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Detox Literário.

O canto (Leandro Vasconcelos)

Foi colocado em um canto, de cara na parede. Ah! Que vergonha ficar ali, no escanteio do mundo. Logo ele, centroavante de voleios curvos, agora reduzido a quadrado substituto.

No encontro das linhas, porém, fixou seu olhar. Convergiam, se uniam: dois rios desaguavam no oceano. Tomou a canoa e foi. Lá, na foz das almas, fincou o remo, ergueu cabana, arrumou um canto. Só dele.

A maré cobriu tudo, recuou. Cobriu e recuou mais uma vez. Então ele voltou, mesmo contra a corrente. Indagaram: quem é que vem? Irreconhecível. Os pássaros lhe faziam companhia. Ele assobiava. Todos cantavam.

39 comentários em “O canto (Leandro Vasconcelos)

  1. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    O microconto transforma punição em transcendência através de um jogo linguístico: o “canto” como espaço de exclusão se torna “canto” como lugar próprio e, finalmente, “canto” como música.

    A técnica é muito boa e a ideia bem original.

    Parabéns!

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto fez umas analogias bem dá hora sobre futebol. Entendo nada do assunto, mas deu pra pegar o sentido da coisa. O personagem era importante, tinha uma posição importante dentro do campo. E ser reduzido a ficar num canto, ainda mais o futebol sendo um esporte de tanto movimento, parece uma contradição. E Essa trajetória dele aí procurando um cantinho só dele, foi bastante interessante. Só não entendi o final, muito alegre. risos. Mas só esse detalhe mesmo. Muito bem pensado e escrito.

  3. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Caronte

    Gostei da forma como tratou da transformação do personagem, essa ida dele para outro lugar, as dificuldades e o retorno transformado.

    “de cara na parede” – acho que ficaria melhor “de cara para a parede”… ou não entendi o que quis dizer?

    Senti uma quebra entre o primeiro parágrafo e o restante. Parecem dois textos distintos. Quando usou as metáforas “futebolísticas” logo no início, “escanteio do mundo”, “Logo ele, centroavante de voleios curvos, agora reduzido a quadrado substituto”, você me levou para um caminho. Os parágrafos seguintes, na minha opinião, nada têm muito a ver com esse início. Você pode dizer que não falava de futebol, mas usava apenas metáforas do meio futebolístico, que, logicamente, podem ser usadas para qualquer cenário. Mas usar isso logo no início, quando não temos mais nenhuma informação, foi um risco. Em um micro, isso fica ainda mais evidente e complicado.

    Apesar de parecer contraditório, é interessante como usa o canto como algo negativo e, depois, positivo. O canto da parede o coloca no escanteio do mundo. Depois, quando viaja, ele escolhe um canto só dele… Gostei.

    Parabéns pelo texto!

  4. leandrobarreiros
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi Capronte.

    Li oo conto algumas vezes e estou preso em duas interpretações. Não sei qual é a certa. Em uma, temos um salto temporal real, onde o menino cresceu com um objetivo, consequência do castigo no qual foi posto onde criou um novo objetivo ao olhar para a parede.

    No ssegundo, o menino refletiu apenas sobre onde estava e amadureceu, não exatamente cresceu, voltando assim uma pessoa nova irreconhecível.

    Poetica bnão é muito comigo, mas gostei da leitura, o ritmo é bom, a brincadeira com canto e, sei lá, as metáforas mesmo são gostosas de ler, mesmo que eu não tenha certeza do significado narrativo.

  5. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    O conto “O Canto” brinca com possibilidades para a palavra “canto”. E a transformação do personagem acompanha a troca de significados para essa palavra: primeiro, o canto formado pelo encontro de duas paredes; segundo, um canto para além do encontro de dois rios, da expressão “ter um canto no fim do mundo”; terceiro, o canto do verbo cantar, quando o personagem volta ao lugar de início cantando com os passarinhos. Achei muito divertida essa evolução do personagem a partir de um jogo de palavras. Assim, ele evolui de personagem acuado para dono do prórpio destino e, finalmente, livre como os pássaros. O tom poético, na maior parte dos textos, não me agrada, pois tende a soar forçado, artificial. Mas aqui esse tom funcionou, pois combinou com a proposta e não caiu no obscurantismo. As imagens sugerem claramente, desde o início, quem é o personagem e por qual situação está passando. Li que algumas pessoas o acharam difícil de entender. Não sou um leitor extraordinário, mas captei o jogo propsoto logo na primeira leitura. O ritmo constante manteve a leitura fluida. Certamente, um dos contos que mais gostei nesse desafio. Parabéns!

  6. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Caronte, Caronte! Que microconto, hein? Uau.

    Você começa com a vergonha no cantinho do castigo, o personagem encurralado no “canto”, e faz desse canto no escanteio um canto de ponto de partida.

    Ele aprende a enxergar convergências onde antes só via parede, atravessa, ergue uma vida e retorna irreconhecível, tipo uma Fênix.

    O que dá beleza e unidade ao texto é a palavra “canto” puxando tudo pela mesma corda: canto como punição, como lugar escolhido, como casa e, no fim, como música.

    A metamorfose aqui não é do corpo, é do destino, do papel que o mundo impõe para o papel que ele conquista, fechando com um acorde sereno de pássaros e assobio.

    Parabéns! Seu texto foi pra minha lista.
    Boa sorte no desafio.

  7. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    E aí, Caronte! Teu conto é um mergulho metafórico profundo. Adorei como você usou a polissemia da palavra “canto”: o lugar do castigo vira refúgio e, por fim, música. A transição da punição infantil para a jornada mítica na “foz das almas” é de um lirismo que remete a clássicos como Guimarães Rosa.

    O que me agradou foi a atmosfera de liberdade conquistada através da introspecção. Porém, achei a expressão “quadrado substituto” um tanto truncada, e a virada do futebol para o misticismo soou bem abrupta. Tecnicamente, em “Indagaram: quem é que vem?”, faltou um travessão e inicial maiúscula para marcar a fala de forma clássica.

    No geral, é uma obra de alta sensibilidade que recompensa o leitor atento. A metamorfose interna do “escanteado” para o barqueiro da própria alma é potente.

  8. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Excelente.

    Esse microconto trabalha com a metamorfose de forma eficiente. Um homem acostumado com grandes feitos é colocado numa situação de pouca importância. Ele se ressente, inicialmente, isolando-se, momento em que entende a verdadeira essência da vida. Uma ressignificação de quem ele é. Ser o centro das atenções faz com que a pessoa acredite que o mundo gira ao seu redor, mas isso não é verdade. Gostei muito do uso da palavra “canto”. No duplo sentido, ele representa as duas fases do homem. O canto da vergonha. O canto da serenidade. Canto como espaço, um lugar; canto como estado, uma música.

    O autor é muito habilidoso.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Gosto muito da atmosfera ritualística do conto e de como o título já coloca o leitor nesse espaço de travessia entre vida e morte. O texto parece trabalhar com essa ideia de passagem inevitável, quase hipnótica, em que o canto funciona como chamado e destino ao mesmo tempo. Fica uma sensação de que o personagem estivesse sendo conduzido para além de si. Um micro que aposta mais na sugestão do que na explicação, e isso funciona bem.

  10. Astrongo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    O conto parte de uma situação concreta e desdobra em direções opostas. O personagem se liberta quando transforma o castigo em canto para virar território próprio. Os pássaros que cantam com ele são a solidão inicial que virou comunhão. Boa sorte no desafio!

  11. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Seu conto parecia que ia prum lado, mas acabou “fondo”. O menino de castigo, jogador de futebol, acaba transportado para outro cenário, de um barco no rio. E o final realmente eu não entendi, acho que ele se manteve no mundo da fantasia, é isso? Não encontrei mais metamorfose do que viagem, como tema. Então, não sei como avaliar melhor. Mesmo assim, desejo sucesso a você!

  12. Mariana
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Entendi o micro como a transformação de um menino em homem. O garoto, que só brincava e vivia uma vida “de glórias colegiais” (ah os interclasses) é obrigado a crescer e sair de casa. Porém, a vida obrigou ele a voltar para casa e foi bem recebido pelos pais. Bem, a minha interpretação pode estar totalmente errada, mas foi o que eu imaginei com o texto. Ele está bem escrito e atende ao tema, mas, sinto muito, não reverberou em mim.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  13. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Entendi que o protagonista escapa de uma vergonha para uma espécie de autoexílio, aproveitando dois significados para a palavra titular: o canto é o do constrangimento, mas também é o canto de se empoderar e se reinventar. Em seu retorno, não é reconhecido. É um homem com quem os pássaros cantam junto.

    O tema é tocado, há uma construção textual interessante em sua ambivalência e na imprevisibilidade sentida, mas não é um texto que ficou comigo. Aborda o tema sem muita criatividade numa aplicação de uma “autometamorfose”, o que não marcou a minha leitura. Mesmo assim, é um bom micro e contempla o tema proposto pelo desafio.

  14. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Caronte!

    Tudo bem?

    Antes de mais nada, muito bom passar o pseudônimo de Caronte para você. Já fui Caronte em um desafio passado e espero que você tenha melhor sorte do que eu tive na oportunidade.

    Agora sobre o texto; é um micro que exige do leitor um tempo a mais para digerir o conto. A partir de uma linguagem poética e construções simbólicas, uma ideia de metamorfose surge.

    Foi colocado em um canto, de cara na parede. Ah! Que vergonha ficar ali, no escanteio do mundo. Logo ele, centroavante de voleios curvos, agora reduzido a quadrado substituto. => Aqui, tive a sensação de se tratar de um homem acostumado a grandes feitos (centroavante de voleios curvos, é difícil acertar um voleio, imagina fazendo uma bola na curva), sendo escanteado. Um herói. Entretanto, agora ele se vê como alguém comum, genérico, certinho, relegado a um papel irrisório.

    No encontro das linhas, porém, fixou seu olhar. Convergiam, se uniam: dois rios desaguavam no oceano. Tomou a canoa e foi. Lá, na foz das almas, fincou o remo, ergueu cabana, arrumou um canto. Só dele. => Nesse momento de ser colocado de lado, ele aceita o momento de introspecção.

    A maré cobriu tudo, recuou. Cobriu e recuou mais uma vez. Então ele voltou, mesmo contra a corrente. Indagaram: quem é que vem? Irreconhecível. Os pássaros lhe faziam companhia. Ele assobiava. Todos cantavam. => Para mim, aqui é que entra o momento de metamorfose. Ele se resigna (e neste momento, se ressignifique) aceita seu novo papel como Caronte, o barqueiro que está ali para fazer as passagens. Não é mais um herói, e sim um meio.

    Bom, foi isso que depreendi do texto. Confesso que, enquanto leitor, gostaria de ter algo mais firme para me prender.

    No mais, é um texto poético, misturando expressões comuns e ideias mais rebuscadas. Não funcionou muito comigo, embora, tenha sido um exercício interessante tentar decompor esse conto.

    Atenciosamente,

    Givago

  15. Lucas Santos
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Caronte!

    No início, o personagem demonstra dificuldade ao lidar com sua exclusão, por ter um retrospecto de vitórias, como evidenciado em: “Logo ele, centroavante de voleios curvos”.

    No segundo parágrafo, ele assimila seu isolamento e, em vez de se livrar dessa condição, a abraça de uma vez por todas. A aceitação é o princípio de sua metamorfose. Além de seu lugar, ele encontra sua essência: a de Caronte.

    No fim, o personagem retorna contrariando objeções e exibindo seu troféu de superação (sua metamorfose) àqueles que o lançaram no escanteio do mundo.

    O microconto tem profundidade psicológica e quase não carece de retoques. Em “Indagaram: quem é que vem?”, recomendo acrescentar um travessão logo após os dois pontos, e também tornar maiúscula a inicial de “quem”.

  16. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Não consegui me conectar com esse conto por aberto demais. Até que a primeira parte é compreensível, com alguém que se vê valoroso rebaixado a substituto. O arco de retorno também é reconhecido, e uma fantasia instigante.

    Porém, no geral temos um resumo de história com imagens que não chamam a atenção, não dizem muita coisa. Pelo menos pra mim.

    Que outros entendam melhor o seu conto.

  17. Wilian Cândido Corrêa
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Caronte,

    Quando comentei no início do desafio, dia 08/02, escrevi apenas “Achei bom! O texto transmite liberdade e pertencimento de forma marcante”. Naquele momento, quis deixar minha impressão breve, quase propositalmente, para que outros leitores pudessem explorar o texto sem que eu moldasse demais a interpretação.

    Ao revisitar o micro dentro da minha seleção dos Top 10, percebi com mais clareza o que realmente me atrai aqui. Para mim, O Canto funciona porque cria uma sensação de pertencimento que se manifesta sem precisar explicitar regras ou sentimentos. A liberdade que o texto transmite não é caótica; ela é cuidadosamente guiada pelo ritmo, pelos detalhes escolhidos e pelo foco na experiência sensorial do narrador. Eu senti essa liberdade, mas também a responsabilidade de observar e reconhecer o espaço compartilhado, e isso gera um efeito de metamorfose sutil (a percepção do leitor muda à medida que mergulha na cena).

    Além disso, algo que me chamou atenção na releitura foi como o texto equilibra presença e ausência. Ele não força a narrativa para um final moralizante ou explícito. Pelo contrário, deixa o espaço para que o leitor complete a experiência, que é justamente onde mora o poder do microconto. Essa escolha técnica revela maturidade na economia de palavras e confiança no leitor, e é por isso que ele permanece entre os meus favoritos.

    Em resumo, ao revisitar O Canto, percebi que minha primeira reação inicial foi apenas um ponto de partida. A força do texto está na maneira como ele provoca percepção, sensação de pertencimento e transformação silenciosa, tudo isso com simplicidade e precisão, e é por isso que ele integra minha lista dos Top 10.

  18. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Caronte! Tudo bem?

    Gostei do seu conto! Achei sonoro, imaginativo, e ele mesmo sofreu uma metamorfose, de um cotidiano sobre um menino colocado de castigo em um canto, para uma fantasia mitológica de como Caronte se transformou no que é, tudo pelo tédio de uma criança de castigo. Amei a colocação e a sonoridade das palavras e a imagem que formaram. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  19. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um homem posto de lado pelas circunstâncias volta-se para si. O tempo passa e, ao retornar, está irreconhecível.

    Há uma história, não são apenas belas palavras agrupadas. O enredo é aberto, pode significar milhares de coisas. Eu gosto de finais abertos, gosto de enredos que dão margem a diferentes significados. Mas, às vezes, sinto que a história fica inteiramente na minha mão. Invente aí a história, leitora. Quando escrevo, gosto de criar, mas quando leio, quero ser conduzida, minimamente que seja.

  20. Nilo Paraná
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Olá Caronte,

    Bem interessante teu conto e lendo os comentários dá para ver a diversidade de interpretações. Na minha visão, o protagonista sofre exclusão (não sei o motivo) e ao invés de enfrentar, prefere fugir (fortalecer-se?). Enfim, adquire força, mesmo sofrendo novamente percalços, agora ele os enfrenta e vence. É uma análise minimalista, que foi muito melhor escrito por você. Sobre metamorfose, não consigo enxergar nesse conto, me parece muito mais uma evolução natural. Assim como não consideraria metamorfose uma criança que cresce e torna-se um adolescente. Claro que aqui abre margem para uma grande discussão, que não pretendo fazer e digo que isso não tem a mínima importância na minha avaliação. O conto é muito bem escrito, isso é o mais importante. Boa sorte no desafio.

  21. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Em tempo: o canto, do título, funciona perfeitamente no conto, podendo referir-se ao canto de mundo no qual foi exilado ou ao canto triunfal que anuncia seu retorno. Assim, o canto, aqui, compreende o desespero da queda e a esperança do retorno, o medo e a resiliência, a morte e a vida. Desse modo, é um título que funciona perfeitamente.

  22. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Caronte! tudo bem? Seu pseudônimo cai muito bem aqui! Curti! Foi você que legvou nosso pobre protagonista, exilado do mundo, para além do Estige? Aqui, parece ter uma ampla gama de interpretaações (castigo, exílio, morte, término, perda). Não vou enunciar cada uma delas, pois me parece que você pretendia, de todo modo, que o leitor interpretasse de seu próprio jeito. Gosto muito disso! Acho que casa perfeitamente com a estrutura microconto. Me parece que, em qualquer das interpretações, o qwue coincide é que após ser excluído ou exilado, após se ver sozinho, perceber que a moral, a credibilidade, a fama que tinha no passado se foi e só sobrou o descaso, o/a protagonista aprende a viver sozinho/a, aprende a amar a si próprio e a viver em seu mundo recluso. Quando volta, volta forte, impressiona. É um microconto muito bom, com diversas interpretações que coincidem no desfecho. Parabéns, gostei muito!

  23. Rodrigo Ortiz Vinholo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Confesso ter sentimentos mistos: de um lado, eu gosto da amplitude de interpretações aqui (afinal, podemos ler diferentes tipos de metamorfoses, entre elas o amadurecimento), mas de outro as voltas da linguagem por vezes me parecem excessivas, sem adicionar tanto à obra. Ainda assim, bem escrito, bem pensado e interessante. Parabéns!

  24. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Esse é daqueles contos que, a cada leitura, oferecem uma possibilidade diferente de interpretação. Até se lermos ao contrário, de trás para frente, ele poderá fazer sentido. Interessante esse jogo… Não se sabe exatamente o que é fato, o que é realidade, o que é viagem do protagonista.

    Pode ser um aluno dos anos 1950 de castigo no canto da sala e que deixa sua imaginação vagar enquanto observa o encontro das paredes junto ao chão. Ou pode ser alguém que foi banido para algum lugar ermo e que, ao retornar, não é reconhecido por quem ficou.

    O que me parece claro é que há, em todas as versões possíveis, uma espécie de afastamento imposto que dá vazão às várias ramificações. É como um rio que se desdobra em milhares de riachos. Dependendo de quem lê, pode se seguir por um canal tranquilo ou mesmo por uma corredeira, mas, em todo caso, no fim, volta-se outro.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Renata Rothstein
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Caronte, seu microconto tem imagens poéticas fortes: o protagonista é colocado de lado e precisa encontrar seu próprio espaço. O movimento da maré, rios e correnteza sugere uma passagem simbólica, quase uma travessia entre vida e morte, o que dialoga muito bem com seu pseudônimo.

    O que funciona: a originalidade, o simbolismo e a musicalidade do texto; o final transmite superação e reintegração ao mundo.O que poderia melhorar: o microconto é bastante enigmático; algumas imagens densas dificultam a compreensão. Pequenos ajustes de clareza ajudariam o leitor a acompanhar a jornada e sentir melhor o impacto do renascimento do personagem.No geral, é poético, imaginativo e simbólico, com uma ideia de transformação bem trabalhada (achei lindo).

    Desejo boa sorte no Desafio.

    Beijos

  26. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Caronte, aprecio muito a linguagem poética e o seu domínio sobre ela é evidente. No entanto, senti falta de maior estrutura da história. Tudo, para mim, ficou vago demais, sabe? Deixa eu ressalvar aqui que pode ser pela minha baixa capacidade de entendimento das coisas. Mas essas duas linhas, o quadrado substituto… acabaram por me confundir, impedindo que eu mergulhasse enfim na sua história. Tomara que seja uma dificuldade somente minha e que os demais companheiros de desafio tenham captado bem o que você quis me contar e eu tive dificuldades de apreender. Fica com o meu abraço e votos de muito sucesso aqui no Desafio. 

  27. Fabiano Dexter
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Caronte,
    Achei o texto bem poético mas, como um reserva quadrado (engenheiro) posso ter perdido muita coisa, pois senti que faltou algo.
    Ainda que a transformação acontecesse, de criança a adulto, me perdi nas marés e idas e vindas…
    Ainda assim é claro o domínio do autor com as palavras.

  28. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O pseudônimo Caronte – barqueiro de Hades, que transporta as almas do mundo dos vivos do mundo dos mortos.

    “Convergiam, se uniam: dois rios” = as águas dos rios Estige e Aqueronte. Logo, concluo que o protanista era um recém-desvivido, aguardando em um canto o chamado para fazer a travessia.

    “Então ele voltou, mesmo contra a corrente.” > Ele renasceu, reencarnou. Ou como Caronte, o barqueiro, voltou para atravessar outras almas.

    “Os pássaros lhe faziam companhia.” > o pássaro simboliza a liberdade, a espiritualidade e conexão entre o céu e a terra, mensageiro divino, símbolo de alma. Ou seja, ele renascia, ou se tornava Caronte, acompanhado de outras almas.

    A metamorfose apresenta-se na transição vivo/morto/vivo. Ou o protagonista se transformou no próprio Caronte? Interessante abordagem do tema proposto pelo desafio.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  29. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Conto hermético, infelizmente não consegui capturar todas as camadas. Desejo sucesso no desafio.

  30. toniluismc
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Caronte!

    Esse conto realmente se destaca: a escrita é elegante, cheia de camadas, e a metáfora do “canto” que vira ao mesmo tempo castigo, refúgio e depois lugar de renascimento é muito bem amarrada.

    A ambiguidade entre homem e pássaro funciona super bem, porque essa aproximação com o universo das aves evoca liberdade e deslocamento, sem jamais precisar dizer isso de forma literal.

    A sensação é de que ele passa por uma metamorfose interna, de alguém encurralado e rebaixado a alguém que encontra um território próprio e volta outro, quase irreconhecível, mas em paz com o que se tornou.

    Se dá pra sugerir um ponto de melhoria, talvez seja dar um pouquinho mais de nitidez ao antes e depois do personagem: o texto confia tanto na sutileza que alguns leitores podem sentir falta de um detalhe concreto que marque melhor essa passagem.

    Ainda assim, é aquele tipo de conto em que forma, simbolismo e tema caminham juntos, deixando a metamorfose como um eco bonito no final, em vez de um enunciado óbvio.

    Parabéns pelo belo trabalho!

  31. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Caronte

    Eu gosto de como você pega a ideia de “ficar no canto” e transforma em travessia e escolha, não só castigo. Pra mim, o texto fala de alguém que perde um lugar no mundo e acaba inventando outro. Em alguns momentos senti um eco de Guimarães Rosa, especialmente de A terceira margem do rio, nessa saída silenciosa para um espaço próprio. Só achei que a passagem do futebol para o rio acontece um pouco rápido demais.

  32. Antonio Stegues Batista
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Achei o seu conto mais uma poesia com história do que uma história com poesia. O seu conto é composto pelo surreal, aquilo que se encontra para além do real e a metáfora, palavras que designam outros objetos, o absurdo arquitetônico concreto subjetivo. É mais uma poesia do que uma definição direta da história do personagem. Uma história contada com poesia, continua a ser história (conto), uma poesia com história continua a ser poesia. Se o foco é o fato, é uma história/conto, se o foco é o sentimento, é poesia.

  33. Leandro Vasconcelos
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Seu texto, apesar de belo (boas metáforas), é hermético. Tive que ler várias vezes para decifrar. No fim, cheguei à conclusão de que é uma grande alegoria sobre o amadurecimento. Um menino foi colocado de castigo, um menino que gosta de ser o centro das atenções, mas que agora se tornou “quadrado substituto”, ou seja, um reserva limitado. No entanto, de suas frustrações ele consegue aprender. Das duas linhas que se unem para formar o canto em que foi enfiado, cria rios de ideias, vai até o fundo do poço. A criança morre e renasce muitas vezes. Quando volta, é um ser transformado, irreconhecível. Um adulto realizado. É a leitura que fiz. Gostei. Gostei mais ainda que você fez essa transformação usando os diversos significados da palavra “canto”. Um canto (uma sarjeta) que se torna o canto do personagem (refúgio) e, por fim, sua música, seu canto. Brilhante. Parabéns!

  34. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Caronte,

    Devo concordar com o Anderson, embora aprecie bastante seu estilo. Por que são dois rios que desaguam? A imagem do encontro das linhas é bonita (ao contrário do quadrado substituto rsrs), mas elas bem poderiam ser as margens de um único rio, afinal é nele que o sujeito navega. Por falar em margens, tem algo do Guima Rosa no seu jeito de contar as coisas. Mas o Guima Rosa, com toda a experimentação verbal, nunca perde de vista o que está sendo contado. Aqui vemos a estrutura abstrata de uma metamorfose, mas sua concretude é vaga, de modo que fica difícil aderir a ela em termos de narrativa. Talvez valha a pena dar alguns retoques para que se entenda de que se trata a história. Ou bater o pé e dizer que é isso aí mesmo, abaixo as historinhas.

  35. andersondopradosilva
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Ante o evidente talento literário e poético de seu autor, eu queria ter gostado mais do microconto. Julguei o enredo vago e algumas construções não me fizeram sentido (por exemplo, o que significaria, o que seria um “quadrado substituto”?). Não obstante o evidente talento poético do autor, justamente esse poético me soou mal colocado (talvez encontrasse mais espaço na poesia do que na prosa, sobretudo a prosa de microcontos, os quais, na minha opinião, deveriam prezar pela objetividade e pelos fatos, ocupando eventual poesia papel secundário). Por fim, me desagradou o desfecho excessivamente açucarado e a superficialidade com que o tema metamorfose apareceu. Inicialmente, o protagonista me pareceu uma criança posta de castigo, depois o micro se dedicou a tantas abstrações que eu acabei sem saber mais que idade teria o personagem ou, mesmo, se isso seria relevante dado o excesso metáforas a ocuparem o texto.

  36. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Entendi uma metamorfose mais psíquica do que corpórea. Gostei

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando: quando digo que para mim é numa transformação mais psíquica, pois entendi que a solidão o transformou, e realmente isso acontece, o mundo nos transforma.
      confesso que me abraçou mais agora que reli. Achei muito muito bom.

  37. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. O tema da metamorfose aparece no momento da transformação do personagem de goleiro em barqueiro. Confesso que fiquei um pouco confuso. Não entendi muito bem o que você quis transmitir por meio de seu microconto.

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Achei bom! O texto transmite liberdade e pertencimento de forma marcante.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .