EntreContos

Detox Literário.

Planície (Ricardo Labuto Gondim)

Quando os canhões do Forte Bolt silenciaram já não se distinguia a fumaça das armas de fogo da fina neblina que cobria a planície. A chuva fria lavrou a terra escura com o sangue, a morte igualou os peles-vermelhas e os casacas-azuis. As nuvens do céu carregado desceram como uma mortalha. O sol desdenhou os homens.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

34 comentários em “Planície (Ricardo Labuto Gondim)

  1. Ricardo Gnecco Falco
    29 de maio de 2014

    Show de bola, xará! 😉
    Seus escritos se destacam como se grifados com marca-textos; com o brilho da emoção. Como sempre digo, não há tinta mais envolvente do que a dos sentimentos.
    Parabéns por mais esta bela obra, parceiro!
    Pódio merecidíssimo! 🙂

  2. vitorts
    18 de maio de 2014

    Gostei. Vai na contramão do que se espera de um western, por ser um texto mais reflexivo e intimista. Bons diálogos. Só achei os três primeiros parágrafos desnecessários e destoantes do resto do texto.

    Boa sorte no desafio!

  3. Swylmar Ferreira
    18 de maio de 2014

    Muito bom conto, bem escrito, narrativa excelente. Um far west. Enquanto lia, o drama desenrolou-se em minha mente. Parabéns

  4. Leo Fernandes
    18 de maio de 2014

    Conto lindo e poético. Bonito mesmo. Nunca pensei que leria um conto tão intensamente psicológico sobre o faroreste.
    Apenas um aparte aos meus colegas comentaristas, se me permitem Não me levem a mal, por favor. Percebi o quanto algumas ficaram incomodadas com o salto do personagem em consequência do tiro.
    Amigos, isso é um conto. Será que deveríamos ser tão perfeccionistas assim? Quando vimos um filme de James Bond ou da Marvel aplicamos o mesmo critério? Não saímos de lá extasiados ao vermos todos aqueles efeitos?
    E este salto é justamente isso! Um efeito cinematográfico de primeira.
    Um abração a todos e parabéns ao autor!

  5. Bia Machado
    17 de maio de 2014

    Gostei muito da linguagem poética, da escolha das palavras! Prendeu minha atenção. O que me incomodou foi o cara ser lançado a dois metros, rs. Acho que foi desnecessário, assim como a penúltima frase do conto. Ainda assim, reforço que gostei bastante! Parabéns!

  6. Marcellus
    6 de maio de 2014

    Gostei do conto. Mas quando ia pensando que não haveria clichês, eis que o sujeito é arremessado dois metros para trás…

    Mesmo assim, é um bom texto. Como segundo ponto negativo, fica a explicação final: o leitor, inteligente e sagaz, não precisava das explicações hollywoodianas…

    Boa sorte!

  7. Davi Mayer
    6 de maio de 2014

    Gostei do conto. Uma linguagem bem poética, fácil leitura. As metáforas e os jogos de palavras foram o ponto forte do texto. Gostaria de escrever assim ehehehe.

    Parabéns.

  8. williansmarc
    5 de maio de 2014

    Metáforas muito bem feitas e uma escrita muito poética. Não tenho como criticar o conto.

    Parabéns pelo conto e boa sorte.

  9. Leandro B.
    5 de maio de 2014

    Gostei. E gostei muito.

    O conto parece ser despretensioso, mas não é. Trata com uma bela simplicidade poética a vida humana e faz isso com mestria.

    Essa indiferença sobre a vida foi muito bem contextualizada na temática do velho oeste, mas é muito fácil ler o texto e olhar para nós mesmos. Aliás, para qualquer época.

    Ótimo trabalho.

  10. rubemcabral
    2 de maio de 2014

    Gostei muito! Belíssima escrita, palavras bem pesadas, texto imagético e um bocado melancólico.

    Sehr gut!

  11. Brian Oliveira Lancaster
    1 de maio de 2014

    Gostei do tom intimista. O início apoteótico foi se amansando com o desenrolar do texto e tomou uma forma bem diferente dos “concorrentes”… ‘Melancolia sob o pôr do Sol’ seria minha definição.

  12. Felipe Moreira
    1 de maio de 2014

    Bela maneira de contar uma história. Remete a tantas coisas. Esse é o poder do realismo fantástico. O texto é muito competente, não digo isso pelas “frases impactantes”, mas pela sinceridade da narrativa. Muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio! =)

  13. Ricardo Gondim
    30 de abril de 2014

    O autor obviamente gosta de saborear as palavras e não fez segredo disso. Conseguiu agradar e descontentar muita gente. Nisso eu vejo mérito.

  14. Weslley Reis
    28 de abril de 2014

    Não sei se tenho calibre pra criticar um texto desse. A leveza da descrição atrelada a incrível construção da imagem pelas palavras fala por si. Parabéns.

  15. R. Sollberg
    28 de abril de 2014

    Certamente um dos melhores que li. Mesmo já presumindo o final, a força arrebatadora da narrativa me fez permanecer vidrado. As metáforas são sensacionais. Esse trecho é grandioso “Dez anos depois, nessa planície incerta eu te encontro. O destino é como um lavrador paciente, mas só cultiva a zombaria.”
    Realmente me deu vontade de ler outras coisas do autor, essa pegada poética e ágil me cativam bastante.
    Muito, muito bom.
    Nesse caso, não vou nem desejar boa sorte, pois é claro que a fortuna dificilmente te deixará só.

  16. Vívian Ferreira
    28 de abril de 2014

    Muito bom! Tenho grande admiração aos autores que conseguem fazer estas maravilhas com as palavras, dando-nos a exata sensação dos sentimentos e do ambiente com construções poéticas belíssimas. Parabéns ao autor! Entrou para os meus favoritos.

  17. Thiago Lopes
    26 de abril de 2014

    Nossa, é um conto muito bem escrito; aliás, com elegância.

  18. Rodrigo Arcadia
    26 de abril de 2014

    Humm, que bom. gostei. Poesia sempre é bem vinda. narrativa ótima.

    Abraço!

  19. Thiago Tenório Albuquerque
    26 de abril de 2014

    Gostei do conto, é tudo que tenho a dizer.
    Boa sorte no desafio.

  20. Alexandre Santangelo
    25 de abril de 2014

    Logo que comecei a ler este conto, percebi que teria de me despir de quaisquer conceitos e preconceitos que tinha em relação ao tema faroeste. O autor, ao mesmo tempo em que rompe com o classicismo do gênero, o leva a outro nível mais melancólico e introspectivo. Ao contrário de um faroeste clássico, aqui o destino dos personagens tem muito pouco a ver com seu comprometimento moral.

    O conto abre numa grande planície, como esperado do gênero, mas aqui a fotografia não serve para mostrar a terra a ser conquistada, e sim aquela que destrói e endurece os personagens.

    E se há uma beleza nesse conto é muito devida a sua melancolia, excepcionalmente bem representada pela Caixa de Música. Que signo poderoso! Ela roubou o tempo. Naquele momento, não existiu nem bom, nem mau, nem certo e nem errado.

    O que nos é apresentado são dois personagens com suas agruras e seus entendimentos do mundo que os cerca. Nada além disso. A simplicidade no diálogo dos dois representou bem toda a brutalidade escondida sob aqueles chapéus.

    Nessa “simplicidade poética” o autor foi extremamente feliz, pois deixou tudo a cargo da imaginação do leitor. Num mundo cada vez mais cientifico e frio em que ansiamos por sentido em tudo o que percebemos, até mesmo na arte, fico muito grato ao autor deste conto lírico, por deixar a minha imaginação flutuar sobre essa planície.

  21. Thata Pereira
    25 de abril de 2014

    Gostei do conto. Aprecio essa linguagem poética, acho muito bonito de ler em prosa. Não há muito o que comentar. Levando em consideração a história, é bonita, porém simples. Não me incomoda e até acho que o texto poético pede um pouco disso, mas aqueles que não estão acostumados podem não gostar. Eu gostei!

    Boa Sorte!

  22. Thales Soares
    25 de abril de 2014

    Desculpe, mas eu não sou a pessoa certa para avaliar este conto. Tenho certa incapacidade para compreender textos poéticos, e este não foi exceção. Não me cativou em momento algum. Claro, a maior arma deste conto não funcionou comigo apenas por uma questão de gosto pessoal, por isso fui incapaz de aprecia-lo.

    Agora, sobre os fatos ocorridos na história… bom, isso eu já consigo avaliar. O cara voou 2 metros depois de tomar um tiro de uma Colt? Caramba… esse revólver tinha uma potência de uma Calibre 12 à queima roupa ein.

    E que péssima maneira de se começar um duelo!!! O som de uma caixinha de música vai terminando dando umas travadinhas, confundindo-se com as pausas da própria melodia, sendo quase impossível pegar o momento exato e preciso em que ela se encerra… as chances de um dos pistoleiros cometer um engano seria enorme! BLAM, ops, desculpe, atirei porque pensei que a música havia acabado, não fazia ideia que ainda faltava um restinho…

  23. Eduardo Selga
    24 de abril de 2014

    Mesmo antes de a bela sacada da caixinha de música de cilindro entrar em cena, como que fazendo um cenário musical para a ambientação, já havia uma música no ar. Digo, na narração. Esta é conduzida num ritmo cuja melodia é melancólica por meio da prosa poética. E aqui “poético” não quer dizer o “romântico” e sim “sentimental”. A tristeza dos personagens foi demonstrada várias vezes, mas no trecho abaixo foi particularmente feliz por fazer o leitor imaginar o tipo de sentimento unia o destino de ambos:

    “Reconheceram-se imediatamente e mascaram um longo silêncio. Quando falaram, não havia alegria neles. Somente uma tristeza amarga, um ranço antigo que se condensou na chuva”.

    Veja que não são palavras poéticas porque são “belas” (o que é a beleza?) ou apenas por serem sonoras. Há uma construção elaborada, na medida que “mascar um longo silêncio” resulta em “uma tristeza amarga” porque o resultado daquilo que se masca (chiclete, por exemplo) é, no fim, um amargor. A ligação metafórica ficou muito boa, portanto.

    Também houve sutileza na oração “A bala alcançou Jim e uma rosa instantânea brotou do seu peito, o alvo seguro” porque um dos signos do amor-paixão, a rosa, é “desenhada” por aquilo que destrói o homem que sente esse amor, a bala de revólver. Não deixa de ser uma bela construção irônica.

    O conto todo, que não poderia ficar maior do que está (e se isso acontecesse provavelmente parte da beleza se perderia), tem um apuro cinematográfico, com algumas cenas realmente lindas,como a última e esta que, conforme a recepção do leitor, pode ser entendida como uma menção à câmera lenta do cinema.

    “Os pés foram arrancados da lama e ele se elevou no ar como um anjo, disparando uma segunda vez em meio a uma contorção desgraciosa e reflexa. Uma nota irreconhecível soou como o dobre de um sino”.

    Belíssimo.

  24. Fabio Baptista
    23 de abril de 2014

    Olha, não tem nada que desabone o texto, a escrita é tecnicamente perfeita (citaria apenas “O sol desdenhou os homens”… “dos” ficaria melhor ali, acredito), a história bem contada e tudo mais.

    Mas não me cativou, questão pessoal de raramente gostar dessa pegada mais poética.

    Tenho certeza que outros apreciarão o conto, como já podemos constatar nos comentários.

    Abraço!

  25. Anorkinda Neide
    22 de abril de 2014

    Ow.. um faroeste poético, elegante ^^

    Gostei demais!
    Parabéns!

  26. Sérgio Ferrari
    22 de abril de 2014

    Redondo, bonito, simples, bem posto na descrição. Só faltou algo. Tipo uma sacada impressionante no final. Mas isso é loteria de escritor, as vezes vem uma sacada, as vezes não. Ah, e tudo ia num detalhismo realista…eis que o cara voa 2 metros com o tiro….tem que ver esse mito de cinema aê, né? rs

    • Larápio
      22 de abril de 2014

      Hehe, isso me fez lembrar o conto Feliz Ano Novo do Rubem Fonseca em que os bandidos brincavam de conseguir colar os corpos na parede com um tiro de 12.

  27. Eduardo Barão
    22 de abril de 2014

    Não gostei. É evidente o respeito do autor pela língua portuguesa e tenho em mente que a execução se deu de forma primorosa, mas neste caso específico o meu gosto pessoal acabou se sobressaindo ante a qualidade do texto.

    Não consigo curtir esse tipo de narrativa. Ajuda a criar frases impactantes? Sim, mas não me soa natural. Visualmente bonita e interessante, muito embora não tenha me feito mergulhar de cabeça na história. Precisei reler algumas passagens para ter certeza de que havia conseguido absorver todas as ideias do autor.

    No entanto, parabenizo o autor pelo indiscutível domínio que possui em relação às palavras. Não gostei pura e simplesmente por birra.

  28. Pétrya Bischoff
    22 de abril de 2014

    Escrita e narrativa perfeitas, bem como a estória envolvente e seu tamanho ideal. A temática faroeste não me agrada tanto e, lendo esse conto, até esqueci do que se tratava. Ainda é cedo para dizer que é o melhor, mas certamente estará entre os meus eleitos. Meus mais sinceros parabéns e boa sorte!

  29. Jefferson Lemos
    22 de abril de 2014

    Gostei. Achei-o muito bem escrito, e concordo com a Claudia sobre a suposta autoria, pois lembrei dela nas primeiras linhas que li.
    Um texto intimo, permeado, talvez, de certa emoção. O autor mostra muita habilidade com as palavras. A leitura flui de forma fácil e continua, sem dar preguiça, devido a forma como o texto é bem descrito.

    De certa forma, lembrei um um pouco de Roland e Walter, de A Torre Negra.

    Parabéns ao autor e boa sorte no desafio!

  30. mariasantino1
    22 de abril de 2014

    Gostei do conto. Gostei da escrita e da percepção de certa melancolia nos dois homens. Achei de fato uma boa escolha de palavras o que faz o leitor chegar ao fim rapidinho. Entretanto, gostaria de ler mais, de ver mais detalhes sobre o amor, por exemplo, que foi o estopim para o duelo apresentado. Mas, essa exigência só aconteceu por ter gostado muito da trama e por isso ficou, em mim, esse gosto de “QUEROMAIS”.

    Fui transportada para o universo dos personagens e isso é muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio. 😉

  31. Pedro Luna
    22 de abril de 2014

    Bom conto. Apesar de bem simples, ele prende a atenção. Só que na minha opinião, ficou faltando algo mais… como ponto positivo, a habilidade do autor na escrita, já que os personagens praticamente não foram desenvolvidos e mesmo assim, não fica uma impressão de que são completos estranhos.

  32. Tom Lima
    22 de abril de 2014

    Muito bom! Gostoso de ler.

    Fiquei um pouco perdido no inicio, mas isso não prejudicou a leitura.

    Parabéns!!

  33. claudia roberta angst CRAngst
    22 de abril de 2014

    Adorei! Gostei do ritmo que não cansa o mais preguiçoso dos leitores. As imagens bem trabalhadas, o duelo perfeito das palavras. Identifiquei-me com o estilo do autor, quase (pretensiosamente) pensei ser meu o conto. Parabéns.

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Informação

Publicado às 22 de abril de 2014 por em Faroeste e marcado .