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Detox Literário.

Despedidas (Gustavo Araujo)

Um, dois, três passos. Não vou chorar. Solto sua mão. Tenho medo de ficar sozinho… Viro para trás, lá está você, saia rendada, camisa branca. Coragem, você diz. No rosto jovem, os olhos marejados. Vai, Toninho, você incentiva, acenando de longe. E eu, engolindo o choro, mergulho corredor adentro.

Um, dois, três passos. É como um longo túnel.

Sentada, você se vira para trás. Camisola desbotada, o corpo que fenece. Perguntas transbordam pelos olhos. Sou eu, mãe, sussurro, segurando sua mão.

Um, dois, três passos, avançamos passadiço afora. Não quero ficar sozinho. Não chore, você diz. Não chore.

35 comentários em “Despedidas (Gustavo Araujo)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Conforme vou ficando mais velho fico mais sensível, e esses contos que outrora passariam batidos por mim me pegam.

    Um conto bonito que narra diversas despedidas que temos na vida na relação filho-mãe.

    A contagem dos passos é muito efetiva, especialmente no uso para passagem do tempo. Não fosse pelo uso ali, talvez descambasse demais para um certo tipo de sentimentalismo, mas esse uso narrativo segurou a frase, uma espécie de contra-ponto para sua utilização.

    Gostei muito. Muita técnica, real, simples e complexo.

  2. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Toninho

    Seu texto é lindo, bastante sensível. Muito bonita a forma como aborda a passagem do tempo, os papeis desempenhados por filho e mãe ao longo dos anos… momentos distintos e tão parecidos.

    É exatamente uma metamorfose? Não sei, talvez uma amadurecimento.

    No início há uma confusão no tempo da narrativa. “Um, dois, três passos. Não vou chorar. Solto sua mão. Tenho medo de ficar sozinho… Viro para trás, lá está você, saia rendada…” Você está contando, exatamente os passos, nos coloca ali com os personagens, foram três passos, soltou a mão e quando vira para trás a mãe já está lá… depois ela acena de longe. Você soltou a mão do leitor. É obrigado a relatar segundo a segundo do que aconteceu? Não. Mas como você começa contando passos, a gente entra naqueles segundos com você. Sugiro que deixe mais claro esse afastamento, por exemplo, dizer que ele andou mais, ou que ela saiu e se afastou. Fica faltando esse situar no espaço e tempo.

    “lá está você” também dá a impressão de que ela surgiu ali naquele instante. Se forem dois momentos distintos (o que não acredito), sugiro mudar o parágrafo e dar espaço, como no restante do texto. Ou algo que mostre isso, como você usou depois com a passagem pelo túnel.

    Parabéns pelo texto!

  3. maquiammateussilveira
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Um conto que aposta no emotivo sem cair no sentimentalismo. É um equilíbrio perigoso. Outro equilíbrio desse texto: entregar o necessário, deixando lacunas, mas sem se tornar obscuro. Não sabemos o nome dos personagens, apenas a relação entre eles, pois isso é o que importa. As situações não ficam claras, mas a relação entre os personagens, sim – e ela é que importa. Interessante! Tanto a situação incial quanto a final abrem muitas possibilidades: uma criança indo pela primeira vez para a escola? A mãe preparando-se para a morte? A metamorfose está na passagem do tempo, a mais cotidiana, a mais íntima possível: crescimento e envelhecimento. Inteligente essa escolha. E o título, tão simples, acompanha o tom melancólico do conto. Afinal, o efeito doloroso dessa metamorfose pela qual todos passamos e/ou passaremos são sempre as despedidas. Infelizmente, por abordar o tema proposto de forma tão sutil, é possível que não chame tanta atenção. Talvez esse mesmo texto se destacasse mais no desafio se o tema fosse outro. De qualquer forma, parabéns pela execução equilibrada e pela sensibilidade que lidou com assuntos tão delicados.

  4. Astrongo Mesinha
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo Mesinha

    O tempo não passa em linha reta nesse micro, não linear. Eu vejo ele como algo que ecoa, devolve a gente para o mesmo lugar só que trocando de papel. E o que aperta o peito não é exatamente tristeza. É que o personagem passa a reconhecer, quando neste espelho, que me parece a própria vida, que o crescimento é o aprendizado que nos ser, talvez, esse mão que fica.

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Toninho!

    Que microconto mais lindo e sensível…

    Achei muito interessante a forma como você trabalhou a repetição como função narrativa. O “um, dois, três passos” vira um leitmotiv que marca as viradas e empurra a passagem do tempo sem precisar explicar nada. E o gesto de olhar para trás ajuda a costurar as cenas, como se a memória fosse esse corredor que você nos faz atravessar junto com os personagens.

    No seu microconto, a inversão de papéis é a chave. No começo, a mãe te solta para você seguir. Depois, é você quem segura a mão e acompanha o fim do trajeto dela. É um recorte bonito, contido, com emoção (mas sem excessos). A metamorfose aqui é de cuidados.

    O que tira um pouco do fator surpresa é a semelhança de enredo com o microconto “Ida de uma longa volta, volta de uma longa vida”, do desafio de 2025. Isso não tira o brilho e a execução perfeita que você nos entrega, mas quebra um pouco a originalidade para quem já leu o micro do Anderson Prado.

    No entanto, gostei muito do seu texto. É simples, forte e sensível ao mesmo tempo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Toninho! Teu conto é um mergulho sensível e profundo no ciclo da vida. A sacada de espelhar o “um, dois, três passos” da infância com a despedida final da mãe é emocionante. É uma metamorfose de papéis muito bem construída: quem recebia amparo agora se torna o porto seguro.

    O texto produz uma melancolia universal ao tratar da finitude e da memória. Como oportunidade de melhoria, notei que a repetição de “virar para trás” pode gerar uma leve confusão na transição entre o passado e o presente. Além disso, apesar da beleza, o tema da inversão de cuidados entre mãe e filho é recorrente, o que tira um pouco do frescor da originalidade.

    Tecnicamente, a estrutura está redonda e o ritmo emula perfeitamente o caminhar. É uma obra de grande qualidade que toca o coração do leitor.

  7. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Tocante.

    Estou diante de uma despedida. Então esse conto me pegou de jeito. Uma pessoa que sempre esteve presente na minha vida está quase partindo. Minha primeira grande perda. Já sinto antes mesmo da última despedida. É um sentimento estranho. O luto antes do luto. O micro captura com eficiente dois momentos tocantes. Quando o filho abraça o mundo. E quando a mãe abraça a morte.

    Excelente.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Achei muito bonito como o conto espelha dois momentos decisivos, os primeiros passos de uma criança e os últimos passos de uma mãe, criando uma metamorfose emocional, em que os papéis se invertem e o cuidado muda de mãos. O “um, dois, três passos” funciona como ponte entre passado e presente, infância e despedida. É um micro delicado, que fala da vida inteira em poucas linhas. Chorei ao ler e ao escrever meu comentário. Parabéns, muito emocionante.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Um dos textos mais calcados na emoção, e por isso mesmo mais arriscados a cair no sentimentalismo. Isso não acontece. Me pareceu narrado com segurança e objetividade, sem resvalar para o superficial. Toda despedida é doída. Eu realmente só não posso dizer que captei integralmente o final, mas na minha interpretação “avançamos passadiço afora” só acontece na mente dela. Captei? Parabéns, boa sorte no desafio!

  10. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Toninho!

    Ahh, chorei e não foi pouco, viu?

    Seu microconto trabalha com maestria a metamorfose do espaço emocional e temporal: o narrador se move entre lembrança, perda e reencontro simbólico, enquanto a mãe e o filho atravessam esse “túnel” da vida. A repetição dos passos funciona como ritmo poético e marca a progressão da transformação interna do protagonista, conectando memória, luto e coragem.

    O que funciona: a narrativa sensorial e íntima cria conexão emocional imediata; o ritmo dos passos e o contraste entre coragem e medo intensificam a experiência de metamorfose emocional e maturidade. A sutileza com que se revela a passagem e o reencontro com a mãe é delicada e impactante.

    O que poderia melhorar: alguns momentos poderiam ser ligeiramente enxutos para aumentar ainda mais a fluidez e o impacto poético; pequenas indicações de tempo ou ambiente ajudariam o leitor a acompanhar o movimento entre memória e presente sem perder a densidade emocional.

    No geral, é um microconto poético, sensível e poderoso, que trabalha metamorfose emocional e transição de forma memorável.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  11. Leandro Vasconcelos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, caro autor? Seu conto tem muita sutileza nas entrelinhas. No início, mostra-se um rapaz saindo de casa, com a mãe o incentivando e cuidando. Depois, parece que eles, mãe e filho, são transportados ao futuro, com o Toninho segurando mais uma vez as mãos da genitora, que agora se encontra nos últimos dias. Toninho voltou. Ficou muito tempo fora. A mãe precisa de respostas antes de ir. É Toninho que cuida dela. Antes, ele tinha medo de ficar sozinho porque saiu para o mundão; agora, tem medo de ficar sozinho porque a mãe deixa o mundão. É uma bonita mensagem de “deixar ir”, de abandono nos braços do destino, seja de um lado e seja de outro, apesar da tristeza. O que eu não gostei do conto é a repetição de “virar para trás”, tanto no começo quanto no fim. Embaralha sobremodo as cenas que causa mais falta de clareza do que aquele estranhamento benéfico. O Toninho é um tanto meloso também, não? Ficou muito melodramático para o meu gosto. De todo modo, parabéns pelo conto de elevada sensibilidade e refino.

  12. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi Toninho. Tudo bem?

    Eu achei esse muito bonito. Esses “um, dois, três passos” amarram infância e velhice de um jeito tão forte, e ao mesmo tempo tão simples! No começo é o filho indo para o mundo, no meio é a mãe já frágil, e no fim parece que os dois atravessam juntos outra passagem.

    Tem ritmo e emoção sem precisar explicar nada. A troca de papéis, quem consola quem… Para mim, é um dos mais sensíveis até agora. Boa sorte no desafio.

  13. Luis Guilherme Banzi Florido
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Boa noite, Toninho! tudo bem? Um tocante conto sobre amor, família e tempo. A mãe que cuida do filho na infância, o filho que cuida da mãe na velhice. A mãe que continua cuidando do filho, até o fim. É um conto sensível e bonito. No entanto, é uma temática bastante explorada, e me lembrou até contos que já li aqui no grupo mesmo, recentemente. Acho que foi num dos desafios do ano passado, a ideia está bastante fresca na minha cabeça. Isso acaba tirando um pouco o impacto do conto no geral. Ainda assim, um belo trabalho, muito sensível e que demonstra bastante maturidade de sua parte. Parabens!

  14. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Bonito o conto, Toninho. O paralelismo entre as duas situações no tempo, a elipse sem explicações, um sentimentalismo contido, embora sem medo de ser feliz, fazem da narrativa uma microforma bem sucedida. Mas não é muito meu estilo. Ou melhor, é meu estilo do ponto de vista formal, mas não no que se refere ao tratamento do conteúdo emocional. Difícil explicar… Acho que, no fundo, o que está em cena é um sentimento já vastamente inventariado. Como o sentimento tem protagonismo muito grande no seu conto, o fato de ele não ser novo para mim (enquanto sentimento tratado literariamente, quero dizer) diminui o efeito sobre minha leitura.

    Faz sentido isso que te digo?

    De todo modo, é capaz que fique na minha lista.

  15. Rodrigo Ortiz Vinholo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Muito lindo e muito triste, e excelente por conta disso. A passagem do tempo, a relação entre as pessoas, tudo funciona muito bem neste microconto tocante. Parabéns!

  16. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Conto sensível e sutil, do tipo que agrada a todos.

    De início fiquei confuso e não entendi nada, mas ao ler novamente o título, ligando os pontos, pensando que talvez houvesse saltos temporais… aí fui entendendo. Como disse acima, tem bastante sutileza na linguagem, o que eu aprecio.

    A ideia em si não é muito original e, como muitos disseram, lembra contos que já passaram por aqui. Mas a pegada foi válida e eu gostei. É um conto que eu não gosto de gostar, porque não quero apoiar os slice of life sentimentais, tem muitos desses. Mas fazer o que, se tiver que colocar na lista eu coloco hahahah Vai depender dos outros contos do desafio.

    Parabéns pelo bom trabalho.

  17. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um conto lindo sobre a passagem do tempo e o vínculo entre mãe e filho.

    O texto liga o momento em que o menino não quer soltar a mão de sua mãe, mas ela o incentiva a prosseguir, com o momento em que a mãe idosa, confusa, continua a consolar o filho. Agora, ele teme ficar só, como quando era criança. Talvez pressinta o momento da despedida da mãe.

    O tempo passa, os papeis são os mesmos.

    Lindíssimo.

  18. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Toninho,

    Achei o micro bem interessante, uma viagem por toda uma vida do personagem e sua mãe, desde quando ela solta a mão dele para deixá-lo na escola a primeira vez (suposição minha) até o leito de morte.

    Um belo e profundo texto, em uma linguagem simples, usando os três passos para marcar a passagem do tempo.

    Parabéns!

  19. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, xará! quero dizer…toninho!

    Teu conto tenta uma estrutura circular inteligente, com os “um, dois, três passos” repetidos pra criar eco entre infância e velhice, sugerindo uma metamorfose de papéis invertidos. O menino que solta a mão da mãe cresce pra ser o adulto que segura a dela no fim de sua vida. É um ciclo de dependência, coragem e inevitável solidão, com imagens ternas como a saia rendada e a camisola desbotada.

    A escrita é limpa, e o recurso da repetição tem potencial estilístico pra marcar o tempo como um loop emocional. O problema é que não funcionou comigo: as repetições soam mecânicas em vez de hipnóticas, e a metamorfose fica implícita demais, quase invisível. Falta um elemento mais concreto que mostre a transformação interna ou externa, pra não parecer só uma troca de posições genérica.

    Não causa impacto porque tudo avança previsível, sem tensão ou surpresa que prenda o leitor no túnel. Poderia melhorar variando ligeiramente as repetições (um detalhe novo a cada vez) ou cortando uma pra dar mais espaço à emoção crua dos olhares e sussurros. É bem escrito na superfície, mas deixa de ser memorável por não arriscar fundo no tema.

    Parabéns pela iniciativa e boa sorte!

  20. André Lima
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    É um bom conto, mas parece uma readaptação do conto vencedor do último desafio. É o mesmo núcleo, mesma ideia. Não sei se isso se encaixa de fato em “metamorfose”.

    A escrita é potente, a linguagem é ótima. Mas, em minha opinião, faltou originalidade. Não no tema, mas na abordagem.

    Fica um bom trabalho pela ótima capacidade de escrita.

  21. Gustavo Araujo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Contos que falam da passagem do tempo e de memória são sempre interessantes. Eu mesmo já escrevi uma penca deles, mas enfim, ninguém é dono de tema algum, né?

    Aqui temos filho e mãe em diferentes estágios da vida ligados por um longo túnel, que é própria passagem do tempo. No início o menino é quem precisa do apoio da mãe, depois os papéis se invertem. O destaque está no estilo da narração, quando marca os passos, quando fala do choro engolido.

    Por que se chora, aliás? Me parece que é pelo abandono, pelo medo da separação, pela despedida que surge inevitável. Há sensibilidade aí, o que permite a identificação de qualquer pessoa, sendo essa a qualidade do texto.

    Enfim, gostei do conto, até porque trata de valores universais. Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Mariana
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    É um conto sobre a metamorfose dos papéis que assumimos em nossas trajetórias. Primeiro, o menino com medo (li como do primeiro dia de aula) e a mãe o apóiando. Depois, o menino virou homem e auxilia a mãe enfraquecida pela velhice. É competente, atende ao tema do desafio, mas não me tocou. Talvez por ser um tema bastante trabalhado, é o terceiro sobre maternidade que li só neste desafio. Não se importe com a minha implicância, Toninho, você ficará bem colocado e o trabalho é do tipo que agrada. parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Nilo Paraná
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    olá Toninho (ou recém nascido Toninho),

    Original seu conto, se não estiver errado, a descrição de um parto. Sair da mãe, para encontrar com a mãe. Gostei da descrição. Sem correções. Frases curtas, dando dinâmica e velocidade para o conto, como um parto deve ser. Parabéns.

  24. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Toninho!

    Tudo bem?

    Esse conto dialoga com uma conversa que tive recentemente com alguns amigos. Estamos naquela fase da vida que estamos virando os “pais” de nossos pais. Levamos nos médicos, resistimos às suas teimosias, escutamos seus lamentos.

    Esse conto, similar ao do chuveiro do Anderson do ano passado, bebe bastante dessa metamorfose.

    Temos um microconto sensível, bem trabalhado em todos os aspectos. Forte candidato ao meu top 10.

    Atenciosamente,

    Givago

  25. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Sabe, este micro me lembrou o vencedor no ano passado, pela excelência na transmissão da pureza de sentimentos entre mãe e filho em dois momentos de vida e pelo espelhamento que ocorre: os mesmos medos em situações de despedidas com circunstâncias distintas. Tudo funciona. A metamorfose é a da vida e a da troca de lugares, tudo mudando enquanto o sentimento de amparo e necessidade permanece. Pode ser que o texto seja de um novato e que a referência ao desafio anterior não encontre reconhecimento, mas, de todo modo, acaba afetando a minha percepção subjetiva do texto, ainda que não a prejudicá-lo. Talvez perca um lugar na lista se tiver que comparar a outros tão bons quanto em que eu reconheça mais originalidade.

  26. Priscila Pereira
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Toninho! (Era o nome do meu avô 🥰) Tudo bem?

    Aqui temos a passagem do tempo… a mãe incentivando e dando força até o fim, e o filho buscando sua companhia, não querendo ficar sozinho. Mas inevitavelmente ficaremos sozinhos um dia… mas lá então seremos nós a dar forças à nossos filhos, enfim é o ciclo da vida… a metamorfose está exatamente aí. Gostei do conto! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  27. Lucas Santos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Toninho!

    Este microconto foi escrito com precisão. Nada é em vão.

    É importante destacar “túnel”, que pode parecer simples, mas é um símbolo de transição entre as fases de vida das personagens, ou seja, representa a passagem do tempo — de criança para adulto, no caso de Toninho; de adulta para idosa, no caso de sua mãe. É onde está a metamorfose. Além disso, não à toa “túnel” situa-se no meio do texto, pois desempenha, também, função estrutural, marcando sua divisão em duas partes.

    A escrita também merece destaque — irretocável. É lacônica, ritmada, precisa, enfim, planejada. A sentença “Um, dois, três passos” está no começo, meio e fim, porque a frase representa a relevância da mãe na vida do filho, antes, durante e após sua ida.

    O microconto tem personalidade, potência imagética, impressão duradoura e impacto emocional. O breve trecho “Perguntas transbordam pelos olhos”, por exemplo, encapsula tudo isso.

  28. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Toninho, você me traz a transformação do ciclo da vida. A metamorfose do Toninho criança apoiado pela mãe e que vai se soltando dela e o Toninho já com a mãe idosa em seu final de vida. Talvez já sem memória. Ficou muito bonito. Conto bem escrito e que emociona. Parabéns e sucesso no desafio. 

  29. Antonio Stegues Batista
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    A história de mãe e filho, da fase criança dele à fase adulta. A mãe dando coragem a ele no primeiro dia de aula, depois no futuro, quando ele precisa deixá-la ao casar-se. É um conto simples, mas que carrega emoções fortes e nos faz lembrar de nossas próprias vidas. Lembro que minha mãe me incentivou a enfrentar situações muito difíceis que eu venci, graças a ela. Assim é esse belo conto. Parabéns.

  30. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    A história de duas vidas comprimidas em uma história bem curta. Lembra um pouco o conto vencedor do desafio de microcontos do ano passado. Mas, aqui, e ao contrário daquele, a passagem do tempo se dá de maneira menos clara, menos concreta, mais abstrata, o que torna mais difícil entender este texto. Talvez valha a pena confrontar as duas propostas, procurando extrair o que de melhor cada uma tem a oferecer. A metamorfose enquanto simples passagem do tempo me soou uma abordagem simplória do tema do desafio.

  31. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Toninho sintetizou vidas em linhas com habilidade. Conto pungente e bem desenvolvido. Boa sorte no desafio.

  32. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu microconto bastante interessante.. o tema da metamorfose aparece nas fases do crescimento referenciada no texto. A narrativa parece falar do medo da solidão também um pouco sobre perda e luto. Pelo menos foi o que eu consegui entender.

  33. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Há nítida metamorfose na relação entre filho e mãe. Primeiro, o filho não quer ficar sozinho, provavelmente na escolinha, mas a mãe o incentiva a seguir em frente. Anos mais tarde, o medo da separação ressurge, desta vez pela provável morte (ou esquecimento) da senhora que se apresenta envelhecida e talvez até seriamente doente (Alzheimer?). E a mãe continua a consolar o menino, já homem agora.

    Não encontrei falhas de revisão. Linguagem limpa e belas construções.

    Parabéns e boa sorte no desafio. Grande chance de ir para o pódio, hein?

  34. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    QUE LINDO!! A metamorfose de feto para recém-nascido … LINDO!

  35. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que sensibilidade! Esse texto realmente me tocou.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .