EntreContos

Detox Literário.

Circular (Kelly Hatanaka)

Clanc!

A pá bateu em alguma coisa metálica. Que droga, era só o que faltava.

Jurandir estava com pressa, queria terminar de fazer logo o canteiro dos tomates e ir beber com os outros no bar do Neco. Ia cavar o canteiro amanhã, qual a pressa? Os tomates vão nascer do dia pra noite? Vão? Pois não vão, então qual o problema de deixar pra amanhã?

Mas Claudete, ô inferno de mulher, acordou de ovo virado e estava pegando no seu pé desde a hora que acordou. Que ele prometeu o canteiro dos tomates há um tempão e até agora nada, que ela já pediu um milhão de vezes, que ele nunca fazia o que ela pedia, que o preço do tomate estava da hora da morte, que ele era um pocrast…, um proscat…, um… pro-cras-ti-na-dor e que isso, segundo o padreco novo, era pecado. Inferno, isso é o que era.

E agora isso, um negócio metálico em seu caminho. O que podia ser esse treco? Tentou puxar com a mão, mas não conseguiu. Estava muito bem preso a terra, ainda. O negócio é ir cavoucando ao redor até soltar. Só que agora, já fazia um tempão que ele cavoucava, ele já tinha feito um buraco de mais de metro de diâmetro e nada de chegar ao limite daquilo.

O que antes era irritação, virou curiosidade e Jurandir continuava cavando, com energia renovada. Que diabo era aquilo?

Foi cavando mais, até revelar os limites daquela coisa, mas isso só o deixou mais intrigado. Era uma peça de metal de uns 2 metros e meio de largura e uns três de comprimento. Era perfeitamente lisa, tão lisa que, mesmo tendo estado enterrada, a parte exposta pelo trabalho da pá parecia perfeitamente limpa, a terra escorria dela como se fosse água.

Continuou cavando, procurando mais detalhes do que seria aquilo. Uma caixa? Um baú? Aos poucos, ia-se revelando uma espécie de “caixa” de bordas arredondadas de uns 2 metros e meio por pouco mais de 3 metros e, por enquanto, mais de 2 metros de profundidade, pois ainda não chegara ao fundo do objeto. Agora, nem tentava mais puxa-lo para fora. Parecia ser maciço e muito pesado. Apesar do formato, não podia ser uma caixa, já que não era oca. Prosseguiu cavando enquanto a noite caía. Ele buscou uma lamparina e continuou cavando noite adentro sem descanso. Claudete veio chamá-lo, para a janta e para dormir.

– Já vou, mulher! Me mandou cavoucar, não mandou? Pois tô cavoucando!

A manhã o encontrou dormindo ao lado de um imenso buraco de 10 metros de comprimento por 4 de largura e 5 de profundidade, abraçado a pá.

– Jurandir! O que é isso, homem de Deus? Eu queria um canteirinho pros tomates! Tu tá construindo um metrô aqui na Vila Jurubeba?

– Me deixa em paz, mulher. Tem dó de mim e me traz um café, ora.

Claudete entrou e voltou com uma caneca de café fresco e um pedaço grande de bolo de fubá, que Jurandir comeu com gosto.

– Não consegui terminar seu canteiro porque bati nesse troço de metal, ó. Tô tentando cavoucar pra fora, mas esse trem é enorme. Olha isso!

– E o que é isso?

– E eu que sei?

– Sabia que tinha coisa estranha nessa casa, vindo do Velho…

– Não fala assim que é ingratidão, Claudete. O Velho deixou essa casa pra nós, a gente no desespero, precisando de casa… Isso foi uma benção do céu.

Verdade. Há 1 ano, eles estavam perdendo o barraco onde viviam muito precariamente. E como por milagre, ganharam aquela casa tão boa, num terreno tão grande de uma pessoa que mal conheciam. Ninguém soube dizer o motivo do Velho ter deixado aquela casa de herança para eles, mas, tampouco era uma coisa assim tão estranha. O Velho sempre fora solitário e excêntrico, sempre falando sozinho, às vezes usava palavras estranhas, que nem pareciam português.

Nem após seu falecimento descobriram seu nome.  Os documentos eram uma bagunça, cheia de informações faltantes e conflitantes. Sempre fora conhecido como “o Velho” e assim continuou sendo chamado. Como ninguém lembrava de vê-lo chegar na Vila Jurubeba, era senso comum que ele sempre morara lá. Jurandir se lembrava de, ainda menino vê-lo pela primeira vez deitado em frente à sua casa, meio ausente e desorientado, fazendo perguntas sem sentido. Tornou-se totalmente fascinado pela estranha figura daquele velho homem. Costumava estar sempre às voltas dele, rondando a casa, tentando decifrar as palavras aparentemente sem sentido que ele repetia.

Jurandir costumava aparecer na casa depois da escola e oferecer ajuda para consertar uma cerca, ou aparar o mato, ou buscar alguma coisa da venda, só para poder ficar por perto do Velho, ouvindo as palavras estranhas que ele dizia. Por vezes, Jurandir identificava algumas palavras aqui e ali que, estranhamente, pareciam fazer sentido para ele. Algumas surgiam o tempo todo. Estrelas, criação, mecanismo, tempo, circular. Tempo, criação, estrelas, circular, mecanismo. Criação de estrelas, tempo circular, mecanismo.

Um dia, enquanto Jurandir capinava a área perto da casa, o Velho parou de falar subitamente, olhou assustado para Jurandir, como se o visse pela primeira vez e começou a gritar: “Você, você, você!!!!!”. Ele parecia ora furioso, ora apavorado e Jurandir, com apenas 10 anos, saiu correndo aterrorizado e nunca mais voltou. Até o dia em que seu nome apareceu como único herdeiro do Velho e a casa passou a ser sua.

Era uma casa muito simples e estava um tanto maltratada pelo tempo. Mas era uma ótima construção e um teto bastante sólido. Alguns dias de trabalho depois e ela parecia nova. O terreno ao redor era muito grande e o canteiro de tomates era apenas o começo do plano de Claudete, de cultivar uma horta variada. Com sorte, venderia o excedente e teriam algum dinheiro extra na casa.

Mas, entre ela e o sonho do canteiro de tomates, estava aquele monstrengo de metal enterrado no quintal. Era mesmo um monstrengo. O buraco que Jurandir cavou, com seus 10 metros de comprimento e 4 de largura, claramente não mostrava o objeto inteiro. Pelo que dava para ver, eram 3 cubos irregulares de 2 metros de largura por 3 de comprimento e arestas arredondadas. Cada cubo tinha também 3 metros de altura e estavam interligados um ao outro. O último cubo parecia estar posicionado um pouco mais abaixo dos outros, meio inclinado. Como se fosse uma…

– Engrenagem?! Jurandir, isso aí é uma engrenagem?

– Será?

– Mas é claro que é! Olha só como parece a máquina de caldo de cana do Jão. Cada troço desse aí é um dente da engrenagem.

– Verdade, mulher. Se olhar de longe é isso mesmo. Mas é gigante, é grande demais. Pra que serve isso? De que máquina veio isso?

Se aquilo era uma engrenagem, estão aquele buraco de 10 metros estava permitindo ver apenas 3 de seus dentes. Então, a engrenagem inteira devia ter fácil mais de 20 metros de diâmetro. Uma monstruosidade de metal.

– Será que é de alguma usina, alguma coisa assim?

– Mas Claudete, usina de que? Não tem usina nenhuma aqui, de nada, até Nova Ciranda, que fica a 5 dias de viagem daqui. E como que esse treco enorme veio parar aqui, no meio do nada?

O sol da manhã subia e logo as coisas ficariam ainda mais estranhas. Ao ser banhada pelos raios solares, a engrenagem adquiriu uma coloração violeta e foi ganhando um aspecto vítreo. A semelhança com vidro era tão grande, que Jurandir deu-lhe uma pancada com a pá. Clanc! O velho som de metal contra metal.

– E essa agora. – Claudete fez o sinal da cruz e rezou um Pai Nosso, pra garantir.

Direto do passado, Jurandir ouvia as palavras do Velho, que tanto o fascinaram. Mecanismo, estrelas, criação, tempo, circular. Sentiu impulso de continuar cavando. Na hora do almoço, Claudete levou-lhe comida pois ele se recusou a parar de cavar. Estava obstinado e parecia febril. No meio da tarde, chamou Claudete, pediu para mandar vir o padre. Em um dos dentes da engrenagem havia uma inscrição. Talvez o padre soubesse que língua era aquela e o que significava.

Creator Rotam

Rota Temporis

Stella Machina

O padre chegou correndo e olhou espantado para aquela coisa tão estranha, aquele objeto de vidro violeta totalmente fora de contexto naquele lugar que parecia ter sido esquecido pelo mundo. Foi ver o que queriam que ele traduzisse.

– Ora, isso é latim. Significa: Roda do Criador, Roda do Tempo, Mecanismo das Estrelas.

– E, o que isso quer dizer, seu padre?

– Não sei, Jurandir, nunca vi nada parecido. Mas parece perigoso. – disse isso, persignou-se três vezes e foi embora assim que possível.

Quanto a Jurandir, continuou cavando e parecia ouvir cada vez mais claramente as palavras do Velho. Claudete estava preocupada, pois Jurandir se recusava a parar, a descansar um minuto que fosse. Seguia cavando como desesperado debaixo do sol escaldante. Parecia surdo, absorto, alheio ao que se passava ao seu redor. Roda do Criador, Roda do Tempo, Mecanismo das Estrelas, tempo, criação, circular, estrelas, mecanismo. O Velho sabia dessa engrenagem?

No fim do dia, Jurandir cavou tanto que atingiu uma outra estrutura, que parecia se ligar à engrenagem, embora tal ligação não fosse ainda visível. Estaria sob a terra. O que dava para ver, era que essa nova estrutura era circular e nela havia um botão.

– E essa agora? – Claudete não sabia o que pensar.

– Agora a gente aperta o botão. – Jurandir estava resoluto.

– De jeito nenhum, tá doido? A gente não sabe o que vai acontecer!

– Por isso mesmo, porque a gente não sabe.

– Jurandir, tu não aperta esse botão, pode ser um desastre!

– E como viver sem saber? Como não saber? E se isso aqui for a Roda do Criador, a Roda do Tempo, o Mecanismo das Estrelas?

– E o que isso quer dizer?

Claudete estava com medo. Por ela, viveriam sem saber. Mas Jurandir não podia virar as costas àquele mistério. As palavras do Velho ecoavam em seus ouvidos, as palavras escritas em latim queimavam seus olhos. Ele olhou para Claudete, como um pedido mudo de desculpas ou uma despedida e, sem hesitar, apertou o botão.

E ele estava só, no meio de um imenso vazio. Só com uma máquina gigantesca, na qual aquela engrenagem que desenterrara em parte era apenas um minúsculo pedaço. E a máquina funcionava, todas as engrenagens moviam-se perfeita e silenciosamente, numa sincronia mágica. Em resposta, o tempo cantava, as estrelas giravam pelo universo, seguindo um percurso preciso e coreografado e ele entendeu tudo, todos os segredos da criação, da existência, do tempo, que era circular, repetitivo, um ciclo infinito. Tudo isso ele percebeu enquanto o tempo dançava à sua volta e sua consciência era tragada pela luz.

Quando voltou a si, estava deitado de costas diante da casa. O buraco estava fechado, o terreno coberto de mato. Levantou-se, meio tonto e muito desorientado. De pé, a seu lado, olhando fascinado, um menino de uns 10 anos.

– Cadê Claudete?

– Quem?

– Claudete, minha esposa, dona dessa casa aqui.

– Eita. Essa casa está abandonada há anos. Dizem que é assombrada.

– Assombrada?

– Dizem que um homem sumiu, desapareceu na frente de sua esposa, que ficou doida de desgosto e foi-se embora. E ninguém quis morar aqui porque disseram que tem assombração.

– Claudete… e quando foi que isso aconteceu?

– Faz uns 30 anos.

Jurandir levantou de um pulo e olhou-se no reflexo da janela. Olhou-se e viu um velho.

O Velho.

46 comentários em “Circular (Kelly Hatanaka)

  1. Marcella Buccelli
    25 de abril de 2021

    Nossa, Kelly, eu adorei!! Que suspense e que final!! Parecia até aqueles contos do Guimarães Rosa…Parabéns!!

    • Kelly Hatanaka
      24 de junho de 2021

      Oi Marcella! Obrigada!!!!
      Ter o conto comparado com os do Guimarães Rosa é pra salvar o dia!

      Beijos!

  2. Kelly Hatanaka
    24 de março de 2021

    Oi Eduardo!

    É você tem razão. Eu usei as medidas porque queria ressaltar o tamanho descomunal da engrenagem. Mas realmente, ficou artificial. Talvez eu devesse ter usado outros objetos como referência. Tipo, “tão grande quanto um caminhão”, ou coisa assim.

    E, que bom que você gostou de ler! Muito obrigada, pela leitura e pelos seus comentários!

  3. Pingback: Resultados do Desafio “Engrenagens da Criação” | EntreContos

  4. Rubem Cabral
    20 de março de 2021

    Olá, M. Martin.

    Resumo do conto:

    Jurandir cavava no quintal, para fazer um canteiro de tomates, quando esbarrou num objeto metálico. A casa onde ele e a esposa moravam fora doação de um falecido amigo, conhecido como “Velho”, que era excêntrico e que falava de coisas sem sentido: sobre tempo e estrelas. Jurandir cava muito e descobre parte do que parece ser engrenagem de algo maior. A esposa se assusta, mas a escavação de torna uma obsessão. Ele descobre inscrições em latim: mecanismo das estrelas, etc. O buraco continua a crescer e novas peças metálicas a surgir, até que Jurandir encontra um botão. A esposa o aconselha a não pressionar o dispositivo que pode ligar a máquina, mas ele não se esforçou tanto para desistir. Ao pressionar o botão, ele descobre que as peças de seu quintal eram apenas mínimas partes de algo enorme e antigo, e compreende os fundamentos do universo e do tempo. Quando acorda, Jurandir descobre que viajou para o futuro, que ele há muito é desaparecido, e que agora é idêntico ao falecido “Velho”.

    Análise do conto:

    Boa escrita, bons diálogos, bom enredo, muito imaginativo. Boa abordagem e adesão ao tema do desafio. Final digno e circular, como o tempo e o título do conto.
    Parabéns.

    Boa sorte no desafio!

  5. Bruno Raposa
    18 de março de 2021

    Olá, M.Martin.

    De forma geral, gostei do seu conto. Gosto quando a ficção científica aparece em cenários improváveis. Você trouxe uma curiosa mistura de FC com causo. É uma ideia realmente interessante.

    O tom da narração é bastante condizente com o enredo e você usou bem o recurso de misturar a narração com os pensamentos do personagem. Há um carisma natural nos personagens e no jeitão meio matuto deles. A figura do Velho funciona como um bom elemento de mistério.

    Porém, achei a trama por demais linear. Jurandir cava, cava, cava, troca algumas palavras com a mulher, cava mais um bocado, lembra de algumas palavras do Velho, continua cavando… E é isso.

    Não que haja algum problema no personagem estar preso numa única ação. O que me incomodou foi a superficialidade do que acontece durante essa ação. A conversa com a mulher não traz nada muito interessante, ela apenas está preocupada com o marido, mas em nenhum momento apresenta uma oposição forte. As vagas lembranças de Jurandir ajudam a explicar um pouco o artefato, mas sem muito aprofundamento. A cena do padre ilustra bem essa falta de profundidade. Ele aparece apenas para traduzir as frases em latim e some. Não acrescentou em nada à trama, serviu apenas como um recurso explicativo que parece mais direcionado ao leitor do que ao enredo. Seria mais interessante se você não traduzisse, deixasse que o leitor mais interessado buscasse o significado depois. Da forma que está, é apenas um elemento explicativo desnecessário que quebra o ritmo do conto. Confesso que isso me incomoda um bocado, rs.

    As falas dos personagens soam um tantinho artificiais, o que não é problema algum, combina com o tom do texto. Apenas uma me incomodou: “Tu tá construindo um metrô aqui na Vila Jurubeba?”. Achei meio excessivo a mulher falar o nome do local, rs.

    Achei o final um pouco previsível. A cena que o velho corre ao finalmente reconhecer o menino me pareceu uma dica meio escancarada, rs. Também não conseguia imaginar outro desfecho para o conto. Ainda não vejo, pra ser sincero. Mas gostaria de ser surpreendido.

    Sei que apontei diversos elementos negativos, mas reitero que gostei sim do texto. A leitura é fluida, a narrativa é bem conduzida, o texto é limpo e os personagens, mesmo sem grande desenvolvimento, são cativantes. Gostei da descrição do artefato, principalmente da transição da aparência metálica para a de vidro. Gostaria inclusive de ter visto uma descrição da máquina completa, em toda a sua magnitude gigantesca.

    Também achei curioso Jurandir ganhar todo o conhecimento do universo. Imagino que ele precisava desse aprendizado para reconstruir a máquina. Fiquei imaginando se ele não reconhecia sua versão infantil por algum efeito colateral da viagem no tempo. Mas aí já sou eu viajando, rs.

    Enfim, é um bom conto. Creio que apenas faltou um pouco de desenvolvimento. Provavelmente ele ganharia muito com mais espaço. Mas é uma leitura divertida.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Bruno! Obrigada pela leitura e pelo comentário! Pô, trama linear não né! Circular, pelo menos! rsrsrsrs Na verdade, tinha mais coisa na história, envolvendo Claudete, o Velho e menino, mas tive que capar tudo fora ou ia ficar longo demais.

      O aparecimento do padre foi mesmo só traduzir as palavras, mas não para o leitor e sim para Jurandir, que precisava “amarrar” o artefato ao Velho.

      Quanto a ele não reconhecer sua versão infantil… fiquei pensando nisso. Na boa, se eu topasse com minha versão infantil, provavelmente não me reconheceria. Se bem que como sou japonesa, ne… facil de confundir…

  6. Catarina Cunha
    15 de março de 2021

    Criação: Parte de uma premissa singela: um canteiro de tomates. No entanto a curiosidade do leitor é alimentada cada vez mais levando ao clímax da viagem no tempo circular.

    Engrenagem: A técnica da narrativa simples deu leveza à trama complexa. Não é algo fácil de construir de forma tão enxuta.

    Destaque: “O que é isso, homem de Deus? Eu queria um canteirinho pros tomates! Tu tá construindo um metrô aqui na Vila Jurubeba?” Humor na medida certa.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Olá Catarina! Obrigada por sua leitura e pelo seu comentário. 😉

  7. Jorge Santos
    14 de março de 2021

    Olá, Autor. Parabéns pela forma como abordou o tema das engrenagens, a começar pelo nome, que faz todo o sentido. O seu texto narra a história de um homem que descobre uma máquina enterrada no quintal. Contrariando os pedidos da mulher, ele inicia a máquina, não imaginando o que iria acontecer. E mais não digo. LEIAM.
    Há muitas maneiras de contar a história que acabei de ler, algumas delas já foram passadas a filme, mas continua a ser difícil contar a forma com a elegância com que o fez. O conto tem princípio, meio e fim. As personagens são caracterizadas através do diálogo que flui naturalmente. A acção é visual, se bem que algo incoerente: abrir um buraco de grandes dimensões com uma pá não demora apenas uma hora. Mesmo assim, é um bom conto que não defrauda, de maneira nenhuma, as expectativas do leitor.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Jorge! Muito obrigada pela sua leitura e por suas palavras!
      Eu gosto muito desse tema, de viagem no tempo, de tempo circular. E realmente, tive dificuldades na hora de descrever o ato de cavar. Não tenho mesmo nenhuma noção do tempo que leva para se cavar um buraco gigantesco. Se fosse eu a cavar, demoraria bem alguns meses! hahahahaha

  8. Andrea Nogueira
    14 de março de 2021

    O conto atende ao tema proposto.

    O texto flui, com um bom encadeamento de ideias e linguagem coloquial, simples e clara. Os diálogos entre o casal, poucos e curtos, parecem ser dispensáveis muitas vezes: apenas descrevem a situação da escavação, pouco acrescentando à história dos personagens. Chegam a soar repetitivos.

    O desenvolvimento do tema no Conto – ‘máquina do tempo e deslocamento humano a outro espaço/tempo’, já bastante explorado literariamente, acrescenta pouco a tudo que já foi escrito. Soa repetitivo, portanto previsível, e decepciona.
    Não aproveita a potencialidade e, assim, perde a oportunidade de inovar no que é o cerne do tema: a experiência do deslocamento e, no retorno ao mundo real, suas consequências. Pois é aí que pesa o poder criativo do autor, único capaz de imprimir originalidade ao Conto.

    Outra questão crítica subjacente ao conto é a incompatibilidade entre o perfil do protagonista – pessoa simples, de pouco estudo, como se infere do texto – e sua aparente capacidade de entender e lidar com questões metafísicas inerentes à ‘engrenagem’ encontra em seu sítio. Para o “velho”, personagem apenas mencionado no conto, essa capacidade soa verossímil, uma vez que ele é descrito como uma pessoa culta – que domina algumas línguas, bem como entende e se pronunciava em vida sobre as questões da mensagem impressa na ‘máquina’.

    O desfecho, surpreendente até certo ponto e apesar dos vazios de desenvolvimento da trama, é inteligente e remete ao título escolhido, bastante apropriado: nos leva a concluir que, no Conto, que assim como o tempo, também a história é “Circular” e se repete.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Andrea!

      O protagonista é de fato uma pessoa simples e ele não entende as questões metafísicas relacionadas à engrenagem, até que aperta o botão, absorve todo o conhecimento do universo e se torna o Velho. Antes de apertar o botão, ele só cava movido pela curiosidade.

      Obrigada pela sua leitura e pelo comentário!

  9. antoniosbatista
    12 de março de 2021

    Gostei do conto, Viagem no Tempo é um dos meus temas preferidos em Ficção Científica.

    Na história, o tema Engrenagem é colocado como sentido figurado, chamando a máquina do tempo uma engrenagem, quando na realidade, é um veículo para transporte no Tempo. Mas considero válido porque gostei da história e por isso, não vou tirar pontos na soma final.

    O texto é bem escrito, bons diálogos, história original com efeito “loop temporal”. Boa sorte.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Antônio!

      Eu também adoro esse tema. Pode ser batido, manjado, previsível, não ligo, assisto e leio tudo que me cai nas mãos.

      Muito obrigada por ler e comentar!

  10. Priscila Pereira
    10 de março de 2021

    Olá, M!

    Esse é um dos contos mais legais que li nesse desafio! Muito bom mesmo!

    Mesmo com um limite apertado, a história é bem aprofundada, sem sobrar ou faltar nada. O protagonista é muito bem desenvolvido, e a história é concisa e interessante do começo ao fim.

    A linguagem é acessível e gostosa de acompanhar, a escrita está fluida e o enredo robusto e bem pensado.
    Gostei muito mesmo!

    Parabéns pela participação e pelo conto tão bom!
    Boa sorte!😘

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Olá Priscila! Puxa, obrigada pela leitura, pelo comentário! Que bom que você gostou!

  11. Renato Silva
    8 de março de 2021

    Olá, como vai?

    Primeiramente, não serão considerados gosto pessoal e nem adequação ao tema, já que o mesmo passou a ter entendimento extremamente esparso. Para evitar injustiças por não compreender que o autor fez uso dos termos escolhidos, ainda que em sentido figurado, subjetivo, entenderei que todos os contos terão os pontos correspondentes a este quesito.

    A minha avaliação é sob a ótica de um mero leitor, pois não tenho qualquer formação na área. Irei levar em questão aquilo que entendo por “qualidade” da obra como um todo, buscando entender referências, mensagens ocultas e dar algumas sugestões, se achar necessário.

    Agora, meus comentários sobre o seu conto:

    Gostei bastante do conto. Os diálogos são dinâmicos, divertidos e dão uma boa ideia sobre a personalidade do casal e como eles se relacionam.

    Ter uma engrenagem gigante no quintal dá o tom de surrealismo ao conto que, de início, parecia tratar de algo mais corriqueiro e cotidiano. Quando é dito que o casal herdou a casa de um ex-vizinho me pareceu forçada e inverossímil, mas o final fechou com chave d e ouro e explicou tudo.

    Apesar de não ser um recurso original, caí de novo e me surpreendi com o desfecho. Tudo depende da técnica de quem escreve, e nisso você se saiu bem. Achei o final perfeito, ainda que bem deprimente. Desfecho bem infeliz para ambos. Valeu muito a experiência da leitura.

    Boa sorte.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Renato!

      Obrigada pela leitura e pelo seu comentário! Feliz que você tenha gostado!
      E é verdade, foi um final bem triste. Ainda mais se você pensar que ele vai ficar se repetindo infinitamente…

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    8 de março de 2021

    Circular (M.Martin)

    Comentário:

    Um conto recontado, o autor usou a técnica bumerangue. A narrativa sai de um ponto, o percurso feito de palavras segue, e, num repente, faz a curva e retorna ao ponto de partida. Técnica muito boa, sempre surpreende o leitor. O final foi assim, o desfecho trouxe um impacto inesperado.

    A construção é perfeita, em toda a narrativa há referência às engrenagens. Do tempo, da máquina, da memória.

    Quanto à escrita, é um contar com linguagem simples, bem coloquial. Agora, o texto exige revisão. Simples, mas exige. Acentuação e pontuação, quando incorretas, atrapalham a leitura, principalmente a ausência de crases e vírgulas exigidas.
    Quanto aos numerais que aparecem no texto, há um desencontro de modelo seguido.

    Posso dizer que é um conto que prende a atenção do leitor, a história é muito criativa. Foi prazeroso ler o seu trabalho, M.Martin!

    Parabéns pelo texto!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    (M.Martin seria Ann M.Martin?)

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Regina!

      Não, não é de Ann M.Martin! rsrsrsrs Eu estava gastando mais tempo em escolher o pseudônimo do que em escrever o conto! Daí o primeiro livro que estava no meu criado mudo era de George R.R. Martin. Peguei o Martin e dobrei o M. E ufa.

      Obrigada pelo seu comentário! Um dia antes de lê-lo, um conto meu voltou da revisão e a maioria das correções foram exatamente: crases, faltando, vírgulas, sobrando, e numerais. O mesmo que você observou. Prestarei mais atenção.

      Muito obrigada!

  13. Elisabeth Lorena Alves
    7 de março de 2021

    Circular (M.Martin)

    O conto tem um narrador que constrói uma aderência de pensamento bem próxima ao do personagem principal, basta observar como titubeia para dizer a palavra “ pro-cras-ti-na-dor” e empresta sua voz ao marido que solta uma imprecação contra a esposa:” Mas Claudete, ô inferno de mulher.” e usa o exagero para marcar tempo: ”tempão”.
    Tecnicamente é um conto que obedece bem a estrutura proposta pelo cânone: econômico em meios, tempo, espaço, personagens e fiel ao tema escolhido, sem obedecer a ordem, já que é só quando precisa explicar porque a mulher precisa ser grata é que a introdução surge. A ação é proposta exatamente na onomatopeia que dá início à narrativa e embora surja informes de memória, dá prioridade para o movimento (ação) e de forma direta.
    É uma narrativa informal, começa com o som do atrito de metal contra metal ocorrido no momento em que a personagem principal começa a furar o quintal para plantar um tomateiro. Narra tão empolgado que esquece de marcar a transição de ânimo de Juvenal e depois que ela ocorre é que ele assinala: “O que antes era irritação, virou curiosidade e Jurandir continuava cavando, com energia renovada. Que diabo era aquilo?”
    É no rompante que sabemos que seus gostos sociais envolvem beber com os amigos no bar do Neco. E que ele deixaria o canteiro para o futuro não fosse o desespero da empreendedora esposa.
    O uso bem marcado do campo semântico traz verdade e dinamismo para a narrativa já que vai sendo inserido de forma natural. A manta de significados que envolve o ato de furar a terra para preparar o canteiro surge sequencial: cavando mais; revelar; enterrada; parte exposta; pá ; terra; profundidade, fundo, buraco. E quando fala sobre o Velho as palavras também deslizam projetando o futuro em uma abordagem temática bem marcada: “criação; mecanismo; tempo; circular; estrelas, (…) mecanismo. Criação de estrelas, tempo circular.”
    É no início da escavação que o Velho surge. Antigo proprietário da casa, a deixou por herança ao rapaz . E a primeira referência aos hábitos estranhos do morador anterior aparece na frase aparentemente despretensiosa: “Sabia que tinha coisa estranha nessa casa”, vem na voz da mulher e o narrador fecha o círculo: “ como por milagre, ganharam aquela casa (…). O Velho sempre fora solitário e excêntrico, sempre falando sozinho”. Tão estranho que nem sabem seu nome ou origem. Para Jurandir era apenas o velho de perguntas que vira deitado no quintal pela primeira vez.
    Claudete, para a estrutura do conto é coadjuvante, a esposa que precisando de uns tomates, tira do marasmo nossa personagem principal.
    O Velho, personagem secundário, a princípio, é o elemento que catapulta a ação e faz com que o conto seja também uma fantasia. Se fosse um romance daria para abordá-lo bem como o outro eu…
    Quando li a primeira vez, lembrei de outro conto que já passou por aqui, do Gustavo, em Engrenagens Inversivas o que faz o tempo literalmente voltar atrás é um relógio – engrenagem, porém a narrativa é construída também com a personagem que vê se sente a sua vida ser rebobinada, participando ativamente desse recuo. Aqui o movimento é silenciado pela narrativa e não há consciência da viagem no tempo ocorrida, ela só é percebida com o despertar do homem que só então sabemos ser considerado um desaparecido. Em Engrenagens Inversivas o encontro entre as duas versões das personagens são inconscientes para quem recebe em um o relógio e no outro conto a herança. Em tempo. A minha observação em nada significa que estou apontando plágio ou algo que tenha esse des-valor, é mesmo pela similaridade. Infelizmente perdi minha análise do texto do Gustavo, caso contrário teria trabalhado com gosto uma análise comparativa entre os dois textos.
    Em resumo, é um texto bem construído, com respeito bem demarcado à introdução, desenvolvimento e conclusão, que é o retorno a todo o processo, como sugere o nome, entretanto, o fato de já imaginarmos o final, não tira do leitor a surpresa da forma em que Jurandir encontra-se com o futuro, quando o círculo fecha. De novo ele está ali, o Velho com o seu duplo, o menino a dar-lhe notícias de sua vida nos últimos trinta anos.

    Boa sorte com o Desafio e até!

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Elisabeth! Uau, que análise incrível! Você não só leu como dissecou meu texto! Estou honrada. E fiquei com vontade de ler o Engrenagens Inversivas. Deve estar aqui no site, não? Vou procurar.

      Muito obrigada!

  14. cgls9
    7 de março de 2021

    Jurandir só queria abrir um canteiro de tomates e descobriu uma geringonça maior que ele, maior que qualquer entendimento. Bem que a Claudete avisou que ele não devia apertar aquele botão. Mas que escolha ele tinha? Vivia assombrado com as memórias do velho que repetia frases, aparentemente, sem sentido. O mesmo velho que havia lhe deixado a casa em que moravam e em cujo quintal , agora preparava canteiros de tomates e descobria geringonça monstruosa.

    Finalmente um conto com jeito de conto! Uma escrita caprichosa, uma história intrigante, um final que não é vulgar. Gostei bastante! Dos que eu li, é um dos meus favoritos. Nem considerei o despropósito do Jurandir ter uma capacidade para cavar de fazer inveja a uma retroescavadeira… Será que o autor imagina o que seja abrir um buraco de 10 x 04 x 03? Boa sorte.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Olá cgls9 !

      Eu estava bebendo água enquanto lia seu comentário e quase engasguei aqui! kkkkkkk Puxa, exagerei muito na capacidade de escavação do Jurandir? Realmente, não faço a menor ideia do que seja cavar um buracão desse tamanho! Sei que está bem acima da minha capacidade!

      Que bom que você gostou! Muito obrigada pela sua leitura e pelo seu comentário!

  15. Felipe Lomar
    4 de março de 2021

    Eu nao tenho nem palavras para descrever o que eu acabei de ler. E eu achando que eu tinha alguma habillidade pra escrever…
    Pra mim foi o melhor de todos até agora. A ambientação e a pureza dos personagens criam uma fotografia muito fiel do interior do interior do Brasil, até onde existem mesmo uns “causos” estranhos.
    O final é incrível e surpreendente, realmente genial! Adorei a dualidade de a engrenagem ser ao mesmo tempo a máquina e a própria história, que faz um movimento cíclico como uma engrenagem

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Felipe! Cara, muito obrigada pelas sua palavras, tão gentis! Que bom que você gostou, fico muito feliz!

  16. danielreis1973
    4 de março de 2021

    Prezado Entrecontista:

    Para este desafio, resolvi adotar uma metodologia avaliativa do material considerando três quesitos: PREMISSA (ou Ideia), ENREDO (ou Construção) e RESULTADO (ou Efeito). Espero contribuir com meu comentário para o aperfeiçoamento do seu conto, e qualquer crítica é mera sugestão ou opinião. Não estou julgando o AUTOR, mas o produto do seu esforço. É como se estivéssemos num leilão silencioso de obras de arte, só que em vez de oferta, estamos depositando comentários sem saber de quem é a autoria. Portanto, veja também estas observações como anotações de um anônimo diante da sua Obra.

    DR

    Comentários:

    PREMISSA: a história segue um traçado circular, que muito me agrada, e parte da ideia de que um rapaz que havia herdado do velho uma propriedade encontra nela um mecanismo de viagem no tempo, ao escavar o terreno, e acaba por acioná-lo e tornar-se o velho. Lembra, em alguma medida,os antigos episódios de Twilight Zone (Além da Imaginação).

    ENREDO: o enredo tem um desenvolvimento bem construído, que deixa o leitor curioso para saber o que seria o estranho objeto encontrado no quintal. Até apertar o botão, o mistério só se intensifica, mas no trecho final a explicação de que se trata de uma máquina de tempo circular acaba por ser óbvia.

    RESULTADO: o texto é bem escrito e agradável de ler, ainda que o título entregue em alguma medida o que esperar do final. Recomendaria repensar esse título para algo menos conclusivo. Parabéns!

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Daniel!

      Além da Imaginação marcou minha infância/adolescência!
      E é verdade…. nem notei que o título foi quase um spoiler…rsrsrsrs

      Muito obrigada prela sua leitura e pelo seus comentários!

  17. Luciana Merley
    2 de março de 2021

    Circular

    Olá, autor.

    Sua história é instigante e divertida, com um final muito bacana.

    Critério de avaliação CRI (Coesão, Ritmo e Impacto):

    Coesão – A história é super bem fechadinha, coesa nesse ciclo da vida sem fim, com as peças se encaixando aos poucos. Bem no meio fiquei meio duvidosa se você conseguiria dar um upgrade no seu texto, mas aí veio o final bastante inusitado e completou a boa sensação. Uma ressalva que faço é sobre a reação da mulher quando viu a caixa pela primeira vez. Soou um pouco estranho ela só demonstrar espanto quando voltou com o café. Talvez uma troca aí no lugar desse diálogo, amenizaria essa questão.

    Ritmo – A linguagem é bem coloquial, apesar da narração em terceira pessoa. Ficou bacana, bem fluida, leve e gostosa.

    Impacto – Gostei bastante. Uma construção de fantasia, FC, adoçada por um ambiente bem cotidiano. E o final deixou aquele gostinho de conto bom. Até disseram que eu poderia ser a autora desse conto. Fico honrada. Parabéns.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Luciana!

      Que bom que você gostou! Confundimos o pessoal, hein! rsrsrsrs
      Muito obrigada pela leitura e por suas palavras!!!!

  18. Fabio Monteiro
    28 de fevereiro de 2021

    Resumo: Homem cavouca seu quintal para o plantio de tomates a pedido de sua esposa. Durante escavação descobre uma máquina enterrada com dentes e um sistema de engrenagens perfeita. Quando a coloca para funcionar o tempo avança deixando-o como o personagem que lhe colocou em tal situação.

    Ponto forte: O suspense de não saber o que ele havia encontrado nos prende no texto. Da vontade de fazer como Jurandir, cavoucar, cavoucar, cavoucar até o dia ir embora.

    Ponto Fraco: Maquina do tempo. Foi interessante ele se ver como o velho que havia lhe deixado a casa, mas máquina do tempo está tão clichê ultimamente que deixou em cheque essa questão.

    Comentário geral: Gostei muito do começo da narrativa. Criatividade exacerbada. Usou bem a linguagem caipira no texto. Deu um toque rebuscado a condição de máquina do tempo. A trama é envolvente. Mas o final desprendeu me levando a fatídica condição de que um botãozinho fez o personagem avançar no tempo.

    Boa sorte autor(a)!

  19. Fernando Dias Cyrino
    27 de fevereiro de 2021

    Olá, Martin, que história mais intrigante e bacana você me trouxe, cara. Gostei demais do seu conto. O mundo que se repete, a máquina da circularidade de tudo, tudo se transforma e retorna. Um conto muito legal. Você sabe narrar muito bem e a história de Jurandir e Claudete me prenderam, sempre querendo ir em frente. Enredo criativo e muito bem realizado. O final funcionou muito bem. Pouquíssimos detalhes a serem revistos. Uma concordância nos documentos do velho, por exemplo. O que dizer mais, amigo? Parabéns pela sua bela história, pelo seu conto muito bom mesmo.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Olá Fernando!
      Puxa, fico muito feliz que você tenha gostado! Muito obrigada por seus comentários tão generosos!

  20. Anderson Prado
    26 de fevereiro de 2021

    Eita! Meio doidinho o enredo! Bem, pelo menos me felicitou encontrar, pela primeira vez, os dois temas – criação e engrenagem – juntos e misturados. O esforço (para juntar os temas – é a que me refiro), o esforço foi grande, mas tudo compactado em duas mil palavras ficou algo forçado. Como o tema tinha de estar, acabou que ele esteve. E foi só. Faltou, talvez, uma abordagem mais criativa. O domínio da língua é bom e o regionalismo diverte. O autor exigiu que o leitor aderisse à suspensão de descrença. Bem, comigo não funcionou. Ficaram as perguntas: que máquina era aquela?; como foi para ali?; qual seu mecanismo de funcionamento?; qual seu propósito? etc., etc., etc.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Anderson!

      Na verdade, não pretendi exigir que o leitor aderisse à suspenção de descrença. Só o convidei a contemplar essa historinha. Estas perguntas que ficaram tinham como finalidade inquietar e cutucar a curiosidade. Ou seja, infelizmente, elas ficarão, sim, sem respostas. Como a maioria das perguntas realmente importantes da vida.

      Obrigada pela sua leitura e por seus comentários!

  21. angst447
    25 de fevereiro de 2021

    Conto bem escrito que mescla ficção científica com causo. A linguagem empregada contribui para a fluidez da leitura. O ritmo torna-se bem agradável no decorrer dos parágrafos.
    A curiosidade do leitor é aguçada pelo suspense em torno do tal mecanismo encontrado no quintal de Jurandir. Isso revela a habilidade do[da] autor[a] com as palavras e imagens. Apostaria em alguém com uma boa experiência como escritor.
    Não costumo gostar muito de ficção científica, mas essa narrativa foi tão bem desenvolvida e com um toque de poesia que acabei por me render. Um mecanismo das estrelas ou uma máquina do tempo? Jurandir viajou no tempo? O menino era ele ou era ele o Velho? Um duplo?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso – tanto Engrenagens como Criação. Parabéns pelo esforço de unir os dois temas com tanta harmonia.
    E Claudete ficou sem o marido e sem os tomates. Tadinha.
    Boa sorte.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi angst447 !

      Que bom que você curtiu! E, touché! Eu tenho mesmo o hábito de misturar poesia nas coisas. Muito feliz que você tenha gostado.

      E é verdade, pobre Claudete! Ela bem que avisou… Tomara um dia ela consiga convencer Jurandir a deixar o botão pra lá e eles quebrem esse loop!

      Muito obrigada!!!!

  22. Fheluany Nogueira
    24 de fevereiro de 2021

    O protagonista encontra uma máquina misteriosa quando cavouca o terreno para plantar tomates para sua mulher. A casa foi herdada de um velho que mal conheciam. Ele aperta um botão da tal máquina e é tragado por uma luz.
    Quando volta a si, vê um menino e pergunta-lhe sobre a sua mulher. Fica sabendo que sumira há anos e descobre-se como o mesmo velho de quem recebera a casa.

    O leitor, aqui, pode concluir que a noção de tempo funciona muito mais próxima da circularidade do que da linearidade. Nesse plano, onde fica o agora? E, o mais importante, o que é esse agora? Vai projetar o futuro, mas também impacta com o passado. Ou seja, o tempo, como conhecemos, não existe de verdade. Uma abordagem do tema bastante instigante: o mecanismo do tempo?

    É uma história curiosa, traz uma linguagem simples e honesta, descrições bem feitas, diálogo críveis, ritmo ágil. A narrativa é coerente e bem fluida, é fácil sentir empatia pelo personagem principal.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte. Um abraço.

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Oi Fheluany!

      Eu adoro esse tema do tempo, de viagem no tempo e seus paradoxos!
      Muito obrigada por ler e pelos seus comentários!

  23. thiagocastrosouza
    23 de fevereiro de 2021

    Conto de início divertido, linguagem bastante regional, o que já me agradou de monte. Os personagens são caricatos e divertidos, figuras cativas em cidades do interior nesse Brasil afora. Não imaginei, entretanto, que haveria um elemento de mistério e ficção científica no meio desse cavoucar todo. A obsessão de Jurandir vai tomando proporções enormes e, nesse ponto, o autor ou autora aborda o tema do desafio duplamente: a engrenagem como uma máquina do tempo, ou portal para um passeio cósmico para o passado ou o futuro. Gosto de histórias onde a vida local e banal é subvertida por algum elemento estranho, me lembrei de um conto de Lima Barreto, A Nova Califórnia, onde um alquimista suspeito passa a gerar burburinhos na cidade devido a experimentos estranhos que realiza em sua casa.

    O final foi interessante, e casa, totalmente, com o título. Essa mistura de Ficção Científica, sem ter de criar novos mundos e regras, com o cotidiano pacato de uma cidadezinha brasileira areja um pouco os textos do desafio.

    Gostei.

    Grande abraço!

    • Kelly Hatanaka
      24 de março de 2021

      Olá Thiago!

      Fico muito feliz que você tenha gostado! Eu gosto de ficcções cientìficas que tenham como cenário o cotidiano. Dá aquela impressão de que pode acontecer de verdade… dá um medinho… rsrsrs

      Muito obrigada pela leitura e pelo seus comentários!

  24. Eduardo Fernandes
    21 de fevereiro de 2021

    O texto merecia um pouco mais de edição, e tem alguns trechos a mais que podiam ser polidos e palavras repetidas no mesmo parágrafo. Apesar disso, gosto do estilo e senti vontade de ler até o final.

    Imo, o texto ganharia muito se começasse com parte dos parágrafos 7 e 8 (“Continuou cavando, procurando mais detalhes do que seria aquilo. Uma caixa? Um baú? Aos poucos, ia-se revelando uma espécie de “caixa” de bordas arredondadas”), depois voltasse à explicação da mulher enchendo o saco e depois continuasse normalmente. Isso prenderia o leitor logo de cara, fazendo com que ele quisesse saber o que era aquela coisa que foi encontrada.

    Outra coisa é que o uso de medidas muito específicas (“10 metros de comprimento por 4 de largura e 5 de profundidade”) deixa o texto meio artificial, primeiro por não ser o tipo de coisa que se falaria na situação, segundo porque tudo que ele tinha era uma pá e o texto não diz que ele foi buscar uma fita métrica. Então como é que eu sabia as medidas exatas? Era melhor colocar algo mais genérico.

    Quando o texto começou a ficar chato, meter “o velho” na estória e dizer que deixou a casa de herança e dar um ar de mistério, foi uma grande jogada. Revitalizou o interesse e fez com que eu quisesse ler até o fim. Intencionalmente ou não, o timing foi perfeito.

    Depois do Jurandir clicar no botão, merecia um pouco mais de descrição da passagem do tempo até o encontro com o menino, mas, isso não é assim tão comprometedor para o texto.

    Até agora, foi o texto que mais gostei de ler. Parabéns.

    • Kelly Hatanaka
      25 de março de 2021

      Oi Eduardo!

      É você tem razão. Eu usei as medidas porque queria ressaltar o tamanho descomunal da engrenagem. Mas realmente, ficou artificial. Talvez eu devesse ter usado outros objetos como referência. Tipo, “tão grande quanto um caminhão”, ou coisa assim.

      E, que bom que você gostou de ler! Muito obrigada, pela leitura e pelos seus comentários!

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Informação

Publicado às 21 de fevereiro de 2021 por em Engrenagens da Criação e marcado .
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