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“O Vento pela Fechadura” – Resenha (Marcellus Pereira)

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Para quem estava com saudades do Mundo Médio e do ka-tet de Roland, Susannah, Eddie, Jake e Oi, Stephen King publicou em 2012 uma nova história no universo de “A Torre Negra”: “O Vento Pela Fechadura”.

Não há nada de realmente novo no livro, no sentido de que não é um “reboot” da história, o que é deliciosamente reconfortante. Não há alterações bruscas no passado de alguma personagem, nem revelações bombásticas que alterarão nossa percepção da epopéia de Roland. “O Vento Pela Fechadura” é um “adendo” à saga da Torre Negra, que deve ser lido, segundo o próprio King, entre “Mago e Vidro” e “Lobos de Calla”.

Neste ponto, o leitor ainda não iniciado nos mistérios do Mundo Médio pode se perguntar se vale a pena dedicar seu precioso tempo a um livro que acontece praticamente no meio da história. Pois o livro, apesar de mostrar um pouco mais o crescimento de Jake e expandir nosso conhecimento sobre o relacionamento de Roland com a mãe, não exige conhecimento prévio. No entanto, para quem é familiarizado com a obra, “O Vento Pela Fechadura” serve como um aperitivo, um breve descanso na longa e sofrida jornada do pistoleiro.

Um aviso: da mesma forma que King, espero que você pare de ler agora. Daqui para a frente pode haver revelações que, se não estragarem seu prazer ao saborear o livro, talvez o diminuam.

CUIDADO VIAJANTE!

“O Vento Pela Fechadura” traz uma história dentro da outra, dentro da outra, o que pode ser desesperador para alguns, mas foi a maneira genial que King encontrou para nos manter interessados num livro que não tem grandes revelações nem viradas de enredo. É a máxima do autor, de que a jornada é mais importante que o destino.

O ka-tet (ou o grupo, num sentido mais profundo, como uma família) de Roland se vê preso por um dia e meio num velho prédio, enquanto uma borrasca varre aquela região do Mundo Médio. Para passar o tempo, ele conta uma história do seu passado, que aconteceu meses após a morte da mãe.

Neste ponto, quem já leu “A Torre Negra” vai reparar que o estilo de King está diferente, não necessariamente melhor. Mas isso é de certa forma inevitável, já que o primeiro livro da série foi escrito quando tinha apenas dezenove anos.

Enquanto narra a história da investigação de vários assassinatos cometidos, ao que tudo indica, por um “trocapele”, espécie de criatura capaz de alternar sua aparência entre um ser humano e outros animais, Roland faz uma pausa para contar uma fábula, um conto de fadas que mistura de Peter Pan ao Monstro da Pântano, tendo como ambientação o Mundo Médio de muitos anos antes da decadência de Gilead.

Apesar de não haver reviravoltas e o enredo ser bastante previsível (neste ponto, aliás, a capa nos presta um enorme favor e é, de longe, muito superior à estadunidense), King nos mantém presos, atentos, justamente por nos mostrar de relance outras partes de um mundo que mistura magistralmente magia e tecnologia de ponta.

Não nos é revelado quando, exatamente, a fábula se passa. Mas apesar de ter sido “muito antes do avô do seu avô nascer”, um dispositivo da North Central Positronics Ltda. avisa que ainda tem 88% da bateria, com tempo estimado de duração de setenta anos.

A tradução da editora Objetiva é competente, mas não isenta de erros. Por exemplo, em determinado momento o autor escreve: “A half a mile or so north, standing atop a little hill, was the bunkhouse.”. O tradutor, André Gordirro, transforma a sentença em: “Uns 800 quilômetros ao norte, no alto de um pequeno morro, ficava o alojamento.”.

Da equipe original de revisores, ficou apenas Fátima Fadel. Isso, juntamente com a diferença de tempo desde o último livro (“A Torre Negra – vol VII, de 2004) dá à obra um ar diferente, às vezes “modernoso” demais, especialmente nas expressões de Eddie. Em vez de “o mundo seguiu adiante”, encontraremos “o mundo seguiu em frente” e coisas assim. Pequenos detalhes que incomodarão apenas aos fãs mais ardorosos e ranhetas.

Apesar de não haver especificação (o que é uma pena), o papel parece ser do tipo pólen (aquele amarelado), diferente dos outros livros da série, branco. Particularmente, achei mais agradável de ler.

A capa, como já comentei, é melhor que as estadunidenses, no sentido de que contribuiu mais para a história. Além disso, apesar de não ser ilustrada por Igor Machado, segue o estilo das outras, de forma que o livro não parece um “filho bastardo” na estante.

Para finalizar, minha recomendação aos fãs é, claro: leiam o quanto antes. E àqueles que querem iniciar suas aventuras pelo Mundo Médio, talvez seja melhor começar pelo começo (“A Torre Negra, O Pistoleiro – vol I) e deixar “O Vento Pela Fechadura” para ser lido logo depois do quarto volume.

Longos dias e belas noites!

Um comentário em ““O Vento pela Fechadura” – Resenha (Marcellus Pereira)

  1. Jefferson Lemos
    18 de janeiro de 2014

    Pô cara, eu vim aqui na sede para ler a resenha, mas ai vi sobre “diminuir minha vontade de ler”, e acabei decidindo não ler a resenha. Estou terminando de ler o segundo livro “A Escolha Dos Três” e estou gostando bastante até agora.

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Publicado às 18 de janeiro de 2014 por em Resenhas e marcado , , .