Mamãe cambaleou dois passos sob a mão espalmada de papai. O barulho foi de um estalo que doeu ouvir, seguido das sandálias dela chocando contra o piso. Nossas mãos contavam esta história, as minhas tapando os ouvidos, a minha mãe acariciando a bochecha vermelha, a mão agressora trêmula sob o olhar incrédulo do meu pai. Nada foi dito. Nunca. E nem se repetiu, mas sempre que ele se irritava, que sua voz mudava e sua tez enrubescia, eu desviava o olhar. Esperava pelo pior.
Um bom trabalho. Gostei de como a narrativa usa as diferentes mãos para pintar a cena. Me chamou atenção a criança tapando os ouvidos. Não os olhos. Me lembrou que, na infância, sempre que algo ruim acontecia ou estava prestes a acontecer (mesmo algo bobo, como um copo caindo no chão) minha reação era, por algum motivo, tampar os ouvidos.
Também gostei muito do final (embora ache que não precisa da última frase), indo além da exploração do recurso das mãos para pontuar como esse evento traumático moldou não só a narradora, mas, provavelmente, todo o núcleo familiar.
Olá! Uau, adorei como você contou uma cena curtinha, dolorida, triste, forte e muito verdadeira, e tudo isso usando as mãos pra descrever cada reação Quem sofre e assiste, quem machuca e quem foi ferido, isso foi genial. Muito bem pensado, bem construído e nos coloca dentro do microconto junto com todos eles. Como um momento tão pequeno cria um trauma não é? Afinal a filha ou filho ficou sempre esperando que tudo acontecesse de novo. É assim mesmo que acontece.
Olá, Annie E.
Gostei do texto, trata de um tema muito pertinente e bastante abordado, mas surge aqui de maneira original.
Muito boa a sua ideia de colocar as mãos como “narradoras” dessa história, como representantes dos sentimentos e reações.
“chocando contra o piso” – se chocando
Destaque para essa parte: “a mão agressora trêmula sob o olhar incrédulo do meu pai” – gostei de você ter colocado a representação do macaco da visão para o pai, diante de seu próprio ato.
Fiquei pensando que você colocou o sentido do tato para a mãe, nas mãos acariciando a bochecha, o que desvirtua a referência aos macacos, que você coloca na imagem. Talvez a imagem seja apenas uma imagem mal escolhida, talvez não quisesse fazer referência aos macaquinhos. Mas eu vi a imagem e fiquei esperando a fala. Se for o caso, uma sugestão seria a mãe segurando a boca, o grito, vergonha de que que os vizinhos soubessem, por exemplo. Só uma ideia.
O final foi menos interessante do que o restante. “Esperava pelo pior” não me parece um desfecho. Poderia tirar, na minha opinião.
O tema metamorfose passou um pouco longe…
Parabéns pelo texto!
Conto sensível e impactante. É muito inteligente o recurso das mãos: a mão que bate, a mão que acaricia o próprio rosto, a mão que tapa os ouvidos. São detalhes crueis que impactam não pela violência em si, mas pelas reações comuns de pessoas comuns. A riqueza está nos detalhes. A mãe não cai, cambaleia. A mão do pai treme, surpreso com a prrópria agressão. O som espalmado que faz a criança tapar os ouvidos. O pai não é o estereótipo do homem violento, a agressão acontece uma única vez, mas é suficiente para transformar a criança. Depois, não se fala mais do assunto, nem se ouve e nem se vê mais nenhuma agressão [física!]… Referência a outros três pares de mãos, a dos famosos macacos que tapam um a própria boca, outro os próprios ouvidos e outro os próprios olhos… Mas o pior já aconteceu, porque o trauma é irreversível. Narrativa clara, concisa e sutil. Em relação ao tema proposto, é ousado apostar em uma metamorfose psicológica. Para ser considerada mesmo uma metamorfose, a cena precisa ser marcante. E nesse conto, ela é. Outro ponto de ousadia: quem escreveu poderia ter escolhido uma cena bem mais violenta. Ainda bem que não o fez. A agressão contida sustenta o trauma de forma muito mais profunda e realista. Seria uma armadilha criar uma cena de espancamento ou uma rotina de surras. Um único tapa que traumatiza torna a transformação dessa criança em uma sutileza tão cruel! Parabéns por proporcionar tantas inferências em um texto tão curto.
Oi, Annie E.
Seu microconto dói na alma. Ele recorta uma violência brutal e mostra como isso vira um ciclo doloroso, porque não precisa se repetir para reprogramar a casa inteira.
A ideia de contar a cena pelas mãos é muito forte e muito bem controlada, já que cada gesto vira personagem e prova, sem discurso.
O silêncio pesa mais que o estalo e o efeito mais assustador vai além da agressão em si, é o hábito do corpo esperando o pior antes mesmo dele acontecer.
Texto direto, triste e tecnicamente muito seguro.
Parabéns pela ideia!E boa sorte no desafio.
O texto narra uma cena de violência doméstica marcada pelo silêncio, a memória é construída através de partes do corpo e o trauma se revela não de maneira absoluta, mas nos gatilhos que provavelmente existirão no futuro, onde esse filho verá monstros em qualquer figura que queria ser paterna, paternal, para ele. Coitado
Oi, Annie E.! Teu conto é um soco no estômago, visceral e tristemente real. A sacada de narrar a agressão através das mãos foi magistral, criando uma tensão sensorial absurda: o estalo, o tremor e o silêncio que se instala. A metamorfose aqui é interna e cruel: a criança que deixa a inocência para viver em eterna hipervigilância.
Mas ó, sendo direto: o adjetivo “agressora” é explicativo demais; a cena já mostra a violência. Além disso, eu cortaria a frase final “Esperava pelo pior”. Terminar em “desviava o olhar” seria muito mais seco e impactante, confiando mais na inteligência do leitor. Gramaticalmente, “se chocando” soaria melhor que apenas “chocando”.
No geral, é um texto de altíssima qualidade literária que incomoda e faz pensar, tratando um tema difícil com uma originalidade cortante.
Impactante.
Um tema inquietante. O ato de uma única agressão que mudou para sempre todos os membros de uma família. Bem triste. E pesado. Mesmo que nunca mais aconteça outra agressão, a lembrança vai permanecer. Sempre terá o medo de acontecer novamente. Um tapa é capaz de mudar tudo. Para sempre.
Excelente!
O conto funciona porque transforma uma lembrança traumática em imagem sensorial e silenciosa, sem recorrer a explicações. A cena inicial é precisa: o estalo, as sandálias no chão, as mãos dizendo o que as bocas não dizem. A narrativa mostra a violência como ruptura única, mas com efeitos duradouros — a metamorfose aqui não é física, e sim emocional: a criança passa a viver em estado de alerta. O texto evita melodrama e aposta no não dito, o que o torna mais doloroso. A força está na tensão contida e na forma como o medo se instala e permanece, mesmo sem novos golpes.
Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):
Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?
Vamos à análise:
Mais um conto concreto, estabelecendo um tendência no meu gosto – preferi neste desafio os materiais menos herméticos e mais “pés-no-chão” – ou, no caso deste aqui, “mão-na-cara”. A indignação é justa e necessária, porém o fechamento não dá essa opção ainda para a narradora – pelo que entendi, ela vai ter que crescer um pouco mais para não ficar só esperando pelo pior. Espero que isso aconteça logo. Parabéns, boa sorte no desafio!
Olá, Annie E., seu microconto é fortemente sensorial e emocional, mostrando uma metamorfose de percepção e sobrevivência infantil diante da violência doméstica. O narrador não se transforma fisicamente, mas a metamorfose ocorre na consciência e na sensibilidade, na forma como aprende a antecipar o perigo e se proteger.
O que funciona: a narrativa é precisa, as imagens são claras e impactantes — o estalo, as sandálias, o olhar desviado. Essa objetividade torna o microconto poderoso e realista, prendendo a atenção do leitor do início ao fim.
O que poderia melhorar: é um texto forte e denso; talvez pequenas pausas ou variações de ritmo ajudassem a intensificar ainda mais o efeito emocional, sem perder a sutileza da narrativa.
No geral, é um microconto impactante e sensível, que trabalha a metamorfose emocional de forma clara e memorável.
Desejo boa sorte no Desafio.Beijos
Olá, autor. Tudo bem?
Seu texto não está só contando uma agressão, está mostrando como ela continua existindo depois. O tapa é rápido, mas o conto vai se construindo no silêncio que vem em seguida. Essa ideia das mãos conduzindo a cena foi perfeita, porque cada gesto revela um papel, a criança se protegendo, a mãe tentando normalizar, o pai paralisado.
O que mais funciona para mim é o final. A violência não se repete, mas a ameaça passa a morar na reação do pai, na mudança de voz e de cor. O trauma vira expectativa. É um conto simples, mas muito preciso no que quer mostrar. Está bem alto no meu pódio.
Um conto corajoso por tratar de uma espécie de violência que não costuma aparecer tanto. Vou explicar melhor: sempre que a violência doméstica aparece é nos casos extremos, casos em que a agressão gerou danos irreversíveis, ganhando assim a mídia.
Tão reprováveis quanto são os episódios como o que é narrado no conto, da violência cotidiana, dessa que permanece em casa, silenciosa, restrita à família. Quantas crianças não vivem essa atmosfera de terror, esse pavor de que o pai se torne um monstro incontrolável? Dia após dia, até que o pior acontece.
O conto, por isso, tem sucesso em expor essa realidade, fruto do ótimo jogo de palavras, que permite ao leitor testemunhar esse ato hediondo pelos olhos de uma criança. Não é, por isso, um texto fácil de digerir. Ninguém passa incólume diante de uma história assim. É por ser desconfortável que acaba se destacando.
Parabéns e boa sorte no desafio.
Oi, Annie! tudo bem? Um conto impactante, pesado, denso, triste. O trauma irreversivel que a violencia domestica cria. Foi só uma vez, nunca mais se repetiu. Mas as cicatrizes, os efeitos psicologicos nunca se vão. A representação dos três macados (cego, surdo e mudo) aqui funcionaram muito bem, ajudando o leitor a construir uma cena na cabeça. Isso ainda é favorecido pela imagem, incongruente com o horror da cena retratada. Achei esse um bom recurso para mostrar como aquela familia continuou a sorrir, colorida, ‘feliz’, ainda que por dentro tenha se tornado prisioneira do momento de violencia que pra sempre desviou o olhar da criança, calou a mãe e marcou o olhar do pai. Uma bela historia sobre o impacto emocional e psicologico da violencia que perdura ao longo do tempo. E tudo contado rapidinho, com poucas palavras! Parabens!
Opa! Como vai, autor? Seu micro é impactante! Um tapa na cara, por assim dizer. A metamorfose aqui se dá em função do papai, o violento papai, que se torna outro quando se enfurece. Não vou negar: esse tipo de coisa também me enfurece. Talvez por ter visto tamanha violência perto de mim, por diversas vezes, o seu conto me despertou uma certa agonia e um certo rancor. Portanto, apesar do enredo sensível, preciso te parabenizar efusivamente, pois não é fácil construir esse efeito emocional num microconto! Top! Só quem passou por isso sabe… No mais, o tema do concurso foi habilmente tratado, convém repetir, e ainda de forma plástica, numa linguagem que pretende mais mostrar do que explicar. Nesse contexto, o único porém foi a inclusão da palavra “agressora” para qualificar a mão do papai. Se fosse suprimida, melhoraria ainda mais o balanço mostrar-contar, pois eliminaria o teor explicativo do adjetivo, e o impacto da cena serviria de única explicação. Enfim, meu amigo, gostei! Um abraço!
Texto bem escrito, com uma cena doméstica tensa e imagens precisas: o estalo da mão, as sandálias batendo, as mãos contando histórias mudas (tapando ouvidos, acariciando bochecha, tremendo). Captura o silêncio pesado pós-violência e o trauma que se instala na criança, gerando hipervigilância eterna pro “pior”.
A questão é que a metamorfose não aparece. Há mudança de dinâmica (um tapa isolado que não se repete), mas nada de transformação de forma, identidade ou essência pros personagens. Fica mais um retrato cru de ciclo interrompido que sugestão de metanoia — o pai não vira monstro literal, a mãe não se fortalece, a criança não evolui pra algo novo.
Pra ligar ao tema, bastava um toque simbólico (a mão trêmula brotando garras, ou a criança jurando nunca repetir o gesto), ou explicitar a “mutação” emocional na espera pelo pior. Sem isso, é impactante como memória familiar, mas deslocado no desafio. Sugestão: encurtar a última frase pra “desviava o olhar, esperando o pior” e adicionar um gancho final de mudança interna.
Por fim, gostei e desejo-lhe boa sorte no desafio!
A criança presencia o pai agredindo a mãe e algo dentro dela se transforma. Um medo escondido que, vez por outra, se manifesta como uma espera pelo pior.
Micro muito bem feito, o clima soturno em contraste com a narrativa infantil que não soa tão infantil assim, provavelmente amadurecida de forma precoce.
A cena da agressão narrada de forma meio cinematográfica, uma cena congelada, retratando as reações de cada envolvido.
O evento não se repetiu, menos mau. Mas a narradora identificou a ira no pai e seus sinais.
Gostei! Tema forte, marca pelo tema e pela abordagem, com a metamorfose da situação seguindo para sempre depois disso. Gosto do foco nas mãos, mas sinto que, ao fim, ele fica pouco amarrado. Estava esperando que a frase final adicionasse uma última amarração temática nesse sentido. Ainda assim, bom conto. Parabéns!
Uma história de violência doméstica, o pai agredindo a mãe e a filha traumatizada. A imagem com os três macacos (Mizaru, Kikazaru e Iwazaru) representam um provérbio japonês que ensina: “não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal”. Originários de uma filosofia de pureza de pensamento e ações, os macacos simbolizam a importância de evitar fofocas, pensamentos negativos e más influências para manter a paz interior e harmonia. Mas a imagem não faz referência à história e também não encontrei o tema. Acredito que você teve uma boa ideia, mas não conseguiu conectar os elementos simbólicos com perfeição. De qualquer forma é um conto que mostra o drama em muitos lares envolvendo pais e filhos. Valeu. Parabéns.
Ola Annie,
Um excelente micro que entrega, na simples e cuidadosa descrição de um momento, uma cena, a mudança completa na vida de toda uma familia.
A agressão construída com as mãos dos personagens ficou muito interessante e o ponto de que ela nunca se repetiu importante, pois não foi necessário para que todo o ambiente familiar mudasse para sempre.
Muito bom! Parabéns!
Olá, Anne com E! 😁 Tudo bem?
Conto forte! A história de um momento, um ato que supostamente é isolado mas que muda tudo. Transformador para uma criança. O pai nunca mais seria o mesmo para a criança. A mãe também não. E nem a criança. O olhar incrédulo do pai sugere que nem ele sabia do que era capaz. Muito subtexto com tão poucas palavras. Parabéns!
Boa sorte no desafio!
Até mais!
A imagem aqui complementa de maneira forte o texto. Fiquei curiosa, pois falaram que o conto poderia ser meu e… Gostaria de ter escrito ele. É forte e cotidiano. A criança ainda teve a sorte que a cena nunca mais se repetiu, o mais comum é que momentos assim virem repetição e tragédia. Considero que o texto atendeu o tema na mudança de percepção que a criança passou a ter do pai. Português correto, as palavras não sobram. Parabéns e boa sorte no desafio.
A curta narrativa é bem construída. Aqui, a técnica brilha mais do que o enredo.
É preciso ter muita técnica para poder fazer um enredo tão simples e enxuto brilhar.
Parabéns pelo ótimo trabalho!
Este é um texto de impacto, literal e figurado, trabalhando bem o sentido da audição e, em especial, a imagem a que se refere o título e a imagem, com as mãos contando a história. Fiquei um pouco dividido e pesquei nos colegas. Acho que há sim o tema, mas interpretei que a metamorfose foi na criança, que nunca mais vai confiar no pai. Talvez na mãe, também… daí achei que “esperava o pior” foi um arremate mais pra esse lado da criança não se sentir mais segura. Bom micro!
Ei, Annie, que pancada. O barulho da agressão do pai foi ouvida até aqui. Meu Deus. Uma narrativa forte e bem contada. Você conseguiu elevar e manter a tensão, apesar da limitanção de palavras exigidas aqui no Desafio. Gostei da sua maneira de narrar a violência e a maneira como ela continua viva na medida em que é só o pai mudar o tom de voz, ou enrubescer o rosto que a nossa protagonista vira a cara e fica esperando o pior. Fica com o meu abraço e votos de sucesso no desafio.
Parabéns pela participação, Annie E.!
A metamorfose está, a meu ver, em cada membro da família. Mãe e filha mudam quando são traumatizadas pelo marido/pai violento, que, quando está furioso, se transforma — a voz muda, a tez enrubesce. Em outras palavras, a metamorfose delas está nas entrelinhas; a dele, exposta no final do texto.
Partilho da opinião do colega Nilo. Por ser indubitavelmente relevante (acredito que todos aqui concordem), violência contra a mulher é um tema demasiadamente abordado. Nesse sentido, para não cair na mesmice, o (a) autor (a) tem de apresentá-lo da maneira mais original possível. Foi o seu caso, especialmente em razão do trecho: “Nossas mãos contavam esta história, as minhas tapando os ouvidos, a minha mãe acariciando a bochecha vermelha, a mão agressora trêmula sob o olhar incrédulo do meu pai”, que casa perfeitamente com a imagem acima. Esse segmento do texto tem personalidade e, por conseguinte, impressão duradoura.
Estou alinhado com o colega Givago. “Esperava pelo pior” poderia ter sido suprimido. Há um final mais contundente em “eu desviava o olhar”.
Bom título e bom conto. O tema da violência doméstica e seu impacto sobre o desenvolvimento infantil é atual e necessário. O mais interessante e angustiante neste conto é que o relacionamento persiste e, embora a violência física não tenha se repetido, seguiu irradiando para qualquer mínima exaltação ocorrida na família, evidenciando a persistência do trauma.
Oi Annie
O tema da violência contra a mulher é batido, real, e atual. O diferencial é a forma. Você descreveu de maneira magistral, elegante, sucinta. Concordo com a crítica do Givago sobre a última frase, confie na inteligência do leitor. Resumindo, um grande conto, de primeira linha. Parabéns. Ah, a metamorfose é óbvia. Está no subtexto. Para quem enxergar.
Olá, Annie E!
Tudo bem?
Eis aqui um exemplo de um microconto visceral. Contemporâneo, infelizmente. Muito bem construído, com poucas palavras. Temos texto e bastante subtexto. Provoca tensão, angústia e revolta.
Da minha leitura do dia, o melhor.
Ainda assim, há espaço para melhora. O “Esperava o pior” sobrou, pode ser cortado.
Parabéns pelo trabalho!
Atenciosamente
Tema forte e atual foi bem explorado. A metamorfose fica implícita. Será que o agressor realmente mudou ou sempre foi um monstro? Boa sorte no desafio.
Achei seu microponto interessante. A temática da metamorfose aparece nas diferenças como cada mão se comporta na narrativa. É um texto atual que fala do grande problema da violência doméstica contra a mulher. Também fala da impotência da criança para resolver o problema ou tomar alguma atitude.
Arrisco dizer que aqui se trata de um exercício de estilo (o estilo de Annie Ernaux). Me corrija se estiver falando bobagem. De todo modo, me parece que o tema poderia estar mais presente se a narrativa se dedicasse menos à ação da agressão do que aos indícios posteriores de que ela poderia se repetir, cada vez que papai insinuava se metamorfosear. Por mim, eu eliminaria toda a ação da agressão, que ficaria implícita e daria, assim, forma literária ao trauma. Trauma é aquilo que não se diz, mas que persiste como iminência de reprise. De resto, o título me pareceu um pouco arbitrário (sobretudo no que se refere à referência ao gênero).
Olá, autor(a), tudo bem?
A narrativa trata de um episódio de violência doméstica, com uma mulher sendo agredida pelo marido na frente do(a) filho(a). A expectativa de que a violência se manifeste novamente torna o cotidiano de todos uma tortura. Todos sabem o que aconteceu, e também temem que volte a acontecer.
O tema proposto pelo desafio está levemente abordado através da transformação do pai em agressor.
Não encontrei falhas de revisão, a não ser:
Parabéns e boa sorte no desafio.
O homem que se transforma em seu pior, o trauma. Muito bem escrito. Parabéns.
aprofundando: esse é um dos que fez morada em mim. Precisamos de mais contos/micros sobre algo tão real em nossos dias.
Abordar essa temática com poucas palavras e com tal clareza, me faz torcer para que seja um dos que vença.
E por favor, continue escrevendo!
E um tema forte, que chama a atenção imediata e nos emociona facilmente.
Acho que você descreveu bem a situação escolhendo os detalhes das mãos. Destaco a descrição dos chinelos, que trouxe detalhe vívido pra cena. Consegui ouvir o som deles batendo no chão. É um recurso que considero muito importante pros micros.
Também achei uma história realista pelo apontamento de que a história não se repetiu. Deu a impressão de história real, até.
Por fim, tenho infelizmente que observar a falta do tema. Seria muito forçado encontrar uma metamorfose aqui, na minha opinião. Até poderia-se justificar que houve metamorfose do pai em animal, ou algo assim, mas isso deveria ter sido mais explicitado no texto. Poderia até ser algo que tornasse a história de boa pra ótima. Como está, ficou muito implícito, trabalho do leitor.
Uau! Este texto prende pelo clima de tensão e pelo silêncio que carrega.