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Detox Literário.

Metafísica, Metalinguagem… Metamorfose! (André Lima)

Observou-se no espelho. Este o devolveu uma forma. Lembrou-se de quando era marujo. Agora, estava transformado, nos fios brancos, nas rosáceas. Ainda era o mesmo. A aniquilação não mais se mostrava como montanha translúcida no horizonte. Encontrava-se debaixo de sua sombra.

Saiu do quarto. Avistou sua versão menor, com um casaquinho de botões rosas. Deu-lhe o que o espelho não pôde. Sorriu, como quem sorri para si. Não era ele, mas participava do seu ser.

 

E sua prosa

Narrada pro fim enquanto memória

Inexplicável teorema

 

Dos botões rosas

Compreendeu o fim de sua história

E a prosa virou poema

78 comentários em “Metafísica, Metalinguagem… Metamorfose! (André Lima)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, São Tomás.

    Achei sua abordagem ousada e, por isso, merece pontos, com certeza. Ainda que eu tenha sentido que o resultado final, especialmente no aspecto metalinguagem não tenha ficado muito… esteticamente interessante. Mas enquanto experiência criativa, funcionou muito bem.

    No que diz respeito à história, a parte que mais gostei, vemos um homem se vendo diante da própria mortalidade, buscando um sentido no que ele é, ou, em breve, vai deixar de ser.

    Ao sair do quarto e encontrar com seu… filho? Percebe que ele não vai exatamente deixar de ser, pois continua, senão em carne, certamente em espírito, seja lá o que isso signifique, na sua próxima geração.

    Achei, de verdade, muito bonito.

    Parabens.

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Caramba, conseguiu falar de três metas num microconto só! Tá quase um coaching com tanta meta. kkkk. Desculpa, falar sério agora. Adorei essa coisa de passagem do tempo, do encarar a si mesmo e perceber como a vida passou e o detalhe dele ser marujo foi muito interessante. Me chamou a atenção a mensão da montanha, deixa a gente imaginando as aventuras que esse personagem se meteu. Muito bem escrito.

  3. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Olá, São Tomás. Gostei bastante. O título promete 3 abordagens:

    A Metafísica está presente na transcendência do ser. Seja por participação da existência em Deus, seja na participação da existência na descendência (Isso nos traz até talvez a ideia de Pecado Original?). A mudança de acidentes difere também da mudança de substância (Estava diferente, mas ainda era o mesmo).

    A Metalinguagem é a transformação do ser refletindo na transformação do próprio texto. Como se o materialismo cético fosse a prosa e a metafísica transcendental o verso poético. Muito bom.

    Por fim, a metamorfose está presente nos dois conceitos anteriores, amarrando todas as pontas do conto.

    Infelizmente, o conto possui mais linguagem ensaística filosófica do que literária propriamente dita. Escolha consciente? Talvez, mas arriscada.

    Parabéns!

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá São Tomás de Aquino

    Um texto que abre espaço para algumas interpretações. Acredito que seja propositadamente enigmático… no estilo: o leitor que se vire e que ache seu caminho. É um risco.

    Bastante poético, inclusive finaliza com um texto em versos. Interessante, embora não seja a minha forma preferida para microcontos.

    “Este o devolveu uma forma” – lhe devolveu

    “Avistou sua versão menor, com um casaquinho de botões rosas” – gostei.

    “Agora, estava transformado, nos fios brancos, nas rosáceas. Ainda era o mesmo” – Eu entendo que a pessoa possa passar por mudanças e manter a sua essência (acho que foi isso que quis dizer no seu texto), mas colocado dessa forma, trazendo a transformação e logo em seguida dizendo “Ainda era o mesmo” sem ao menos um “porém”, um “mas”… causa um estranhamento, parece uma contradição.

    Parabéns pelo texto!

  5. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Caro São Tomás, por favor, não condene minha alma! Nunca li nada de vossa obra, esse é o primeiro conto de vossa autoria no qual me aventuro, e logo um microconto, portanto, talvez não seja um pecado tão grande dizer que ele não ficou entre os meus preferidos… Não consegui me conectar ao personagem, algumas referências me pareceram um tanto vagas. A montanha translúcida no horizonte se refere ao fenômeno da fata morgana? A criança é filha do ex-marujo ou a versão infantil do velho protagonista? A passagem de texto em prosa para texto em verso é uma ideia interessante para o desafio, pois no geral os contos se concentraram mais na metamorfose como conteúdo e não como forma. Mesmo assim, a passagem soou um tanto estranha, não consegui ligar essa transformação de forma ao que estava acontecendo aos personagens. Espero que minha opinião não perturbe vosso sossego celestial.

    • São Tomás de Aquino
      16 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Meu caro, Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur…

      Talvez, um releitura se faça necessário.

      Um beijo didático!

  6. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    São Tomás de Aquino,

    Gostei muito do seu microconto, achei criativo e inteligente.

    “Um homem se vê no espelho, reconhece o tempo no próprio corpo e, ao sair do quarto, encontra uma versão menor de si, de casaquinho com botões rosas, como se a vida devolvesse o passado em carne viva.”

    O ponto principal é a dupla metamorfose. Por um lado, o envelhecimento e a mudança de lugar no mundo. Por outro, a própria forma do texto, que começa em prosa e termina em verso, como se a linguagem também ganhasse forma, poesia e virasse outra coisa. Achei isso incrível! Porém, o microconto ficou fechado nisso.

    Você abordou o tema de forma inovadora.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      A beleza da vida está em contemplar a obra e se relacionar com o Criador.

      Beijos inovadores!

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    A bênção, São Tomás! Teu micro é de um refinamento que salta aos olhos, digno do pseudônimo escolhido.

    A sacada da “dupla metamorfose” — o envelhecimento físico do marujo e a própria estrutura textual migrando da prosa para o verso — é genial e muito bem executada. O reconhecimento do legado naquela “versão menor” traz uma ternura profunda sobre a continuidade do ser.

    Porém, sendo sincero, a “montanha translúcida” soou meio nublada demais para a brevidade do micro. Além disso, tecnicamente, o uso do “o” em “Este o devolveu” soa truncado; o “lhe” daria mais fluidez. A transição final, embora ambiciosa, flertou com o didático ao explicar que a prosa virou poema; eu teria confiado mais na percepção do leitor.

    É uma obra erudita e sensível que realmente eleva o nível deste desafio.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Meu caro Alexandre. Que DEUS te abençoe.

      Atente-se ao que virou poema. Não foi apenas o texto em si. Se assim o fosse, o didatismo estaria bem apontado!

      Beijos atentos!

  8. Givago Domingues Thimoti
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Givago Domingues Thimoti

    Olá, São Tomás de Aquino

    Bença! Tudo bem?

    É uma pena que eu não tenha me conectado com esse micro. Afinal, é um microconto belo, que fala sobre as metamorfoses das eras da vida: infância, vida adulta e velhice. O avô (ou o pai), ex-marinheiro, se vendo no espelho e em seu descendente. Entretanto, acho que o jeito que o conto foi conduzido construiu uma barreira entre mim e o micro. Acho que o micro poderia ter sido melhor se fosse calcado na simplicidade em alguns pontos.

    Honestamente, gostei do final poético. Uma grata surpresa!  

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Seu coração de faraó está endurecido…

      … a vida contemplativa é o fim último. Se algo é belo, por que escolher a não-conexão?

      Beijos de livre-arbítrio!

  9. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Tudo acaba. Pode durar um tempo, mas vai acabar um dia.

    A mortalidade é trabalhada com muita sensibilidade neste texto. Acho que é um sentido comum do ser humano. Encarar seu envelhecimento, suas mudanças, sempre comparando com o que já passou. No final, ao encarar o menino, possivelmente o neto dele, ele compreende o ciclo da vida. Enquanto vamos, outros chegam. E muitas vezes deixamos partes de nós naqueles que chegam. Uma extensão de si mesmo. Muito bonito.

    Me impactou, admito. Muito bom.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Uma extensão de si… Belíssima formulação.

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      Beijos dialéticos!

  10. Asstrongo
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    O homem se olha no espelho, vê o tempo passando, mas sente que ainda é o mesmo. É bonito porque não é dramático, é um entendimento e uma reflexão. Ele vê que naquele instante a vida segue de outra maneira, melhor ou pior? Quem sabe? E a prosa vira poema provavelmente por motivo de que ao final da vida mesmo as explicações ficam mais complicadas, então melhor a rima e a imagem.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      Beijos caridosos!

  11. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Obviamente, havia postado errado o comentário.
    Deixo aqui a errata e minhas desculpas…

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Interessante como vários contos deste desafio tratam do espelho como ferramenta de comprovação (ou de consciência) da metamorfose… no caso, aqui, o protagonista, já idoso, vê a si mesmo como está – transformado. E só depois encontra-se consigo mesmo, e oferecendo o sorriso que já não tinha. Sò não entendi as duas últimas frases – antes, afirma que era sua versão menor; depois, que “sorri como quem sorri para si. Não era ele, mas participava do seu ser”. Como era a participação? Sinceramente, me escapou. Um bom conto, no geral. Desejo a você sucesso no certame!

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Ora, tu mesmo já respondeste a dúvida que evocaste.

      Se não era ele, só poderia participar.

      Vejamos: Deus não existe. Ele É o existir. Todos os outros existires são sustentados em participação deste mesmo princípio.

      Ser imagem e semelhança é ter a participação do ato de ser, mas não é ser o próprio criador.

      Beijos metafísicos!

  12. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Que bonito como o texto trabalha a ideia de metamorfose! E isso ocorre em dois níveis: primeiro no personagem, que se vê transformado pelo tempo e reconhece no filho uma continuação de si e depois no próprio texto, que abandona a prosa e se torna poesia, como se a linguagem acompanhasse essa passagem de forma. Os “botões rosas” funcionando como chave simbólica ficaram especialmente fortes. Um micro delicado, sobre identidade, legado e a beleza de se reconhecer no outro.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      A beleza da vida está no fim último!

      Beijos hermenêuticos!

  13. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Restou da leitura uma sensação de 50 tons de cinza, misturado com horror necrófilo (do qual já explorei num conto aqui no EC, chamado Mea Culpa). Gostei do ritmo, alternando frases longas e curtas. Porém, não gostei justamente da construção das frases, trazendo às vezes ideias imprecisas ou ambíguas, em expressões complexas que não entendi absolutamente (“… da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe.”)  

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Perdoe-o, Deus, pois ele não sabe do que comenta!

      Beijos redentores!

  14. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    São Tomás de Aquino. Primeiramente: que bonito! Gostei demais. Seu microconto explora de forma delicada a transformação interna e a reconciliação com si mesmo. O uso do espelho como catalisador da metamorfose é elegante: ele devolve uma forma, permite que o protagonista se reconheça e aceite suas versões passadas, transformando a percepção do tempo e da própria identidade.

    O que funciona: a poesia e a sensibilidade do texto são excelentes; a narrativa transmite a metamorfose de maneira introspectiva e reflexiva, criando uma conexão emocional com o leitor. O final é elegante, transmitindo aceitação e continuidade do ser.

    O que poderia melhorar: algumas imagens são abstratas e podem exigir releitura; pequenas sugestões de contexto ou pistas visuais adicionais ajudariam a tornar a jornada mais clara sem perder a sutileza poética.No geral, é um microconto sensível, poético e profundo, que trabalha metamorfose interna e identidade de forma muito eficaz.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      Beijos escolásticos!

  15. Rangel
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rangel

    Olá, Tomás, (santo ou são), acho que ele preferiria Santo. Ou nem ligaria pra isso, sei lá. Deixemos disso e vamos ao conto.

    A história oscila em lugares comuns da literatura (o velho diante do espelho, a percepção da proximidade da morte e a ideia de continuidade na descendência) e a experimentação (a passagem da prosa para o verso). Achei isso inteligente e interessante. Acontece que a filosofia por detrás da narrativa me pareceu simples. Possivelmente por ser muita coisa em poucas linhas.

    A metáfora da “montanha translúcida” não ficou transparente para mim. Seria o fim visível, mas  quase imperceptível?

    Alguns trechos me pareceram estranhos, imagino que precisem de revisão, talvez minha. Exemplos: “Observou-se no espelho. Este o devolveu uma forma”. Não seria: “Este lhe devolveu uma forma”? “Botões rosas ” ou “Botões rosa”? 

    O primeiro parágrafo senti uma falta de divisão para trazer organização de ideias. Ele começa com uma bela antítese: “estava transformado” (Heráclito), mas era o mesmo (Parmênides). Só que na sequência já se vai para o problema da finitude do ser, que é outra questão filosófica e que poderia ser deslocada para baixo. 

    Esses detalhes podem parecer bobos, mas veja como gerou interpretações diversas. Há quem diga nos comentários, por exemplo, que ele viu a si mesmo e há quem diga que ele viu a filha(o).

    Dito isso, no geral, a filosofia está poetisada no seu texto. É um conto pequeno, que economiza nas palavras explorando e referenciando séculos de discussões filosóficas, teológicas e literárias. Nesse sentido, pela extensão da obra, é o oposto da Summa, que não é suma.

    Boa sorte e parabéns!

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Ora, meu caro, é preciso distinguir substância de acidentes. Os acidentes mudam, se transformam. A substância permanece a mesma. Não há contradição, há metafísica!

      Beijos aristotélicos!

  16. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, São Tomás! Tudo bem?

    Não sei se entendi tudo o que o sr pretendia com o cinto, mas gostei imensamente da forma dele, uma prosa se transformando em poesia!

    Me parece que um ex marujo percebe que envelheceu, que não luta mais para sobreviver aos perigos do Oceano, mas sim à monotonia do cotidiano, porém ele tem uma criança, se filha ou neta, não sabemos (aliás, a imagem do conto é muito linda! Amei!), mas ele percebe que a criança é o futuro, e que ele em breve será o passado, enquanto isso a vida pode ser bela, cor de rosa, apesar da rosácea. Gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      O futuro é a comunhão plena e a visão beatífica. Somos ordenados a isso. Caminharemos juntos?

  17. Leila Patrícia
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, São Tomás. Interpretei seu micro como um encontro com o próprio envelhecimento através da criança, talvez filha ou neta, que funciona como continuidade dele. A parte em que ele sorri para a versão menor é a mais bonita, porque dá essa sensação de reconhecimento e permanência.

    Quando o texto entra na parte final, mais declaradamente poética, para mim ele perde um pouco da força da cena do espelho e dos botões rosas. Parece explicar em versos algo que a narrativa já tinha mostrado melhor.

    • São Tomás de Aquino
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      O final é a metamorfose através da metalinguagem. Ele não explica, ele é.

      Cogito, ergo sum. O ato de ser vem simultâneo ao de pensar. Os versos se explicam em metamorfose apenas por serem assim…

      Metalinguagem!

      Beijos Descarteanos!

  18. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, São Tomás!

    Ambicioso, hein?!

    Esse conto tem uma escrita razoavelmente polida, com imagens que tentam ser poéticas. O espelho devolvendo uma forma envelhecida, a transmissão geracional pros botões rosas, tudo isso sugere uma metamorfose suave do tempo e da paternidade.

    A transição da prosa pro “poema” no final é uma tentativa interessante de formalizar essa mudança de perspectiva, de envelhecimento linear pra ciclo de continuidade. Mas o texto cai na armadilha da pretensão: as metáforas (“montanha translúcida”, “teorema dos botões rosas”) soam forçadas e abstratas demais, sem ancorar emocionalmente o leitor na experiência do personagem.

    Fica tudo um pouco distante, mais ensaístico que visceral, e o impacto pretendido se perde na linguagem que não emociona nem surpreende.

    É ordinário na execução porque não arrisca o suficiente pra envolver. Poderia ganhar muito cortando o excesso de abstração e focando no concreto, como um gesto simples entre pai e filho. Sei que não é essa a proposta, até pelo título, mas a tentativa de unir a vida comum à metafísica não funcionou aqui.

    De todo modo, parabéns pela tentativa e boa sorte no desafio!

    • São Tomás de Aquino
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Ora, meu amigo Toni, a linguagem não emociona por si só, pois ela mesma não possui o poder de emocionar. O que é a palavra, isolada? Verso inútil e vazio. A palavra só transforma e faz sentido quando acha transformação e sentido no seu receptor.

      Quem tem ouvidos para ouvir que ouça. Quem sabe meus versos não entram em seus ouvidos e te tirem da monotonia da prosa…

      … para as possibilidades do verso?

      Beijos misericordiosos!

  19. Pedro Paulo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    O texto alude à metamorfose natural da vida, aos rumos imprevisíveis de quem nos tornamos em comparação a quem fomos e a quem desejamos ser. O protagonista entende que o seu fim não é apenas uma promessa futura, mas algo próximo que o acompanha de perto e, saído de frente do espelho, reencontra a si mesmo na infância, entendendo que não são a mesma pessoa, mas ele tem em si aquele menininho. Em mais uma virada que enriquece o texto, versos poéticos fazem a transição da forma textual, alterando para o gênero poético e permitindo que as três metas presentes no título fossem alcançadas. Assim, é um micro que contempla o tema em seu enredo ao conjugar várias transformações, inclusive na própria forma do texto. Muito bom!

    • São Tomás de Aquino
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Encontrar-nos-emos no Novo Céu. Lá, onde a visão beatífica nos dará o fim último.

      Um beijo sacerdotal!

  20. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um avô olha para a neta e entende o fim de sua história. O conto vira poema.

    Um bom conto. Mas, o que me chamou a atenção é que, apesar de serem temas sensíveis para mim (o final da vida, a finitude, a ancestralidade), o conto não me tocou. Não sei porque, mas o final em forma de versos “cortou o clima”.

    Isso é questão de gosto pessoal, tenho certeza de que muitas pessoas devem ter gostado muito deste recurso, que, aliás, é bem interessante. É só que, para mim, não funcionou.

    • São Tomás de Aquino
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Minha querida Kelly, eu jamais teria essa pretensão de tocar o seu coração endurecido.

      O clima foi cortado, mas a metamorfose está presente.

      Beijos no seu coração de faraó.

  21. Leandro Vasconcelos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Este conto é denso, profundo, e não poderia deixar de ser, porque escrito por São Tomás de Aquino! Hehehe… a mim, parece que o tema central é que a essência do ser é envelhecer e morrer. A vida é uma marcha inexorável para a morte. Apesar disso, há um núcleo intangível dentro desse ser, que não se altera (aquilo que nos torna diferentes um do outro… mais a nossa parcela divina, feita à imagem e semelhança de Deus?). O ser metamorfoseia no decorrer da vida, fisicamente, mas esse núcleo permanece o mesmo. E ainda: é transmitido aos outros, à prole, continuamente, pelo que se torna memória. No texto, essa metamorfose é comunicada ao leitor de forma metalinguística: começa em prosa e se torna poema, enquanto o personagem se dá conta do fim de sua história, não melancolicamente, mas musicalmente – um final bonito, em que ele percebe que sua história continuaria na pessoa de seu filho. Assim entendi. Perdoa-me, Doctor Angelicus, se não compreendi bem a totalidade de seu raciocínio, visto que meu intelecto não permite tamanha façanha! De todo modo: excelente o conto. Obrigado.

    • São Tomás de Aquino
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Estamos alinhados, pois fomos ordenados para o mesmo fim.

      Que nos mantenhamos na ordem. Amém!

      Beijos eucarísticos.

  22. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Gostei do conto. Não só porque trata de valores universais, mas porque é também ousado. Fala daquele instante em que toda a pessoa se descobre mais próxima do fim do que do começo.

    Stephen King tem uma metáfora interessante sobre isso, quando diz que quando somos jovens a vida parece um oceano à nossa frente, mas à medida que nadamos vamos percebendo que se trata de um lago e, quando estamos prestes a terminar, nos damos conta que era só uma poça.

    Aqui, caro autor, você usa bem essa percepção, quando fala de montanhas e sombras. Ficou muito bom. Melhora ainda mais quando o homem, o velho marujo, encontra a criança. Cheguei a pensar que ele via uma versão menino de si mesmo, mas não… Ao que parece era seu filho, um pedaço dele próprio, destinado a perpetuar sua existência.

    O poema no fim arrematou muito bem o contraste entre fim e início, numa espécie de círculo virtuoso.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • São Tomás de Aquino
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Interessante. Você adicionou a quarta “Meta” às minhas 3. Somos todos partícipes da Causa Primeira, que é o próprio existir. Por extensão, somos todos partícipes nessa grande construção que é a vida.

  23. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, Sao Tomas! Tudo bem? Um conto muito poetico e bonito sobra a impermanencia da vida. O homem, já no ocaso da existência, revê sua imagem mais jovem no espelho, metáfora para a vida que passa diante dos olhos. Não que ele esteja necessariamente morrendo (essa é uma possibilidade), mas, de todo modo, ele já percebe a morte se aproximando (como em “A aniquilação não mais se mostrava como montanha translúcida no horizonte. Encontrava-se debaixo de sua sombra.”, que, para mim, é o ponto mais forte do conto). É um belo conto, uma reflexão importante sobre a passagem do tempo. Não me parece, entretanto, que havia necessidade dos dois trechos em poesia no final. Não estragou, não atrapalhou, mas ao menos pra mim, não agregou. Sobrou, sabe? Claro que isso é só minha opiniao, imagino que a maioria vai gostar. Mas num microconto, acho que cada palavra conta, e aquelas palavras não acrescentam nada que não tivesse sido dito, além de pura beleza estética/poética. Parabens!

    • São Tomás de Aquino
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Meu caro amigo Luís Guilherme, que tal experimentar sair das linhas retas da prosa e transformar a existência nas curvas de um poema?

      Não seria essa, talvez, a grande metamorfose existencial?

      Um beijo ecumênico!

  24. Nilo Paraná
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Olá São Tomaz

    Gostei de seu conto, do inexorável avanço do tempo. Quando a batalha deixa de ser externa. Quando os demônios estão dentro de nós. E placidamente aceitamos nosso fim. Viajei na sua história. Boa sorte na competição

    • São Tomás de Aquino
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      O tempo é mesmo inexorável em seu avanço. Por isso, o fim último é a eternidade, onde intelecto e vontade estarão fixados na plenitude!

  25. Mariana
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá, cara da Escolástica. Eu adorei o conto, pois eu viajei e fiz uma leitura como versão alternativa de Moby Dick e eu achei isso muito legal. O Ahab está velho e, ao invés de perecer por causa da baleia, escolheu a vida. Essa aparece com a sua neta – que é parte dele, o seu grande feito é continuar nela. Enfim, provavelmente é só uma piração, mas vou fingir que a ideia do micro sempre foi essa. Vai entrar na lista, virou um dos meus favoritos até agora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • São Tomás de Aquino
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      Você captou a substância que independe dos acidentes!

  26. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Meu caro São Tomás de Aquino, puxa,que honra avaliar aqui no desafio um santo dessa envergadura. Uma das mentes mais brilhantes surgidas no mundo… O velho que se vê, metamorfoseado por longa existência, na sua forma menor, como a criança dos botões rosa. No espelho da vida ele vê o que fez dele o viver. E aí a história se faz poesia… E isto fez com que minha cabeça bugasse na mudança da forma (a metalinguagem?). Não achei que essa mudança trouxesse encanto. Acho que poderia deixar a poesia para algum momento sacro… Fica com o meu abraço e o desejo de grande sucesso aqui no Certame. 

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Somos todos da mesma família quando estamos na comunhão eterna.

      A vida terrena é contingente, portanto, cheia de mudanças. Talvez não tragam beleza num primeiro momento. Talvez a forma não seja tão bem percebida… Mas no fim de tudo, nos restará a contemplação. E aí, tudo que veremos será belo.

      O fim do mundo é o início da contemplação. Lá onde nos fixaremos eternamente.

  27. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Um conto bonito, mas com algumas passagens cujo sentido me escaparam. Não entendi muito bem, por exemplo, o significado de “A aniquilação não mais se mostrava como montanha translúcida no horizonte.” e de “Narrada pro fim enquanto memória” – talvez sejam trechos mais para serem sentidos do que literalmente compreendidos. A proposta da metalinguagem ficou muito legal. Acho que o título poderia ser mais poético, pra combinar mais com o texto.

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Ora, meu caro amigo Anderson, as montanhas translúcidas no horizonte são distantes, etéreas… A sombra é presente, conectada, próxima. A identidade está na memória ou no fundamento do ser? Se estiver na memória, o ser subsiste ao ser rememorado?

      Questões para que meu conto não seja montanha translúcida no horizonte, mas que esteja debaixo da sua sombra.

  28. Fabiano Dexter
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola São Tomaz,
    Achei muito bonito o texto. A mudança que a idade nos traz e a alegria sendo renovada na criança, nos filhos (pelo menos essa foi a minha interpretação)
    Gostei de como as palavras foram usadas, as descrições, os momentos.
    Parabéns!

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      São Fabiano, mártir da Igreja, é uma honra sua leitura.

  29. Rodrigo Ortiz Vinholo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gostei muito do modo com o próprio texto passa por uma metamorfose depois da percepção do personagem! A metalinguagem funcionou, e a narração, pensativa e subjetiva, cresceu por isso. Muito bom!

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Esta era, precisamente, a minha Meta.

      Beijos santos.

  30. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Viajei lembrando do Cidadão Kane … conto erudito e original! Não sei se entendi mas gostei. Sucesso no desafio.

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      A Verdade não é um atributo de Deus. Deus É Verdade. Se tudo é inteligível, basta que desvendemos mais e mais e mais…

      Obrigado!

  31. Lucas Santos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, São Tomás de Aquino!

    Para ele, o espelho é uma máquina do tempo que o leva à sua época de marujo, da qual ele sente falta. Seu corpo passou por mudanças, amadureceu, mas seu psicológico estacionou. Ele não assimilou a passagem do tempo; não aceitou deixar para trás. Abriga-se, como diz o texto, sob a sombra de seu passado. Na realidade, a única imagem que o espelho reflete é a do presente, mas ele a reprova, a descarta. Ao sair do quarto e dar de cara com a petiz, enxerga nela transformação, renovação, esperança, frescor, futuro: tudo aquilo que não havia visto em seu reflexo. Embora não seja ele, ela, talvez, simbolize sua aspiração de restaurar a capacidade de metamorfose interior.

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

  32. claudiaangst
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma peculiar. Há a metamorfose natural do ser humano. Com a passagem do tempo, vamos nos despindo de algumas camadas e adquirindo outras. Também há transformação da prosa em poesia. O velho (prosa) percebe que a criança (poesia) ainda vive nele, assim juntos se tornam prosa poética.

    Sei lá, talvez eu não tenha entendido muito bem o significado dos botões rosas. Simbolizavam algo? Ou só a vida em botão?

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns e boa sorte.

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Pensei cá com meus botões, o que podem significar? Ora, das rosáceas do rosto aos botões da rosa, o que será que me dizem esses tais botões rosas?

      Beijos metalinguísticos!

      • claudiaangst
        10 de fevereiro de 2026
        Avatar de claudiaangst

        A versão menor do protagonista era a sua netinha?

      • São Tomás de Aquino
        10 de fevereiro de 2026
        Avatar de São Tomás de Aquino

        Quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur!

      • claudiaangst
        11 de fevereiro de 2026
        Avatar de claudiaangst

        “Tudo o que é recebido, é recebido de acordo com o modo do receptor”.

  33. Antonio Stegues Batista
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Homem olha-se no espelho, constata que está mais velho. Saiu do quarto. Avistou sua versão menor, com um casaquinho de botões rosas. Deu-lhe o que o espelho não pôde. Sorriu, como quem sorri para si. Não era ele, mas participava do seu ser. A vida é assim mesmo, nada de estranho, cada um tem sua missão, nada é pra sempre, a vida é um sopro. Tem coisas que não podemos explicar, só viver.

    • São Tomás de Aquino
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Graças a Deus há a promessa de algo maior, da manutenção do ser, da ressurreição dos mortos e da comunhão final.

      Imagine se toda a contingência da vida não houvesse uma razão de ser?

      Beijos metafísicos!

  34. Thiago Amaral
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    O conto tem uma boa sacada na transformação da prosa em verso, refletindo a transformação interna do personagem, que parece compreender e aceitar a morte na felicidade da relação com a criança (parte dele mesmo, sem ser ele, em algo que poderíamos complicar muito com o intuito de sermos poéticos).

    É uma excelente ideia.

    Na minha visão, o conto sofre um pouco de uma linguagem intelectual ou rebuscada demais que deixa alguns momentos difíceis de entender, como a primeira metade do poema. O próprio pseudônimo sugere uma autoria intelectual kkk.

    Penso que o conto poderia ser narrado a mesma história, com as mesmas metamorfoses, de maneiras diferentes. Do jeito que está, considero que ficou mais com um gosto de exercício intelectual que a ternura almejada.

    CONTUDO, claro, a autoria deve pesar se gosta desse estilo, se é natural para ela, se é esse seu caminho, etc.

    No mais, ficou um conto bem interessante, cuja ideia eu gostaria de roubar.

    • São Tomás de Aquino
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Cuidado com a inveja! O ser não é competitivo, ele é participativo em Deus! A inveja desordena o ser ontologicamente ao seu fim maior!

      Espero não te condenar com esse meu micro-conto.

      sanctum osculum

      • Thiago Amaral
        9 de fevereiro de 2026
        Avatar de Thiago Amaral

        kkk Tomás, não seria culpa sua.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microponto é interessante. O tema da metamorfose aparece na referência às mudanças que acontecem conosco ao longo da vida. Confesso que não entendi muito bem a mensagem que você quis transmitir em seu texto. Fiquei um pouco confuso. O que consegui entender é que o personagem está fazendo uma auto análise de tudo que aconteceu com ele ao longo da sua vida.

    • São Tomás de Aquino
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Na vida, há muitas coisas que não compreendemos e, pior, as que nunca podemos compreender. A estas coisas chamamos de “mistério”.

      A boa notícia: os mistérios costumam ter mais de 99 palavras.

      A má notícia: talvez você tenha que reler meu micro-conto.

      Um beijo teológico ao meu amigo Leo Augusto!

  36. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    O projeto de concretizar a metamorfose indo de um gênero a outro é bem interessante e possibilita, dado o tema metamorfose, uma rica relação entre forma e conteúdo. Mas me parece que falta uma transição entre esses dois estados da matéria literária. O que temos é uma justaposição entre uma seção de prosa e uma de poesia, o que até seria cabível caso houvesse materiais verbais comuns entre elas. Mas não: tanto na forma (o gênero) quanto no conteúdo há um salto muito grande. Mal e mal os botões rosa servem de eixo, mas são insuficientes para sustentar a unidade. Penso que toda transformação implica a permanência de valores em vários parâmetros, pois é precisamente ela que nos faz compreender que aquilo que está se metamorfoseando ainda é a mesma coisa. Se nada se mantém, não há metamorfose, há meramente ruptura.

    • São Tomás de Aquino
      8 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      A metamorfose é ontológica, Martim… Busque além dos botões!

      Não confunda metalinguagem com metamorfose… quem sabe minha metafísica não ajude?

      beijos

  37. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Gosto da sonoridade do conto, quase poética a ligação de pai e filha.

    • São Tomás de Aquino
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Uma pena ter sido quase poética. Minha pretensão era de mergulhar na poesia como o homem deve mergulhar em Deus no fim dos tempos…

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando: gosto do micro porém não me toca, mesmo ao se ver na linhagem que continua. Bem poético e escrito, mas não me abraça como muitos outros. Acho que por ser uma “metamorfose” inevitável o envelhecer e não algo abrupto.

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Fiquei tocado! Esse texto brinca com identidade e memória de forma delicada e poética.

    • São Tomás de Aquino
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Ah, a identidade… É o que nos torna unos, distinto dos demais. De algo, tenho certeza, a identidade não está na memória, mas sim no fundamento indivisível do ser.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .