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Detox Literário.

Só anjos (Nilo Paraná)

O jovem demônio passou por uma transformação inusitada. Parou de cumprir sua cota de maldades. Seus pares notaram que não cheirava mais a enxofre. Passaram a olhá-lo com certa indiferença. Sugeriram: — Talvez seu lugar não seja mais aqui.

Sem saber para onde ir, ele subiu. Chegou na hora da formação, ouvindo a voz celestial:

— Façam uma fila por hierarquia: Serafins, Querubins, Potestades — até os Anjos. Desorientado, o jovem demônio perguntou: — eu fico onde, Senhor?

Ele sorriu. — Meu pequeno demônio, seu lugar é lá embaixo.

O diabrete afastou-se chutando o chão e resmungando: — Vai tomar no cu.

53 comentários em “Só anjos (Nilo Paraná)

  1. Angelo Mendacium
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Angelo Mendacium

    oi Fernanda, obrigado pelo comentário. Sobre mandar você tomar…, imagina, nem o Anderson Prado que disse que o palavrão conspurca meu texto eu mandei, logo voce, primeiro por respeito às mulheres e segundo porque você foi super educada.

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Divertido, mas é mais anedótico do que literário. A ideia é boa, mas a execução fugiu um pouco da linguagem que, ao meu ver, daria mais forma ao texto como um conto.

    De todo modo, a originalidade brilha por si só!

    Parabéns!

    • Angelo Mendacium
      16 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      André, obrigado pelo comentário. Não entendi o que você quis dizer, se tiver humor não pode ser literário? Outra coisa que não entendi: a execução fugiu da linguagem que daria forma ao texto? Sério isso? Só por curiosidade, você não viu história, pertencimento, exclusão, revolta?

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Microconto muito divertido! O final é genial. A inadequação do andar de baixo, a não aceitação dele no andar de cima. kkkk, e a revolta dele. Que reação intensa. kkkkk. Muito legal seu microconto. Adorei, a transformação do ser não foi explicada, mas acho que o melhor foram as reações e estranhesas dos outros. E ele perdendo a paciência, foi o melhor.

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Ângelo

    Pra começar, adorei a ilustração.

    Consegui ir imaginando as cenas, esse demoniozinho se “angelicando”, incomodando os coleguinhas. Depois tentando se encaixar no céu. Ficou entre o infantil e a comédia.

    Nesse trecho, Serafins, Querubins, Potestades — até os Anjos”, trocaria o travessão por uma vírgula. Você já usa o travessão para as falas, ficou confuso.

    Gostei, mas esperava mais do final. Achei um pouco bobo (não vai me mandar tomar no cu, hein?).

    Parabéns pelo microconto!

    • Angelo Mendacium
      16 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      oi Fernanda, valeu pelo comentário. Sobre o final, em geral, não gosto de palavrões, mas achei que nesse caso encaixaria, a revolta do demônio e a ironia de dizer isso a Deus. Pensei em falar: Quer droga, ou vai se danar ou até sair chutando pedras sem falar nada. Imaginei que seria até mais criticado do que foi. Mas foi esse termo que deu um punch line.

  5. São Tomás de Aquino
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de São Tomás de Aquino

    Hahahaha este não está aqui comigo, de certo.

    Como diria meu querido São Bento: vade retro, Satana!

  6. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    O formato microconto combina muito bem com humor. Poucos contos no desafio se aventuraram pela comédia, provavelmente porque é muito difícil fazer rir com a escrita. E seu conto conseguiu. Na primeira leitura, dei uma risada no final. Na releitura, fui pegando melhor a situação do personagem, que é bem desenvolvida pelo texto. O tema metamorfose está bem explorada: diabo que se metemorfoseia em anjo e que agora… terá que se metamorfosear em diabo novamente? O mais engraçado é que, por causa da imagem, o anjo-diabo ficou muito fofinho ehehe. É um texto leve, engraçado, bem editado, com um ritmo muito bom levando até a última frase, aquela pérola de fofura. Ficou entre os meus preferidos.

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    E aí, Ângelo! Teu conto é uma sátira impagável sobre pertencimento e a rigidez das castas. Adorei a metamorfose moral do diabrete que, ao deixar de ser “mau”, acaba num incômodo “não-lugar” entre o céu e o inferno.

    A construção da expectativa foi certeira, e o desfecho com o xingamento é um nocaute de realidade na exclusão praticada até no paraíso. O humor funciona justamente por humanizar o “diferente” através da sua frustração.

    Como oportunidade de melhoria, notei que a palavra “demônio” se repete demais, o que tira um pouco do frescor do texto. Além disso, a formatação dos diálogos misturados aos incisos ficou um pouco confusa e poderia ser mais limpa para ajudar na fluidez.

    No geral, é uma peça de humor inteligente e ácida que questiona o monopólio da virtude.

  8. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá, Ângelo Mendacium

    Vai tomar você! kkkk Mentira, curti seu microconto. Um jovem demônio para de fazer maldade, tenta “subir” para recomeçar, mas descobre que até lá em cima existe porteira, fila e hierarquia… e ele acaba devolvido para o lugar de sempre. Diz muito sobre pertencimento, exclusão…

    O que saltou mais pra mim no seu micro foi o humor ácido: você usa a metamorfose como mudança de postura e, no fim, questiona quem é “anjo” e quem é “demônio” quando o sistema de pureza também exclui.

    O palavrão final funciona como desabafo e fecha com choque cômico. Pra mim funcionou bem.

    De forma geral, você abordou o tema da metamorfose de forma sagaz. Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Ri com esse final: a quebra de tom ficou ótima. Gosto de quando o micro mostra toda uma atmosfera “séria” para, no último instante, puxar o tapete com humor. Funcionou muito bem aqui, especialmente pelo contraste entre o cenário celestial e a reação bem humana (e nada angelical) do diabrete. Ficou divertido e eu li como aquelas tirinhas do Anjinho, da Turma da Mônica, ainda mais por causa da ilustração. Eu estava precisando rir de alguma coisa no dia em que li esse texto.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Um conto que marcou na primeira leitura pela surpresa com o humor, mas que na segunda passada já não teve tanto impacto. A premissa promete (o anjo caído que se redime, vejo uma sombra de Fábio Baptista aqui?), mas o final, a última linha, me soou um final apressado, ainda que engraçado. Será que, com mais palavras, essa história ia para outro lado? Boa sorte no desafio!

  11. Astrongo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    O coitado do demônio não se encaixa mais lá embaixo e depois usa a parte de baixo para se vingar da recusa. Hahahaha. A resposta de Deus é burocrática, e a reação final do diabinho, xingando esse palavrão tão lindo, finalizou o texto de maneira muito boa.

  12. Pedro Paulo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Meu comentário acabou como resposta a Ana Paula, foi mal!

  13. Mariana
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    O anjo se torna demônio, volta a ser anjo e, no final, não há lugar para ele… Acredito que o pequeno diabrete se tornou foi é humano. É interessante, tem uma dose de humor e atende ao tema metamorfose. Só gostaria que o diabinho fosse mais criativo no xingamento para deus hehehehe É uma chance única. Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Pode parecer um microconto simples, mas ele se comunica muito com a ideia da redenção. A maldade que se cansa e, aos poucos, se transforma em bondade. Eu acredito nisso. E gosto da ideia.

    É um microconto literal. Ele não abre espaço para interpretações amplas. É aquele trabalho que passa a mensagem com eficiência, mas não causa. Não sei se isso é um problema para o autor. É que contos assim dificilmente se destacam. Ficam na meioca da tabela, às vezes até perto do final.

    Mas é um bom trabalho, de um autor que mostrou competência literária. Você tem cacife para ousar mais. E seu humor é ótimo, algo raro entre os autores daqui.

    • Angelo Mendacium
      14 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Olá Fábio, bom dia, obrigado pelo comentário e análise do meu conto. Sobre o mesmo ser “fechado”, sem espaço para interpretações, creio que isso seja fruto de uma leitura muito rápida. Aparentemente é uma história completa: início, meio e fim. Mas o final continua aberto. Como vários leitores comentaram, e dai? O que acontece, ele volta? Sem espaço no céu e no inferno, vem para terra? Ele se suicida? Vai tentar dar um golpe de estado no céu e conseguir o seu espaço? Sinto muito aos que ainda não leram, pois estou me atravessando, essa análise não é função do autor, isso é como explicar piada, perde totalmente a graça. Talvez até influenciando um leitor futuro.

  15. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Ângelo,

    Seu continho me rendeu uma gostosa risada. Quase uma gargalhada, eu diria. Tudo isso se deve ao timing, que você administra de maneira impecável. A burocracia do mais além está pintada com mão leve, irreverência mais do que deboche, sem com isso pôr a perder um conteúdo até bastante crítico da realidade. É como um kafka escrito por… Ah, sei lá por quem.

    Por essas e outras razões aderimos francamente ao infortúnio do diabrete e sentimos com prazer a desforra do final.

    Gostei!

  16. Priscila Pereira
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Ângelo! Tudo bem?

    Temos um micro pseudo-humor, porque na verdade trata de um tema bem espinhoso, o não caber em lugar nenhum. Não é tão ruim para ser demônio nem tão bom para ser anjo, então ficou sem pertencimento. É muito triste. O meio termo seria a terra, certo? Isso diz muito sobre a humanidade.

    Achei genial a imagem do conto, você mesmo que desenhou?

    Não sei se gostei ou não ainda…

    Parabéns e boa sorte!

    Até mais!

    • Angelo Mendacium
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      OI Priscila, obrigado pelo comentário. Você está como meu diabinho, sem saber para que lado vai. Espero que escolha o caminho certo. Vamos nos encontrar lá em cima. Sobre o desenho, sim, fui eu que fiz.

  17. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Ângelo Mendacium!

    Tudo bem?

    Microcontos e humor são uma combinação tentadora, mas perigosa. O texto está bem escrito, mas carrega um ar um tanto previsível em si. Desde o impedimento no céu ao xingamento, tudo estava alinhado para isso.

    Paciência, acontece!

    Atenciosamente,

    Givago

  18. Wilian Cândido Corrêa
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Ângelo,

    Na primeira vez, destaquei o humor inesperado do final e a irreverência do diabrete. Foi uma reação espontânea. Ao reler com mais atenção, percebo que o que me fez rir é justamente o que revela a inteligência estrutural do texto.

    Você constrói uma expectativa muito bem calibrada. A presença de anjos aciona um repertório simbólico conhecido (pureza, salvação, elevação moral). O leitor entra nesse campo sem resistência. A linguagem inicial reforça essa atmosfera quase celestial. E então você desloca tudo com a entrada do diabrete. A metamorfose não acontece apenas na história; ela acontece na leitura. O texto altera a direção da expectativa e, com isso, obriga o leitor a revisar seu próprio julgamento.

    O ponto mais interessante é que o diabrete não aparece como vilão caricatural. Ele é irreverente, mas não é simplificado. Há uma crítica sutil à ideia de que só o que é angelical é aceitável. A transformação aqui está na quebra da dicotomia fácil entre bem e mal. O diferente não é demonizado; ele é humanizado.

    Tecnicamente, o conto trabalha muito bem a progressão. Nada é gratuito. A reviravolta não surge como piada solta, mas como consequência do percurso construído. O humor funciona porque há preparação. E a preparação é invisível, o que demonstra controle da forma.

    Esse micro está entre os meus favoritos porque consegue operar no plano simbólico sem perder leveza. Ele questiona padrões, brinca com arquétipos e ainda sustenta releitura. Não depende apenas do efeito surpresa; depende da estrutura que o sustenta.

    Na releitura, a graça permanece, mas o que se amplia é a percepção da arquitetura do texto. E isso, para mim, faz diferença.

  19. leandrobarreiros
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Um bom conto de humor que pode trazer algumas reflexões, sejam esses intencionais ou não por parte do autor.

    Primeiro a exclusão do diferente por não se moldar fenotipicamente, ou genotipicamente, vai saber, a um determinado grupo. Moralmente, em teoria, faria sentido para o demônio estar em um lugar onde o mal não é praticado, mas as ações não bastam, é preciso pré-ação para fazer parte do clube, como o título indica. E a pré-ação é nascer do jeito certo. Em um mundo cada vez mais maluco, acho que o micro tem um papel importante de mostrar o absurdo cotidiano através do absurdo fantástico.

    A outra reflexão, que me interessa mais, é que fazer as coisas certas, seja lá por quais motivos, não necessariamente trazem recompensas. O pobre diabo, por exemplo, parece mais perdido do que antes. O que é meio triste, e real.

    Por fim, no que diz respeito ao mundo do micro, achei que o diabo poderia acabar no mundo dos homens, onde um pouco de bem e de mal coexiste dentro de todo mundo.

    A tirada no final funciona e da um tom meio de charge para a leitura.

    Enfim, bom micro.

  20. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Ângelo,
    Um excelente conto de humor, com toda a preparação indicando umaa redenção do pobre demônio até que não era nada disso.
    Inclusive a frase final mostra que talvez ele ainda não estivesse pronto para subir.
    Mas o que vale é que eu ri.
    Parabéns!

  21. Renata Rothstein
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Ângelo!

    Seu microconto tem uma ideia muito divertida e original: um jovem demônio que deixa de cumprir suas maldades e se vê deslocado entre inferno e céu. A voz do personagem é ótima, especialmente no final irreverente😂 dá um fechamento engraçado, que prende o leitor.Por outro lado, senti que a primeira parte poderia ser mais enxuta. Alguns detalhes se prolongam e diminuem o ritmo; cortar pequenas descrições ajudaria o impacto da transformação e do final. Além disso, a transição entre inferno e céu poderia ser um pouco mais clara, para o leitor acompanhar melhor a progressão da história.No geral, o humor e a originalidade estão muito bons, e o final entrega uma surpresa divertida. Com pequenos ajustes de ritmo e clareza, ficaria ainda mais forte.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  22. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Quer dizer que mesmo não fazendo mais maldades, o nosso anjo não mais decaído continua sem poder se redimir? Que deus bruto é esse? Mas Ângelo, gostei muito do seu microconto. Senti que você conseguiu me contar uma história completa, além de muito bem humorada e com um final que considerei excelente. Ah, e a ilustração? A melhor, muitos corpos à frente, do desafio. Sob a ilustração só fiquei achando que esse anjos celestiais são muito anglo-saxões, cá com os meus botões peguei-me pensando se uma imagem assim não daria munição aos supremacistas tanto os de lá. Parabéns e muito sucesso no nosso certame. 

    • Angelo Mendacium
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Oi Cyrino, valeu pelos comentários. Sobre os anjos loiros do desenho, foi só para diferenciar do diabinho, mas poderia sim ter feito o diabo loiro ou algum anjo moreno, acho que não faria muito diferença. abraços,

  23. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Belo conto! Meio fábula, meio paródia, mas original. Gostei do final. Parabéns e sucesso no desafio.

  24. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    De início me pareceu uma fábula e, na verdade, o conto segue essa linha até o arremate, um tanto contundente.

    Por um lado, é um conto que fala da busca pelo pertencimento, da possibilidade que todos temos de mudar, de enxergar o mundo por outro prisma, de buscar novos significados — algo que costuma-se chamar de livre arbítrio.

    Creio, porém, que a força do texto reside em outro aspecto: quem é anjo e quem é demônio afinal?

    Não é raro que um grupo que se considera impoluto — ou dominante — acabe repelindo aqueles que pertencem a outro grupo, ainda mais quando se trata de um grupo antagonista ou julgado inferior.

    O monopólio da virtude é de fato um problema muito atual e o texto tem sucesso ao tocar nesse ponto. De fato, na medida em que mostra a elitização dos anjos, dos bem nascidos, algo que impede a aproximação ou o acolhimento de qualquer aventureiro de plagas inferiores, dá a exata medida do cenário social que se vê em todo lugar. É como se dissesse: ei, ralé, nem adianta chegar perto porque aqui gente como você não entra.

    O palavrão no fim pode fazer rir, mas, se pararmos para pensar, não deixa de ser um desabafo, uma reação até esperada por quem se cansa de levar porta na cara injustamente.

    Parabéns pelo conto. Boa sorte no desafio.

    • Angelo Mendacium
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Oi Gustavo, ótima tua análise. Deixar de avaliar se a transformação foi completa ou incompleta e avaliar o efeito real, a exclusão. O final (um punch line e não um plot twist) teve um motivo específico de ser daquele modo: foi um arremate irreverente da história, com a ironia de um projeto de demônio contra a vontade divina. Bom quando um leitor entende exatamente o que o autor pretendia com seu escrito. Obrigado pela análise.

  25. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    A disposição das falas me soou exótica. Quanto ao enredo, não consegui levá-lo a sério. Soou simples piada. O palavrão conspurca o texto. Não há metamorfose, no máximo, há uma tentativa frustrada dela.

    • Angelo Mendacium
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      obrigado pela leitura e comentário (resposta padrão). Gostei do “conspurca”, gosto de xingamento com “classe”.

  26. Lucas Santos
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Ângelo Mendacium!

    A metamorfose está na intenção do demônio. Isso é evidenciado quando ele interrompe o cumprimento de maldades. No entanto, sua intenção de mudar definitivamente é, ao final, frustrada pela rejeição divina.

    Macro e microestrutura estão irreprocháveis. Embora tenha cinco parágrafos, o texto é sucinto. Não há sobras. E o que dizer sobre o fim? KKKKKKKKKKKKKKKK! Hilário!

  27. Nilo Paraná
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ola Ângelo, achei muito divertido seu conto, um dos melhores que li, embora ainda faltem muitos. Gostei da originalidade e achei interessante o conto não se basear só na transformação, mas no que ela causou ao diabrete. A leitura é leve e agradável. Embora não goste de palavras de baixo calão, nesse caso, o punch line não ficou grosseiro. Parabéns, boa sorte na competição.

  28. Rodrigo Ortiz Vinholo
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    HAHAHAHAHAHAH esse final me quebrou! Eu gostei da proposta, de como toda ideia de castas e papéis é demonstrada como absurda, mas a frase final martela tudo de uma maneira excelente. Tomei um susto, ri, e esta história ficou entre minhas favoritas até o momento!

  29. Thiago Amaral
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Esse é um daqueles que os comentários me fazem ver o conto por outra luz kkk

    Pela ajuda dos colegas, consigo ver que a ideia do conto é boa. Não sei se a intenção foi mesmo subverter a metamorfose como algo que não funciona nessa situação, ou que não é desejável nessa apertada hierarquia celestial. Mas vi profundidade no conto.

    O estilo da narrativa, talvez influenciado pela imagem, me trouxe muito a ideia de estar lendo uma história infantil, quebrada pelo palavrão final.

    Ao contrário de alguns colegas, não interpretei que ele se reverte novamente a malvadinho no final, já que frustração e falar palavrão não significam maldade pra mim. Entendo completamente o demo aqui, e o considero um injustiçado kkk

    O problema real pra mim no conto foi que, como o Luis Guilherme disse, o conto tem uma estrutura de piada (na verdade as histórias geralmente constroem uma catarse, mas nas piadas, e nesse conto em particular, é mais nítido), e o final, com apenas uma reclamação, não me satisfez, infelizmente. A punchline vem com uma virada, uma surpresa, e aqui não é nada disso, é apenas o capeta aceitando e reclamando do que Deus disse.

    Pensando agora, poderia ser considerado uma virada se considerarmos que ele voltou a ser diabinho. Mas, como eu disse no segundo parágrafo, esse efeito não funcionou pra mim.

  30. toniluismc
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Ângelo!

    Esse conto mostra claramente que o autor sabe escrever: o ritmo é ágil, o texto flui com naturalidade e o tom irônico dá um charme particular. Dá pra ver que há domínio de estrutura, até nas pausas e diálogos.

    O problema é que a tal “metamorfose” fica só na promessa. O início cria expectativa de que o demônio passará por uma transformação moral ou existencial, mas o final desmonta isso com uma reação típica, quase caricata. Fica a sensação de que ele não evoluiu em nada, apenas se cansou de trabalhar.

    A virada final é espirituosa, mas esvazia o tema central. É um bom conto em termos de forma e humor, mas fica com gosto de oportunidade perdida. Claramente um texto de quem tem habilidade, só que não quis deixar sua zona de conforto, assim como o seu protagonista.

    • Angelo Mendacium
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Oi Toniluis, grato pela leitura e comentário. Entendo bem sua crítica, pois o conto não se baseia na transformação (que aparentemente foi incompleta), mas se notar, o eixo do conto, o não pertencimento, é criado exatamente pela “meia” transformação. O final mostra justamente isso, a mudança não foi tão eficaz, e mesmo assim, bagunçou a vida do diabinho. Valeu. abraço

  31. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Você constrói uma fábula irônica sobre pertencimento, explorando bem o não-lugar do personagem entre céu e inferno. O humor funciona, sobretudo na quebra final, embora o desfecho dependa mais do palavrão do que da situação construída.
    Está entre meus preferidos.

  32. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece na transformação do demônio quando ele para de fazer maldade. É uma narrativa bastante engraçada. Ela nos leva a refletir sobre o nosso próprio lugar no mundo. E também sobre aquele tipo de pessoa que parece nunca se encaixar em lugar algum.

  33. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Voltando para comentar melhor – li deitada já de madrugada – Gosto do deslocamento das ações e espaço do demônio e do humor que sua metamorfose pouco importa, ele tem seu espaço reservado no inferno rs … está entre meus dez favoritos. Parabéns!

  34. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, Mendacium. Tudo bem? Um conto bem descontraído, que me lembra um pouco a estrutura de uma piada: curto, com uma construção que leva a uma punchline. Nao entenda isso como uma critica, é só uma constatação. A punchline é previsível, mas ainda assim funciona. Acho que o ponto mais forte do conto acaba sendo a questão do deslocamento da pessoa que quer melhorar, mas não encontra espaço para isso, não pertencendo mais ao mal e não sendo aceito no bem. Interessante! Parabens e boa sorte!

  35. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? O seu microconto é uma paródia do tema do concurso. Há algumas transformações que não caem bem, que não dão certo. É o lema do texto, que brinca com a proposta de “metamorfose”. O diabinho se transforma, quer mudar; fica isolado no inferno, mas também se torna um pária no céu. Um desgarrado, um marginal. Quantas vezes não nos sentimos assim, deslocados? É o preço de ser diferente, de remar contra a correnteza. Muito bom! Seu micro consegue ter algumas camadas, e isso concede qualidade ao texto. O porém fica na forma. Não compreendi o porquê dessa disposição dos diálogos, que se misturam com incisos, e não são separados por parágrafos. Esse tipo de detalhe é importante em um microconto. Antes que você caia matando, digo o seguinte: sou a favor da liberdade das formas. Faça o que quiser nas linhas. Não deve haver rigor formal no campo da imaginação. Mas, em textos minúsculos como este, tudo tem que ter um significado, um papel narrativo. Se não tiver, fica sobrando, vira gordura que merece uma lipoaspiração. Capiche? Forte abraço!  

    • Angelo Mendacium
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Oi Leandro, obrigado pela leitura e comentário sobre meu conto. Gostei especialmente do:  “sou a favor da liberdade das formas. Faça o que quiser nas linhas. Não deve haver rigor formal no campo da imaginação. Mas…” (é tudo o contrário do que acabei de dizer). Adoro ironia e antífrase, no fundo é uma tentativa de ser menos agressivo na crítica, embora não precise. Aceito bem as crítica, entendo (quase) sempre como construtivas, no caso realmente foram.

  36. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Um microconto muito bem-humorado, com o subtema comédia, mostrando que um anjo rebelde e mau, que muda de ambiente, nunca deixa de ser mau, ou seja, nem o ambiente é capaz de mudar sua índole, mesmo sendo um diabo criança. O conto está bem escrito, tem humor, mas não me fisgou, ou seja, ainda não me decidi se eu o coloco no céu ou no inferno..

  37. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Desde a escolha da ilustração (um desenho infantil) até o desfecho com um pequeno (e felizmente não acentuado) palavrão, o microconto nos convida a um momento de descontração.

    Trata-se, na minha opinião, de uma versão oposta à redenção do anjo caído. Aqui, o pobre diabrete subiu e não encontrou acolhimento algum.

    Não encontrei falhas de revisão.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado, pois se não houve total metamorfose, não foi culpa do pequeno demônio. Ele bem que tentou, né?

    Parabéns pela divertida participação e boa sorte (na classificação e futura redenção).

  38. Kelly Hatanaka
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um microconto fofo e, ao mesmo tempo com subtexto e uma ideia interessante. A que lugar pertence alguém quando está se transformando? Não pertence mais ao seu lugar de origem. Não pertence ainda ao seu destino. Ainda não é nada, embora já seja muita coisa.

    Desiludido pela falta de acolhimento no céu, terá o diabrete voltado ao inferno, continuando a ser um demônio? Isso é possível? Uma vez iniciada uma metamorfose, é possível voltar atrás, deixar para lá? Ou uma vez que a escolha tenha sido tomada, ou que forças exteriores já estejam atuando, a transformação já seja irreversível?

    Uma vez que a metamorfose começou, a natureza da coisa já se transformou. É uma ideia interessante.

    E então, nesse caso, para onde foi o diabrete? Ele, que não é mau o bastante para o inferno, nem bom o bastante para o céu? Imagino que tenha vindo para a Terra. É o que está no meio, não é?

    Não é?

    • Angelo Mendacium
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Olá Kelly, grato pela análise e comentário do meu conto. Você pegou exatamente a ideia. O ponto crucial não era a transformação, mas o problema causado por ela. O não pertencimento do protagonista em nenhum dos “universos”. O punchline foi apenas para dar um toque de humor no final e também acentuar a insatisfação do diabinho pela desorientação em que ficou

  39. Rangel
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rangel

    Ângelo,

    achei sua história muito divertida. Você brinca com inteligência com essa hierarquia de castas do reino espiritual — afinal, um dalit nunca vira brâmane, né? No desfecho, o diàbréte (como discutimos no grupo, uma grafia possível tanto pela dúvida fonética quanto pela imagem sugestiva dos chifrinhos) acaba retomando sua posição naturalmente rebelde.

    Uma única coisa me pegou, tanto sinônimo pro cramunhão e nesse microconto se repete 3x demônio que é a palavra mais fria pra se referir Sete peles.

    • Angelo Mendacium
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Angelo Mendacium

      Olá Rangel, grato pela leitura e comentário. Você está certo, me passou desapercebida a repetição. Seria bem fácil eliminar pelo menos uma. Valeu. abraço.

  40. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Adorei o humor inesperado no final; o jeito irreverente do diabrete me fez rir e ainda pensar no que é ser diferente.

  41. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    hahhahaha humor afiado

    parabéns

    • Pedro Paulo
      14 de fevereiro de 2026
      Avatar de Pedro Paulo

      Se não cheiro a enxofre, reclamam, se eu tenho chifrinhos, reclamam. Porra! Como satisfazer? Este micro me passa esta crítica implícita de como é difícil viver afim de agradar os outros e como ss transformações passadas para tanto raramente valem a pena, no caso do diabinho, inadequado em qualquer um dos campos etéreos pelos quais possa transitar. Entendo que há uma transformação, mas acho que fica em segundo lugar na história, e o uso da linguagem mais direta, efetivo e apropriado, acaba, em contrapartida, por não realçar a forma textual, deixando a avaliação do micro dependente de seu enredo, que não me chamou tanto a atenção.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .