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Detox Literário.

O profeta e o matador – Conto (Givago Thimoti)

Era o terceiro da chuvosa noite. O movimento já era conhecido por seus impotentes rivais, treinado até a exaustão desde criança, quando ouviu pela primeira vez a profecia enunciada por seu Zeca:

– Um dia, meu neto, seu chute será tão forte que você nem sentirá o peso da bola!

De novo testada, de novo comprovada. O som do balaço certeiro morrendo na rede foi abafado pelo rugido ensurdecedor de 69999 rubro-negros.  

Enquanto corria vitorioso de braços abertos a receber a energia agradecida do estádio, o sorriso arrogante, reflexo da estrela do time, desapareceu. Olhou para o assento vazio do profeta. Estancou, ajoelhando-se, tomado pelas lágrimas. Pela primeira vez, seu Zeca não viu a realização de sua profecia   

3 comentários em “O profeta e o matador – Conto (Givago Thimoti)

  1. Fabio D'Oliveira
    19 de abril de 2020

    Olá, Givago!

    Que continho, hein. Pequeno em forma, mas gigante em sentimento. Você conseguiu condensar num rápido momento toda uma vida de luta. E a dor do jogador, ao perceber que um dos motivos de sua batalha não está mais presente, é real. Sua narrativa sempre foi boa, mas conseguiu fazer um mini-conto arrebatador.

    Perfeito na forma, perfeito no tom, perfeito em quase tudo.

    Parabéns!

    Ah, sim, a frase final poderia ser descartada. Quando vemos o lugar vazio e as lágrimas do jogador, percebemos que o profeta estava em outro plano. Acaba sendo um reforço desnecessário e não tem tanto impacto. Poderia mudar por outra coisa, talvez ressaltando a vitória agridoce, etc.

    Fora isso, está tudo ótimo!

  2. Moisés Soares
    21 de março de 2020

    O conto em si é bom por que tem apelo tanto político como sentimental e dá pra entender o que você quis dizer.

  3. Moisés Soares
    20 de março de 2020

    O conto em si é bom, mas acho que não causa um impacto muito grande por duas razões:
    1 – Uma proximidade maior entre o neto e o avô poderia ser melhor retratada.
    2- Aprendi que cada palavra do final de um conto tem que ser pensada com cuidado.
    E tenho uma dica que tomei pra mim e acho importante: “Escrever é reescrever.” é o nome do titulo de um livro de Raquel Salek Fiad, cujo não li, mas concordo e tenho feito do meu jeito.

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Informação

Publicado às 23 de fevereiro de 2020 por em Contos Off-Desafio e marcado .