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Cores em fuligem (Honório Navarro)

À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor. O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos. Assim, se não me trai a memória, relatou minha bisavó, abanando suas asas queimadas.

Um comentário em “Cores em fuligem (Honório Navarro)

  1. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que texto! Fiquei preso à musicalidade das palavras; a escrita pulsa e envolve.

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Publicado em 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026.