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Detox Literário.

Cores em fuligem (Lucas Santos)

À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor. O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos. Assim, se não me trai a memória, relatou minha bisavó, abanando suas asas queimadas.

38 comentários em “Cores em fuligem (Lucas Santos)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Olá, Honorio!
    Tentei entender o micro e já sei que falhei miseravelmente.

    Pelo que entendi, temos uma história de perseguição contra um grupo de pessoas que buscavam uma libertação. Podemos, aqui, estar falando de mulheres, pessoas negras, ou, mesmo, qualquer grupo minoritário já perseguido.

    Essa dinâmica perdurou por séculos e se espalhou para outros grupos, daí talvez a semelhança ou, mesmo, os perseguidores se viam nos perseguidos e isso alimentava o ódio e a própria bisavó foi vítima dessa perseguição.

    Foi o que entendi, mais ou menos. Eu acho que você tem uma potência fodida para metáforas e lirismo, mas às vezes é legal tirar um pouco o pé, dar uma ajudinha pro leitor, especialmente em um espaço tão curtinho.

    Ou não, né, se a gente for olhar pro lado mais artístico da coisa.

    Enfim, parabens e boa sorte!

  2. Asstrongo Goonie
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo Goonie

    Gostei da atmosfera meio sonho meio pesadelo. Achei forte essa ideia dos fantasmas revirando tudo. Mas o que realmente me pegou foi a parte dos sustos não virem das caretas e sim das semelhanças. Essa imagem final da bisavó abanando as asas queimadas é como se ela própria fosse prova viva desse ciclo maluco.

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Uau, como é que você consegue criar tanto cenário com tão poucas palavras! Que magnífico, parabéns! Foi uma passagem de tempo de céculos e ficou muito bem construído, criou imagens na minha mente, mas o final para mim foi o melhor. Essa coisa de ser a avó dele contando, é uma mistura de fantasia com realidade, sei lá, ficou muito bom, Parece um mundo bem sofrido esse. Excelente técnica, muito bom seu microconto.

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Que conto difícil ehehe! Li algumas vezes tentando entender, mas cheguei a conclusão de que não foi escrito para ser completamente entendido. Muitos vocábulos e expressões sugerem a sensação de metamorfose, mas dizer o que se metamorfoseou no quê, não sei não… Me parece uma proposta mais poética. O texto é bonito? Sim, mas várias desas junções bonitas de substantivo e adjetivo não me levam a lugar nenhum. Fiquei com impressões, imagens possíveis, sugestões de fatos, ok. É uma proposta de leitura. Pessoalmente, gosto de textos claros, de narrativas concretas. O título é bastante sugestivo ao tema proposto pelo desafio. Mas, por não ter compreendido o texto, não tenho mais nada a dizer sobre ele.

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    E aí, Honório! Teu conto é uma pancada lírica. Adorei como você transformou o horror histórico — que remete a genocídios e opressões — em uma alegoria poderosa de crisálidas e fantasmas. A imagem da bisavó abanando as asas queimadas é de uma força visual absurda; o luto que vira sobrevivência marcada no corpo. A leitura produz uma melancolia densa, quase tátil.

    Mas ó, sendo sincero: o texto flerta com um hermetismo que pode soar como uma charada para alguns. O excesso de adjetivos e frases longas, como em “primaveras desabrochavam sempre anêmicas”, às vezes soterra a clareza da narrativa. Uma leve simplificação ou quebra nas frases daria mais foco ao impacto emocional. No geral, é uma obra de refinamento literário altíssimo, talvez a mais poética do desafio.

  6. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Instigante.

    Outro micro que explora o tema através da prosa poética. A composição está excelente, escolha de palavras, aplicação delas, tudo. É um autor habilidoso. Para mim, o texto fala sobre épocas. Tempos ruins criam pessoas fortes, que criam tempos bons, que, por sua vez, criam tempos ruins. Um ciclo que, pela história do mundo, se mostrou quase uma lei da natureza. O micro, em específico, parece trazer uma crítica aos tempos atuais, talvez do Brasil, talvez do próprio mundo. Estamos no tempo ruim, mas não no ápice. Não sei se acertei, mas foi isso que extraí do microconto.

    É um micro que me fez pensar. Gosto disso.

  7. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Cores em fuligem: Achei muito forte como o texto trabalha a metamorfose de forma histórica e trágica, mostrando crisálidas queimadas, primaveras anêmicas e gerações que tentam florescer, mas têm suas asas queimadas. A voz da bisavó, com essa memória marcada no corpo, dá ao micro um tom de testemunho poético. É uma escrita burilada, cheia de imagens que sugerem metamorfoses impedidas ao longo do tempo, talvez o mais poético de todo o desafio, eu achei lindo, por mais que talvez não tenha entendido 100% tudo isso que escreveu…

  8. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Não sei se foi influenciado pelo título, mas seu texto me pareceu mais um esboço a carvão do que uma aquarela ou um óleo sobre tela… Me parece também que há muitos “traços” nesse esboço, com uma excessiva verborragia  que muitas vezes, até pela junção de substantivos e adjetivos, causam estranheza e confusão em mim: “primaveras anêmicas”, “impavidez que assiste as labaredas” (ou “assiste (ajuda) às labaredas”)? No final, resta imaginar quantos anos tinha a bisavó que relatava essas histórias… por suas asas, seria ela um ser eterno? Desculpe minhas limitações, mas realmente não entendi. Um abraço.

  9. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Honório. Tudo bem?

    Lendo por uma chave histórica e alegórica, seu conto ganha densidade. A ideia de um grupo impedido de se transformar, de ter seu florescimento sabotado ao longo do tempo, é bem sustentada pelas imagens que você construiu. Há um sentimento de perseguição contínua, quase estrutural, que atravessa gerações.

    Também é coerente pensar na violência como algo não apenas praticado, mas exibido, como estratégia de intimidação. O texto sugere isso sem nomear diretamente, e a sugestão funciona.

    Onde a leitura começa a depender mais da interpretação pessoal de quem lê, é na parte em que opressores e vítimas parecem se confundir ou se espelhar. A imagem é interessante, mas vaga. Ela abre muitas possibilidades, mas não orienta claramente nenhuma. Isso pode ser visto como complexidade ou até como falta de definição.

    O encerramento, com a memória familiar, dá lastro emocional. A sobrevivência está ali, marcada por cicatriz. Mas o texto não afirma plenamente a superação; ele sugere resistência, não necessariamente vitória. A transformação, nesse sentido, é mais dolorosa do que redentora.

    Então, sim, o texto se sustenta, mas exige que o leitor complete alguns vazios. O conto oferece matéria simbólica rica; o quanto ela se organiza e faz sentido depende bastante de quem lê.

  10. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Honório Navarro!

    Seu microconto constrói uma metamorfose temporal e simbólica ao combinar memória familiar, fantasmas e a passagem dos séculos. A transformação aqui é mais abstrata e poética: a experiência humana e histórica se confunde com espectros, crisálidas e asas queimadas, criando uma sensação de continuidade e mutação da existência através das gerações.

    O que funciona: a linguagem é rica e imagética, criando um universo sensorial e histórico; o efeito das metáforas (crisálidas, aquarelas, asas queimadas) reforça a sensação de metamorfose e passagem do tempo. A voz da bisavó dá autenticidade e ancestralidade ao microconto.

    O que poderia melhorar: o texto é bastante denso e exige atenção do leitor; pequenas pausas ou ajustes de pontuação poderiam ajudar na compreensão sem perder o efeito poético. Uma leve simplificação de algumas frases complexas aumentaria o impacto.

    No geral, é um microconto poético, profundo e imaginativo, que trabalha metamorfose simbólica, temporal e familiar de forma muito elegante.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  11. Alexandre Costa Moraes
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Honório!

    Antes de tudo, parabéns pela belíssima prosa poética. Achei seu microconto incrível, de verdade. Fiquei encantado, mesmo sendo um texto que exige releituras e mais releituras para captar as diversas nuances e camadas.

    Vamos lá.

    Sobre o enredo, me parece que seu microconto fala sobre genocídio colonial por opressores e a transmissão traumática dessas memórias. Arriscaria dizer até que o cenário é algum lugar na América Latina, uma colônia de exploração, embora não mencione isso no texto (mas tem a pista do pseudônimo).

    Assim, as cores do título apontam para cores da pele de quem é perseguido e também para a diversidade de cores das borboletas (e primaveras). É o olhar para o lado belo e colorido da vida. Já fuligem é o outro lado, que trata o que sobra depois do incêndio (literal ou não), as cinzas, a decadência, a dor.

    No início, as crisálidas (jovens lagartas nos casulos) são arrancadas dos arbustos e empilhadas em praça pública (pessoas arrastadas de suas casas/vidas) por pálidos fantasmas (homens brancos colonizadores) que as torturam na frente de todos para impor o caos e amedrontar os insurgentes.

    O calendário salta e nada muda, o domínio e o terror dos opressores persiste por anos (talvez séculos). As primaveras seguem anêmicas (sem cores, sem beleza, sem ânimo), mas ainda assim a esperança está lá, abraçada à ingenuidade das novas gerações de crisálidas, que sonham com “voos de aquarela”. Mas a realidade é brutal e as borboletas morrem. E com a maioria da população dizimada, ocorre a reprodução seletiva dos descendentes dos opressores e a violência cria um espelhamento monstruoso onde todos viram fantasmas do passado.

    No final, emerge a imagem da bisavó do narrador, que consegue se metamorfosear e voar mesmo com as asas queimadas, enquanto as chamas consumiam as demais crisálidas, ela bate asas rumo à uma nova vida em outras terras.

    (Será isso?)

    O tema taí, magistral, denso, político, lírico, brutal…

    Um microconto desafiador, mas que quando a gente consegue decodificar, sair do casulo, a gente voa junto com a história. Parabéns!

    Tá no top 3 da minha lista, com certeza.
    Boa sorte no desafio!

  12. Lucas Santos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Honório Navarro!

    Após ler e reler, tanto o texto quanto as análises dos eminentes colegas, foi isto que consegui extrair de “Cores em fuligem”:

    O texto une perseguição à metamorfose. Os opressores, representados por fantasmas, direcionam sua ira a determinado(s) grupo(s), cujos integrantes são simbolizados por casulos. O segmento “para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor” descreve a espetacularização da violência, método para acanhar potenciais revoltosos.

    Os saltos do calendário sugerem que essa perseguição persistiu por um longo período, durante o qual as primaveras perdem o que têm de mais bonito: a cor. A anemia da estação talvez simbolize a violência do regime e/ou suas vítimas. A esperança, mesmo ciente das difíceis circunstâncias, mantém a fé no retorno das alegrias (aquarelas).

    Em razão da linguagem abstrata, o segmento “Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos” ficou um tanto nebuloso, a meu ver. Agora, o fim parte mais inteligível da obra revela que o texto se trata de um relato ancestral reproduzido por um bisneto. As “asas queimadas” são evidências de que sua bisavó foi alvo da tal perseguição e conseguiu sobreviver, embora com cicatrizes. A metamorfose está aí, na superação. A trancos e barrancos, ela conseguiu passar de crisálida para borboleta, no sentido metafórico, claro.

    Por último, reitero o que destaquei em outras análises: a obra tem bastante carga poética, o que julgo um ponto positivo. Entretanto, entendo que pode soar exageradamente abstrata para leitores que preferem objetividade. Quanto à escrita, não carece de retoques.

  13. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Honório,

    Digo aqui o que peguei sem ler os colegas. É uma história de perseguição política, inquisição, ditadura, caça às bruxas, coisa do tipo. Certo?

    A forma tem algo muito interessante que se revela no remate: a narrativa mostra-se narração. O sujeito narrador se apresenta involucrado no assunto por meio da ascendência da avó, que é a verdadeira narradora e transmite histórias terríveis de perseguição a seu grupo (as borboletas, suponho).

    Vale observar que a avó, além de borboleta, é poeta. Ou louca. Se não, porque raios conta as coisas desse jeito? A personificação dos substantivos abstratos, a adjetivação criativa, olha, tudo isso é bonito e divertido, mas me passa uma sensação de charada, de “o que é o que é”. Desvendada a cifra, fico me perguntado sobre as razões dessa escrita figurada. Talvez tenha a ver, metalinguisticamente, com uma censura que existiria na época da tal ditadura. Mas isso já é muita generosidade da minha parte, o conto em si não oferece essa chave de leitura.

    Enfim, achei o conto divertido e bem interessante na forma, mas tem algo de escolar, como se você estivesse se exercitando na linguagem figurada.

  14. Gustavo Araujo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Dentre as milhares possibilidades de interpretação, fico com esta: num cenário pós apocalíptico, de inverno nuclear e em que poucas pessoas sobreviveram, vive-se conforme dá, com pouca esperança e num ambiente cinzento em que apenas o fogo ocasional oferece alguma cor. Poucas pessoas, poucas possibilidades de variação genética. Mas, ao contrário do que se poderia supor, a humanidade superou as dificuldades e, mesmo a passos trôpegos, conseguiu prosseguir, passando a história de geração a geração.

    Bom, posso estar totalmente enganado em relação à intenção de quem escreveu, mas esse é o risco de jogar com a abstração. Claro, toda obra escrita deixa a esfera do autor quando é tornada pública, mas no caso de propostas menos concretas, essa apropriação, pelo leitor, é mais contundente. Nem sempre é bem aceita, nem sempre é bem compreendida, mas me parece válida como exercício de imaginação.

    Em todo caso, creio que era isso que o autor queria, propor um quebra-cabeças com algumas peças apenas para o leitor organizar à sua maneira.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  15. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Até aqui, tenho feito certa campanha contra os textos mais herméticos, lutando um pouco para ver pontos positivos em meio às palavras que não dizem muito, mas criam imagem borrada ali, se a gente fechar os olhos um pouco.

    Até aqui.

    Porque a sensação que tenho ao ler esse texto é que você escreveu um hermético do jeito certo. Aqui eu de fato viajei nas imagens e gostei do psicodelismo de, por exemplo, os fantasmas mexendo nos arbustos e colocando crisálidas em cestos. De início me parecia trabalho escravo, mas a interpretação do Luis Guilherme faz total sentido. Soa como uma distopia de um mundo paralelo, mas, tomando as metáforas como metáforas, poderia muito bem ser o nosso, também.

    O texto está também recheado de palavras fortes, o que concede impacto à história. Não quero ser influenciado por esse tipo de efeito, mas tenho que ser honesto e dizer que gostei do conto.

    Me surpreendo com a invertida que tomei aqui, e te parabenizo pelo trabalho interessante.

  16. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    O conto é bem escrito e o autor demonstra domínio da linguagem.

    Só que, apesar de  ler várias vezes, acho que não entendi. Desculpe.

    O que acho, e isto é quase um chute, é que o conto fala das memórias da bisavó, que teve as asas queimadas como outras crisálidas, quando jovem. Fala da passagem do tempo e de se perceber semelhante a seu algoz.

    Acertei?

  17. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Honório,

    Seu micro foi um dos que tive que ler e reler algumas vezes para entender um pouco mais.

    É um texto muito bonito, com palavras difíceis que se encaixam no texto, não parecem forçadas, e acabam como parte da experiência, parte do todo.

    Entendi que se tratam de memórias, histórias contadas de tempos difíceis, por alguém que não passou por eles sem perder algo, sem ficar com marcas, cicatrizes.

    Gostei do micro, mas talvez impactasse mais um leitor mediano (como eu) com uma linguagem menos rebuscada.

    Parabéns!

  18. claudiaangst
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso: algumas crisálidas sobreviveram e se transformaram em borboletas. Entendo a fase das crisálidas como a juventude. Os jovens representam o maior perigo para os repressores, os ditadores, já que são os que apresentam força para se rebelarem e mudarem a situação controlada, amarrada.

    As crisálidas, os jovens, são odiados, recebem o fogo da ira porque precisam ser eliminados para que nada mude. No entanto, alguns rebeldes como a bisavó do narrador conseguem voar para a liberdade mesmo com as asas chamuscadas.

    O conto é denso e exige várias leituras até que o entendimento aconteça.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte!

  19. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Sem dúvida alguma há muitas camadas e domínio da linguagem. Gosto da conversa de memória e mudanças que estão correlatas a ela, bem como todo os múltiplos subtextos que se derivam disso. Isso dito, refaço aqui a crítica que fiz a outros textos: a complexidade e erudição da linguagem, tornando-o de compreensão mais difícil, não necessariamente ajudam a aprofundar as camadas de leitura e interpretação. Mesmo com um viés poético, fico em dúvida se realmente faz sentido ter ido nessa veia. Ainda assim, continua sendo um bom texto.

  20. André Lima
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Gosto da linguagem barroca e imagética do conto. É o ponto alto, para mim. Quanto ao conteúdo, achei interessante, parece-me que o tema foi abordado de maneira metafórica demais, o que não é um problema, pelo contrário, achei ousado. Temos pistas da metamorfose nas frases iniciais, onde os fantasmas recolhem as crisálidas. Tempo, ciclo, perda de individualidade, transmissão traumática… Temas interessantes e aglutinados de maneira bem escrita.

    Mas o conto ficou circular demais. Entende? Ele circula em torno de um mesmo tema. A densidade imagética não faz avançar, nos coloca num estado de contemplação estática. É outra estratégia ousada, mas monótona (Por escolha).

  21. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Honório!

    Seu texto tem uma escrita super refinada, quase como uma tapeçaria histórica, que usa o ciclo das borboletas pra alegorizar perseguições, preconceitos e a luta por aceitação: crisálidas queimadas, fantasmas revistando arbustos, primaveras anêmicas tudo sugere um passado de intolerância que ecoa até hoje.

    Segundo a minha leitura, entendi que as transformações nem sempre são bem-vindas, e as asas queimadas da bisavó fecham com uma imagem potente de sobrevivência marcada. O conto brinca com tempo e memória de forma elegante, virando os “espectros” em reflexos de quem os persegue, o que dá uma camada profunda de ironia.

    O desafio é que a linguagem densa e os períodos longos tornam a interpretação um labirinto. Infelizmente nem todo mundo vai captar as metáforas sem reler duas vezes, e isso pode afastar em vez de envolver.

    Um ponto de melhoria seria quebrar mais as frases pra dar respiro, ou ancorar uma imagem concreta (tipo o cheiro da fumaça nas asas) pra guiar o leitor sem perder o refinamento. Ainda assim, pra quem pega a ideia, é um texto que ressoa forte, provando que sofisticação não precisa ser óbvia pra ser impactante.

    Parabéns pelo excelente trabalho!

  22. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Honório Navarro

    Seu texto foi para mim de difícil compreensão. Alguns trechos, como: “para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor” não consegui decifrar. Peço desculpas.

    Tive a sensação de que muitas partes não serviram para contar a história, mas para dar a ela alguma beleza, lirismo. Principalmente no microconto, cada palavra conta, pode ser algo poético, mas tem que servir à narrativa.

    Também tive a impressão de ser um texto dirigido a pessoas que tenham conhecimento de alguma fábula, alguma história que tenha inspirado o seu microconto. Alguma referência que me escapa. É uma sensação, não sei.

    No final, a revelação de que era a bisavó que contava foi uma surpresa. Se era ela que narrava algo do tempo dela, não seria “À minha época” ali logo no início? Achei bonita essa imagem dela abanando as asas queimadas, fiquei intrigada, mas não entendi.

    Parabéns pelo texto!

  23. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Honório Navarro! Tudo bem?

    Devo confessar que não entendi nada, e talvez não tenha nada a entender… só sentir. Bem, vou tentar transformar em palavras o que senti lendo..

    Durante séculos a arte, a beleza, e todo tipo de mudança, metamorfose, foi queimado, abafado, desencorajado, e o mundo sentiu a falta de cor e beleza, mas… alguns ainda são resistência, mesmo que saiam chamuscados no final.

    Acabei gostando do exercício de pensamento e sentimento. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  24. Luis Guilherme Banzi Florido
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Em tempo: cores em fuligem pode se referir à arte/cultura sendo queimada como mecanismo de opressão.

  25. Luis Guilherme Banzi Florido
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Honoroi! Tudo bem? li algumas vezes seu conto desde ontem, tentando absorver algo além da simples beleza das palavras e da forma poética como elas se conectam. Vou dar minha interpretação, e peço desculpas caso não seja o que você pensou, ok? De todo modo, fico com a impressão de que você queria que o leitor interpretasse à sua maneira, deixando aberto mais à interpretação do que conduzindo-a no teu caminho. então vamos lá: vários elementos da narrativa me levaram a entender que o conto trata sobre opressão ao longo dos séculos. Algo do tipo “como nossos pais”, do Belchior. Por que digo isso?

    1- “À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor.” — aqui, me parece se referir a uma época em que a resistência era massacrada, queimada na fogueira como exemplo.

    Pálidos fantasmas: opressores, milicos, milicianos.

    Para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor: queimar pessoas como exemplo para aterrorizar a resistência.

    2- “O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas.” — aqui, fico com a impressão de que a situação perdura ao longo dos séculos. Algo como “o bêbado e o equilibrista”, também interpretado pela Elis. O tempo passa, as coisas parecem melhorar, mas a repressão sempre volta. A esperança tenta se manter pela arte, pela cultura que não pode ser queimada no fogo.

    3- “Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos.” — como nossos pais.

    4- “Assim, se não me trai a memória, relatou minha bisavó, abanando suas asas queimadas.” — ouviu da avó, e agora, em sua época, continua vivenciando oq ela viveu. A avó pode ter sido torturada ou vítima da perseguição (asas queimadas). O/a protagonista parece sofrer ao ver a mesmo opressão que torturou sua avó voltando a conseguiu simpatizantes e a crescer no tempo presente.

    Enfim, posso ter viajado totalmente, mas foi o que extraí. Achei um baita contaço! Parabéns!

  26. Nilo Paraná
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Olá Honório,

    Sobre seu conto: Frases longas tornam a leitura mais lenta, mas não mais clara. Calendários saltando séculos, primaveras anêmicas, a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. São frases bonitas, mas confusas. Li e reli, muitas vezes, mas não consegui seguir sua linha de raciocínio. Vileza das caretas, pensei naquelas borboletas que parecem ter olhos desenhados nas asas. Crisálidas, asas queimadas da avó (borboletas, mariposas?). Realmente não consegui entender. Boa sorte. Depois, gostaria muito de uma explicação sua.

  27. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Entendi que é como uma história de fantasmas contando das mudanças de séculos passando por seus pós-vidas, denotando o marasmo da metamorfose de quem já se foi. Achei que a maneira como o micro foi escrito esboça um plano de fundo e uma premissa interessantes: enquanto tudo muda sempre, nada muda para quem morreu. Mas o espaço é curto, a construção vai por uma poética que afasta mais do que atrai, e mal sobra enredo, aludido no final, quando se revela o narrador. Então sai sem muito impacto, como a apresentação de uma ideia.

  28. Leandro Vasconcelos
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Seu conto é um daqueles que a princípio soa hermético, mas que, depois de algumas leituras, se torna um testemunho de genialidade, pois abre vários caminhos na mente do leitor.

    A interpretação que fiz é que você descreveu o desaparecimento das mariposas brancas, e demais insetos de cor, selecionados para extinção em países industriais. É um fenômeno que foi estudado já no Século XIX por entomologistas na Inglaterra. A poluição por fuligem das fábricas enegreceu os troncos das árvores naquela época, tornando as mariposas brancas visíveis aos predadores e as pretas (mutantes) camufladas, o que levou à predominância destas últimas. É o que é descrito, no seu conto, por uma mariposa anciã e sobrevivente a um bisneto. Daí que vem a adequação ao tema do certame. A metamorfose das novas gerações em mariposas negras, em virtude da própria transformação do ambiente.

     Bem, minha interpretação pode parecer um pouco exótica. Mas é o que me sugeriram algumas passagens. “À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor.” Este trecho deixa transparecer que as mariposas brancas (os pálidos fantasmas) deixavam seus ovos por aí, enquanto observavam as labaredas das chaminés, revoltadas e temerosas de seu destino.

    O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas.” Descrevem-se estações cada vez mais acinzentadas. A esperança aqui é o inseto. Buscava as cores da primavera, sem conseguir, pois o cenário estava coberto de fuligem.

    Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos.” Este é excerto mais enigmático. Compreendi que se refere a algumas mariposas brancas que, cobertas de fuligem, se assemelhavam aos seus pares negros.

    Enfim. Caro autor, será que você está se revirando com essa interpretação do seu conto? Pensando assim: “Esse cara viajou na maionese! Não entendeu nada…” É uma possibilidade. Mas a culpa é sua, caro autor! Hahaha… pessoalmente me agradam contos assim, como já tive a oportunidade de dizer outras vezes. Então: parabéns!

  29. Antonio Stegues Batista
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Eu estava no meio do conto e me perguntado, cadê a história? A resposta estava no final, lá estava o mote. Pelo que entendi, a avó do protagonista/narrador, é uma fada, ou outro ser mítico que possui asas e ela conta a história, a saga da família, as provocações, brigas e batalha campal entre os clãs, quando viveu há muitos anos na Fairyland. Sim, eu imagino coisas absurdas que às vezes não é.Nem sempre acerto na interpretação das metáforas.. Gostei do conto. Parabéns.

  30. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Não entendi muita coisa. Entendi que uma avó conta histórias ou conta o passado ao neto, mas não fui muito além disso. O vocabulário é estranho ao meu repertório, me soando até um pouco antiquado.

  31. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Meu caro Honório Navarro, aqui você me traz umas pitadas das memórias da sua bisavó à beira do fogo a contar para o Honório criança das suas lembranças infantis. A velha que traz para a criança suas experiências, medos e vivências de menina na roça… Até que um dia ela ganhou asas e como todas as bisavós e avós, partiu… Ou viajo demais nas maioneses da sua história, amigo? Pois é, foi o que sua narrativa me trouxe. Fica com o meu abraço e votos de sucesso no Desafio. 

  32. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Honório Navarro!

    Tudo bem?

    Esse é um conto que desafia a própria lógica do Microconto. Enquanto os micros prezam pela concisão nos elementos da narrativa para passar/sugerir nuances para os leitores, seu microconto é extremamente recheado de palavras rebuscadas, imagens e ideias. Pareceu-me uma opção pelo estilo do próprio autor/ própria autora.

    Para mim, a narrativa ficou em segundo plano, o que é uma pena. Há um quê de realismo fantástico muito bem vindo na literatura. A história que percebi nos conta o relato de uma bisavó para o seu descendente sobre um período político social turbulento o qual viveu. E, pode ser que esse período retorne.

    Infelizmente, essa história foi soterrada pela hipérbole rebuscada. Uma pena; com menos, estaria garantido no meu top 10.

    Atenciosmente,

    Givago

  33. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá. A linguagem está poética, mas prejudica a compreensão do texto. A proposta de um microconto pode ser pensada como algo no estilo “geração z, tiktok” – mensagem clara, pegar o leitor rápido. Lembrando que clareza e rapidez não significam falta de profundidade… Enfim, entendi que a história é o relato de uma avó sobre a sua história. Algo no sentido “somos netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar?”. Boa sorte no desafio.

  34. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Conto usa uma prosa poética. Imagens fortes, metáforas abundantes, deixam o texto muito aberto. Acompanhei, gostei, mas acabei me perdendo. Sucesso no desafio.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. A temática da metamorfose parece estar presente na mudança entre os séculos. Confesso que não compreendi muito bem a mensagem que você quis transmitir em sua narrativa. Fiquei bastante confuso ao ler.

  36. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Memória e partida. Lindo.

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando: reli e veja a metamorfose do tempo descrito pelas memórias da avó que traz memórias de outros, repassando. Gosto, mas não amo, embora esteja escrito com uma delicadeza impecável de palavras bem selecionadas.

  37. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que texto! Fiquei preso à musicalidade das palavras; a escrita pulsa e envolve.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .