Eu morava sozinho. Não gostava de sair. Amava minhas rotinas secretas, rotinas que desapareceram depois do fato…
Uma noite, saí do banho e, nu diante do espelho, senti uma mordida no pescoço. Assustado, procurei pelo bicho. Nenhum inseto, morcego, rato, nada, só a marca dos dentes. Humana!
Não dormi, noites seguidas. Perdi a fome, perdi a voz. Mas meu coração batia forte. No espelho, meu corpo pálido. Depois, diáfano. Translúcido. Transparente. Invisível.
Agora, transpasso a porta do apartamento. Vizinhos, vejo nenhum. Sigo até ao apartamento de Letícia, tão sozinha, tão inatingível. Meu coração forte, forte, forte! Transpasso a porta.
Gostei muito do uso original para a figura de vampiro no conto. A mordida acontecer diante do espelho reforça a invisibilidade das criaturas, ainda que o protagonista tenha se tornado translúcido, não consigo achar que o local da mordida foi acidental.
Também gostei do ritmo em certas partes, mas não em todas. O uso de exclamação depois de “Humana” cortou um pouco o clima para mim.
Além disso, tem um elemento sobrando que não consegui compreender: o que são as rotinas secretas? Estão conectadas ao evento estranho ou são só uma forma de apontar a solidão do protagonista?
Achei um conto bom com potencial maior, especialmente se ajeitar uma coisinha aqui e ali.
Olá! Gente do céu, o que foi que mordeu esse cara! Foi um vampiro invisível! Mas ele virou um fantasma? Meu Deus, o que tá acontecendo! kkkk. Adorei teu microconto. Ele é instigante, misterioso, divertido, deixa a gente aflito e curioso. Nossa, muitos sentimentos pra um microconto só! risos. Só me pergunto porque Letícia ainda é inatingível. Bom, talvez porque ela não é invisível e tá viva. kkk. Muito bom teu microconto.
Ele foi esvaziado por dentro depois de alguma coisa que o deixou atordoado e tem a ver com a mulher que mora ao lado. a mordida no pescoço é simbólica, seria ela o fim, um término ou uma ferida de quem nunca foi percebido? E depois transpassa a porta. Transpassa anônimo, invisível, sem ânimo, sem alma. Fico pensando aonde que isso poderia acabar.
Oi, Aparicius!
O que eu mais gostei no seu microconto foi o clima de terror caseiro: um sujeito já isolado, com uma vida meio opaca, sofre uma transformação física meio nebulosa (e o texto conduz isso com boa cadência, principalmente na sequência do corpo “sumindo” diante do espelho). As “rotinas secretas” são uma boa isca, porque já deixam o narrador com cara de suspeito antes mesmo do incidente.
O que enfraquece um pouco é o gatilho da mordida: ele é decisivo, mas fica meio gratuito, sabe? Sem uma pista do “ por quê” ou “quem”, e isso rouba o peso da metamorfose. E o fechamento, indo direto na Letícia, dá a impressão de que a nova condição virou permissão para atravessar limites que ele já desejava atravessar antes. Eitaaa…
É um microconto com ótima atmosfera, só faltou um detalhe de ancoragem para a maldição bater mais forte.
Achei criativo!
Parabéns e boa sorte no desafio.
Oi, Aparicius! Teu conto cria um clima de suspense urbano bem instigante. A metamorfose aqui é física e perturbadora: a transição do homem recluso para um ser invisível após uma mordida humana foge do clichê do vampirismo clássico. A gradação do corpo sumindo — de pálido a transparente — é visualmente forte e passa uma sensação real de desmaterialização.
Contudo, as “rotinas secretas” mencionadas no início ficaram sem função; senti falta de ver esse detalhe influenciando sua nova forma. O desfecho com a Letícia traz um tom predatório que gera um desconforto ético no leitor: é desejo ou ameaça?. Na gramática, “sigo até ao” soa redundante; “até o” daria mais fluidez.
No geral, é um texto de ótima atmosfera, mas que ganharia muito se o enredo desse mais pistas sobre a moral desse novo “fantasma”.
Um micro de terror de qualidade!
Adoro terror. É meu gênero favorito. O conto tem uma proposta simples, que vai contra a maré do que este desafio se tornou. Uma boa parte dos textos trabalham com a metamorfose de forma metafórica, alguns abrindo espaço para inúmeras interpretações. Aqui temos uma transformação direta, explorando a parte sensorial dela. Fiquei tão envolvido na leitura que fiquei com pena da Letícia, no final.
Excelente!
É um conto interessante, com uma estrutura de início, meio e fim bem delineada e um personagem instigante. O texto, de forma geral, está bem escrito. Mas acredito que essa história seja complicada para o formato microconto. Parece uma história que exige mais detalhamentos, mais informações, o que é impossível em 99 palavras. Quais são as tais rotinas secretas desse personagem? Qual a relação com os outros vizinhos antes do incidente? Porque e de quais maneiras Letícia é “inatingível”? Dá a impressão que são todos elementos que precisam ser mais explorados. Também acho que essa história depende da identificação com o protagonista, o que é impossível em espaço tão curto. A metamorfose é interessante, um personagem recluso que, ao se tornar invisível, pode por em prática seus desejos [provavelmente] reprimidos. Contudo, me pareceu mais a elaboração bem feita de um resumo para um conto maior.
A narrativa tem uma boa premissa: alguém que se desfaz aos poucos após uma mordida misteriosa, mas falta intensidade emocional e risco real para que a metamorfose seja marcante. O texto descreve a transformação de forma linear, quase protocolar: mordida, insônia, perda de apetite, palidez, transparência, invisibilidade. Tudo acontece sem conflito interno, sem medo profundo, sem estranhamento que contagie o leitor. A aproximação final da vizinha poderia gerar tensão, mas chega sem preparação suficiente, e o conto termina antes de explorar o impacto dessa nova condição. A ideia é boa, mas a execução carece de atmosfera, urgência e ambiguidade.
Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):
Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?
Vamos à análise:
O vampirismo é uma espécie de metamorfose, sem dúvida. Mas, realmente, é um dos temas mais explorados nesse sentido, e para que a história se torne memorável (como é a original), acho que precisa trazer elementos acessórios (como a discussão da imortalidade ou a pulsão sexual). Nesse caso aqui, temos este último elemento, o desejo, como motor da narrativa, e por isso o texto sobressai sobre outros, de mesma temática. Porém, coisa minha, o universo vampiresco não me encanta tanto. Mesmo assim, desejo sucesso a você!
Eu encontro um paralelo interessante deste conto com METAMORFOSE de Kafka. Lá, a invisibilidade é relacional/social, aqui é literária/mística. Muito interessante. A técnica é excelente. 99 palavras muito bem utilizadas.
É um dos meus contos favoritos até então.
Olá, Aparicius. Apartamentos é um microconto perturbador, sensorial e bem construído, que trabalha metamorfose física e emocional de forma eficaz e envolvente.
Desejo boa sorte no Desafio. Beijos
Oi, Aparicius. Tudo bem? Eu entendi seu micro como uma metamorfose meio vampírica, mas virando invisibilidade em vez de imortalidade. A mordida dispara a transformação, e o desaparecimento do corpo acompanha uma solidão que talvez já existisse antes. Quando ele atravessa a porta do apartamento da Letícia, o conto fica inquietante, porque senti uma mistura desejo de aproximação com algo quase predatório.
Achei a ideia muito boa e o clima funciona, mas eu queria sentir um pouco mais quem ele era antes do “fato”, para a transformação pesar mais. Boa sorte no desafio.
Oi, Aparicius! Tudo bem? Aqui, temos uma mitologia interessante. Não é totalmente um fantasma, pois mordeu o cara, e transmite a “maldição”. Não um vampiro no sentido classico do termo, pois é capaz de atravessar parede. Ao invés disso, é uma criatura, uma mitologia propria que voce criou. Um ser que transmite sua maldição por meio da mordida no pescoço, e que possui poderes enormes. O mais interessante pra mim é que pareceu que o protagonista ja nao era flor que se cheire. Me parece que a metamorfose dele foi mais fisica do que espiritual ou psicologica. Me parece esse o objetivo da primeira frase: mostrar que o cara ja tinha habitos escusos. Além dfisso, ao se transformar, a primeira coisa em que ele pensa é em atacar a vizinha Leticia. Especificamente, nominalmente Leticia, o que deixou a impressao de que ele ja era um taradão que ficava babando na vizinha. Agora, qualquer barreira se foi e ele pôde dar vazão aos desejos. Um bom conto! Parabens!
Aparicius,
Gostei da transformação gradual frente ao espelho. Não sei porque a galera brisou que é um vampiro fantasma. O espelho explica: sumiu a imagem, apenas. Clássica característica draculesca, o reflexo ausente.
Vai ver foi pelo “transpasso a porta”… Se me lembro bem, os vampiros não entram na nossa casa, eles precisam ser convidados. Mas quem precisa ser rigoroso com a tradição?
De resto, um conto correto, mas exatamente isso: correto. Virei vampiro. Que mais?
Se bem que, relendo agora, é um vampiro fantasma mesmo, hahahaa. Ele não viu quem o tinha mordido. Então eu vou reelaborar minha pergunta crítica:
Virei vampiro fantasma. Que mais?
Novo medo desbloqueado: vampiros fantasmas.
Talvez o conto tenha apostado no medo desse desconhecido que não é apenas vampiro, mas atravessa paredes e não podemos enxergar. Apelão é pouco. Ao final, o protagonista resolve atacar sua vizinha Letícia, continuandod a espalhar o contágio. Ele não vê nenhum vizinho porque o pessoal tá tudo virando vampiro fantasma? Será que ele vai encontrar a Letícia?
A primeira parte, das rotinas secretas, ficou meio solta e estranha. Parece coisa espontanea de um primeiro esboço, e chama a atenção à toa.
É um conto de ideia bacana, mas não tem tanta profundidade, por isso perde um pouco a força.
(fato curioso: um pernilongo me atacava enquanto eu digitava essas linhas)
Um micro de terror bem construído, se levarmos em conta o limite de 99 palavras. Nosso protagonista, uma pessoa isolada do mundo, é mordido por algo que desconhece, ainda que pareça humano. A partir daí fica intangível. Um fantasma? Se levarmos em conta a literalidade, ele morreu e passa o tempo a vagar pelo prédio em que vivia, contemplando Letícia, seu objeto de desejo. Mas, por outro lado, talvez tudo seja uma mera ilusão, já que, misantropo que é, o personagem apenas continua a projetar seus anseios e suas possibilidades. Parabéns e boa sorte no desafio!
É a ideia do vampiro, porém, ao invés de vampiro, o mordido se torna invisível.
O narrador é mordido/transformado por alguém. Quem terá sido? Ele não parece se importar, tampouco parece sofrer com sua transformação. O texto dá a impressão de que ele, assim que foi transformado, vai atrás de Letícia, com o intuito de transformá-la. Ou não?
O que fazemos quando ninguém está vendo? Quem somos quando ninguém vê?
O clima de suspense, de terror foi muito bem construído em poucas linhas. A primeira já traz algumas estranhezas. Que rotinas secretas são essas? Por que são secretas? De cara, sabemos que o personagem narrador esconde alguma coisa. Até o fim, seguimos sem saber. Mas sua decisão, de aproveitar-se de sua condição para se aproximar de Letícia talvez seja uma dica.
Ola Aparicius,
Bem interessante a ideia do conto. Uma mordida em uma pessoa normalmente reclusa que vai desaparecendo pouco a pouco, incluindo as suas sensações. Até que enfim sente algo ao se aproximar de alguém que tinha alguma importância (sabe o nome dela) e, assim, define a sua próxima vítima (pelo menos esse foi o meu entendimento).
Gostei bastante do conto. Parabéns!
Aparicius,
Na primeira leitura, percebi a intensidade e a inquietação do texto, mas ao revisitar para organizar minha lista dos Top 10, percebi nuances que não havia articulado antes. O micro conversa de forma interessante com outro da minha seleção que também explora metamorfose em espaços restritos, mas de um modo diferente.
O que me chama atenção é como a narrativa transforma o cotidiano em algo inquietante. A experiência da metamorfose acontece no corpo do narrador — a mordida, o espelho, a translucidez — e ao mesmo tempo no leitor, que percebe a cidade, os apartamentos e as relações sob uma nova perspectiva. É essa sensação de deslocamento, o familiar tornando-se estranho, que faz o micro funcionar.
Também achei interessante como você articula desejo e atenção do narrador sem torná-los óbvios ou moralizantes. A relação com Letícia mostra que não precisamos de detalhes explícitos para sentir tensão e aproximação impossível. A metamorfose aqui é perceptiva e emocional, e é nesse espaço que o micro ganha força.
Ao revisitar Apartamentos, ficou claro como personagem e espaço se fundem. O apartamento apertado não é apenas cenário; ele reproduz a sensação de confinamento que o narrador vive. Cada parede, cada cômodo reflete sua inquietação, e eu senti esse deslocamento junto com ele. A rotina cotidiana e o espaço tornam-se extensão da vivência emocional do narrador, e a escolha precisa das imagens, ritmo e economia de palavras reforçam essa intensidade, fazendo a transformação acontecer tanto no personagem quanto na percepção do leitor. Parabéns e boa sorte no desafio!
Olá, é interessante a ideia de invisiblização/ transformação em algo que possivelmente é um vampiro. Essa parte está muito boa e atende ao tema metamorfose. No entanto, admito que não captei completamente a parte da Letícia. Seria uma história de amor e desejo, do tipo Nosferatu? Entendo que o limite reduzido de palavras pode ter atrapalhado a intenção. Parabéns e boa sorte no desafio.
Olá, Aparicius!
Seu texto pinta um quadro atmosférico de isolamento que vira algo etéreo, e a minha leitura foi de morte pra fantasma (ou quase-vampiro translúcido) como a tal metamorfose. A mordida misteriosa, o corpo que some no espelho, o coração teimoso batendo enquanto tudo desvanece.
É uma metamorfose gradual e sutil, do cara recluso pro ser invisível que flutua pras intimidades alheias, tipo um desejo não dito ganhando asas espectrais.
A execução rola suave, com progressão lógica do banho ao transpassar portas, criando tensão sem exageros. Só que a intencionalidade nem sempre salva: certas repetições (“forte, forte, forte”) pesam no fim, e o pulo da marca de dentes pra transparência pede um elo mais concreto (um frio súbito, um eco de voz?).
Pra polir, sugiro um detalhe sensorial no espelho (vapor que não some, ou pele que não reflete luz) pra fixar melhor o deslize pro além. No geral, segura a vibe e deixa um rastro de mistério, daqueles que grudam mais pensando depois.
Parabéns e boa sorte!
Interessante! É uma história de vampiro? É uma história de um tímido? O invisível vai pelos dois caminhos, e funciona bem. Gosto de como a metamorfose do físico vai por outras rotas de significado. Parabéns!
Olá, Aparicius
Gostei da forma como mostrou a metamorfose a partir da invisibilização do corpo.
No início, você já nos chama para o mistério… o tal fato do qual agora queremos saber… Gostei, embarquei.
Quando você diz logo na primeira linha que tinha rotinas secretas, fiquei esperando que me falasse o porquê. Como a rotina fica mais secreta, interessante e estranha após o “fato”, não entendi por que disse que antes do fato elas eram secretas. Criou uma expectativa que não se cumpre. Talvez fique mais legal deixar claro que antes era uma rotina boba, depois ela se tornou inusitada…
“Sigo até ao apartamento de Letícia, tão sozinha, tão inatingível. Meu coração forte, forte, forte! Transpasso a porta.” – do jeito como está, quando diz “tão sozinha, tão inatingível”, dá a impressão de que já a observava… mas só depois ele transpassa a porta. Causa um ruído na leitura… logicamente depois reli e supus que ele supunha a solidão, mas aí já quebrou a fluidez da leitura, ao menos para mim.
Outra coisa, “inatingível” agora ela não é mais.
“Sigo até ao apartamento” – o apartamento
O final ficou um tanto óbvio, esperava algo mais interessante.
Parabéns pelo texto!
A princípio, parece que o micro é sobre essa transformação estranha a qual a falta de explicação não fica como mistério, mas mais como uma perda de compreensão do que está ocorrendo e, assim, do envolvimento com a trama. Assim, quando vem a menção a Letícia tudo se confunde, não dá para entender bem qual a relação do personagem com ela e o que ele pretende em seguida. As dúvidas enfraquecem o texto, ainda que seja uma abordagem do tema.
Ola Aparicius,
Então, isto é uma confissão. Ninguém te mordeu, ninguém te infectou. Sua insegurança, seu medo de enfrentar a vida, não aceitos por você mesmo e pelo seu ego que grita, não, eu não sou assim. Você precisava disso, de uma desculpa. Agora, invisível, poderoso, vai atacar o objeto de sua paixão nunca declarada. Agora, invisível, tem a coragem que nunca teve. Boa sorte.
Olá, autor(a), tudo bem?
A metamorfose ocorre após uma mordida no pescoço. aí a pessoa se torna invisível. Será uma metáfora para dizer que com o isolamento e individualismo nos tornamos invisíveis até para quem mora ao lado, porta a porta? Ou seria exatamente o contrário? Os solitários contariam agora com seus companheiros também invisíveis…
Não encontrei falhas de revisão, apenas algumas poucas palavras que poderiam ser suprimidas para o texto ganhar força. Menos é mais.
Parabéns pela participação e boa sorte.
Olá, Aparicius!(de aparição?) Tudo bem?
Um micro de realismo mágico? Pessoas invisíveis mordendo e transformando outras em invisíveis também? Ou seria algo mais profundo… mais psicológico, como ele se sentir invisível por uma “mordida” em sua alma e irá descontar isso na Letícia, que talvez tenha dado a mordida… bem, estou divagando… mas de qualquer forma gostei das duas opções. Parabéns!
Boa sorte no desafio!
Até mais!
Opa! Como vai, autor? Gostei do seu conto! Subitamente, me vi como o personagem, pois também moro sozinho e tenho minhas rotinas (não são tão secretas porque eu praticamente faço a mesma coisa todos os dias e junto de outras pessoas no trabalho). Então, me peguei imaginando como seria isso, ser mordido por um ser invisível (um vampiro?) e me tornar igualmente invisível. Seria o sonho de todo voyeur, não? (Eu não sou voyeur, deixo claro). O pior de tudo é que também tenho uma vizinha chamada Letícia! Hahaha… Gostei. O personagem, que antes a considerava inatingível (o que pressupõe um interesse pessoal), agora pode alcançá-la, mas não do jeito normal, do contato íntimo e amoroso, porque ele se tornou invisível. Ou seja, paradoxalmente, ao passo que ele finalmente consegue se aproximar dela, isso não lhe é permitido de fato. Sugere-se, isto sim, que vá dar uma nova mordida e passar a maldição adiante. Por isso, mesmo com o coração batendo forte por ela (Amor? Desejo de sangue?), ele transpassa a porta. Triste, trágico. Um realismo mágico bacana esse, com uma linguagem bem produzida e direta. Bom demais. Parabéns!
A história de um homem que se torna vampiro. A ideia é boa, é válida. Mas o modo como o homem foi mordido (por um vampiro invisível) está em desacordo com a lenda e a tradição vampiresca; habilidades sobrenaturais, fraquezas, características comuns, a lista é longa e não dá para colocar aqui. Por não possuir alma, eles não têm reflexo em espelho. Tem alguns poderes, menos ficar invisível. No seu conto isso acontece, não faz parte da lenda, mas é válido. Escritor cria vampiro da forma que quiser, tudo é ficção e literatura. Parabéns, bom conto.
Ei, Aparicius, puxa, um conto intenso. O homem solitário em seu apartamento que sente uma mordida e ela o vai transformando até que se torna invisível. E é dessa forma, sem que possa ser percebido, que ele toma coragem e vai para a casa da vizinha, sua paixão platônica… Bem, foi assim que vi a sua história. E te conto que gostei muito dela. Achei que ficou legal. Até porque me traz o realismo fantástico. Estará morto, mesmo com o seu coração batendo forte (três vezes). Parabéns pela sua história e sucessos no Desafio.
Olá, Aparicius!
Tudo bem?
O lado bom dos comentários abertos é poder, diante de dúvidas, recorrer às observações dos coleguinhas para entender melhor.
Nas primeiras leituras, confesso que não consegui perceber o que, de fato, mordeu o protagonista. Depois, surgiu a hipótese de um vampiro… Hum, faz sentido em algum grau. O que temos, no final das contas, é um micro sobre um personagem (com um quê de maldade) que é mordido por algo vampiresco e se torna (eis a metamorfose) algo, ou um fantasma (o que indica que foi morto, ou outro vampiro). E então, ele parte para sua próxima vítima.
Minha conclusão final; acho que é um conto que, com alguns ajustes, ele ficaria mais claro sem perder o seu tom de mistério. Por exemplo, as repetições, dentro de um microconto, são extremamente perigosas, já que tiram um espaço que podem ser utilizados para explicitar melhor outra ideia.
Enfim, um bom microconto de terror.
Atenciosamente,
Givago
Parabéns pela participação, Aparicius!
É nítido que a metamorfose do personagem ocorre após ser mordido por um (a) vampiro (a). A comprovação desse fato está no parágrafo seguinte, quando o espelho não reflete sua figura.
Após a transformação, ele parte para a sua primeira caçada. Letícia é a vítima. Acredito que “tão inatingível” seja uma ironia, visto que ele, agora vampiro, pode facilmente atingi-la.
No terceiro parágrafo, eu suprimiria o segundo “perdi”, “Mas” e “Depois”. No final do mesmo parágrafo, surgem os adjetivos diáfano, translúcido e transparente. Como são sinônimos, entendo que a repetição é desnecessária. Eu escolheria apenas um e preservaria a progressão. Reescrito, o trecho ficaria da seguinte forma: Não dormi, noites seguidas. Perdi a fome, a voz. Meu coração batia forte. No espelho, meu corpo pálido. Diáfano. Invisível.
O conto gera uma tensão e envolve o leitor. Quem teria mordido o protagonista? Quem é a Letícia? Ficam as dúvidas … Boa sorte no desafio.
Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece no gradual desvanecimento do protagonista. Somente no final quando ele invade o apartamento da vizinha é que compreendi O que aconteceu com ele também provavelmente um outro vizinho sofreu a mesma metamorfose que ele e morder seu pescoço talvez ele vai morder o pescoço da vizinha também para perpetuar essas transformações.
Eu até estava gostando do texto enquanto estava supondo se tratar de uma história de realismo mágico com coisas absurdas acontecendo (como tomar uma mordida humana de coisa ou ser nenhum)… E até estava gostando do conto enquanto estava supondo se tratar de uma uma história de terror de alguém sendo atacado por um ser invisível no interior de seu próprio apartamento… Mas, no contexto do desafio, tão somente, passei a desgostar do conto por causa de seu desfecho, o qual me soou tolo, com o protagonista decidindo invadir o apartamento de sua affair. Além disso, o tema metamorfose ficou bastante escanteado.
Estar em primeiro pessoa é um diferencial dos demais.
aprofundando: me surpreendeu estar em primeira pessoa, mas o sobrenatural não me prendeu ao microconto, mas isso é muito pessoal para eu colocar como algo negativo.
pois está bem escrito
Boa sorte
Esse texto consegue ser intenso e inquietante. Muito bom!!!