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Detox Literário.

As cavernas gêmeas (Rubem Cabral)

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Aquele era um vale seco e pequeno e provavelmente sem nome, perdido no miolo mais árido do Atacama. Estava cercado por muitos quilômetros da mais bela desolação pintada em mil tons de ocre. Era basicamente uma planície coberta de pedras calcinadas de dia e congeladas à noite, em turnos assim, de fogo e gelo. Soltas e gastas, suas rochas eram quebradiças; sob a sola das botas soavam como farelo de biscoitos ou açúcar queimado. Se alguém fotografasse o lugar, sem sequer uma folha de capim ou mancha de líquen para quebrar a monotonia da paisagem, e trocasse a cor do céu ao fundo de azul por rosa, convenceria muitos ao dizer que a imagem fora feita pela sonda Curiosity em Marte.

Duas montanhas gêmeas flanqueavam o tal vale a leste e oeste, acrescentando com a neve pouca de seus topos um tanto de cor à ferrugem suja que de outra forma dominava o ambiente. Eram conhecidas pelos nativos como “La Derecha” e “La Izquierda”, o que tornava bem complicado saber exatamente quem era quem sem o auxílio duma bússola ou da correta orientação quanto aos pontos cardeais. No sopé de cada montanha, caprichosamente alinhadas entre si, duas cavernas de cerca de trinta metros de altura se erguiam, como bocas nuas e escancaradas no movimento de um beijo que nunca aconteceu.

E por outro capricho da natureza ou engenho ancestral von Dänikeniano, cada grande caverna abrigava um sem número de outras muito menores, caixinhas de ressonância ricas em cristais, covas em covas dentro de covas, nunca exploradas ou cartografadas. Ao menos até aquele dia.

José “Pepito” Muniz, um rapaz baixinho, de olhos rasgados, cabelos lisos e escuros e de pele azeitonada não tinha como negar seu sangue Mapuche, do qual em verdade tinha muito orgulho. Tinha vinte e dois e estudava Engenharia Ambiental em Valparaíso. Veio sozinho até ali desde o Valle de la Luna (onde chegara de ônibus desde San Pedro), esse último vale um tanto cheio demais de turistas, onde ele acabou por se perder ao buscar alguma paisagem nova para seu blog de fotografia. Distraído, havia parado sob uma rara sombra e ficara por quase uma hora revendo a galeria de fotos enquanto os turistas seguiram a outro destino. Já tinha enchido um pente de memória com imagens em alta resolução de iguanas invasoras trazidas pelos conquistadores espanhóis, escorpiões vermelhos, crateras, dunas de areia cor de sangue talhado, planícies salgadas e morros enrugados… E alpacas e lhamas, é claro, elas estavam em todo lugar. Esboçou um sorriso ao  recordar da brincadeira infantil: “Llama en llamas llama a llama en llamas…” (A lhama em chamas liga para a lhama em chamas).

O sol já estava baixo no horizonte e não havia mínimo sinal para o celular, então ele resolveu acampar. Sabia que não estava tão longe do vilarejo assim, que usando o GPS voltaria em segurança em quatro, cinco horas, que tinha comida e bastante água no mochilão, então não havia razão para pânico.

Quase que no centro exato do vale, próximo a um esquisito e fálico pilar de pedra de uns seis metros de altura, então, ergueu sua tenda iglu. Desenrolou o saco de dormir e montou um fogareiro de uma boca sobre o mini botijão de gás, onde aqueceu sopa de tomates enlatada. O sol de súbito desapareceu e a escuridão aveludada desabou silenciosa, ornada por tantas estrelas que deixaram o rapaz tonto ao admirá-las.

Um silêncio absurdo: foi a impressão mais interessante e inesperada de todas. Devia estar numa região especialmente árida do Atacama, refletiu, onde nem grilos, viscachas ou corujas se aventuravam. Depois de meia hora começou a perceber o passar do sangue em seus ouvidos, o barulho – enorme – de sua própria respiração, o pestanejar – flap, flap, flap –  cada vez que piscava. “No deserto, você pode se lembrar de seu nome…” – a velha canção do America tocou dentro de sua cabeça e o ajudou a não prestar atenção demais.

O sono então não tardou. Estava muito frio, mas Pepito era um campista experiente:  havia enchido uma bolsa de borracha com água quente, fechou o zíper da tenda e encasulou-se feito lagarta. Em em poucos minutos já explorava terras oníricas.

No sonho, algum pássaro cantava algo lindo, complexo e melódico, e também profundamente melancólico. Em notas cristalinas parecia contar uma vida de ave: bicar a casca do ovo de dentro para fora, ainda cego pela luz. Ganhar carne regurgitada do bico dentuço da mãe, aprender a voar depois de muitas quedas, e a caçar. Enfrentar concorrentes e defender o território, e acasalar, e catar piolhos, e cuidar de suas ninhadas: uma, duas, seis vezes no total. E voar sobre paisagens sempre verdes, lagos de um azul leitoso onde preguiças e tatus gigantes se banhavam. Estavam lá, na melodia: o burburinho das águas, o vento zunindo – tão frio! –  nas ralas penas cinzentas de sua cabeça, o sabor de frutas estranhas e há muito extintas. A vida passava ligeira, e ele estava fraco então; já não comia há dias, expulso por outros mais jovens e viris, mas contaria, deixaria seu testemunho em trinados de cortar o coração. “Eu vivi! Eu vivi!”. A sombra da morte logo o espreitava por cima de suas asas, porém ele sabia que uma parte sua sobreviveria, e isso lhe deu paz para partir sem medo.

Pepito acordou e ligou a lanterna, meio entorpecido, com um pé ainda no reino de Morfeu, em dúvida talvez se era um garoto que sonhara com um pássaro ou vice-versa. O vento soprava lá fora e comprimia e sacudia a lateral da tenda. Escutou de súbito um rugido, de alguma fera poderosa e grande demais para as presas raras e pequenas do deserto, e ficou paralisado e arrepiado de medo, com o coração esmurrando o peito. O rugido sumiu e, logo a seguir, alguém parecia rezar em aimará (Pepito tinha um colega boliviano que ligava à mãe quase todos os dias), e repetia a mesma ladainha, num tom de súplica cansada. Talvez fosse um pedido aos deuses para curar uma criança febril, poupar uma avó já muito velha, mas quase ninguém falava aimará naquela parte do Chile desde os Incas.

O vento mudou e novamente o silêncio absoluto: nada de insetos, aves noturnas, ou grandes tigres de dentes longos como adagas. O rapaz ficou acordado por mais uns trinta minutos, mas logo o cansaço o venceu outra vez.

Uma enxurrada, uma chuva de granizo, um enxame raivoso de vespas, uivos, piados de filhotes, tambores, passos retumbantes, de feras pescoçudas maiores que prédios… Gritos em espanhol arcaico, em línguas esquecidas das terras agora submersas, montanhas se formando, a costa chilena chegando do mar e descarrilhando contra o continente feito num acidente de trânsito colossal. O sonho saltava, indeciso, sem conseguir escolher uma direção ou tema.

***

Raios de luz atravessavam o plástico de um azul desmaiado e brincaram sobre seus olhos. O rapaz bocejou. Estranhamente, sentia-se descansado, embora a mente estivesse ainda encharcada de sons, imagens e sensações que ele não sabia explicar.

Não era muito religioso, mas se benzeu por reflexo. Seria o lugar assombrado?

Sacou água da bolsa de borracha e derramou numa caneca. Pôs para ferver e jogou dois sachês de chá preto e um punhado de açúcar dentro. Revirou a mochila e encontrou duas empanadas de pino num saco de papel, o que o fez sorrir. Fez careta para beber o chá: tinha o cheiro forte da bolsa térmica, mas era preciso não desperdiçar água. Ligou o GPS e este estava funcionando bem, aproveitou para carregar a bateria solar sobre o solo enquanto dava uma volta rápida pelo lugar.

O pilar quase vizinho tinha marcas em suas laterais, como degraus esculpidos. Indeciso, ele colocou o pé num vão e o outro pé facilmente alcançou o próximo, todos correndo em espiral ao redor. Ficou em dúvida, mas pensou que poderia ter uma vista mais ampla do topo. Segurou-se contra a pedra enquanto subia, tendo a certeza que cada pé estava bem encaixado. A poeira vermelha sujava sua camisa de malha cheia de furinhos, mas ele não se importou. Já próximo do topo, que se alargava feito a cabeça de um cogumelo rombudo – ou uma glande, ele riu da ideia indecente – escutou algo estranho. Primeiro houve um pouco de vento. Algo frio e úmido e portanto incomum, pois o dia já começara a esquentar e não havia umidade alguma naquele lugar. Algum homem rouco dizia obscenidades sobre certa senhorita Conchita, e sem mais comentou:  Robamos entonces hoy, las pepitas de oro. Matamos Ignacio y el chiquitico también, pues no se puede tener testigo alguno del crimen, ¿dale?

Pepito olhou em todas as direções e não havia viva alma, só aquela desolação perfeita de outro planeta. Benzeu-se de novo. Parecia até coisa daquele caso, um que deu em todas as rádios há uns dez anos, não se falava de outra coisa quando ele era menino. Isso!  Dois homens, um chileno e um costarriquense roubaram e esfaquearam um mineiro em San Pedro de Atacama, Carlos Ignacio Léon, e seu filho, de dez anos. Os criminosos foram presos tentando atravessar a divisa com a Bolívia a pé, com quase três quilos de pepitas, e confessaram. O sotaque conferia, chilenos também não faziam diminutivos com “tico”! Isso era típico dos “Pura Vida”. Será que os fantasmas dos assassinos estariam ainda por ali?

Um uivo longuíssimo e solitário o fez descer aos tropeções. Olhou em todas as direções em pânico: nem sinal de lobos – que não existiam ali – ou de assassinos cruéis.

Caminhou então em direção a La Izquierda, pé ante pé. Lembrou-se, no entanto, que precisaria de uma lanterna, voltou à tenda e retornou para explorar a entrada da caverna.

Era muito, mas muito escuro lá dentro. Não era uma formação tipicamente sedimentar, com estalactites e estalagmites de calcário, parecia mais um tubo de lava, com paredes vítreas de obsidiana e pedras cortantes por todo lugar, o que o fez desistir de avançar depois de rasgar o bico do tênis num cristal.

Resolveu ir embora. O sol logo ficaria muito quente e tornaria sua jornada até o vilarejo muito penosa. Pegou no chão um cristal escuro feito clínquer, hesitou, poderia pagar uma multa considerável se fosse pego, fez pontaria numa parede e atirou. A pedra fez um barulho engraçado: “tá-crás! pim, pim!”. O ruído ecoou: “tááááá, crássss, pimmm”, como era de se esperar, mas depois subiu de volume a cada repetição, ficando mais grave, quase ensurdecedor, e então desapareceu.

Pepito já virara as costas à caverna quando o som retornou, vindo da caverna do outro lado do vale: “tá-crássss-PIMMMM”, e a Izquierda voltou a repetir e a ampliar, e a distorcer um pouco, e o som continuava a chegar da Derecha, e dava voltas e era repetido inúmeras vezes pela Izquierda que devolvia…

“Quando isso vai acabar?” – o garoto matutou, fascinado, com as mãos na cintura. Foi quando então ele entendeu tudo, compreendeu finalmente o que estava a ocorrer e quase caiu, sentindo fraqueza nos joelhos ou talvez uma repentina queda de pressão sanguínea.

— Não pode ser… Não pode ser… – ele sentiu suor descendo pelas costas e sacudia a cabeça em descrença. — Não… Não acaba! – sussurrou. — Carajo, weon!  São como fó-fósseis sonoros, ruídos e mensagens aleatórias de outros tempos. Ecos de ecos de ecos de ecos… de ecos! Por quanto tempo? Há quanto tempo? – sentiu tontura e se jogou ao chão, e por lá ficou, por longos minutos, admirando, mesmerizado.

“Talvez os ecos só alcancem o solo quando o vento muda. Por isso no topo do pilar era o tempo todo…” – teorizou.

Seus olhos se arregalaram e se encheram de lágrimas, estar ali era como tocar no rosto de Deus e vê-lo sorrir, carinhoso diante da esperteza do filho que, enfim, matara a charada.

Precisava contar ao mundo sobre seu achado! Ficaria famoso, apareceria na televisão e em todos os sites de notícias! “Estudante descobre cavernas com sons da pré-história!”. “Maior descoberta arqueológica de todos os tempos!”. “Novas ciências criadas após o incrível achado: Paleofonologia! Arqueofonética! Retrofonocriminologia!”. “Cavernas confirmam Evolução e refutam o Criacionismo”.

Pôs-se de pé, e enquanto caminhava de volta à tenda, refletiu mais. Imaginou filas de turistas gritando obscenidades, assoviando, arrotando e peidando nas entradas das cavernas, achando tudo aquilo muito divertido, enquanto aquela miraculosa catedral de cristais – sem censura alguma – ampliasse, refletisse, ecoasse infinitamente tais nojeiras até o final dos tempos. Selfies, pichações, depredações. Suvenires baratos, cristais das cavernas “fantasmas” feitos na China em resina poluente por crianças camponesas para chaveiros e pesos de papel por um dólar cada. Era essa a herança, o recado que gostaríamos de transmitir ao futuro? Era quase blasfêmia – ele ficou rubro de raiva e apertou os punhos –  era como defecar sobre o linho alvíssimo do altar consagrado e limpar o cu depois!

Enrolou o saco de dormir, juntou o lixo num saco plástico e guardou. Bebeu água e urinou. Percebeu a boca amarga… Desmontou a tenda e organizou tudo dentro do mochilão. A bateria solar estava a 100%. Ligou o GPS e seu caminho de volta se desenhou passando pela Derecha.

Caminhou e depois parou à boca da caverna gêmea. Sorriu em silêncio, com reverência quase religiosa. O vento soprou diferente e ele escutou os trinados do pássaro do sonho outra vez, e não logrou conter as lágrimas, embora não conseguisse entender seu significado como antes. Considerou então não dizer nada ali, pois nada que pudesse dizer deveria macular o futuro. Não era um artista, um homem de palavras ou voz maviosa, alguém que deveria ser imortalizado. Mas pensou melhor e gritou, sem querer refletir mais, algo que teria gostado de ouvir: — Ano 2018! Te amo – amigo, amiga –  não importa quem você seja! Eu vivi!

Sentiu então a alma leve, e retirou-se dali com pressa inexplicável. Bebeu mais água com gosto de borracha, fez careta, mas não cuspiu. A caminhada à frente prometia ser dura.

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6 comentários em “As cavernas gêmeas (Rubem Cabral)

  1. Fil Felix
    27 de janeiro de 2018

    Oi, Rubem! Cheguei a ler o mini conto do Escambau com a palavra Eco, acho que estendeu pra um super conto. Adorei a parte estética, de como as duas cavernas estão com a “boca aberta”, num beijo que se materializa pelo som, além de toda a alegoria sexual, do pilar fálico ao meio. Me lembrou das paisagens do Moebius. Peguei a ideia de ecos de outros tempos, quando surgem os dinossauros e outros animais extintos, como o tigre dentes de sabre, outra construção muito bonita. Como sou apaixonado por sonhos, também gostei de como adaptou as interferências, de como o real estava afetando sua percepção onírica. Além do protagonista esquecer da ideia de levar a descoberta pro mundo, de preferir deixar uma mensagem positiva e dar adeus. Há coisas que precisam continuar nas sombras. (Ou no sol, nesse caso).

    Fiz uma conexão com o conto Nossos Deuses do Piscies, onde há vozes e ecos de outras eras. Legal essa simbologia da caverna e do eco, de como representam os mistérios, o desconhecido, o passado rupestre, além de funcionar como um registro (nesse caso, feito pelo som).

    • Rubem Cabral
      29 de janeiro de 2018

      Obrigado pela leitura, Fil.

      Sim, você acertou direitinho. Quando bolei o microconto fiquei com a impressão que poderia render algo maior. De início eu ia inventar um lugar, mas depois achei que o deserto chileno serviria ao que eu queria descrever.
      Apesar das figuras do pênis de pedra e das bocas das cavernas, quis apenas causar estranhamento quanto ao cenário. Dar ares de paisagem surreal, ou algo do tipo.

      Eu também gosto de sonhos e sei como eles são às vezes influenciados pelas percepções do sonhador do mundo real. Já dormi sobre o braço uma vez e ele ficou dormente, por exemplo, e no meu sonho eu pensei que não tivesse um dos braços.

      Abração.

  2. Victor O. de Faria
    25 de janeiro de 2018

    Gostei. Contexto simples, mas profundo. Você sempre traz um enredo mais histórico, sutil. Uma descoberta intocável – achei a parte das selfies e palavrões hilária, infelizmente. “Mente de FC” é fogo. Quando li duas cavernas interligadas já trilhei infinitos caminhos imaginários, mas foi bem pé no chão.

    • Rubem Cabral
      29 de janeiro de 2018

      Obrigado por comentar, Victor! A ideia dos ecos surgiu quando bolei um microconto.

      Abração!

  3. Pedro Luna
    17 de janeiro de 2018

    Gostei da ambientação no Chile e das descrições. Tudo foi muito fácil de visualizar, o vale, as montanhas, as cavernas. O efeito das cavernas como um gravador do tempo foi uma boa sacada. Um “arquivo” natural, interessante quando Pepito escuta o plano dos assassinos. Isso por si só já daria um mote para um outro conto, um conto focado nesse crime e usando o efeito das cavernas como ponto importante na trama ou como prova para resolução do crime. Sei lá..kk. Foi uma boa leitura, só não consegui estabelecer uma conexão entre o sonho do pássaro e o grito no final, isso me passou batido..kk

    • rubemcabral
      18 de janeiro de 2018

      Oi, Pedro.

      Obrigado por ler e comentar. Então, durante o sono Pepito ouviu o canto do pássaro quando o vento mudou e trouxe o eco até o nível do solo. No sonho ele “traduziu” o canto, que segundo ele era uma história de vida, que terminava em “Eu vivi!”.

      Ao escutar o canto novamente, como não sonhava, apenas escutou assovios e trinados, mas recordou-se da mensagem sonhada. De início ele pensa em não macular as cavernas com mais lixo sonoro, mas pensa na mensagem do pássaro pré-histórico e resolve deixar um recado positivo, finalizado com o “Eu vivi!”.

      Ufa! 🙂 Foi o que eu quis passar.

      Abração!

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Publicado às 13 de janeiro de 2018 por em Contos Off-Desafio e marcado .