EntreContos

Detox Literário.

Sinfonia Inacabada (Felipe Moreira)

sinfonia

“Até quando ficaremos sentados observando, perniciosamente, Marte se transformando na Terra, a custo da Terra transformando-se em Marte?” – Ana M. Schaefer, jornalista alemã.

O regresso reservava para ela o pedacinho mais gostoso da rotina, onde por poucos instantes o mundo perdia suas cores enquanto inclinava-se para o negrume. Precisamente às 18h49min, horário em que já deveria estar no antigo assentamento, Tanise ainda deslizava com o rover fora das estradas determinadas, impelida por uma vontade imperiosa de observar o pôr do sol. Ela reduziu a velocidade e sobrepôs-se a uma simples encosta para de dentro do veículo pressurizado, hipnotizar-se com o pequeno círculo pálido sendo engolido pelo manto cinzento de Marte antes que desaparecesse além do limite impreciso da noite.

A proveitosa solidão só era possível na volta, com a memória viva dos tempos da juventude. Foi exatamente um vídeo dessa paisagem que culminara na decisão mais importante que a tirou do Brasil e a transportou numa viagem só de ida para esse monumento de óxido férrico. Quando a imaginação bebeu o suficiente da vista, ela retomou o caminho para casa e permaneceu pensando, lembrando, escavando o passado com o máximo esforço da imaginação. Às vezes o passado parecia mais longe do que a Terra, hoje um pontinho suspenso na vasta escuridão. Logo as luzinhas fluorescentes dos módulos do assentamento surgiram piscando e Tanise voltou para a trilha demarcada. Alguém repousava no pé da escada do módulo. Ela deduziu que fosse o Henry. Tanise desligou o veículo, pôs o capacete que automaticamente a conectava ao sistema através do visor e ouviu entre ruídos metálicos o protesto dele mesmo… Henry.

— Porra, Spielmann! To aqui desde que recebi o sinal da sua saída lá das torres. Passeando de novo?

Impaciente com a provocação, Tanise terminava de girar a tranca da porta do veículo quando ele se antecipou avisando que retornaria nele ao assentamento principal.

— Por quê?

— Doutora… Esse rover vai voltar pro Sagan. Eu preciso dele lá na exploração.

— E eu preciso dele comigo. Esse é o único carro que reconhece o meu cadastro… Isso é coisa do Spock, não é?

Henry soltou um bufo arranhado, como se fosse intragável admitir que a ordem viera diretamente do Spock.

— Eu sabia! Como é que vou trabalhar sem o carro, Henry?

— Ele já mandou você se mudar pra lá. Até seu namorado mora lá. E ele disse que os equipamentos do Sagan devem servir ao pessoal do Sagan. Spielmann, você sabe as regras.

Ela buscava um argumento convincente, mas não disse palavra.

— Eu trouxe o 2025 pra você. A antena tá fodida, mas agora com o sistema no visor, nem vai precisar dela. Só tenha cuidado na direção que tá puxando um pouco…

Tanise rugiu ao ver o antigo modelo parado ali à disposição. Não era muito mais sofisticado do que o rover lunar.

— Tá brincando? O pessoal do Mars One sofria com isso, Henry.

— Eu sei, é como trocar Volvo por Lada – riu. — Não diga isso ao Liev; ele fica puto.

— Amanhã cedo vou falar com o Spock.

— “Se ela quer morar no assentamento antigo, que use o carro antigo”. Palavras dele – Henry já falava de dentro do rover pressurizado. — Se eu não estivesse tão atolado consertando os painéis solares, já teria regulado sua direção. Não invente de sair da estrada com isso.

Os faróis do veículo acenderam, revelando os detalhes desbotados da escotilha do módulo de entrada e o seu novo mais antigo veículo. Henry desconectou-se do sistema e abriu caminho na escuridão.

II

Pusera-se a gozar do único e insuficiente alívio de soltar os cabelos dentro do habitat, a gosto da gravidade. O assentamento antigo era apertado, estreito, miúdo para uma mulher de 1,80m. Porém era onde ela se sentia segura de toda a agitação do assentamento principal, afinal, conviver com cinco pessoas era muito melhor do que com mais de cem, sendo uma delas Spock, quem nunca desperdiçava a oportunidade de associar a sua personalidade com o extinto bolivarianismo. O que os habitantes do Sagan chamavam de despensa de rações, Tanise chamava de lar, doce lar. Desde que aterrisara nas planícies equatoriais de Marte há três anos, aquele assentamento proporcionava-lhe o cantinho necessário para viver essa nova vida. Ela dormia na cabine da Kelly Noether, já falecida, que há quase cinquenta anos, realizou um dos maiores feitos da humanidade pondo os primeiros pés sobre a face árida do planeta vermelho em Junho de 2025. Kelly era um símbolo, uma heroína que conquistou de Marte a principal vitória contra o machismo. Já Tanise era uma herdeira dessa revolução tendo nascido no outono instável de 2041, em Passo Fundo, nova capital gaúcha depois da crise do biodiesel em 2032. Vivendo num país inchado, tombado pela depressão global, percebeu nos documentários sobre a colonização que o seu real propósito era outro. Formou-se em Engenharia Planetária, como Kelly, e decidiu que em Marte construiria um mundo novo… Um mundo melhor. Na sua primeira entrevista, Tanise destacara-se pela ousadia em dizer que a Terra havia sido um rascunho, onde eles cometeram todos os erros possíveis e que em Marte saberiam exatamente o que fazer.

Na mesinha central da área doméstica, Jennifer pingava o molho de pimenta na sopa de batata. Ela viu Tanise se aproximar com uma salada e sentar bem na sua frente, como esperado. Ambas encontravam-se sozinhas.

— Tenho uma coisa pra te mostrar – Jennifer quase sussurrou.

— Algum babado? – Tanise arregalou os olhos amendoados.

Sem desviar os olhos da sopa, Jennifer tirou o aparelho do bolso da jaqueta, desdobrou-o e com apenas um toque revelou o “babado”. Ela pôde notar que Tanise não piscava os olhos, sequer permitia que seus lábios se tocassem por tamanha revelação.

— Pela sua cara, você não sabia.

Tanise maquinava alguma coisa, mas sua mente era incapaz de processar algo mais eloquente do que um questionamento entrecortado:

— Não faz sentido, Jen. Quanto tempo?

— Eu colhi essas amostras ontem, então… Quase um mês.

— Impossível – sussurrou estupefata.

— Não mandei isso pro Sagan porque achei que você quisesse contar ao Greg antes.

— Por favor, Jen!, não passa isso pro Sagan.

— Eu não posso omitir isso, Nisi. Você tem que ir pra lá. Lá – Jennifer interrompeu ao ver Liev atravessar a área. — Lá tem toda a estrutura que você precisa pra gerar essa criança.

Tanise enterrou-se no vazio. Jennifer arriscou acariciá-la, mas o que sua amiga desejava mesmo era evitar esse filho.

— Não quero viver naquele inferno, Jen. Se você publicar isso, essa merda vai virar um reality show novamente.

Jennifer não poderia discordar. Prestes a completar 50 anos, a colonização de Marte ainda não havia sido capaz de gerar o primeiro marciano, o que retirou da Terra o interesse em continuar acompanhando as explorações. A Terra queria espetáculos que não mais aconteciam, como o incidente no Marineris em 2044, promovendo comoção geral, uma ruptura inesperada no projeto. Nebuloso pensar que a colônia teve de construir uma prisão antes mesmo de um berçário. A partir daí, a colônia criou uma Assembleia com suas próprias leis.

— Sei bem que todas acabaram abortando de uma forma ou de outra nesses anos todos, mas hoje o Sagan tem estrutura. E veja pelo lado bom. Todo mundo aqui vai ficar entusiasmado e a Terra vai ganhar um motivo pra sorrir, não acha?

— A Terra não tem cura – foi categórica.

Jennifer não sabia se ela acreditava mesmo nisso ou se apenas queria solidificar seu argumento. Prolongou sua dúvida silenciosamente numa abordagem filosófica, mas deteve-se ao concluir que a doença da Terra proliferava-se em solo marciano.

— Nesse caso, acho melhor nem chamar o link do Greg. Procure por ele amanhã e chega num acordo rápido, Nisi.

Tanise coçava os olhos em choro, surpreendida. Na verdade, sentia-se rendida pela situação. De todas as possibilidades, ela sempre imaginava o Spock divertindo-se com a ideia de relegá-la de vez no Sagan gravando documentários pra Terra, narrando processos de terraformação enquanto drones exibiam imagens deslumbrantes do planeta, como o duplamente hercúleo Monte Olimpo. Spielmann teria de abandonar as torres se quisesse o bebê. Desde que Spock conquistou a direção da colônia, agarrou-se tenazmente no projeto tantas vezes deixado de lado pela sucessão de problemas. Se promovesse o nascimento do primeiro marciano, resgataria o interesse da Terra, resgataria o prestígio da colônia rumo à autossuficiência. E chegar mais longe, na oportunidade de realizar sua ambição pessoal, virando o século XXII com o nascimento do primeiro marciano gerado por dois nativos.

III

O visor delicadamente diminuía o impacto do sol matinal em seu rosto. O rover 2025 aventurava-se na planície com destreza, mas sem perder o lamento rastejante da idade. Sem dormir, Tanise estava exausta como nos tempos de adaptação, porém jamais confusa como agora. Descendo pela estrada, ela pôde ver lá embaixo o Carl Sagan, principal assentamento da colônia cravejado no deserto. Sua estufa geodésica era faraônica, cintilando a brancura capaz de imprimir-se nas retinas. Carl Sagan, juntamente com as torres hiperbolóides situadas 34 km dali, custaram ao ISP(International Space Program) 14 trilhões de euros. Um investimento descomunal que reacendeu o debate ético sobre a terraformação de Marte, culminando num pebliscito online. E a população votou SIM, aprovando a construção do Sagan em 2048, ano marcado também por não haver Olimpíadas.

Conforme aproximava-se da área, Tanise já recebia pelo sistema instruções para entrar. A única coisa que ela não se acostumava era com o enfadonho ritual dos sensores e medidores da área de pressurização/despressurização que a mantinha exatamente entre o mundo real e a ficção científica.

— Dra. Spielmann, bom dia – Meg a recebeu com um sorriso escancarado.

E Tanise não retribuiu com o mesmo calor, já guiando-se pelo extenso corredor que terminava no salão principal do Sagan, munido de telas e aparelhos que monitoravam tudo. O telão principal que ficava suspenso dividia-se em quadros, onde cada um mostrava uma área de exploração, como as torres emanando dióxido de carbono para a atmofesra sem parar. Subitamente, uma mão pousou sobre seu ombro direito.

Era Greg.

Sem saber o motivo, ela teve a sensação de borboletas no estômago ao vê-lo assim, nada diferente de ontem. Talvez porque ontem ela não soubesse que ele era o pai do seu bebê, ou melhor, do seu embrião. Greg sorriu, como sempre. Alto, espadaúdo, o novo bio-traje desenhava mais ainda o seu torso. Tentava insistentemente cultivar uma barba que não saía de fiapos perdidos. Ele a beijou com um ardor que ela gostava, um beijo daqueles selados, seguido por um estalido que a tirava do chão.

— Vim falar contigo. Ainda é cedo, por que vestiu o traje se você só sai às oito?

— Ahh, o pessoal do Lehner me chamou. Parece que encontraram alguma coisa interessante – a segurou pela mão.

— Sério?

— Sou geólogo, amor, então, quando geólogos em Marte afirmam ter encontrado algo interessante, talvez não seja tão interessante assim.

Os dois riram.

— Ah, Marte ainda vai nos revelar muitas surpresas – ela temeu ter insinuado algo, mas refrescou-se no alívio de saber que ele nem notara.

A todo momento passava alguém cumprimentando-os ou alguém lembrando Greg de que o resto da equipe o aguardava já no rover.

— To correndo, Nisi, é urgente?

Ela pareceu desligar-se um instante.

— Hoje é minha folga, eu te espero. Preciso mesmo falar com o – abaixou a voz ao mais íntimo nível – Spock.

Greg, o seu “urso”, a beijou novamente e saiu apressado. Ela permaneceu ali parada, sem destino, desfrutando o eucalipto refrescante que ele deixou na sua boca.

Após um passeio por todos os lados do assentamento, Tanise resolveu explorar a área agrícola da estufa. Provavelmente o único lugar calmo do Sagan, ela julgou. A vegetação crescia numa velocidade impressionante, aliás, todo o processo de terraformação de Marte vinha apresentando resultados rápidos e positivos demais. Por mais entusiasmante que isso fosse, causava um frio de preocupação em Tanise. A música suave da estufa tinha uma relação simbiótica com a vegetação. Tanise fechou os olhos, respirou fundo e deixou-se levar pelo prazer de ouvir algo tão primoroso. Mergulhou dentro de si mesma e tentou captar qualquer onda ou palpitação do organismo. “Será que já tem coraçãozinho batento?”.

— Schubert – uma voz intrometeu-se.

Ela voltou à superfície.

— Oi?

— Schubert, autor dessa sinfonia. Conhece?

— Sim, o conheço, mas confesso que não sabia que era ele nessa.

— Essa se chama Inacabada.

— Ele morreu antes de terminar?

O rapaz apreciou o interesse dela.

— Não. Na verdade ninguém sabe por que ele não a completou. Existem teorias. Os especialistas falam que ele amou tanto essa obra que não viu razão para continuá-la.

Tanise encantou-se com a história.

— Jamais saberemos, então.

— Algumas coisas são melhores quando mantidas na dúvida.

Ela concordou, meio absorta.

O rapaz, extremamente simpático, mas agora consciente de que havia retirado-a de algo muito prazeroso, desconversou:

— Vou te deixar curtir em paz.

— Ok – tolice. Sabia perfeitamente que mergulhos no subconsciente como esse só eram possíveis de forma espontânea.

Quando voltava para a saída, algo no canto chamou-lhe a atenção. Observou por quase um minuto querendo desvendar sozinha, mas não conseguiu. Chamou aquele mesmo rapaz. Ele notou que ela buscava na memória o seu nome, mas facilitou:

— Tom.

— Sim, Tom! O que são essas áreas cercadas, cheias de terra?

— Celeiros. A próxima missão trará veterinários e cabras. Vamos criá-las aí.

Impressionada, aquele friozinho que a arrepiava sempre ao ver a reação do planeta à terraformação espetou-a novamente. Por outro lado, se decidisse ter o bebê, já poderia projetar uma ideia mais agradável do seu futuro nessa bolha de aço inoxidável que os protegia. O rapaz, Tom, parecia agora ocupado com as plantas e ela saiu de fininho, retomando o corredor que a deixaria no salão central de operações, comandada por ele: Spock.

IV

Lá estava ele, no seu lugar de costume, rijo e com as mãos para trás, napoleônico. Nisi moderou os passos ao aproximar-se dele, com medo até que ele notasse a sua gravidez sem que ela dissesse qualquer coisa. Odiava ter que aturá-lo nas reuniões, submeter-se às suas ordens. Um dia ela poderia se estourar e chamá-lo de Spock na operação, como se faz nos corredores, mas chamou-o pelo nome:

— Diretor Hewson.

— Espero que não tenha vindo promover uma revolução por eu ter recuperado o rover – ele se voltou pra ela.

— Não, diretor – ela esboçou um sorriso. — Vim para saber quando o terei de volta.

— Quando morar aqui – respondeu imediatamente. — Você mesma disse que dormir na cabine da Kelly a – procurou a palavra certa – inspirava. Tenho certeza que se usar o rover dela também vai te inspirar.

A raiva subia.

— Diretor, nós fizemos um acordo. Eu expliquei o real motivo…

— Diretor!

Spock a pediu para aguardar com um sinal e foi atender o chamado de um dos técnicos. Tanise só podia vê-los gesticulando, produzindo sussurros imcompreensíveis. Poucos instantes depois, ele pareceu ter dado uma ordem ao técnico e voltou ao centro, mas deteve-se no meio do caminho até ela. Quando o diálogo entre eles expandiu de mesa em mesa, ela já conseguia identificar alguns nomes e frases, mesmo que desconexas. O que a intrigou realmente foi ter ouvido o nome Lehner várias vezes.

— Atenção, todo mundo! Chamem todos da externa agora. Chama o link de todo mundo. Quero todos aqui dentro agora. Temos quantos lá fora?

— 58 conectados, senhor! – gritou um da ponta.

— Todos aqui dentro agora.

Tanise aproximou-se dele.

— O que tá havendo?

— Tempestade de poeira – disse ainda num tom elevado.

Um burburinho suspendeu-se no salão.

— Vamos lá, pessoal. Foco!

— Atingiu alguém? – ela precisava saber mais. — Escutei você falar o nome do Lehner um monte de vezes. Atingiu eles? Eles…

— A tempestade explodiu perto da equipe dele e estão todos desconectados, ou seja, sem seus capacetes. Devem estar no rover a caminho de volta. Viram a tempestade e correram. Ela vai atingir o Sagan também.

— Então chame-os pelo rover – exclamou.

— Não dá. O sistema é novo, adaptado ao visor somente. Do rover temos só o GPS e já estão localizando.

— Mas se eles tivessem visto alguma coisa, teriam chamado o link do Sagan. Não faz sentido – o desespero quase a fez chamá-lo de Spock.

— No desespero, pessoas costumam agir fora do protocolo, Spielmann.

— Diretor, um dos nossos drones está agora sobre a área de exploração do Lehner – manifestou-se um deles. — Nunca vi tempestade como essa.

Spock ordenou que colocassem a imagem do drone no telão principal. Um breve instante de estática sufocou as pessoas ali e a imagem surgiu num estalo, revelando o que parecia ser algo diferente, mais denso do que o costume. O aparelho sobrevoava sob o controle de um dos técnicos.

— Cadê o rover? – Tanise indagou.

— Tem que estar nesse ponto. O GPS diz…

A imagem limpou parte da mancha causada pela tempestade. O rover estava lá e inexplicavelmente, tombado. Um carro imenso, fortificado, tombado no chão. Especulações pipocaram de todos os lados e Tanise só pensava no Greg, na possibilidade de ele estar ferido lá fora, que em Marte é praticamente sinônimo de morto.

— Nenhum sinal deles? – Spock cobrava. — Só vejo o veículo, cadê os caras?

Tanise parecia mergulhar de novo, mas dessa vez em algum lugar frio e escuro. As vozes a sua volta pareciam abafadas, distantes, tão distantes quanto a Terra. De repente, Tanise pareceu tão inocente que imaginou Greg sofrendo, considerando cada historinha improvável de terror marciana contada ainda na Terra. As vozes pareciam voltar, e com elas, a sua capacidade de raciocinar. Ela olhou em volta, as pessoas andando de um lado para o outro. Spock dando ordens a fulanos e sicranos. O salão começou a encher de pessoas, inclusive pessoas que estavam lá fora e cumpriram a ordem de voltar. Pois Greg não era um deles. Greg estava lá, embaixo daquele nebuloso demônio vermelho.

Algo ardia nela e subia sem qualquer controle. O bio-traje estrangulava o seu estômago, provocando um incômodo nauseante.

— Nisi, você tá bem? – Jennifer a abordou.

— Eu, eu to…

O vômito a impediu de falar.

Todos voltaram-se para a cena constrangedora, onde Tanise agachava-se e torcia seu organismo até expelir a última gota. Jennifer a amparou. Todos recobravam o foco na busca pela equipe do Lehner, mas Spock foi até elas.

— Dra. Blythe, o que ela tem?

Jennifer balbuciou enquanto Tanise apertava o seu braço numa tentativa desesperada de alerta. Diante da angústia da amiga com o desaparecimento do namorado e o medo de que ela abortasse, Jennifer ignorou sua súplica.

— Diretor, ela está muito bem. Enjôo matinal é muito comum na gravidez.

A frustração de Tanise para com sua amiga desmanchou-se ao ver a reação hilária do diretor. Paul Hewson petrificou diante das duas de tal forma que se alguém o chamasse de Spock no salão, ele não ouviria. A mente dele tinha tantas perguntas que ele se atrapalhou com as palavras. Jennifer o explicava com paciência e Tanise via no rosto dele um sorriso esboçando aquilo que se vê apenas em delírios.

O sistema revelou com delay uma série de tentativas de contato com o Sagan. A última enviada há 33 minutos. A apreensão só aumentou no salão. Já não era possível saber se estavam vivos ou mortos e enviar uma equipe de busca naquele instante só pioraria as coisas.

— Nisi, vai ficar tudo bem – Jen tentava acalmá-la.

“Essa porra é global”, alguém dizia repetidamente.

— Não sabemos isso. Não podemos saber isso assim, às cegas – desprendia-se num choro. — Temos que ir atrás deles, Jen. Temos que fazer alguma coisa.

Jennifer a abraçou.

— Nisi, essa tempestade é avassaladora. O rover deles capotou.

Tanise choramingava no ombro dela, agoniada com o gosto amargo da língua impregnada pelo vômito. Sua amiga praticamente dissertava sobre os riscos da tempestade enquanto seus olhos lacrimejados viam uma figura conhecida no meio da multidão curiosa do salão. Aquela cabeleira… Henry!

Como num tiro, Tanise disparou.

Jennifer não entendeu, achou por um mísero segundo que ela fosse vomitar novamente, mas havia tomado o corredor da saída. Spock acompanhou com os olhos e foi atrás, sem querer acreditar na ideia, até que ela pegou o capacete e grudou-se na porta, girando a manivela para sair. Spock e Jennifer foram atrás, com a plateia dividida entre o caos da tempestade e a brasileira espetaculosa.

— Nisi, aonde você, Nisi!

Tanise abriu a porta pesada para a área de pressurização/despressurização. Quando se enfiava lá dentro e puxava a porta com toda a sua força, viu Jen parando e Spock correndo, avassalador como a própria tempestade, tomado pela cólera. Ao notar que não chegaria a tempo de impedí-la, ele bramiu numa voz tonitruante:

— SPIELMANN!

E a porta bateu.

Girou a manivela, pôs o capacete, acionou a despressurização e aguardou. Os sensores completaram e ela abriu a porta de saída, reencontrando o deserto. Pondo os pés pra fora, de cara com o deserto, ela concluiu para si mesma que estava na hora de esquecer a ficção científica e encarar o mundo real.

V

Longe do Sagan, longe de qualquer coisa viva, Tanise exigia o máximo do rover que ela bem conhecia. Por não saber o local do desastre, manteve-se conectada com o capacete e conversando com os técnicos e ouvindo murmúrios do Spock, sob clamores de que não mandasse ninguém atrás dela. Como previsto, o demônio atingiria o Sagan com força total. Colocou-se sobre a planície e seguiu em frente, fingindo rir na cara do perigo. A tempestade vinha ao seu encontro, então, somando a velocidade dela com a do veículo, Nisi imaginou que o choque não fosse agradável.

O visor mostrava no canto a elevação do seu batimento cardíaco. Sentia como se fosse paralisar com o terror de ver aquela muralha cada vez mais próxima. Quando desistir era inútil, ela percebeu que havia se enganado. O demônio nebuloso não era vermelho, e sim escuro como o abismo.

E ela veio, densa, atingindo o rover sem qualquer piedade. Nisi sentiu o corpo deslizar para longe. A mente flutuava. Imaginou que Marte revoltava-se contra os novos invasores ou até mesmo que deus manifestava sua ira após eras escondido na inexistência. Pensou no bebê. Assim que abriu os olhos, Tanise só tivera tempo de notar os números do seu batimento congelando no visor, a voz do técnico informando-a que estava no local. Dali em diante, sequer estática. O sistema caiu, derrubado pela poeira. O rover partido praticamente ao meio. A poeira invadia o carro e a socava na parede.

Tanise ia contra tudo, a poeira abrasiva começava a castigar severamente o seu bio-traje. Noutros tempos, estaria morta. Caminhou sem rumo, cercada pelo demônio. Durante a busca, ela tentava restabelecer o sistema, mas a nuvem negra impedia-o de funcionar. Sem sistema, sua voz não seria ouvida em nenhum canto dessa imensidão silenciosa.

De repente, um tropeço. Era um corpo. Andou desesperada de um lado para o outro, falando sozinha, acreditando piamente que o Sagan ouvia a sua contagem de mortos e feridos. Até que Greg surgiu, caído, fragilizado como criança. Ela o puxou ainda vivo.

Tanise acariciou-lhe pelo visor arranhado. Falava, mas sua voz morria dentro dos limites do capacete. Deu tapinhas nele, procurou algum rasgo no traje, até que sob um facho de luz, ela notou sangue pelo seu rosto. Ele a olhava, sabendo que ela não o ouviria sem o sistema. Ficou emudecido, apreciando a mulher que arriscava a própria vida por ele. Sentiu pena, porque sabia que ela gritava e sua voz era esmagada pelo silêncio ensurdecedor.

Um novo golpe vinha, ainda mais escuro e avassalador. Nisi chorava, gritava e nada. A poeira corria entre eles, deliciada com o drama que ela vivia em não poder dizer a ele que o amava, que estava grávida; do seu “urso”. Greg ergueu a mão e mostrou-lhe os dedos borrados de terra escurecida pela umidade. Quando ela arregalou os olhos, ele sorriu satisfeito com a importância da sua descoberta. E ela puxou a mesma mão e fixou em seu ventre. Ele congelou a face e nada mais. Ela sofreu em silêncio com a dúvida.

O novo monstro engolia tudo, faminto. Tanise o encarou com rara serenidade e convenceu-se da única e irremediável verdade. Tudo que existe embarca na mesma viagem só de ida para o frio do esquecimento.

Nisi deitou com Greg, abraçou-o e começou a cantar, mas ninguém podia ouvir.

30 comentários em “Sinfonia Inacabada (Felipe Moreira)

  1. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Gostei dessa FC romântica :). Bem escrito, cativante, consegui formar boas imagens dessa colônia. Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  2. Pétrya Bischoff
    4 de abril de 2014

    Bueno, dei umas olhadas nos comentários, antes de ler, e não sabia o que era “FC”, daí li e “Putz, ficção científica”; eu adoro Julio Verne, mas só :/
    Não consegui absorver o conto, apesar de admitir que está bem escrito. No entanto, gostei muito da última parte. Boa sorte.

  3. fernandoabreude88
    3 de abril de 2014

    É evidente o domínio deste escritor sobre as técnicas narrativas e a pesquisa realizada. Como não sou muito fã de FC, e sim de textos mais surreais e desprendidos, não fui muito com a cara do conto, mas isso não significa que não tenha qualidade. É um bom conto e apresenta um final interessante. Só não estará no meu top 10 por questão de gosto, mesmo. Parabéns pelo trabalho!

  4. Alexandre Santangelo
    2 de abril de 2014

    Muito bem escrito. Eu já gostei pelo título pois adoro esta Sinfonia. O autor foi muito feliz na inclusão, sem soar forçado Excelente narrativa. Parabéns;

  5. Wilson Coelho
    2 de abril de 2014

    (Literalmente) um contaço! Adorei o tom de FC séria e senti-me angustiado com os eventos da parte final. Acho que poderia enxugar um pouco o texto, e achei que foram talvez personagens demais para um conto.

  6. Marcelo Porto
    31 de março de 2014

    Gostei muito do conto.
    Uma história que não cabe nos limites do desafio, muita informação e muitos (bons) personagens para se trabalhar. O autor tem uma boa base para expandir a trama e torna-la ainda mais interessante, ainda há muitos conflitos abordados superficialmente que têm grandes possibilidades.
    Aí tem material suficiente para um excelente romance de Ficção Cientifica.
    Parabéns!

  7. Felipe Rodriguez
    31 de março de 2014

    Não consegui me envolver com esse conto, sobretudo pela quantidade de informações – que são pertinentes à história, mas simplesmente não me deixaram fluir pelo texto. No mais, está bem escrito, a citação foi bem escolhida e há cenários bem desenhados.

  8. Hugo Cântara
    29 de março de 2014

    Sou um fã de FC e, no geral, do gostei do conto. Deu os pormenores e justificações estritamente necessárias, sem cair no abuso de explicações e tecnicismos que apenas aborrecem a história. Contudo, achei que faltou dar maior profundidade às personagens. Pessoalmente não gostei muito do fim pois foi o fim que já estava à espera, dramático e com a morte dos dois.
    O ritmo foi bom, reparei no uso de narração subjectiva “alternada” no mesmo parágrafo (do ponto de vista de Tanise e do ponto de vista de Greg). Pode ser sisma minha, mas não gosto de ver o uso dessa técnica narrativa num conto, ainda para mais no mesmo parágrafo.
    Continua a escrever 🙂 Parabéns e boa sorte!
    Hugo Cântara

  9. Thata Pereira
    27 de março de 2014

    Eu não estou acostumada a ler FC. Os únicos contos que li do gênero estão aqui nos desafios. Talvez seja até um defeito que preciso concertar: sair da minha zona de conforto e procurar por gêneros que não estou acostumada. Por conta disso, devo confessar que a leitura em certas partes foi arrastada, que algumas vezes precisei voltar no que havia lido. Mas por ter consciência desse meu “defeitinho” rs’ me esforcei para entender o conto. Acabei gostando do resultado final.
    Boa Sorte!

  10. Eduardo B.
    25 de março de 2014

    Sinceramente? O final me conquistou. Achei muito bonito.

    Porém, devo dizer que meus olhos arrastaram-se cansados em determinadas passagens. É fato que o autor sabe manusear palavras de forma competente, mas o excesso de informações e personagens acaba tirando a praticidade da narrativa. Contudo, um bom conto.

    Continue escrevendo. Abraço. 😉

  11. Weslley Reis
    25 de março de 2014

    Com certeza um conto acima da media, tanto pela construção, quanto pelo estilo narrativo.

    Esperava um outro desenrolar do final, por isso me frustrei um pouco. O que com certeza não tira o mérito do texto.

  12. Gustavo Araujo
    24 de março de 2014

    Um contaço de FC. Personagens bacanas e uma trama bem desenvolvida. Com toda certeza agradará os adeptos do gênero. Digo isso porque os não iniciados poderão achar estranha – enfadonha até – a ambientação. Mas, no fim, creio que a relação entre os protagonistas foi bem explorada, culminando com um desenrolar à altura das expectativas. Bom trabalho.

  13. Marcellus
    24 de março de 2014

    Um conto muito bom! O autor está de parabéns.

    Não tenho muito a acrescentar, além do que já foi comentado pelos colegas. Boa sorte ao autor!

  14. Rodrigo Arcadia
    22 de março de 2014

    Fiquei na duvida numa coisa. Tem seu lado emocional o conto, no exemplo do casal. Mas a história, sendo boa, pareceu-me incompleta. Talvez o foco, tendo uma tempestade, deveria ser outro. Bom, é isso.
    Abraço!

  15. Maurem Kayna
    20 de março de 2014

     A história como um todo tem várias falhas que uma dedicada revisão de linguagem e verossimilhança poderão sanar, mas o trecho na estufa a redime, fou o que me fez acreditar nela. A tensão relacionada à tempestade de areia também é boa, mas o final foi frustrante e não por não ser feliz, mas por não responder às questões internas levantadas na história. A correlação da sinfonia inacabada combinaria mais com a decisão dela não ter o filho do que com a morte que nem chega a se configurar como um suicídio. Mas como acho que o material pode ser trabalhando, deixo algumas anotações esparsas sobre o texto:A vontade imperiosa de ver o pôr do sol me pareceu um pouco forçada.O trecho “sobrepôs-se a uma simples encosta” além de ser uma frase imprecisa / incorreta, não contribuiu para que o leitor tenha em mente uma cena clara. Falar em “direção puxando” para um veículo projetado para outro planeta, não sei… soa esquisito demais.Pensar em alimentos atuais sendo transportados para Marte pós 2050 também quebra um bocado o ritmo da leitura.A cena que fala da gravidez (?) ficou completamente confuso e deveria ser o primeiro ponto alto da narrativa ( a linguagem que as duas usam ñão combina com o contexto). Fica muito subentendido que Jennifer colheu material de Tanise para analisar e a descobriu grávida.Borboletas no estômago é um clichê que já não cairia bem num romance adocicado, em uma fantasia futurista é impensável.”Spock pediu” está errado… troque a por lhe 
    bem… talvez eu seja uma leitora muito chata. Risos

  16. rubemcabral
    20 de março de 2014

    Gostei bastante do texto, pois FC hard é minha praia. Achei em alguns momentos que houve personagens/nomes/apelidos demais, porém depois consegui me achar. Talvez por existirem tantos, penso que o conto foi um tanto deficiente com as descrições, uma vez que em geral não formei boas imagens das personagens.

    Um cacoete de FC que o conto conseguiu evitar foi que até que não houve muito infodump ao se falar da história pregressa dos acontecimentos desse mundo.

    Um bom conto!

  17. Bia Machado
    20 de março de 2014

    Gostei, mais pelo sentimento do que pela parte técnica, confesso que não foi fácil passar por todas as explicações, essa parte não me envolveu. Mas os personagens são cativantes, e ainda bem que não desisti… Também acho que poderia render algo maior, que se desenvolvesse mais do que o texto que foi colocado aqui. Que final triste… =\

  18. Claudia Roberta Angst
    19 de março de 2014

    Uma boa narrativa. Por não ser fã de FC, tive vontade de desviar da parte da explicação técnica e detalhes científicos. As descrições são bem feitas e percebe-se domínio das palavras.
    Quanto à cena final, acho que é muito difícil escapar dos clichês quando se quer dar um toque romântico ao desfecho. Não me incomodou nem um pouco. Triste, mas linda despedida.
    Boa sorte!

  19. Alexandre Horta
    18 de março de 2014

    Adorei seu texto. Simplesmente isso. Adorei o final (a redação de algumas frases do final ficou um pouco confusa, principalmente no antepenúltimo parágrafo, mas nada preocupante). Pra mim foi o melhor conto até agora. Parabéns!

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Alexandre, valeu pela dica. Eu reli e concordo contigo. Acho que o ritmo corrido da ação tornou um pouco confuso mesmo, afinal, tratava de duas personagens simultaneamente.

      Obrigado pelo incentivo e fico feliz que tenha gostado tanto!

      Abraço.

  20. Douglas Barcellos (@docellao)
    18 de março de 2014

    Primeiramente jovem, meus parabéns, o texto é totalmente envolvente.
    Enquanto lia as primeiras linhas, me pus automaticamente e sem a devida vontade própria nos mundos de O Guia Mochileiro das Galáxias, Iron Man e Sob a Redoma.
    No primeiro “PORRA” fui levado ao misto de O Vendedor de Armas, de Hugh Laurie e Deuses Americanos, de Neil Gaiman. E sinceramente, adoro ser levado para outros lugares através de uma doce leitura.
    Gosto de ler algo e ter a sensação que já li algo sobre aquela palavra em outro livro. Já li sobre Spock. Sobre a fumaça quando Tanise abriu a porta do carro e obrigado.
    E por fim: torne isso logo um livro. Adorei a sua escrita e como os tópicos são expostos e cadenciados. Parabéns de novo.

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Caramba, Douglas. Fico feliz demais em saber que meu conto foi capaz de transportá-lo dessa maneira a todas essas referências. Acho lindo quando isso acontece; une pontas soltas que juntas tornam tudo mais crível. Obrigado pelos seus elogios, de coração.

      Abraço.

  21. Eduardo Selga
    18 de março de 2014

    O texto é competente na administração dos elementos que fazem dele um conto. O espaço ficcional, o tempo, a construção do narrador e personagens, tudo está bem organizado.

    Apesar disso, a estória não brilha. É burocrática, arrasta-se para terminar numa cena bem cansada de romantismo, dentro dos moldes dos filmes comerciais: olhos nos olhos, mão no ventre, a morte do casal unidos pelo amor.

    Muito bom o domínio da palavra escrita (o que, por si só é pouco para um conto), mas uma breve observação. No texto são usadas algumas gírias e expressões típicas de hoje, como “babado” e “foco” (esse modismo advindo na linguagem empresarial). No entanto, o enredo se passa muitos anos após o nosso tempo presente. Como gírias e modismos linguísticos não sobrevivem além da época em que foram criados, fazer personagens de um tempo futuro usarem essas palavras é pouco razoável.

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Oi, Eduardo. Obrigado pelo seu comentário. Fico feliz de saber que minha narrativa apresenta um bom domínio da linguagem. Engraçado você ter tocado no ponto do clichê romântico, já batido e forçado. Eu sempre fui meio chato com isso e acabei cometendo a mesma gafe. hahaha
      Obrigado por me fazer notar. Concordo contigo.

      Abraço.

  22. Fabio Baptista
    17 de março de 2014

    Eu colocaria acento em “To” (Tô). E também teve uma repetição da palavra “deserto” que incomodou um pouco no último parágrafo do capítulo 4.

    O primeiro parágrafo tenta conquistar com uma linguagem mais rebuscada que acaba não se repetindo no decorrer do texto. Acho que seria melhor deixar tudo uniforme, na linguagem mais simples que vemos depois. Aquele começo pareceu meio artificial, com o autor forçando a mão para enfiar belas imagens de ambientação na cabeça do leitor.

    Achei a parte que menciona as datas desnecessária. Talvez coubessem em uma história maior, mas em um conto ficou meio monótono (dizer que 2048 não teve Olimpíada por exemplo… não teve relevância nenhuma para a trama). Aliás, acredito que a história ganharia força se fosse mais concisa, focada nos eventos principais e indo mais “direto ao assunto”. Da maneira apresentada, a leitura se arrastou interminável, até encontrar um pouco de emoção no final.

    Com exceção a uma ou outra frase bem colocada, não me agradou.

    (Desculpe, espero que o autor encare como uma crítica construtiva… essa foi minha intenção, assim como em todos os outros comentários).

    Abraço!

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Fabio, por favor, não peça desculpas por nada. Seu comentário foi excelente. Eu gostaria de possuir um senso crítico ao menos próximo do seu. Entendi perfeitamente os pontos que você destacou. Pra falar a verdade, sem querer justificar qualquer erro, esse é o primeiro texto de ficção científica que escrevo. Eu me propus a esse desafio. Minha narrativa costuma ser mais densa, mas para ambientar esse universo exigente, acabei deixando escapar essa quebra de ritmo narrativo. Ainda bem que tenho a chance de ler críticas como as suas pra eu poder melhorar.

      Obrigado pela sua contribuição.

      Abraço!

  23. Anorkinda Neide
    17 de março de 2014

    Olha, gostei muito, bem desenvolvido e bem romântico 🙂

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Hey, Neide. Obrigado. Fico muito feliz que tenha gostado. =)

  24. Jefferson Lemos
    17 de março de 2014

    Essa escrita tão primorosa, me faz embarcar de cabeça, assim, logo de cara.
    Fiquei muito empolgado enquanto lia, pois o autor mostra uma habilidade extrema com as palavras. A narração foi sublime, e arrebata logo de início.
    Porém, depois da metade do texto, eu fui perdendo a vontade. Até que cheguei ao fim bem menos interessado. Não creio que seja culpa do autor, que está de parabéns, vale ressaltar.
    A história me parece promissora, e necessita de algo a mais. Poderia se tornar até um livro, pela forma como esse universo foi criado. E, achei muito legal a forma como uma brasileira foi introduzida na história. Não ficou forçado, e nem mesmo pareceu errado, então parabéns por isso também.
    O que pegou para mim, é que eu esperava algo a mais. E acabou que esse algo não veio, e não supriu a necessidade que criei ao longo do texto.

    Enfim, como eu falei, não é culpa do autor, é apenas questão de gosto.
    Está de parabéns pelo ótimo texto, e lhe desejo boa sorte!

    • Marvin
      19 de março de 2014

      Oi, Jefferson. Muito obrigado pelo comentário e pelos elogios, sobretudo sobre minha narrativa e pela introdução de uma brasileira sem parecer inverossímil. Eu preocupei bastante com esse ponto.

      Obrigado mesmo pelo seu comentário, vou tirar proveito de todos.

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Publicado às 17 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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