Em casa, ria com dentes; o espelho confirmava. No trabalho, o rosto aprendia economia, um músculo por vez. Chamaram para a foto do crachá, e ele sorriu para a câmera — pouco, o suficiente. A imagem saiu correta, sem excesso. Na saída, tentou rir no elevador. O reflexo não devolveu. Foi aí que entendeu que o crachá não dizia quem ele era, apenas onde deveria ficar. Guardou o riso no bolso e passou a usá-lo só aos domingos.
A temática do cotidiano ganha um peso maravilhoso quando abordada com tal sensibilidade. Parabéns.
Achei incrível!
Fiquei com a sensação de quanto a rotina e o trabalho moldam quem somos.