Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.
Chorei.
Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.
Mamãe me disse:
— Fique quietinha, que é assim mesmo.
Escove os outros dentes com muito cuidado.
Mesmo assim, eles foram embora, um a um.
E eu sentia medo ao ver, no espelho, minhas gengivas sangrando.
Nunca encontrei a Fada do Dente.
Nem conseguiria sorrir para ela.
Porque estava me transformando em outra.
(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).
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