EntreContos

Literatura que desafia.

Labirinto (Priscila Pereira)

labirinto

Entre espinhos e rosas, numa curva sombria, eu me vejo.

Não sei para onde ir.

Em um lado, solidão, neblina e mistério.

No outro lado o luar entre as folhas secas e brilhantes, um vento gelado e um assovio agudo, sonoro e melancólico, constante.

Penso… , escolho o caminho, (será o certo?).

De onde vem esse assovio? Sigo para a passagem prateada, em direção ao assovio, onde ele vai me levar?

Afasto as folhas e galhos; meus passos ecoam no ar gelado;

Escuridão…  Só a lua, intensa me ilumina.

Deparo-me com mais curvas e passagens, o ar fica mais gelado e úmido, ouço passos distantes, um forte cheiro de dama-da-noite me invade trazendo lembranças.

Olho para os lados, só vejo paredes de arbustos. Olho para cima, bem distante brilha uma lua enorme. Olho para baixo, pétalas de rosas brancas por toda a passagem.

Um medo me assalta (porque eu estou aqui? Não consigo me lembrar!).

O assovio muda de tom, é mais agudo, sinistro e ainda mais melancólico.

Paro, estou em frente a uma porta coberta de galhos secos. Não sei o que fazer, passo a mão sobre os galhos, eles cedem facilmente, a porta está livre.

O assovio vem de lá, meu coração dispara, pressente alguma coisa.

Empurro a porta, olho para dentro, vejo um jardim todo florido.

Lembro-me desse lugar, já estive aqui antes!

Entro, a porta se fecha, estou trancada aqui dentro. Silêncio, o assovio cessa, olho em volta, banquinhos de pedra por todos os lados, uma enorme variedade de flores, há uma fonte bem no centro do jardim, o borbulhar da água me desperta, vou andando em direção a fonte, a água é cristalina e se derrama em forma de cascata.

Ouço um som estranho, que vem de traz de umas folhagens, vou até lá, vejo uma pessoa sentada em um balanço que vai de lá para cá movido pela força do vento. Só consigo ver as costas da pessoa, vou chegando cada vez mais perto e paro bem atrás da pessoa, é uma mulher, muito familiar, toco de leve em seu ombro, ela se vira lentamente e olha pra mim.

Um terror me invade, a mulher em cima do balanço sou eu.

– Estava te esperando – Disse ela.

– Quem é você?  – Eu perguntei.

– Eu sou você, este é o jardim da sua alma, você acabou de passar pelo labirinto do conhecimento do seu próprio eu! E eu, eu sou real, você, você é apenas um fruto da minha imaginação.

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4 comentários em “Labirinto (Priscila Pereira)

  1. Neusa Maria Fontolan
    5 de setembro de 2016

    Fica aqui uma pergunta que sempre faço: Será que sou real? Ou sou apenas uma centelha da imaginação de minha alma, o meu verdadeiro EU.
    Parabéns Priscila.
    Seu texto da o que pensar.

    • Priscila Pereira
      6 de setembro de 2016

      Obrigada Neusa, esse texto foi o primeiro que escrevi, gosto muito dele.

  2. Olisomar Pires
    4 de setembro de 2016

    Belíssimo texto. Poético. A construção foi envolvente, aguça a curiosidade. Parabéns.

    • Priscila Pereira
      4 de setembro de 2016

      Muito obrigada Olisomar, por ler e gostar. Fico feliz!!

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Informação

Publicado às 2 de setembro de 2016 por em Contos Off-Desafio e marcado .