A sombra de Inácio começou a se mover sozinha quando alguém batia à porta. Primeiro só
observava. Depois respondia. Com o tempo, passou a resolver tudo por ele, discutir, pedir
desculpas, trabalhar, decidir o que comer e quando dormir. Inácio achou prático poder
desaparecer um pouco todos os dias.
Numa manhã, a sombra se levantou, vestiu Inácio e foi viver. No chão, ele virou carne mole
ainda respirando.
ola Arthur,
Sua ideia é interessante. Bem escrita. Original. Achei o final previsível. Talvez se tirasse essas 2 frases (No chão, ele virou carne moleainda respirando), tivesse mais impacto no final. Não sei, apenas uma sugestão. Enfim, achei um bom conto. Parabéns
Gostei do conto, embora não tenha compreendido o motivo da paragrafação exótica ao estilo Aline Bei. Quanto ao enredo, para além de um terror muito bom, pode também ser tomado como uma alegoria, inclusive para a super contemporânea inteligência artificial, a se ocupar de tantas tarefas humanas.
Forte, a sombra ganha uma personificação e o homem uma desmaterialização .
Gosto.
Gostei muito do seu micro conto. O tema da metamorfose aparece na gradual assimilação que a sombra faz do personagem humano. Confesso que me lembrou um pouco a história de Peter Pan quando ele perseguia a própria sombra. Também me parece uma crítica ao tipo de vida onde vivemos com uma máscara deixando de viver aquilo que é autêntico para nós.
Gostei por ficar intrigado com a sensação de perder o controle e sentir uma liberdade diferente.