Inclinou-se em direção a Catarina, boca sedenta, costas rangendo ao peso do tempo e destino. Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em si desejo impossível. Descerrou o véu daqueles olhos ocos que então miravam o vazio. Partiu. Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo. Simultâneo, o estrondo de um corpo que despencara, despido da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe. Do ventre, instantes atrás vazio, agora à luz era dado um algo. Não um alguém, mas a mistura infame do que outrora fora puro.
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