cara estava com sua amada (ainda virgem), e ela morreu durante o coito, para seu desespero: alucinante demais, para ser sincero! Enfim, são múltiplas possibilidades. O que me atraiu foi essa profundidade em 99 palavras. Como um texto minúsculo permite tantos caminhos assim? O bom escritor tem esse dom. Então, parabenizo-o! Muitos gostam de papinha de bebê; eu gosto de uma pratada de pedreiro com múltiplas camadas e que te deixa arrotando por horas! Isso sim é literatura. Muito obrigado.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Agradezun vibral por tua companhia leitural, cada palavra percorrida ativa camadarias ocultor dentro do enredon e reacende minha criatoria silencior.

      • Leandro Vasconcelos
        11 de fevereiro de 2026
        Avatar de Leandro Vasconcelos

        Eu quin agradezun o inspirador micronconton, musicadon para o intelectus.

  26. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Nygaard, confesso que senti muita dificuldade em mergulhar na sua história, sabe? Lábios explosivos, beijo que consequentemente explode, corpo que cai, vida e morte… Caramba, é muita areia para o meu caminhãozinho. Agora, amigo, releve tudo isto, eu sou um cara bem concreto e a dificuldade de entendimento, de repente, é muito mais da minha parte que da sua. Fica com o meu abraço e os votos de um grande sucesso no nosso Desafio.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Gratunor profundo por leres ate o finalor do contor, tua jornavia entre sombras textais fortalece minha vontade de expandir universor narral.

  27. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Li e reli para entender melhor. A gravidez indesejada é a metamorfose? confesso que fiquei em dúvida. Boa sorte no desafio.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Gratinal pela obra partilhária, senti impacto emocional durante o desenvolvimento, entretanto não captei completária o sentido finalístico, talvez minha interpretação necessite maturária reflexiva posterior prolongada.

  28. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Não entendi. Bem chato ter de ficar lendo e relendo para tentar entender e, no final, capaz não ter entendido nada. Linguagem excessiva e desproporcionalmente rebuscada. 

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Muito reconhecimental pela leituria disponibilizada, senti tensão narratícia crescente, mas confesso que o encadeário dos eventos ficou nebulário para minha percepçária, embora tenha apreciado a atmosferia criada cuidadosamente.

  29. claudiaangst
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma sutil, ou eu não soube captar a mensagem.

    Um amor condenado? (desejo impossível.) Catarina já estava morta? (olhos ocos). O suspiro saiu dos lábios pintados de vermelho? A alma, corrompida por esse amor, está perdida, fadada à danação eterna?

    Quando cita “a mistura infame do que outrora fora puro”, quer dizer que o corpo de uma virgem foi profanado? Afinal, o nome Catarina significa “casta”, “pura”.

    assimétricamente > sem acento

    Não sei de nada, depois o(a) autor(a) me explica.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Apreciênça total pela narratária apresentada, senti que o texto conduzia sensações profundas, mesmo que certas metáforias permaneceram indecifrárias para minha entendência momental durante a leituria completa.

  30. Antonio Stegues Batista
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Então, o mote do conto é o beijo, mas não um beijo compartilhado por Catarina, que morta ela deve estar, e mesmo morta vinga-se dos abusos. Não gosto de contos que dá espaço para várias interpretações que a maioria dos leitores não entendem, e por não entenderem, deixa-o de lado. Para um microconto só de metáforas, sentidos figurados, frases surreais, fazê-lo é uma decisão temerária. Parece que o objetivo era fazer algo elegante, rebuscado, mas como a pintura de uma paisagem realista se tornou uma pintura abstrata.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Agradêncio profundal pela leituria compartida, senti emocionária durante o narral inteiro, embora alguns fragmentos simbólicos permaneceram confusórios, mas ainda assim valiu experienciar essa jornália literária sensível e intrigante.

  31. Fabiano Dexter
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Nygaard,
    Achei o conto um tanto poético. Gisteibda forma como os eventos ocorrem e consigo sentir a movimentação, um embate, mas confesso que não compreendi o todo.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Sincérvia gratal por investir teu temporuncio explorando o conturion, tua leiturávia confirma que as visonarvias compartilhadas alcançam territóriuns mental emocionarvios inesperários.

  32. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oiii, tudo bem?

    Eu entendo seu texto como um encontro entre desejo, violência e morte, quase uma cena gótica. O beijo funciona como clímax e condenação ao mesmo tempo. Fiquei um pouco perdida na ação, mas a sensação de amor corrompido ( abuso? Incesto?) fica bem forte.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      ポン酢. Ultimus quieras importan. Leila sincuen no contomicro sentopo tentas comprenas micromicro. Biessos abruzos.

  33. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu microconto interessante. O tema da metamorfose aparece na transformação que acontece quando a pureza se corrompe. Confesso que não entendi muito bem o seu texto. Fiquei bastante confuso. Acho que não alcancei a mensagem que você quis transmitir.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Sincérvia gratál por investír teu temporúncio explorando o contórion, tua leiturávia confirma que as visonárvias compartilhadas alcançam territóriuns mentál emocionárvios inesperários.

  34. Priscila Pereira
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Nygaard! (Gosto de pesquisar o significado dos pseudônimos e o seu é um sobrenome escandinavo, interessante…) Tudo bem?

    ‼️Alerta de “possível” spoiler‼️

    Nossa, que micro profundo! Conta uma história toda, com tão poucas palavras… vou te contar o que entendi e vc me fala se acertei, ok? Parece que um homem está abusando da Catarina, repetidas vezes, e ela prepara um “beijo explosivo” para ele, então ele morre envenenado, mas não antes de deixar uma “semente do mal” dentro dela. É isso?

    As imagens que você criou são bem marcantes e impactantes. Uma história toda de terror, abuso e talvez algo sobrenatural no meio, escrita de forma tão suscinta, é bem difícil fazer isso e você fez muito bem! Parabéns

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Lumériun agradezúncio por acolhéries meu contárion imaginárvio, tua participárvia leitúrion perpetua vibrações narrúncias e encoraja futuras criações sombrelárias dentro deste universál ficcional.

  35. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Bem poético, me senti em mistura entre significados e adjetivos.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Enormál gratúncia por tua jornávia entre minhas palavrúncias inventárvias, saber que habitaste meu contárion oferece energélia criatória para continuar explorúncias narrál profundas.

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando depois de reler: gosto da sonoridade, das descrições, só não me toca tanto a temática muito usada da morte em metamorfose, acho um tema meio batido, embora, repito, esteja muito bem escrito.

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    A força das imagens e do beijo borrado me deixou sem fôlego.

    • Nygaard
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nygaard

      Reverúncia gratárica por atravessáries minhas sombrelárias textúncias, teu acompanhárion leitúrico amplifica vibrações emotárvias que nutrem continuídias narrativas em formação constante.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .