Caros Entrecontistas, amigos e curiosos de sempre.
Um desafio sensacional com mais de cinquenta contos inscritos, trazendo novos participantes além de nossos velhos dinossauros. Choro, gritos e ranger de dentes nestas duas semanas intensas, já que este desafio será computado para a divisão dos participantes da Liga Javali 2025, o certame literário mais eletrizante de qualquer rede.
No total, foram 51 os contos finalistas, isto é, aqueles cujos autores e autoras cumpriram integralmente as regras relativas aos comentários e à votação. Apenas 3 (três) não conseguiram cumprir esses objetivos.
Em terceiro lugar, com 320 pontos, “Respingos de Negro Desespero“, de Mariana Carolo:
“Uma cigana dança nua.
Reginaldo, todos os dias, saía do trabalho, ia para o museu estadual e lá admirava a beleza daquele corpo feito de tinta e inacessível aos seus dedos suarentos. Dureza entre as pernas, secura na garganta.
Certa noite, propôs ao inferno: a sua alma em troca de poder tocar a cigana. O vazio do quarto de solteiro foi testemunha de que o obscuro lhe atendeu. A carne do homem se entrelaçou aos fios do quadro, o seu sangue virou tinta.
Naquela mesma noite, violou a sua musa que chorava silenciosa.
Pintura não grita.”
Em segundo lugar, com 327 pontos, “O Navio“, de Luis Fernando Amancio:
“O navio mal despontara no horizonte. Minha mãe, em raro estado de mudez, finalizava nossos preparativos. Seu perfume de rosas exalava milagrosamente da estampa de seu vestido. Eu espirrava. Com pente e gel, ela batalhava com meus cabelos. Ajudei abotoando minha camisa.
– Agora sim, menino. Está pronto para conhecer seu pai.
No porto, algumas quadras adiante, assistimos ao emocionado desembarque de passageiros. Muita gente chegando, sendo recebida com abraços demorados. Nenhum deles era para nós.
Naquela tarde, como nas anteriores, meu pai ainda não estava pronto para me conhecer.“
E por fim, em primeiro lugar, com 340 pontos, “Ida de uma longa volta, volta de uma longa vida“, de Anderson Prado:
“Mergulhou o corpo frágil na água morna do primeiro banho, lavou tentando não quebrar nada.
— O pescoço, o sovaquinho… Isso. Agora, o piu-piu — ensinou o banho quando o bebê aventurava passos ainda trêmulos.
— Pro banho, já — lutou contra a então criança até vencer.
Ouvidos colados à porta, adivinhou, envergonhada, o conteúdo dos extensos banhos adolescentes.
Teve o banheiro só pra si, no que foi o tempo mais longo. Faculdade na capital, casamento, netos. Ida que antecede a volta.
Enrubesceu da própria nudez. Na cadeira de banho, o corpo velho e frágil, que o filho lavou tentando não quebrar nada.“
A tabela abaixo demonstra pontuação de todos os contos, nota a nota, assim como as autorias, desconsiderados os contos eliminados.
Para facilitar a visualização da classificação final, elaboramos a tabela a seguir:
Lembrando que o vencedor receberá em casa um exemplar de “A Estepe”, de Anton Tchekhov. O segundo colocado, a Terceira Antologia Devaneios Improváveis, e o terceiro, a quarta Antologia Devaneios Improváveis.
Uma vez mais parabenizamos aqueles que realmente se empenharam em dar o melhor de si, tanto na elaboração dos próprios contos, como principalmente nos comentários. É esse comprometimento pessoal que faz do Entre Contos um lugar diferenciado.
Agradecemos, em especial, à Evelyn Postali, que mesmo sem ter inscrito um conto próprio comentou todos os textos participantes.
A partir de agora os comentários referentes à votação estão liberados.
Até a Liga!
Equipe EntreContos.
Passo por aqui para parabenizar os 15 mais bem ranqueados e, em especial, os três primeiros colocados pela conquista, dado o alto nível dos participantes. Portanto, Anderson Prado, Luiz Fernando Amancio e Mariana Carolo, meus parabéns!
Em particular, ao Anderson Prado, cujo conto “Ida de uma longa volta, volta de uma longa vida” foi meu top 1. Um miniconto de excelência, que, em poucas palavras, capturou todo um ciclo de vida e ainda nos trouxe reflexões sobre a brevidade da vida, o ato de cuidar e ser cuidado. Afinal, ninguém está imune ao passar do tempo e à necessidade de atenção, amor e amparo na velhice. E isso o teu conto deixa bem claro. Parabéns!
Obrigado, Afonso, pela leitura, comentário e avaliação generosa! Contar com a leitura de vocês é um privilégio!