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Detox Literário.

Sem carne (Leandro Barreiros)

Espíritas, seus filhos insistiram para que abandonasse a ideia da cremação enquanto havia tempo. Católico, lhes dizia que estavam enganados sobre o pós vida. E estavam. Das chamas que tomaram seu corpo, nada sentiu. Mas as que vieram depois, ah, ele percebeu amargurado, essas sentiria para sempre.

39 comentários em “Sem carne (Leandro Barreiros)

  1. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Seu Gnóstico!
    Tudo bem?
    Seu micro tem um tom humorístico forte. Pega no calo, segundo as palavras de Chico César, daquelas maldades das pessoas boas. De positivo, destaco a narrativa concisa e bem construída. Por outro lado, penso que seu conto, justamente pela veia irônica, pedia por uma linguagem com mais brincadeiras.
    Atenciosamente,
    Givago

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Sinceramente, é difícil encontrar o tema do desafio aqui.

    Por outro lado, há uma profundidade narrativa que muito me agrada. Ora, enquanto se discute o que se faz com a CARNE, a ALMA que sofre a verdadeira punição.

    É um bom trabalho, mas pouco dialoga com o tema.

    Parabéns!

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Você é econômico nas palavras né escritor (a)? risos. Seu microconto é bem forte nessa questão da religião, do depois, da pergunta sobre quem está certo e quem não está. Enfim, gostei do final embora tenha ficado com dó do cara. Mas não entendi o que foi que condenou o cara as chamas eternas. Bem, pode ter sido ações ou atitudes de antes dos acontecimentos do microconto. É que fiquei procurando a justificativa disso no microconto, risos. E eu achando que seu título sugeria que a história seria sobre pessoas veganas. kkkkk, nada haver. No fim essa é a grande pergunta: o que vem depois? Quem terá razão? Um bom micro questionador.

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Este microconto tem como centro a ironia clássica da pessoa que entende a religiosidade na teoria, mas não na prática. O tom ácido ficou bem desenvolvido. Acho, contudo, que poderia ser menos conciso. A primeira leitura ficou meio travada. Talvez por usar muitas elipses. O início, por exemplo, começa com uma inversão e eu li como um vocativo aos espíritas ehehe. Foi só na segunda leitura, conhecendo o final, que eu consegui realmente entender o lugar de cada peça e decifrar onde o texto queria chegar. Apesar dessa pequena dificuldade, é muito legal quando um microconto, mesmo no espaço tão pequeno proposto pelo desafio, se dá ao luxo de ser ainda menor e conseguir entregar uma história inteligente e que faz pensar. Parabéns!

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Seu Gnóstico! Que paulada de ironia você deu aqui. Adorei como usou a teimosia religiosa para construir esse desfecho amargo e cínico. A metamorfose da carne em cinzas e, logo depois, na alma condenada ao fogo eterno foi uma sacada de humor ácido muito eficiente.

    O que me agradou foi a economia narrativa; você não precisou de firulas para mostrar que o personagem estava redondamente enganado. No entanto, o início me confundiu: “Espíritas” e “Católico” parecem vocativos em uma primeira leitura rápida, o que acaba travando um pouco a fluidez do texto. Além disso, a metamorfose é bem sutil, quase tangente ao tema central do desafio, o que pode ser um risco.

    No geral, é um microconto instigante e muito bem escrito, que provoca uma reflexão desconfortável sobre nossas certezas.

  6. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Obrigado por compartilhar seu micro. Confesso que, para mim, a leitura ficou mais na sugestão do que na construção: senti a atmosfera, mas não consegui me conectar totalmente ao sentido que você quis transmitir. A ideia do contraste entre crenças e o pós‑vida é interessante, só que, no meu caso, ficou um pouco aberta demais. Ainda assim, admiro quando um texto tenta provocar pela brevidade.

  7. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    No caso da sua história, o que mais me encantou foi que ele condensa de forma clara e inteligente toda uma situação e o desenrolar, que foi onde creio que encontrei um traço de metamorfose, ainda que sutil, se consideramos o pós-vida como transformacional. Um conto que me agradou por ser mais cerebral do que emocional, como a grande maioria do desafio, e por isso mesmo se destacou. Boa sorte no desafio!

  8. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Seu Gnóstico, tudo bem?

    Seu microconto é curto, intenso e direto, explorando uma metamorfose trágica e espiritual. A transformação não é física, mas emocional e eterna: o personagem sofre o impacto das chamas do pós-vida, uma mudança irreversível de existência e percepção.

    O que funciona: o texto tem impacto imediato, a linguagem é seca e eficiente, e o contraste entre crença, insistência dos filhos e a realidade pós-vida cria tensão e reflexão.

    O que poderia melhorar: como é muito breve, poderia ganhar um toque mais sensorial ou simbólico, mostrando melhor a transição entre a vida e a percepção amargurada que permanece.No geral, é um microconto perturbador, direto e reflexivo, que trata a metamorfose de forma psicológica e espiritual.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  9. Pedro Paulo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    O texto vai a um lugar que também encontrei em outros micros deste certame: a morte como transformação, desta vez com uma pegada bem-humorada de uma desavença religiosa quanto ao pós-vida que acaba sendo pós-vivida literalmente na pele pelo narrador, informando a quem lê que ele estava certo… infelizmente. Apesar da ironia divertir, é um micro que não me marcou muito, o que é apenas pessoal, pois funciona enquanto texto e, em especial, dentro deste certame.

  10. Alexandre Costa Moraes
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá, “Seu Gnóstico”! Gostei muito do seu microconto.

    Um pai bate de frente com os filhos sobre crenças e cremação, morre, não sente nada do fogo no corpo… mas descobre que o pior fogo queima depois, e esse não apaga (eita!). A sacada está no contraste entre “das chamas… nada sentiu” e “as que vieram depois”. Tem uma elipse bem afiada, que deixa o leitor completar se é inferno, culpa, punição ou consciência. A virada do “E estavam” também é ótima, porque muda a narrativa na hora certa e dá peso ao final.

    No geral, você abordou bem o tema da metamorfose como passagem radical de estado e consciência.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    É um micro bom.

    Não é um texto que abre muito espaço para interpretação, mas que trabalha bem com o subtexto. Me fez pensar: o que ele fez para merecer as labaredas? Por algum motivo, senti que os filhos queriam o melhor para ele.

    Sendo sincero, tenho mais simpatia com o Espiritismo do que com o Catolicismo, então isso deixou minha visão do micro um pouco enviesada. Eu não tenho problema com o que Catolicismo representa hoje, mas com sua representação do passado. Como ela tem potencial destrutivo. Em contrapartida, não vejo o Espiritismo, Kardecismo, fazendo algo parecido. É uma religiosidade mais pacífica, digamos.

    Mas desviei muito do assunto, HAHAHAHAHA. O micro sem tem uma jogada interessante. Ele brinca com a ideia do inferno, mas não precisa ser o inferno literal. Acredito que tem mais relação com a ideia da punição. O pai foi um homem ruim. Mesmo com a piedade dos filhos, ele não escapa do sofrimento. Por escolha própria. É como se oferecessem para ele um caminho alternativo e ele escolhesse continuar no erro, que o levou direto para as chamas.

    Sei lá. Esse micro me fez pensar, hehe.

  12. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Seu Gnóstico,

    A construção me pareceu muito elegante. É de aparente simplicidade, mas na verdade esconde um encaixe bastante sutil entre o que se mostra e o que se omite, do ponto de vista sintático. Também me agradou bastante o estilo indireto livre no final, na medida certa.

    Porém, a forma é tão elegante que passa a impressão, ilusoriamente, de que encerra a razão pela qual o protagonista foi destinado a arder nas chamas do inferno. Eu li e reli procurando essa razão, que achava ter alguma relação com a querela religiosa com os filhos. Por um momento acreditei que ele tinha ido parar no inferno porque a crença dele era a incorreta: correta seria a dos filhos. Mas o narrador mesmo diz que eles estavam enganados. Levantando hipóteses e vendo-as refutadas, entendi que a razão da condenação do herói não está no que se conta, o que é uma pena. O conto ganharia em “força centrípeta” se você tivesse conseguido aludir, com a mesma sutileza com que construiu seu maquinário narrativo, aos motivos que o levaram à danação, que tanto mais coesão criariam quanto mais íntima fosse a relação com os outros elementos da história.

    De todo modo, meu juízo quase sempre vai pelo caminho da estilística, então é bem capaz que seu conto esteja na minha lista de indicados.

  13. Mariana
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Um conto rápido sobre a ideia de vida após a morte, o que parece atender ao tema do desafio. Alguém que queria ser cremado e, inevitavelmente, vai pagar por seus atos do outro lado. Havia espaço para aprofundar a ideia, a razão das chamas… parabvéns e boa sorte no desafio.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Seu Gnóstico

    Um conto forte em poucas linhas.  Gostei.

    Final inesperado e muito bom, só dou como sugestão eliminar essa intervenção do narrador, “ah, ele percebeu amargurado”. Fica mais direto e mais forte, tiraria. Também não sei se “amargurado” seria o melhor adjetivo nesse caso.

    “pós vida” – pós-vida

    Gostei do pseudônimo tb rsrs.

    O tema foi abrodado bem de leve, na minha opinião.

    Parabéns pelo seu microconto!

  15. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Seu Gnóstico! (Gosto de pesquisar os pseudônimos e o seu faz referência a um tipo de crença, bem interessante…) Tudo bem?

    Seu conto é bem sucinto e direto. Levando em conta o pseudônimo, imagino que seja um tipo de crítica, meio satírica das religiões, o que particularmente não gosto. Talvez eu tenha entendido errado sua intenção, se for o caso me perdoe!

    A escrita está muito boa, com ótimo das palavras para mesmo com tão poucas narrar uma história complexa. A metamorfose está no estado da pessoa que de vivo passou a alma que queimará eternamente? É isso? Trágico!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    Até mais!

  16. Leila Patrícia
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Olá, Gnóstico. Tudo bem? Eu leio seu micro como uma ironia sombria sobre certeza e orgulho. O personagem acha que sabe como é o pós-vida, mas descobre tarde demais que o engano era outro. O contraste entre a cremação sem dor e as “chamas depois” funciona bem e fecha o conto com humor ácido. Direto e eficaz.

  17. leandrobarreiros
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Por enquanto acho que é o menor conto que li no desafio.

    Não sei se encontrei muito subtexto, mas nem toda história precisa disso. Temos aqui uma figura paterna com alguma convicção religiosa católica. Essa convicção é o bastante para ele decidir o que vai ser feito com o seu corpo, contudo, aparentemente, não foi o bastante para que seguisse os preceitos da sua religião em vida, assumindo que ele está de fato no inferno católico. Enfim, fez alguma merda kkk

    Narrador e personagem se misturam no finalzinho do conto, então a impressão que fica também é que esse é só o ponto de vista do Seu gnóstico, ou do que sobrou dele, então pode ser que ele esteja enganado sobre onde está também.

    Enfim, bom micro

  18. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Fiquei bem confuso no começo do texto, e tive que reler várias vezes pra entender que “espíritas” e “católico” não eram vocativos (que estão dando o que falar nesse desafio).

    No mais, é um conto bacana e irônico sobre religião e hipocrisia. O comentário religioso sobre quem estava certo no fim faz pensar e questionar as próprias crenças, caso quem lê esteja aberto para tal.

    Num lado negativo, talvez a forma breve e econômica de escrever tenha reduzido o impacto da história. Mas talvez apareça na minha lista. Veremos!

  19. Astrongo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    Não gostei muito da construção, mas consegui entender o sentido. “As que vieram depois” não são chamas, são a consciência do abandono. O conto não precisa nomear. A ironia é que os filhos, ao tentarem com suas próprias convicções fazer o ritual “cabível”, acabaram se condenando e condenando o finado.

  20. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Gnostico,
    Um micro bem simples, claro e com um final que surpreende, impacta. Gostei.
    A dúvida é se o destino final do nossso amigo se deveu à cremação ou foi pelo conjunto daa obra.
    Parabéns!

  21. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Olá, Seu gnóstico, você me traz uma polêmica religiosa entre espíritas e católicos a respeito do que vai rolar (ou não) do lado de lá da existência. Achei legal a comparação e achei que funcionou bem essa comparação que faz entre o fogo do forno crematório e o fogo infernal e eterno. Um bom conto, mas que não me fez brilhar os olhos, infelizmente, sabe? Impressão de que não teve o tempo maior e tão necessário para elaborar e mais do que isto, para escrevera sua história. Quem sabe usando um pouco mais de palavras…  Fico daqui torcendo pra que ele seja brilhante para os demais participantes do nosso torneio. Grande abraço e que seu sucesso aqui seja grande. 

  22. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Excelente conto, Seu Gnóstico. Sem gordura e profundo. Sucesso no desafio.

  23. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    O conto joga com crendices religiosas, um tipo de provocação que sempre me atrai, no mais pela ousadia de mostrar a falta de coerência que não raro atinge quem se aferra a superstições.

    Nesse aspecto, o conto funciona bem, a despeito da brevidade. Mostra bem a incoerência entre as vertentes espírita e católica e aponta, nas entrelinhas, para um protagonista não exatamente virtuoso.

    Fiquei com uma dúvida, porém. Até onde sei, católicos tampouco são adeptos de cremação, já que creem na ressurreição do corpo. Ou seja, nesse ponto, rezariam pela mesma cartilha dos espíritas, criando, no conto, um erro de roteiro.

    De qualquer forma, é um conto que instiga e por isso se destaca. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • São Tomás de Aquino
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de São Tomás de Aquino

      Meu caro amigo. Não há incongruência no texto. A Santa Igreja não é contrária à cremação, desde que não seja um ato de afronta aos preceitos católicos, como foi tempos atrás.

      A ressurreição dos corpos virá de matéria glorificada, num estado diferente da matéria atual. Não serão, portanto, os mesmos átomos que compunham o corpo do ser em vida, mas sim o mesmo corpo, cuja alma dá forma perfeitamente.

      Beijos catequéticos!

      • Gustavo Araujo
        11 de fevereiro de 2026
        Avatar de Gustavo Araujo

        Rapaz… Não dá para discutir com um Santo! Ainda mais quando esse santo fala em átomos. Sensacional kk!

  24. Kelly Hatanaka
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Este é um conto interessante. Porém, o tema ficou meio escondido. Onde está a metamorfose? Na morte? Na compreensão de que estava no inferno?

    Outra coisa, é que a narrativa é toda linear. O homem morreu, sua visão religiosa se confirma e ele vai para o inferno. Faltou um elemento surpresa, um mistério, uma dúvida, algo que enriquecesse o texto.

    Está ruim? De jeito nenhum. Mas me parece muito mais um começo do que um microconto fechado.

  25. andersondopradosilva
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Com perdão do trocadilho, espirituoso o conto. Com perdão de um segundo trocadilho, faltou substância. Embora eu até tenha gostado do que li, julguei que o micro falha na arte do “Show, don’t tell”. O narrador é quem nos entrega quase tudo. Os personagens soam como ventrículos. Falta ação. Mas não vou mentir: eu adoraria encontrar um lugar na minha lista para este micro, mas isso dependerá do que encontrarei nas próximas vinte e oito leituras pendentes.

  26. Lucas Santos
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Seu Gnóstico!

    Como outros colegas já sublinharam, a metamorfose está cristalina na passagem de encarnado para desencarnado, e também do corpo para cinzas. O antagonismo religioso entre pai e filhos é instigante, pois indica um conflito que não necessariamente desemboca em ruptura familiar. Provavelmente, com base na religião, e por afeto, os filhos estejam genuinamente preocupados com o destino espiritual do pai. Isto é, talvez não seja somente conflito pelo conflito.

    A maior qualidade do microconto é a concisão. Entrega tudo em poucas linhas. É objetivo. Não há ornamentos.

    Por fim, após “Mas as que vieram depois, ah”, eu substituiria a vírgula por reticências. A suspensão do ritmo antes de “ele” aumentaria o impacto da última parte. Reescrito, ficaria da seguinte forma: Mas as que vieram depois, ah… ele percebeu amargurado, essas sentiria para sempre.

  27. toniluismc
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Seu Gnóstico!

    Aqui dá pra ver que existe uma boa intenção. O texto tenta construir uma ironia entre crença e destino final, e até tem um ar de microconto de humor sombrio. Mas de fato, não há metamorfose no sentido real da palavra.

    A narrativa fala sobre mudança de ambiente ou de estado (vida para morte, corpo para alma), mas não sobre transformação de forma, identidade ou essência, que são o cerne da ideia de “metamorfose”.

    Quando o personagem morre e descobre que estava errado sobre o pós-vida, o texto se fecha num trocadilho moral, não numa transfiguração.

    A execução é razoável, a escrita não compromete, mas fica tudo muito linear, como uma piada de final previsível. É um caso em que faltou compreender a proposta do tema: há passagem, sim, mas nenhuma verdadeira mudança.

    Boa sorte no desafio!

  28. Rodrigo Ortiz Vinholo
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gostei da brevidade, e da técnica dentro disso. O conto foi escrito sem muitos rodeios, permitindo-se uma elipse ao final que dá um charme ao formato. A história, em si, não me cativou, talvez por não inovar. Não sei se foi desejo do autor, mas também li um comentário sobre religiões que me pareceu peculiar não por dizer uma ou outra coisa, mas porque deixa dúvida sobre a intenção específica de quem escreveu, permitindo múltiplas interpretações ao dar nomes aos bois.

  29. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Legal o seu conto. Há duas metamorfoses: primeiro, a transformação da carne em espírito (daí o título); depois, a da cremação mundana em cremação infernal. Você vai direto ao ponto: deixa evidente a tensão entre duas concepções e faz uma escolha, que se revela a certa, mas trágica. Bacana, um tanto surpreendente o final. A linguagem é simples, mas bem estruturada. Gostei da antítese entre os adjetivos religiosos, situados no começo das orações. Enfim, um microconto simpático. Simples e adequado. Poderia ter um pouco mais de densidade, mas está bom. Parabéns!

  30. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Boa tarde, seu gnostico. tudo bem? um conto beem rapidinho, direto ao ponto! Aqui, voce brinca com a ideia de qual religiao está correta. Para azar do protagonista, parece que era o cristianismo mesmo, e, ao invés de simplesmente sentir queimar o conto, queimou eternamente. Já que era cristão, podia ter evitado isso mudando o comportamento e as ações em vida, né seu gnostico? Enfim, um conto bem rapido e direto, que decide usar poucas palavras e consegue nelas exprimir bem a contraposição das duas religiões. Só achei que a metamorfose aqui foi exageradamente tangente, me parece que ela est´aqui, mas acho que voce arriscou bastante. Enfim, uma leitura rapida e interessante. Independente da religião escolhida, bora cuidar do comportamento na vida pra não se arrepender quando ela se encerrar, né? Parabens pelo trabalho!

  31. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Voltando para comentar melhor – li já deitada de madrugada – Gosto do conto em si, da escrita, só fico dividida entre os pareces religiosos. Mas isso é meu rs … Parabéns, autor(a).

  32. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Divergências religiosas e de ideias quanto o post mortem são bastante comuns. Interessante a comparação com as chamas na vida terrestre com as labaredas no inferno. O corpo físico nada sentiria após sua passagem, mas a alma sim, condenada à tortura eterna. Ainda acho, na minha humilde opinião, de que nenhum pai razoável deixaria um filho de castigo eternamente. Enfim, o texto levanta questionamentos e debates (íntimos ou não).

    O tema do desafio foi abordado com sucesso.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  33. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Seu Gnóstico, desenvolveu bem a diferença religiosa para no final dar um tapa em ambas. Ótimo micro, parabéns

  34. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    A história de alguém que fez maldade a vida toda e quando morreu, mereceu o fogo do inferno. Muito bom, parabéns.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. O tema da metamorfose aparece quando existe a mudança do Estado de corpo Vivo para corpo morto. Acredito que todos tenhamos direito a expressar nossa opinião religiosa. Lendo sua narrativa somos levados a refletir sobre a possibilidade de vida após a morte. A leitura também nos leva a refletir sobre questões de liberdade religiosa e de divergências de opiniões dentro da família.

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Caramba, que final! Me pegou de surpresa e ficou na cabeça.

  37. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Esse ardeu rs

    parabéns

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .