Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos o país acordou metamorfoseado numa republiqueta monstruosa.
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Uma das versões para o português de “A metamorfose” inicia-se com “numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”. Se compararmos com este microconto, podemos concluir equivocadamente que o autor apenas parafraseou as primeiras linhas do famoso romance de Kafka.
Sim, é uma paráfrase, mas não morre por aí. O trecho consegue sintetizar uma das visões que se tem acerca do atual momento político e social brasileiro, pois nos rebaixamos à condição de “república bananeira” (republiqueta) em que o tecido social está desgastado a ponto de gerar monstros (os espancamentos até à morte são quase diários). Além disso, reforça, muito a propósito, uma característica que nos acompanha quase geneticamente: nossa surrealidade enquanto povo. E aqui é bom lembrar que “A metamorfose” é o marco da prosa fantástica contemporânea (ou neofantástico), para a qual a estética surrealista muito contribuiu.
Depois de toda a análise só me resta dizer: É bem por ai mesmo.
Grato pela leitura.
Metalinguagem wins! Rápido e rasteiro, mas cheio de entrelinhas. Excelente.
Sim. Pobre Rússia de 1917! Que monstruosidade fizeram contigo!
Rsrs. Brincadeira à parte, é muito bom. Abraços.
Está poupado do Gulag, por hora…. 😉
Grato pela leitura.
Um abraço.