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Detox Literário.

Matéria restante (Leila Patrícia)

A sombra de Inácio começou a se mover sozinha quando alguém batia à porta. Primeiro só observava. Depois respondia. Com o tempo, passou a resolver tudo por ele, discutir, pedir desculpas, trabalhar, decidir o que comer e quando dormir. Inácio achou prático poder desaparecer um pouco todos os dias.

Numa manhã, a sombra se levantou, vestiu Inácio e foi viver. No chão, ele virou carne mole
ainda respirando.

36 comentários em “Matéria restante (Leila Patrícia)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Oi, Arthur!

    Achei a ideia bem interessante. Não só ele, mas algumas passagens trazem um horror forte. E aqui não é à imagem que você usou que me refiro, mas a própria construção da narrativa.

    “Vestir” alguém é uma porrada extremamente forte, bem visceral. Gostei muito!

    A sombra pode ter mais de um significado. Podemos claro estar falando de uma sombra literal, e aqui a imagem de vestir a pele é perturbadora, podemos falar de nossa atuação automática e repetitiva, ou ainda a sombra de da psicanálise de Jung que, na minha ignorância, acho ser o inconsciente.

    Algo no início do conto, contudo, não me agradou tanto. Acho que a construção da dinâmica da sombra ficou suave demais… não sei, algo na transição do ritmo pro terror. Mas é difícil fazer horror em tão pouco espaço e o resultado geral ficou bom!

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Muito interessante. Lembra um pouco “A Substância”. A técnica é bem executada. É uma surpresa que essa ideia tenha conseguido se consolidar em tão poucas palavras.

    Gosto do desfecho. É um conto que nos permite sair da literalidade da história e expandir conceitos.

    Parabéns!

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Misericórdia que microconto sinistro! risos. Adorei, muito bom esse desfecho. A sombra dele foi vivendo por ele, e no fim ele virou a sombra da sombra. kkk. Muito criativo, causa aquele pequeno incômodo e tal. Excelente ideia de metamorfose. Gostei de como foi descrevendo as ações que a sombra tomou por ele e fiquei pensando nesse aspecto do Inácio querer desaparecer todo dia um pouco. Isso se tornaria maior e maior até aconteceu o que houve no micro, uma inversão de papéis. Uma boa ideia.

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Tenho certa dificuldade com body horror, e a imagem já me acendeu um alerta. Enfim, o texto não era tão violento quanto a imagem sugeria ehehe. Independente das minhas preferências, vamos ao texto. O tema da metamorfose é fielmente explorado nesse microconto. Talvez essa história funcione melhor em um conto longo, pois depende de acompanhar esse processo, de saber mais desse personagem e até de sua sombra. Fica no ar que há mais situações a serem exploradas para consolidar o horror. Mesmo assim, o trabalho que foi entregue é bem escrito, seguindo uma estrutura bem desenhada, que prende a atenção e gera expectativas. Parabéns!

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Fala Arthur Gris,

    Que microconto sensacional!

    A sombra de Inácio começa a agir sozinha, vai assumindo pequenas tarefas do dia a dia, até que um dia se levanta, “veste” Inácio e sai para viver no lugar dele, deixando no chão só a matéria que sobrou.

    A questão central é a escalada natural do absurdo, com uma metáfora muito atual de terceirização do eu. Por conveniência, por preguiça, ele vai “desaparecendo” e, quando percebe, já foi substituído, já era! A repetição das funções da sombra vira rotina e o final brutal dá o corte certo.

    De forma geral, você abordou muito bem o tema da metamorfose.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Arthur! Teu conto é um mergulho visceral no body horror que me deixou genuinamente desconfortável. A ideia de delegar a própria vida para uma sombra até sobrar apenas “carne mole” é uma metáfora poderosa para o apagamento do sujeito e para a nossa crescente dependência tecnológica.

    O enredo é preciso, e a passividade de Inácio ao “desaparecer um pouco” é o ponto mais arrepiante. No entanto, a imagem que acompanha o texto é um spoiler gigante; o impacto da frase final seria muito maior se a revelação visual ficasse apenas na imaginação do leitor. Tecnicamente, “vestiu Inácio” soa estranho, mas acaba reforçando a ideia de que o humano virou um mero objeto descartável.

  7. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Instigante.

    Gosto quando o micro abre espaço para várias interpretações. Aos poucos, Inácio entra em piloto automático, deixando a correnteza carregá-lo. Ele apenas age, não pensa. Isso pode ser interpretado de várias formas, como a dependência individual a algo para coisas rotineiras, como tecnologia e IA, e também como o esquecimento gradual de nossos sonhos, aceitando viver como uma pequena engrenagem de uma grande máquina. Também gosto da interpretação literal, onde a sombra assume a vida de Inácio por sua própria negligência consigo.

    Um ótimo trabalho. Bem escrito, que instiga e alcançar sua proposta com louvor.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Achei muito interessante como o texto transforma a sombra em metáfora para esse apagamento gradual do próprio sujeito. A ideia de delegar pequenas partes da vida até não sobrar mais nada de si ficou forte, especialmente no final, quando a sombra “veste” Inácio e ele se torna apenas carne respirando. Um micro que trabalha bem essa sensação de esvaziamento e automatização da existência.

  9. Astrongo Professoral
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo Professoral

    Pode-se dizer que o conto entra numa questão do contemporâneo, e a sombra de Inácio é a IA: começou só ajudando, depois tomou uma direção errada, e por culpa dele, pois a tecnologia, assim como a sombra, só nos obedece. Ele foi deixando, achando prático. Um belo dia Inácio ficou no chão, um monte de carne que ainda respira. Traduz bem essa nossa época. A parte que mais me pegou é que ele não reagiu – só achou confortável.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Um realismo fantástico, no qual a sombra toma o lugar que era da pessoa. Realmente, lembra o filme A Substância, só que com o limite de palavras, a relação dos dois foi só esboçada. Parece este conto uma boa premissa para história maior. E a metamorfose, do tema, aqui me parece mais dissociação do que outra coisa. Mesmo não sendo um dos meus favoritos, parabenizo você por escrevê-lo e desejo boa sorte no desafio!

  11. Fernanda Caleffi Barbetta
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Arthur Gris

    Seu texto é curioso e original.

    Nossa, que final nojento. Eu já imaginava algo estranho porque a imagem entregou antes… poderia ter colocado somente o homem na ilustração ou uma sombra e deixar a revelação nojenta só para o final da leitura.

    Gostei da ideia da sombra assumindo os papéis e depois se desprendendo do corpo para depois toma-lo.

    “vestiu Inácio e foi viver” – seria se vestiu de Inácio? Assim como está, seria como se ele pegasse alguma roupa e colocasse no coitado do Inácio. Talvez “vestiu-se de Inácio” ficasse melhor.

    A sombra assumir as atividades de Inácio e o coitado depois o Inácio ainda ficar respirando teriam que ser dois seres em um corpo, a sombra seria um ser independente… que loucura rsrs.

    Não sei se as mudanças de linha no parágrafo foram escolha ou formatação.

    Parabéns pelo texto!

  12. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Este conto trabalha muito bem a sua premissa, inserindo a metamorfose em uma figura que é tanto interna como externa ao personagem. Uma sombra que só pode surgir dele, mas que se torna outra coisa conforme o isenta do preço de viver o dia-a-dia. Então a metamorfose é completa, narrada para o efeito mais visceral que, aliás, é antecipado pela imagem. Embora a imagem acompanhante ilustre quase com precisão o que é descrito, achei uma má estratégia, pois, além de nos levar ao texto com uma sugestão, também tem a plasticidade estranha da IA que atenua o meu interesse. Mas isso é detalhe menor. Na literatura o micro se executa com proeza, passando a catarse que é a substituição efetiva.

  13. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Arthur,
    Te digo já que não é dos meus preferidos. O título é lindo e instigante. Me fez lembrar aquele lindo poema do Drummond, “Resíduo”. Vale a pena ler. Mas aqui, embora também a ideia de uma sombra que ganhe autonomia seja muito boa, o trabalho miúdo com a linguagem não parece ter sido levado muito a fundo. Restou uma ideia boa, porém sentidos um pouco inespecíficos das razões e consequências da emancipação da sombra. Apenas vemos a coisa acontecer, e o próprio acontecer é algo redundante (sobretudo ao final).

  14. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Arthur Gris!

    Tudo bem?

    Seu micro está numa área cinzenta do simbolismo interessante, entre o terror e o existencial. A imagem nos remete a um gore. A divisão entre Inácio e sua Sombra é uma sacada muito boa. O desenrolar e o desfecho do conto são muito bons também.

    O que ficou de estranhamento para mim foi esse trecho (Com o tempo, passou a resolver tudo por ele, discutir, pedir desculpas, trabalhar, decidir o que comer e quando dormir. Inácio achou prático poder desaparecer um pouco todos os dias.) , que pessoalmente prefiro utilizar dois pontos, ao invés de emendar vírgulas direto. Questão de estilo mesmo.

    Atenciosamente,

    Givago

  15. Mariana
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Dizer que eu fui adiando esse micro por causa da imagem estilo body horror… É um conto que parece ter inspiração em A Substância, a ideia de ter uma outra versão de você por ai, dividindo o seu tempo (que é tão curto) e espaço… Sombras são elementos estranhos e cheios de significado, se parar e pensar. Enfim, interessante e permite diversas interpretações (não tirando o simbolismo da depressão etc.). Parabéns e boa sorte no desafio.

  16. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Arthur! Tudo bem?

    Bem legal o seu conto! É tão fácil ir desaparecendo aos poucos, delegando funções, deixando de fazer as obrigações… ainda mais nessa era do virtual… nossa massa de carne mole deve ser quase obsoleta para certas sombras que se movem por aí… da pra pensar bastante. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  17. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um conto intrigante. Não sei qual foi a ideia original do autor, mas, para o leitor, ficam muitas interpretações possíveis.

    Inácio terceirizou sua vida para a sombra até virar uma massa amorfa. Mas, quem ou o quê é esta sombra? Pode ser tanta coisa. As redes sociais. O outro. O grande outro. Sua própria sombra, no sentido junguiano da palavra.

    É tentador ir abrindo mão das pequenas responsabilidades. É bom deixar na mão de terceiros algumas decisões. O problema é que, de forma inercial, é muito difícil retomar as rédeas e voltar a conduzir as coisas.

  18. Rodrigo Ortiz Vinholo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Em época de ChatGPT e outras terceirizações de vida, bem como de tantas maneiras de se alienar ao mundo, gosto muito do caminho deste que pode ou não ser terror. Gosto da construção e acabamento, parabéns!

  19. Luis Guilherme Banzi Florido
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Arthur! tudo bem? Um conto interessante, que, muito pela imagem, me deu a impressão de que seria um terror, mas supreende ao seguir um caminho bem diferente e acabar funcionando mais como uma crítica às pessoas que morrem em vida, que perdem os momentos importantes até estarem totalmente ausentes. Me lembrou um pouco a ideia geral do filme “Click”, do Adam Sandler. Gostei especialmente do final. A frase final, ainda que conte algo que já sabemos, esteticamente funciona muito bem, além de ser impactante. Boa escolha de palavras. Parabéns e boa sorte!

  20. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Interessante este conto. Permite várias interpretações. Na que tive de modo imediato, pensei numa espécie de espírito a quem Inácio terceirizava sua vida — algo que, sejamos francos, acontece com todo mundo, já que em geral atribuímos a seres míticos os desígnios de nossa existência, sejam bons, sejam maus.

    Mas, pensando por outro lado, talvez haja aí uma crítica embutida. Muitos homens terceirizam (olha essa palavrinha capciosa de novo) seus afazeres a outros, suas esposas normalmente. Nesse caso, a sombra, isto é, a esposa, cansou-se disso e abandonou o sujeito, que se desfez pateticamente em um amontoado de nada.

    Outra hipótese é de Inácio ter criado um personagem de si mesmo. Bem, fazemos isso todos os dias, né, para todas as situações da vida, trabalho, família, amigos… E, no caso do micro, Inácio cansou-se, ou a sombra cansou-se, exaurindo a vida de Inácio.

    Evidentemente há outras interpretações possíveis, como disse e a culpa disso é a maneira enxuta e inteligente como o conto foi escrito. Não é fácil fazer isso, não é fácil dar coerência a uma miríade de vertentes.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  21. Lucas Santos
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Arthur Gris!

    Inácio passou por um alheamento de si. No início, ele, talvez, tenha acreditado controlar a situação e, por isso, deixado a sombra assumir suas responsabilidades, de forma progressiva. Porém, no fim, ela acabou roubando seu lugar, definitivamente. A metamorfose, nesse caso, não foi uma transfiguração (ela não se transformou nele), mas substituição. Uma ideia distinta!

    Sobre a estrutura, fica a dúvida: foi opção autoral ou falha de diagramação quando o texto foi inserido no site? Acredito que a segunda seja mais provável. Entretanto, caso tenha sido uma escolha do (a) autor (a), as quebras de linha podem tornar o ritmo de leitura um tanto truncado para alguns leitores.

    Um ponto robusto do microconto é o poder imagético. Pode-se visualizar, logo na primeira linha, a sombra indo atender à porta, enquanto Inácio está largado no sofá, por exemplo. O trecho final também descreve uma imagem forte (a ilustração acima, obviamente, enriquece muito a descrição). Para essa região do texto, tenho uma mínima sugestão: adicionar uma vírgula após “carne mole”.

  22. Renata Rothstein
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Arthur!

    Seu microconto começa com uma ideia muito interessante. A sombra de Inácio ganha autonomia e assume sua vida, mostrando uma relação curiosa entre identidade, dependência e esquecimento de si mesmo. O conceito é forte e a construção do cotidiano antes da transformação final cria tensão e expectativa.

    O que funciona: a originalidade e a imaginação do conceito são excelentes; a narrativa é impactante… o final não surpreende, mas é ótimo.

    No geral, é um microconto original e perturbador, com boa construção de suspense e surpresa.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  23. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Caramba, Arthur, você vem me trazer um conto de terror. Confesso que não é a minha praia, sabe? Mas está legal. Bem posto, sem erros, bem encadeado, tudo no seu lugar. E você escreve bem e tem o grande mérito de prender a gente dentro da narrativa. A sombra que ganha vida e assume o controle… Seria uma sutil metáfora ao que estamos vivendo com a Inteligência Artificial (risos). Fica com o meu abraç e votos de sucesso no Desafio. 

  24. Fabiano Dexter
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Arthur,
    Gostei bastante do seu Micro.
    Conta uma história completa, com início, meio e fim. E uma boa história!
    A ideia da substituição gradual da pessoa pelaa sombra até um final inesperado.
    Parabéns!

  25. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Bom conto de terror. Imagens muito bem construídas. A acomodação levando ao fim, boa mensagem, sucesso no desafio.

  26. toniluismc
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Arthur!

    Esse conto merece elogio: a imagem da sombra ganhando vida própria é forte, cinematográfica, e trabalha muito bem a ideia de identidade se esvaziando enquanto o “duplo” assume o controle.

    A metamorfose aqui é clara e inquietante: Inácio vai desaparecendo aos poucos na própria sombra, até que ela toma seu lugar no mundo e ele vira só um resto de corpo, uma presença quase descartável.

    A escrita é enxuta, direta, mas sem perder o impacto visual, e o final é daqueles que grudam na cabeça, com essa carne mole respirando no chão como se fosse tudo o que sobrou de uma vida terceirizada.

    Se for para apontar um possível ajuste, talvez dê para trabalhar um pouco mais a transição entre o “prático desaparecer” e o momento em que isso cobra seu preço, acentuando o conflito interno antes do desfecho; ainda assim, funciona muito bem como está, com uma leitura simbólica potente da metamorfose em alienação.

    Acredito que terás um bom resultado, então já te dou os parabéns pela façanha!

  27. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O conto traz a metamorfose de um homem em sua própria sombra. A transformação (possessão) ocorre aos poucos, mas é definitiva.

    O tom da narrativa é de terror, o que agradará a muitos leitores do EC. Linguagem bem trabalhada e foco no desfecho impactante.

    Não encontrei falhas de revisão, somente o estranhamento dos parágrafos fragmentados, mas creio que tenha sido distração.

    Parabéns pela participação e boa sorte!

  28. Leandro Vasconcelos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Eu gostei da ideia do seu micro. Você literalmente usou a “sombra”, o arquétipo do que há de pior e mais sórdido nas pessoas, como um personagem. A sombra acaba roubando o corpo de Inácio! Sinistro. Foi legal essa progressão, de como o protagonista se deixou levar pela sua sombra. Há um lado literal e outro simbólico. Meio que o cara permitiu que a ruindade entrasse em sua vida. Decadência mesmo. E, quando ele menos esperava, ela roubou tudo o que ele tinha. Muitas pessoas fazem isso com suas vidas. Quando percebem, já é tarde demais. Foi muito bem pensado e, repito, sinistro. A própria imagem é macabra e contribui para o impacto. O que não conseguiu entender foi a disposição dos parágrafos. Não pareceu ter um sentido narrativo. Soou como um problema no envio do arquivo de texto, sei lá. Ficou feio. De todo modo, é bom conto com uma proposta boa, aterrorizante.

  29. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Arthur

    Eu li esse texto como alguém que vai desistindo de existir aos poucos, deixando a própria vida ser vivida por outra coisa, no caso a sombra. A ideia é forte e meio inquietante, porque essa “praticidade” de desaparecer parece confortável no começo e assustadora no fim. A imagem final de Inácio como “carne mole ainda respirando” fica na cabeça. A ilustração é meio literal demais, mas para mim apenas enveredou o conto para o terror.

  30. Thiago Amaral
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Meu conto preferido até agora (já foram uns seis kkkk)

    Poderia fazer uma análise intelectual aqui ligando sua história com o conceito jungiano da sombra, porque faz total sentido. É como o inconsciente de Freud, que, se suficientemente reprimida, passa a se manifestar de maneira doentia no dia a dia, podendo inclusive nos dominar. O seu conto é riquíssimo de significado! (Apesar de que talvez você não saiba nada disso, e tenha apenas seguido sua intuição literária, sua própria sombra que te levou a escrever esse conto kkk)

    Mas, apesar dessas possibilidades alegóricas / metafóricas, você escreveu de maneira natural, numa narrativa que flui muito bem, sem intelectualidades. Achei que o final funciona, é perturbador, e tem força existencial. Incomoda o leitor disposto a questionar a própria vida.

    A questão dos parágrafos, como o Anderson disse, é estranha, mas eu costumo ignorar essas coisas por não entender muito bem como o site e a diagramação dele funcionam. Meus olhos só correm as palavras. Não acho que a disposição altera nada em termos de significado ou sensação. Ou talvez altere inconscientemente, vai saber! Seu(ua) gêniozinho(a) do terror!

  31. Antonio Stegues Batista
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Gostei do seu conto de terror, Arthur Gris cinzento sinistro. É uma narrativa sintéticaconcisaresumida, sobrenatural e por isso, impactante e por isso, também, resumimeucomentárioempoucaspalavras. Se gostei, Não precisa falar mais nada, né. Parabéns

  32. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    ola Arthur,

    Sua ideia é interessante. Bem escrita. Original. Achei o final previsível. Talvez se tirasse essas 2 frases (No chão, ele virou carne moleainda respirando), tivesse mais impacto no final. Não sei, apenas uma sugestão. Enfim, achei um bom conto. Parabéns

  33. andersondopradosilva
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Gostei do conto, embora não tenha compreendido o motivo da paragrafação exótica ao estilo Aline Bei. Quanto ao enredo, para além de um terror muito bom, pode também ser tomado como uma alegoria, inclusive para a super contemporânea inteligência artificial, a se ocupar de tantas tarefas humanas.

  34. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Forte, a sombra ganha uma personificação e o homem uma desmaterialização .

    Gosto.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu micro conto. O tema da metamorfose aparece na gradual assimilação que a sombra faz do personagem humano. Confesso que me lembrou um pouco a história de Peter Pan quando ele perseguia a própria sombra. Também me parece uma crítica ao tipo de vida onde vivemos com uma máscara deixando de viver aquilo que é autêntico para nós.

  36. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei por ficar intrigado com a sensação de perder o controle e sentir uma liberdade diferente.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .