Mamãe cambaleou dois passos sob a mão espalmada de papai. O barulho foi de um estalo que doeu ouvir, seguido das sandálias dela chocando contra o piso. Nossas mãos contavam esta história, as minhas tapando os ouvidos, a minha mãe acariciando a bochecha vermelha, a mão agressora trêmula sob o olhar incrédulo do meu pai. Nada foi dito. Nunca. E nem se repetiu, mas sempre que ele se irritava, que sua voz mudava e sua tez enrubescia, eu desviava o olhar. Esperava pelo pior.
E um tema forte, que chama a atenção imediata e nos emociona facilmente.
Acho que você descreveu bem a situação escolhendo os detalhes das mãos. Destaco a descrição dos chinelos, que trouxe detalhe vívido pra cena. Consegui ouvir o som deles batendo no chão. É um recurso que considero muito importante pros micros.
Também achei uma história realista pelo apontamento de que a história não se repetiu. Deu a impressão de história real, até.
Por fim, tenho infelizmente que observar a falta do tema. Seria muito forçado encontrar uma metamorfose aqui, na minha opinião. Até poderia-se justificar que houve metamorfose do pai em animal, ou algo assim, mas isso deveria ter sido mais explicitado no texto. Poderia até ser algo que tornasse a história de boa pra ótima. Como está, ficou muito implícito, trabalho do leitor.
Uau! Este texto prende pelo clima de tensão e pelo silêncio que carrega.