EntreContos

Detox Literário.

Farol (Priscila Pereira)

Encaro o céu escuro, à deriva em plena calmaria. Paro de contar o tempo. A fome é eterna e a sede, desespero.

Quando estou prestes a desistir e fechar os olhos para sempre, uma luz irradia em um pedaço do breu, depois desaparece.

Então remo em direção à luz. Encalho na areia, pulo para fora do barco e desabo no solo fofo. Quando desperto, uma luz cristalina vem de cima. 

Procuro o farol, mas não há nenhum. Só uma  cruz vazia fincada no alto do morro. Então levanto voo com asas que jamais sonhei que teria.

37 comentários em “Farol (Priscila Pereira)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Na minha primeira leitura achei que era uma história sobre a passagem para o mundo de lá, mas quando terminei tive a impressão de ser uma metáfora de salvação moral.

    Relendo, me parece que temos alguém que estava prestes a cometer suicídio por estar sofrendo mesmo que não aparenta na superfícies sede e fome eterna, alguém sempre querendo algo mais, mesmo na calmaria)

    A pessoa encontrou algum conforto espiritual, chuto que cristão, e foi salva por essa nova espiritualidade, se transformando em alguém melhor do que era. Daí a metamorfose.

    Por um lado, não costumo curtir tanto textos que tem um certo teor evangelizador. Por outro, nada aqui está gratuito, as metáforas são lindas e a narrativa é bela.

    Outro que arrisca entrar para a lista.

  2. Asstrongo
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    A imagem principal é clara: a busca por um farol que se revela. A transição para o despertar com asas sugere que essa salvação não veio de algo que está “fora”, mas de alguma coisa interna. Podia ter explorado a passagem do desespero para o voo metafórico, desespero físico, digamos, mas aí tem os caracteres que impedem, entendível.

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Ah não acredito que me enganou desse jeito! Risos, primeiro achei que a pessoa fosse um navio, só lendo as palavras iniciais. Daí fiquei feliz junto com ele quando viu o farol e pensei que ele ia ficar seguro. Me enganou hein? Ele não ficou bem coisa nenhuma, tadinho. Adorei seu microconto, descrições de como ele se sentia, ou como era a praia, descrição da cruz e tudo. Muito bem feito, envolve a gente no que está acontecendo, muito bom.

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Muriel
    Gostei da forma como foi me prendendo à leitura. Na minha opinião, a escolha pela narrativa no presente foi acertada, favoreceu esse convite ao leitor para acompanhar o personagem.
    “A fome é eterna” – achei fraca a escolha por “eterna”… fome eterna?, há tantos outros adjetivos mais interessantes e menos genéricos para fome.
    Em “e a sede, desespero”, me incomodou usar “desespero”, em um parágrafo onde fala sobre estar em “plena calmaria”.
    “em um pedaço do breu” – achei estranha essa construção. Fiquei tentando imaginar.
    A luz irradia, depois desaparece, então ele rema em direção à luz… não faz sentido. Depois ele procura o farol, aí entendemos que era a luz do farol, que vai e vem, mas seria legal deixar mais claro.
    Infelizmente, o final não entregou o que eu esperava. Pode ser culpa minha, da expectativa que eu mesma criei, por ser tudo bastante enigmático. O surgimento das asas me pareceu uma solução pouco original. Não vi nada antes que me indicasse e justificasse essas asas. Ele morreu?
    Parabéns pelo texto!

  5. maquiammateussilveira
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    A metamorfose da vida para a morte. É um conto bonito, muito bem escrito. A narrativa constrói a cena sem pressa, fato por fato, conduzindo a leitura de uma forma competente e fluida. É bom ler um texto assim, sem tropeços, sem surpressas irritantes causadas por rebuscamentos de linguagem. E, ainda assim, o texto carrega um tom poético, mas na dose certa, sem cair no artificialismo. Confesso, porém, que a história não me chamou muito a atenção. Não foi dos textos que mais me marcou nesse desafio. Faltou algum elemento que o destacasse, seja na forma, na história, no conceito. Ele não me comunicou muita coisa, nem me emocionou. Foi apenas uma sequência de ações e situações narrada e descrita com belas imagens.

  6. São Tomás de Aquino
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de São Tomás de Aquino

    Aaah, belíssima mensagem.

    A cruz é escândalo para os judeus e loucura para os gregos!

    Símbolo belíssimo. Quando está em forma de Cristo Crucificado, significa a Redenção. Quando está vazia, significa a Ressurreição.

    Beijos sagrados!

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Muriel! Teu conto é uma travessia bonita e melancólica entre o desespero e a transcendência. A primeira metade é excelente; você conseguiu passar a agonia de estar à deriva com imagens potentes, como a “fome eterna” e a “sede desespero”. O título “Farol” cria uma expectativa de salvação física que você subverte com sensibilidade ao revelar a cruz e o voo final.

    No entanto, achei que a metamorfose foi um tanto súbita. No microconto, o “e do nada, asas” pode soar como um recurso apressado se não houver um detalhe sensorial que nos faça sentir o peso da alma se transformando. Além disso, o desfecho pende para um tom espiritual bem direto que, para alguns leitores, pode soar um pouco previsível demais.

    Tecnicamente, o texto é fluido e muito seguro. É um trabalho de grande qualidade literária que toca na esperança.

  8. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Muito bonito.

    O texto trabalha muito bem com algumas imagens lindas, através de passagens que mesclam a simplicidade com a poesia de forma impecável. Ele é tão bem feito que abre espaço para várias interpretações. Pode ser a passagem da vida para a morte, para o além. Pode ser o momento que a pessoa encontra Jesus e o aceita. Pode ser a libertação de um vício que consumia o protagonista. O farol está num ponto comum da literatura, mas quando a pessoa chega na praia, a figura muda para uma cruz, o que me faz pensar que o conto tem grande apelo cristão.

    Parabéns! Um dos melhores, até agora.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Gosto de como o conto trabalha a metamorfose de forma simbólica, como uma passagem da escuridão para a luz. A caminhada em direção ao farol parece menos física e mais existencial, quase como um despertar ou libertação de um estado de sombra. É um micro aberto, que convida cada leitor a preencher as lacunas com sua própria leitura e isso combina bem com a proposta.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Temos contos que parecem filmes. Outros que parecem contos de fadas, ou fábulas. E temos contos como este, que parecem materiais de teatro, praticamento um monólogo do narrador. A meu ver, a escolha pelo presente deu um pouco dessa impressão, pois ele não parece estar contando algo no passado, mas narrando enquanto vive. Também achei a linguagem um tanto críptica, em que a simbologia é-e-não-é: estaria mesmo num barco? Que ilha é essa, e qual o significado do farol? E, principalmente, porque ele cria asas? Esse último ponto parece justificar o tema do desafio, ainda que eu não tenha encontrado razão para seu surgimento. De qualquer forma, desejo sucesso no desafio!

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Escritor(a), seu microconto traz uma metamorfose simbólica e libertadora muito bonita. O narrador passa do desespero absoluto para a descoberta de si mesmo, culminando em asas inesperadas — uma metáfora clara de renascimento, liberdade e transcendência.

    O que funciona: a narrativa tem bom ritmo e visualidade; a transição do desespero à luz é bem construída e mantém o leitor engajado. A cruz vazia funciona como elemento simbólico que reforça a transformação.

    O que poderia melhorar: algumas imagens poderiam ser levemente mais detalhadas ou conectadas para que a viagem do barco ao voo final fique ainda mais fluida. Mas, mesmo assim, o impacto da metamorfose é forte.

    No geral, é um microconto inspirador e visual, que trabalha metamorfose de forma clara e poética.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  12. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    olá, Muriel. Tudo bem?
    Eu entendi seu conto como uma travessia entre desespero e fé. A deriva no mar ficou como limite físico e emocional, e a luz aparece quase como salvação. Aí quando a cruz surge no lugar do farol, o texto muda de sobrevivência para transcendência. A imagem final do voo conclui a metamorfose de forma clara.

    Para mim, funciona melhor na primeira metade, quando a fome, a sede e o mar criam tensão real. Depois, a explicação espiritual fica mais direta e um pouco previsível. Mesmo assim, a cena é forte.

  13. Gustavo Araujo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    A construção da atmosfera do conto é muito boa, já que permite sentir o desespero de quem, à deriva, procura um lugar para aportar em segurança. As luzes intermitentes aparecem como tábua de salvação, fazendo-o pensar — assim como a nós, leitores — que se trata de um farol na acepção naval do termo. Mas não. Quando o náufrago, já na areia desperta, percebe que não é nada disso, havendo na praia não mais do que uma cruz.

    O conto adota, com competência, uma abordagem sobrenatural, religiosa, quando associa a luz da salvação a uma cruz. A redenção, assim, está em Deus, que por motivos que não são relevantes — até porque Sua bondade é irrestrita e eterna — decide resgatar a pessoa que até então estava carente de esperança. O recado está bem dado: mesmo nas mais difíceis situações, a Salvação é possível.

    Por conta dessa mensagem de esperança irrestrita, o conto agrada quem cultiva uma visão mais próxima do misticismo, quem se apega a dogmas religiosos e assim por diante. Pode não reverberar tanto em quem possui uma concepção diferente dessa, quem é mais apegado à realidade e à natureza, e que, no caso do conto, poderia entender que a luz intermitente era fogo de Santelmo e nada mais. Nesse caso, o conto poderia soar como proselitismo — um risco que o(a) autor(a) decidiu correr.

    Em suma, um conto competente, que não tem medo de se posicionar. Literatura é assim. Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Luis Guilherme Banzi Florido
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Muriel! Tudo bem? Otimo conto! Aqui, temos uma construção bem direta e clara, porém, ainda assim, consegue brincar com as entrelinhas, criar e enganar a expectativa do leitor, e entrega até mesmo plot twist! Tudo isso com pouquissimas palavras, o que mostra bastante maturidade sua na escrita. Cada palavra conta, e tudo é planejado com precisão para o final. Gostei muito desse desfecho. Primeiro voce nos vende a ideia de que houve uma salvação, de que o/a protagonista é salvo/a da morte. No fim, descobrimos que a salvação não foi do corpo, mas do espírito, tudo isso de modo bastante sensível! Lindoconto! Parabens!

  15. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Para o intuito desejado, o conto é narrado muito bem. Destaco “A fome é eterna e a sede, desespero.” e “desabo no solo fofo”.

    O problema é que, na competição do desafio, o fato de ser um conto mais arquetípico, ou seja, que não entra em detalhes de personagem, sendo mais uma alegoria, faz com que ele não tenha tanta força diante de outras histórias.

    Ainda assim, permanece como uma metáfora para a esperança em tempos de desespero.

  16. Leandro Vasconcelos
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Caro autor, este seu conto é tocante. Não há muito o que dizer, a não ser contemplar. Pois é uma pintura. A imagem selecionada é bonita, mas o conto em si é uma pintura, tal qual o afresco da Capela Sistina. Poderíamos repinta-lo aqui, mas num cenário sombrio. O homem do barco levantando os dedos aos céus, e o Eterno a tocá-lo, a dar asas ao pobre moribundo. Que visão! Mesmo quando estamos no mais profundo abismo. Mesmo quando estamos à deriva, e a fome e a sede são respiros de morte. Quem pode, no meio das trevas, ser o nosso farol? Quem pode nos levar às alturas? Somente Um. Quem como Ele? Parabéns por trazer em poucas palavras o verdadeiro encontro entre o homem e o seu Criador, naquele momento de catástrofe e de entrega total, o momento em que tudo se faz luz, que tudo faz sentido. Quem provou, sabe. Parabéns!

  17. Rodrigo Ortiz Vinholo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Bom conto! Boa escrita, e uma boa abordagem metafórica. Pessoalmente, não me pegou tanto, seja por um simbolismo que se repete em outras histórias (e no tema como um todo), ou por alguns elementos que ficaram basicamente no universo simbólico e, portanto, ficam demasiadamente abertos a interpretação. Entre asas que surgem no final e o elemento da luz/farol/cruz, acabei ficando um tanto desconectado da experiência.

  18. Kelly Hatanaka
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Uma pessoa sofre, agoniza. Quando tudo parece perdido, a luz de um farol a salva. Porém, não é um farol, é uma cruz e a pessoa ganha asas.

    Um belo conto sobre a fé. A cruz faz pensar especificamente na fé cristã, mas penso que pode ser considerada um símbolo universal.

    Este símbolo indica a direção quando tudo está perdido e a esperança concede à pessoa mais do que ela imaginava ser possível.

    Não sou uma pessoa religiosa, mas, crendo que a fé independe de religiões, achei este conto muito interessante.

    Há uma outra interpretação possível. A pessoa pode ter morrido e a luz, a cruz e as asas são elementos do além.

    Gosto de contos que trazem múltiplos significados e possibilidades e este é um deles.

  19. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Muriel!

    O que vi aqui foi a construção de uma jornada de desespero pra redenção com toques de realismo mágico: o náufrago à deriva guiado por luzes que se revelam como cruz vazia (símbolo de transcendência, ressurreição ou passagem espiritual) e, no clímax, asas inesperadas pra voo final.

    A metamorfose estaria aí, do homem faminto e sedento pro ser alado, talvez num limiar de morte/ascensão, com o farol como ilusão ou chamado divino que leva à praia da salvação.

    É relativamente fluido, com imagens vívidas como o solo fofo e a luz cristalina.

    Demorei um tempo pra entender por causa da última frase: ela entrega o twist de forma abrupta demais, sem transição que convença o “levanto voo”, soa como pulo do barco pras nuvens sem escalada emocional ou sensorial (dor nas costas brotando asas, ou um vento que as revela).

    Pra melhorar, acredito que seria interessante fundir a cruz ao farol antes e dar um instante de dúvida pro protagonista antes do voo, pra ancorar a transformação. Assim, o impacto ficaria mais orgânico e menos “e de repente, asas”. Mas é só preciosismo meu, seu texto é excelente, parabéns!

    Desejo-te boa sorte no desafio!

  20. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Muriel,

    Achei onseu micro muito bom, pois os fatos vão se desenhando e, ainda que se imagine que um Farol no sentido literal tenha sido o guia do náufrago, na verdade ele aparece de forma literária como um símbolo religioso, uma cruz, que pode ser tanto a redenção do personagem como mesmo seu fim, sua morte.

    Gostei bastante!

    Parabéns!

  21. Antonio Stegues Batista
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Pensei em várias interpretações e uma delas é a história de uma pessoa que teve uma vida atribulada, sofrida, que encontra em uma religião, a paz, o conforto tanto físico quanto mental. A transformação da pessoa, saindo dos vícios para as virtudes. Simples e direto.

  22. Mariana
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Gosto de cenários como o explorado no conto… Faróis são locais aterradores, mas, também, pontos de salvação e segurança na imensidão do mar. É um conto bem escrito, só a frase final dilui o efeito… Se o navegante chegasse e a luz se transformasse em uma cruz na terra, o impacto seria bem maior. Ok, o pessimismo também… Enfim, possivelmente entrará na minha lista. Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. claudiaangst
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Acredito que o tema metamorfose tenha sido apresentado na suposta salvação do protagonista. Antes à deriva, perdido no post mortem, ele enxerga uma luz, que imagina vir de um farol. No entanto, é uma luz superior a tudo, e asas surgem. O morto, surpreendido com a imensa graça, sofre a metamorfose derradeira e se transforma em um anjo.

    Um texto bonito, com belas metáforas e de fácil entendimento.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  24. Alexandre Costa Moraes
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Muriel,

    Seu microconto fala da morte disfarçada de salvamento. A calmaria do começo entrega o jogo em relação a essa salvação. Não tem martírio aqui, não. O cara não tá brigando com o mar bravo, ele tá com a vontade de largar tudo, se entregar de vez e ficar em paz. Acho que a luz do farol piscando ali no começo é uma armadilha. Pra dar ideia de que ele chega à praia e se salva, mas ela tá chegando é no além. A virada se dá quando ele enxerga a cruz no alto do morro, um símbolo religioso de que ele está no céu ou algo assim. As asas fecham a transformação de corpo em espírito (ou anjo), só que elas aparecem meio que do nada. Não passa  a ideia que ele se transformou, saca? O texto é legal porque trata a morte sem drama, mas perde força poética por dar pistas demais, em vez de deixar a gente perturbadão pensando nas possibilidades e no que ele fez antes de estar ali. As melhores imagens estão no começo, onde menciona a fome eterna e a sede virando desespero (boas metáforas para ancorar as questões do espírito). No fim das contas, tá bem feito, mas joga no lugar seguro. Prefere acalmar do que incomodar. Uma travessia no mar como sentido da vida merecia mais sal na ferida, mais desespero, mais corpo lutando… e menos luz cristalina, solo fofo e calmaria. Mas, sem dúvidas, é um bom microconto (acho que vai pra minha lista). Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Esta é uma boa execução de uma ideia pouco inventiva, a metamorfose da morte, a luz ambígua que é a transcendência de um estado a outro da existência. Está bem escrito, mas perde em termos de impacto, ainda que contemple o tema do certame. A catarse não seria tão necessária se não fosse o aspecto competitivo do desafio, vale dizer.

  26. André Lima
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    É um texto bonito, bem escrito, mas que poderia ter a poética mais explorada, em minha opinião.

    O desfecho é excelente, todo o clima gerado em volta contribui para a apoteose.

    Senti falta de uma linguagem imagética, parece que a ideia pede por isso.

    Claro, 99 palavras são limitantes, mas sinto que o autor tem capacidade para nos entregar mais.

    O que entregou, portanto, é suficiente. Eu gostei bastante, principalmente da construção inicial. “Encaro o céu escuro, à deriva em plena calmaria. Paro de contar o tempo. A fome é eterna e a sede, desespero.” Se mantivesse essa potência até o fim, talvez fosse meu número 1 da lista.

  27. Priscila Pereira
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Muriel! ( Gosto de pesquisar pseudônimos e o seu significa Mar brilhante, gostei!) Tudo bem?

    Amei o seu conto! ❤️ A pessoa está navegando em mar calmo, mas sem esperança de salvamento, então vê uma luz (Eu Sou a luz do mundo!) e então tem forças para remar até ela… estaria salva? Estaria viva? Viva eu não sei, mas salva com certeza! Amei a frase final! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  28. Lucas Santos
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Muriel!

    Logo no início, a personagem está à deriva em plena calmaria. Acredito que, nesse contexto, um mar revolto traria mais emoção ao microconto. Entendo, porém, que possa ter sido uma escolha consciente do (a) autor (a). Interpretando o texto como uma grande metáfora, a calmaria pode significar resignação/serenidade perante a iminência da morte. Inclusive, a metamorfose se dá justamente no momento em que ela desencarna e ganha asas.

    A meu ver, a personagem está prestes a falecer e, então, rema rumo à luz, símbolo da salvação. Ao chegar à praia, ela desmaia, isto é, morre. Quando ela desperta e vê uma luz cristalina vindo de cima, é sinal de que já está em outro plano. E aquilo que supunha ser farol, na verdade, é uma cruz, ou uma cruz exercendo função de farol, como um guia espiritual luminoso.

    Acompanho o colega Givaldo. A repetição da palavra luz poderia ter sido evitada pela utilização de sinônimos, como: brilho, fulgor, resplandecer, clarão, claridade, enfim, há várias opções. Se uma palavra aparece amiúde, considere substituí-la por outra de significado equivalente, assim, o texto torna-se mais rico em vocabulário e não corre o risco de ser rotulado como maçante por leitores mais criteriosos.

    Por fim, o microconto trabalha com tato e, sobretudo, visão. Destaque para o trecho: “Então remo em direção à luz. Encalho na areia, pulo para fora do barco e desabo no solo fofo. Quando desperto, uma luz cristalina vem de cima”. A luz — principal elemento da narrativa — pode ser facilmente imaginada por quem lê, o que é um ponto positivo.

  29. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Muriel, que conto bonito você me traz. Gostei muito da sua história. Triste, profunda e que nos remete a também criar asas e voar como o personagem que parece sentir a morte se aproximando como uma luz. Ao acordar se vê diante da luz cristalina. Só que agora, livre do “ser humano”, criou asas e com elas parte para o infinito… Ou viajei na maionese, Muriel? Meu abraço de parabéns pelo seu conto. 

  30. Nilo Paraná
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Metáfora bem escrita. Frases curtas dão rapidez e dinâmica ao conto. Texto poético sobre vida e morte (assim percebi). Gostei muito da última frase. Boa sorte.

  31. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    O desfecho, enquanto representação da salvação cristã, é plenamente válido. Igualmente válido é tomar a travessia do oceano como uma representação metafórica do que é a vida humana, suas agruras, lutas, desesperança e desespero. A religião pode salvar, e salva, muitos, ainda que não seja ela, a religião, para todos. É possível tomar a conversão (encontrar o farol no meio do oceano) como mutação, assim como é possível tomar a salvação (o ganho de asas) também como mutação.

  32. Givago Domingues Thimoti
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Givago Domingues Thimoti

    Olá, Muriel!

    Tudo bem?

    Esse é um conto metafórico cuja narrativa está bem construída. As ideias estão ali, tão claras quanto o reflexo do luar no mar calmo. O leitor entra na água, se banha e aproveita. E vai embora para comentar.

    Entretanto, confesso que senti falta de algo a mais, que ficasse ressoando em mim. Mar calmo não faz bom marinheiro. Talvez tenha faltado uma escrita um pouco mais ousada e refinada.

    Quando digo “refinada”, quero dizer melhor trabalhada, e não necessariamente rebuscada. Por exemplo: temos a repetição do termo “então” e “luz”.

    Outra observação. Achei um tanto confuso o seguinte trecho:

    “Quando estou prestes a desistir e fechar os olhos para sempre, uma luz irradia em um pedaço do breu, depois desaparece.

    Então remo em direção à luz. (…)” O que tornam os microcontos especialmente difíceis é que cada palavra, cada ideia, cada subentendido, importa. Penso que nesse trecho específico, faltou esse cuidado a mais.

    No mais, penso que esse micro pode melhorar com a revisão desses pontos.

    Atenciosamente,

    Givago

  33. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Assunto árduo foi explorado com competência. A morte como metamorfose libertadora e consequência de tentativa de superação. Boa sorte no desafio.

  34. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. A temática da metamorfose aparece quando o personagem principal passa da vida para a morte mesmo sem ter percebido. Pelo menos foi o que eu entendi. A metamorfose pode estar também na cruz que ele pensou ter sido um farol. E até mesmo quando ele cria asas acendendo aos céus no final da narrativa. Acredito que todos têm o direito a expressar suas opiniões religiosas. O texto trata de temas universais com a esperança.

  35. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Gosto da imagem da luz intermitente do farol, e esse gostar me faz desejar que ela fosse mais explorada, afinal é esse o interesse principal do conto, se levamos em conta o título. A ideia de intermitência poderia, valha o trocadilho, iluminar muitos aspectos da vida se o farol fosse tomado como metáfora, ou se ao menos uma parcela de seu sentido se derramasse para além do mero pragmatismo do relato. Assim como está, ele é só o eixo de um engano do protagonista, e a narrativa se resume a uma piscadela ao leitor meio ao estilo O Sexto Sentido (lembra? O Bruce Willis estava morto).

  36. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    UAUUU … falar de morte em travessia de forma linda, temos aqui. Parabéns.

  37. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Fiquei tocado pela metamorfose silenciosa. Achei que esse texto transmite superação e liberdade de forma intensa.

Deixar mensagem para maquiammateussilveira Cancelar resposta

Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .