EntreContos

Detox Literário.

O aquém, o além e o aqui (Matrioska)

A vida vinha em migalhas, estilhaços de sonhos colhidos com sofreguidão para sustentar o corpo de passarinho e alimentar a alma encolhida. Subsistia de restos, ora conquistados por ela vorazmente, ora concedidos complacentemente por outros. Fosse o que fosse, ela aceitava o que viesse, pois há muito seu orgulho perdera a luta em favor de sua sobrevivência e a da sua família.

Comia o prato feito de sobras, ofertado pelos patrões em troca de sua servidão. Travou a mandíbula, os restos amargando na boca antes de engoli-los. Já sonhara com um futuro brilhante na suavidade aveludada do canudo que abrigava o diploma de Letras. Fora um tempo de possibilidades que o mundo dos gananciosos sufocou.

Hoje, a realidade era bem outra. De dia, em uma corretora, onde o dinheiro paria a si mesmo, ela limpava estátuas de bronze com panos esfarrapados. De noite, fazia brilhar o mármore do chão no Sanatório Boa Esperança, depósito dos indesejáveis de famílias abastadas. Entre dois empregos que pagavam o valor de um e sugava-lhe a vida em dobro, suas filhas, sua mãe e sua casa eram anseios atendidos em rápidos domingos, fragmentos de vida que lhe davam razão para ainda persistir.

De sobras em sobras, de tristezas em tristezas, de saudades em saudades, levava a sua existência sem muito refletir para não sofrer. E assim passaria os anos, talvez até o seu fim, se não tivesse conversado com uma morta viva.

* * *

Naquela madrugada, entre o vazio dos corredores e o silêncio dos adormecidos, enquanto Nada cortava suas mãos no cabo cheio de farpas da vassoura, encontrou a falecida viva.  

Com uns vinte anos, acreditava estar morta e seu corpo em decomposição. Sim, ouvira sobre ela nos raros momentos que passava de cabeça baixa entre médicos e enfermeiras no plantão noturno: Síndrome de Cotard ou popularmente, Cadáver Ambulante. Por ser uma patologia neuropsiquiátrica tão rara e pouco conhecida, a moça se tornara uma espécie de celebridade naquele manicômio, embora com efeito inverso ao estrelato. Muitos do corpo de saúde e até os internos tinham medo dela em virtude de sua total ausência de fome, sede ou dor. Seu sorriso sereno e, segundo alguns, sobrenatural, estava além deste mundo, de suas admoestações psiquiátricas, de seus coquetéis de psicotrópicos, de sua nutrição líquida, de seu dócil carrinho de soro a acompanhá-la como se fosse um animal de estimação. Ela sorria santamente, não se incomodava se a entupiam de vitaminas pela veia, ou se tentavam convencê-la que ainda batia um coração naquele corpo. Imergia em um tranquilo silêncio monástico, sempre encarando o que estivesse à sua frente, fosse os mortais que a evitavam, fosse a parede da cela chamada de quarto, fosse o céu entre as grades das janelas ou ainda as portas fechadas para o mundo externo.

Nenhuma terapia mental ou química surtira efeito ao longo do tempo. Resolveram, então, apenas manter o corpo vivo de uma morta. 

Nada encostou a vassoura na parede. Apoiou seu próprio corpo no batente da porta aberta, observando a morta que respirava. Parecia tão… serena! A loucura produzia aquela calma e certeza? Não podia ser.  Ninguém estaria bem daquele jeito, presa em uma rotina, sem ter autonomia para fazer o que desejasse, escrava da vontade dos outros, sem as rédeas de seu destino. O corpo médico não a deixou em paz, apenas desistiu dela. Mais fácil deixá-la daquela forma, sem aborrecer ninguém, jogada em uma cadeira como mais uma peça de decoração.

Uma revolta sacudiu sua mente sempre tão conformada. Uma ira inédita que sobrepôs seus medos, sua inércia, seu cansaço e seu bom senso. Olhou para os lados rapidamente e constatou que não havia ninguém por perto. Passou as mãos pelo uniforme de tecido áspero, ajeitou os cabelos e caminhou silenciosamente na direção da paciente sentada na poltrona. Uma voz ecoou ainda nos recônditos de sua cabeça, dizendo que era perigoso, como aquela paciente tinha saído do quarto, como poderia estar sozinha, porém não lhe deu atenção. A indignação do abandono da jovem, quase uma menina, calou qualquer atitude que, em seu estado normal, tomaria. 

  Acomodou-se em uma cadeira junto da moça e analisou-a discretamente: magra, um graveto de gente, cabelos longos claros, olheiras escuras, pescoço comprido e elegante. As veias verdes saltavam à pele imaculadamente clara dela, como um mosaico indiano. O cheiro de almíscar do xampu exalava dela. Limpa, íntegra, inteira. 

Subitamente, a moça sacou um binóculo e fitou-a através das lentes aumentadas, avaliando a recém-chegada. Nada conteve o ímpeto de fugir dali, mantendo-se o mais sem reação possível.

– Você se esforça muito para ser feia, mas não consegue, creia em mim. 

– Não sou bonita, nem feia. – deu os ombros – Sou comum. Eu sou Nada.

– Você é nada? 

– Meu nome. Nada. 

– Nada de nada ou nada de tudo? – ainda com os binóculos no rosto, virou-se para frente, encontrando algo para focar – Ah… que bonito! 

Nada já ia responder que a noite através da janela era linda mesmo quando reparou que o binóculo apontava para a parede branca e não para as estrelas. Um… teste? Talvez. A depender da resposta, a morta que vivia se recolheria, sentia. Como saber o que falar? Não pense como os outros. Pense como ela. Ou pense… como você mesma. 

– Parece o chão da lua. 

A morta-viva lentamente baixou as lentes, desconfiada com aquela resposta.

– Por quê?

– Quando era criança, ficava com a cabeça encostada na parede da minha casa. Era muito crespa. Vendo de bem pertinho, dava para enxergar os poros dela. Pareciam pequenas montanhas lunares. – soltou uma rápida risada sincera – E eu corria entre elas sem precisar de roupa de astronauta. Pulava na gravidade zero e dava cambalhotas no ar. Era muito bom.

Nada não inventara aquilo. Era verdade. Nunca contara para ninguém, para que não a chamassem de louca. No entanto, falar para uma maluca as suas loucuras era surpreendentemente reconfortador. 

– Devia ser escritora com toda essa imaginação. Ou estar aqui no hospício comigo. 

– Queria ser. Ainda ando com um caderno e caneta no bolso para ver se tenho inspiração. – suspirou – Não tenho tempo para isso. 

– Vive para sobreviver. Seu lugar definitivamente é no quarto ao lado do meu. 

– Teto, comida, roupa lavada… Não seria tão mal. Mas tenho filhas para criar.

– Ainda vê as montanhas da Lua na parede?

– Só vejo uma parede quando limpo.

– Não tem tempo para inspiração, mas arranjou tempo para conversar comigo. Por quê?

–  Fiquei curiosa sobre você. Por que está conversando comigo? Sua fama é que fez votos de silêncio.

– Todos são entediantes. Vivos entediantes. Zumbis. Você é uma pretende a zumbi, mas ainda vive de verdade… em alguma parte aí dentro. – colocou os binóculos por um segundo, olhando  Nada e largou-o novamente – Sim. Ainda tem algo de você. Não errei.

– Estranho uma morta chamar os outros de zumbis.

– Admite que estou morta? Finalmente, alguém são neste hospício! Não te incomoda o mau cheiro da minha carne apodrecida? 

Gesticulava animadoramente as mãos perfeitas e imaculadas, as cicatrizes dos pulsos cortados como pulseiras tatuadas. Nada prendeu a respiração. Meu Deus… então foi assim que ela tentou.

– O fedor não me incomoda. – disfarçou, o coração apertado – Sou faxineira. Já vi coisas estranhas… e piores. 

– Estranho são os vivos-zumbis. Os vivos não conseguem ver nada além do que querem. Dizem que estou viva mas doente, enquanto estou morta e sã. Hum! Depois sou eu a louca. 

Nada riu. Era a conversa mais instigante que tivera há tempos, onde havia vida em alguém que pensava estar morta.

Não. Não poetize a tragédia. Aquilo era real. A menina precisava de ajuda. Provavelmente aqueles médicos arrogantes não quiseram se predispor a verdadeiramente escutá-la. Então, cabia a ela fazer alguma coisa.

– Como é estar morta?

– Um completo alívio. Posso ser o que sou. 

– Pensei que os mortos morriam de uma vez. O que será que aconteceu contigo?

– Pensava isso também. Fui dormir… para sempre – alisou as cicatrizes do pulso –  Achei que, quando acordasse de novo, estaria dirigindo o submarino amarelo para Andrômeda. Ou talvez cavalgando nas suas montanhas lunares. E aí… estava aqui. Não. Em outro lugar igual a este. Este não é o primeiro, sabe?  Mas, no fundo é o mesmo. Todos os ares dos mesmos lugares.

– Por que será que ainda está aqui? Quer dizer… Seu corpo ainda respira de alguma forma.

– Não sei. Acho que esqueceram de me levar.

– Quem? Deus?

– Não… O pessoal da alfândega. A fila deve estar grande e… se confundiram. Não me viram, acho.  Bom, fazer o quê? Vou ter que decompor aos poucos, entre os vivos. Não vai ser nada bonito de se ver. Mas entro no caixão e tudo termina. Terá velório. Você irá? Não me leve rosas, por favor. Morto não precisa de flores.

– Levarei eu mesma e minha saudade em uma carta para você. Poderá ser enterrada com ela. Que tal?

– Sinceramente, depois dessa confusão que o pessoal de cima aprontou para mim, prefiro a cremação, para não dar chance ao azar. Mas, sempre tem um velório antes. Um escrito seu para mim. Um epitáfio! Isso é um presente. Vou adorar. Obrigada. Você é muito gentil.

– Preciso do seu nome para poder escrever.   – já sabia, claro, das conversas dos médicos. Mas ela falar seu próprio nome era um contato com a realidade.

– E importa um nome? Não fui eu quem escolheu. Que ousadia tatuarem um nome em nossa alma como uma marca a ferro de gado. Uma benção maldita. Além do mais, aquela que chamavam de Beatriz se foi.

– Beatriz era um nome bonito. “Aquela que é feliz”. Seus pais devem ter querido que fosse. 

– Feliz do jeito deles. Amavam a Beatriz. Odiavam o que eu era.

– É possível não gostar dos próprios filhos? Amo minhas meninas.

– Ama suas filhas de verdade ou só o que deseja que elas sejam? 

– São minhas filhas. Me basta isso.

– Que sorte a delas. 

– Todos têm problemas. Somos pessoas antes de sermos pais. Os seus… talvez tenham feito apenas o que eram capazes de fazer.

– Alice, Alice. Seu mundo de maravilhas que afunda a alma para não ver a lama. 

– Não sou ingênua. 

– Não, não é. Tem bonitos desertos dentro desses olhos. E ainda deseja ver o mundo de fora como o seu de dentro?! Esse mundo guardado como um tesouro, mesmo você andando na merda que os outros te deram.

– Seus pais se importam com você, por mais que tenham errado. 

– Ah, não faça isso. Não seja como os vivos-zumbis. Não minta. Acham que este lugar é para loucos, mas é uma porta para escapar deles. Para quem não quis ser construído nas fôrmas da indústria, com as engrenagens mentais fazendo rac rac rac. “Seja uma boa menina.” “Seja obediente.” Acredite sem pensar. Aceite um Deus que fica rasgando seu espírito para ver se mofou alguma parte. “Não responda.” “Não se suje”. “Não se toque.” Nem pergunte! Brinque com bonecas quando se é pequena. Brinque de boneca com suas amiguinhas. Mas quando se cresce um pouco, descobre que não quer mais brincar de bonecas… Decide que não quer ser uma boneca para o resto da vida! Que sua amiguinha se tornou o amor do seu coração. Mas eles querem que você volte a ser a boneca, mesmo quando grita que não quer. Então te dão como presente para que outro brinque com você… e te faça novamente uma boneca obediente à força. Mas não faça bonecas com ele. Não… não pode ter boneca dentro da boneca, mas ele enfia uma dentro de você. Entra em você. Uma, duas, trezentas, mil vezes… E quando as bonecas dentro das bonecas se despedaçam, os braços ficam vazios. O coração fica vazio. A cabeça fica vazia. 

E os pulsos ficam vazios. 

Nada tremia, consternada. 

– Quem foi? 

– O filho da puta com uma bíblia enfiada no sovaco. 

– Contou para seus pais?

– Não.

– Por quê? 

– Foram eles que pediram para que o diabo que falava de Deus me consertasse.

– Beatriz!

– Pare. Esse nome não nunca foi meu. Beatriz foi a boneca que aqueles pais fizeram e quiseram colocar minha alma nela. Até tentei ser o eles desejavam. Não consegui.  Não é possível matarmos o que realmente somos. – encarou seus próprios pulsos – Estou aqui, agora. Livre deles. Live da bosta de vida que queriam para mim.

– Mas ainda está aqui. 

– Qualquer lugar longe deles é um bom lugar. Este corpo está se desintegrando. Mais cedo ou mais tarde, vai desaparecer… e estarei também liberta dele. Falta pouco para eu nadar nos céus e andar nas montanhas da lua.

– Vai na lua sem mim? – o sorriso trêmulo. O que Beatriz ia fazer?!

– Doce Nada…  o nada que pode tudo! Seu nome não é uma marca de gado. É uma maldição bendita. É você. Dentro do nada, o tudo está lá, prontinho para sair. Sua mãe realmente te ama e sabe quem você é, para te dar tudo no nada. 

– Vamos pensar um pouco, está bem? Você morreu e não foi para o caixão. Seu corpo ainda resiste, por alguma razão. E se esse motivo é estar aqui comigo?

– Acredita nisso… de verdade?

– Claro! Não sabe quando partirá. Por que não fazer o que sempre quis fazer antes e não pôde, enquanto estiver aqui? 

– Você é… linda. Me lembra do amor do meu coração… Não. Não posso mais estar contigo. Já estou na fila da alfândega. Isto – referia-se ao próprio corpo – é uma bagagem pesada que está retardando minha partida e que logo será esvaziada. Você me entende, eu sei.  Vi sua alma com minhas lentes mágicas. Cheia de estrelas presas em casulos abertos. 

– Fique mais um pouco. Veja – tirou o pequeno caderno e a caneta do largo bolso do uniforme – Escreva para mim.

– Eu? Escrever o quê?  

– Escreva para a mim a vida que teve e que nunca quis. Esse será o melhor epitáfio, pois será seu, feito por você

– Para quê…? Não estarei mais aqui.

– Mas eu, sim. Faça, por mim., para eu ter um pouco de você quando se for.  Para ter você comigo sempre, antes de a gente se encontrar no seu submarino.

– Precisaria de uma montanha desses caderninhos para caber o que sempre quis dizer. Oh… Meu caixão será forrado pelas páginas de minha vida! Será que sobrará espaço para mim nele? Terei um caixão para minha vida e outro para meu corpo?

– Primeiro escreva. Arranjo um caderno toda a noite, se for preciso.

– A gente vai se ver toda noite?

– Toda noite.

– Toda noite até acabarem as estrelas? Não sei… se eu me desintegrar antes de terminar minha história? Ou se o pessoal da alfândega se lembrar de mim e vier me buscar?

– Negocie com eles, oras. Como podem ter moral contigo se falharam antes? Imponha-se! E quanto à putrefação do seu corpo, pode adiar se começar a comer e a beber. Finja que está viva, entendeu? O corpo ficará confuso, não sabendo se está vivo ou morto.

– Talvez seja possível com o pessoal da viagem. Com este corpo… será que ele ainda me obedecerá? Terei que enganá-lo. Pode ser que dê certo… por um tempo. Sim… até que as estrelas sumam da noite.

Nada continha a esperança, ocultando-a cuidadosamente dentro de seu peito. Será que conseguira? Será que Beatriz poderia retornar à sanidade? Vomitar toda sua dor no papel… Voltar a alimentar o corpo, sentir o prazer da comida, perceber na pele o mundo que havia abandonado. Dar as costas para o caminho do caixão e retornar a viver, para ser a Beatriz que sempre quis ser? Apertou com força o caderno e caneta em sua mão estendida no ar. Pegue, Beatriz. Aceite. Volte a viver por você. 

– Vamos. É um bom acordo. O que tem a perder? Prometa.

– Prometo, Nada. – ela sorriu, agarrando o que lhe era dado –  Só até as estrelas da noite acabarem. Depois andarei nas montanhas da lua com meu submarino para Andrômeda.

 

* * *

Em uma tarde ensolarada, Beatriz, vestida e maquiada tal uma boneca, era enterrada dentro do caixão forrado de cetim rosa, ao som das orações histéricas do religioso que a estuprou, dos lamentos hipócritas dos fiéis que antes a condenaram e do choro de alívio dos pais que a abandonaram.

Nada abraçava uma grande sacola com força junto ao peito, os lábios contritos, os olhos em fogo. Após vinte e uma noites de cadernos e conversas, ela se fora em uma madrugada de tempestade, sem uma estrela a brilhar. 

Beatriz cumprira seu acordo: escrevera, comera, bebera e sentira dor naquelas três semanas, o que fez os médicos chamarem seus pais. Alucinados com o suposto milagre,  clamaram aos céus em honra aos jejuns, correntes e promessas, dizendo à filha que ela seria levada ao templo para dar seu testemunho. Horas depois, em uma madrugada solitária na casa de seus pais, as cicatrizes do pulso da menina se encheram novamente de sangue e, dessa vez, não havia ninguém para salvá-la. 

Nada se aproximou do caixão coberto de dezenas de rosas. Ela também lançou, não flores no caixão, e sim centenas de páginas ao alto, xerocadas dos diários de Beatriz. A multidão se estarreceu diante da chuva de relatos da menina viva que dizia estar morta. As páginas da vida de Beatriz não forraram seu caixão, mas encheram e revoltaram os corações daqueles que leram suas dores. 

Enquanto a aglomeração se horrorizava com a trágica história gravada em papel e tinta, Nada saía do cemitério com a sacola novamente apertada junto ao seu coração, pois ali pulsavam as palavras nos cadernos originais da morta mais viva do que os vivos, impulsando Nada a ser tudo.

63 comentários em “O aquém, o além e o aqui (Matrioska)

  1. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Gostei deste seu conto existencialista. Estamos realmente vivos ou simplesmente existimos? Creio que esta é a mensagem patente no conto, no qual Nada, uma mulher que foi obrigada a desistir do curso universitário e que só com dois empregos consegue o seu sustento, descobre Beatriz, uma paciente com um distúrbio mental que a faz pensar estar morta. A partir da história de Beatriz, Nada descobre um novo sentido para a vida, enquanto escritora.
    Gostei desta fábula moderna que mostra um dos fundamentos essenciais da existência humana: a necessidade de socialização, de partilha dos problemas. Beatriz libertou-se do seu estado de morta-viva (e quem esperaria um desfecho feliz ou um milagre do altíssimo sai da leitura deste conto com um profundo amargo de boca). Nada sai do seu estado de profunda negação. Ambas ficam a ganhar porque saem do ciclo em que se encontram. Por vezes, é isso que falta na vida das pessoas, uma mudança (que na maior parte das vezes nem é positiva) que faça sair do ciclo habitual da vida.
    Em termos de linguagem, notei alguma falta de revisão, algo que é necessário ter atenção em desafios deste género e que alguém que queira evoluir na escrita deve ter sempre como prioridade, qualquer que seja o destino dos textos (se bem que neste capítulo também devo reconhecer que tenho cometido bastantes erros – sei a teoria, mas a prática é mais complicada). Mesmo assim, o texto é fluído e prende o leitor, que é o objectivo de qualquer conto.

    • Matrioska
      22 de novembro de 2020

      Olá, Jorge!

      Gratidão pelo seu comentário!

      Fiquei consternada comigo mesma em função dos erros de digitação e gramaticais. Serei mais cuidadosa na próxima vez. Um leitor merece um texto limpo e sem obstáculos de erros na fluidez da leitura.

      Sim, Jorge, você captou tão bem essa questão existencialista que quis expor no conto…! O questionamento sobre realmente estarmos vivos e não apenas existindo me acompanha desde cedo. Talvez por isso que eu tenha, ao encontrar informações sobre a Síndrome de Cotard, decidido utilizar essa patologia.

      Essa vida de subsistência embutida em nossa civilização consumista e imediatista é devastadora para a verdadeira natureza humana. Fico a pensar se nós, como humanidade, não criamos esse sistema justamente para não encarar nossa fragilidade como seres mortais.

      Mas não filosofarei mais por aqui. Depois do resultado do Desafio, se for de sua vontade, gostaria de conversar sobre isso com você.

  2. Rafael Penha
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: Uma mulher funcionária de um hospital encontra uma paciente que acredita estar morta. A vida da paciente não é fácil, tendo sida estuprada por um padre soba relutância da aceitação de sua família de sua real condição. Embora as duas conversem sobre esperança, a paciente acaba se matando.

    COMENTÁRIO
    Um conto muito bem escrito. Há pequenos deslizes na gramática e de formatação, mas nada que atrapalhe. É um texto poético, profundo. Há metáforas e significados.
    A forma com o Beatriz narra o abuso e a relação com os pais é sublime, sutil a quem lê, mas pesada para quem interpreta. É interessante tentar desvendar suas metáforas.
    A loucura aqui é sutil, mas perceptível em cada momento. A menina está morta ou não?
    Nada a ajudou a morrer, mesmo talvez, planejando o oposto, mas não deixou sua morte em vão, expondo suas agruras e tudo o que aconteceu com Beatriz, passando a ser mais do que apenas uma confidente, mas alguém que luta e faz alguma justiça à memória de Beatriz.
    Bom conto!
    Grande abraço!

    • Matrioska
      22 de novembro de 2020

      Olá Rafael!

      Gratidão pelo seu comentário!

      Fico feliz que tenha gostado do conto! Desejei colocar algumas questões sociais e familiares no texto e você os captou bem. Fico feliz!

      Quando escrevi o conto, realmente não via nenhuma outra saída para Beatriz, haja vista que o ambiente familiar não tinha se modificado. O retorno dela a esse meio, nas condições psicológicas que ela se encontrava, trazia o fim trágico. Ao mesmo tempo, permanecer no sanatório, abandonada em seu tratamento, também a condicionava a essa não vida. Nada levou, inadvertidamente, Beatriz à morte física; porém, como você bem assinalou, fez justiça à amiga ao revelar a vida desta a todos. Também, com essa experiência, Nada descobriu sua força interior para buscar justiça a si também, ou seja, realmente viver.

  3. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 A vida de Nada, uma mulher com vida sofrida e uma paciente do hospital do onde trabalha, com a síndrome da ‘’ morta viva’’ se cruzam, e diante de uma conversa, a vida das duas, de algum modo, se transforma.

    Gostei 😃👍 Conto muito bonito e triste. Um escrita muito gostosa que leva o leitor, sem pressa, mostrando as paisagens pelo caminho. Achei sobretudo os diálogos muito bem construídos, fez toda a diferença. A construção das duas personagens, cada uma em seu momento peculiar de muito bom gosto. Ambas, apesar das adversidades possuem uma mente muito aberta pro mundo, se não fosse assim a identificação de ambas não teria sido possível. Não cheguei a pesquisar sobre essa síndrome de Beatriz mas achei muito interessante todo o contexto que a fez sentir assim. A história dela toda é muito interessante, a tentativa de sucidiio e agora a resiliência de esperar seu corpo falho se desintegrar para que enfim possa partir. Uma personagem serena. Gostei do binóculos e de como ela enxerga a pessoa. Me enchi de esperanças quando Nada conseguiu, timidamente, mudar a perspectiva de Beatriz sobre o seu corpo, sua saúde, sua morte… sobre os escritos e meu coração se partiu quando no fim, quando houve uma esperança foi destruída pela inconsequências dos ‘’sãos’’ muito triste o final. Parabéns pelo trabalho.

    Não gostei 😐👎 Não vou ficar remoendo coisinhas pra apontar. Só cito a escolha mesmo do final, acho que seria mais bonito e teria um impacto mais relevante se ela tivesse superado, não sei, não gostei do ‘’ raio’’ cair duas vezes no mesmo lugar. O papel da família em destruir a vida da menina por duas vezes me incomodou, mas sei que é algo totalmente pessoal.

    O conto em emoji :👩🏾‍🦱🧟‍♀️✉️⌛

    • Matrioska
      20 de novembro de 2020

      Olá, Amanda!

      Gratidão pelo comentário!

      A Síndrome de Cotard não é muito conhecida mesmo. Estava pesquisando a esmo algo para contribuir para o Desafio quando encontrei essa patologia. Li depoimentos de pessoas com a síndrome e muito me espantou uma pessoa chegar ao ponto de se achar morta, quando claramente está viva, no sentido físico. Então, refletindo sobre isso, imaginei que essa patologia espelhava a sensação de morte como indivíduo diante da sociedade, uma exclusão do ambiente e uma tentativa, paradoxalmente, de manter a própria identidade.

      Beatriz encontrou certa serenidade quando se viu fora de tudo que a oprimia e negava sua essência. No entanto, retornando ao seu ambiente familiar, que continuava ao mesmo, terminou por ter o triste fim. Infelizmente, ela não possuía estrutura psicológica forte o suficiente para se rebelar, quando construí a personagem. No entanto, um final alternativa seria interessante. Um colega colocou em comentário que seria interessante fazer desse conto uma novela ou um romance. Estou pensando sobre essa ideia.

  4. Anna
    18 de novembro de 2020

    Resumo : Uma faxineira que tinha o sonho de se formar em letras conhece uma garota que pensa estar morta, após tentar se matar por não ser aceita por sua família religiosa pelo fato de ser lésbica e o pastor ter a estrupado. A faxineira conversa com ela mergulhando em sua fantasia e a ajuda a melhorar, mas a jovem acaba se matendo devido a hipocrisia religiosa da família.
    Comentário : Foi o melhor conto de todos na minha humilde opinião. É horrível como os religiosos tratam o grupo LGBT.Na verdade, muitos tem a religião e poucos tem Jesus, Jesus é amor e quem não ama o diferente nunca amou. Esse conto merece ser espalhado para conscientizar as pessoas que não aceitam os próprios filhos. A religião não pode ser imposta e os líderes religiosos não são santos. Esse conto mostra a dor de uma moça que teve sua identidade negada. Me pergunto se essa história tem algo de real . Divulgue esse conto, acrescenta muito !

    • Matrioska
      20 de novembro de 2020

      Olá, Anna!
      Gratidão pelo comentário!
      Não vivi essa situação descrita no conto; ele é um recorte baseada em várias histórias que vemos tanto, repetidas desde décadas atrás e persistindo em um eterno presente.
      A violência se expressa em vários atos indignos, negando a identidade de quem é considerado fora do parâmetro estipulado (seja no âmbito de gênero, etnia, religiosidade ou orientação sexual).
      Senti sua emoção e indignação, que me tocou profundamente. Espero que a mensagem do conto se espalhe e, principalmente, que possa fazer refletir que todos nós somos iguais em nossas diferenças.

    • Matrioska
      20 de novembro de 2020

      Desculpe os eventuais erros – estou digitando do celular.

  5. Andre Brizola
    14 de novembro de 2020

    Olá, Matrioska.

    Conto que narra o encontro de Nada com Beatriz, uma garota internada em um sanatório, vítima de um estupro e suicida, que acredita já estar morta. Nada, funcionária da limpeza, utiliza a conversa para encontrar dentro da interna a vontade de permanecer. Embora tenha conseguido algum sucesso, no final Beatriz é enterrada após nova tentativa, dessa vez com sucesso, de suicídio.

    Um conto muito bem equalizado no que diz respeito à forma e conteúdo. O prelúdio, apresentando Nada, o diálogo com Beatriz, e o final, com o protesto de Nada no enterro, casam perfeitamente com o enredo. Beatriz, conhecida por não se alimentar, não sentir dor, está presa em uma situação aparentemente irremediável, e a aproximação de Nada, aparentemente, quebra essa situação. O diálogo, muito crível, muito sensível, é o ponto alto. Muito bom.

    Normalmente eu não me apego a problemas gramaticais, sobretudo quando o enredo é bastante atrativo. Mas, num diálogo, certos detalhes acabam incomodando mais e não puderam passar em branco. Há um pretende, onde acha que deveria ser um pretendente. Falta um que em “até tentei ser o (que) eles desejavam. Um live que imagino que seja livre. Não é nada muito drástico, mas que comprometem a experiência da leitura.

    No geral é um ótimo conto sobre a loucura e acho que temos um dos melhores finais de todo o desafio (por enquanto, pelo menos, pois ainda não li todos os contos). E gostaria de comentar a ironia embutida no enredo, uma vez que, como Beatriz morreu, podemos dizer que Nada a salvou. Muito bom.

    É isso. Boa sorte no desafio!

    • Matrioska
      16 de novembro de 2020

      Oi, André!
      Gratidão pelo comentário!
      Realmente pequei na revisão e até hoje estou chateada comigo mesma por isso, pois um texto deve ser entregue limpo. Serei mais cuidadosa de uma próxima vez.
      Sim, ironia que Nada tenha salvado Beatriz – de certa forma, em espírito; mas, de outra, mesmo sem intenção e indiretamente, encaminhou a menina de volta à família que a sufocou, culminando na morte de Beatriz. Também há ironia que a morte de uma tenha salvado a vida da outra, pois Nada, em virtude do acontecido, finalmente despertou para buscar realmente viver e não apenas sobreviver.
      Fico feliz que tenha gostado do conto!

  6. Paula Giannini
    12 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo: Trabalhadora tenta em vão auxiliar na “cura” de portadora de Síndrome de Cotard.
    Minhas Impressões:
    Este conto traz uma interessante e importante reflexão sobre o real papel das pessoas em nossa estrutura social. Se por um lado vive-se apenas pela (e para a) sobrevivência, dentro de uma engrenagem da qual não se consegue escapar, por outro, quem tenta fugir de tal mecanismo é tido como louco. Para tecer tal reflexão, entretanto o(a) autor(a) não lança mão de didatismos, e, ao contrário, brinda-nos com um belo conto, tanto no que tange a linguagem, quanto no que toca a trama.
    A cena da “boneca dentro da boneca” é fortíssima e traz, também, uma forte crítica social. Quem enlouquece e chega a se considerar morto por dentro o faz por espontânea vontade ou por terríveis pressões vividas em sociedade?
    Interessante notar que, se por um lado o texto acena com um certo ar de utopia, ao colocar a personagem Nada pronta a salvar a Morta Viva, e em certo sentido até o faz, por outro, o desfecho lança-nos a uma aterradora desilusão.
    Parabéns pelo ótimo trabalho.
    Como digo a todos, se acaso algo em minha análise estiver em dissonância com sua obra, apenas desconsidere.
    Desejo sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

    • Matrioska
      13 de novembro de 2020

      Olá, Paula!
      Gratidão por seu comentário!
      Linda sua análise! Refletiu sobre as mensagens nas entrelinhas do conto e fico sensibilizada por sua delicadeza e percepção!
      Muito obrigada pelas palavras e fico feliz que tenha gostado do conto

  7. Ana Maria Monteiro
    11 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: O conto narra a história do encontro e suas consequências entre Nada, uma empregada de limpeza, e Beatriz uma jovem que se encontra internada e sofre de Síndrome de Cotard. Nada, consegue trazer Beatriz de regresso à vida, mas ela acaba por tentar de novo, e desta vez com êxito, o suicídio.

    Comentário: O conto é belo e simultaneamente tenebroso, retratando verdades horríveis. Você, autor, possui grande sensibilidade e sentido estético e narrativo, sabe trabalhar as emoções, criar empatias e até conflitos internos no leitor. Pena não ter recebido uma revisão mais apurada (pressa em enviar?).

    Muitas vezes a doença mental instala-se na pessoa como forma de refúgio, fuga à realidade. Este foi o caso de Beatriz, menina que não tendo capacidade nem ambiente familiar propício, não conseguiu manter a sanidade perante tudo quanto lhe era exigido e ia contra a sua natureza (fiquei com a ideia de que seria homossexual “Que sua amiguinha se tornou o amor do seu coração.”) e também com os abusos sexuais de que foi vítima, precisamente por quem deveria prover a sua “salvação”. Pavoroso e recorrente.

    De forma muito hábil (apesar de Nada não se exprimir ao nível de quem tem uma licenciatura em letras, talvez ficasse melhor se esse fosse o seu sonho), Nada consegue estabelecer comunicação com a jovem Beatriz e recuperá-la para a vida através da catarse que se produz com a escrita.

    Perante o “milagre” da cura, a menina recebe alta do hospício e os pais levam-na de novo para casa aonde, perante a mesma realidade anterior, Beatriz se suicida.

    Talvez não tenha havido esse propósito do autor, mas noto que ao curar Beatriz, foi Nada quem ditou a sua morte, mas também a sua salvação e o único caminho que aquela mente torturada e sofrida, poderia receber como libertador.
    Um conto muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    PS: Lamento que o seu pseudónimo se vá perder no final do desafio.

    • Matrioska
      13 de novembro de 2020

      Oi, Ana!

      Gratidão pelo seu comentário!

      O envio do conto sem uma revisão melhor realmente me chateou – não enxerguei os erros, acredite. Talvez eu estivesse tão focada na história que me descuidei dessa parte. Preciso lidar com minha impaciência. Entregar ao leitor um texto limpo é muito importante. Serei mais cuidadosa da próxima vez.

      Ana, que bom ter o seu retorno…! Observo seus comentários na comunidade e estava na expectativa de sua análise; fiquei feliz que tenha gostado do texto.

      Sim, há a homossexualidade em Beatriz – você captou muito bem! E foi esse um dos motivos pelos quais os pais a encaminharam para o religioso que, infelizmente, cometeu violência sexual com fins de “corrigir” sua postura – “voltar a ser a boneca”.

      A questão da formação em Letras de Nada foi deixada (pelo menos assim pretendi) em aberto, se era uma realidade ou um sonho frustrado. Talvez tivesse sido melhor eu ter decidido entre as duas alternativas e ter sido clara nisso.

      Ah, Ana!! Você reparou que Nada, inadvertidamente, encaminhou Beatriz de volta à vida anterior dela (o que causou sua morte) e, de certa forma, responsável pelo destino da menina! Não sei se outra pessoa captou isso e não escreveu, mas você foi a primeira a levantar a lebre! Confesso que não foi planejado. Quando terminei o conto e li novamente o desfecho, tomei ciência desse aspecto! Fiquei a pensar se poderia ter explorado esse tocante – mas estava sem mais espaço no limite máximo de palavras. Então resolvi deixar em aberto.

      Agradeço muito sua análise, sua delicadeza e sensibilidade!

  8. Luciana Merley
    11 de novembro de 2020

    Olá, autor
    A comovente história do encontro entre uma portadora do transtorno delirante de Cotard e uma faxineira que era (é) para ser professora.
    IMPRESSÕES INICIAIS – Um conto com uma premissa muito impactante. Uma ideia muito boa para a composição de um texto cheio de significado. Um pouco mais longo e desorganizado do que o esperado.
    COESÃO – O primeiro apontamento que eu gostaria de fazer é sobre a presença de 2 pontos ou mais de tensão. Normalmente, um conto foca num só e todas as realidades periféricas corroboram, ampliam o foco principal. No seu conto, você começa atraindo o leitor para a sofrida e “injusta” trajetória de uma mulher chamada Nada. Isso por si só é uma história e tanto. Então você nos mostra que Nada pode ou não ser a protagonista, porque a história que se segue é muito mais impactante que a primeira. Ou seja, outro foco narrativo. Não estou sugerindo a supressão da vida de Nada, mas que as nuances da sua trajetória apareçam de modo menos explícito no decorrer do encontro, numa conversa e outra, na caracterização física dela, do trabalho dela etc.
    Outra questão é sobre o nome “Nada”. Numa fábula cairia bem, mas numa história da vida “real”, pareceu meio forçado, principalmente por que ele resume tudo numa palavra só, toda a percepção que o leitor DEVERIA absorver do que foi detalhado sobre ela.
    RITMO – As separações no texto quebraram o ritmo e não contribuíram em nada, na minha opinião. O texto, quando melhor editado (se assim você desejar), certamente enxugará muita “gordura”.
    IMPACTO – Gostei bastante, mais da ideia do que da execução. Posso estar enganada, e me perdoe por isso, mas percebi uma certa escrita “com o fígado e coração”, restando agora passar pelo crivo dos “cupins da mente”, atentos e exigentes. Drummond recomendava deixar o texto numa gaveta por uns dias e voltar a ele depois. Pergunta: eu faço isso sempre? Não. Mas não significa que Drummond não tenha razão. Uma última questão que, para mim leitora, é determinante do quanto aprecio um texto, é o cuidado que o autor teve para expressar pontos de vista e valores (como os do seu texto, louváveis) sem transparecer moralismo (o que percebi em algumas das suas linhas). Não aprecio a literatura como forma de vingança e não acredito que qualquer forma de verdadeira arte seja isso – vingança – por mais justa que a causa possa parecer. Veja, não quis dizer que você se “vingou” com seu texto. É apenas uma retórica geral.
    Espero ter contribuído um pouco para o seu belo trabalho. Um abraço.

    • Matrioska
      13 de novembro de 2020

      Olá, Luciana!

      Gratidão pelo comentário!

      É muito bom ver o leitor deitar o olhar sobre o conto e analisá-lo em pormenores. Li suas observações e refletirei sobre elas. Algumas discordo, porém sempre o contraditório é bom para reavaliarmos nossa postura.

      Pequei na revisão e isso tem me deixado muito chateada comigo. Lição aprendida para o próximo, com certeza.

      Realmente, escrevi com o coração esse texto. A sua sugestão sobre deixar o conto na gaveta, como se, digamos, maturasse, para depois voltarmos a ele é muito bom. Experimentarei essa prática. Acredito que dará bons resultados.

      Agradeço tua análise!

  9. Elisa Ribeiro
    11 de novembro de 2020

    Nada, formada em letras mas faxineira, trabalha a noite em um sanatório – para completar a parca renda com que sustenta família – onde se envolve com paciente e acaba conseguindo recuperá-la temporariamente.
    A história focaliza duas personagens bastante trágicas e se sustenta na empatia despertada por essas mulheres e no talento do autor para narrativas carregadas de emoção e sentimento. Há uma atmosfera interessante de fábula que se acentua pela escolha do metafórico nome Nada da protagonista. Gostei disso, uma singularidade que até o aqui no desafio só encontrei no seu texto.
    A introdução do conto não me agradou muito. Achei que a mão pesou nas metáforas e na escolha das palavras. Mas o texto ganha força no encontro das personagens deixando transparecer o talento do autor para criar personagens empáticos e seduzir o leitor com uma narrativa envolvente.
    A transição temporal para a terceira parte do conto me soou brusca. Pelo ritmo da segunda parte, talvez, a escolha por narrar os acontecimentos após o primeiro encontro das duas personagens em um parágrafo de retrospectiva no meio da terceira parte, me soou meio desconforme, se é que me faço entender com essa forma tortuosa de explicar minha impressão de leitura.
    O que não gostei: os problemas de revisão, por mais que digamos que não contribuem para a avaliação e tal, acabam impactando, sim, a experiência de leitura.
    O que gostei: adorei seu argumento e as cores fortes da sua narrativa.
    Parabéns pelo texto. Desejo sorte no desafio. Um abraço.

    • Matrioska
      12 de novembro de 2020

      Oi, Elisa!

      Gratidão pelo comentário!

      Realmente a primeira parte do conto – e apenas agora, com as análises dos leitores – tive a percepção que não ficou boa. Foi floreada mesmo. À época que escrevi, pareceu-me adequada, mas realmente pode ser muito melhorada. Já tenho uma ideia de uma reescrita desse trecho, inclusive com a diga do Pedro, que postou abaixo.

      Sim, o nome Nada é simbólico, dá esse ar de fábula e fico feliz que você tenha gostado desse aspecto no texto.

      Você não tem ideia de como fiquei furiosa por não ter feito a revisão como se deve…! Lição aprendida! É muito ruim passar para o leitor um texto que não esteja limpo.

      Sobre a parte final, percebo o que quer dizer. Tenho que refletir sobre isso… e é uma dica importante, pois estou pensando, após o desafio, reescrever esse conto, melhorá-lo com as sugestões aqui dadas e, quem sabe, participar de algum certame externo de textos não-inéditos.

      Suas sugestões e observações foram muito importantes para mim, bem como a dedicação em fazer essa análise. Obrigada!

  10. opedropaulo
    10 de novembro de 2020

    RESUMO: Duas pessoas mortas conversam entre si, pouco a pouco recobrando a vida que há uma na outra, enquanto expõem a frustração, o trauma e, principalmente, reconhecem que têm esperança. É a breve amizade entre Nada e Beatriz.
    COMENTÁRIO: Achei a premissa excelente. É um enredo simples, a força que ganha está no desenvolvimento da trama e na forma como foi escrita, com uma narração poética que brinca com as palavras e os significados. O texto vai estabelecendo metáforas que vão sendo retomadas e dão à interação entre as duas um caráter fantástico que é próprio da situação. Há certos momentos em que a narração perde força e agilidade pelo excesso de repetições (não falo do parágrafo de bonecas, em que se vê a primeira reação verdadeiramente emotiva de Beatriz, permitindo saber mais sobre os seus ferimentos. Este, especificamente, é um momento em que a repetição é razoável por acontecer num contexto de acaloramento) e floreio, além de alguns errinhos que foram destacados pelos nossos colegas e que, para mim, apesar de romperem com o fluxo de leitura, não desvirtuaram o conto. Narrativamente, achei a divisão em seções um pouco truncada, a primeira sendo densa e com o propósito claro de apresentar a personagem. Com esse objetivo singular, os parágrafos voltados a esse propósito pareceram demais, de modo que poderia ter sido escrito de forma mais direta e ligado logo à trama, ainda que traga informações pertinentes para o entendimento do texto (como o lugar em que a personagem trabalha e sua formação em letras). A seção do meio e a final são mais conectadas, a segunda dando desfecho à primeira e encerrando o conto com uma sensação agridoce. É trágico, mas nos deixa ter esperança de que Nada viverá uma vida melhor e faz do diálogo central valoroso, marcante para uma virada na trama (que, surpreendendo, não é aquela que imaginamos ser). Nada passa a viver com tudo.
    Boa sorte!

    • Matrioska
      12 de novembro de 2020

      Oi, Pedro!

      Gratidão pelo comentário!

      A questão da primeira parte do conto realmente tem me feito pensar. À época que construí esse trecho, pareceu-me bom e adequado, mas… realmente ele poderia ter sido muito melhor – e com as dicas que você forneceu. Acredita que na minha mente refiz, diante de suas observações, essa parte introdutória? Fiz uma simulação, digamos assim… e realmente daria mais agilidade ao conto.

      Confesso que a terceira parte do conto é a minha favorita…! Desejava fazê-lo com mais detalhes, o que poderia ter realizado se enxugasse a primeira parte. Mas fiquei feliz de ter dado um final aberto e promissor para Nada.

      Fico feliz que tenha gostado do conto!

      Seu comentário foi construído com delicadeza, atenção e propósito.

  11. Jefferson Lemos
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Uma mulher com uma vida sofrida conversa com uma paciente num hospital psiquiátrico e traz novas perspectivas para ela.
    Olá, cara autora!
    Achei seu conto muito leveza, uma leitura bem interessante e que flui sem muitos problemas. O conto precisa de um pouco de atenção na revisão, mas não fiquei muito incomodado enquanto lia. A narrativa foi bem conduzida, tratando de temas pesados, mas de uma forma descontraída em forma de diálogo. Gostei do uso do nome Nada, me remeteu às hqs de Sandman. E bem, eu entendo Nada, tô me formando em letras e talvez daqui a alguns anos eu encontre algum morto-vivo. Fato interessante é que eu pensei em falar sobre Cotard, mas desisti depois. Ainda bem, não sei se faria algo melhor do que você usando a mesma referência. Hahahhaha
    No geral, eu gostei da sua historia, escrita ágil e agradável.
    Parabéns e boa sorte!

    • Matrioska
      11 de novembro de 2020

      Olá, Jefferson!
      Gratidão por seu comentário!
      Pequei muito com a revisão mesmo. Serei mais atenta. Porém, fico feliz em que meus erros de digitação não terem te incomodado muito. É um alívio.
      Quis tratar o conto da forma mais leve possível diante da situação que é triste e tensa. O nome Nada surgiu enquanto essa personagem nascia ao escrever a história – gosto de significados de nomes, suas correlações no conto. Foi uma licença poética, digamos assim. Depois, como outra contista citou em comentário anterior, acabei por descobrir que Nada, na língua germânica, tem um significado (habilidosa), o que completou, de certa forma, a função da personagem no conto.
      A Síndrome de Cortad apareceu por acaso enquanto fazia uma pesquisa e me encantei com o argumento para me basear no conto. Ah, gostaria que tivesse feito o seu também acerca dessa patologia…! Seria muito interessante ver qual caminho seguiria! Depois me conte qual a ideia que você desenvolveria. Fiquei curiosa!

  12. angst447
    10 de novembro de 2020

    RESUMO
    Nada, com formação em Letras, trabalha como a faxineira em uma clínica psiquiátrica. Conhece Beatriz, uma interna que acredita estar morta e com o corpo apodrecendo dia após dia. As duas conversam e Beatriz conta sobre a sua triste vida, sendo rejeitada por ser quem é, violentada fisicamente e psicologicamente, o que a levou a tentar se matar. Nada consegue convencer a nova amiga a escrever suas memórias, e após um breve período, desesperada por antever novas violências, Beatriz acaba se suicidando. Nada espalha o relato de Beatriz durante o seu enterro.
    AVALIAÇÃO
    Antes mais nada, quero dizer que me identifiquei com você, autor(a). Pela sua impulsividade em escrever, a pressa em tirar da cabeça as ideias e se livrar da culpa de rete-las por tanto tempo. Claro que isso tem um preço, a revisão fica largada em segundo plano. Os tropeções na digitalização podem incomodar a muitos, mas não acho que sejam o mais importante aqui. De qualquer modo, uma revisão mais apurada me parece ser uma boa ideia para valorizar ainda mais o seu conto.
    Meu pai teve uma amiga de adolescência chamada Nada. Era de uma outra nacionalidade, mas esse era seu nome mesmo. Fui pesquisar agora e olha só o que eu achei:
    Qual a origem do nome Nada: GERMÂNICO
    Significado De Nada: HABILIDOSA
    E não é que a sua Nada foi mesmo habilidosa com as palavras e convenceu Beatriz a registrar suas memórias para que algo dela se mantivesse vivo?
    Mesmo que essa não tenha sido a sua intenção, e o nome Nada tenha sido escolhido apenas para fazer um trocadilho, achei válido. Beatriz estava apodrecendo e Nada se sentia assim: um nada.
    A descrição do estupro foi feita de maneira muito sutil e ao mesmo tempo impactante… o que está nas sombras das palavras, muitas vezes, emerge com mais força.
    O ritmo do conto é bom, apesar do começo estar um pouco truncado. No geral, gostei da forma como a narrativa foi conduzida, com um toque de poesia e leveza, mesmo tratando de um tema denso e complexo.
    Boa sorte e que a inspiração sempre renasça.

    • Matrioska
      11 de novembro de 2020

      Olá!
      Gratidão pelo seu comentário!
      Você me descreveu com precisão! As ideias pulam e os dedos não acompanham com a mesma intensidade e correção. Realmente, vejo que devo ser bem rigorosa na revisão, haja vista essa minha profusão de sentimentos a serem digitados.
      Gosto muito de nomes e símbolos, seus significados e como se encaixam no texto. Inicialmente, quando surgiu a ideia do nome Nada, foi para realmente representar a vida da personagem. Mas… rs. Eu procurei o significado do nome, sim, e encontrei o mesmo que você, o que me fez mais feliz – Nada – habilidosa – complementou coincidentemente o significado que quis dar a ela.
      Quanto ao começo, você vem ratificar o que outros contistas chamaram a atenção e estou realmente vendo que pesei a mão no início (ficou rebuscado) e também poderia ter ido um pouco mais direto à historia em si.
      Muito obrigada por sua gentileza e observações… e também sua delicadeza.

  13. Misael Pulhes
    6 de novembro de 2020

    Olá, “Matrioska”.

    Resumo: Nada é mãe solteira e trabalha em dois empregos apenas para sobreviver. Sua vida ganha um toque especial quando, num dos seus trabalhos, conhece Beatriz, uma “morta viva”.

    Comentários: eu me alternei em vários momentos entre “ah” de exultação e “ah” de descontentamento. O conto, no mínimo, tem bom potencial. A autora é boa, sabe escrever, contou uma bela história, com sensibilidade… o início do conto e a frase final da primeira seção, que gera um suspense, são muito bons.

    No entanto, eu tive alguns problemas durante a leitura. Primeiramente, o excesso de erros gramaticais/ortográficos e frases com palavras faltando – em suma, falta de acabamento.

    Segundo e principal, eu achei que houve alguns momentos muito forçados, quase infantis que destoaram de uma escrita tão sensível no geral. Exemplifico com a antítese vida e morte que, de poética, passou quase pra um trocadilho que fazia o texto fugir da sua atmosfera: “Nada riu. Era a conversa mais instigante que tivera há tempos, onde havia vida em alguém que pensava estar morta”. Essa frase final me soa “boba”. E: “… ali pulsavam as palavras nos cadernos originais da morta mais viva do que os vivos, impulsando Nada a ser tudo”. Aqui dois trocadilhos pra finalizar o conto. Fica parecendo o fina de uma fábula infantil – o que não seria problemático se todo o texto caminhasse nessa estética.

    Por fim, o nome da personagem: “Nada”? Só a troco de permitir trocadilhos existenciais?

    Parabéns pela sensibilidade e por momentos tão bons no conto. Boa sorte!!

    • Matrioska
      7 de novembro de 2020

      Oi, Misael!

      Gratidão pelo seu comentário! Fico feliz em ver que se dedicou a ele, expondo o que gostou e o que não gostou do conto com objetividade e gentileza.

      Pequei na revisão e estou irritada comigo…! Um texto limpo é necessário e falhei nisso. Em uma próxima vez, dobrarei minha atenção.

      Concordo com o trocadilho final – a chave de ouro precisava ter sido melhor elaborada. Quanto às outras questões, embora eu discorde de você, é importante eu refletir e o farei.

      Gostaria de esclarecer sobre o nome “Nada” : ele surgiu não no início do texto para criar os diálogos e sim em seu desenrolar, quando percebi que a vida que criei para essa personagem era isso mesmo: nada. Sem futuro. Sem um presente que realmente usufruísse. As falas e reflexões sobre o nome foram acrescentadas apenas após o batismo.

      É muito bom encontrar comentários como os seus, sinceramente.

  14. antoniosbatista
    6 de novembro de 2020

    Resumo: Faxineira de um sanatório, conversa com uma paciente que se considera morta. Durante a conversa, ela descobre o que aconteceu com a garota e pede para ela escrever sua história e distribui as páginas escritas durante o sepultamento da jovem revelando toda a história.

    Comentário: Achei uma boa ideia, um bom argumento. A autora construiu com precisão e habilidade as conexões simbólicas que unem a faxineira e a garota morta-viva. Frases elaboradas, com pequenas falhas que não prejudicaram a compreensão. Não gostei das primeiras frases; “A vida vinha em migalhas (bons momentos) estilhaços de sonhos (pequenos desejos) colhidos com sofreguidão (felicidade efêmera) para sustentar o corpo de passarinho (pessoa baixinha e magra) e alimentar a alma encolhida (?) “ A segunda frase é bem esquisita. A partir do terceiro parágrafo, a narrativa se torna melhor, mais organizada e clara. Você tem talento para criar frases elaboradas, mas precisa ter calma e não concluir precipitadamente. Leia e releia o texto, medite sobre o sentido figurado e o sentido lógico das palavras, se elas se combinam, se tem uma boa sonoridade. A sonoridade das palavras também é importante para uma leitura fluida e agradável. Você se precipitou na conclusão e os errinhos provam isso. O conto é bom, é uma ótima ideia e merece uma boa nota. Boa sorte.

    • Matrioska
      6 de novembro de 2020

      Olá, Antonio!

      Gratidão por seu comentário!

      Você colocou de forma objetiva e, para mim, muito reflexiva a questão das frases iniciais. Eu havia gostado quando as escrevi; porém, da maneira que você expôs, realmente me faz pensar que poderia tê-las construído melhor.

      Seguirei seu conselho no apuro da elaboração dessas orações. E, novamente, agradeço suas observações. Foram muito importantes para mim.

  15. Regina Ruth Rincon Caires
    4 de novembro de 2020

    O aquém, o além e o aqui (Matrioska)

    Resumo:

    A história da faxineira (Nada), mulher sofrida, que encontra uma paciente do sanatório, Beatriz, iniciando uma luta para ajudar na recuperação da “doente” (morta viva).

    Comentário:

    Inicialmente, faço o registro do encantamento que este texto me proporcionou. Uma beleza de conto, uma pérola.

    O autor inicia a narrativa com dureza, com espinhos. E, bem situada a personagem Nada, entra na poesia que ela traz. Pura suavidade, a imersão da personagem no mundo irreal de Beatriz é escrita de puro talento. O pensar no que dizer para não quebrar o limite do mundo da “doente” e não provocar o rompimento da linha condutora da interação com ela, o trabalho do autor é de uma sutileza magistral. E emociona. Perceber o olhar na parede branca, a lembrança da “viagem” da infância, o participar da vida/morte entrando na fantasia do submarino amarelo que leva para Andrômeda, o passeio na lua. Olhe, coisa de gigante.

    Percebi erros apenas na digitação, aqueles deslizes que a gente comete quando vai consertar uma palavra e, na ligeireza do raciocínio, deixa de colocar outra. Não é erro de escrita, percebe-se que foi erro de digitação. E isso é nada. Absolutamente nada diante da grandeza do texto. Obrigada pelo presente, que leitura fascinante…

    Parabéns, Matrioska, você me emocionou! Parabéns pelo lindo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Matrioska
      4 de novembro de 2020

      Oi, Regina!

      Suas palavras aqueceram meu coração ! Fico tão, tão alegre que a história tenha te emocionado…! É a felicidade para quem escreve ver quem lê tocado.
      Sim, os erros foram exatamente como descreveu.! Quando enviei para publicação e percebi que minha revisão foi falha, me enervei comigo… vou prestar mais atenção.

      Você é muito gentil e generosa. Gratidão!!

  16. Priscila Pereira
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Uma funcionária da limpeza de um hospício conversa com uma interna que pensa estar morta.

    Olá, Matrioska!
    Que conto forte! Achei extremamente filosófico e se tivesse uma revisão mais apurada, seria perfeito. Você conseguiu me introduzir no ambiente, me senti sentada ao lado de Nada e Beatriz, ouvindo horrorizada a história da pobre moça.
    Foi muito difícil pra mim ler a parte onde é contado do estupro, porque pela minha experiência isso parece uma coisa totalmente sem cabimento e injusta contra as igrejas e os fiéis, mas eu sei que acontece isso e coisas ainda piores, eu sei e isso é tão grotesco e inadmissível… E você escreveu quase de forma totalmente neutra, sem colocar todos os religiosos no mesmo saco, o que seria injusto.
    Eu gostei demais do conto, como já disse, com uma revisão mais apurada ele seria perfeito!
    Parabéns e boa sorte!
    Até mais!

    • Matrioska
      4 de novembro de 2020

      Oi, Priscila!

      Realmente pequei na revisão! Sabe quando você lê, lê e relê o texto e não vê as falhas de digitação? Tenho que ter mais atenção mesmo.

      Sim, é um conto forte… Sei que é um tema delicado o estupro, ainda mais com o envolvimento com religiosos. Procurei mostrar o que desejava, sem generalizar esse tocante porque generalizar é indevido, tanto nessa questão como em tudo. Tenho satisfação que tenha me dado esse retorno. É bom saber que o cuidado teve o efeito desejado.

      Também fico muito feliz que tenha gostado do conto. Gratidão!

  17. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    4 de novembro de 2020

    A interação entre uma funcionária de limpeza de um manicômio e uma interna suicida.

    Serei franco, o primeiro parágrafo parece indicar um texto que naufragou em si mesmo antes de começar. Um jogo retórico perdido e que não diz nada com nada. Um pecado para o primeiro parágrafo, um pecado que muitas vezes o leitor não perdoa.

    No segundo parágrafo, o autor parece ter percebido que precisa construir a trama e o texto acaba começando realmente no segundo parágrafo, após o vácuo intelectual do primeiro. E é a partir do segundo parágrafo que o autor nos mostra que sabe escrever, que escreve bem e é capaz de desenvolver uma boa história. O texto prossegue nos contando uma história melancólica, que apela às misérias humanas. Há a valorização do sentimentalismo.

    O texto segue longo, com diálogos que me soaram desinteressantes pela banalidade que exibiam diante da pretensão do tema. Sugiro ao autor uma revisão, não dá construção, mas do conteúdo. O conteúdo precisa atender as exigências de uma boa ideia.

    Um detalhe que tenho percebido em muitos textos é o uso do palavrão, do impropério como tentativa de naturalizar o diálogo. Vejo como um erro. Mal utilizado, o palavrão não naturaliza o diálogo, mas compromete o texto inteiro. É preciso cuidado ao ceder às tentações da fala.

    O final é bacana, mas ficou solto dentro de um oceano que poderia ser enxugado para oferecer mais eficácia à ideia.

    Desejo sucesso.

    • Matrioska
      4 de novembro de 2020

      Oi, Alexandre!

      Não concordo com sua opinião sobre o conto. Gostei de fazê-lo, tanto o argumento quanto o desenvolvimento. Não é o melhor que escrevi, mas eu o acho bom.

      No entanto, sempre considero o contraditório organizado e fundamento, como o seu, um motivo para eu refletir, a fim de aprimorar minha escrita.

      Gratidão por suas observações

  18. Leandro Rodrigues dos Santos
    3 de novembro de 2020

    Paralelos de vida, uma dita louca e outra que vive uma vida (presa) a loucura. No entanto seus mundos se colidem e trocam observações;

    Não consegui terminar de ler, parei em um parágrafo com oito repetições da palavra ‘boneca’ (aí dispersou totalmente minha atenção, não consegui continuar, pareceu desleixo. Há erros de todas as formas: pronominais, verbais e até de digitação… Sugiro que faça uma leitura em voz alta para limpar o texto), até então um misto de reflexões banais sobre o que é loucura, se o dito louco ou o modo que se vive. No geral, não gostei.

    • Matrioska
      3 de novembro de 2020

      Leandro, boa tarde!

      Sim, pequei na revisão. Deveria ter tido mais atenção. Agradeço a observação

      Que pena que não terminou de ler. Acho que teria entendido se tivesse chegado até fim. E, mesmo que não tivesse gostado tendo lido tudo, ao menos poderia ter a história completa apreendida, até para criticar com base e argumentos.

      A repetição da palavra boneca foi proposital – é um estilo que se pode usar adequadamente, para realçar determinada situação.

      Cada um tem o seu gosto e respeito isso. O que me deixa triste em seu comentário não é não apreciar o texto, mas não ter lido até o fim, como respeito a quem escreve. Também já encontrei vários textos neste desafio que não gostei, mas respeito o trabalho de quem escreveu e os leio até o fim.

      De qualquer forma, gratidão.

      • Leandro Rodrigues dos Santos
        3 de novembro de 2020

        Nem só a palavra boneca foi repetida exaustivamente [inúmeras], o texto claramente não foi revisado, não foi lapidado. Dizer que é recurso, é complicado.
        Fiz vista grossa aos erros com um esforço tremendo pra tentar terminar, porém não consegui…
        …Não terminei de lê-lo pelo simples fato de que nem você o leu direito, se o tivesse feito, quero acreditar que o texto estaria minimamente melhor.

    • Matrioska
      3 de novembro de 2020

      Leandro,

      Não vou entrar em bate-volta contigo. Já percebi o que está acontecendo e o que deseja provocar.

      Mais uma vez, gratidão.
      Vida que segue.

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    2 de novembro de 2020

    Resumo

    Nada, uma faxineira em um hospício, começa a conversar com uma paciente que julgava estar morta, apodrecendo após uma tentativa de suicídio. Elas conseguem manter um vínculo afetivo, o que leva a paciente a melhorar, mas não impede que ela tente o suicídio novamente.

    Comentário
    Que texto lindo, sensível. Ao mesmo tempo que traz uma mensagem de amor, força, coragem e esperança, traz uma reivindicação, chamando a atenção para assuntos como o estupro, o abandono, a obrigação de sermos todos igualmente obedientes.
    Interessante como você conseguiu se aprofundar em duas personagens, o que tornou difícil determinar qual delas é a protagonista. Cada uma tem sua história, suas dificuldades e creio que você tenha mostrado isso tanto para conquistar a nossa empatia como para justificar a sinergia entre elas. Belo trabalho. Gostei bastante. Parabéns.
    O texto é muito bem escrito, com poucos deslizes na revisão. Citaria apenas: “fosse (fossem) os mortais que a evitavam”
    Entendi a sua escolha pelo nome Nada, mas ele causou confusão em alguns trechos, como “Nada conteve o ímpeto de fugir dali”
    No enredo está muito bem amarrado, só não entendi direito o porquê dela ter tentado o suicídio novamente se ela julgava já estar morta. Isso não ficou claro para mim.
    Vou dar um pitaco no seu título. Não seria melhor, O aquém, o aqui e o além?

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Oi, Fernanda!

      Incrível mesmo o protagonismo se dividir nas duas personagens na trama! Em princípio, a protagonista seria Beatriz, mas Nada ganhou vida à medida que fui escrevendo. A bem da verdade, ao longo do texto, creio que o envolvimento das duas é que se tornou o centro da trama.

      Gosto muito da escrita. Por vezes, ela toma a condução do enredo, quase como uma entidade alheia a quem escreve.

      Pequei mesmo na revisão. Tomarei mais cuidado em uma próxima vez.

      Quanto à questão de Beatriz que você levantou, ocorreu o seguinte: como ela começou a externar seus traumas na escrita, começou a comer, beber, sentir dor, “fingir-se de viva” , no fim das contas, como Nada pediu, ela voltou, de certa forma, “a viver”. E, retornando à casa dos pais e à toda opressão de sua existência naquela família, não suportou e cometeu o suicídio. Seus pais nunca a enxergaram realmente, a não ser a boneca que criaram. E Beatriz não suportaria mais a ser uma.

      Quanto ao título, O aquém, o além e o aqui, há um motivo para essa ordem. Quis salientar o “aquém” (a vida de Nada), o “além” (a vida de Beatriz) e o “aqui”, como a verdadeira vida que elas buscavam.

      Gratidão pelo seu comentário! Fico muito feliz que essa história tenha te comovido!

  20. Fheluany Nogueira
    2 de novembro de 2020

    O encontro de uma mulher simples e uma interna no manicômio. De forma sincera, conversam sobre a vida, seus destinos e se ajudam.

    Trama comovente, simples, mas com uma mensagem final de esperança e positivismo. O lado de dentro das personagens é feito de imagens que vêm de fora. Em si mesmas podem parecer prosaicas, mas fazem o leitor sentir e ressentir as figuras do mundo como se fossem vistas pela primeira vez. Uma história densa, viva que, às vezes apavora e às vezes encanta.

    Título sonoro e sugestivo, hábil uso das palavras. Parabéns pelo trabalho. Um abraço.

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Olá, Fheluany!

      Gratidão pelo comentário e elogio! É reconfortante e gratificante receber o retorno de quem lê. Você se comover e se envolver na história é fantástico para mim.

  21. Fabio Monteiro
    2 de novembro de 2020

    Resumo: A vida de uma mulher presa dentro de um hospicio, ausente de auto estima e diagnosticada com sindrome de cotard. Ela encontra na amizade que fez com outra interna razões para desejar viver novamente.

    Conturbado. Desafiador. Instigador.
    Até da lama surgem flores lindas.

    A fragmentação da personagem vendo-se como uma boneca que nao se deixou ser dominada vem de encontro a realidade frágil que vivenciamos.
    No fundo…bem la no fundo…somos controlados…seja pelo sistema, seja pela sociedade, seja pelas nossas familias. Somos objetos nas maos de alguns, nao importando em que momento.
    Pelo menos, a protagonista parece nao ter se deixado controlar pelos que nao fizeram nada pela sua vida. Alias, talvez esse seja o motivo de seu nome ser NADA.

    Conto muito criativo. Da margem para muitas interpretações.
    Tem pequenos erros na escrita, mas não causam demérito. A narrativa é realmente muito intensa.

    Boa Sorte.

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Oi, Fabio!

      Somos, infelizmente, manipulados e entregues às rédeas de outrem e seus valores por vezes em nossas vidas. No entanto, podemos (e devemos) perceber e nos libertar.

      Nesse conto, Nada, uma trabalhadora, uma faxineira, oprimida pela miséria, tinha sua vida controlada pela subsistência e não queria pensar para sofrer. Quando confrontada com Beatriz, a interna que pensava estar morta, despertou dessa existência automática. Beatriz, que enlouquecera para fugir da vida oprimida pelos seus pais, sociedade e religião, também desperta (em termos) com a ajuda de Nada.

      São duas formas de fuga – a apatia e a insanidade, respectivamente.

      Pequei na revisão. Terei mais cuidado na próxima vez.

      Gratidão pelo seu comentário e elogio!

  22. Sábia
    2 de novembro de 2020

    Resumo : Nada vivia em empregos que não lhe traziam satisfação. Até que conheceu uma paciente de hospício que afirmava estar morta e o destino trouxe benefícios para as duas. Infelizmente a paciente se mata porque seus familiares não entenderam que sua melhora não significava cura e falta de dor.
    Comentário : Amei o texto.Nunca li nada parecido.Percebi pelo texto que viver sem sonhos, no piloto automático é uma forma de loucura.

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Oi, Sábia!

      Viver no piloto automático, por muitas vezes, é uma maneira de sobreviver face à opressão, que se apresenta em várias formas para cada um. Sim, é uma forma de loucura, pois a vida é muito mais. Quero acreditar – e por isso o conto termina com Nada despertando para realmente viver – que se chega a um momento que fica insuportável (sobre)viver, apenas existir e se decide viver.

      Os pais de Beatriz nunca a entenderam. Queriam que ela fosse nos moldes estipulados por eles. Jamais a enxergaram como ela realmente era.

      Gratidão pelo comentário e o elogio!

  23. Mac Brava
    2 de novembro de 2020

    Resumo: Uma faxineira de um hospício, encontra uma paciente que já se sente morta e vê a vida nesta perspectiva, até a sua morte verdadeira. Reflexões profundas sobre a vida e a morte, a loucura e a ludidez.

    Matrioska,

    O sanatório foi o local que vocês se encontraram, verdadeiramente.
    O cemitério o fechamento desta página, tão bem escrita, emocionada, sensível.
    Para mim, perfeito. Parabéns!

    • Mac Brava
      2 de novembro de 2020

      Revisando: (olha a aula recebida aqui)

      Reflexões profundas sobre a vida e a morte, a loucura e a lucidez.

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Mac, gratidão pelo seu comentário!

      Tocar a alma do leitor é um presente para quem lê. Nada e Beatriz se encontraram na oportunidade do acaso e fizeram dele seu destino, cada qual redimida (mesmo tragicamente) de suas dores.

  24. Almir Zarfeg
    1 de novembro de 2020

    Resumo:
    Texto narra o encontro (marcado) entre uma faxineira, Nada, e uma interna, Beatriz, num hospício.

    Comentário:
    O texto é simplesmente uma delícia de se ler e apreciar, graças ao fato de a narrativa ser conduzida com habilidade e sensibilidade pela autora. O encontro entre Nada e Tudo, digamos assim, surpreende em todos os sentidos (literários, existenciais e humanos). Incentivada pela faxineira, a paciente por fim resolve botar no papel sua história que reúne, ao mesmo tempo, dores, tristezas e um desabafo que irá causar no seu velório. Na verdade, as duas personagens se veem realizadas ao final do enredo. E os leitores agraciados com uma belíssima (tristíssima) história. Parabéns à autora!

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Olá, Almir!

      Agradeço teu comentário e fico contente que ele tenha te tocado. As reações do leitor são um retorno tão importante para quem escreve pois, apesar de termos gosto em escrever e o fazemos para realizar nossa imaginação, o feedback de quem lê é o que tanto se deseja!

      Sim, Nada e Beatriz encontraram se realizaram em seus destinos, mesmo de forma melancólica.

      Gratidão por tua sensibilidade!

  25. Leda Spenassatto
    31 de outubro de 2020

    Duas jovens mulheres descobrem juntas no Sanatório que a opressão e a religião, além de destruir sonhos é capaz de matar .

    O aquem, o além e o aqui, é ótimo.
    Me senti igual a Nada, divaguei por suas entrelinhas até me separar com Beatriz, aí me vi cheia de ressentimentos e dessasosego. Gostei muito da comparação que você fez aqui.
    ‘O filho da puta com uma bíblia enfiada no sovaco.’
    – Foram eles que pediram para que o diabo que falava de Deus me consertasse’
    Concordo com Beatriz, tudo o que é em excesso pode ser ruim.
    Esse parágrafo, para mim , ficou muito intrometido, desnecessário, ou melhor poderia ser revisto. Quem sabe trocar as perguntas.
    ‘Nada continha a esperança, ocultando-a cuidadosamente dentro de seu peito. Será que conseguira? Será que Beatriz poderia retornar à sanidade? Vomitar toda sua dor no papel… Voltar a alimentar o corpo, sentir o prazer da comida, perceber na pele o mundo que havia abandonado. Dar as costas para o caminho do caixão e retornar a viver, para ser a Beatriz que sempre quis ser? Apertou com força o caderno e caneta em sua mão estendida no ar. Pegue, Beatriz. Aceite. Volte a viver por você’
    Adorei o seu conto ele é sensível, é real , é presente e passado, e principalmente atual.
    Boa sorte!
    Abraços!

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Oi, Leda!

      Atingir o leitor é uma das recompensas maiores para quem escreve e ver o teu post é fantástico, pois você teve empatia com as personagens e caminhou por elas.

      Talvez o parágrafo que citou tenha sido a mais. Quis colocar um pouco dos pensamentos de Nada, a posição dela, porém poderia ou não ter posto essas palavras. Tuas observações são importantes e lembrarei delas em um outro conto.

      Gratidão, Leda!!

  26. Bianca Cidreira Cammarota
    31 de outubro de 2020

    Olá, Matrioska!

    O conto versa sobre o encontro entre uma faxineira e uma interna no manicômio, onde acabam se revelando uma à outra suas dores e partilhando seus destinos.

    Gostei muito de seu texto! Ele é simples, sensível e mostra, de forma humana, duas pessoas buscando, mesmo sem saberem, um caminho para serem, de alguma forma, felizes.

    Logo no início, após a apresentação da personagem Nada (que, ao mesmo tempo define sua vida, mas guarda uma grande promessa de ser tudo), há o encontro entre as duas moças.Nada se comove com a situação da menina que pensava estar morta e, quando reflete como ela pode ser serena se sua vida é controlada (a da paciente), no fundo está falando de si mesma. Esse, ao meu ver, foi o gatilho para se criar inicialmente a empatia com Beatriz.

    As duas se despojam gradualmente de suas defesas e, nas frases loucas que expressam suas desventuras, firmam um contato humano tão sincero que me comoveu.

    O final me pegou de surpresa, não pela morte de Beatriz, o que eu imaginava poder acontecer, mas pelo despertar de Nada quanto à sua própria existência. A cena das páginas da vida de Beatriz sendo jogadas para serem reveladas ao mundo e a expressão de ira justa e energia de Nada conquistaram meu espírito.

    O texto tem falhas de revisão. Há uma necessidade de aprimorar as técnicas de linguagem para melhor expressar sua sensibilidade, Matrioska. E espero te ver aqui novamente em outros desafios.

    Conto lindo, comovente, humano!
    Abraços

    • Matrioska
      2 de novembro de 2020

      Olá, Bianca!

      A cena das páginas jogadas ao ar… Sim! E gostaria de ter tido espaço para poder descrever mais sobre o episódio.

      Realmente, minha revisão foi falha e que bom que os erros que escaparam não quebraram o encanto do conto para você.

      Fico muito, muito feliz que o escrito tenha te comovido. Era o que mais quis quando construí o conto.

      Gratidão !!!

  27. Matrioska
    29 de outubro de 2020

    Olá, Thiago!

    Gratidão! Suas palavras me reconfortam, me dão ânimo e me incentivam a melhorar! Realmente ando com desatenção ultimamente e preciso impor mais primor na revisão! Agradeço e peço que sempre me aponte onde necessito melhorar, com essa delicadeza e gentileza que me fazem sorrir.

    Confesso a você que, originalmente, a história seria outra e que o limite de 3.000 palavras me levou a mudar o texto à medida que eu o escrevia. Quando chegou o momento do desenlace, percebi que pouco espaço eu teria e tive que suar para sintetizar o final, já que eu não podia mais enxugar a apresentação e o desenvolvimento (não imagina a ginástica necessária para cortar parágrafos, expressões…rs). Respirei fundo e transmiti, na medida do limite de palavras que me restou, o final que criei.

    Fico alegre por ter conseguido criar e tornar perceptível a química entre as personagens (e, por isso, o diálogo ocupou a maior parte do conto), já que percebo ser meu calcanhar de Aquiles a construção da empatia das personagens através do diálogo. Que bom que alcancei o objetivo dessa vez!!

    Mais uma vez, gratidão por sua gentileza no comentário!

    • Thiago de Castro
      29 de outubro de 2020

      Que isso! Somos todos aprendizes na escrita. Seu texto tem alma, e isso ficou evidente. O limite do desafio te ajudou na concisão, deu um resultado bacana! Muitas vezes o conto pede para acabar, e o seu, o fez no momento exato, com otimismo e sensibilidade!

      Grande abraço!

  28. Anderson Do Prado Silva
    29 de outubro de 2020

    Resumo:

    O conto retrata uma linda amizade entre uma faxineira e um interna de um hospício.

    Comentário:

    “No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas, a simplicidade é a suprema virtude.” (Henry Wadsworth Longfellow) E este conto é a mais perfeita demonstração disso!

    Neste desafio, já li textos com muito mais aprumo técnico que não passaram nem perto de me arrebatar tanto quanto este aqui! Na verdade, este é o primeiro conto do desafio que me comoveu! Ele retrata uma lindíssima e improvável amizade entre uma faxineira e uma interna de um hospício!

    Temi muito o aparecimento de textos ambientados em hospícios, mas quando, finalmente, ele apareceu, amei!

    Adoro pessoas reais! Chamo de reais todas aquelas que se aproximam da massa do povo brasileiro: uma gente pobre, cujas vidas se resumem a trabalhar, cuidar da própria casa, cozinhar e dormir. Esse é o povo. Essas são as gentes. O que sobra é exceção, obra de intelectuais e acadêmicos, distante em muito da realidade, gente da elite social e econômica, que só representam eles mesmos e, não, a massa do povo. Não que exista tipos humanos mais dignos de serem retratados na literatura que outros, no entanto, não posso admitir que aqueles que, justamente representam a maioria da população, encontrem tão pouco espaço na literatura (tanto em termos de representação quanto de produção).

    Aliás, aprendi muito mais sobre literatura com Evaristo Conceição do que com Clarice Lispector. Aprendi muito mais sobre poesia com a prosa de Carolina de Jesus do que com os poemas de Álvares de Azevedo. E, extrapolando os limites da literatura brasileira, aprendi muito mais sobre o significado da vida e da arte com “O pequeno príncipe” do que com todos os ensaístas, tratadistas e religiosos da história da humanidade reunidos. “O pequeno príncipe” humilha e envergonha o tomo espesso d’Os miseráveis.

    Neste seu conto, encontrei, praticamente pela primeira vez neste desafio, gente de carne e osso, e tripa e sangue, gente que cheira e que fede, gente que é tudo mesmo sendo Nada. Nada, que promoção de uma palavra!, que próprio auspicioso! Resume tudo: a vida, a religião, a filosofia, a arte! Tudo! Neste seu texto, nada foi deixado de fora: estão aqui a filosofia, a religião, a sociologia!

    Você não tem, autor, o mesmo aprumo técnico de outros autores deste desafio, o que não lhe impediu de, junto a mim, angariar nota mais alta do que a maioria deles, porque você me comoveu, me sensibilizou. Seus personagens (em resumo, apenas dois, mesmo um deles não sendo Nada e, justamente por isso, e com mais razão!, sendo tudo), seus personagens não são ascéticas criações de laboratório literário.

    Esse seu texto possui potencial para se tornar uma novela ou romance! É claro que você precisa melhorar um pouco sua técnica (quanto a isso, tenha mais paciência na revisão e encontre e confie em bons leitores betas), mas, depois disso, você tem aqui um ótimo enredo. Depois que a faxineira entrega os cadernos para a interna, faça um corte no seu texto. A partir daí, sua novela ou romance será sobre a vida atribulada da interna. Apenas ao final, retorne ao enredo do conto, trazendo a cena do enterro. Ficará lindo! Ao longo do texto, vá trazendo de volta a faxineira, pois ela não poderá ser relegada, já que, com esse nome, Nada, ela é seu grande trunfo, seu tudo!

    Parabéns pelo texto! Boa sorte no desafio! E obrigado por ter me comovido!

    • Matrioska
      29 de outubro de 2020

      Olá, Anderson!

      Quando li seu comentário, a emoção tomou conta de mim e meu corpo ficou todo arrepiado. Ainda me encontro sob o efeito de suas palavras… Você não tem ideia do efeito de suas palavras no meu ânimo, na minha autoestima, bem como também na necessidade de eu melhorar a escrita em termos técnicos.

      Não vou me delongar muito aqui, pois acabarei, inadvertidamente, entregando minha identidade. O que desejo e farei é falar contigo com meu eu verdadeiro, após o término deste desafio, a fim de expor toda a minha emoção para você e te agradecer de forma mais clara, sem amarras do anonimato.

      O que posso dizer agora é que realmente minha atenção anda difusa e preciso de maior cuidado na revisão do texto, como você colocou. Procurarei me aprimorar nesse tocante, pois é muito ruim quando eu, após publicar o texto, enxergar várias falhas ortográficas que não costumo fazer.

      Gratidão! Gratidão. Por muitas vezes, não temos consciência do bem que fazemos aos outros através de palavras. Espero que você saiba o bem que me proporcionou.

  29. Angelo Rodrigues
    29 de outubro de 2020

    Resumo:
    Mulher simples, de nome Nada, que luta pela vida com grandes dificuldades, depara-se com uma garota – Beatriz – que sofre de uma doença, imaginando-se morta. A partir daí, as duas estabelecem uma conversa de cunho filosófico sobre a vida e a morte, estar vivo ou estar morto. As consequências daquilo que nos cercam.

    Comentários:
    Gostei bastante do conto, que é sensível e inteligente.

    Sob o aspecto cênico, o autor arranjou um ambiente buscando tornar possível dialogar acerca da vida e da morte, das pressões sociais que buscam modelar a personalidade e o comportamento dos filhos, e o faz com bastante segurança.

    Gosto muito de temas como o abordado neste conto que agora comento.

    Ao contrário de dois contos anteriores que falam acerca da pobreza / miséria, neste, a pessoa que a vive busca dar uma virada na sua condição social. Não há erros ou acertos em ser de uma forma ou de outra, relato apenas as duas visões abordadas, o que é bastante interessante e enriquecedor.

    Para não dizer que só falei de flores – não veja como demérito, mas como elemento de percepção para ações futuras -, os diálogos, que embora bastante lúcidos, me pareceram um pouco poéticos além da conta. O fato de Beatriz ser quem era, uma menina sensível, acabou por dar a ela um manto filosófico de profundidade especial. O mesmo se deu com Nada.

    Aí, de certa forma, na minha visão, residiu o excesso. Falo, basicamente, do que chamo de arranjo de conveniência cênica, onde o encontro de pessoas, ambientes, etc. são construídos pelo autor para amparar um evento, deixando, entretanto, um rastro que não é natural ou de coincidência, mas de conveniência para que algo aconteça.

    Digo com isso que há uma vontade de dizer algo – o que é louvável, talvez o próprio conto a ser escrito. A partir daí, aprofunda-se na busca de uma cena para que essa vontade ganhe vazão. Às vezes, vontade e cenário não são congruentes, ou o caminho até eles não é congruente.

    A opção do autor em tratar grande parte do texto sob a forma de diálogo, talvez o tenha obrigado a dar às personagens um up em sua capacidade de filosofar, o que tornaria mais natural, imagino, apenas imagino, se esta parte ficasse por conta do narrador, e não dos personagens.

    Difícil imaginar que pessoas conversem coloquialmente de forma filosofal – salvo se forem dois filósofos muito chatos -, levando a que o diálogo se mostre um pouco forçado na direção da vontade do autor em dizer o que pensa pela boca das personagens.

    No geral, acredito, o conto ficou muito legal.

    Boa sorte no desafio.

    • Matrioska
      29 de outubro de 2020

      Olá, Angelo!

      Flores são flores em sua totalidade. Não seriam flores se tirássemos seus espinhos. Compõem a beleza em seus vários aspectos. E, justamente por isso, aceito com gratidão, tanto as pétalas quanto os espinhos.

      Não percebi o exagero no tom filosofal dos diálogos, pois tentei construi-los da maneira mais informal possível. No entanto, vou reler o texto para tentar captar a tua visão dele, pois é sempre bom tentar enxergar um fato com os olhos dos outros e refletir sobre uma perspectiva alheia.

      Costumeiramente, utilizo a voz do narrador para descrever o psicológico da personagem, o que amplia o campo de exposição. Desta vez, quando redigia o texto, senti a necessidade de experimentar outro estilo, justamente para procurar criar uma sinergia entre as personagens. Quando terminei, gostei de tentar algo (e do resultado) diferente do que estou acostumada a fazer.

      Gosto muito dos seus comentários – já li suas considerações em outros contos e aprecio sua visão mais técnica, o que, confesso, é uma deficiência minha.

      Agradeço muito suas observações e fiquei muito feliz que tenha gostado do conto.

  30. Thiago de Castro
    29 de outubro de 2020

    Resumo: Uma faxineira frustrada com a própria vida, trabalhando em dois empregos para garantir o pão da família, se identifica com uma interna do sanatório onde trabalha, compartilhando suas dores e impressões sobre o mundo, família e loucura. Ambas fazem um pacto que terá consequências para o destino das personagens ao final do conto: justiça para uma, esperança para outra.

    Comentário:

    Bela apresentação de personagem, com gancho eficiente para o conflito do conto. Apesar de moroso, há movimento, os personagens são táteis e os gestos corporais saltam na sua escrita. A divisão é boa e evita que o texto fique cansativo. Após o longo diálogo e a apresentação dos objetivos dos personagens, você nos arremata com uma conclusão sintética. Creio ser esse o primeiro “conto de manicômio” do desafio e, longe de estereótipos, foi muito sensível e reflexivo, principalmente pelos apontamentos da Morta Viva ( que me recuso a chamar de Beatriz, em respeito à vontade da personagem).

    O que mais me agradou no seu conto foi a química entre as protagonistas. É uma conversa honesta entre duas pessoas que se reconhecem na loucura, no sofrimento, ainda que de maneiras diferentes. Uma oprimida pela vida, pelos sonhos não concretizados, outra pela tentativa de ser moldada pela família e pela religiosidade. Há no texto uma discussão sobre o papel da família na formação dos sujeitos, influenciando ou não a loucura vindoura de cada geração, além da forma como lidamos com a projeção dos filhos. O uso da boneca foi eficaz nesse sentido, tanto para ilustrar as influência como os abusos sofridos pela Morta Viva.

    O final, apesar de melancólico, é recompensador e satisfatório. Diferente de outros contos do desafio, pendeu mais para o otimismo e a esperança sem ser cafona.

    Abaixo mais alguns apontamentos sobre o texto:

    1) Aqui não seria “pretendente” no lugar de “pretende”? – ‘Você é uma pretende a zumbi, mas ainda vive de verdade…’

    2) O texto contém algumas desnecessárias descrições de pensamento: “Meu Deus… então foi assim que ela tentou.” – Fica claro que Nada percebeu as cicatrizes e associou elas à tentativa de suicídio.

    3) Admoestações ao leitor: “Não. Não poetize a tragédia” – Você insinua o que estamos sentindo enquanto leitores, como uma tentativa de enfatizar seu próprio argumento no parágrafo anterior a sentença.

    4) “Esse nome não nunca foi meu” – Creio que deveria retirar o “não”

    5) “Até tentei ser o eles desejavam” – Acho que faltou um “que” aqui.

    6) “Live da bosta de vida ” – Não seria “Livre”?

    Matrioska, é um belo conto! Parabéns e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado em 29 de outubro de 2020 por em Loucura.