À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor. O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos. Assim, se não me trai a memória, relatou minha bisavó, abanando suas asas queimadas.
Memória e partida. Lindo.
Que texto! Fiquei preso à musicalidade das palavras; a escrita pulsa e envolve.