EntreContos

Detox Literário.

Casulo (Fernando Cyrino)

Criança modelo, adolescente tranquila, jovem estudiosa. Formou-se em medicina e partiu para disputada especialização na América. O consultório lotado provava seu reconhecimento. Solteira, no Natal foi cutucada pela madrinha por não apresentar namorado. “Fica escondendo o gato.” Ansiava pelo ano novo, tempo de férias que eram planejadas com carinho. Importava conhecer de antemão o submundo das cidades a serem visitadas. Local do hotel, lugares a serem frequentados. Tudo meticulosamente preparado. Vestidos sensuais, lingeries provocativas, cremes e perfumes, tudo na mala. Embarcada ela riu imaginando o avião como casulo. Enfim liberta, estava pronta para a metamorfose.

52 comentários em “Casulo (Fernando Cyrino)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Engraçado como esse texto me lembrou o médico e o monstro, um dia depois de ter lido “laboratório”.

    Tudo bem que a obra do Stevenson apresenta Hyde como maligno, mas há muito lá da necessidade primordial de ser e experimentar no espectro oposto do que somos. Quando as pessoas tentam fazer brilhar em si uma luz muito intensa, acabam projetando uma sombra de igual proporção.

    Foi o que vi aqui. Do mesmo jeito que a vida modelo da personagem em equilíbrio constante trouxe problemas (uma frustração com a vida), seu projeto de igual proporção hedônica também vai trazer problemas, talvez até pelo prazer excessivo. Claro, que atire a primeira pedra quem nunca se prostituiu no submundo de cidades estrangeiras. Ainda assim, equilíbrio é tudo e é algo que claramente faltará à protagonista.

    Curti.

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Gostei da descrição da vida perfeita da moça. Desde pequena até adulta, depois a cobrança da família. Engraçado como me fez pensar em dois aspectos. Primeiro essa coisa da mulher só estar completa se for casada, tiver um namorado ou coisa assim, ai ai viu. Mas também tem outro lado, vai ver só queriam ver ela compartilhando todas as conquistas com alguém. O segundo ponto que pensei foi ela ter tanta coisa boa e perfeita antes do casulo. Ou seja, quando ela se libertasse e voasse, como será que seria avida dela? Tinha como ser mais perfeita? Interessante pensar no que pode ter acontecido depois dessa viagem. Microconto bem legal.

  3. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Anais Nin

    É possível entender e visualizar essa personagem, as cobranças, a pressão, a vontade de se tornar outra. Logo no começo, você já a apresenta muito bem para nós: “Criança modelo, adolescente tranquila, jovem estudiosa”.

    Embora a ideia do avião como casulo tenha sido original, a metamorfose ficou um pouco superficial, mais como uma metáfora.

    Na minha opinião, um microconto fica mais interessante quando é mais direto, mais enxuto. No caso da sua narrativa, acredito que tenham sobrado elementos, muita informação, como a fala da madrinha, “tempo de férias que eram planejadas com carinho”, “Tudo meticulosamente preparado.” e “tudo na mala”, por exemplo. É uma escolha, não está errado, mas acho que quebra um pouco o impacto.

    No final, a última frase: “Enfim liberta, estava pronta para a metamorfose” poderia ser eliminada, é desnecessária e explicativa.

    Parabéns pelo texto!

  4. Asstrongo Goonie
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo Goonie

    O texto constrói o contraste entre a personagem profissional, perfeita, aos olhos dos outros e a mulher que vai cair de cara na cena noturna das metrópoles. A madrinha e a frase “escondendo o gato” são boas e me fazem lembrar meus natais nos tempos de solteiro hehehe. Achei bacana, mas não me.pegou por completo.

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Anais Nin,

    Curti seu microconto principalmente pela ideia central: essa vida “careta” que funciona pra mascarar as coisas, enquanto a verdadeira personagem está guardada para o momento em que ninguém cobra, vigia, mete o bico. Muito sagaz…

    O contraste entre a doutora certinha, a madrinha chata que fica cobrando relacionamento careta e a mala preparada para o “submundo” cria um retrato bem humano de quem vive um lado oculto.

    A imagem do avião como casulo é boa e conversa direto com o tema, porque ali a metamorfose não é acidente, é escolha. Eu só acho que o fechamento poderia confiar um pouco mais no leitor. A promessa já estava montada, então um último detalhe mais concreto dessa “nova versão” (em vez de dizer que está pronta) deixaria o final mais afiado invés de fechar cravado na palavra-tema.

    De toda forma, gostei do seu microconto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    O conto acompanha a transformação de uma mulher que, no início, está presa nas expectativas dos outros acerca de como dever ser uma “moça bem comportada do século XXI” e, no final, torna-se uma mulher que passa a se guiar pelos próprios desejos. O texto é rico em imagens e expressões que não perdem a linha inteligente em nenhum momento da jornada. Há uma trufa excelente nesse microconto, quando a madrinha cutuca a protagonista com uma pergunta sobre namorados. Isso associa a personagem com a Cinderela, cutucada pela Fada Madrinha com a varinha mágica para que se metamorfoseie em moça esteticamente aceitável e conquiste o Príncipe Encantado. Então, o conto provoca: não, não é essa a metamorfose da personagem! Muito bom! Já a metáfora do avião como casulo, achei meio batida. Metamorfose, casulo, borboleta… Hum, acho previsível demais. Nesse conto, o tema da metamorfose foi tratado de forma mais realista e sutil e, mesmo assim. cumpriu o desafio proposto. Parabéns!

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Anais Nin! Teu conto é um prato cheio para quem gosta de analisar as fachadas que construímos. Adorei o contraste entre a “médica modelo” e essa mulher que planeja minuciosamente o mergulho no “submundo”. A imagem do avião como casulo é inspirada e fecha bem o arco da viagem como rito de passagem.

    Sendo direto, o texto soa um pouco linear, quase como uma ficha cronológica. Senti falta de um “punch” final; a última frase é didática demais, pois o leitor já tinha captado a metáfora. Falta uma imagem sensorial mais forte para que a metamorfose deixe de ser apenas uma promessa.

    É um retrato competente da vida dupla e das expectativas sociais, mas carece de impacto literário.

  8. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Realista.

    Conheço uma pessoa igual a protagonista deste microconto. Ela tem uma vida exemplar no dia a dia, mas, às vezes, acaba se aventurando no mundo insalubre, sempre escondida. No caso da protagonista, sua libertação é sexual, como forma de protistuição por prazer. Ela quebra todos os paradigmas de boa moça, tomando essa atitude. Ela faz por prazer. A metamorfose é mais sutil, aqui. Ela se revela nas máscaras que usamos na nossa vida. Usamos uma máscara para cada cenário. Neste micro, ela remove as máscaras e se torna quem ela realmente é.

    Um dos micros mais realistas desse desafio e muito bem escrito.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Casulo O conto tem uma ideia clara, mas a execução fica previsível e pouco tensionada: a personagem é apresentada como perfeita em todas as fases da vida, e a “metamorfose” anunciada no final soa mais como uma libertação sexual planejada do que como uma transformação interna construída ao longo do texto. Falta conflito, ambiguidade ou ruptura que justifique a mudança, tudo é explicado e nada surpreende. A preparação meticulosa das viagens e o avião como “casulo” funcionam como metáfora, mas de modo literal demais, sem risco emocional ou impacto dramático. O resultado é correto, porém pouco marcante.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Interessante como os pseudônimos nos condicionam a esperar uma persona ou voz que nem sempre o narrador assume. É um “conto de formação”, porém eu fiquei esperando o desabrochar e, aparentemente, o conto terminou com ela no casulo. O limite do microconto pode ter tudo a ver com isso. A premissa é muito bacana, mas achei que a metamorfose dela ficou postergada para outro conto. De qualquer forma, boa sorte no desafio!

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Anais Nin. Tudo bem?Seu microconto explora de forma eficaz a transformação de uma jovem ao entrar em uma nova fase da vida, mostrando a metamorfose do cuidado cotidiano e da rotina controlada para a liberdade e autodescoberta. O avião como casulo é uma metáfora muito bem construída, conectando viagem, crescimento e mudança de identidade.

    O que funciona: a narrativa é detalhada, criando imagens sensoriais e concretas; a preparação minuciosa para a viagem e a expectativa do novo mundo reforçam a sensação de metamorfose. A conclusão traz a libertação simbólica de forma clara e poética.

    O que poderia melhorar: o texto é um pouco longo e detalhado para um microconto; algumas passagens poderiam ser enxugadas para dar mais ritmo e impacto ao momento da metamorfose/revelação final. Pequenos cortes não diminuiriam a riqueza, mas tornariam a transição mais marcante.

    No geral, é um microconto envolvente, simbólico e bem estruturado, que trabalha metamorfose social e pessoal de forma muito clara.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  12. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi Anais, eu compreendi esse conto como a história de alguém que sempre viveu dentro das expectativas dos outros e só encontra espaço para ser quem deseja longe de casa. A “metamorfose” é íntima. O contraste que você colocou entre a médica impecável (excelente escolha da profissão) e a mulher que prepara vestidos e lingeries para as férias mostra essa vida dupla.

    Foi uma boa sacada essa ideia do avião como casulo, dá uma imagem clara de transformação. Para mim, só faltou um pequeno gesto concreto no final, algo que mostrasse essa nova versão em ação, em vez de parar na promessa

  13. Priscila Pereira
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Anais Nin! (Gosto de pesquisar os pseudônimos e o seu é uma autora de literatura erótica, interessante… ) Tudo bem?

    Se não tivesse lido os comentários e suas respostas não saberia que a personagem estava indo se prostituir, não vi isso no texto, vi só uma moça que nas férias muito bem programadas estaria aberta a todas as possibilidades que surgissem… gosto mais dessa interpretação. Fica de subtexto o por que dela ter que “se libertar” apenas nas férias. Seriam suas vontades tão incompatíveis com sua reputação?

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    Até mais!

  14. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Jovem médica é o retrato da adequação. No ano novo, porém, viaja para aquilo que o texto sugere como uma experiência hedonista. Esta transformação, de moça comportada para mulher liberta seria a metamorfose.

    Porém, e não questiono aqui a adequação ao tema, a mim parece perfeitamente adequado, isso não parece muito com uma metamorfose. Pois o texto dá a entender que essas férias são assim todo ano. Uma vez por ano, ela se permite viver sem o peso da expectativa ou da imagem. Findas as férias, ela volta a seu cotidiano.

    E é feliz? Minha leitura é de que sim, ela é feliz nessa vida dividida, compartimentalizada.

  15. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Anais,

    Gostei do seu micro. Ele consegue contar uma história completa em poucas palavras, mostrando que a mudança da personagem é justamente ela se tornar “ela mesma” quando está fora do seu meio. Em casa parece perfeita, mas longe mostra quem ela é.

    Simples e direto, entrega a história e um final fora dos padrões.

    Parabéns!

  16. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Nin!

    Seu conto surpreende pela simplicidade que esconde uma virada potente: a mulher “perfeita” — profissional, estudiosa, bem-sucedida — revelada como alguém que guarda um lado secreto e libertador, pronto pra emergir nas férias como borboleta do casulo.

    A progressão cronológica constrói essa fachada impecável só pra subvertê-la no final, e o avião como metáfora do casulo fecha com leveza e sugestão, sem precisar explicar o submundo que ela tanto planeja. É uma metamorfose dupla bem dosada: externa (carreira imaculada) e interna (desejo reprimido), deixando o leitor imaginar o que vem depois.

    A linguagem direta funciona pro impacto, mas as falhas de pontuação (tipo falta de vírgulas em listas) e algumas frases corridas tiram um pouco do polimento. Corrigir isso deixaria o texto ainda mais fluido, sem perder a espontaneidade. Talvez adicionar um detalhe sensorial mínimo no planejamento (um aroma de lingerie, um clique da mala) amplificasse a tensão erótica sutil. Ainda assim, é daqueles que ficam rondando a cabeça, provando que nem tudo precisa ser rebuscado pra acertar em cheio.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  17. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Bom texto! Gosto de como parte das abordagens do desafio entrou nesse caminho das metamorfoses dentro do convívio social, e esta trabalha bem esse processo e os contrastes propostos na vida da personagem (começando até no pseudônimo!). Confesso ter sentido falta de algo mais de impacto, ainda assim, mas continua sendo uma boa obra. Parabéns!

  18. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Conto bacana. Gostei da descrição da personagem, logo de início; ela é perfeita para entendermos a personagem. A construção do cenário e da situação funcionam bem.

    Acho que o poder do conto está na sugestão, de se imaginar o que ela quer fazer, quem ela realmente é, o que está por trás da história que foi contada. Nesse sentido, o conto funciona, e poderia inclusive ser expandido, como foi dito nos comentários.

    Agora, do lado negativo, não senti tanto impacto no tema ou no desenrolar da história. Acho que é um conto redondinho, honesto, mas que faltou algum punch. Pelo menos pra mim. Também achei a última frase desnecessária.

    Mas uma das coisas mais interessantes foram comentários julgadores da personagem. Você pegou um tema que ainda desperta paixões nas pessoas, e foi uma decisão corajosa. Parabéns!

  19. Gustavo Araujo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Gostei do conto, até porque é um prato cheio em termos psicológicos. Todos interpretamos diferentes personagens, dependendo do ambiente em que estamos. Trabalho, família, amigos, grupos de escrita… Somos diferentes sem nunca, ou quase nunca, sermos nós mesmos.

    Neste conto percebemos isso — não de maneira óbvia, pois seria chato — já que a protagonista, uma médica bem formada, responsável e provavelmente recatada, assume outra personalidade (que pode ou não ser seu verdadeiro eu) quando viaja para lugares distantes, entregando-se, no caso, a uma vida mais libertária sexualmente falando. E faz isso voluntariamente, a fim de dar vazão a um lado que, na vida cotidiana, precisa ser reprimido em nome dos bons costumes, talvez para não chocar a sociedade, aquela gente que gosta de fiscalizar a vida alheia. Sorte dela que, como médica, pode se dar ao luxo de buscar a realização de seus desejos longe dos olhos do cidadão de bem kk

    Vejo no conto, exatamente por isso, um quê de crítica social, na medida em que nos apresenta uma mulher independente e que não vê problemas (mesmo porque não deveria ver) em realizar suas fantasias — esperta o bastante, por outro lado, para não se incomodar com quem não tem o que fazer.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  20. Lucas Santos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Anais Nin!

    O começo apresenta uma jovem exemplar, vista como modelo. Aquela clássica pessoa cuja família tem certeza de que será bem-sucedida. De fato, a personagem alcança êxito acadêmico, profissional e econômico. Ainda assim, as cobranças nunca cessam. Há sempre uma avó, mãe, tia ou, no caso, madrinha cobrando um namorado, um noivo, um marido, um neto. Isso é ainda mais grave no caso das mulheres, porque, lamentavelmente, a solteirice feminina ainda é mal vista pela sociedade, contaminada pelo machismo. Nesse contexto, a personagem segreda uma versão completamente oposta àquela admirada pelo seu círculo social, que certamente é moralista e preconceituoso. Versão essa que ela só assume quando está sozinha, nas férias de Ano Novo. É quando ocorre a sua metamorfose, que não é uma simples transformação, mas planejada, transitória e reversível, ou seja, ela se liberta, assume sua lascívia e, ao fim das férias, retorna à versão anterior.

    O leitor imagina que, ao planejar viagens, a personagem queira pesquisar antecipadamente sobre as cidades para evitar seus respectivos submundos, já que, no início, ela é pintada como uma pessoa “tranquila”. Entretanto, há uma precisa quebra de expectativa quando ela põe na mala vestidos sensuais e lingeries provocativas. Ela não vai evitar, mas frequentar os submundos. Essa quebra é o ponto mais robusto do microconto.

    O trecho “Embarcada ela riu imaginando o avião como casulo. Enfim liberta, estava pronta para a metamorfose” não é necessário. Acredito que, se fosse encerrado logo após a organização da mala, o texto provocaria mais impacto, porque fortaleceria a quebra de expectativa.

    Por fim, trata-se de uma obra que guarda nas entrelinhas críticas sociais referentes, sobretudo, à visão da sociedade sobre a mulher, como ela deve ser e parecer, não pela satisfação dela, mas de quem a vê.

  21. claudiaangst
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    A protagonista passa por uma metamorfose cada vez que viaja para fora do seu ambiente. Por isso, o avião funciona como um casulo, pois é nele que ela se transforma: de cidadã vista como perfeita pela sociedade em uma mulher livre para conhecer o submundo de cada lugar visitado. Ganha asas da liberdade, embora a imagem mais verossímil seja a de uma inocente borboleta se tornando uma lagarta devoradora. Enfim, a hipocrisia!

    Não encontrei falhas de revisão, exceto:

    Embarcada ela riu > Embarcada, ela riu

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  22. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Anais! Tudo bem? Um conto sobre a metamorfose de uma personagem representada pela metáfora de um casulo de onde emerge uma borboleta. Devo admitir que é uma metáfora um pouco batida, pois já foi bastante explorada. Ainda assim, ela condiz com a ideia do conto, com a evolução da personagem: uma pessoa modelo, bem sucedida, mas que se recusa a se adaptar aos papéis que a sociedade espera dela, se recusa a viver a vida de acordo com padrões pré estabelecidos. O avião é seu casulo pois é nele, nas viagens, que ela pode abrir suas asas e viver como realmente deseja. O conto é muito eficaz em transmitir essa mensagem, embora, para mim, não somente a metáfora da borboleta mas o conto em si acaba caindo num lugar comum, uma história já bastante contada antes, e assim acabou não sendo impactante para mim, particularmente. Boa sorte no desafio! Parabéns!

  23. André Lima
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    É um conto bacana, bem escrito, com uma técnica ótima que dita o ritmo. Infelizmente, a frase final ficou expositiva demais e tirou a força do conto. Quando foi narrado que imaginou o avião como um casulo, a ideia já estava consolidada. O didatismo da última frase era desnecessário e fez perder brilho poético em vez de acrescentar.

    Bom trabalho, porém.

  24. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Aqui a metamorfose é explorada por meio da existência de algo como uma “vida dupla”. A protagonista performa uma espécie de conduta ideal para se permitir uma experiência mais hedonista em um recorte de ano. O micro contempla o tema e conta uma história, mas o desenvolvimento é o tanto quanto um micro permite e fica aquele ar de premissa, de uma ideia cuja originalidade só se expressaria num trabalho mais longo. Ainda assim, um micro correto neste certame.

    • Anais Nin
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Pedro Paulo, pois é… escrever muito em poucas palavras leva a isto, não é? Fica-se na premissa. Obrigada pela ideia de desenvolver a história num conto maior. Vou avaliar com carinho a sua sugestão. Esse “ainda sim” me deixa evidente que estou do meio pra trás na maratona. Se fossem pelo menos os Top 30, não é? Beijos agradecidos pela sua atenção para com o Casulo.

  25. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Anais Nin! Tudo bem?

    Primeiramente, só queria dizer que eu amei a referência do seu pseudônimo. Tenho algumas obras da autora e suas histórias são muito bem escritas.

    Dito isso, vamos para o seu microconto.

    Eu gostei muito da ideia e da narrativa, de uma forma geral. É um micro com profundidade psicológica, o que dentro de um microconto é difícil de colocar. Temos aqui uma personagem que vive e corresponde a muitas expectativas. Logo, ela se sente pressionada. Sua viagem é o jeito que a personagem possui de extravasar esse sentimento de pressão em cima dela. “Trocar essa personalidade”, por assim dizer, sendo mais livre. Eis a metamorfose. Pessoalmente, me cativa demais atrelar o erotismo a outras ideias/causas (no sentido dar causa mesmo). É o que torna diversos escritores e escritoras do universo erótico interessante.

    Bom, em termos de escrita, por mais que seja uma escrita bastante correta, creio que faltou um pouco de “sensualizar” ou brincar mais com a linguagem. A sensação que tive foi a que está tudo muito quadradinho, muito explicitado. Por exemplo, no desfecho final, ao meu ver, já estava clara a metáfora da metamorfose, soando desnecessária essa frase. Quase como se você tivesse deixando claro para o leitor que o tema está aqui.

    No mais, achei um bom trabalho! Parabéns pelo microconto!

    • Anais Nin
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      ei, Givago, primeiramente quero te agradecer por ter vindo avaliar meu conto. Reparei que gostou da ideia, mas a execução ficou quadradinha demais, né? Conto-lhe que não imaginei a história como erótica. Trata-se de uma pulsão muito forte e que sai do controle da nossa protagonista. Bem, a obra é do leitor. Se a viu assim… vamos em frente, não é mesmo? Esse “no mais, achei um bom trabalho” deixa claro que fiquei na média, ali no meio da turma. Talvez um pouco mais pra trás, né? Obrigada e beijos.

      • GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
        11 de fevereiro de 2026
        Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

        Hum, nem digo que sim, nem digo que não. Vai ter que acompanhar o desfecho dessa história

  26. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Olá, Anais Nin, um conto que senti como um soco no estômago. A mulher certinha e bem sucedida que ao tirar as férias vai aproveitá-las, solitária e em outras paragens da maneira menos certinha. Fiquei imaginando aqui o que ela faz com o dinheiro recebido dos clientes. Acho que se houvesse mais palavras podendo ser usadas, você poderia dizer que ela guardava tudo e entregava a uma instituição de caridade, fazendo assim com que o círculo se fechasse de uma maneira acho que posso dizer, virtuosa… Gostei do seu conto. Gostei muito. Está bem narrado, tudo no seu lugar. Achei que conseguiu ser clara naquilo que se propôs trazer para o desafio. Abraços de parabéns e sucesso no Desafio.

    • Anais Nin
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Olá, Fernando. Fiquei feliz que tenha apreciado o meu conto. Sabe que gostei da sua sugestão de entregar o dinheiro produzido pelo trabalho da nossa protagonista a uma instituição de caridade. Risos. Achei que será realmente uma boa. Sou só a porta voz dela. Irei falar-lhe da sua sugestão. Essa forma menos certinha de viver, buscada pela nossa heroína já se tornou arte mais de uma vez. Relembro a Hilda Furacão, moça de alta classe média que virou prostituta e que foi romance, depois filme e série na TV (agora virá uma peça de teatro). Relembro também da Bela da Tarde (Belle du jour) que se prostituía nas tardes fugindo das rotinas sem graça da vida. Tanto a Hilda quanto a Belle são histórias baseadas em fatos reais. Olha, vou torcer aqui para que o Casulo esteja no seu Top 10 do desafio. Beijos.

  27. Antonio Stegues Batista
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Mulher realizada profissionalmeente, sai de férias e planeja algumas semanas de orgia e aqui está a metamorfose. Claro, ela é livre, tem boa saúde, tem mais é que aproveitar a juventude e a Vida.  A frase da madrinha; “Fica escondendo o gato”, indica que pode ser uma gata, que na ocasião, não é um assunto sério, é algo sem compromisso, de qualquer forma é um segredo que ela não pode revelar, ainda. A liberdade é tudo. Ela prepara a mala e eu noto que não coloca anticoncepcionais, claro, pra que? Não tem perigo. A doutora de sucesso se transforma de lagarta comportada, em borboleta libidinosa. Conto elegante e perfumado.

    • Anais Nin
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Antonio Stegues, vim aqui para agradecer o seu comentário. Obrigada. Achei interessante você o ter considerado como um “Conto elegante e perfumado”. Sem dúvida uma imagem no mínimo instigadora. Pois é, ela, a nossa protagonista, ficava escondendo o gato, quem sabe, porque não tinha o desejo de ter algum compromisso romântico, por isto não tinha namorado. Talvez ela buscasse apenas o prazer sensual, não é mesmo? O mais incrível é que essas coisas acontecem na vida real. Pouco antes de escrever o conto uma amiga me contava de um pai, conhecido dela, que desconfiado do comportamento da filha, contratou investigadores e a descoberta foi que ela se prostituía. A família ficou em choque, eis que ela tem um bom emprego e uma família que em caso de alguma necessidade (vício em jogo, por exemplo) iria suprir a carência financeira. Beijos e tomara que o Casulo esteja em seu top 10 para perfumar e dar elegância às suas escolhas.

  28. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Gostei do retrato das complexidades humanas. As pessoas nem sempre são lineares. Têm seus segredos, suas vidas privadas. Gostei da abordagem do tema, gostei de imaginar o avião como casulo – de certa maneira ele é mesmo, né?, já que o eu das férias costuma mesmo ser diferente do eu do dia a dia (no caso da protagonista, bastante diferente).

    • Anais Nin
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Anderson, fico feliz que tenha gostado da minha história. Receber assim três “gostei” no mesmo comentário é tão gostoso quanto um domingo no parque, uma tarde no circo, um lambuzar-se de algodão doce. Sim, o ser humano é por demais complexo e essas histórias de vida dupla não são tão raras quanto possam parecer na superfície do olhar. Acontecem por aí e geralmente vicejam mais quanto maior tenha sido a repressão vivida… Obrigada pelo seu comentário. Beijos.

  29. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    É um conto sobre uma pessoa que, nas férias, assume um lado reprimido em sua “vida normal”. É interessante, já que coloca a sexualidade quase que em uma gaveta separada, coisa dos submundos das cidades. Quase como se a personagem carregasse e, de quando em quando, usasse as férias para aliviar o peso do que está guardado sempre. É uma situação comum na vida feminina, o que a Anais Nin tentou quebrar ao longo da sua vida. Não sei se entrará para a lista, mas eu vou ficar pensando nesse conto… Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Anais Nin
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Mariana, puxa, amiga. Como não sabe se o Casulo entrará em sua lista? Duvido que o deixará de fora. É conto para no mínimo um quinto lugar… Bem, brincadeiras à parte, você tem toda razão quanto ao seu comentário. Muita gente por aí coloca em gavetas bem separadas os aspectos da sua vida. O “eu religioso” numa, O “eu social” em outra e assim sucessivamente. Na gaveta mais do fundo e trancada obviamente, fica o “eu sensual”. É fácil de se observar que em tempos de obscurantismo e alta repressão, essas separações da vida em gavetas vão se tornando mais corriqueiras. Beijos e pense com carinho no Casulo, viu?

  30. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    A autora fez um texto bem claro. A protagonista se liberta nas férias merecidamente. Como simpatizei com ela, gostaria de sugerir metamorfoses homeopáticas diariamente. A vida passa muito rápido. Há que se aproveitar. Boa sorte no desafio.

    • Anais Nin
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Cyro, como foi bom saber que você sentiu simpatia pela nossa personagem. Preciso te contar que gostei da sugestão das metamorfoses homeopáticas e diárias… Quem sabe elas não irão funcionar melhor do que com essa “over dose” durante as férias, não é mesmo? Beijos e carpem diem.

  31. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece quando a personagem principal decide abandonar um pouco sua vida certinha e regulada para passar férias mais livre fazendo apenas aquilo que ela mesmo deseja. É uma narrativa bastante atual que trata das expectativas que a família impõe sobre nós e de como encontramos formas de escapar disso para viver nossas próprias experiências.

    • Anais Nin
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      ei, Leo, obrigado por ter vindo prestigiar a minha história. Fiquei feliz que tenha gostado dela sem ter feito análise de valor e julgamentos. A vida é assim, não é mesmo? Valeu, Leo, beijos.

  32. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Olá, autor/autora! Curioso o seu micro. O pseudônimo “Anais Nin”, homenagem à romancista de literatura erótica, já antevia algo provocativo. E foi. Uma mulher bem-sucedida decide se transformar, abandonando o mundinho medíocre em que vivia, de etiquetas e costumes, em prol de uma vida… liberta? Eu diria dissoluta, sobretudo quando você coloca uma foto da boate “New Sagitarius” como capa do conto (quem é de BH conhece hahaha…)! Vá lá, tem gosto para tudo e as pessoas são livres, em teoria, para fazerem o que quiserem. O preço pode sair caro, mas isso é uma questão pessoal. Por que estou dizendo essas coisas? Não sei. Talvez porque eu esteja já embriagado depois de umas taças; fato é que o seu conto sugestivamente erótico me fez pensar sobre como a perspectiva de vida é relativa. Eu considero a vida bem vivida uma que seja plena, mas ordenada, isto é, que gere ganhos significativos ao indivíduo a curto, médio e longo prazo. A ordem é liberdade. O tipo de vida que a personagem rejeita. Ela prefere o caos. Para ela, o caos liberta. Então, vez ou outra, a lagarta se enfia num casulo e sai para bater asas, geralmente levada pelo vento até o pólen, onde estão vários pretendentes. Isso a diverte. É o tipo de coisa muito difundida hoje. A rotina não satisfaz, o trabalho não satisfaz, então sempre queremos mais e mais experiências, coisas que nos tirem do casulo limitante. Uma visão perigosa, a meu ver. Enfim, já estou viajando. De todo modo, seu micro teve o poder de gerar tais reflexões em mim, por meio de uma linguagem simples e direta, o que é um ponto bastante positivo. Parabéns!  

    • Anais Nin
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Leandro, não é que procurava a foto de uma boate de prostituição de luxo e o google me deu essa? Sim, concordo com você, trata-se de um conceito de liberdade que pode levar a um paredão fatal e ao invés de realização, gerar frustração. Mas se trata de uma escolha, uma possibilidade de transformação, de metamorfose, como nos pedia o Desafio, não é mesmo? Puxa, achei muito legal sua análise. De repente, sob os eflúvios de Baco, e ele tem tudo a ver com o tema do nosso microconto, você me trouxe uma interessante e rica interpretação da pequenina história que pretensiosamente quer contar muito da natureza humana.

  33. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Anais,

    Seu conto tem um texto claro e eficiente, linear. A metamorfose é sugerida (uma promessa) podendo ocorrer, ou não. Pouca dúvida ou espaço para interpretação. Até o “ponto de rutura” é seguro, ocorre nas férias e poderá ser apagado no retorno. A história é coerente e bem escrita.

    • Anais Nin
      8 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Obrigada pela sua análise do meu conto, que bom que achou a história coerente e bem escrita, Nilo. Conto-lhe que o meu intento era deixar bem patente que a metamorfose acontece. A nossa personagem está pronta na primeira noite das férias. Beijos

  34. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Liberta do que, exatamente? Há no texto uma identificação (bastante chocante, a meu ver) entre liberdade e poder aquisitivo. Pode ser que, lá adiante, nossa mocinha quebre a cara (e espero sinceramente que quebre). Mas por enquanto temos apenas a transformação de uma patricinha numa patricinha que transa (ou almeja transar).

    • Anais Nin
      8 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Meu caro Martim,

      Como fez uma pergunta concreta, como autora apresso-me em responder e faço isto cheio de pontas, pois que a obra é aberta e passa ‘a propriedade do leitor assim que publicada. Liberta de quê? Ah, liberta da vida certinha e pequeno burguesa. Quis que a personagem por mim criada se libertasse a partir da opção de se prostituir nas férias, para em seguida retornar à vidinha feijão com arroz de “Patricinha”. Se ela será feliz se estará mesmo liberta, aí já serão outros quinhentos. Beijos

  35. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Gosto quando a metamorfose é uma escolha. Gosto muito.

    • Anais Nin
      8 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Ana Paula,

      que bom que compreendeu a liberdade da nossa personagem. E ela opta por ela. Se isto a fará feliz, a realizará, eu não sei. Obrigado por ter lido, analisado o conto e também por ter gostado dele. Beijos.

      • Ana Paula Benini
        15 de fevereiro de 2026
        Avatar de Ana Paula Benini

        sim, fica em aberto, mas a metamorfose, ao meu ver, foi da educação para ser exemplar e polida para alguém que se sente liberta.
        Parabens

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Achei marcante!

    • Anais Nin
      8 de fevereiro de 2026
      Avatar de Anais Nin

      Ei, Willian, confesso para você que fiquei curiosa para saber que marca o conto deixou em você. Conta pra a gente, conta! Não seja assim tão conciso. Ou seria timidez? Beijos.

      • Wilian Cândido Corrêa
        13 de fevereiro de 2026
        Avatar de Wilian Cândido Corrêa

        Anais Nin,

        Quando comentei pela primeira vez, disse apenas que achei marcante. Depois da sua resposta curiosa, reli o texto com mais calma e percebi que o impacto que ele deixou em mim não estava simplesmente nas palavras, mas no modo como ele mexe com a percepção de tempo e identidade.

        O que mais me marcou em Casulo foi a maneira como a transformação é sugerida antes de ser mostrada, como se o texto nos deixasse dentro daquele processo, mas sem prometer uma conclusão visível. O título evoca a imagem clássica de metamorfose (casulo vira borboleta), mas você trabalha esse arquétipo deslocando o foco para o estado intermediário, que é confusão, silêncio, presença e ausência ao mesmo tempo.

        Na releitura, percebi que o texto não descreve o que aconteceu “depois”. Ele coloca o leitor dentro do processo, e isso é raro em microconto. A sensação que fica comigo não é de final feliz nem de resolução clara. É de um sujeito em suspensão, como se ainda estivesse numa antecâmara entre o que era e o que poderia ser. Essa suspensão dá peso à leitura, porque a metamorfose ali não é um evento, é um tempo vivido.

        Tecnicamente, isso é interessante porque exige do leitor um ato de participação (não se trata de apenas entender uma mudança, mas de sentir o deslocamento interno dessa personagem que está entre mundos, entre estados). A linguagem sugerida, o ritmo contido, a ausência de descrição direta do “depois”. Percebo que tudo isso cria um espaço narrativo que é quase físico, tenso, restrito, como um casulo de fato.

        O que ficou em mim depois da leitura é a percepção de um processo em curso — nem terminado, nem iniciado de novo, apenas aqui, naquele lugar incerto. E acho isso um efeito narrativo potente. Não resolve, não conforta, não conclui. Apenas coloca o leitor dentro de um limiar de transformação, e essa é a marca que o micro deixou em mim.

        Se antes eu fui conciso demais, foi porque aquela primeira impressão veio do impacto sensorial imediato. Agora consigo dizer aquilo que realmente me acompanhou depois (a sensação de estar junto com o narrador dentro de uma metamorfose que ainda não foi finalizada, mas que já nos colocou em outro lugar).

        Que este desafio te leve exatamente para onde a sua escrita ainda nem sabe que pode chegar, boa sorte e boa travessia.

Deixar mensagem para Lucas Santos Cancelar resposta

Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .