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Detox Literário.

Luz sobre a água (Renata Rothstein)

Flutuava no lago, o corpo pesado de memórias de voo. Olhos refletindo nuvens que ninguém via. Agitou-se; nada mudou, e a penumbra se adensou. Subitamente, a água o engoliu. Algo brilhou na superfície. Já não era forma, mas luz líquida, desdobrando-se em pequenas criaturas que dançavam sobre a água, sussurrando promessas de impermanência. No ballet silencioso que se seguiu, o cisne renasceu à luz das estrelas.

37 comentários em “Luz sobre a água (Renata Rothstein)

  1. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    O conto reconstrói o mito do cisne como alegoria da dissolução do eu. Seria aqui a ideia budista de Impermanência?

    Muito interessante como o tema foi abordado. A linguagem poética é muito boa.

    Parabéns!

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto me enganou direitinho! A primeira linha me fez pensar que o microconto seria sobre um piloto de avião afundando com o avião no lago. kkk. Viajei né? Nossa, foi engraçado. Mas agora falando sobre o microconto achei bonito, enigmático e ele cria umas imagens lindas. Essa parte da luz que brilhava e depois se desdobrava, caraca, eu achei tão bonito. Essa transformação em cisne foi linda. Não sei se entendi todas as partes do microconto, mas o importante acho que é o o resultado né. Então entendi, bem bonito.

  3. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    A primeira leitura me desagradou, devido ao tom abstrato e lírico. É difícil criar interesse por um texto que não sei quem está fazendo ou sofrendo o quê, não sei onde. O texto esclarece os fatos no seu desfecho. Reli o texto e tudo passou a fazer sentido. Mesmo assim, a primeira impressão se manteve e não consegui me conectar ao conto. Talvez se eu soubesse desde o início que se tratava de um cisne em um lago, teria feito associações e me tornado mais próximo ao texto. Também achei o tom lírico um tanto artificial. Infelizmente, não consegui embarcar nessa proposta.

  4. leandrobarreiros
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Eu ttenho grande dificuldade com lirismo, mas esse é um conto que eu gostei, difícil explicar o motivo.

    A história, no cerne, me parece ser sobre alguém que sente falta da potência que teve um dia e agora precisa de adequar a uma nova realidade. As nuvens que ninguém via são essas lembranças que apenas ele conhece.

    Não sei o motivo, doença, acidente, velhice. E quando tudo parece perdido retira das dificuldades e da desesperança a energia para transformação. É toda uma jornada de crescimento e superação em algumas linhas.

    Foi minha leitura, pelo menos.

    Gostei!

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Meu caro Aurélio Duarte,

    Seu microconto é incrível, de verdade!

    Um corpo pesado de memórias boia no lago, afunda na penumbra, vira luz líquida que se fragmenta em pequenas criaturas dançantes e, no fim, o cisne retorna sob a luz das estrelas. Que belo, parece um sonho bom.

    O ponto mais forte é o lirismo da transmutação, quase um rito de passagem. Dissolver para renascer, com imagens muito bonitas e uma atmosfera toda de impermanência.

    A metamorfose está no centro, funcionando mais como símbolo e sensação do que como narrativa (e isso pode deixar alguns trechos mais “névoa” do que chão), mas a beleza e o fechamento circular seguram o impacto. De forma geral, você abordou muito bem o tema.

    Tá nos meus favoritos, certeza.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Aurélio! Teu conto é um mergulho poético que toca o etéreo. A imagem da “luz líquida” e do cisne renascendo em um “ballet silencioso” possui uma beleza plástica incrível. Você conseguiu transformar a transição da vida para a morte em algo rítmico e sublime.

    Porém, sendo direto: a abstração pesou. Trechos como “Agitou-se; nada mudou” me deixaram confuso sobre o que o personagem esperava alcançar com esse movimento. O texto funciona mais como a “fotografia” de um instante do que como uma narrativa com progressão clara, o que pode distanciar o leitor que busca uma história mais concreta. Tecnicamente, a palavra “ballet” deveria estar em itálico por ser estrangeirismo ou grafada como “balé”.

    No geral, é uma obra de refinamento literário admirável, mas que flerta com o hermetismo ao priorizar a estética sobre o enredo.

  7. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Lindíssimo.

    Uma alma sonhadora. Ela olha para algo que somente ela pode enxergar. Ela tenta se debater, fazer algo, talvez para alcançar este sonho, mas não consegue. É engolida pela penumbra. Pelo medo. Por um momento, parece que vai desistir, diluindo-se na água. Mas ela não desiste. Ela aproveita o momento de escuridão para se transformar. E renasce sob uma forma que pode alcançar seus sonhos.

    O cisne finalmente pode alcançar as nuvens que tanto observou de longe.

    Essa foi minha interpretação. O micro é lindo, poético e fácil de ler. E acredito que muita gente vai entender algo diferente na leitura. Não encaro isso como defeito. Na verdade, acredito que seja um acerto. Alguns leitores podem não gostar dessa sacada, mas é uma questão completamente pessoal deles. Então não ligue se aparecer alguém reclamando.

    Parabéns pelo trabalho. Impecável.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Gosto muito de como o texto transforma a morte do cisne em um rito de passagem poético, quase cósmico. A imagem do corpo se desfazendo em luz líquida e criaturas dançantes cria essa sensação de impermanência e renascimento, como se tudo fosse parte de um grande ballet silencioso. A cena até me lembrou um momento do filme de animação Flow, por essa mesma fluidez entre corpo, luz e transformação. Ficou delicado e muito evocativo.

  9. Astrongo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    Achei muito bonito. Meu preferido até agora. A imagem inicial contrasta com o desfecho leve e sublime, onde a transcendência só se dá pelo belo. Lembra um lago acinzentado, lembra a natureza tirando e ao mesmo tempo dando a poder a uma criatura. É o comum que chega ao perfeito, é o eterno.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise: Seu conto é sensorial, e coloca o leitor no centro da ação, junto ao protagonista, o que dá a ele um destaque. Porém, não consegui me conectar com o clima geral, etéreo, meio fantasioso – pareceu-me inspirado em O Lago dos Cisnes. E a escolha das palavras me pareceu de efeito similar, tal como “promessas de impermanência” – seriam quais, para o quê? Minha limitação cognitiva me impediu de apreciar mais sua escrita. De qualquer forma, boa sorte no desafio!

  11. Mariana
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    O cisne é uma metáfora clássica da metamorfose, utilizada em histórias infantis… Assim, o conto atende ao tema do desafio. É bonito, bem escrito e poético. A sensibilidade de um ballet silencioso, luz líquida se desdobrando… A imagem complementa bem a proposta. Um conto sobre identidade, alcance de objetivos. Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Lucas Santos
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Aurélio Duarte!

    A sentença “corpo pesado de memórias de voo” delata que o cisne ainda remói os momentos felizes partilhados com outros de sua espécie, que poderiam simplesmente ter migrado para outro ambiente, mas o trecho seguinte (“Olhos refletindo nuvens que ninguém via”) diz o contrário: todos faleceram, e é em razão disso que o personagem contempla o céu, desejando o retorno de seus companheiros.

    Em “Agitou-se; nada mudou, e a penumbra se adensou. Subitamente, a água o engoliu”, ele cai em si, se dá conta de que não há volta. Depois, as nuvens cobrem a luz da Lua e as sombras ficam mais densas, preparando uma atmosfera sinistra para a próxima cena: o engolimento do cisne. Ele foi literalmente capturado pela água ou por uma criatura? Acredito que seja a primeira possibilidade.

    O segmento “Já não era forma, mas luz líquida, desdobrando-se em pequenas criaturas que dançavam sobre a água, sussurrando promessas de impermanência” descreve a visão submersa do cisne. A luz que ganha forma líquida é a da Lua; as nuvens desencobriram o satélite, as sombras se dispersaram. Já as “criaturas” que bailam na superfície e prometem impermanência são as almas daqueles companheiros do cisne, que nasce outra vez, também como alma. No fim, sob o brilho dos astros, ele segue a coreografia do balé silencioso de seu bando. Posto isso, a metamorfose está na transição de corpo para espírito.

    Embora julgue positivo o peso poético da obra, entendo que pode soar excessivamente abstrata para leitores que preferem um estilo mais direto ao ponto. Quanto à grafia, não carece de ajustes.

  13. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    A imagem é bonita, o renascimento encontra o tema do desafio e, entretanto, há o revés de que ou a história é uma figura indefinida experimentando uma ressurreição luminosa na forma de um lindo cisne; ou se trata de uma metáfora que pode ser para qualquer tipo de transformação no sentido do estático obscuro ao vívido fulgoroso: uma adolescente acanhada em se expressar que encontra a si mesma em uma nova estética; ou uma pessoa que vence a depressão; ou um câncer?

    A abertura acaba por diluir o próprio micro, que acaba sendo tudo e nada.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Aurélio Duarte

    Um texto bonito, poético.

    “o corpo pesado de memórias de voo” – bonito isso.

    Como você usa as palavras renascimento e impermanência, fiquei pensando no renascimento do cisne como a representação de alguém passando por uma mudança, a superação de alguma dificuldade, uma nova chance na vida, uma nova forma de encarar os problemas, um amadurecimento…

    Não entendi esse trecho: “Agitou-se; nada mudou”, o que mudaria?, por que agitou-se? Ele já esperava alguma transformação?

    Gostei do final, uma bela imagem do cisne renascendo à luz das estrelas.

    Parabéns pelo microconto!

  15. Givago Thimoti
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Givago Thimoti

    Olá, Aurélio Duarte!

    Tudo bem?

    Para usar a palavra do dia, se eu pudesse escolher apenas uma palavra, eu diria que esse é um conto críptico. Aberto demais, simbólico demais, o que deixa para o leitor construir a narrativa que melhor lhe caber. Sem um certo ou um errado.

    Pessoalmente, partindo desse pressuposto anterior, eu imagino que se trata de uma releitura do Patinho Feio, com mais magia. Com uma pesquisa, também percebi alguma referência ao balé clássico “O Lago dos Cisnes”. Então, a história que montei no meu tico e teco é a transformação de um ser, um pato, em um belo cisne, enquanto vagalumes e cisnes dançantes bailavam na superfície do lago.

    Bom, não sei se tenho muito a acrescentar com o meu comentário.

    Ah, ballet deveria ter vindo em itálico. Ou, na forma abrasileirada balé.

    Atenciosamente,

    Givago

  16. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    No início, como o Gustavo, achei que poderia se tratar de uma releitura do Patinho Feio, com o renascimento dele num corpo de cisne. Mas não sei se era essa a intenção. O final sem dúvida é referência ao Lago dos Cisnes também, mas fora a referência não chega a ter muito mais em comum. Parece ser obra original, mas que se conecta a outras referências.

    A narrativa é um tanto abstrata, mas sugere bastante coisa: o renascimento, a luz na superfície da água, que por sua vez me lembra histórias budistas ou simplesmente espirituais. Temos a palavra impermanência, que reforça essa impressão.

    Esses elementos trazem uma estética e beleza, mas a abstração em demasia ameaça o entendimento. No geral, porém, após várias leituras, percebo que gosto do texto, porque, apesar de não entender certos pedaços, eles estão bem coesos numa atmosfera de transcendência e, talvez, até de iluminação, formando um todo que faz sentido e de mostra algo.

  17. Nilo Paraná
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ola Aurélio,

    É só isso mesmo, o cisne morreu e renasceu? Creio que não. Não estou captando as camadas. O que são as pequenas criaturas? A alma do protagonista morto?

    A forma está ótima, impecável. É bonita, mas como posso analisar algo que não entendo? Gostaria muito de um esclarecimento seu, qual foi sua ideia.

    O seu foi o último conto que venho comentar, li e reli inúmeras vezes, esperando um insight, que não veio. Que o meu não entendimento não seja prejudicial a tua participação no desafio.

  18. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Aurélio! Tudo bem?

    Um conto poético e bonito. Um cisne que quase morre afogado mas consegue ressurgir, tipo a fênix. Não sei se entendi direito. Mas senti que o céu e a água são o ambiente do cisne, e os dois estavam pesados sobre ele. Ele estava cansado. Quase desistiu, mas no final, o céu e a água o trouxeram de volta. Mais forte. Um lindo ballet! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  19. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    É um belo conto em uso de linguagem e imagens, mas entre metáfora, poesia e literalidade, sinto que é mais uma questão de experiência do que de narração em si. Gosto de leitura aberta, mas acho que foi um tanto além do que prefiro. São várias leituras possíveis, e nenhuma delas me parece uma proposta completa.

  20. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Se não fosse a frase final, teria entendido patavinas. Diria que é um texto poético, com uma bonita escolha de palavras, mas que não entendi. Porém, fui salva pela última frase. O conto descreve um cisne ao luar.

    É belo, mas não há muito mais o que dizer. “Culpa” minha, que não sou muito de poesia. Outra coisa que é “culpa” minha é que eu gosto de histórias. E aqui, não vejo uma história. Vejo a descrição de uma ação. A fotografia de um momento. Uma bonita fotografia, mas é isso: uma fotografia.

    Para um microconto, sinto falta de uma história, de um enredo, de um subtexto, de algo nas entrelinhas.

    Mas, como disse, isso é “culpa” minha, de meus gostos pessoais, e não da sua inegável habilidade na escrita.

  21. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Aurelio! tudo bem? Um conto bastante poético, quase um sonho que está se desfazendo logo após o despertar. Sabe quando você acordar e tenta segurar um sonho pra contar pra alguém, mas a cada segundo algum detalhe se perde, até que fica apenas a sensação de que era um sonho muito interessante, mas que você nunca vai se lembrar dele? Essa foi minha sensação lendo o conto. É um conto de difícil compreensão, já que a forma e a estética, criando imagens fantasmagóricas, parece prevalecer sobre o conteúdo. Ainda assim é possível imaginar diversas transformações que acontecem entre o cansaço de uma longa vida e o renascer após retornar para dentro de si. Viajei demais? Filosofei demais? De todo modo, acho que é um comentário que condiz com a natureza lírica do conto. Parabens e boa sorte!

  22. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Engraçado que minha primeira impressão, antes de chegar na última frase, foi de que se tratava de um pato, um pato ordinário, rs Até que eu não estava tão errado assim, mas se pararmos para pensar, patos não são poéticos como cisnes, né? Bem, gostei da linguagem… (não quero usar a palavra “poético” de novo) … da linguagem onírica (acho que onírica cai bem aqui, já que existem uma atmosfera difusa, um tanto líquida, permeando o conto. Não há exatamente uma história nas entrelinhas, mas um cuidado interessante no uso das palavras, transformando (olha aê) um fato corriqueiro num evento memorável. Creio que é essa a maior qualidade deste micro, já que retrata a metamorfose de uma ave em algo grandioso. Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Renata Rothstein
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Aurélio Duarte. Tudo bem?

    Seu microconto tem imagens muito poéticas e delicadas: o corpo pesado de memórias, os olhos refletindo nuvens e a transformação na água criam uma atmosfera envolvente e quase etérea. O final, com o cisne renascendo à luz das estrelas, é forte e simbólico, transmite renascimento e impermanência de forma muito bonita. Fênix, O lado dos Cisnes? Ou não é por aí?

    O que funciona muito bem: a linguagem poética, o ritmo fluido e a sensação de metamorfose. São escolhas que realmente prendem o leitor e criam identidade para o microconto.O que poderia melhorar: algumas passagens são densas e um pouco abstratas, o que exige atenção do leitor.A narrativa poderia ser mais direta, sem perder a poesia.No geral, é um microconto original, sensível e poético, que cumpre bem a proposta de transmitir transformação e leveza, mantendo beleza e profundidade.

    Desejo boa sorte no Desafio.

    Beijos

  24. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    ei, Aurélio, o domínio da linguagem poética é muito claro (e bonito) na sua narrativa. As imagens são belas e nos remetem a esse lago idílico que a imagem escolhida  me sugere. Mas senti falta de uma maior clareza na história. Bem pode ser, amigo, que seja pela minha baixa capacidade de compreensão, mas tive dificuldades em captar o que realmente você quer me contar. Fica com o meu abraço e meus votos de sucesso.

  25. Fabiano Dexter
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Olá Aurélio,
    Gostei do seu conto, achei ele fluído e a leitura agradável. O jogo das interpretações possíveis se dá pelo bom uso das palavras, e não por usar palavras difíceis e isso é muito bom.
    A interpretação pode ser tanto direta como abstrata e isso dá ao texto camadas, importantes nesse tipo de texto, muito curto.
    Parabéns!

  26. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    O autor explorou bem as palavras para desenhar imagens nítidas, mesmo num sonho ou numa despedida. Parabéns e sucesso no desafio.

  27. toniluismc
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Aurélio!

    Esse conto é muito bonito de ler, tem uma musicalidade e um clima quase onírico que mostram um domínio forte de linguagem simbólica.

    O cisne, a água, a luz, tudo conversa com arquétipos clássicos de transformação e transcendência, o que aproxima o texto de uma metamorfose mais espiritual do que física.

    Ao mesmo tempo, a dose de abstração é tão alta que a experiência fica mais contemplativa do que emocional: a gente entende que algo muda, mas não consegue captar com clareza o que estava em jogo antes e o que exatamente nasceu depois.

    Fica aquela sensação de assistir a uma cena linda em câmera lenta, mas meio distante, como se faltasse um elo concreto entre a história do cisne e o leitor.

    Ainda assim, é um texto que se destaca pela forma e pelo uso sofisticado de imagens, talvez bastasse ancorar um pouco mais a narrativa em algum detalhe concreto para que a metamorfose deixasse de ser só sugestão e ganhasse mais carne.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  28. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Narra uma cena de forma poética. Durante o dia, o cisne muito voou e se cansou. O corpo pesado então se põe a flutuar sobre a água. O dia finda, a noite chega e o cisne, desapercebido de si mesmo, acaba por afundar. Vê o céu, a lua e as estrelas através da superfície móvel da água. Há um encantamento e o despertar. O cisne vence a inércia, rompe a superfície da água e se lança em voo pelo céu noturno. Aqui, a metamorfose é tomada como sinônimo de renascimento pelo encantamento.

  29. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oiiie!
    Aurélio, acho que você trabalhou a imagem do cisne como memória de beleza e dissolução, quase um apagamento que vira outra forma de existência. Você apostou mais na atmosfera do que na ação, e isso foi uma ótima decisão, porque sustenta a ideia de impermanência, embora algumas imagens se acumulem e diluam, minimamente, a força da transformação final. Se aproxima muito de uma prosa poética. Gostei muito.

  30. Leandro Vasconcelos
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Seu micro tem uma escrita firme, que gera imagens poderosas na mente do leitor. É um tanto onírico: parece saído de um sonho. Algo ou alguém que estava repleto de memórias, com uma mente anuviada, submerge para depois se transformar em um cisne. Bonito. O que significa? Aliás, há algum significado? Ficou oculto. Penso que o indivíduo mergulhou em si mesmo e se tornou outra criatura, bela, não sem antes testar outras formas. Parece uma alegoria dos diversos estados do ser, que se transforma durante toda sua vida, sob o peso das memórias. Profundo! Um lago que poderia ser uma fenda abissal. Gostei! Parabéns.

  31. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Olá, Aurélio,

    Engraçado, quando li por primeira vez a palavra corpo eu julguei que se tratava de um corpo morto. O renascimento, no fim, também atesta essa leitura, que é a mesma dos que comentaram antes de mim. Mas depois eu li de novo e acho que não há morte nenhuma. Trata-se de uma cena muito mais singela, que bem poderia ser o argumento de um haicai: o cisne mergulha, e o que era ele transfigura-se em bolhas iluminadas, água sob a luminosidade da noite. E isso que vemos, pura efemeridade, desaparece em seguida, com o retorno do cisne à superfície. Lindo, por sinal, sobretudo pela escolha, como núcleo narrativo, de um acontecimento do mais irrelevante. (Se é que não estou viajando e se trate mesmo da morte do cisne etc etc.)

  32. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

     Não sei se foi intensão do autor, mas o conto tem semelhança com a Fenix que, ao morrer, renasce das cinzas, aqui o cisne renasce das águas. Me lembrou também, o mito de Narciso, afetado por uma maldição, acaba morrendo e se transformando em flor. A coincidência está na água, já que ele morre depois ver seu reflexo na superfície do lago. Nas 3 histórias há o tema metamorfose. O conto do cisne é uma estória cheia de poesia. Parabéns.

  33. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Seria o texto uma metáfora da necessidade de se morrer em vida para retornar pronto para enfrentar uma nova etapa? Ou teria como referência o ballet A Morte do Cisne, o fim da existência, de todos os ciclos na vida?

    Ainda se pode interpretar a narrativa como a metamorfose de um patinho feio em belo cisne.

    Seja como for, o tema proposto pelo desafio foi abordado.

    Não encontrei falhas importantes na revisão.

    Parabéns e boa sorte.

  34. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Gosto da mistura equilibrada de poesia e ideia sugerida, achei coeso.

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando depois de reler: continuo gostando, mas achei muito mais poético do que intuitivo.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. O tema da metamorfose aparece quando o cisne renasce. Confesso que seu microconto me deixou um tanto confuso. Não entendi muito bem a ideia que você quis transmitir. Me parece que você quer falar sobre a experiência da morte.

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Esse consegue ser poético e intenso ao mesmo tempo. Parabéns!

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .