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Detox Literário.

Outra metamorfose (Rodrigo Vinholo)

Quando certa manhã Gregório Souza acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado em um proletário miserável. Não conseguia se levantar, mas teve que fazê-lo. Não conseguia pegar o ônibus, mas também não teve escolha. Não conseguia trabalhar, mas foi cobrado.

Sentado em frente ao computador, via números e nomes, informações sem sentido de atividades que não precisava entender, apenas executar.

O chefe chamou: tinha uma notícia. Gregório começou a ouvir e, seja pelo choque ou pelo cansaço acumulado, desmaiou.

Quando Gregório Souza acordou de novos sonhos intranquilos, encontrou-se no chão do escritório metamorfoseado em um proletário pejotizado.

37 comentários em “Outra metamorfose (Rodrigo Vinholo)

  1. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Kafka numa abordagem marxista. Interessante fusão. O conto é bom, mas carece de uma linguagem mais refinada para nos conectar e dar o punch final.
    As construções são retas, talvez para dialogar com a repetição, com o “apertar parafuso” de Chaplin. Escolha arriscada, mas coerente.
    Parabéns pelo trabalho!

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto é muito inteligente. Faz uma crítica bastante verdadeira sobre essa vida de trabalhador que sobrevive e não vive. Muito interessante. Não entendi a referência ao Pejô, não entendo de carros, mas imagino que seja uma indicação de que a segunda metamorfose dele transformou no chefe que também segue ordens de alguém, que também é um proletário, mas talvez com um carro melhor? NO fim é tudo péssimo. Foi isso que me passou seu microconto. Gostei do nome do personagem, risos. Uma referência direta com a Metamorfose. Li a muito tempo atrás, muito bem pensado.

  3. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    E aí, Proletário! Teu conto é uma releitura ácida e necessária do clássico de Kafka. Adorei como você trouxe o absurdo de Gregor Samsa para a realidade brasileira: a transformação em um “proletário miserável” dói pela verossimilhança. A repetição do “não conseguia… mas teve que” produz uma sensação de exaustão real, espelhando perfeitamente a falta de escolha do trabalhador.

    A metamorfose final para o “proletário pejotizado” é um nocaute de ironia; sugere que a precarização atual nos desumaniza tanto quanto o inseto original. No entanto, o desfecho beira o didático, quase como um panfleto político, o que pode afastar quem busca mais sutileza. Tecnicamente está sólido e o ritmo cansativo é proposital e eficiente para o tema. É uma obra que incomoda justamente por ser real demais.

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    O jogo para o tema da metamorfose desse conto é muito inteligente. Ao se utilizar do texto do Kafka, o [a] autor [a] cria uma expectativa para a metamorfose perturbadora do original e… a expectativa é quebrada com humor. E duas vezes! Esse é o tipo de texto que eu mais gosto: inteligente, divertido, e rico em conteúdo. O ritmo é preciso e a história coube perfeitamente no formato microconto. Quando acabei de ler, pensei: “Ah! Porque não tive essa ideia!” O final é ótimo, com o uso daquela última palavra, tão burocrática, tão jurídica e tão brasileira. Nesse desafio, há ótimos contos que não se adequaram muito bem ao tema e contos fieis ao tema que não estão muito bem escritos. Seu conto conquistou essas duas exigências. No meu entendimento, é o conto que melhor soube brincar com o tema proposto e um dos mais bem redigidos desse desafio [ficou no topo da minha lista].
    Moral [ácida] da história: seria melhor ser metamorfoseado num inseto gigantesco do que continuar a ser um proletário explorado.

  5. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    A releitura funciona porque desloca a metamorfose kafkiana para um cenário social reconhecível e absurdo à sua própria maneira: a precarização do trabalho. A transformação de Gregório em “proletário miserável” e depois em “proletário pejotizado” cria humor ácido, mantendo o espírito de Kafka, o corpo que não obedece, a rotina que oprime, a lógica impessoal que engole o indivíduo. A repetição da frase inicial reforça o pastiche, e o desmaio funciona como ponto de virada irônico. A crítica social é clara, mas leve, e a metamorfose, aqui, é menos física e mais burocrática, o que dá graça ao texto.

  6. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Pensei que teríamos mais Kafka neste desafio, mas este já representa bem o inspirador deste certame. Gostei da forma como trouxe a história para o mundo corporativo, mas a ideia realmente não me impactou tanto, talvez por já ter visto algures (talvez até aqui no EC) essa premissa. E o final, se me permite, me pareceu um pouco “panfletário” – fiquei imaginando se ele já não era proletário, nem pejotizado antes. De qualquer maneira, parabéns pela participação e boa sorte!

  7. Pedro Paulo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Este é um micro que também brinca com Kafka ao conceber o protagonista Gregório Souza acordando de “sonhos intranquilos”, mas aqui a crítica tece comentários ao mundo contemporâneo (no sentido de duzentos anos da palavra) ao ver o protagonista em duas conversões: em proletário e, depois, em pejotizado, fazendo uma ligação mais direta com a nossa realidade. A linguagem escolhida para o conto é a de uma fina ironia que desenvolve a homenagem feita à obra de Kafka, mantendo as contraposições duras que são a travessia do protagonista até o seu trabalho. As últimas linhas têm ainda o ganho de fazer parecer que vamos, enfim, retornar ao original com o protagonista como uma barata, mas então vem a surpresa. Torna-se duplamente impactante, pois tanto é inesperado como, também, insinua que o pejotizado está abaixo do proletário regular, mas à altura de uma barata. Excelente!

  8. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Oi, Proletário !

    Seu microconto constrói de forma muito interessante a metamorfose social e existencial de Gregório, alternando entre diferentes formas de exploração laboral. A narrativa consegue transmitir a sensação de perda de controle e alienação, usando repetição e pequenos detalhes cotidianos para reforçar o absurdo e a inevitabilidade da transformação.

    O que funciona: a ideia é original e provocadora, com boa construção de ritmo e tensão; o leitor sente a frustração e a opressão de Gregório, o que reforça a metamorfose como experiência psicológica e social.

    O que poderia melhorar: o texto é um pouco repetitivo em algumas passagens; cortes estratégicos poderiam tornar a narrativa mais enxuta e aumentar o impacto da última transformação. Também poderia haver uma ligeira clareza sobre o que muda em cada “metamorfose” para reforçar o efeito de contraste.No geral, é um microconto criativo, crítico e bem conectado ao tema de transformação e metamorfose social, com bom efeito de reflexão sobre alienação e rotina.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  9. Alexandre Costa Moraes
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Proletário.

    Adorei seu microconto. Você pega a abertura do clássico A Metamorfose, de Kafka, e troca o absurdo do inseto pela realidade tupiniquim. O Gregório (versão brasileira do Gregor Samsa) acorda “proletário miserável” e vai sendo empurrado pela rotina sem escolha até desmaiar no meio do expediente. Quando acorda no escritório é um “proletário pejotizado”, provavelmente transformado em MEI, sem direitos trabalhistas como férias remuneradas, 13º salário, horas-extras, FGTS, plano de saúde, vale-transporte e etc. É o jeitinho brasileiro operando com CNPJ.

    O acerto está na intertextualidade e no formato de ciclo vicioso, que vira prisão. Aqui os “não conseguia… mas…” dão o peso de obrigação mecânica e combinam com a alienação do trabalho. A ressalva é que “pejotizado” acabou virando tipo um slogan bem direto, quase explicando a crítica, quando poderia doer ainda mais se viesse por um detalhe corporativo ou burocrático mais sutil, talvez.

    De forma geral, você abordou bem o tema da metamorfose.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    É um micro que incomoda.

    Me incomodou tanto que não sei se gostei ou não. 

    É uma adaptação da obra de Kafka com o intuito de estabelecer uma mensagem específica. A relação de poder do proletário com o burguês. O trabalhador sempre sai em desvantagem. Sempre. Eu já trabalhei muito em subemprego. Callcenter, mercado, fast-food, obra. Fiz de tudo. É algo ingrato. E que garante apenas sua sobrevivência. Neste ponto, o micro é muito bem-sucedido. Ele representa bem a dor do trabalhador que se mata pra ter o mínimo.

    Como disse, é um conto que incomoda e não sei muito bem o que sentir em relação a ele.

    • Pedro Paulo
      14 de fevereiro de 2026
      Avatar de Pedro Paulo

      Sinta ódio, camarada. Unir-vos!

  11. Priscila Pereira
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Proletário! Tudo bem?

    Conto divertido, mas trágico! Faz mais de dez anos que sou dona de casa então já esqueci as tragédias do proletariado e nem sabia o que era pejotizado, tive que pesquisar. Trágico!!

    Gostei do conto, divertido, mas faz pensar… Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  12. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Proletário!

    Tudo bem?

    Esse é um microconto bem trabalhado do ponto de vista das ideias. Bem articulado, nos traz o trabalho maçante, frustrante e até mesmo depressivo, imortalizado na obra do Charlie Chaplin. Ao final, apresenta a nova versão maçante do trabalho, retrabalhada sobre a lógica do neoliberalismo; pejotização.

    A escrita também merece um destaque; o conto é maçante. Repetitiva, cansativa e maçante. O que faz sentido e é pertinente dentro do que retrata.

    No mais, é um conto muito bom e muito bem pensado. Não figura na minha lista de favoritos pelo meu gosto pessoal, mas sim pelo trabalha muito bem executado.

    Atenciosamente,

    Givago

  13. Martim Butcher
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Caro Proleta,

    Conto engraçadinho. Justamente a forma meio piada parece exigir dele que seja ainda mais curto. A trajetória do Gregório reprisa lugares comuns da crítica ao capitalismo, sem reelaborar muito ideias consolidadas anteriormente. Fiquei pensando se a coisa poderia ficar melhor se houvesse uma expectativa de melhora (promoção a outro cargo, maiores benefícios, sei lá) e o nosso herói fosse cavando a própria cilada que é a pejotização. Quem sabe assim a crítica social poderia ganhar alguma profundidade, pois dessa forma o sujeito estaria involucrado (no seu conto, por enquanto, ele é meramente uma marionete).

  14. leandrobarreiros
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Gostei.

    É uma brincadeira clara com o “Metamorfose”, do Kafka, nítido pelo tema, abertura e nome do personagem.

    O autor, contudo, optou pelo caminho do cotidiano ao invés do simbólico. É como se, em poucas linhas, indicasse que passamos da necessidade da alegoria. O absurdo já está materializado no dia a dia.

    E quando a coisa parece ainda impossível de piorar, somos acometidos com mais uma forma de desumanização, que é a pejotização.

    Enfim, um bom continho.

  15. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    O conto é divertido e me parece que ganha pontos pela forma que é narrado. Bem fiel ao início da metamorfose, fui rindo e me divertindo com a jornada do Gregório, apesar de real e trágica. No final, a pejotização.

    Não é a ideia mais original, é até bem óbvia, e quando vi o título tive aquela sensação de “é claro que teria um assim”. Mas a autoria trabalhou bem o miolo, e ficou um conto redondinho e leve de ler, apesar do tema pesado e grave (a ficção às vezes faz dessas de nos afastarmos de histórias que nos jornais nos afligem)

    Gostei, mas vai depender dos outros pra entrar na lista!

  16. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Proletário

    Muito bom seu micro, engraçado e inteligente.

    Era certeza de que viriam micros baseados na Metamorfose de Kafka rsrs… ainda bem que você soube aproveitar a oportunidade.

    Eu apenas enxugaria um pouco. Você fez questão de usar as exatas e disponíveis 99 palavras, mas acredito que teria mais impacto se tivesse eliminado algumas delas. Poderia ter contado com bem menos. Mas não está errado, é uma escolha, eu gostei do resultado. Só uma sugestão quando o gênero é microconto.

    Adorei “proletário miserável” e “proletário pejotizado”.

    Parabéns pelo microconto!

  17. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Interessante a crítica social. Percebo que o autor não optou pela sutileza, mas pela ironia, para deixar clara sua posição contra a precarização das relações trabalhistas, aliás endossada pela PGR, mas isso é outra história.

    Já disse isso em outras oportunidades e vou repetir aqui: literatura também serve para fazer pensar, para tirar a gente da zona de conforto. Claro que é válido pensar nela como fuga, mas existem assuntos que precisam ser debatidos também nesta seara, como as relações entre patrões e empregados no nosso Brasilzão. Mais do que a Kafka, seu texto remete a Zola e ao fantástico Germinal.

    Em suma, um microtexto que serve para nos lembrar que o caminho para o progresso passa, infelizmente, por alguns retrocessos. Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    ei, Proletário, você me traz um interessante conto. A história do Gregório que bebe na fonte do Kafka. Achei interessante e vi como uma homenagem ao grande autor da Metamorfose. A transformação vivida no campo profissional pelo personagem está bem clara. Um conto legal, mas que não me trouxe brilhos nos olhos. Fico daqui torcendo, amigo, para que os demais leitores do Desafio tenham se encantado com a sua abordagem. Abraços e sucesso. 

  19. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Parabéns pelo ótimo conto. A crítica social é válida. É certo que há PJs e PJs mas o protagonista é realmente um carregador de piano perdendo direitos.

  20. Kelly Hatanaka
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Pobre Gregório. Será que ele preferia, como Gregor, acordar metamorfoseado em um artrópode?

    Eu mesma, como proletária pejotizada que sou, não compactuo com o sentimento: jamais volataria a ser CLT. Porém, compreendo o sofrimento de Gregório. Afinal, se pudesse eu acordar metamorfoseada em rica herdeira, ficaria feliz. Mantendo-se, é claro, todas as demais variáveis de minha vida. Mas, divago.

    Gostei deste microconto, crítico, cíclico, este ciclo dando uma sensação de prisão, sem saída. Uma vez proletário, sempre proletário, sempre sujeito a performar, a entregar, a fazer, incessantemente coisas que não lhe trazem satisfação ou senso de propósito.

    As palavras contam a história de Gregório. Mas o formato cíclico mostra que isso é uma prisão.

  21. toniluismc
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Proletário!

    Esse aqui tem uma sacada ótima logo de cara: a referência explícita ao “Gregor Samsa” de Kafka é esperta e dá o tom de crítica social contemporânea.

    A ideia de trocar o inseto pelo “proletário miserável” é divertida e ácida ao mesmo tempo, trazendo a metamorfose pro contexto moderno do trabalho precarizado.

    O problema é que a execução pesa a mão na repetição das estruturas, o que enfraquece o ritmo em vez de reforçar o efeito. Depois de um ou dois “mas teve que fazê-lo”, o texto se torna previsível, e a virada final acaba funcionando mais como piada do que como fechamento potente.

    Ainda assim, a inteligência da ideia merece crédito. Há ironia, crítica e intertextualidade. Faltou apenas lapidar o estilo pra equilibrar forma e impacto, sem deixar o humor engolir a força da metáfora.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  22. Fabiano Dexter
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Gostei do conto.
    O autor soube criar uma história, um ciclo, dentro de um limite de palavras e qualquer um que trabalha ou trabalhou em um escritório é capaz de se identificar.
    Construção simples e recado dado de forma clara e direta.
    Parabéns!

  23. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Primeiro micro lido é uma releitura da Metamorfose de Kafka. A ideia do proletário é boa, o final do PJ foi divertido e dialoga com o Brasil, mas não é nova. Já vi algumas tirinhas e ilustrações da proposta. Nenhum erro de português e o conto começa e termina satisfatoriamente. Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. Rodrigo Ortiz Vinholo
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Uma referência a Kafka é sempre bem-vinda! Gosto do tema, bem atual, e da sensação de alienação e desconexão que o próprio assunto requer, e que se liga ao enredo.

  25. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Proletário,

    Você fez uma releitura bem-humorada e amarga de A metamorfose, trocando o absurdo do inseto pelo absurdo do trabalho precarizado. A meu ver a repetição da estrutura funcionou e o final com o “proletário pejotizado” dá o tom crítico do texto.
    Gostei muito.

  26. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Olá, autor! Interessante a sua “metamorfose”. Lembrei-me de Kafka, no livro homônimo, que narra a transformação de Gregor Samsa no inseto, fato que, a princípio, se revela absolutamente irrelevante para o personagem, preocupado apenas com o trabalho. Isto é, Kafka já descrevia metaforicamente a alienação do proletariado, preso à rotina maçante de trabalhos repetitivos, mecânicos e vazios de sentido, que o isolam da vida. Mas, no seu texto, não precisa haver uma transformação em algo extraordinário, como uma barata gigante: basta a transformação em algo banal e que se tornou repulsivo: o proletário (pejotizado). De fato, o ambiente laboral pode ser insano e aterrorizante, transformando homens em seres deformados, nos monstros kafkianos. É a lição que tirei do seu texto. Se eu concordo ou não, é irrelevante. A questão é que, em poucas linhas, você conseguiu transmitir uma mensagem poderosa, sem parecer panfletário ou forçado. Isso muito me agrada. Então: parabéns pelo ótimo micro! Abraço.

  27. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Boa noite, Proletario! Que tragico destino ler seu conto num domingo às 19:00 horas, horario em que o proletário encontra o auge de seus sofrimentos. “Ah, mas é semana de carnaval”, você pode pensar. Nisso reside minha tragedia suprema, já que sou autonomo e vou trabalhar normalmente todos os dias. Terminado meu desabafo proletarico, bora pro conto. Aqui, voce faz uma brincadeira/refertencia/piscadela/homenagem ao classico, mas dando seu toque autoral e adaptando à realidade do capitalismo tardio agonizante. E ainda teve uma bela sacada ao utilizar uma dupla metamorfose, com o homem acordando do sonho não para encontrar uma realidade melhor, mas uma ainda pior. Belo trabalho, parabens!

  28. Lucas Santos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Obrigado por participar, Proletário!

    O microconto faz um aceno à magnum opus de Kafka. Arriscado, porque poderia facilmente guinar para o previsível, entretanto, a retratação da cruel realidade capitalista na qual tem de viver o operário brasileiro tornou o texto distinto. A metamorfose de Gregório é forçada pelo modo de produção vigente, e ele não tem escapatória, senão a resignação. Uma pequena observação: em “Quando Gregório Souza acordou de novos sonhos intranquilos”, eu substituiria o nome da personagem pelo pronome “ele”. O leitor já sabe quem desmaiou. À parte isso, o final é tragicômico, mais trágico que cômico, já que a “pejotização” tolhe ainda mais os direitos trabalhistas, como o recebimento do décimo terceiro salário e as férias remuneradas.

  29. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Um microconto baseado na famosa obra de Kafka. A mesma crítica também se revela nas poucas palavras. A metamorfose sofrida tem desdobramentos, tornando a situação do protagonista ainda mais difícil.

    Não encontrei falhas de revisão. Tive de procurar o significado (agora me parece óbvio) de “pejotizado”.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado duas vezes.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  30. andersondopradosilva
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Gostei do conto. Contemporâneo, provocador e irreverente. Talvez perca pontos em criatividade quanto à abordagem do tema, já que era um tanto previsível o aparecimento de Gregórios. Mas aguardemos as demais leituras para ver quantos Gregórios surgem no desafio.

  31. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Fiquei com pena do Gregório. Já que foram 2 transformações, quem sabe com novos sonos venham outras. Com a sorte dele pode acabar vindo escravo. Gostei do seu conto, mas me deixou deprimido e com medo de dormir. Rssssss.

  32. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    A história de um homem de classe média que se transforma em um pobre empregado e se vê desiludido, sem forças para nada e no fim o patrão o transforma em pessoa jurídica, causando uma fraude trabalhista que Gregório é obrigado a aceitar. O autor tentou criar uma fanfic interessante e de impacto, mas não conseguiu me impressionar.. Achei bem fraco.

  33. Astrongo
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    Me lembrou muito o conto O Arquivo, do escritor brasileiro Victor Giudice, mas naquele o funcionário se metamorfoseia realmente em uma peça de escritório após ver sua vida picotada, neste aqui já me parece que o próprio homem é a peça, acorda já sendo essa matéria da qual o capital faz uso e depois joga fora. E se tampouco o homem (e a criatura) importavam para a vida, imaginem depois, com o pjotinha – agora definitivamente sem diretos – como ficou a vida do rapaz. Gostei da atualização para nossos tempos tão cretinos, um microconto que através da crítica conversa com nossa realidade.

  34. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. O tema da metamorfose aparece quando Gregório já acorda transformado em ploretário. Aprendi uma palavra nova lendo seu micro .. conto. Pejotizado. Precisei pesquisar para descobrir seu significado, agradeço pela oportunidade. Sua narrativa trata das desigualdades existentes nas relações de trabalho. Que ainda é uma temática bastante atual.

  35. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei da forma que o conto passa a opressão e a sensação de aprisionamento sem precisar dizer tudo.

  36. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Hahahaha maravilhoso!!!
    Parabéns

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .