EntreContos

Detox Literário.

Ponte das Almas Perdidas (Thales Soares)

caveiras pecadoras

Durante a caminhada, Miguel observava o ambiente ao seu redor. A névoa era densa, permitia somente a visão de seus companheiros, Pablo e Juan, e daquela interminável ponte a qual há meses estavam atravessando.

Sem dormir, sem comer, sem descansar, os três esqueletos trajavam ponchos coloridos e sombreiros de palha, e vagavam a esmo, marchando ininterruptamente com a esperança de encontrar o fim daquela desgastante jornada.

¡Miguel, Pablo! ¡Ahí, mira! – disse Juan, apontando para algo bastante insólito. Uma descomunal montanha de comida estava abandonada no meio do percurso. Nachos cobertos por molho de queijo cremoso, tacos com carne picante e pasta de feijão, fontes jorrando tequila. Tudo bem fresquinho, excepcionalmente suculento.

Ignoren – disse Miguel de forma bastante ríspida – Es una trampa. Nós, muertos, no necesitamos comida.

Então, os três companheiros seguiram em frente.

Mais adiante, outra visão bastante intrigante surpreendeu os viajantes.

¡Miguel, Pablo! ¡Ahí, mira! – disse Juan, apontando para uma pilha enorme de dinheiro e joias que estava largada no meio do caminho. Várias barras de ouro, diamantes e incontáveis pesos mexicanos brilhavam com vigor, quase engolindo os olhos daqueles que observavam.

Ignoren – disse Miguel novamente – Es una trampa. Nós, muertos, no necesitamos dinero.

Então, os três continuaram viagem.

Ainda mais adiante, novamente o destino brincou com os caminhantes daquela ponte.

Miguel, Pablo! Ahí, mira! – disse Juan, apontando para dois homens de terno, ambos muito formosos. Exuberantes de fato. Tratava-se de Rubem e Gustavo, dois exímios escritores, com habilidades inigualáveis, vencedores de vários prêmios de desafios literários. Pablo foi aspirante a escritor durante a vida, e sempre desejou estar no pódio como aqueles heróis.

A visão daqueles homens de sucesso era de se fazer cagar nas calças para quem possuísse um aparelho digestório. Como não era o caso de Pablo, não teve escrúpulos ao meter um murro na boca de Gustavo, afundando todos os seus dentes, seguindo a selvageria com uma cotovelada no supercílio de Rubem e um belo chute nos bagos.

¡PABLO! – gritou Miguel – ¿Perdiste el juicio?

Antes que Pablo pudesse se dar conta do que havia feito, duas misteriosas criaturas surgiram subitamente. Uma delas era um ser extremamente forte, com dois metros e meio de altura, todo vermelho e com cabeça de javali. A outra era uma serpente grotesca, do tamanho de uma caminhonete, com quatro patas e asas no dorso. As criaturas puniram Pablo de forma impiedosa, com muita porrada, dentadas, e, para finalizar, devoraram cada osso de seu corpo.

Miguel e Juan ficaram tão assustados que correram o máximo que puderam para bem longe daquela insanidade.

Dias se passaram. Talvez semanas. Talvez meses. Era impossível de saber, pois naquele lugar não havia luz e escuridão que regessem os céus. O ar estava sempre enevoado, de forma tão intensa que impossibilitava a visão da paisagem além da ponte.

Miguel… Ya no aguanto más – disse Juan, com voz sonolenta – Nos vamos a rendir.

No, no – respondeu Miguel, persistente – No vamos a desistir de esta lucha.

Quando Miguel olhou para seu amigo, vislumbrou uma cena aterradora. Um monstro peludo, com braços longos, pernas necrosadas, garras enormes e com cabeça de bicho-preguiça estava agarrado nas pernas de Juan. Juan, por sua vez, estava num estado catatônico, sem nem ao menos perceber a criatura que o debilitava.

¡JUAN! – gritou Miguel – Caray, ¿qué es eso?

Juan não estava escutando. Seu único desejo agora era dormir. Estava demasiadamente cansado, sem energias para continuar com a jornada. Assim que seu corpo tombou, o monstro-bicho-preguiça abriu sua imensa boca, repleta de dentes afiados, e o engoliu num único bocado.

Miguel ficou tão assustado que, mais uma vez, correu o máximo que pôde, para bem longe daquela monstruosidade.

O tempo passou novamente de forma indefinida. Agora, contudo, Miguel estava sentindo-se estranhamente confiante. Andava de peito estufado e cabeça erguida, acreditando que superaria qualquer tipo de adversidade. Topou com mais uma montanha de comida suculenta largada no meio do trajeto. Quase se mijou de tanto rir perguntando-se o quão tolos são os lacaios do submundo por impelir ciladas tão estúpidas em sua direção. Sentia orgulho de si mesmo. Sentia-se superior a Pablo e Juan, que foram tão tolos e inconsequentes.

– Fim da linha, muchacho.

Miguel virou-se e se deparou com outra sinistra criatura. Era um estarrecedor tigre bípede, extremamente musculoso, com três metros de altura, carregando uma pesadíssima marreta em suas mãos.

¿Quien eres tu, cabrón? – espantou-se Miguel.

– Sou o Guardião da Soberba, o mais poderoso de todos os Sete. Estou aqui para demonstrar o quanto eu adoro esmagar “cucarachas” como você, “mi amigo”!

O tigre deu um gigantesco salto por cima da cabeça de Miguel e aterrissou do outro lado do caminho, impedindo o avanço na ponte.

– Gostou? – perguntou o tigre, orgulhoso de si mesmo – É o pulo mais alto de todo o submundo.

Miguel recuou. Correu em disparada e escondeu-se em meio à montanha de comida. Amedrontado, fazia orações para Nossa Senhora de Guadalupe. Procurou acalmar os nervos devorando uma porção de nachos com guacamole e tomando uma boa dose de absinto. Comia compulsivamente. Seu apetite era insaciável.

Um raio púrpura caiu muito próximo a ele, interrompendo sua refeição. Um elefante roxo, do tamanho de um ônibus de dois andares e com o formato de um dirigível surgiu em sua frente.

Guardião da Gula! – surpreendeu-se o tigre – Saia do caminho. Sabes muito bem que sou superior a você. Apenas eu mereço devorar essa “cucaracha”!

O elefante lançou-lhe um olhar de desaprovação. Os dois iniciaram uma épica batalha, mas Miguel não ficou para assistir. Correu o mais rápido que pôde para longe daquela confusão.

Pela última vez, o tempo passou de forma misteriosa. Desta vez, Miguel encontrou alguém familiar em seu caminho. Era Maria Fernanda, a mulher mais encantadora que já conhecera. Morena, olhos claros. Só de olhar já dava vontade de fodê-la. Miguel não possuía pênis, nem língua. Mesmo assim, beijou-a da forma que só uma caveira sabe. Entregou-se nas mãos do Guardião da Luxúria, que encerrou sua jornada e levou-o direto para o inferno.

Maldito seja o amor, a mais traiçoeira das arapucas.

46 comentários em “Ponte das Almas Perdidas (Thales Soares)

  1. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pedro Luna

    Achei bacana a provável brincadeira com os autores que conhecemos. Mas não entendi nada. Fiquei sem entender o que o autor queria com o conto..rs Mas até que a loucura inteira foi divertida. haha

  2. Andre Luiz
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Andre Luiz

    Olá, cara Calavera!
    Seu conto começou de forma muito interessante e em um tom humorístico, o que me agradou logo de início. Contudo, sinto que tudo desandou a partir do encontro das três caveirinhas mexinacas(uma cena hilária destas três almas perdidas caminhando por uma ponte infinita, uma com um violão mexicano cantando “La cucaracha, la cucaracha…” ) com Rubens e Gustavo, quando o tom “satírico”/humorístico foi deixado de lado para dar lugar a uma aventura que – sinto muito por isso, mas – não sabia no conto. Mesmo assim, as caveiras dão destaque ao conto. Parabéns!

  3. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de wilson barros

    Cuento sobrenatural, al estilo de la “Divina Comedia” escrita por el poeta fiorentino Dante Alighieri. No pude hallar errores en el idioma español, ni en el portugués. Es cierto que el amor es la más pérfida celada, y cruzamos un puente tendido sobre un río lleno de lágrimas. Sin embargo, para eso nacemos y para eso morimos. Enhorabuena, usted escribe muy bien.
    (Apreciei muito a mistura de idiomas, que deu um toque de universalidade ao conto, assim como um filme com personagens estrangeiros. Se você ainda não leu a “Divina Comédia”, sugiro a tradução de Vasco Moura).

  4. Thata Pereira
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Thata Pereira

    Acho que sei quem escreveu esse conto rs’
    Muito divertido, adorei os diálogos, fizeram com que eu entrasse bem no clima do conto. Adorei as caveirinhas. Gostei muito!!

    Boa sorte!!

  5. Swylmar Ferreira
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Swylmar Ferreira

    Realmente, trata-se de um conto interessante e perspicaz, Não adianta fugir, o homem sempre cede aos pecados.
    A cronologia do texto foi perfeita, a linguagem usada é bem estruturada. Foi muito fácil de ler, esse é um diferencial importante.

  6. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Carlos Henrique Fernandes Gomes

    Ótimas imagens, bom humor na dose certa, texto fluído, dá pra gente ver os esqueletos e ouvir suas vozes de caveira falando “mexicano”. Uma reclamação: a última frase ou é dispensável ou, se faz questão dela, deve ser diluída no parágrafo anterior.

  7. Gustavo de Andrade
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo de Andrade

    A narrativa mais parece uma sequência de anedotas que um conto, de fato. Um conto de fadas amarrado por demais e com personagens sem qualquer personalidade a não ser um vago estereótipo estéril mexicano.
    Os pecados são inseridos de forma muito mecânica, a fim de prosseguir com a narrativa mas com um tom de artificialidade. Qualquer espírito de conto de fadas é perdido quando vemos situações repetitivas mais dignas de um Discovery Kids do que um Irmãos Grimm ou até Neil Gaiman.
    Houve uma certa restrição de público ao citar o Rubem e o Gustavo, de repente, sem nenhum motivo real além de incitar uma inveja falsa na caveira aspirante a escritora. Ainda nesse assunto, foi muito pouco convincente a sucessão de “pecados” e certas “morais” de história que percebi pelo conto. Nenhum confronto foi convincente; nenhuma penitência foi redentora.
    Quanto à frase final: Cara! De onde veio isso? O conto não se trata do amor, ou da paixão, ou qualquer coisa do gênero. A presença dessa frase traz algo súbito demais, inesperado num sentido ruim, uma vez que faz parecer que quem escreveu não sacou a essência da própria narrativa.

  8. rsollberg
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de rsollberg

    kkkkkkkk
    Gostei da cara de pau e da ousadia do autor.
    O texto é leve e tem boas doses de humor.
    Nesse diapasão, achei a homenagem justíssima, combinou com a proposta.

    Penso também que o conto logrou êxito em aproveitar todos os pecados em um história só. A mistura latina funcionou e deu um charme para o texto.

    Pobre Miguelito!
    Parabéns e boa sorte.

  9. Lucas Almeida
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Lucas Almeida

    Muito criativa sua narrativa, apesar de que essa mistura de espanhol com português não me agrada, poderia ser apenas português mesmo que ficava bom. Outra coia que não combinou foi a ultima frase da história. Em todo caso parabéns, e boa sorte 🙂

  10. Pétrya Bischoff
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pétrya Bischoff

    Buenas!, construção muito interessante. Um daqueles contos que pensamos: Da onde um criatura tira caveiras mexicanas andarilhas cruzando com o Gustavo e o Rubem? hahhahah Gostei da narrativa mais que da escrita, apesar de entender o espanhol, não curto muito quando utilizam outros idiomas. E o que mais gostei foi a sacada da caveira de invocar outro guardião para se livrar do pior deles. E teve um fim legal, quem melhor que a luxúria para terminar com nossos dias? Parabéns e boa sorte.

  11. Leandro B.
    23 de fevereiro de 2015
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Calavera.

    Achei o conto divertido, bem como a homenagem ao Rubem e ao Gustavo.

    A narrativa está muito boa, fluída. Me chamou atenção você utilizar os diálogos em espanhol, mas conduzir tão bem a descrição das cenas e dos sentimentos que qualquer um (acho) que lesse o texto em sua língua nativa entenderia as passagens.

    Achei um pouco exagera a maneira como a soberba de repente se apoderou de miguel, que parecia inteligente demais para se meter nessa cilada, mas entendo que esse não era bem o foco do conto.

    Não reparei em nenhum erro de revisão. Reforço, achei um conto bem divertido.

    boa sorte!

  12. williansmarc
    22 de fevereiro de 2015
    Avatar de williansmarc

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 7
    Inovação: 8

    Minha opinião: Muito bom, engraçado em várias partes e com uma mensagem interessante ao fim do conto. Achei esse conto bem parecido com o anterior, “O Sabor da Fúria”, mas esse é um pouco mais engraçado(como já disse) e com uma técnica mais apurada. Não sei quem é o autor, mas achei legal a referencia aos outros dois autores desse desafio literário.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Edivana
    22 de fevereiro de 2015
    Avatar de Edivana

    Que belo conto, com o amor fodendo tudo, como sempre, e a bela homenagem prestada aos dois escritores! Com certeza uma história não muito original, mas bem executada. Parabéns! …mas matutando aqui, pense numa ponte complicada! rs

  14. Bia Machado
    21 de fevereiro de 2015
    Avatar de Bia Machado

    “Mesmo assim, beijou-a da forma que só uma caveira sabe.” kkkkkkkkkkkk, adorei! Um conto surreal de vez em quando é bom para animar. Ainda mais quando lhe parece bem escrito. Parabéns! 😉

  15. Luan do Nascimento Corrêa
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Luan do Nascimento Corrêa

    Interessante a materialização dos pecados no submundo. O texto está bem escrito, embora contenha alguns erros de digitação. No mais, achei a história divertida e um pouco maluca. Parabéns!

  16. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Leo Jardim

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (4/5) muito legal. Muito parecia com minha ideia em Sabor da Fúria (no início eram os demônios disputando as almas no inferno, resolvi que a disputa seria na Terra). Ótimo o portunhol e a inserção dos nossos melhores autores 😀 (que inveja! rs)

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, com certeza trata-se de um autor experiente e rato velho aqui dos desafios.

    ➵ Tema: (2/2) uma ótima leitura do tema, passou poros sete pecados no curto espaço (✓✓). Pena não poder dar nota maior.

    ☀ Criatividade: (3/3) muito criativo mesmo. O mais criativo do certame.

    ☯ Emoção/Impacto: (5/5) muito divertido, dei ótimas risadas enquanto lia.
    ╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌
    ☺☝ Classificação: ❶º (isolado na liderança com 18 pontos, primeiro colocado sem dúvidas 😀 ).

  17. Tiago Volpato
    20 de fevereiro de 2015
    Avatar de Tiago Volpato

    Texto bem criativo e bem escrito. Mas pra mim ficou como uma grande piada específica que eu não entendi nada por não ter essa bagagem. Foi isso 😛

  18. Gustavo Aquino dos Reis
    18 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo Aquino dos Reis

    A narrativa, nos dois primeiros diálogos, me lembrou uma anedota.

    “– Miguel, Pablo! Ahí, mira! – disse Juan, apontando para dois homens de terno, ambos muito formosos. Exuberantes de fato. Tratava-se de Rubem e Gustavo, dois exímios escritores, com habilidades inigualáveis, vencedores de vários prêmios de desafios literários.”

    Adorei a referência aos mestres.

  19. Rodrigo Sena Magalhaes
    18 de fevereiro de 2015
    Avatar de Rodrigo Sena Magalhaes

    Achei chato no início, engraçado no meio e ficou confuso até o final. Estou bem chato hoje… mas o conto é legal. Criativo, pelo menos.

  20. Jowilton Amaral da Costa
    17 de fevereiro de 2015
    Avatar de Jowilton Amaral da Costa

    hahaha, muito bom. Achei bem original, e a menção ao Gustavo e ao Rubem foi hilária, o fim foi excelente. Gostei da condução do conto e não percebi erros. Parabéns.

  21. Eduardo Selga
    16 de fevereiro de 2015
    Avatar de Eduardo Selga

    Contar uma estória é diferente de ter uma estória para contar. A primeira situação só ocorre na presença da segunda, mas não são a mesma coisa. Sem as ferramentas de encantar, o encontro com um conto não se transforma no abraço que deve ser: é esbarrão, é incômodo. É preciso que o autor, ao contar a estória, vá além dela mesma; procure, por meio da palavra e não pela ação espetaculosa, as razões dela que não são ela mesma. Ou seja, é preciso, no conto, escrever e inscrever o ser humano, essa criatura contraditória, muitíssimo mais do que a ação.

    O conto se organiza em torno da peripécia, ou seja, uma sucessão de fatos de mesma natureza vividos pelo(s) protagonista(s) que, juntos, forma uma “aventura”, que no conto adquire numa concepção bem adolescente do termo, muito próxima ao vídeo game, com criaturas espetaculares a lutarem entre si numa “épica batalha”.

    A despeito de a peripécia, por si, não ser procedimento condenável (em literatura tudo é possível, a questão é o modo de usar), a condução da trama claramente carece de elaboração, de modo a perder essa “cara” de Street Figther, esse ramerrame cuja intenção é encaixar alguns pecados capitais.

    E nessa toada, o aparecimento súbito de uma personagem feminina “comível” foi extremamente forçado. Num texto sem expressão estética, a entrada a fórceps no final da personagem apenas como pretexto para se mencionar a luxúria, exerceu função oposta à “chave de ouro”, ou seja, reforçou a ideia de gratuidade dos personagens e trama, antes aqui mencionada.

  22. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015
    Avatar de Ricardo Gnecco Falco

    Um gostoso passeio sobre a ponte das vaidades literárias… rs!
    Alguns personagens “conhecidos”, outros “camuflados”; outros apenas “sugeridos”. Uma Disneyland tupiniquim cujo passaporte só tem validade para os conhecedores do mapa deste aquoso terreno.
    Uma gostosa experiência!
    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  23. Gustavo Araujo
    16 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gustavo Araujo

    Conto muito divertido. Sério mesmo. Eu ri como em nenhum outro aqui. O trecho em que meu homônimo aparece, junto com o Rubem, foi hilário. E o soco na boca? Cara, ri muito. Esse conto tem como mérito o fato de não se levar a sério demais. A começar pelos personagens, passando pela inspirada ambientação (ponte) e, claro, o portunhol. Além disso, procura abranger os sete pecados sem se preocupar com a fidelidade às características peculiares de caso a caso, mas simplesmente abordando-os de forma lúdica e irreverente. Do meio para o fim, porém, senti a leitura arrastar-se um pouco, até o momento derradeiro, em que Maria Fernanda aparece. Não por acaso, o final trouxe de volta a sensação de novela mexicana, no melhor sentido da expressão. Enfim, um belo trabalho — o último conto que comento neste desafio — que encerra muito bem o certame. Parabéns!

  24. alexandre cthulhu
    16 de fevereiro de 2015
    Avatar de alexandre cthulhu

    Ora aqui está um conto originalmente bem escrito e narrado. Gostei muito da utilização da língua Espanhola, da originalidade das personagens, bem como as “tentações/ pecados” que vão surgindo aos 3 esqueletos. Gostei da linguagem vernácula e ousada. Dá sempre um bom “taste” a qualquer conto.
    Ficou por explicar porquê que eram esqueletos, tinham desejos, e consciência, mas o leitor não sabe para de onde eles vieram ou para onde eles iam. Talvez fosse esse o propósito. Parabéns!

  25. Maurem Kayna (@mauremk)
    15 de fevereiro de 2015
    Avatar de Maurem Kayna (@mauremk)

    Soa mais como fábula que conto, mas a narrativa flui bem. Achei as descrições das criaturas que simbolizam cada pecado um pouco exageradas (aliás, não as descrições, mas as comparações com automóveis possantes e coisas do gênero), mas nada que realmente incomode durante a leitura.

  26. Pedro Coelho
    15 de fevereiro de 2015
    Avatar de Pedro Coelho

    Foi um dos contos mais estranhos que eu li até agora rsrsrs. Mas eu gostei. Muito criativo, apesar de viajar bastante. Uma narrativa bem curiosa que prende a atenção até o fim. O final eu achei meio sem graça se comparado ao resto do conto. Mas é um texto bem curioso e com certeza único.

  27. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015
    Avatar de Virginia Ossovski

    Haha, gostei das caveiras. Achei o conto muito bem pensado e criativo. Gostei da técnica, não encontrei erros, e a mistura com o espanhol ficou fantástica ! Parabéns ao autor e sucesso no desafio !

  28. Anorkinda Neide
    14 de fevereiro de 2015
    Avatar de Anorkinda Neide

    hahahaha é de rir do começo ao fim! ahh o amor…. este vilão 😛

    adoro espanhol, entao me refestelei aqui! Parabens pela criatividade, autor invejoso!
    Só não vai pro topo de meu pódio, pq li outros mais densos, digamos assim…mas esta leveza insólita aqui merece palmas.
    abração

  29. Sonia Rodrigues
    14 de fevereiro de 2015
    Avatar de Sonia Rodrigues

    Interessante a ideia de usar a festa mexicana dos mortos, e o uso do espanhol ambienta bem o leitor.
    O desenvolvimento com a sucessão de armadilhas é bom, e o final pega o pobre Miguel de surpresa.
    Pecou pela superficialidade, ficou no plano do folclore, do lúdico, não aprofundou o significado da jornada dos mortos, o que poderia dar ao leitor uma segunda leitura.
    Sugestão – apresentar as caveiras já na primeira frase.

  30. mariasantino1
    13 de fevereiro de 2015
    Avatar de mariasantino1

    ¿Estás bien?

    Hahah! Engraçado que esse conto se lê com sotaque. Gostei sim. Subentende-se que o caveira PABLO se queimou em inveja dos grandes Gustavo e Rubem (com razão 🙂 ) mas se fosse mais descrita essa inveja o efeito seria melhor, e mais cativante.Todo o surrealismo contido é muito bom. As imagens, as tentações que os amigos enfrentam nessa ponte/purgatório (o Miguel não suportou a luxúria 😛 ).
    Desejo sucesso!
    Abraço!

  31. Sidney Muniz
    12 de fevereiro de 2015
    Avatar de Sidney Muniz

    Não gostei muito não.

    com muita porrada – A narrativa vinha mais polida e de repente mudou. Achei que ficou descaracterizado.

    Bom, acho que o limite de mil palavras foi o que mais prejudicou sua estória que acabou ficando muito “corrida” “juntinha” “embaralhada demais” prejudicando não só o enredo como a própria narrativa em si.

    Uma pena pois a ideia, a meu ver, renderia uma boa aventura.

    Trama: (1-10)=7
    Narrativa (1-10)=7
    Personagens (1-10)=6
    Técnica (1-10)=8
    Inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=4
    Título (1-5)=4

    Boa sorte!

  32. Brian Oliveira Lancaster
    12 de fevereiro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    Meu sistema: EGUA.
    Essência: divertido e bastante inusitado. Nota 10,00.
    Gosto: literalmente quebrou a quarta parede. O humor aliado à cultura mexicana deu um ar totalmente sarcástico à história, o ponto alto. No entanto, como a pressa é inimiga da perfeição, senti uma leve correria perto do final, que também foi muito bom. Nota 7,00.
    Unidade: as palavras estrangeiras foram muito bem acentuadas. Nota 10,00.
    Adequação: a inveja falou mais alto, apesar de passear pelos outros estilos. Nota 9,00.
    Média: 9,00.

  33. Thales Soares
    12 de fevereiro de 2015
    Avatar de Thales Soares

    Oba, hora de comentar o conto que eu mais amei neste desafio inteiro: o meu próprio!

    Espero que eu tenha consigo agradar alguém com as bizarrices que saem da minha mente de vez em quando. Eu me diverti bastante escrevendo esta história, e tentei reunir vários elementos que eu aprecio para construir esse universo. Cultura mexicana, monstros com forma de animais, caveiras, ponte enevoada, elefante roxo, etc.

    Essa ideia demorou para surgir em minha mente. Eu cheguei a pensar, diversas vezes, que eu jamais conseguiria criar um universo fantástico, desenvolver as personagens, e fechar o círculo da história, tudo em menos de 1000 palavras! Isso sim é que eu chamo de desafio…

    Quanto ao Gustavo e ao Rubem… eles sabiam que apareceriam em meu conto, pois eu os avisei antes. Só não avisei que eles tomariam soco na boca e chute no saco num universo paralelo proveniente da minha imaginação fértil. Enfim, mas eles me liberaram pra eu fazer o que quisesse com essas personagens 🙂 . Sou fã de vocês dois ein! Não me levem a mal por isso.

    O que eu pude perceber neste desafio, é que todo mundo aqui escreve muuito bem!! Então, pra me destacar na multidão, a única arma que eu possuo é a criatividade. Espero que tenha funcionado desta vez… Dia 24 descobrirei.

  34. Fabio Baptista
    11 de fevereiro de 2015
    Avatar de Fabio Baptista

    Outro conto bem divertido! 😀

    Gostei da ideia das caveiras mexicanas (aliás… bateu a maior vontade de comer comida mexicana!) vagando no submundo e sendo desafiadas pelos pecados.

    A ideia de driblar o tigre da soberba com o elefante foi muito boa. E a luxúria (que eu tinha até esquecido) fechou bem o conto (e quem pode culpar o Miguelito?).

    Veredito: gostei!!!

    PS: Esse tem o estilo do Thales. 😀

  35. Mariana Gomes
    11 de fevereiro de 2015
    Avatar de Mariana G

    Bem criativo. O desenvolvimento da história é bom, algumas partes eu não vi surpresas, mas o fim foi muito bom. Parabéns e boa sorte!

  36. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015
    Avatar de Rodrigo Forte

    Rapaz, muito bom, muito bom mesmo. Gostei do clima fantástico do texto e me lembrei em alguns pontos do jogo Guacamelee. O texto é muito bem humorado e faz desejarmos que ele pudesse ser maior para que conhecessemos um pouco mais desse mundo. Parabéns!

  37. Rodrigues
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Rodrigues

    Gostei do conto, boas descrições, criativas, e um tanto de humor. As caminhada das caveiras, sendo atormentadas pelos pecados capitais na forma de monstros ou de escritores daqui (Gustavo, Rubem) foi apresentada com classe. Essas caveirinhas são simpáticas, no entanto achei que faltou uma concisão na história, sento como se o autor estivesse apenas listando os pecados, não sei, mas no geral gostei da viagem.

  38. JC Lemos
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de JC Lemos

    Sobre a técnica.
    A técnica narrativa é boa, mas em certos trechos parece muito inocente.

    Sobre o enredo.
    Gostei da representação dos pecados, mas a história não me conquistou. Coitado do Rubem e do Gustavo. Hahaha

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

  39. Claudia Roberta Angst
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    Conto bem escrito, com a requerida referência aos pecados: gula, preguiça, soberba, luxúria, ira, Acho que foram esses os abordados pelo autor. Achei a leitura divertida, bem conduzida, sem percalços pela ponte, digo, no desenvolvimento da narrativa. Gostei. Boa sorte!

  40. Cácia Leal
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Cácia Leal

    KKKKKKKKK. Bastante divertido o conto e extremamente criativo também! Adorei. Ri muito. O modo despojado como é contado e a linguagem utilizada fizeram o texto fluir e agradaram muito. As três caveiras são hilárias e o modo como os pecados são abordados é muito diferente de todos os demais contos. Parabéns ao autor.

  41. Gilson Raimundo
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Gilson Raimundo

    Muito bacana este jogo de tentações, se temos que perder que seja no mais doce pecado !Arriba Muchacho!!!!!

  42. Alan Machado de Almeida
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Alan Machado de Almeida

    Adorei o conto inspirado na cultura mexicana, ganhou pontos pela originalidade nessa parte, mas a última frase foi brega.

  43. Luis F. T.
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Luis F. T.

    Bom conto, com um final interessante. Só não compreendi muito bem como da inveja pulou pra ira tão rapidamente.

    De qualquer forma, está bem redigido e sem erros. Está de parabéns!

  44. rubemcabral
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de rubemcabral

    Fala. Thales (?). Então, o conto apresenta-nos um mundo muito interessante e rico, esta ponte infinita onde tentações se apresentam aos mortos, os elementos da cultura mexicana, etc.

    O texto começa bem, gostei das falas em espanhol e das descrições, mas acho que tudo desandou quando as criaturas começaram a aparecer; vai ficando bizarro e estranho feito uma bad trip causada por várias garrafas de mezcal batizado.

    O final é bom, contudo, deu um tom de conto de fadas ao texto. No frigir dos chicharrónes, o conto resultou apenas bom.

  45. Alexandre Leite
    10 de fevereiro de 2015
    Avatar de Alexandre Leite

    O autor escolheu escrever através de símbolos muito óbvios, o que empobreceu a criatividade. Bem escrito, parágrafos bem estruturados, mas o conto pecou pela falta de surpresas e ausência criativa.

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Publicado às 9 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .