EntreContos

Detox Literário.

Ajuricaba do Nascimento (Regina Ruth Rincon Caires)

– Aceita um refrigerante? Água?

Ao mesmo tempo em que meneia a cabeça negativamente, coloca a mão à frente reforçando recusa para a comissária.

Ajeitando-se na poltrona, procura afastar o incômodo. Desde a decolagem, o estômago trava uma batalha insólita com os bons costumes. Sem dúvida, se tivesse o corpo mais sadio e aguentasse a longa viagem por estradas, o retorno seria menos sofrido. Nem de longe imaginaria entrar num avião. E agora está ali. Desconfortável, sentado ao lado do passageiro que tem fone atolado nos ouvidos e come amendoim salgado num mastigar desembestado, enquanto vê numa das telas, entre as muitas dependuradas no teto, um filme cheio de explosões, tiro para todos os lados. O cheiro do óleo torrado é nauseante. É. Talvez tenha demorado muito a regressar.

Fecha os olhos para embaçar a luz intensa. E leva um tremendo susto com o balanço forte do avião. Não tolera altura, não queria estar ali, e essa brincadeira não estava combinada. Segura firme nos braços da poltrona enquanto aperta os olhos. Pensa ser hora de pedir perdão a Deus. Os solavancos persistem, um silêncio doído toma conta do ambiente. Retesado, procura fixar a cabeça no encosto. As mãos latejam. A aeronave estabiliza-se, e então o comandante explica que atravessaram uma tempestade com ventos extremamente fortes, deseja um bom descanso a todos e informa que, em pouco mais de uma hora, estarão sobrevoando a floresta.

 

Pouco sabia dele mesmo. Padre Leôncio contava que, naqueles tempos, a malária matava muita gente, e então a missionária encontrou uma índia cambaleando na estrada, ardendo em febre, com muita falta de ar, inchada, amarelenta, trazendo enganchado nas ancas um moleque que chorava sem parar. Levados ao abrigo, a mulher pouco falou. Tinha nome de Anaí. Muito mal, disse que o menino, desde que nascera, foi chamado de Ajuricaba pelo pai. Horas depois, ela morreu. E, no documento do cartório, foi anotado Ajuricaba do Nascimento, filho de Anaí dos Anjos. 

    Levado ao orfanato, o menino cresceu sob cuidados dos religiosos. Havia outras crianças, todos meninos. E, devido ao nome de difícil pronúncia, ganhou o apelido de Jura. Não havia do que se queixar. A comida era boa, farta. A cama asseada ofertava abrigo. Poucas lembranças restaram do antes. A morada de janelas largas, piso tijolado, grande, ficava nos fundos da igreja, ao lado da casa paroquial. 

Da mesma idade, havia mais cinco: Zinho, Tomé, Tico, Zé Mudinho e Bié. E cada qual possuía quinhão de tarefa. No geral, além das aulas com Padre Leôncio que ocupavam parte da manhã, sobrava tempo para brincar. A tarde ficava para a feitura dos rosários de contas de capiá, vendidos na igreja da capital. Ocupação que relaxava. Bastava costurar com linha forte de carretel e ter atenção na contagem das bolinhas. Cinco mistérios com dez Ave-Marias, Glória e Pai Nosso em cada um. Fechado o círculo do terço, o acabamento era feito com as rezas: Creio em Deus Pai e Salve Rainha, e, como enfeite final, uma cruz de contas. Tudo separado com nós de três laçadas. 

Zé Mudinho não fazia rosário. Não aprendeu a ler nem a escrever e não sabia contar as ave-marias. Nesse trabalho, ficava incumbido de colher as contas. Bastava colocar o velho caldeirão vazio nas mãos dele, partia numa corrida desvairada para as touceiras de capiá, lá na baixada. Era bom no serviço. Voltava com o caldeirão abarrotado de contas, material para muitos dias de trabalho. E, enquanto os outros costuravam, passava o tempo riscando a areia do terreiro com um pau. Fazia traços que só ele entendia, e ficava feliz. Não sofria de leseira, apenas o silêncio é que era muito. Alma boa. Não havia olhar dirigido a ele que não fosse pago com sorriso.

Além disso, ficava para Jura o afazer de pescar. Sempre na tardinha. Zé Mudinho ajudava a arrancar minhocas, mas não ia com ele. Na mata, não podia ser gago do ouvido. O sinal do perigo exigia todos os sentidos. 

Com caniço e isca, rumava para o igarapé. Soltava a canoa até onde a corda, enlaçada na árvore, permitia. Arremessava a linha para perto das folhas de jaçanã, e o anzol iscado bailava na água serena. Dava para ver o peixe abocanhando o chamarisco e tentando se desvencilhar do enrosco, provocando marolas na água e balançando as folhas redondas.

Em menos de hora, duas enormes fieiras de peixes se formavam. Então, chegava a hora do gozo. Trazendo a canoa para a margem, Jura tirava a camisa e mergulhava no rio. Sentia-se rei, dava braçadas enérgicas, piruetas acrobáticas. O corpo parecia feito só de carne, tamanho o desembaraço. Quando emergia, só lhe enxergavam os dentes mostrados em sonoras gargalhadas. Era o ópio. A água cristalina a lavar a alma e o perfume das flores de jaçanã desabrochando na entrada da noite.    

Refrescado, tomava a direção de casa. Nas mãos, as fieiras abarrotadas. Logo, logo, os peixes estariam ticados e marinando nos temperos de dona Zefa. E, naquela quase noite, o olhar para a mata fechada se mostrava cravejado de mirabolantes luzeiros: a dança dos pirilampos.

O tempo mudou tudo. Iranduba ficara pequena para Jura e a maioridade exigia asas. Na cidade, corria a notícia de que a construção da nova capital do país recrutava trabalhadores de todos os cantos. E o transporte era sem custo. Padre Leôncio reforçou o intento, arrumou a velha mala, juntou algumas roupas, e repassou a Jura uma pequena reserva de dinheiro. E, assim, sem abraço e sem choro, no normal da vida, acenou adeus aos que ficaram. 

No Planalto Central, chegou meio atordoado. Árvores nanicas, raleadas. Tudo era construção, terra, poeira vermelha. Nada de fartura de água, nada de chuva. Secura.  Trabalhou pesado, mas por pouco tempo, pouco mais de três meses. Ali, nada mostrava graça. Nem o sol podia ser visto, e calor não era melado. Ressecava o couro. Sem rio para se banhar, só a poeira cobria tudo, tirava a beleza do dia. Sequidão.

    Assim, no meio de uma prosa, conseguiu encaixe num transporte que o levaria para São Paulo.

 

As luzes internas do avião são apagadas. Não há mais filmes nas telas, tudo quieto. Alheado de tudo, Jura nem havia percebido. Assusta-se. Pelo horário e conforme a fala do comandante, a aeronave deve estar sobrevoando a floresta. Na cabeça de Jura, pura aflição. Pavoroso pensar que, se o avião caísse, ficaria perdido no meio da selva. Coça a cabeça enxotando o mau agouro. Do lado, o parceiro da viagem está largado na poltrona, a sono solto. Corre os olhos, todos estão com as poltronas deitadas. Passa a mão pelos lados do assento, apalpa toda a volta. Nada de achar o botão para abaixar o encosto. Contém o ímpeto de cutucar o parceiro para pedir ajuda. Não, não teria cabimento. Tenta mais uma vez descobrir o infeliz do botão, mas desiste. Ajeita-se como pode, na vertical. Afinal, sabe que não vai dormir. Além do medo que esfria as tripas, a ânsia de chegar dá comichão.

 

São Paulo era um desvario de tamanho. Abraçado à mala, foi deixado na praça do centro. Final do dia, céu encharcado de nuvens pretas. Gente de passo apressado, gritaria de vendedor, buzinas estridentes, confusão medonha. Ali, nem Zé Mudinho teria paz. Sorriu com a lembrança do amigo. Saudade batia forte. Procurou uma ponta de banco, precisava ajeitar as ideias. Sentado, observava. E o movimento de gente, assim como a aflição, foi serenando. Logo, poucas pessoas continuavam na praça. 

E apareceu Zuleica. Rapariga linda que só. Novinha, apesar da roupa estranha e da maquiagem exagerada, não mostrava acesume. Andava devagar, gestos suaves, sem ruído. Agora, os olhos… Ah! Os olhos flechavam. Matreiros, incisivos, falavam mais que a boca. Então, achegou-se, e o perfume da flor de jaçanã anuviou os sentidos de Jura. Cheirava à flor, tal e qual. Olhando a mala, Zuleica percebeu que ali estava um forasteiro. Sentou-se ao lado, bem perto, e falava baixinho. Falava bem perto do quengo, os lábios quase encostados no ouvido. E as palavras eram bonitas. Não demorou nada e Jura se achou esparramado na cama do hotel onde Zuleica vivia. E ali ficou por dias, semanas. Até que o dinheiro acabou. 

Não foi apenas Jura que se enrabichou por Zuleica. Percebia-se afeição entre os dois. Por um bom tempo, ela não atendeu outros clientes. Os dois, alegremente, dividiam pão com mortadela e guaraná. Mesmo quando Zuleica precisou voltar ao trabalho, continuaram dividindo o quarto. O inconveniente era que Jura precisava ficar na porta do hotel enquanto ela dava expediente. Mas, convencido pela lábia de Zuleica, o dono do hotel contratou Jura para o serviço de limpeza e cedeu-lhe o quartinho dos fundos. Jura conheceu outras mulheres que faziam programas ali. E foi um desacerto. Refestelou-se na esbórnia. Talvez tenha sido o tesão do mormaço, tão falado na sua terra. Ficava pensando no esculacho que levaria se Padre Leôncio aparecesse por ali. Certamente levaria petelecos. Nem saberia contar quantas doenças pegou, de quantas tratou. Só tomou jeito quando ficou maninho. Foi o médico que disse, e foi uma tristeza danada.

A amizade com Zuleica era o que lhe animava. E foi ela que o ajudou a arrumar os documentos, todos, e ainda cuidou dele durante as doenças. Tinha paciência de explicar tudo da cidade grande, ensinar as malícias nos tratos e nos destratos. Jura era desprovido de maldade, demorava a perceber a sutileza de insultos. 

Certo dia, Zuleica contou que havia conhecido um sujeito estribado. Político lá das Minas Gerais, gentil, amoroso e que recebera proposta de se mudar para um apartamento de dois quartos, perto dali. Seria teúda e manteúda. E estava feliz, teria seu canto, sua privacidade. Mas havia imposto uma condição: o mineiro teria de permitir que Jura ocupasse um quarto do apartamento. E assim aconteceu. 

A convivência era pacífica. O mineiro aparecia duas vezes no mês. Nestes dias, Jura dobrava turno no trabalho. Queria ser discreto, dar mais intimidade ao casal. E, ao contrário, nas folgas do trabalho, zanzava pelas redondezas. Caminhava ao léu, até encontrar o prédio em forma de peixe. Amor à primeira vista. A ondulação da fachada era o retrato do movimento da enguia nas águas do igarapé. E essa figura ziguezagueava nos pensamentos dele, dia e noite. 

Foram várias visitas, e, a cada vez, os olhos apanhavam detalhes da construção ondulada, desenhada pelo mesmo homem que imaginou os prédios do Planalto Central. As curvas eram alucinantes, mexiam com o corpo. E Jura decidiu que um dia trabalharia lá. Persistiu. Semanalmente, perguntava ao porteiro se havia vaga para pessoal de limpeza. Foram meses, até conseguir colocação. E Zuleica foi junto quando ele levou a carteira de trabalho para ser preenchida. Dali em diante, era feliz feito passarinho. Cuidava da limpeza do térreo e do primeiro andar do bloco A, local movimentado, cheio de vida.  

Zuleica resolveu seguir para Minas, o político a assumiria como companheira. Antes disso, escriturou tudo certinho no Cartório e surpreendeu Jura quando lhe doou o apartamento e uma boa quantia em dinheiro, depositada no banco. Foi uma choradeira sem fim, talvez a única e última de que se lembrava. E, quando ela partiu, não sabia que seria o último abraço. Mas foi.  Meses depois, o casal foi para o estrangeiro, definitivamente.

A vida seguiu o rumo. Jura continuou só. Não havia do que se queixar. E chegou um momento de desvalorização assustadora dos apartamentos do condomínio em que trabalhava. Aproveitou a chance, vendeu o apartamento que Zuleica lhe dera e comprou outro ali, no primeiro andar do prédio em forma de peixe. Bênção. Incrédulo, nem conseguiu dormir na noite em que se mudou.   

Guardava apenas um desejo além do de retornar para a sua terra, onde descansaria. Queria ver o prédio lá de cima. Mas o pavor por altura nunca lhe permitiu tal façanha. Jamais falou sobre isso. Fazia algum tempo que relutava com o medo. Estava envelhecendo e precisava acelerar a proeza. Foi num domingo. Entrou no elevador, subiu até o trigésimo segundo andar. Nem raciocinava, não queria pensar em que altura estava, não queria que as pernas tremessem. Chegando lá, abriu a porta da escada de incêndio. Ficou um tempo parado. Fez o Em Nome do Pai, beijou o crucifixo do cordão, e foi alteando os pés na escada. Quando botou a cabeça acima do topo, o vento desenfreado lhe levou o boné. Agachou-se, instintivamente. Estava apavorado, mas não iria retroceder. Deu mais um tempo, esperou o coração desacelerar, foi erguendo o corpo aos pouquinhos. Havia mais dois degraus. Se subisse os dois, veria tudo com clareza. Segurando firme no corrimão, subiu. E o que viu jamais esqueceria. O serpenteado de concreto era ainda mais belo visto dali. Enguia gigante. Para não quebrar o encanto, ficou estático, sem olhar para os lados ou para baixo. Sentia vontade de gritar tanta beleza, mas nem a voz saía. A luta contra o medo e o êxtase do momento deixaram-no como Zé Mudinho. Feliz e sem fala. Esta foi a primeira e última vez que viu tudo aquilo. Ficou registrado. 

E chegou o dia de voltar. Aposentado, sem nada mais que o prendesse ali, desfez-se de tudo. De sobra, apenas a mala de roupas. Já não mais a velha mala. Nova, de rodinhas, cheia de modernidade. Nem combinava com ele. E partiu sem olhar para trás, sem tristeza, sem remorso. Havia realizado um propósito. Feito.

 

As luzes são acesas, a comissária avisa que logo o avião pousará. Jura sente as pernas dormentes, a posição incômoda da poltrona desandou a coluna. Dá sapateadas no chão, massageia as coxas, os joelhos doem. Que sofrimento! E ainda vem esse pouso! A batalha do estômago reinicia. A voz do comandante enche o ar e avisa sobre o procedimento de pouso. Jura aperta os olhos, pensa nas contas do rosário. Ave-Maria, Glória, Pai Nosso, Salve Rainha, mas não reza. O avião baixa de pouquinho, parece descer escada. Cada degrau traz o estômago na goela. De olhos fechados, tem a sensação de estar de cara empinada para frente, feito passarinho em queda livre. Cerra os dentes com tanta força que sente a dentadura cortar a gengiva. Isso mesmo. A vida também lhe tirou os dentes.

Quando o avião toca a pista, abre os olhos e vê que está no nível da terra. E freia. Aperta os pés no estribo de descanso com tamanha força que os tornozelos estalam.

É madrugada, início. As portas são abertas e os passageiros saem por um túnel, diretamente para a sala do aeroporto. Depois de pegar a mala e chegar do lado externo do prédio, Jura sente a mormaceira, aquele calor melado que oleia a pele. De volta. Abraçado.

Desperta do enlevo com a chamada do taxista. Entra no carro e pede informação ao motorista. Quer saber como chegar a Iranduba. Qual barco deveria tomar? O taxista cai na risada.

– Homem de Deus! De que planeta você veio? Daqui até Iranduba vai pela ponte, e faz muito tempo!

Sem jeito, Jura dá uma risadinha e combina que é esse o trajeto a fazer. Menos de hora, lá está ele, diante do hotel em Iranduba. De frente para a igreja, que não é a mesma. Nem acredita. Sente vontade de andar, ver tudo, mas não convém. É madrugada e o corpo precisa de descanso. Clama por repouso.

Dorme profundamente. Acorda com sol alto. Nem bem toma café, bota os pés na rua. Entra na igreja. Modificada, moderna, mas os santos são os mesmos. Junto ao altar, uma lápide com placa de mármore trazendo escrito o nome de Padre Leôncio. Ajoelha-se. Agora consegue proferir todas as rezas. Em silêncio, fala com ele. Agradece a oportunidade da vida que lhe proporcionou. Emociona-se. Depois, fica tempo sentado no banco da frente. Sem pensar, sentindo.

Dá uma volta no quarteirão. A casa paroquial imponente, nada parecida com a antiga, de muro alto e grades vazadas, mostram o belo jardim. Não há mais o orfanato. No lugar, um salão de festa imenso. Nada de ruas de terra. Na baixada que segue até o rio, lá longe, tudo é asfalto. Não há moitas de capim capiá, nem terra para arrancar minhocas. É outra cidade, estranha. Vagarosamente segue pelas ruas. Tenta associar algumas construções às lembranças que guarda. Algumas vezes, perde a noção de onde está. Muitos jardins, creches, escolas, ônibus circulando por todos os lados. Crianças brincam nos parques cobertos por arvoredos. Gente, gente… Estranhos. Tão estranhos como a gente que via nos parques de São Paulo. Afinal, carregamos em nós as estranhezas.

Hora do almoço, volta para o hotel. Na recepção, procura informações sobre casa à venda, sobre os amigos do passado. Recebe cartão de uma imobiliária. A cozinheira, passando por ali, ouve a pergunta sobre Zé Mudinho e fala que nada sabe sobre os outros nomes, mas que conheceu Mudinho. Morreu logo depois de Padre Leôncio, e está enterrado perto da capelinha do cemitério.

Banzeado, Jura perde o apetite e só trisca a salada. Descansa pouco no sofá. Sai, pega a direção do rio. As chuvas intensas continuam e a cheia é das maiores já vistas por ali. O tempo continua carregado. Por fim, ele chega ao igarapé da saudade. As águas quase cobrem todo o tronco da árvore onde amarrava a canoa. Está longe da margem, rodeada pelas jaçanãs. Jura acocora-se no barranco. As pernas doem, a caminhada foi grande.

O olhar de saudade busca as jaçanãs. Quer sentir o perfume, perfume de Zuleica. A doce Zuleica, bonita que só. Quer pescar e comer os jaraquis ticados de dona Zefa, quer mergulhar nas águas do seu igarapé. Queria tanto ter voltado antes…

Das nuvens carregadas, começam os gotejos. Chove de mansinho. De repente, um aguaceiro descomunal escurece tudo, e a cortina de água turva os olhos. Jura olha para o rio. As jaçanãs se desprendem da raiz, a cheia arrebentou-lhes os cordões. E elas seguem se distanciando da árvore, adentrando o rio. É a morte. Sem flores, sem perfume. Jura mergulha nas águas, dá braçadas enérgicas, faz piruetas, sai em busca da flor de jaçanã. Quanto mais se debate, mais a flor se distancia.

No hotel, apenas a mala o espera.

……………………

Texto atualizado em 05/07/2020

49 comentários em “Ajuricaba do Nascimento (Regina Ruth Rincon Caires)

  1. Regina Ruth Rincon Caires
    5 de julho de 2020

    Obrigada pela leitura e pelo comentário cuidadoso! Não vou explicar nada, se um autor precisa explicar seu conto, alguma coisa falhou. Na escrita ou na leitura. A solidão que quis descrever foi fechada com a mala, só isso. Abraços, menino!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      kkkkkkkkkk É a resposta para o comentário do Anderson, fiz uma bagunça…

  2. Elisabeth Lorena Alves
    5 de julho de 2020

    Texto imensamente amazônico…

  3. Daniel Reis
    3 de julho de 2020

    Ajuricaba do Nascimento (Ipojuca Manaó)
    Resumo: a história de vida de um homem chamado Ajuricaba, o Jura, nascido e criado na Amazônia como órfão em uma pequena cidade, que sai para o mundo – primeiro na construção de Brasília, depois vivendo em São Paulo. Na capital paulista, conhece a vida, as mulheres da vida e a mulher da vida dele, Zuleica. Aceita o modo de vida da amada, mesmo quando ela se torna amante de um figurão, com quem fica e vai embora. Ao final, depois de aposentado, volta para sua cidade natal e percebe que as coisas mudaram completamente, e que já não há mais nada do que foi um dia para ele, nem ali, nem em qualquer lugar.

    Quanto à PREMISSA, a história de vida em retrospectiva me pareceu uma escolha corajosa, ainda que não totalmente original. A Amazônia ocupa lugar de destaque na infância do personagem, mas não é necessariamente o tema central do conto, mas um acessório final.
    No que se refere à TÉCNICA, percebe-se um grande cuidado e habilidade na narrativa e na escrita, inclusive com os flash backs e fast forwards da história. São técnicas cinematográficas difíceis de dominar a contento, mas o autor soube utilizá-las com louvor.
    O EFEITO NO LEITOR foi ótimo, não só como uma história completa e memorável, mas que faz pensar. Quem sai de sua terra natal para viver em outros lugares sente-se tocado pela constatação do protagonista, ao final da vida e do conto, sobre deixar as coisas para trás. Parabéns, também deve ser um forte candidato ao pódium deste desafio.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada, Daniel, e parabéns pelo seu conto!!! Uma lindeza!!!

  4. Fabio D'Oliveira
    3 de julho de 2020

    Resumo: Acompanhamos a despedida de Jura, que teve uma infância saudosa na Amazônia e rumou para as metrópoles.

    Olá, Ipojuca!

    O texto te define muito bem: uma escrita madura, esmerada e repleta de vida. Sua escrita é bela, com uma narrativa relativamente fácil de acompanhar e com certa poesia, ainda mais quando fala das emoções do protagonista. Seu trabalho está impecável. Conseguiu criar uma história atraente, mesmo utilizando de premissas simples e clichês, mas a execução da história, efetuada com técnica invejável, cobre essa questão. Claro que seria melhor fundir a execução com um pouco de originalidade e inovação, mas se você um autor mais tradicional, pode preferir essas fórmulas, que bem executadas sempre funcionam. Não dá para falar que é um trabalho preguiçoso. Ele é bem trabalhado.

    O tema está em vigor num sentido bem forte: na relação do protagonista com a natureza da Amazônia. Na maior parte do conto, Jura está em outros lugares, vivendo sua vida, mas a floresta permanece presente em todos os dias de sua vida. Ele sente falta. E isso fica claro em tudo que faz: como se apaixonou e se aproximou de Zuleica, relacionando com a flor de jaçanã; como decidiu viver num apartamento que lembrava-lhe do rio. É isso que procura no desafio: uma relação íntima com a floresta. Não importa se a história se passa em outro tempo ou lugar, a Amazônia tem que ser um personagem importante, não apenas um ambiente. E os personagens precisam se relacionar com ela, de uma forma ou outra.

    Seu conto é excelente, Ipojuca. Parabéns pelo ótimo trabalho. É um escritor nato.

    Muita felicidade para você!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada, Fábio! Que bom que gostou! Vou fazer uns acertos no texto, afinal quase ninguém percebeu que eu falava do Edifício COPAN, falha minha… Obrigada pela nota! Abraços…

  5. Ana Carolina Machado
    27 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto lindo que fala sobre a vida de um senhor chamado Ajuricaba ou simplesmente Jura. No começo o vemos em um avião voltando para o lugar da sua infância. Após isso sabemos mais detalhes sobre essa época da vida dele, pois descobrimos que ele cresceu em um orfanato sob os cuidados de religiosos e sabemos mais sobre o que ele fazia nessa época, como as pescarias. Depois de crescido ele foi para Brasília e não se adaptando rumou para São Paulo. Foi nesse novo lugar que ele conheceu Zuleica que viria a ser sua amiga e companhia. Um dia Zuleica se envolve com um político mineiro e segue o seu caminho, assim como Jura que realiza o sonho de morar no prédio em forma de peixe. Prédio esse que foi amor à primeira vista. Ele volta para o lugar de sua infância e descobre tudo diferente, até o orfanato em que cresceu não existe mais. No fim ele pula na água em busca das flores de jaçanãs que se afastavam. Esse momento pode ser uma metáfora de como ele parecia buscar lembranças do mundo da infância dele.
    Achei muito bonita a forma como a história foi contada pois nos mostrou toda vida dele, toda jornada dele até o retorno para o lugar onde tudo começou . Isso passa a ideia da conclusão da conclusão do ciclo da vida dele. E eu gostei particulamente do momento em que ele consegue morar no prédio devido a todo o valor simbólico, pois o local devia lhe remeter as pescarias da infância . Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada, muito obrigada pelo comentário tão bem cuidado! Abraços…

  6. soniazaghetto
    27 de junho de 2020

    A história de Jura é narrada com muita competência. O autor tem um excelente domínio das palavras. A disgressão é um recurso usado por ele de forma bastante eficaz, assim como a apresentação psicológica do personagem.
    Creio que, com mais tempo, seria possível aprimorar o único porém que encontrei: algumas fragilidades do roteiro, como a relação Zuleica/Mineiro. Isso tornaria a história ainda mais realista e faria jus ao clima dominante no restante do conto.
    Ainda assim, é uma história bastante envolvente e muito bem escrita, com fortes e belas imagens. A perícia narrativa incluiu alguns regionalismos discretos e modos de expressão tipicamente amazônidas no conto. Gostei muitíssimo.
    Boa sorte!! Espero que esteja entre os finalistas.

    • soniazaghetto
      28 de junho de 2020

      Esqueci de colar aqui os resumos de alguns textos.
      Resumo: o conto narra a vida de Ajuricaba (Jura), que retorna para a sua terra natal, na Amazônia, após passar um longo tempo em São Paulo.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pelo comentário! Acredito que o romance Zuleica/Mineiro não influenciaria na narrativa. Eu queria falar sobre Jura. O clima dominante para o conto seria a ligação de Jura com a sua origem, a saudade dos amigos, a ligação com o igarapé e com a vitória-régia (jaçanã)… Só isso.

  7. angst447
    27 de junho de 2020

    RESUMO:

    Ajuricaba do Nascimento (Jura), descendente de índios,consegue realizar seu sonho de voltar para a terra natal depois de passar muitos anos em São Paulo. Não reconhece sua terra, mas persegue o que ainda tinha vivo em suas lembranças. Acaba se afogando no rio da sua infância.
    ……………………………………………..

    AVALIAÇÃO:

    * T – Título: Nome do personagem.
    * A – Adequação ao Tema: o conto aborda o tema proposto pelo desafio.
    ………………………………………………

    * F – Falhas de revisão: Pequenos ajustes podem ser feitos, mas coisa pouca.
    * O – Observações: Conto narrado em terceira pessoa, alternando dois tempos de ação bem definidos. Gostei do jogo de imagens – a ondulação do prédio (Copan) e da própria água onde mergulha o personagem. A morte nada mais é do que um retorno a sua essência, retornar Às águas da sua infância, como se fosse um grande útero.
    * G – Gerador (ou não) de impacto: além da prosa que esbarra com insistência na poesia, o conto apresenta um tom de nostalgia que combina muito bem com a história de vida de Jura.
    * O – Outros Pontos a Considerar: Conto muito bem escrito, com ótima caracterização sobretudo psicológica do protagonista. Apesar do final um tanto melancólico, há passagens de satisfação pessoal de Jura como a relação com Zuleica, a conquista do trabalho no local onde desejava, e a volta para casa. E a vida é assim mesmo, um ciclo que alterna bons e maus momentos.

    Parabéns pela sua participação!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Eba! Minha revisora preferida!!! Obrigada por tudo..

  8. aultimaedicaoblog
    27 de junho de 2020

    Enquanto retorna para sua cidade natal, o faxineiro relembra de toda a sua história, desde quando fora criado por um padre até a aventura em São Paulo, cidade em que conheceu o amor – do jeitinho que São Paulo oferece, rs – lutou para trabalhar, se aposentou a voltou para seu local de nascença.
    Conto trabalhado em demasia, história muito intrigante e que possui descrições muito boas. A trama revela algo bastante marcante no País, que é a tentativa de quem vem de cidades ao Norte para tentar a vida em São Paulo (capital do restismo), por isso tem grande valor histórico-cultural. Essa história não se encaixa nas memórias da maior parte dos trabalhadores que fazem tal percurso, visto que o rapaz em questão passa por sofrimento, mas ao fim tem a sorte de arrumar trabalho honesto (e no Copan! rs) e conseguir por meio da moça um apartamento. Essa não é a sorte recorrente da maioria, mas por que é que tudo precisa ser trágico e triste? O tráfico, aqui, figura envolto em uma esfera melancólica, e o triste… Bom, o triste está beste homem que se debate nas águas em busca da vida… E é bonito, isso é bonito.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Bingooooooo!!!!!! Você reconheceu o COPAN!!! Obrigada pelo comentário! Abraços…

  9. Renata Rothstein
    25 de junho de 2020

    Olá, Ipojuca!
    Resumo: Ajuricaba do Nascimento, o Jura, menino órfão e criado em orfanato religioso, cresce e muda-se para o Sudeste, onde conhece uma prostituta, seu único amor, trabalha, conhece os encantos simples da vida – como o prédio em forma de peixe que o fazia recordar a terra natal – e um belo dia, a idade chega, aposenta-se e retorna às origens.

    Texto extremamente sensível, fluido, nostálgico, como me emocionei com os regionalismos, com as lembranças do então senor Jura, sempre ligando um fato presente, ao passado.
    Achei tão forte a chegada dele na terra de origem, a percepção das mudanças – a religiosidade de Jura, a oração e o sentimento pela perda do padre, do amigo de infância, o Mudinho (chorei mesmo).
    Então, o final, a morte, surgindo no local e modo que preenchiam as lembranças de Ajuricaba.
    O contraste final. Ajuricaba menino, nascendo para o mundo.
    Ajuricaba idoso, partindo desse mundo. No mesmo local.
    Achei absurdamente poético e lindo.
    Parabéns pelo texto, muito boa sorte, Ipojuca Manaó!
    Abraços

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pelo comentário carinhoso! Vou fazer uns acertos no texto. Quase ninguém percebeu que eu falava do Edifício COPAN (em forma de peixe). Sua leitura foi um presente pra mim… Abraços…

  10. Gustavo Araujo
    24 de junho de 2020

    Resumo: a vida de Ajuricaba, o Jura, desde o nascimento em terras amazônicas, passando por boa parte do Brasil, até seu regresso à terra natal, agora tão mudada.

    Impressões: é um conto muito bem escrito, que busca na nostalgia a ferramenta para atingir o coração do leitor. Por suas linhas acompanhamos a saga de Jura, desde a morte da mãe, a adoção pelo padre, o convívio com outros órfãos, a ida a São Paulo, a Brasília, o calor, a secura, os romances, os desencontros, os desejos satisfeitos, os anseios, os sonhos conquistados, o conforto, a vida. Dá para dizer que Jura conseguiu o que se chama vulgarmente por “vencer”, às vezes pelo golpe do destino, às vezes por esforço próprio. O regresso a casa, à sua terra, demonstra que isso tudo teve como preço a saudade, o descompasso, a surpresa do tempo decorrido.

    Contos que tratam desses paralelos – passado e presente – não são incomuns. Quase sempre rendem ótimas passagens e nos fazem pensar na vida, naquilo que nós mesmos vivenciamos. Como andariam os cenários que vimos há tantos anos? As cidades que conhecemos como crianças, como jovens? Envelheceram como nós? O melhor conto que conheço nessa toada é “O Menino Perdido”, do Thomas Wolfe, que funciona mais ou menos como um moedor de carne para o coração. Impossível não se emocionar. A razão é porque o autor inseriu nele uma espécie de mistério, uma pergunta, um gancho que força o leitor a buscar as linhas com avidez crescente. É isso o que falta neste conto, caro Ipojuca: está lindamente escrito, mas falta a linha mestra, uma razão forte para Jura regressar ao passado, à casa querida, à igreja. Aqui temos a saudade pela saudade, a nostalgia pela nostalgia. Embora sejam interessantes, esses sentimentos não conseguem — ao menos para mim — segurar a narrativa sozinhos. O conto teria muito a ganhar se houvesse, como disse, um gancho que unisse as fases. Um amigo, um parente, quem sabe um dilema sobre o padre estar vivo ou morto… Enfim, divago, mas creio que você compreendeu meu ponto de vista. Gostei do seu conto, mas creio que poderia ter gostado mais. Queria, aliás, ter gostado mais. De todo modo, dou-te os parabéns e desejo boa sorte no desafio.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Que bom que queria ter gostado mais! Acredito que o “gancho” para ligar Jura ao seu mundo tenha sido a solidão, a “falta”, o “espaço vazio” que lhe sobrara na terra de ninguém (que é SP). Era muito simplório, tinha ligação umbilical com a jaçanã. Agora, explicar texto é o fim da picada!!! Obrigada pela leitura! Abraços… E vamos para o próximo!!! Parabéns pela organização!

  11. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de junho de 2020

    Resumo:

    Ajuricaba (Jura), ao retornar para sua cidade natal depois de anos, relembra a vida que teve. Assim que chega na terra de origem, enche-se de melancolia ao reparar como tudo mudou.

    Impressões:

    Trabalho muito bom, cheio de regionalismos bem costurados e uma estrutura narrativa super estruturada. A memória aqui é o que dá o tom do conto.
    Porém, embora bem-feita em seu trato, é uma história que joga com um clichê muitas vezes abordado aqui.

    Eu gostei do trabalho, mas acho que ele poderia ter sido um pouquinho mais ousado.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Dona Regina não é ousada, uai!!! Parabéns pelo seu conto, dos melhores que já li na vida… Abraços…

  12. Vanessa Honorato
    24 de junho de 2020

    Ajuricaba viaja de avião, enfrentando seu medo de altura, enquanto vai relembrando toda sua vida. Órfão, criado em orfanato católico, teve uma vida boa e tranquila. Crescido, foi tentar a vida na cidade grande, parando em São Paulo, onde fez amizade com uma prostituta que lhe foi muito boa. Encantou-se por um prédio em forma de peixe, que lhe fazia recordar a vida de infância da qual sentia tanta saudade. Quando aposentado, finalmente pode voltar para sua antiga cidade. Chegando lá, nada mais era igual. Seus amigos tinham morrido, não havia mais Igreja, o Padre igualmente morto. Mas ainda havia as jaçanãs, que lembravam tanto a sua amada Zuleica. Tentando alcançar as jaçanãs, perdeu-se nas águas em meio a uma tempestade.
    Um tipo de leitura que eu passaria o dia todo lendo. Nostálgico, triste, forte, que faz os olhos arderem e a garganta se fechar. Lembrou-me muito a escrita de Oswaldo França Júnior, mais especificamente À Procura dos Motivos, meu livro brasileiro predileto.
    Abraços ❤

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Dona Ternurinha, obrigada pela leitura! Obrigada pela nota, fiquei emocionada! Abraços…

  13. Priscila Pereira
    22 de junho de 2020

    Resumo: Enquanto Jura volta para sua cidade natal de avião, vai lembrando de sua infância, juventude e tudo o que o levou até aquele momento. Quando enfim revê sua antiga cidade, nada mais é como antes.

    Olá, Ipojuca!

    Seu conto é muito bom, sério! E a melhor coisa dele é a linguagem mansa, calma, diferente, um estilo próprio muito gostoso de ler, combina perfeitamente com o tom melancólico e meloso do conto. A história é simples, a vida de um homem que vai e volta, mas o brilho está mesmo na forma com que foi contada. Além de tudo é muito visual, consegui uma ótima imersão mesmo não tendo conhecimento nenhum das paisagens mencionadas.
    O final deixa pra imaginação do leitor os detalhes, mas fica certo que ele acaba morrendo tentando salvar a flor… tão triste, voltou pra casa para morrer… e parece que teve poucas alegrias e um vazio de significado profundo da vida…
    Bem, ótimo conto!
    Parabéns e boa sorte!
    Até mais!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Abraços…

  14. Thiago de Melo
    19 de junho de 2020

    Resumo:

    A história conta a vida de Ajuricaba (Jura), desde bem pequeno, quando se tornou órfão até o final. Mostra a juventude vivida na Amazônia e depois suas venturas e desventuras em São Paulo, até finalmente o retorno melancólico às origens no final da vida.

    Análise:

    O autor tem o dom da palavra e escreve muito bem. As palavras escorrem lisas formando o texto e a vida do personagem principal. Por alguns momentos, pude viver uma juventude no coração da Amazônia e me lembrei dos acampamentos que eu mesmo fiz.
    O texto transmite muita solidão. Uma solidão doída, que dura a vida inteira. Que chega a fazer a gente pensar se vale a pena. O coitado foi pra São Paulo e trabalhou a vida inteira. Teve uma amizade colorida durante alguns anos, mas que depois ficou na memória. E depois de velho resolveu voltar para a amazônia, só para perceber que a trepadeira da urbanização e da cidade grande já havia se espalhado por todos os lugares que viu na juventude. Mais tristeza, pelo menos pra mim.
    É um texto muito bonito, mas triste, de uma boniteza que entristece e vai levando o leitor pela mão.
    Parabéns ao autor. Belo trabalho.
    Uma história simples, até despretensiosa, sem grandes explosões e viagens no tempo ou disputas de vida ou morte, mais ou menos como acaba sendo a vida de uns 90% da população, o que faz o texto ser ainda mais real.
    Um abraço

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura e pelo comentário generoso! Abraços…

  15. Luciana Merley
    18 de junho de 2020

    Olá, autor
    A história da vida de Ajuricaba (Jura) desde a infância até a sua (provável) morte na velhice e de volta à sua terra na região amazônica. Deixado pela mãe para ser criado num orfanato da igreja, Jura cresce num ambiente acolhedor, com muitos amigos e vivendo as aventuras e desafios da cidade situada no interior da mata. Quando completa 18 anos, ele vai para Brasília e de lá para São Paulo, onde passa a maior parte de sua vida. Em São Paulo ele enfrenta as desventuras da cidade grande. Quando decide retornar, já aposentado, para sua terra, não encontra mais nem o lugar e nem as pessoas da sua infância e num momento de solidão lança-se às águas.

    Uma bela história. Farei minha avaliação conforme os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, ritmo e impacto).

    Técnica – Um conto em terceira pessoa com um narrador onisciente, o que permite criar um protagonista completamente passivo, como quem apenas observa o passar dos acontecimentos na sua vida. E é isso que dita o ritmo do conto: como quem vê cenas sobrepostas passando devagar. O autor mescla acontecimentos atuais com a apresentação de toda a vida do personagem. Quero dizer que me pareceu uma técnica apropriada para criar uma história mais lenta, que por vezes nos leva para o ambiente nostálgico, pesaroso e até depressivo do conto. Acho que poderia ser menos explicativo em algumas partes, por ex: “Isso mesmo. Jura era totalmente desprovido de maldade” (ficou óbvio pelo relato que veio junto). Tenho a impressão que esse “isso mesmo” sempre sobra nos textos como explicações desnecessárias. Além do que, ninguém é “totalmente desprovido de maldade” (rsrs), então soa bem estranho. Penso que faltou depressão que justificasse um final suicida (caso seja essa a interpretação oficial). O personagem claramente retorna à sua terra cheio de expectativas (reencontros, comprar uma casa) e o fato de estar tudo diferente e as pessoas do passado não estarem mais vivas desperta nele, repentinamente, um sentimento tão aterrador quanto a total desesperança na vida. Veja, parece-me inverossímil. Então, acho que faltou a descrição dessa angústia crescente que gerasse esse tamanho desespero.

    CRI – O texto, apesar de abranger toda a vida do protagonista, com relatos vários e por vezes desconectados, parece girar em torno desse sentimento de nostalgia e uma certa angústia. Penso que esses sentimentos formam o conflito do conto. O ritmo é lento, alguns diriam um pouco cansativo, mas como disse lá atrás, combina com o clima nostálgico. O impacto é muito bom, apesar de o final ser esperado nesse tipo de conto e como disse, inverossímil numa análise mais psicológica (lembrando que não sei bem se ele suicidou mesmo).

    No mais, gostei muito de ter lido sua história e espero ter contribuído um pouco.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Saber se foi suicídio ou não exigiria conhecer a história de Ajuricaba (líder indígena), isso requer certa pesquisa. Um saco, né? Quando leio um texto descompromissadamente, costumo não pesquisar tanto. Mas quando leio um texto para avaliação, procuro me inteirar daquilo que o autor tenta dizer. O nome de Jura, dado pelo pai, tem algum liame, tem algum significado. Mas, cá pra nós, explicar um texto é do peru!!!! kkkkkkkkkkkkk Abraços, menina!

      • Luciana Merley
        6 de julho de 2020

        Eu costumo pesquisar sim, desde que a informação seja essencial à compreensão do texto. Não me pareceu ser esse o caso.

  16. Jorge Santos
    17 de junho de 2020

    Este conto narra o percurso de vida de um rapaz que é deixado pela mãe moribunda numa missão. Quando tem idade, Ajuricaba sai da pequena cidade onde vive e, depois de algumas peripécias, vai ter a São Paulo, onde conhece Zuleika, uma prostituta que posteriormente será amante de um político. Ajuricaba fica com o apartamento e algum dinheiro dela. Mais velho, regressa à Missão, encontrando tudo mudado e suicida-se atirando-se ao rio.

    A história tem algumas semelhanças com a história do Indígena Ajuricaba, que combateu os colonos portugueses ao lado dos holandeses. Capturado, prefere afogar-se a tornar-se escravo.

    O tema principal deste conto é a solidão e a nostalgia. Em termos de linguagem não encontrei erros graves. O autor tem experiência. Mesmo assim, eu teria dado mais ritmo ao conto.

    O desfecho é impactante, mas algo previsível, dado o tom nostálgico do conto. Jura morre, completamente só no mundo, deixando apenas uma mala no hotel. Este pode ser considerado o expoente máximo da solidão.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura, menino! Sim, tentei falar sobre a “falta”, “o espaço vazio” que um cabra simplório percebe na vida de São Paulo, uma terra de ninguém… Da saudade do seu ninho. Abraços…

  17. Paula
    17 de junho de 2020

    O conto traz a história de Jura, que ficou órfão ainda bebê e cresce em uma casa celestial, na companhia do Padre Leôncio e de outros meninos, passando seus dias brincando e ajudando nos afazeres, que inclui a manufatura de rosários e a pesca. Dá-lhe enorme prazer nadar no rio, ao cheiro das jaçanãs. Quando adulto, migra inicialmente para Brasília, com a ajuda preciosa do Padre Leôncio. E não se adapta à região, indo então para São Paulo, onde se apaixona por um prédio em formato de peixe. Conhece Zuleica, uma prostituta que praticamente se torna a família que ele nunca teve. Ela a ajuda, inclusive lhe doando um apartamento. Ele consegue trabalhar no prédio que admira e depois comprar um apartamento nele e subir ao seu topo, concretizando seu sonho. Ao final, regressa à cidade onde passou sua infância, mas já não encontra as pessoas com quem compartilhou essa fase de sua vida. Deseja ter voltado antes. O conto é muito bem escrito, prendendo minha atenção do início ao fim e fazendo-me sentir na pele de Jura. Foi um prazer lê-lo.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Abraços…

  18. cgls9
    17 de junho de 2020

    Ajuricaba está retornando a sua terra depois de errar por Brasília e São Paulo. Ainda no avião, desconfortável e tenso ele rememora a infância com os padres, os amigos, depois lembra do passado mais recente em São Paulo e do romance que viveu com uma prostituta, ao pisar em seu berço de chão, se frustra por encontrar tudo mudado e deixa o rio lhe levar.

    A narrativa se dá em duas frentes – passado e presente e não muito diferente da realidade; no passado ficaram as partes boas, porque eram sempre descobertas, conquistas; o presente é vazio e a necessidade de preenchimento é tamanha que o narrador se deixa levar pela correnteza do rio, deixando somente uma mala. Essa é a uma história exemplar de milhões de pessoas. Muito boa sorte no certame!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Abraços…

  19. brunafrancielle
    15 de junho de 2020

    Resumo: órfão do Amazonas se transforma em um retirante em SP, onde conhece uma prostituta que o ajuda. Trabalha como faxineiro. Mais tarde ganha um ap da amiga. Se apaixona por um prédio. Já velho, quer voltar à cidade natal. Encontra tudo diferente. E o fim eu não entendi direito.
    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se não concordar.
    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : O conto parece ter sido escrito por 2 pessoas diferentes. No começo, gostei da parte que se passa no presente, aliás achei ótimo que você a fez com verbos também no presente. O personagem parecia ser bastante entretível e cômico. Até aí, estava gostando. Pensava que seria um texto divertido. Então o “outro escritor” assumiu, e a narrativa se tornou um pouco maçante a meus olhos, com detalhes excessivos, informações cansativas, e minha expressão se transformou de alegre em séria.
    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): Eu jamais ouvi a palavra “acesume” na vida, por exemplo. Pesquisei para compreender a história, mas não é algo que gosto muito pois gera um entrave na leitura. Pode também ser visto como “riqueza linguistica”. Depende do momento ou do leitor. Pra mim como leitora, um entrave. Para mim como alguém que observa de longe, é riqueza linguística.
    Quando se compara a narrativa do “segundo” com o” primeiro “escritor, vemos que não são compatíveis. Um é mais formal, e outro informal. É como ver um canal de TV, depois de 5 minutos outro. Depois voltar pro anterior. Não é uma boa sensação.
    “, as jaçanãs se desprendem da matriz, a cheia arrebentou os cordões. ” Não entendi nada. Matriz? Que cordões? Boiei. Eu detesto quando não entendo o final.
    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): A história de retirante que volta à terra natal é inesperada. Ponto positivo.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Eita! Detesta quando não entende o final? Primeiro seria preciso entender o que é jaçanã, você sabe? É a vitória-régia. Como ela se liga à raiz? É. Acho que o problema central de entendimento de texto (falo no caso de avaliação), seria pesquisar, inteirar-se do assunto, tentar ENTENDER o que o colega quis colocar nas palavras, e que essas palavras transmitem sentimentos. Caraca!!! Explicar texto é o “Ó do borogodó”!!! Melhor mesmo é despejar notas 1 e 2 de balde, né?! Obrigada pela leitura! Abraços…

  20. Alexandre Coslei
    13 de junho de 2020

    A história de um idoso até o retorno às suas raízes. O tom nostálgico e ritmado clama por todos os nossos sentidos nos impelindo ao mergulho na história. Olfato, audição, visão, paladar. A narrativa nos faz sentir todas as saudades do protagonista. Um conto que reflete uma gente simples inseridos numa existência simples. Acompanhamos a jornada de Jura através das oportunidades que o empurram pela vida, por outras paisagens e pelo amor a uma prostituta.

    A linguagem de tempos intercalados faz a estrutura da narrativa que, é eivada pela melancolia, ganhar uma nuance que nos conduz por um pressentimento de despedida.

    O texto é bem escrito e com mais uma revisão pode ficar perfeito ao corrigir pequeninas falhas.

    O autor criou um belo e místico universo em torno de Jura, o principal personagem. Tudo descrito com capricho e lapidado nos detalhes, dando ao protagonista do conto a essência que o explica.

    A onda de melancolia nostálgica faz crescer a poética da história e encontra o fim impactante. Bom conto. Boa sorte.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Coslei, adorei o seu comentário! Realmente há uma confusão de tempos verbais, sou fraquinha nisso… Obrigada pela leitura! Abraços…

  21. Angelo Rodrigues
    12 de junho de 2020

    Ajuricaba do Nascimento (Ipojuca Manaó)

    Resumo:
    Homem deixa sua terra e vai em direção ao Sudeste para fazer a vida. Encanta-se com uma cidade e se apaixona por uma mulher. Envelhece e retorna ao lugar de onde saiu.

    Comentários:
    Gostei do conto. Tem uma pegada regionalista, com termos e ritmos próprios. Não se excede, não fica para trás.
    Escrito com linguagem bastante poética, o conto vai se aprumando aos poucos, contando uma história que é ao mesmo tempo de desapego e de paixão.
    A cidade, embora encantadora, também o consome, o adoece, perde os dentes. Uma história de tantos, de partidas e retornos após experimentar a corrosão que a cidade grande é capaz.
    Nesse retorno, a poética da memória frustra o nosso protagonista. Tudo se transformou, todos morreram ou sumiram. Está só num ambiente que só existe em sua memória.
    Do ponto de vista construtivo, o autor escolheu ir alternando momentos presentes com lembranças vividas, na infância ou na idade adulta. Nada é ruim quando escolhemos as nossas melhores lembranças para guardar. A memória é um lugar de conforto. A realidade são os dias.
    Um conto que, embora lide com muitos clichês relativos ao migrante pobre em direção à cidade grande, não o faz de maneira frágil, ao contrário, transfere ao leitor um gosto real das ocorrências, passadas e presentes.
    Boa sorte no desafio.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Angelito, obrigada pela leitura e pelo comentário generoso! Abraços…

  22. Fheluany Nogueira
    12 de junho de 2020

    Velho volta do Sudeste para casa. Lembra fatos da infância, no Amazonas e toda sua trajetória depois que saiu de lá. Na terra natal, tudo se transformara e o protagonista morre no rio.

    A história causa uma impressão muito viva e dolorosa, que provoca sensações de angústia e aflição. A alternância de fatos presentes e passados cria uma sensação de quem espera algum acontecimento, que traz um liame positivo entre protagonista e leitor. O tema é abordado com uma visão saudosista, sentimental da Amazônia; estilo simples, poético em alguns trechos: o desfecho ficou comovente, pelo uso da linguagem. Apenas notei poucos tempos verbais usados indevidamente.

    Parabéns pelo trabalho. Sucesso! Abraço.

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura! Verdade, vou pedir pra Claudinha me ajudar na revisão. Sou fraquinha em tempos verbais… Abraços…

  23. pedropaulosd
    8 de junho de 2020

    RESUMO: Depois de muitos anos distante, passados em sua grande parte em São Paulo, Juca retorna para a sua casa no Amazonas, surpreendendo-se por como tudo mudou e lembrando com melancolia da paixão que viveu no Sudeste e dos amigos que não pode mais encontrar no Norte.
    COMENTÁRIO: Este é um conto envolvente. A princípio não se tem muita certeza do que se trata, mas não demora muito para o itálico sinalizar que lemos uma passagem no passado e, quando voltamos à fonte normalizada, sabe-se que a personagem retorna para casa. Essa alternância acaba criando certa expectativa quanto ao retorno e, principalmente, dá vida ao protagonista que aguarda temeroso o pouso do avião, o medo de altura o conectando ao passado que vai cada vez mais se clareando para nós. Dessa forma, conhecemos e nos importamos com o personagem, cuja grande e acidentada jornada causa uma notória e verossímil mudança. Por isso, partilhamos também de suas dúvidas quanto ao retorno. É evidente que não é o mesmo homem que chega ali. O final, ao meu ver, traz uma tragédia melancólica. Fora dali, nunca se sentiu realmente confortável, mas estando de volta, a sensação é a mesma de quando deixou a cidade ribeirinha para trás. Ele restou como se fosse uma ponta solta de um passado perdido. Achei uma boa abordagem do tema, pois a Amazônia é como se estivesse presente sem estar, condicionando as atitudes e medos da personagem, moldando a sua essência e permanecendo presente em sua memória. Sendo uma estória saudosista, não carrega grande inovação, mas a execução não deixa de ser certeira. A minha única crítica segue ao uso do tempo presente, pois embora em grande parte a concordância temporal siga regular, há breves momentos em que verbos são empregados no passado quando, pelo estabelecido, deveriam estar no presente. Erro besta, mas que distrai.
    Boa sorte!

    • Regina Ruth Rincon Caires
      5 de julho de 2020

      Obrigada pela leitura e pelo cuidado que teve ao comentar! Verdade, sou fraquinha no uso de tempos verbais. Claudinha vai me socorrer… Abraços…

  24. Regina Ruth Rincon Caires
    8 de junho de 2020

    Ajuricaba do Nascimento (Ipojuca Manaó)

    Resumo:

    A história de Jura (Ajuricaba do Nascimento), que começa com o seu retorno para a terra natal depois de todas as andanças da vida. Menino de descendência indígena, criado em orfanato aos cuidados de religiosos. De volta, encontra tudo mudado e tenta encontrar a razão das lembranças. E o rio o leva.

    Comentário:

    Um texto movido por sentimentos, escrito em linguagem simples, mas que traduz a essência do enredo. Narrativa que caminha em dois tempos distintos: um mostrando as peripécias que a vida oferece a uma pessoa, a construção dos seus valores, dos seus costumes, do seu entendimento; o outro, aquilo que ficou, o que juntou, o balanço final (que não tem volta e nem é rascunho).

    Encontrei deslizes em uma crase e um acento, faltantes. Revisar, revisar, revisar… Sugestão: depois do desafio, entregue pra Claudinha.

    Estrutura consistente, a leve comicidade pulverizada, que sempre se vincula ao simplório Jura, suaviza o teor mais denso da narrativa.

    O título traz o nome de um líder indígena, antigo, e a sua morte mostra, de longe, algum liame com o texto. Quanto ao pseudônimo, também em pesquisa, descobri que Ipojuca é nome indígena que significa “águas escuras”, e Manaós é nome do povo do líder. Seria isso?

    Parabéns, Ipojuca Manaó!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  25. Anderson Do Prado Silva
    7 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – Ajuricaba do Nascimento

    Resumo: Um velho viaja, de mudança, rumo à sua terra natal. Durante o voo rememora sua vida, perpassando infância, juventude e fase adulta. Na chegada à sua terra, encontra-a outra, nova, mudada.

    Abertura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: comum; narra um voo. O que desperta interesse pelo texto não é a abertura, mas a boa qualidade (técnica e estilisticamente correta) da escrita do autor. A surpresa vem pouco depois da abertura, quando o narrador interrompe a narrativa, inserindo uma narrativa paralela (indicada, graficamente, pelo uso do itálico).

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o autor não se perde; tudo está ligado a tudo.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: embora eu já esperasse uma morte saudosista, a forma poética como o autor a descreveu me surpreendeu. O penúltimo parágrafo é muito bonito (talvez eu dispensasse o parágrafo final, a última frase sobre a mala).
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: talvez falte um acento em “Comt[e]m o ímpeto”.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( x ) surpreende: bom, principalmente na permanente alternância entre presente e memória saudosista.
    ( ) não surpreende

    Linguagem:

    ( x ) surpreende: o autor possui boa capacidade de empregar prosa poética; há poesia espalhada por todo o texto, principalmente nas reminiscências do protagonista.
    ( ) não surpreende

    Estrutura:

    ( x ) surpreende: boa justamente na alternância entre presente e passado.
    ( ) não surpreende

    Estilo:

    ( x ) surpreende: o autor possui estilo próprio, que é a constante inserção de poesia na prosa.
    ( ) não surpreende

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: Parabéns ao autor, pois esse é o sexto texto que leio, sendo o primeiro em que não vou transcrever todos os excertos dignos de nota (são muitos e estão dispersos pelo texto, principalmente nas reminiscência). Vou destacar apenas um, que achei especialmente bonito e poético: “Caminhava ao léu, até encontrar o prédio em forma de peixe. Amor à primeira vista. A ondulação da fachada era o retrato do movimento da enguia nas águas do igarapé. E essa figura ziguezagueava nos pensamentos dele, dia e noite.”
    ( ) não

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: emprego de linguagem e estrutura sem grandes complexidades. O leitor não precisa realizar grandes esforços intelectivos para entender o texto. O autor não propõe reflexões aprofundadas, tampouco exige que seu leitor possua grandes conhecimentos pretéritos sobre fatos ou informações específicas.

    Avaliação final: O texto angariou oito avaliações positivas e apenas duas negativas. O autor possui excelente domínio da língua e da técnica narrativa. Ipojuca Manaó, você pratica MUITO boa literatura! Parabéns!

    Anderson do Prado Silva

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Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2, Amazonia-Finalistas e marcado .