EntreContos

Detox Literário.

Fortuna (Maria Santino)

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Faltava um quarto de hora pro meio dia, o sol ardia no firmamento, e Zezé, na barraca de peixe, brincalhão e bondoso que só ele, cedia duas tainhas para o preto velho e coxo que ninguém queria perto.

– Cabra besta! Ond’é que já se viu? Assim tu num lucra!

Dizia o verdureiro avarento ao ver o feito, mas Zézé não se amofinava e rebatia com o eterno sorriso aceso enquanto ticava e elevava as orbes em prata no atrito da faca.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

55 comentários em “Fortuna (Maria Santino)

  1. Carolina Soares
    4 de outubro de 2014

    Gostei do convite que nos é feito a essa viagem na história, texto rápido de se ler e bem imersivo. Estou encantada, parabéns!

  2. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Muito bom. O viés regionalista soa contundente, os diálogos passam longe de qualquer maneirismo e o autor soube manter a cadência e a musicalidade da obra original. Ao final da leitura, e voltando-se à obra de Gil, tem-se a impressão de que os versos se originaram na prosa, e não o contrário. No entanto, como sabemos que não foi assim, a observação dos colegas sobre a pouca autonomia criativa em relação ao trabalho base é bastante válida.

  3. pisciez
    3 de outubro de 2014

    Este conto está demais! Gostei demais da forma que o conto tomou o ar de música aos poucos, introduzindo rimas lentamente conforme o texto avançava.

    A execução está perfeita. O paralelo com a música, perfeito. Tudo está bom, incluindo o vocabulário diferente e puxado da região e a forma regionalizada da escrita. PARABÉNS!

  4. Gustavo Garcia De Andrade
    3 de outubro de 2014

    É um conto bom, mas penso que pelos motivos errados.
    Enquanto a construção sintático-poética, aliada ao regionalismo orgânico, deu um ótimo tom pro seu texto, não senti um enredo tão elaborado. Porque: enquanto houve um cenário bem rico, achei a identificação com os personagens e as paixões muito repentina… não senti a raiva do Zezé, nem a paixão dele pela menina.

  5. Gustavo Araujo
    2 de outubro de 2014

    Admiro muito quem consegue escrever dessa forma, usar do regionalismo sem parecer forçado. Eu, sinceramente, não consigo. Sempre acho que estou exagerando, que está ficando tudo uma porcaria e tal… Mas aqui achei que ficou na medida certa. O conto é simples, se considerarmos a música em que busca inspiração, e tem seu mérito justamente por traduzir sem exageros a atmosfera divertida que permeia a canção de Gil. Imagino que se o autor buscasse inovar, essa identidade se perderia, então, a meu ver, o texto ficou na medida ideal. Parabéns.

  6. Eduardo Barão
    29 de setembro de 2014

    O discurso pomposo carregado de regionalismo dificultou a compreensão e me incomodou em certas passagens; mas isso parte mais para o meu gosto pessoal e não serve para desmerecer a qualidade do texto e o talento do autor. Gostei do final.

    Algo que realmente me deixou intrigado foi o (curioso) debate desencadeado nesse desafio acerca das transcrições literais de letras previamente escolhidas. Eu sinceramente não vejo problema nisso, já que o regulamento não impõe qualquer restrição à criatividade. O que deveria estar em pauta é a qualidade da transcrição, e não a mesma por si só.

    Mas enfim, impossível agradar a gregos e troianos: muitos reclamam quando o escritor se esquiva do tema escolhido; enquanto outros reclamam quando o escritor se atém demais à proposta do desafio. Vai entender.

    Parabéns.

  7. Edivana
    27 de setembro de 2014

    Gostei bastante, principalmente do regionalismo. A história é bem contada, prende a nossa atenção, faz sentir pena e faz pensar. Não conhecia a música, (na verdade descobri que conhecia quando a ouvi no final) então até a cena do derradeiro convite, estava esperando por qualquer coisa. Obviamente, não é uma grande surpresa, mas é um bom desfecho.

  8. Andre Luiz
    27 de setembro de 2014

    Primeiramente: Não achei o regionalismo forçado. Com maestria, Gil conseguiu transpassar a um conto toda a delicadeza e espanto da canção de Gilberto Gil. Esta música é sem dúvidas a minha preferida do momento dentre todas as produções brasileiras de todos os tempos, e não me canso de rever. Isto se vale a seu conto. Li e reli várias vezes, em cada uma delas tendo uma sensação nova e mais emocionante. Agradeço pela obra que, de longe, é uma das melhores concorrentes deste concurso. Simples e arrasadora! Parabéns!

  9. Camila H.Bragança
    27 de setembro de 2014

    Prezado/a colega

    Vim por meio deste comentário discorrer acerca das impressões causadas pelo seu texto. Vosso texto possui elementos de tragédia se avaliarmos que nas tragédias clássicas os personagens envolvidos são vítimas de um défice de informação – Édipo não sabia que Jocasta era sua mãe, Romeu se envenena por acreditar na morte de Julieta -, no presente caso, o conflito ocorre quando o grosseirão confunde o convite da moça à amiga debruçada na janela da construção a qual trabalha. Não percebo falha quanto a fidelidade da canção, nem ausência de criatividade, porque houve o trabalho na estruturação do prólogo que desaguou com o fim previamente executado por Gilberto Gil. Ratifico a observação de Maria Santino e Fábio Baptista quanto aos deslizes nos diálogos e acentuação dos nomes.

    Saudações!

  10. Fabio D'Oliveira
    23 de setembro de 2014

    Opa, Gil, como tu tá!?

    Então, gostei e não gostei do conto.

    Muito bem escrito, com um toque poético que me conquistou. Não gostei muito do regionalismo. Na minha opinião, acabou poluindo mais do que enriquecendo.

    A música de inspiração é muito boa. Mas senti que não foi uma inspiração que aconteceu. E sim uma transformação da música em conto. Isso me incomodou um pouco.

    Enfim, o texto está muito bem escrito. É um escritor excelente, Gil! Porém, o texto não me conquistou. Mesmo assim, parabéns pelo trabalho!

  11. Lucas Almeida
    22 de setembro de 2014

    Gostei do seu texto, tem um ritmo interessante que me fez sentir-me dentro da história. Parabéns pelo texto 😀

  12. Swylmar Ferreira
    22 de setembro de 2014

    O autor conseguiu construir um texto muito legal seguindo a risca o tema musical e também foi interessante o modo de escrita ambientado em regionalismo interiorano. Excelente sua escolha do tema que é um clássico dos antigos festivais. Parabéns.

  13. Alana Santiago
    21 de setembro de 2014

    Eu gostei! A regionalidade me encantou, curto muito isso em um texto. Acho que a música (ótima lembrança) foi bem empregada, talvez um tantinho demais do que deveria, mas o resultado me agradou muito enquanto leitora. E acho que é isso o que conta para o escritor, rs. Parabéns!

  14. Thiago Mendonça
    21 de setembro de 2014

    Muito interessante seu estilo de escrita. Escreve muito bem, tem um estilo próprio, só achei o ritmo um pouco estranho. Algumas passagens eu li sem saber o que acontecia direito, tinha que reler.

    Faltou um pouco de originalidade ao invés de traduzir a música ao pé da letra.

    Fora isso, ótima escolha musical, e ótima técnica narrativa.

  15. Felipe Moreira
    21 de setembro de 2014

    O conto me atingiu na emoção. Ouvi tantas vezes essa música com meu pai e não acredito que a odiava no início. Quanto ao texto…

    Excelente regionalismo, rico culturalmente e bem narrado. A música ganhou vida e por mais que tenha sido construído fielmente à letra, imagino a dificuldade em transformá-la nesse trabalho tão poético. Se virasse um roteiro com essa narrativa, daria um curta magnífico. Muito bom.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  16. Angélica Vianna
    20 de setembro de 2014

    Muito bom o conto, apesar de ser um retrato praticamente fiel da música.Gostei particularmente como você abordou a questão do regionalismo.

  17. tamarapadilha
    20 de setembro de 2014

    Bom… eu na teoria não gosto de nada que seja levemente informal, e podemos dizer que essa linguagem regional é do tipo informal, mas como todos os casos possuem sua exceção. Esse eu gostei muito, soube escrever de uma forma bem espontânea, sem qualquer coisa forçada. Usou bastante metáforas mas conseguiu transmitir muito bem o enredo. Uma música brasileira, mais um ponto positivo a seu favor. Me arrisco a dizer que esse é o quinto conto que leio até o momento e o melhor.

  18. Fil Felix
    19 de setembro de 2014

    #O que gostei: evidente que escreve bem, tem o domínio da narrativa e busca sempre palavras novas, mas…

    #O que não gostei: esse estilo não me agrada, acho muito “over”, a leitura é travada e tem momentos que só li, não absorvi a cena na minha cabeça. Prefiro algo mais claro, mas é questão de gosto.

    #O que mudaria: daria uma limpada no regionalismo, deixaria menos travado.

  19. Rogério Moraes Sikora
    16 de setembro de 2014

    Gostei muito do conto. Uma narrativa simples, alegre e muito bem construída. Diálogos fluentes. Gostei de algumas pitadas de regionalismos. O triângulo amoroso prende a atenção. Uma leitura deliciosa. Boa sorte!

  20. Guga Pierobom
    15 de setembro de 2014

    Legal o texto.
    Gostei muito dos diálogos, com as expressões regionalistas (faço muito isso quando escrevo contos sobre o Rio Grande do Sul, de onde sou.
    Não conhecia a música, legal.
    Sem escutar a música, o texto é excelente. Depois de escutar a música, achei que você se baseou “demais”.
    Mas gostei, parabéns.

  21. Andréa Berger
    13 de setembro de 2014

    Incrível. O conto tem um ritmo todo diferente, o uso da prosa-poética foi muito bem executado e o regionalismo deixou mais gostoso de ler. Uma viagem deliciosa esse conto (claro, o amor por essa música deve ter contribuído muito para eu ter gostado tanto). As personagens foram bem trabalhadas junto com seus papéis sociais, a ambientação foi bem pensada, o enredo lindíssimo… Uma história muito bem narrada e muito boa de ler.
    Um abraço e boa sorte.

  22. José Leonardo
    13 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Narrativa com um regionalismo quase impecável, diálogos ligeiros bem ao sabor da realidade e certos tons poéticos (afinal, dos pampas aos confins do Amapá sempre há boa poesia mesmo numa simples conversa de esquina). Nem preciso dizer da qualidade e do esmero do escritor aqui — sucesso na técnica e na concisão. Embora, na minha opinião, o conto pudesse se estender (já tratarei disso), acredito que ele transmitiu com sucesso a mensagem principal que estava atrelada à música.

    Porém, ela — a música. Gostaria de ver um desfecho diferente, um toque adicional de criatividade. Não conhecia a canção toda, e escutando notei que ela está presente em demasia no enredo (sei que muitos aprovam, mas a mim essa quase transcrição literal não calhou). Gostaria que fosse mais desenvolvido, por exemplo, quanto à amizade de Jão e Zezé para contrastar com o ato final (questão de gosto pessoal, somente). Claro, o núcleo dos três personagens foi mantido, mas o final foi abrupto e previsível.
    Repito: apenas opiniões. Gostei do texto, mas após a leitura da primeira parte, pretendia ter gostado mais.

    Boa sorte.

  23. Thata Pereira
    12 de setembro de 2014

    Nossaaa… esse desafio me empolga cada vez mais. Acontece que eu havia ouvido essa música em uma propaganda e sempre tive curiosidade de ouvi-la, mas sempre me esquecia. Que maravilha encontrá-la por aqui!

    Gostei do conto. Principalmente do final. O FINAL É MUITOO BOM!! Li três vezes. Casou perfeitamente. Adorei!

    Boa sorte!!

  24. Wesley Buleriano
    12 de setembro de 2014

    Uau!
    Belíssima técnica, belíssimo conto! Uma prosa-poética maravilhosa, muito bem trabalhada. Acima da média. Tem tanto para ser comentado nesse conto, tantos pontos positivos, tantas técnicas literárias interessantes, que talvez fazer uma análise não caiba aqui. Vou tentar destacar algumas coisas:

    – Excelente trabalho na poesia. A musicalidade emerge sutil, as aliterações e as assonâncias são pertinentes e enriquecedoras no texto. As rimas vem de maneira natural, e é impossível imaginar o conto sem elas. São significantes. Belo trabalho.
    – A ambientação é muito bem trabalhada, as descrições são análogas e os papeis sociais são colocados de forma muito qualificada.
    – A inserção da musica é muito natural. A estrutura de prosa-poética foi a escolha perfeita para isso.

    Uma ótima e qualificada obra literária, sem dúvidas.

  25. José Geraldo Gouvêa
    12 de setembro de 2014

    Devo ser o único que não gostou, a julgar pelos comentários aqui. Achei o regionalismo um tanto forçado e caricato. Nota-se que o autor não está no seu elemento, não é natural para ele escrever assim. Vou reler o conto depois para ver se esta impressão muda, antes de dar a minha nota.

  26. rsollberg
    11 de setembro de 2014

    Não tem como não reconhecer a qualidade na escrita, a criação peculiar da atmosfera da canção.

    O regionalismo foi muito bem empregado e deu muita força ao conto.
    Que dó do Jão!

    Curti o texto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  27. Pétrya Bischoff
    11 de setembro de 2014

    Bueno, conhecia a música e isso amenizou minha leitura, não que tenha sido ruim, pois é notável o domínio na escrita das especificidades da língua; no entanto, justamente essa me desagradou. Travou minha leitura ao desconhecer quase metade do que estava escrito.
    Boa sorte.

  28. Miguel Bernardi
    11 de setembro de 2014

    Altos e baixos: A história é boa, a forma como os personagens se constroem (indicando o possível final) é perfeita: confusão e brincadeira. Estava lá, e só notei quase no final. E que final! Adorei.
    O baixo, ao meu ver, foi a forma como o escreveu, não me atrái muito, mas por ser algo pessoal, não tira o brilho da obra.

    Excelente trabalho.

    Boa sorte no desafio!

  29. Diego Lops
    11 de setembro de 2014

    Gostei do enlace forte com a música. Mas a linguagem não me atraiu.

  30. Anorkinda Neide
    10 de setembro de 2014

    Amo Gil e esta música! Gostei demais de ver os personagens ganharem forma, realmente não dava para sair do que o mestre traçou em sua composição, mas preenchê-la, como vc fez muito bem! Numa narrativa muito bonita.
    Mas… (sempre ele…o mas…)
    Entendo que vc quis lançar o elemento surpresa, ao fazer do matador, justamente o rapaz boa gente, o cara da paz… já que se pensaria que Jão, claro, com o temperamento dele, seria mais capaz de matar.
    Só que eu achei o motivo do crime banalizado demais… Gil não diz na letra nenhum detalhe sobre esse namorico que acabou em tragédia, mas ele usou a força na melodia… acentuando assim, o sentimento de traição que José sentiu.
    Então eu acho que a traição foi tremenda, a dor foi tremenda.

    E no recheio que vc colocou, eu nao consegui ver o porquê do sangue de Zezé ter fervido tanto assim… Se a cabrocha já fosse namorada dele, de longa data, se ele morresse e matasse por ela… ou um desejo de longa data, muito curtido e de repente, assim frustrado.
    Mas a moça me pareceu muito apagada ( e muito safada) pra gerar tanta comoção.. talvez coubesse trabalhá-la melhor.

    Abração

    • mariasantino1
      10 de setembro de 2014

      Oi autores, Vocês me permitem?

      Vi que os colegas levantaram uma discussão curiosa aqui. Bem, nessa eu não me meto, nem nas outras questões, pois não cabe a mim respondê-las. Mas não pude resistir ao seu comentário, porque tive uma interpretação diferente de você (acontece, cada qual tem sua visão), de tudo o que você falou, o mais critico foi: SA-FA-DA. Rsrsr. Sério, onde no texto mostra que Juliana é safada?

      Bom dia!

      • Anorkinda Neide
        10 de setembro de 2014

        Oi,Maria.. Antes de comentar reli duas vezes a parte em q os amigos conhecem a cabrocha.. e pelo que eu percebi, ela deliberadamente marcou encontro com os dois. eu acho isso uma safadeza.. hihii por isso queria saber mais dela.. quem é? o que quer? de onde veio? Sergio Chapelen, me ajuda aqui!!!

  31. Fabio Baptista
    9 de setembro de 2014

    ====== ANÁLISE TÉCNICA

    Bela escrita, com exceção a poucos pontos onde o sotaque pareceu meio forçado.

    – nuvinho
    >>> Achei que esse “u” entrou aí sem necessidade.

    – Ande você pra casa, avie! E tu vem mais eu
    >>> Normalmente quem fala “você” não fala “tu”… e vice-versa… não necessariamente nessa mesma ordem.

    – não era mau apenas não conseguia conversar
    >>> não era mau, apenas não conseguia conversar

    – deixando que as noite de capoeira
    >>> Concordância

    – sem saber que aqueciam seus tachos no calor do mesmo braseiro
    >>> Muito bom!

    ====== ANÁLISE DA TRAMA

    Não conhecia a música. Li primeiro o conto e depois fui ver a letra.
    Gostei bastante da criatividade do autor ao preencher as lacunas.

    O final ficou realmente muito bom, parabéns.

    ====== SUGESTÕES

    Passar um pente fino no “sotaque” dos personagens.

    ====== AVALIAÇÃO
    Técnica: ****
    Trama: ****
    Impacto: ****

    • Lucas Cabral
      10 de setembro de 2014

      “Normalmente quem fala “você” não fala “tu”… e vice-versa… não necessariamente nessa mesma ordem”.

      não sei onde você mora, mas aqui no sul é muito comum esse negócio de alternar entre tu e você

      • Claudia Roberta Angst
        10 de setembro de 2014

        Aqui em Santos, também…rs.

      • Fabio Baptista
        10 de setembro de 2014

        Lucas,

        Moro em São Paulo. Aqui só falamos “você”.

        Minha ex-esposa era de SC (Joinville) e por lá só se fala “tu”, assim como em Curitiba (pelo menos na casa dos parentes dela que visitei algumas vezes).

        Trabalho com um gaúcho (colorado chato que só o diabo! :D) que varia entre “tu” e uma versão mal empregada de “ti”. Mesmo sotaque que percebi na única vez que fui a Porto Alegre.

        Meu avô materno é baiano e ele… bom, ele só fala “você”, porque já está há muito tempo aqui em São Paulo. Mas a impressão que tenho é que no Nordeste usa-se mais o “tu”.

        No Rio de Janeiro fiquei na dúvida… realmente parece que por lá é variado. Lembro-me de um amigo que fala “tu” e “você”.

        Enfim… pelo sotaque carregado em outras falas, imaginei que esses personagens não falariam com essa variação. Mas é só um detalhe, claro.

        Abraço.

      • Fabio Baptista
        3 de outubro de 2014

        Lembrei desse conto assistindo ao debate dos presidenciáveis.

        Calma, autor – não se trata de uma ofensa!

        É que a Luciana fala “tu” e “você”… não que ela seja parâmetro para muita coisa, mas tive que vir aqui dar o braço a torcer definitivamente. 😀

        Abraço!

    • Lucas Cabral
      10 de setembro de 2014

      sou catarinense de raíz, falo você e tu na mesma frequência

      tenho uma manada de amigos paranaenses que fazem a mesma coisa

      acho que vc está generalizando

      abraços

      • Fabio Baptista
        10 de setembro de 2014

        Bom, não foi o que percebi quando estive por lá. Mas, se você que nasceu e mora por aí está dizendo que é assim, então não vou discutir, obviamente tu sabes melhor que eu como são as coisas na região (apesar que a história me pareceu se passar um pouco ao Norte de SC, mas o raciocínio é o mesmo).

        Abraço!

      • Fabio Baptista
        10 de setembro de 2014

        Fiquei encafifado com esse assunto e mandei um whatsapp pra minha ex, perguntando sobre o “tu” e “você” (espero que ela não pense que estou com segundas intenções).

        Perguntei: “Você conhece alguém de SC que fala ‘tu’ e ‘você’ com a mesma frequência? Variando as duas formas na mesma frase?”.

        Resposta: “Sim, minha irmã…”.

        Como podemos perceber, não conversei muito com minha cunhada nos últimos 12 anos 😀

        Perguntei sobre o Paraná (família do tio dela) e a resposta foi ainda mais aterradora “eles só falam ‘você’… ‘tu’ é em SC e RS”. Lembrava de todo mundo falando “tu” por lá.

        Explicando todo o assunto, ela concluiu: “comum, comum… não é. Mas tem muitos casos. E eu normalmente me irrito com essa mistura”.

        Resumindo, eu estava errado. Realmente generalizei.

        Mas, mesmo assim (e garanto que não falo isso por birra ou teimosia), acho que na escrita não fica legal essa mistura e mantenho minha sugestão de limar esse “você”.

        Abraço.

      • rubemcabral
        10 de setembro de 2014

        Oi, metendo a colher por aqui com uma pequena contribuição: http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-hoje/v/pesquisadores-criam-mapa-das-capitais-que-usam-o-pronome-tu/3566561/

        Aproveitando para comentar: no Rio há o costume de variar o você e o tu (o segundo é mais informal que o primeiro). No Rio o “tu” costuma ter o verbo flexionado de forma incorreta, segundo a norma: “Tu sabe”, “Tu é”, etc. Frases feito: “Você foi ao show? Não?! Mas tu é mesmo vacilão!” – são bem comuns.

        Quanto ao conto, imaginei a história se passando na Bahia ou algum outro estado da região, então não sei quanto à variação em tal espaço.

  32. Lucas Rezende
    9 de setembro de 2014

    Gostei demais dos regionalismos, o conto ficou muito bem escrito.
    O fato de estar extremamente “amarrado” com a música não incomodou. Odeio ver um filme que não é fiel ao livro.
    Apesar de a história já estar “pronta”, você traduziu muito bem a música para o conto.
    Boa sorte;)

  33. williansmarc
    9 de setembro de 2014

    Bom conto, conseguiu mostrar em um espaço restrito todos os aspectos demonstrados na musica, tais como a rotina dos personagens e o assassinato no parque. A técnica utilizada revezando o estilo regionalista e o vocabulário rebuscado, ao meu ver, ficou praticamente perfeita. Não tenho sugestões de como melhorar o conto, além do que já exposto pelos colegas abaixo.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  34. rubemcabral
    9 de setembro de 2014

    Olá. Então, gostei do conto: achei o uso de expressões regionalistas muito bem empregado. Algumas frases também contribuiram com bastante lirismo e cor.

    Para mim, só “pegou” um pouco a quase transcrição do enredo da música em conto. Explico-me: talvez certas canções com histórias prontas amarrem muito o escritor, tipo um “Faroeste Caboclo”, “O meu guri”, “Geni e o zepelim”, etc. O conto é bom, é muito bem escrito e bonito, mas falha um pouco em apresentar alguma novidade, ao menos segundo a minha ótica. Li, gostei, porém foi como assistir a um filme em que já lemos o livro no qual a história se baseia.

    De qq forma, muito bom!

  35. Brian Oliveira Lancaster
    8 de setembro de 2014

    Engraçado como cada um adota um estilo e não o larga tão fácil. Percebo influências bem conhecidas aqui. Gostei das palavras “rebuscadas” do regionalismo, mas confesso que algumas tive de ler duas vezes para entender. Deixou minha experiência um pouco arrastada. No entanto, as rimas são um show a parte e o final muito bem pontuado, preciso. Para finalizar, concordo em vários pontos com o comentário de Lucimar. A ideia de colocar o vídeo do youtube aqui nos comentários tem sido boa para quem não conhece muito bem a letra apresentada.

  36. fmoline
    7 de setembro de 2014

    Wow! Você conseguiu transformar uma lira em prosa e fez isso muito bem! O sotaque bem trabalhado ajudou bastante para dar um estilão para o texto. Nossa, ficou tudo muito bom e escolheu uma música ótima! Apesar de não ter sido o mais original possível, porque a música já contava a história, mesmo assim compensou com algumas ilustrações e certo aprofundamento dos personagens.

    Ficou bem bacana. Então, boa sorte!

  37. Bia Machado
    7 de setembro de 2014

    Bacana a sua versão da música, foi bem construída. As falas ajudaram bastante. Um conto com passagens muito bonitas e com uma encantadora regionalidade. E que história triste… =) Parabéns!

  38. JC Lemos
    7 de setembro de 2014

    Muito bom!

    Ultimamente, tenho aberto minha mente para coisas novas, e principalmente para coisas relativas à nossa cultura.
    Posso dizer que foi o primeiro escrito que li, onde o regionalismo brasileiro é empregado, e gostei de verdade. Lembrou-me O Alto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, não pela trama, mas sim pela ambientação, o tom da narrativa.
    Não tenho nada a dizer sobre a gramática, até porque não tenho esse cacife para julgar. haha

    Enfim, falando sobre a história e sobre o que essa narração ritmada me causou, digo que apreciei bem. Casou com a música direitinho. 😉

    Coitado do Jão turrão.

    Parabéns e boa sorte!

  39. Claudia Roberta Angst
    7 de setembro de 2014

    A escolha da música foi certeira. Adorável narrativa com agilidade de diálogos. Não comentarei sobre qualquer deslize gramatical ou ortográfico, posto que o padrão coloquial (inculto) e variante regional tomaram conta de quase todo o conto. O leitor é fisgado pela história do triângulo amoroso, no ritmo embalado da música.
    Gostei particularmente deste trecho:
    “Mas no dia acertado, no tempo marcado, Zezé se atrasou. E a morena alegre aceitou o sorvete e o passeio na roda gigante com Jão. A roda girava e Jão apertava suave a mão de Juliana adornando-lhes os cabelos com uma rosa vermelha de amor. O sorvete escorria pelos dedos adoçando o momento festivo dos dois.”
    A narrativa segue a letra da música em uma releitura bacana. É, curti.Bom trabalho. Boa sorte!

  40. Davi Mayer
    7 de setembro de 2014

    Poxa, encantei-me com a história. Sei que a história estava praticamente pronta por Gil, e você tornou a música em literatura, mas mesmo assim deu para sentir o drama e o impacto no final. Um pouco de abordagem pessoal, mas de resto ficou fiel à música.

    Não tenho muito a acrescentar, por que tanto a narração quanto as falas das personagens são de um regionalismo rebuscado, e isso já é um estilo literário. E como já tinha dito, estilo não se mexe, se pole, apara as arestas, etc.

    No mais, gostei do conto.

    Parabéns.

  41. mariasantino1
    7 de setembro de 2014

    Oi!

    Primeiro, obrigada pela música que eu só havia estudado algo sobre ela no ensino médio.

    Segundo, todo texto com o quê de trágico me encanta. Mas… O conto precisa de uma revisão.

    Há também a alternância do nome do personagem ora com dois acentos ora com um apenas (ZÉZÉ e ZÉZE), isso não prejudica a compreensão, mas é sempre bom polir.

    Quanto ao lance de previsibilidade, não me importou nada. Também gostei da fidelidade, e também do vocabulário (é algo que deve ser acertado, Ok?)

    Fiquei aqui matutando que, TALVEZ, o texto poderia ser narrado em Cordel, né?

    Abraço!

  42. Lucimar Simon
    6 de setembro de 2014

    Muito bom o conto. Essa amarração, uma mistura legal com a caracterização do regionalismo. A exposição do homem comum e sua luta no dia a dia. a exposição do objeto feira, mas muito bem essa participação popular na construção do cotidiano social. A trama, o conflito entre amigos que agora inimigos separados pela paixão que sentem pela mesma mulher foi uma sacada legal. Trabalhou o conto conflitos sociais, amorosos, mostrou uma ação sócio econômica de interação. a feira é um espaço de socialização. Muitas coisas acontecem em uma feira. A questão mais forte se apresenta no rompimento e no desenrolar com sangue o conflito da paixão. isso remonta a outro aspecto social da época. lavar a honra com sangue. E a moda antiga, neste caso uma faca. Ótima construção. Bom tema, bom enredo bem desenvolvido. Parabéns.

  43. Gabriela Correa
    6 de setembro de 2014

    Antes de tudo: amei a escolha da música! Como fã da tropicália, estou arrependida de não ter pensado nela antes! (risos)
    Seu conto aproveitou bem o enredo do triângulo amoroso, desenvolvendo bem a trama cantada por Gil. A fala regional foi bem empregada, o que é sempre um desafio (apesar de, pessoalmente, me incomodar um pouco depois de alguns parágrafos. Opinião pessoal.). A trama segue fielmente a música: isso tira um pouco a apreensão do leitor fã de Gil, que já sabe do assasinato ao final. Mas isso não compromete seu texto: pelo contrário, gostei de sua fidelidade à canção escolhida. Seus personagens foram bem construidos em um curso espaço. Nisso, a canção – que já os define como “rei da brincadeira” e “da confusão”, pode ter contribuido. Ponto pra você e para Gil.
    Belo conto, bela música, bela escrita. Parabéns e boa sorte! 🙂

  44. GIL
    6 de setembro de 2014

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Publicado às 6 de setembro de 2014 por em Música e marcado .