EntreContos

Detox Literário.

Nuvens (Martim Butcher)

— Coelho.

— Dragão.

Ventos, minutos.

— Cavaleiro.

— Dragão.

Meses, solstícios.

— Virgem nua.

— Dragão.

Anos, amores.

— Dragão.

— Dragão, ora.

Guerras, décadas.

— Amantes enlaçados no leito.

— Hesitei, mas, hoje, dragão.

Vidas, nuvens; o crepúsculo recai nos rostos do mestre e do aprendiz, irreconhecíveis sob a marca do tempo.

— Homem desiludido. E dragão, dirás. Jovem, busquei-te para aprender a arte da metamorfose. Agora sou velho. Minha vida foi te ouvir ver dragões celestes. Em vão: o senhor não muda.

— Tens razão: digo dragão. Mas, perante a permuta contínua das nuvens, o que me restava, senão ver mudar, nelas, o mesmo dragão dentro de mim?

49 comentários em “Nuvens (Martim Butcher)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Magikarp!

    Sim, também li como vocativo kkk

    Mas olha, sinceramente, não acho que isso seja um problema tão grande. Claro, muda um pouco o que você tentou expressar, mas também funciona. A ideia do mestre frustrado e, de certa forma, aprendendo com o estudante é também interessante, e mesmo o diálogo dele “buscando” o estudante funcionaria, como se o pupilo fosse alguém de grande potencial, e você meio que tem duas histórias em uma, dependendo de como a pessoa lê essa frase.

    Dito isso, uma pena que não entendi o final kkk

    A impressão que eu fiquei é de projeção do “eu” no mundo. Eu não consegui captar bem o ensinamento. Tem aquela aparência de sabedoria profunda, mas, sei lá, não captei.

    Mesmo assim gostei do conto, afinal uma história não é só seu final. Você prendeu minha atenção e construiu uma narrativa cronológica basicamente através de diálogos. Ficou muito bom.

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Você foi bem econômico (a) nas palavras ali até metade do microconto, excelente técnica. E gostei do final. Parecia aqueles aprendizes e mestres que vivem meditando e tentando ser equilibrados. Muito legal. A citação das formas das nuvens, a vida passando, o tempo passando, foi muito bem construído. Perfeito o título. Entendi que isso do dragão era uma forma de falar da força interior, do indomável. A repetição durante o microconto inteiro foi muito bem colocada e retomada ali no final deu uma sensação de constância sabe? Eu adorei sua técnica.

  3. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    A hostória inverte a lógica da metamorfose: enquanto o aprendiz acusa o mestre de imobilidade por ver sempre dragões nas nuvens, o mestre revela que a constância não está na projeção, mas naquilo que é projetado. Nesse sentido, se parece um pouco com o conto MORFOINÉRCIA.

    Aqui, o conto dialoga com a ideia de que a verdadeira transformação não está em ver coisas diferentes no mundo, mas em compreender o que permanece imutável em nós mesmos através das mudanças externas.

    A técnica é excelente. Muito bom trabalho.

  4. Asstrongo
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    O conto captura bem a circularidade do tempo e do aprendizado. O discípulo passa a vida esperando do mestre uma lição sobre transformação, sem perceber que a verdadeira metamorfose já estava acontecendo justamente na repetição do mesmo — o olhar que vê, nas nuvens que nunca são as mesmas, o dragão que insiste em permanecer.

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Magikarp.

    Gostei do seu microconto, achei muito interessante a estrutura em saltos temporais e a forma como você construiu os diálogos com a visão do mestre e do aprendiz. Isso ancorou bem a evolução do enredo.

    Pelo que entendi, enquanto o aprendiz busca entender a metamorfose externa (ver formas diferentes nas nuvens), o mestre revela que a verdadeira transformação é interna. Ele não muda o que vê, mas muda como vê, mantendo o dragão como constante enquanto evolui interiormente ao longo do tempo. O aprendiz, porém, não completou sua transformação por buscar mudança no lugar errado (ele envelheceu esperando que o mestre mudasse, sem perceber que a lição estava justamente na constância contemplativa, na capacidade de encontrar profundidade e renovação no mesmo símbolo, do dragão no caso).

    A metamorfose está presente como entendimento da lição.

    Parabéns, mandou bem!

    Boa sorte no desafio.

  6. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Este conto é muito bonito, muito bem escrito. A cadência dos diálogos com a passagem do tempo, emulando a passagem das nuvens, cria um efeito muito interessante. As falas curtíssimas criam um vazio no texto que lembra uma vibe meio zen, que combina com a relação mestre e discípulo. Há um pequeno resvalo na penúltima fala, que causa um estranhamento. Quem está falando? O mestre ou o discípulo? Essa falha fica ainda mais chamativa pelo fato de o restante estar muito bem equilibrado e o ritmo até ali muito bem cadenciado, o que causa um ruído nessa parte. Trabalhar com diálogos realmente é muito difícil. Mas nada que prejudique o conto como um todo, afinal, entendemos na sequência que é a fala do mestre que encerra o texto. O tema da metamorfose não se consolida como fato, mas como reflexão, o que é ousado. Admiro a coragem de escolher um ambiente tão particular e principalmente a clareza com que o texto foi escrito e o tema foi abordado. Parabéns!

  7. Mariana
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    O conto começa no pseudônimo, com o fraco pokémon que vira o poderoso Gyarados. O texto tem ar de fábula asiática, com mestre e aprendiz e uma linguagem que foi poética demais. Nuvens são elementos que se metamorfoseiam com facilidade. Admito que o conto não me encantou como eu gostaria, mas reconheço a poesia do mesmo. Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Magikarp! Teu conto é um mergulho zen primoroso. Adorei a estrutura repetitiva; ela marca a passagem do tempo — de minutos a décadas — com um ritmo hipnótico que me deixou em um estado contemplativo e melancólico. A sacada do mestre que vê sempre o “dragão” interno na impermanência das nuvens é uma abordagem de metamorfose subjetiva e brilhante.

    O enredo é fluido, mas o diálogo final tropeça na clareza. O uso de “Jovem” pode confundir quem é o emissor da fala naquele momento, exigindo uma releitura para situar o aprendiz envelhecido. Além disso, achei a última frase um pouco didática; o texto ganharia mais força se deixasse o paradoxo da essência versus mudança apenas sugerido. Gramaticalmente, nada a apontar.

    No geral, é uma obra de alta sofisticação literária que usa a filosofia para tocar na identidade.

  9. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Achei muito interessante como o texto usa a imagem das nuvens e a referência a Magikarp para trabalhar essa ideia de fragilidade e potencial escondido. Pesquisei o significado do pseudônimo do autor e descobri que Magikarp, no universo Pokémon, é justamente esse símbolo de algo aparentemente fraco, mas cheio de possibilidade de transformação, o que dialoga muito bem com o clima do micro. A sensação é de algo leve, efêmero, mas prestes a evoluir, como se o narrador estivesse olhando para o céu e, ao mesmo tempo, para si mesmo. Um micro delicado, que mistura imaginação e metáfora de um jeito bonito.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    O conto é quase um koan zen, olhando para nuvens que se metamorfoseiam, não em si, mas nos olhos de quem as observa. O uso do dragão, também muito ligado principalmente ao budismo chan (chinês), e o fechamento, trazendo para si o movimento e a imagem das nuvens e do dragão que vive em cada um, fecharam o texto com brilhantismo. Parabéns, sucesso no desafio!

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, caro(a) escritor (a), tudo bem?

    Então, sinceramente, não vejo seu microconto como um conto para um Desafio, não obstante a qualidade da escrita e abstração.

    É elegante e contemplativo, explorando a metamorfose interna e a percepção do tempo e da vida. O diálogo entre mestre e aprendiz cria uma cadência quase ritualística, e o dragão funciona como símbolo recorrente de transformação, constância e autoconhecimento. A última reflexão revela a metamorfose como algo subjetivo e interno, ligado à observação e aceitação da própria evolução.

    O que funciona: a construção poética, o ritmo e a repetição conferem musicalidade ao texto; o simbolismo do dragão é forte e conecta perfeitamente com o tema da metamorfose existencial. O final é reflexivo e impactante, fazendo o leitor pensar sobre mudança, aprendizado e constância.

    O que poderia melhorar: a abstração elevada pode dificultar a compreensão imediata para alguns leitores; pequenas pistas contextuais poderiam ajudar sem perder a força poética. A densidade simbólica exige atenção para absorver a mensagem.

    No geral, é um microconto poético, filosófico e memorável, que trabalha metamorfose de forma simbólica e existencial, deixando espaço para reflexão profunda.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

    • Magikarp
      14 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Renata,

      Obrigado pelos comentários. Noto que você leu com cuidado o conto, inclusive trazendo sentidos que não estavam, ao menos conscientemente, na minha intenção como autor (é o caso do simbolismo do Dragão).

      Não deixo de estranhar, no entanto, o que você me diz no começo do comentário… Por que não seria um conto para um desafio? Seria pela abstração elevada e pelo nível de atenção que exige? Bom, se for por isso, vale lembrar que você, que é uma participante de desafios, não teve nenhum problema em compreender o conto e, segundo entendi, inclusive admirá-lo (o que agradeço muito). Isso não estaria perfeitamente ao alcance dos outros leitores?

      • Renata Rothstein
        17 de fevereiro de 2026
        Avatar de Renata Rothstein

        Olá, Magikarp, tudo bem?
        Então, realmente gostei muito. Quando eu disse sobre não ser (acho eu) um conto para desafio foi justamente no sentido de um micro como o seu (ótimo, aliás) entrar no “gostei, mas não vou votar”. E olha que disso eu entendo.
        Foi só isso. Abraços 🌻

  12. Lucas Santos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Magikarp!

    Ao longo das décadas, além do envelhecimento do mundo e dos personagens, é possível enxergar a transformação das ideias do aprendiz através das mudanças de suas indagações. Em oposição, as respostas do mestre são imutáveis, o que soa paradoxal, já que esse arquétipo geralmente defende a evolução do ser, a constante revisão e melhoria/mudança de seus pensamentos. Não obstante, ao final, ele traz uma justificativa que, naturalmente, leva o leitor à reflexão.

    Embora dragão simbolize transformação, ele, nesse caso, representa a essência, que é inalterável. Sabendo disso, a grande mensagem que ele objetiva transmitir ao seu discípulo é: não importa o quanto o mundo mude, sua essência permanecerá a mesma.

    Compreender isso é uma metamorfose por si só.

    O microconto possui uma linguagem objetiva e acessível. Apesar disso, o diálogo final pode confundir o leitor quanto ao pertencimento da fala. Em meu caso, nas primeiras leituras, pensei que a primeira fala pertencia ao mestre, em razão do “Jovem”. Após algumas releituras, entendi que se trata da fase de vida na qual ele buscou os ensinamentos do ancião. À parte isso, a progressão do tempo (de “Ventos, minutos” a “Guerras, décadas”) foi precisamente executada. Quanto aos retoques, não carece de nenhum.

  13. Leandro Vasconcelos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Olá, autor. Como vai? O seu conto é intrigante. No início, achei que fossem duas pessoas jogando algum carteado do tipo Magic ou Pokémon (como sugere o pseudônimo); ou ainda, tarot. No fim, revela-se que as primeiras linhas funcionam para sinalizar o decurso do tempo – muito tempo. Pareceu-me que se tratava de um diálogo zen entre mestre e aprendiz, através dos anos, trocando figurinhas sobre aspectos fundamentais da vida: permanência e mudança. Um deles permanece inalterado, enquanto o outro muda ao sabor dos tempos. Considerei difícil a compreensão dos dois diálogos finais. Primeiro porque o aprendiz, que queria aprender a arte da metamorfose, viu o mestre não mudar nada. Por qual motivo então ficou com ele? Ao que captei do final, a mudança realmente significativa é a interna. O dragão está sempre mudando, embora a carcaça seja sempre igual. E essa mudança afeta o exterior, aquilo com o que lidamos no decorrer da vida. Interessante e profundo. Um conto que possui múltiplas abordagens e está muito bem escrito. Parabéns!

  14. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Outro conto que aborda o tema de forma eficaz.

    Adorei o pseudônimo. Adoro Pokémon e conhecia a lenda que inspirou Magikarp e Gyarados. Uma carpa que alcança um ponto específico se transforma num dragão. A recompensa de uma longa jornada. A transformação. Neste micro, temos uma alusão a isto. Mas o texto vai além. Ele trabalha com a questão dos sonhos. Quando olhamos para as nuvens, sonhamos. Por que o personagem responde apenas “dragão”? Pois ele enxerga além. O que ele pode ser, contanto que alcance o portão do dragão. Ele olha além, assim como a carpa que encara a correnteza e encarar a cachoeira ingreme,

    Lindo. De verdade.

  15. magikarp
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de magikarp

    Obrigado pelos comentários, Leila Patrícia!

  16. Leila Patrícia
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, autor. Tudo bem?
    Eu gostei muito da estrutura repetitiva aqui. Essa sequência de respostas sempre voltando ao dragão criou uma obsessão, quase uma fixação que atravessa os anos, as guerras, os amores. Funcionou muito bem como passagem do tempo.

    E quando chegou no diálogo final, o texto ganhou densidade. Deixou de ser só brincadeira de formas nas nuvens e virou discussão sobre identidade. Para mim, o ponto forte está na ideia de que o mestre nunca mudou porque sempre viu o mesmo dragão dentro de si. Isso dá um sentido bonito de coerência, mas também de prisão.

    O único risco é o trecho mais explicativo do aprendiz, que quase resume a moral. Mesmo assim, o conjunto é consistente e fecha com reflexão de verdade. Meu preferido até agora.

  17. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Magikarp!

    Tudo bem?

    Seu conto é interessante. Primeiro, pela escolha do pseudônimo. Magikarp… Lembro do Pokémon Magikarp, considerado pela Pokedex (e qualquer ser humano que dedicou muitas horas aos jogos do pokemon) o Pokemon mais inútil. Mas, o Magikarp evolui para um Gyarados, um Pokemon Dragão.

    Bom, foi a partir daí que eu tirei a minha interpretação do conto. Enquanto o aprendiz pensava ser errada (até mesmo inútil) a contemplação do mestre e a persistência na resposta, a lição do mestre está justamente na persistência; não importa quantas vezes as nuvens se transformam, ele irá buscar enxergar o dragão que ele vê dentro de si mesmo. Ou, avançando um pouco, o ideal que mora dentro do mestre não muda conforme as situações vão se transformando.

    Creio que não há uma resposta certa entre o mestre e o aluno. Afinal, parte da natureza humana é, invariavelmente, se transformar diante das circunstâncias da vida e peculiaridades.

    Em termos de ideias, amei o conto.

    Em termos gramaticais ou de construções, eu confesso que não. Está tudo correto, sim, mas eu penso que o desfecho está confuso. Tanto a fala do mestre quanto a do aprendiz estão confusas, cada um a seu modo. Creio que faltou dosar um pouco essa questão de (in) clareza.

    Atenciosamente,

    Givago

    • Magikarp
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Givago, obrigado pelas observações. Olha, da frase do mestre, a princípio ,eu acho que não mudaria nada. Acho que ela requer dificuldade justamente porque é uma ideia nova e se baseia no paradoxo. Da frase do aprendiz eu tiraria o polêmico “jovem”, que as pessoas estão lendo como vocativo e de fato causa uma distração desnecessária. Coloquei esse atributo para dar conta da passagem do tempo, mas na vdd a narrativa já implica essa passagem.

      E o pokémon, bom, era mais uma brincadeira… Vira e mexe me ocorre xingar alguem de magikarp (seria uma variação de mosca morta). Foi minha enteada quem recentemente me contou que esses pokémons eram baseados numa história chinesa. O dragão do conto me levou ao gyarados, e este, por metamorfose ao contrário, ao nosso querido peixe inútil. Enfim…

  18. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Magipark

    Muito bom o seu micro quase todo em diálogo.

    Tive que ler mais de uma vez, mas consegui compreender e gostei bastante. Bem interessante e criativa a sua ideia.

    Gostei do final, fiquei só na dúvida com a palavra “mesmo” em “senão ver mudar, nelas, o mesmo dragão dentro de mim?”. Fica confuso se quer dizer que o dragão dentro dele era sempre o mesmo (o que tira a ideia de que ele muda) ou se é o mesmo dragão que ele via nas nuvens. Para tirar a dúvida, sugiro: “mudar, nelas, o dragão dentro de mim”. Só uma sugestão.

    Parabéns pelo microconto!

    • Magikarp
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Fernanda, obrigado pelos comentários! Olha, me parece, depois de algumas observações de colegas, que o final pode estar mais bem elaborado. Quanto a “mesmo”, minha ideia era justamente criar um paradoxo com o fato de que o dragão muda. Entendo que isso possa soar confuso ou pouco prosaico. Claro, o oxímoro leva as coisas para a linguagem figurada, própria da poesia. Vou considerar sua sugestão com cuidado.

  19. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gostei muito! Acho excelente as transições, a forma e, claro, o conteúdo! O tema de metamorfose em oposição à aparente não-mudança é profundo e muito interessante, deixando algo para levarmos conosco depois da leitura. Parabéns!

  20. Pedro Paulo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    As diferentes versões da mesma coisa às vezes expõem diferenças mais substanciais do que aquilo que é completamente diferente. Achei a forma deste micro ousada, a princípio parecendo um experimento inócuo que, nessa estratégia arriscada, tem toda a força de seu contexto transmitida pelas últimas linhas de diálogo finais, em que o aprendiz ensina ao mestre uma forma distinta de enxergar a mesma questão sobre a qual ponderavam, dando ares filosóficos a essa abordagem do tema. Muito bem!

  21. Gustavo Araujo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Gostei, mas queria ter gostado mais… O diálogo é muito bom e, de início, não entrega o enredo. Lá pelas tantas, vemos um mestre e se aprendiz e, logo, prestamos mais atenção ao que vinham dizendo pelos dias, meses e anos de convívio, analisando as nuvens e suas diferentes formas, formas essas que repercutem em interpretações tão imediatas quanto profundas.

    Essa é a maior qualidade do texto, já que obriga o leitor a voltar algumas vezes ao início para se assegurar quem é quem, uma jogada inteligente e bem executada.

    O que não gostei foi do fim, esse arremate do mestre, tentando justificar por que via sempre um dragão não me convenceu muito. Tudo bem, entendi que eram dragões internos, refletindo diferentes momentos na vida dele, mas a explicação me pareceu um tanto desconectada do resto do conto, egoísta até, eis que não relacionada com o aprendiz.

    Mas, de todo modo reconheço a criatividade e aplaudo. Um conto diferente, no mínimo, e, mais do que isso, que se destaca positivamente. Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Magikarp,

    Gostei bastante do seu micro, ainda que ele faça sentido a partir de uma segunda leitura (pelo menos o foi assim para mim)

    A ideia de mestre e aprendiz ficou legal e a questão moral de quem estaria certo, aquele que é sempre um Dragão ou aquele que vê as coisas pelo que elas são?

    Parabéns!

  23. Nilo Paraná
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ola Magikarp

    Demorei a perceber quem era o mestre e o aprendiz. Muito bem escrito, mas me soou como uma fábula com moral no final. Li repetidas vezes e sempre aquele final: escute minhas palavras, jovem tolo, eu sei o segredo da vida. Posso ter entendido tudo errado? Pode ser, sim, veremos no final quando o autor explicar. De positivo: muito bem escrito, talvez querendo propositalmente criar dúvida? Boa sorte na competição

    • magikarp
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de magikarp

      Caro Nilo Paraná (belíssimo nome de escritor, por sinal, juntando dois rios),

      Obrigado pelos comentários! Neles fica implícita uma desaprovação por se tratar de uma “fábula com moral”. Compreendo. Eu mesmo torci o nariz para outro conto do certame que apresenta características desse gênero. O que me faz crer que Nuvens diáloga de maneira um tanto crítica com a fábula são alguns detalhes. A formulação do mestre é meramente uma declaração pessoal, na qual se inscrevem, inclusive, suas limitações. Ele não é prescritivo ou normativo. Tampouco anda pelo mundo alardeando seus conhecimentos: lembremos que foi o aprendiz quem o buscou. É por isso que a fábula aqui (e reconheço o diálogo explícito com o gênero) tem seu caráter moralista atenuado em favor de uma lição mais irônica do que imperativa.

  24. Kelly Hatanaka
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um conto com riqueza filosófica. O mestre vê sempre um dragão nas nuvens mutáveis porque o tem dentro de si e, nas mudanças das nuvens, via seu próprio dragão se transformar.

    Vemos no mundo o que temos dentro de nós.

    Achei bonito demais. Este conto tem um ar de fábula e uma ambientação doce. E, como se espera de um microconto, diz muito em poucas palavras.

  25. Thiago Amaral
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Oi, Magikarp. Achei um ótimo conto.

    No começo confuso pra cacete, mas, à medida que as falas se expandem, vamos entendendo do que se trata.

    Achei a linguagem elegante e bem adequada ao tema e aos personagens.

    A história tem elementos de fantasia, mas também de espiritualidade, pois aborda temas de transcendência em meio à mudança.

    MAS devo confessar que também fiquei confuso e troquei as personagens no final do conto. Assim como o Luis, pensei que o “jovem” fosse vocativo. Nessa parte a fala ficou elegante demais para minha compreensão kkk Depois, ainda não entendendo o equívoco, eu pensei que o mestre, por ser mágico, se mantinha jovem pra sempre, o que é um elemento bacana, mas nem foi o que você quis dizer. Agora entendi tudo, e fez sentido.

    No mais, o conto foi criativo por ter história e temas inusitados e profundos. Bem capaz de ficar na minha lista.

    Boa sorte no desafio.

  26. toniluismc
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Magikarp!

    Esse conto é simplesmente brilhante, um dos melhores mesmo, com uma estrutura que usa o espaço de forma magistral pra construir um arco completo de expectativa, frustração e iluminação.

    A repetição do “dragão” cria um ritmo hipnótico, quase como um mantra, que vai escalando com as transformações propostas pelo aprendiz (coelho, cavaleiro, virgem, amantes) e culmina na revelação taoista profunda: a verdadeira metamorfose está em ver o mesmo dragão eterno mudando de forma nas nuvens, como símbolo da essência imutável no fluxo do mundo.

    O diálogo mestre-aprendiz evoca tradições orientais, onde o dragão representa poder, mudança e percepção espiritual, e o envelhecimento dos personagens dá uma camada sensível de tempo e desaprendizado.

    Se há um ponto mínimo de melhoria, talvez seja só polir levemente a pontuação no diálogo final pra fluir ainda mais natural (tipo, “E dragão, dirás?”), mas isso é detalhe. O texto já é redondo, sensível e filosófico na medida certa, deixando o leitor com uma sensação de epifania sutil e memorável.

    Certamente estará na minha lista e espero que na de outras pessoas também. Parabéns!

    • Magikarp
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Obrigado pelos comentários! Gostei da sugestão de pontuação no final. Já incorporei a mudança na v 2.0

  27. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Magikarp, cá estou eu tentando pegar o fio da meada da sua história. Confesso que senti dificuldades… Mas a partir das imagens criadas pelas nuvens eu achei que consegui um caminho de entendimento legal. Fato é que sou dos que gostam de contos menos herméticos. Mas isto não quer dizer que sua história não esteja legal e muito bem contada. Fica com o meu abraço e os votos de muito sucesso no desafio.  

  28. Martim Butcher
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Caro Magikarp,

    Gostei muito do conto, um dos melhores até aqui. Sempre me inquieta a prosa que nos coloca em uma situação narrativa desconhecida. É como aquele efeito de acordar numa casa alheia e demorar um tempo a reconhecer a posição das janelas. Seu conto passa isso. O título é uma sutil chave de leitura para entendermos a situação de observação das nuvens. Essa situação prossegue em alternância entre diálogo e meros substantivos: até a segunda metade do texto, há ação e progressão no tempo sem sequer um verbo, o que é notável. Apenas chegando ao desenlace entende-se que se trata de uma lição de mestre a aprendiz, dilatada por toda uma vida. A posição deles é surpreendente e contrária ao senso comum acerca do que é metamorfose, mudança, transformação. O sábio, a quem foi requerido ensinar a metamorfose, não se seduz pela incessante mudança das aparências, mas se inclina ao que é permanente, querendo achar, aí, aquilo que se transforma. Afinal, se ele diz sempre “dragão” diante das formas sempre novas, é porque sua ideia de dragão é, também, continuamente atualizada. Uma lição algo paradoxal, com aquele humor de velho sábio.
    Bom, pelo menos foi o que eu pensei. Brisei muito?

  29. Luis Guilherme Banzi Florido
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Magikarp! tudo bem? Gostei de como o pseudonimo conversa com a historia, sem no entanto ser um elemento indispensavel a ela. A lenda da carpa virando dragão não nasceu no pokemon, mas vem da mitologia indiana budista, e fala sobre o potencial inato naqueles que atravessam as dificuldades com persistencia. Aqui, vemos o mestre e o discipulo aprendendo a partir da observação das nuvens ao longo do tempo. Se, a principio, o conto é um pouco dificil de entender, e pode parecer que o discipulo nao está mudando/evoluindo, no final, percebemos que ele não vê sempre o mesmo dragão. O dragão se transforma, evolui. Ao mestre, isso é imperceptível, mas o homem, carpa com potencial de dragão, vê a mudança sem abandonar sua identidade. Apesar de não ser uma escrita que me agrade tanto, achei um pouco chatas as repetições como estão, sem dúvida é um conto que ganha muito pela mensagem muito bem construída, tendo, mesmo em tão pouco espaço, uma evolução gradativa e bem calculada pelo autor(a). Excelente trabalho, parabéns!

    • Luis Guilherme Banzi Florido
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

      Reli e vi que tinha entendido ao contrário! kkkkkk… aquele “Jovem, busquei-te…”, “jovem” não é um vocativo, como eu tinha entendido a princípio. Desculpa pela má interpretação! Continua sendo meu favorito, de todo modo.

      • Magikarp
        10 de fevereiro de 2026
        Avatar de Magikarp

        Luis Guilherme, obrigado pelos comentários e pela generosidade!

  30. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Gostei do ritmo e das repetições do conto. Particularmente acho que fica bom nos micros. O aprendiz acabou usufruindo a vida sem mudar muito. Boa sorte no desafio.

    • Magikarp
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Fico feliz que tenha gostado das repetições. Porém, tenho a impressão de que, assim como o Antonio, vc atribuiu as falas de forma trocada… Veja bem, na penúltima frase quem fala é o aprendiz, referindo-se ao passado (“Jovem, busquei-te para aprender a arte da metamorfose”). A fala final é do mestre. Quem repete dragão é o mestre.

  31. Antonio Stegues Batista
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    À primeira vista(leitura) a história deste microconto parece confusa nos diálogos, mas dá para descobrir que são dois personagens, o mestre e o aprendiz num diálogo sobre a transformação das nuvens em várias coisas, objetos, pessoas, animais. Enquanto o mestre enxerga outras coisas, o aprendiz só vê a imagem de um dragão nas nuvens porque ele acredita na própria força, a força do dragão em seu íntimo. Parece que o mestre não tem mais nada a lhe dar. Sentir-se dragão é o suficiente para enfrentar o mundo.

    • Magikarp
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Antonio, cada leitura é uma leitura, mas nesse caso acho que faltou um pouco de atenção. Você trocou a posição dos personagens. Isso muda tudo. Sugiro releitura.

  32. claudiaangst
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O dragão dentro do mestre passava por sucessivas metamorfoses segundo a mudança dos desenhos nas nuvens? Ele quis dizer que a sua essência sempre foi o dragão, mas se projetava de formas diversas nas nuvens (passageiras e mutáveis)?

    “O conceito de Magikarp evoluir para Gyarados é baseado na lenda chinesa dos carpas saltando sobre o Portão do Dragão. De acordo com a lenda, os carpas que saltam sobre uma cachoeira lendária chamada Portão do Dragão são recompensados por sua perseverança e transformados em dragões.”
    Fonte: https://www.reddit.com/r/pokemon/comments/1bxx2ee/i_just_learned_the_historyreasoning_why_magikarp/?tl=pt-br

    Conto muito complexo para mim, uma sutileza que não consegui captar por inteiro. O tema do desafio foi abordado.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  33. andersondopradosilva
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Embora tecnicamente irreprimível, achei um tanto chato, não sei se mais o texto, se mais os personagens, se os dois. Tem gosto de fábula e, por isso, pela linguagem e pela ausência de temática mais contemporânea, soa antiquado. A persistência do mestre e a amargura do discípulo são inverossímeis – dois chatos, eles são. O aprumo técnico me fez querer gostar mais do conto, mas a inadequação temporal e a chatice e inverossimilhança dos personagens e de suas atitudes me desagradaram bastante. Ainda assim, não excluo da presença na minha lista, vai depender dos demais concorrentes.

    • Magikarp
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Magikarp

      Pô, Anderson, eles não são tão chatos assim… De todo modo, fico feliz que você tenha reconhecido o aprumo técnico, a técnica irreprimível (embora tenha usado as mesmas palavras para uns contos bem mais ou menos por aí, o que me faz duvidar do seu juízo. Juízo crítico, quero dizer rsrs).

      Sobre o antiquado, bem… O mestre responde por mim: “Por que anseias, ó, imberbe Anderson, pelo que te impõe a moda, se a moda nada mais é do que a constância antiga de que tudo muda?”

      Sobre inverossímil: rapaz, os caras passam a vida inteira olhando as nuvens e você vem me falar que inverossímeis são os caracteres dos personagens? Tsc tsc tsc.

      Confio que apesar de tudo você ainda vai colocar Nuvens na sua listinha e dar uns pontos para o Magikarpizinho aqui.

      abraço

  34. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece na alternância das palavras no início da narrativa. Me lembrou o livro dos Xing vendo até interpretação. É uma narrativa bastante Mística Que me interessou bastante.

  35. Priscila Pereira
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Magikarp!( Gosto de pesquisar os pseudônimos e vi que o seu significa um pokémon em forma de peixe, bem legal!) Tudo bem?

    Cara, amei seu micro!! Não tava entendendo nada, aí no final tudo fez sentido! Como ver fora diferente do que está dentro? Ler as nuvens é mais revelador do que parece. Parabéns!!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  36. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Maravilhoso! Um diálogo simples de início que transmuta em pura reflexão do tempo e da sabedoria.
    Parabens

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando: parabéns de novo e de novo

      eu leria esse micrconto todos os dias

      👏👏👏👏👏👏👏👏👏

      ganhou uma fã

  37. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei!

    Fiquei preso à cadência e às repetições, e senti o tempo e a transformação junto com o texto.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .