EntreContos

Literatura que desafia.

Transtorno Antissocial (Leda Spenassatto)

Sufocou-a, com cuidado para que não gritasse e, também, não morresse antes da hora. Certificou-se de que ninguém pudesse interromper esse momento de êxtase.  Começou pelas unhas: aparou-as,carinhosamente, cortou  pouco mais da metade da parte  pontiaguda, bem próxima da parte que sangra,(sentiu uma leve excitação), lixou-as para que não lhes arranhassem, passou seus dedos de leve, o calor do sangue, aqueceu seu libido, lambeu os beiços e sentiu sua ereção se avolumando. Como um felino no cio, gemeu de prazer. Carinhosamente, aquietou sua presa, acarinhando seu corpo pequeno e sua cabeça. Beijou-lhe a nuca, sentindo seu hálito suave sussurrou dóceis palavras como a transmitir confiança e ganhar o seu silêncio. Silêncio, que mais tarde seria abafado com mãos de ferro, prontas para calar qualquer vestígio, de possíveis delato.

Os gemidos de dor emanados de sua presa ecoam como preliminares estímulos para a sua excitação.  Molesta-se, esfregando de leve seu órgão genital de encontro com a mesa, enquanto esquarteja a sua vitima. A cada parte extirpada, a cada grito sufocado, seu êxtase se acarinha acelerando prazerosamente os turbilhões de descargas de adrenalina capazes de levá-lo ao climatério.

Separada a perna da coxa,a presa convulsiona, o sangue que jorra vai de encontro à boca do jovem algoz, aumentando a sua adrenalina, causando palpitações em seu peito. Como um elixir, o líquido vermelho, acelera os prazeres da carne e  embriaga a razão de Jonas.Jovem sádico e pervertido, capaz dos mais atrozes atos de monstruosidades. Matar e esquartejar suas vítimas se tornou algo corriqueiro para ele, algo prazeroso e necessário. Prazeroso como uma ejaculação e necessário como o alimento e a defecação. Nada lhe é impossível, em se tratando dos prazeres da carne, que comandam os seus impulsos carnívoros e animalescos. Com a faca tinindo de afiada ele desconjunta sua presa bem devagarinho, corta primeiro o couro ao redor da junta e com sua enorme língua acanoada vai sugando o sangue que tinge seu rosto alongado,colorindo sua barba,  mesclada de branco e preto. De vez, ou outra, levanta o rosto se deliciando com a imagem refletida no pequeno espelho, pendurado em frente à mesa da cozinha. A imagem da monstruosidade aquece lhe, ainda mais, os impulsos de animal irracional, quando sua língua alongada lambe  o sangue que escorre em seus beiços, fazendo com que uma gota se desprenda da sua barba, que era branca, deslizando pelo cavanhaque e vai se chocar em sua calça, bem encima da elevação, do seu disparate de homem, doidivano. Fato que embriaga de vez a sua insanidade mental. A cada facada desferida, a cada rajada de sangue que flui das veias de sua vítima , a virilidade do psicopata se avoluma. A adrenalina vai tomando conta do seu ser, que  se transforma no mais miserável dos  homens e, deixa-se levar pelo  comando de impulsos diabólicos e inconcebíveis diante da  virilidade do macho.  Fora do comando da razão, ele desfere mais uma facada certeira, separando de vez, a perna do corpo da sacrificada. Está se contorce de dor até perder os sentidos. Enquanto que ele se contorce delirando de prazer. E, como o seu prazer depende da dor e dos gemidos de sua imolada, tarda em jogar-lhe um copo de água fria na cabeça para que se reanime. Os gemidos penosos da mutilada convulsionando-se sobre a mesa ensanguentando seu órgão sexual, sua cara, sua língua, sua barba, seu cavanhaque e, principalmente sua mente satânica, movida por pensamentos perversos como o de agora levam-no ao maior estado de adrenalina já registrado no cérebro humano.Com a ajuda de uma das mãos se lambuza bebendo o sangue que corre das veias  do seu infortúnio, com a outra aria a calça, deixando-a cair, liberando um membro, rijo e roxo, que, vai se deitar ao encontro da coxa ensanguentada e tremula de carnes , ainda quentes. Uma última convulsão! Um último e penoso gemido ao contato do órgão ereto, é sufocado e calado no momento em que a faca amolada circula, na junta da perna oposta. A pele é separada deixando a mostra os músculos brancos que rapidamente vão se tingindo de vermelho acelerando a respiração do homem que não se contem e ejacula.

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Publicado às 6 de outubro de 2014 por em Contos Off-Desafio e marcado .