EntreContos

Detox Literário.

Metamorfose não é mutação (Daniel Reis)

Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.

Chorei.

Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.

Mamãe me disse:

— Fique quietinha, que é assim mesmo.

Escove os outros dentes com muito cuidado.

Mesmo assim, eles foram embora, um a um.

E eu sentia medo ao ver, no espelho, minhas gengivas sangrando.

Nunca encontrei a Fada do Dente.

Nem conseguiria sorrir para ela.

Porque estava me transformando em outra.

(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).

38 comentários em “Metamorfose não é mutação (Daniel Reis)

  1. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Misericórdia, vocês pegam pesado hein? Seu microconto dói por esse final. No início pensamos que é só essa coisa de trocar os dentinhos da criança e ela não gostar disso. A mãe tentando proteger, tentando minimizar. E esse final acaba com a gente. Os detalhes ali, cada palavra descritiva pra entendermos o desfecho, isso foi poderoso, devastador. Isso que é habilidade de escrever muito com poucas palavras.

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Acho que o didatismo expositivo da frase entre parênteses poderia ter sido evitado. A sugestão poderia fluir de forma mais literária.

    Infelizmente, para mim, essa escolha retirou a força de uma ideia extremamente original.

    A escrita é boa, mas a exposição foi uma estratégia arriscada.

    Parabéns e boa sorte!

  3. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá Autor(a),

    Confesso que não peguei a referência do césio (e do pseudônimo) ao ler e só fui entender depois que vi os comentários do grupo, então, para mim, as pistas ficaram insuficientes para o leitor “chegar lá” sozinho. Dito isso, e após uma pesquisa no Google, lembrei dessa tragédia.

    Realmente é uma história muito triste e impactante. Achei interessante essa contradição entre a linguagem da menina e o horror que ela não consegue nomear direito, com as falas da mãe e os sintomas no corpo pesando.

    Meu único porém é o final. O conteúdo do parêntese e o uso do termo “efeito colateral” para essa narradora soou técnico e entregou a chave de um jeito mais explicativo do que natural.

    Gostei do microconto, mas para entrar na lista pesaram esses pontos.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. leandrobarreiros
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Leide.

    Achei que se tratava de uma história de envelhecimento, até chegar no último parágrafo e estranhar tudo. Os comentários me direcionaram para o caso da contaminação.

    Eu gostei do micro, mas não entendi a escolha pelos parênteses no final para a explicação. O termo “efeito colateral” também quebra um pouco a narração infantil.

    Teu conto me fez usar o google para me inteirar mais da história. Que tragédia =/

    Bom, se concentrando no conto em si, achei bem forte, mas que desliza nesse final. Talvez outras formas de explicar o que aconteceu ainda mantendo uma pegada infantil ajudassem.

    Enfim, bom micro.

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Leide! Teu conto é um soco no estômago disfarçado de inocência infantil. Usar a troca de dentes — esse rito de passagem tão comum — para narrar a tragédia do Césio-137 foi uma sacada visceral e muito corajosa. A voz da menina é autêntica e causa um aperto genuíno no peito.

    Contudo, sendo sincero, o final entre parênteses me incomodou. No microconto, o menos é mais; ao explicar demais a “pedrinha mágica” e o brilho azul, você tirou do leitor o prazer (doloroso) de descobrir a referência sozinho. Além disso, o termo “aconteceu” ficaria tecnicamente mais preciso como “havia acontecido” para marcar o tempo da memória.

    No geral, é uma obra de grande impacto emocional que honra uma memória triste da nossa história, mas que brilharia ainda mais com um pouco mais de sutileza no desfecho.

  6. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Poxa, dá pra dividir esse conto em duas partes bem distintas: uma muito bem escrita e outra, o contrário disso…
    O texto começa tão bem! O suspense a partir de um elemento simples: a queda do dente de uma criança. A progressão das informações vai estabelecendo o suspense gradualmente até chegar no horror dos outros dentes caindo, da gengiva que sangra…
    Mas aí vem a segunda parte, fazendo tudo ao contrário do que funciona na primeira: elementos surgindo de forma abrupta, por meio de um recurso que quebra o ritmo. Talvez o problema nem seja o modo como essa segunda parte foi escrita, mas o choque entre como a história começa a ser contada e como termina. Uma freada brusca numa estrada reta. Acredito que essa história não funciona muito bem como microconto. Ela é muito complexa, levanta muitos pontos, funciona melhor numa narrativa mais extensa. Mesmo assim, em relação ao tema, é interessante a ideia de narrar apenas o início de uma metamorfose e deixar o resto para a imaginação do leitor. Outro ponto positivo foi tratar de uma história real.
    Enfim, um texto muito bom, com vários pontos positivos e com um defeito grave. Mas, pela boa parte inicial, pela ideia interessante e pela adequação interessante ao tema, o conto acabou entrando no meu ranking.

  7. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    A força do micro está justamente em narrar a deterioração causada pelo césio‑137 a partir da perspectiva infantil, transformando a queda dos dentes em metáfora para um corpo que se desfaz sem compreender o porquê. A referência ao caso de Leide das Neves, reforçada pelo pseudônimo, dá ao texto um peso ainda maior. Fiquei com a impressão de que a revelação final poderia surgir de forma mais orgânica, sem a necessidade dos parênteses, porque o conto já conduz o leitor para essa compreensão. Ainda assim, é um micro muito tocante e bem construído.

  8. Asstrongo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    Arre! A garota foi vítima de radiação, é isso? Vi um filme esses dias sobre isso, que se passa em Goiânia, tem um cara que fica olhando o brilho e achando lindo, até que todos morrem. Texto trágico, chega a ser cômico da forma que é narrado, com todo respeito, tem uma estrutura interessante que,vai revelando a história em conta gotas.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    O conto parte de uma referência que é a história da menina que morreu no acidente radioativo com o césio 137 em Goiânia. Como sou dessa época, matei a xarada quando li sobre os chumaços de cabelo, e tive certeza quando falou do brilho azul na parede. Acho que foi arriscado deixar essas referências só para o final, mas pelo menos não quebrou o linguajar infantil da narradora. Não está entre os meus favoritos, mas desejo boa sorte no desafio!

  10. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Leide das Neves, seu microconto é sensível e impactante, trazendo uma metamorfose dolorosa e involuntária: a infância da narradora é interrompida, e a perda dos dentes simboliza transformação, medo e vulnerabilidade. O detalhe da pedrinha mágica conecta a história pessoal ao efeito trágico do césio 137, adicionando um subtexto de trauma real e consequência de acontecimentos externos.O que funciona: a narrativa é poética, com construção de tensão sutil; o leitor sente a transformação da personagem, o medo e a perda de inocência. A ligação entre o cotidiano infantil e o efeito nocivo da “pedrinha” é muito eficaz e emocionalmente envolvente.O que poderia melhorar: algumas passagens podem ser densas e exigem atenção para compreender a metáfora da pedrinha; pequenas pistas adicionais sobre a gravidade do efeito poderiam tornar o impacto do trauma ainda mais claro, sem perder o tom sensível.No geral, é um microconto poético, delicado e profundo, que trabalha metamorfose física, emocional e simbólica de forma muito eficaz, com uma carga de realidade e tristeza que toca o leitor.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  11. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Bom.

    Apesar de toda a literalidade determinada pelo trecho final, o microconto ainda oferece espaço para a metáfora. O acidente radioativo de Goiânia foi terrível. E o pseudônimo associa uma das vítimas diretamente com o micro. Mas enquanto lia, eu entendi o micro como um momento de amadurecimento. Não sei dizer se gosto muito dessa escolha do autor. Talvez eu gostaria mais se não tivesse este final, pois a troca de dentes é sempre um momento de transformação muito impactante.

    Sei lá… Gostei e não gostei, hehe.

  12. Fernanda Caleffi Barbetta
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Leide das Neves

    Este texto dá abertura a algumas interpretações. Sem a nota no final, seria uma menina perdendo os dentes de leite, com um estranhamento do leitor diante da possível demora no surgimento da nova dentição. A nota entre parênteses me faz pensar em outra causa para a perda dos dentes. A pedra azul irradiando, chumações de cabelo no chão me levam a cogitar radioatividade. Mas outra questão surge quando vemos que é um tio. Infelizmente é difícil não abrir a opção para algo mais pesado, um tio no quarto da menina ainda criança…

    Não é ruim ter várias opções, gosto de textos abertos, que não se resolvem. Mas acho melhor quando, apesar das várias opções, a narrativa nos guia para a escolha do autor. Isso não aconteceu, pelo menos comigo. Aí pode ser falha da leitora rsrs.

    Acho que vai ficar para cada um entender o que conseguir.

    “Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo” – o correto seria “havia acontecido” (mas aí seriam mais do que 99 palavras…)

    A reação da mãe é outra questão que para mim ficou em aberto. Ela sabia o que estava acontecendo ou achava que era uma coisa normal? Dizer “escove os outros dentes com muito cuidado” não seria a reação de uma mãe diante dos dentes de leite caindo… parece culpar a menina por perder os dentes por falta de cuidado. Se a mãe cogitar radiação ou o tio, essa reação é ainda mais estranha. Tudo bem, existem mãe de todos os tipos, mas precisa haver uma justificativa para a fala dela… não é legal deixar tudo muito para o leitor decidir.

    Ainda sobre a nota no final, talvez fosse mais interessante jogar aquelas informações pelo texto ao invés de fazer uma nota entre parênteses no final. Pareceu uma opção mais fácil.

  13. Priscila Pereira
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Leide! (Gosto de pesquisar os pseudônimos e fiquei chocada com o seu… não conhecia a história!) Tudo bem?

    Que conto triste!! E saber que é sobre uma história real é de partir o coração mesmo!! Porém, como micro, estava indo muito bem até () aí você entregou tudo de bandeja pro leitor, meio que esfregando na cara dele, acho que talvez se tivesse continuado no mesmo tom do começo ficaria bem melhor. Mas é um conto de terror bem chocante que só quem pesquisar o pseudônimo vai entender. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  14. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Leide das Neves!

    Tudo bem?

    Seu micro tem um característica que muito me agrada nas histórias que leio vez ou outra no EC. Embora não seja óbvio, é possível perceber o esforço que o autor/a autora teve para montar uma história redonda e, nesse caso específico, verossimilhante. Por isso, meus parabéns.

    Ainda assim, esse não será um conto que figurará no meu top 10.

    Pessoalmente, embora eu tenha percebido o esforço por trás, acho que houve um mau direcionamento desse esforço: o desfecho entregando o que aconteceu entre parênteses. Ali temos a dica que o micro se refere ao trágico acidente do Césio 137 (pedrinha azul jogada no chão). Considerando que tratava-se da história de Leide das Neves, uma criança de 6 anos, teria sido muito mais pertinente encaixar essa referência de uma forma lúdica dentro da narrativa. Esse choque entre a visão infantil e o relato histórico não tão bem dramatizado dinamitou o impacto do micro.

    No fim das contas, é um micro com um potencial enorme, se tivermos menos dicas óbvias e uma verossimilhança disfarçada/subentendida debaixo do cobertor do lúdico infantil.

    Atenciosamente,

    Givago

  15. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Um micro potente maculado por parêntesis expositivos. Os períodos curtos que caracterizam a protagonista e a situação são dolorosos, sobretudo pela compreensão infantil de que, embora não se saiba o porquê, ainda entende que algo terrível está acontecendo Os parêntesis incluem uma explicação direta que sai do tom do micro e também diverge de sua forma, com três linhas de explicação para um micro que bem-sucedidamente se escreveu linha por linha. E sei que caberia ser inserida antes o elemento da pedra azul, achei uma opção estranha deixar para o parêntesis.

    A essa altura, não fiz bem as contas, mas acredito já ter mais de dez bons candidatos à lista, obrigando-me a ser mais restritivo. Este, um bom micro, tem esse elemento que apontei como falha e portanto não estará nela.

  16. Lucas Santos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Leide das Neves!

    Supondo que eu não tenha tido a ajuda dos colegas e desconheça o acidente de Goiânia, interpretaria o texto da seguinte maneira: a queda dos dentes simboliza a perda da infância/inocência provocada pelo tio abusador, que usou um objeto como engodo para atrair a criança. A “pedrinha” jogada no chão do quarto — ambiente íntimo — sinaliza que os abusos provavelmente ocorriam ali, já que o indivíduo, por ter a confiança da família, tinha livre acesso ao cômodo.

    O microconto teria efeito mais enigmático, caso fosse encerrado em: “Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio”. O leitor se questionaria sobre a tal “pedrinha” e elaboraria interpretações além do abuso e césio-137.

  17. Rodrigo Ortiz Vinholo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gosto da ideia, gosto da maneira como o conto depende de um risco muito grande… mas não me pegou justamente por isso. Eu gosto como a reviravolta quebra e gera horror, com o que parece um percurso comum da vida se mostrando parte dos efeitos de envenenamento por radiação, mas o modo como a entrega final ocorre ficou explicada demais. Ao meu ver, trabalhar mais brevidade neste ponto, um tanto mais de omissões, poderia ter o mesmo resultado mas com uma crueza que, sendo menor, poderia trazer mais peso e qualidade.

  18. Kelly Hatanaka
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Contar com o pseudônimo para contar parte da história é um risco. Sem saber quem foi Leide das Neves, o conto perde parte significativa do sentido. Está errado seguir esse risco? Claro que não. É uma escolha do autor. Mas que é um risco, é.

    O conto narra a transformação da menina. A última frase explica tudo. A pedra de brilho azul me lembrou alguma coisa. Pesquisei o nome e pronto. O caso do césio em Goiania. Daí sim, o conto fez sentido. Até então, estava entendendo nada.

    O mistério excessivo atrapalhou a experiência da leitura.

  19. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Olha, eu queria ter gostado mais deste conto… A ideia da menina perdendo os dentinhos, um a um, sem entender direito o que ocorre, sua vergonha em encontrar a fada do dente, enfim, essa inocência, me levantou bastante as expectativas, justamente por permitir enxergar o mundo pelos olhos dela. Aí veio a explicação final (entre parênteses, justamente para soar como explicação) e isso acabou, pelo menos para mim, desconstruindo o texto.

    Acho que um micro não precisa, ou melhor, deve evitar explicações demasiadas, algo que sirva como bengala para o leitor. Não sei… Talvez por eu conhecer o drama do césio-137 isso acabou ficando muito claro, claro demais. Se a pedra fosse mencionada de passagem, mais sutilmente, talvez eu gostasse mais do conto… Enfim, é bem possível que o problema seja eu, rs

    Não li os comentários, mas acredito que outros leitores, mais jovens principalmente, poderão apreciar melhor a história.

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte no desafio.

  20. toniluismc
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Leide!

    Esse conto é fortíssimo, e acho que ele me pegou justamente porque faz uma ponte muito inteligente entre uma transformação “normal” da infância (troca de dentes) e uma metamorfose traumática que o texto só revela completamente no último parágrafo.

    A voz infantil é muito bem construída, a sequência de imagens dos dentes caindo e das gengivas sangrando prepara o terreno para algo que parece apenas crescimento, mas que na verdade esconde outra coisa acontecendo no corpo e na identidade dessa menina.

    O efeito da “pedrinha mágica do tio” fecha tudo com uma ambiguidade dolorosa: funciona tanto como elemento fantástico quanto como metáfora de abuso, e isso torna a metamorfose algo cruel, imposto, não um rito natural de passagem.

    Se for cavar um ponto de melhoria, talvez só valha cuidar para que a explicação entre parênteses não fique interpretada como “explicação demais” para alguns leitores; ainda assim, aqui ela funciona bem como golpe final, dando nome ao monstro sem jamais precisar descrevê‑lo diretamente.

    Parabéns pelo belo trabalho!

  21. Leandro Vasconcelos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai autor/autora? Interessante o seu conto. É o relato de uma menininha sobre a queda do primeiro dente de leite. Como toda criança, elabora as mais variadas explicações, por vezes fantasiosas. Para ela, a queda ocorreu porque estava se transformando. A princípio, achamos que essa “transformação” era parte de seu amadurecimento. Mas, na cabecinha dela, era por causa da “pedrinha mágica” do tio. Imaginei inicialmente que era um brinquedo qualquer que ela tomou como assustador. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Deve ter algo aí… foi o que pensei. Disseram, nos comentários, que era um objeto radioativo, uma pedrinha de césio. Logo me veio à cabeça a tragédia de Goiânia. Subitamente o título passou a fazer sentido, assim como o pseudônimo. Foi uma bela surpresa. Até gosto desse tipo de quebra-cabeça literário, mas acho que muitas pessoas não iriam pescar a referência do brilho azul. Eu não peguei: fui salvo pelos universitários mais inteligentes do que eu! Haha… Enfim, foi um bom final. É um conto simples, direto e divertido. Parabéns!

  22. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    ei, Leide das Neves. Li, reli e trili o seu conto ficando encucado com ele. Aquilo, a pedrinha azul do tio a brilhar no escuro me trouxe à memória a tragédia de Goiânia. Claro que fui dar uma googlada e não deu outra. A Leide das Neves foi a menina que brincou com a pedrinha e por isto logo morreu com a over dose de radiação recebida. Gostei da maneira como você construiu a sua história a partir daquela tragédia absurda. Ficou forte seu conto, mas fiquei em dúvida se os mais jovens irão entendê-lo. Fica com o meu abraço e votos de sucesso.

  23. Fabiano Dexter
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Leide,
    Gostei do conto, mas acho que só entendi a sua totalidade com a explicação ao final do texto, algo que poderia ser melhor colocado dentro do conto (não me pergunte como, não faço nem ideia).
    Mas após a compreensão o texto se torna outro, bem mais pesado, forte.
    Parabéns.

  24. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Um bom conto que pode ser avaliado sobre diferentes ângulos. Não havia capturado a questão da radioatividade, observado em alguns dos comentários. Mudou completamente a percepção. Concordo que o final poderia ser menos explicativo. Boa sorte no desafio.

  25. Martim Butcher
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Olá, Das Neves,

    Olha, acho que não tenho muito a agregar, depois do que já disseram colegas. O conto tem um potencial enorme. A duplicidade da queda dos dentes é um ótimo eixo para contar uma história que, na verdade, é outra história. O problema é que as chaves de leitura (o título e o parágrafo final) estão pouco integrados ao texto. O conto ficou, assim, ao mesmo tempo demasiado explicativo e demasiado críptico. Acho que aqui se trata de um conto que vale muito a pena reelaborar, porque tem tudo para se tornar uma jóia.

  26. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Não entendi o conto, porque não me ocorreu a questão do césio mencionada pelos demais leitores. Sem captar a questão do césio, interpretei que a menina amadurecia precocemente após sobrer violência sexual praticada por um tio durante a noite. Tomei a pedrinha como metáfora de violência sexual, uma maneira infantil de processar o trauma. Tudo me induziu ao erro:

    “Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.” – Fim precoce da infância.

    “Chorei.” – Dor pela perda da inocência.

    “Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.” – Crianças abusadas costumam não compreender o abuso (a compreensão vem tardia lá pela adolescência ou juventude).

    “Mamãe me disse: — Fique quietinha, que é assim mesmo.” – Em contextos de abuso sexual infantil no ambiente doméstico, por mais assustador que pareça, pode ocorrer a participação conivente da mãe.

    “Escove os outros dentes com muito cuidado.” – Aqui, a manipulação da mãe, como quem manda se comportar, ser obediente, disciplinada e boazinha para não destruir ou constranger a família.

    “Mesmo assim, eles foram embora, um a um.” – Ser boazinha não se revela bastante, a perda e a dor continuam.

    “Nunca encontrei a Fada do Dente.” – Infância roubada, inocência subtraída a impedir encontrar a Fada do Dente.

    “Nem conseguiria sorrir para ela.” – Melhor mesmo não ser capaz de encontrar a Fada do Dente, pois a dor e a desolação impediram de sorrir.

    “Porque estava me transformando em outra.” – O abuso de fato transforma ao incutir um trauma indelével.

    “(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).” – Aqui, tomei a pedrinha como uma metáfora, um objeto de sedução e brilho lançado pela malícia do tio no chão do quarto da criança, justamente entre símbolos de sua inocência (seus brinquedos e chumaços de cabelo). O brilho sedutor chega pela noite de misérias e tormentos, subindo pelas paredes, poluindo e conspurcando tudo.

    Enfim, viajei e não foi pouco. Mas gostei mais da minha versão viajada do que da questão do césio rememorada pelos colegas. Quanto ao título, na minha versão viajada, a criança abusada não sofria propriamente uma metamorfose, porque o abuso não muda, não transforma, ele adoece, ele provoca mutação. Uma pena que o pseudônimo afasta em absoluto minha interpretação viajada.

  27. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    É interessante quantos fatos da nossa história não são tratados por nossas produções. O micro aqui traz o triste episódio do Césio em Goiânia, o que foi uma sacada de cenário bastante original. O pseudônimo confirma, a menina símbolo do ocorrido. No entanto, concordo com os colegas sobre estar um tanto explicativo demais – principalmente o título. Mas o trabalho é bom, dado o limite curto de palavras e uma revisão e extensão seria bem interessante.

  28. Antonio Stegues Batista
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    A história de uma menina exposta a um objeto radioativo, quando ela vai aos poucos perdendo os dentes, cabelos, surgem feridas, queimaduras, etc. Sim, a radioatividade causa metamorfose. O conto pode, ou deve, ser a história de uma das vítimas exposta ao césio 137, em Goiana no ano de 1987. Sem dúvida, um micro conto impactante. A explicação do final (muito comentada) poderia estar inserida no miolo do conto. Mostrar sem dizer é uma técnica literária e eu não vou dar exemplos de como reescrever teu conto. Como dizia minha avó Emília; é errando que se aprende.

  29. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, tudo bem?

    Eu gosto muito de como o texto começa no medo infantil e vai ficando estranho e perturbador. A imagem dos dentes e do cabelo caindo é forte. Para mim, o trecho final explicando a pedrinha tira um pouco da força do mistério, porque até ali a transformação já estava muito bem construída.

  30. Thiago Amaral
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Oi, tudo bem?

    Sim, concordo com o pessoal, o final está muito explicativo. E, mesmo assim, é um conto impactante. Gostei bastante!

    É uma mistura de sentimentos, porque primeiramente experimentamos a candura da infância, para depois descobrirmos que tem algo realmente horrível acontecendo, misturado com a interpretação mágica e fantasiosa da criança. Ótima sacada.

    Eu sou chato com o tema (mas não necessariamente com a nota), e fiquei pensando se realmente tem o tema no conto. A menina acredita estar passando por uma metamorfose, mas na verdade seu corpo está se deteriorando. O título representa isso, e me soa quase como que também uma explicação do que ocorre, uma defesa para não questionarem o tema!

    Mas, no fim, meu coração diz pra eu considerar dentro. O tema está ali, apesar de na confusão da protagonista.

    Agora, por que alguém esconderia material radioativo no meio das coisas da criança? kkkk Achei um tanto absurdo, e ainda parece que talvez a mãe fosse cconivente, mas não duvido que a autoria tenha tirado isso de alguma história real. Tem todo tipo de absurdidade acontecendo por aí. Teve quem pensou que poderia ser metanfetamina, o que faz mais sentido, mas não bate com a luz atravessando as paredes… No mais, isso é um detalhe da história que não considero importante.

    Você fez um ótimo trabalho, parabéns!

    • Thiago Amaral
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Thiago Amaral

      Lendo melhor agora, entendi que talvez o pessoal, não sabendo do que o material radioativo se trata, tenha apenas andado com ele pela casa, e um deles tenha ido parar no quarto da criança. Portanto, esqueça o parágrafo que eu falo disso! (apesar de que não iria pesar em avaliação, mesmo)

  31. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu microponto. O tema da metamorfose aparece nas mudanças que a menina percebe em seu corpo por causa de sua exposição à radiação. A narrativa fala sobre medo e sobre a incompreensão das coisas que acontecem ao nosso redor.

  32. Luis Guilherme Banzi Florido
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, Leide! Um microconto pesado, que evolui rapidamente para uma tragédia. O titulo e a imagem já sugeriam isso, mas ainda assim funcionou bem! Fiquei pensando sobre a pedrinha azul. Algo radioativo? Metanfetamina? De todo modo, a inocencia de uma criança se perdendo pelo descuido/crime de um adulto, um tema denso e triste. Achei que o micro, no entanto, se divide em duas parte que não conversam bem: primeiro, situações contadas passo a passo, momento a momento. Depois, um parágrafo final explicativo demais, onde o conflito é entregue de forma explícita, diminuindo o impacto. Acho que (é claro que isso é só minha opinião), o conto ganharia em peso e impacto caso as duas partes se entrelaçassem, com mais entrelinhas e indícios que nos levassem a entender a metamorfose/mutação que estava acontecendo e seu motivo. enfim, o que quero dizer é que é um bom conto, pesado e denso, mas que perde, sendo um microconto, por apostar demais na explicação e de menos no subtexto. Parabéns e boa sorte!

  33. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O texto apresenta a metamorfose de uma menininha saudável em uma doente condenada, devido ao efeito provocado pelo elemento radioativo em seu quarto. A “pedrinha azul” (ou pó azul/brilhante) é o Césio-137 (Cs-137). 

    No início da narrativa, a protagonista diz que perdeu o primeiro dente aos 6 anos. Isso é o natural para a faixa etária. Então, o(a) leitor(a) se ilude pensando que a metamorfose será essa: o crescimento da garotinha. No entanto, a transformação era outra, muito mais cruel.

    Concordo quando dizem que o final ficou um pouco explicativo demais e que teria mais impacto se a informação fosse diluída durante a narrativa. Difícil fazer isso em poucas palavras, né?

    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  34. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Achei a ideia interessante. A dinâmica foi muito inteligente. Na minha opinião, a revelação ficaria muito melhor se integrada à história e não com uma frase explicativa no final. Perdeu um pouco, mas continua sendo um ótimo conto.

  35. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Senti a angustia da personagem me percebendo na mudança de si mesma. Amei.

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      detalhe: só não entrei muito na vibe do parágrafo final. Mas antes disso, gostei muito.

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei do texto! A infância, o medo e a transformação ficaram muito vivos. Só senti que o final explica e perde um pouco da força.

Deixar mensagem para cyro eduardo fernandes Cancelar resposta

Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .