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Detox Literário.

Mãe-terra (Fernanda Caleffi Barbetta)

Visitava todas as manhãs aquele mesmo trecho de rio. Sentada sobre a pedra, aguardava que as águas lhe devolvessem seu filho. Com o tempo, seu corpo se moldou à robustez de tronco, os pés se aprofundaram na terra arenosa e os olhos ganharam um assossego de folha. Quando o braço adquiriu inclinação e firmeza de galho, pousou nele um menino-pássaro.

39 comentários em “Mãe-terra (Fernanda Caleffi Barbetta)

  1. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Ai meu Deus, que lindesa de microconto! Muito bonito, um microconto fantástico, a transformação dela, a espera, a determinação, sua descrição perfeita. Esse desfecho deu um quentinho no coração, eu adorei, muito criativo. Essa parte do menino pássaro, foi maravilhosa.

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Poética admirável. Lembrou-me um pouco da poesia tropicalista em alguns aspectos.

    O conto periga cair no piegas. Alguns leitores o acharão assim. Eu não.

    A técnica é excelente. Se tivéssemos ainda as categorias, certamente aqui receberia melhor técnica.

    Parabéns pelo excelente trabalho!

  3. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Gaia

    Seu conto é curto, enxuto, mas nem por isso coloca em risco a mensagem que traz luto, esperança e reencontro.

    Talvez para evitar a repetição de “seu”, poderia colocar “o filho”, na segunda linha.

    Gostei muito da forma como tratou de um tema pesado com sensibilidade e delicadeza.

    O tema foi tratado com sucesso na narrativa.

    Parabéns pelo texto!

  4. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Gaia,

    Seu microconto resolve o tema com clareza e beleza. A metamorfose aqui não é só sugerida, ela acontece no corpo, aos poucos, como consequência da mãe que não se rende à dor da perda. A espera dela vira raiz, tronco, galho, folha. A mãe se torna a própria natureza, uma metamorfose orgânica.

    A transformação dela nasce da repetição diária, sem pressa e sem explicação. E aí o texto vai crescendo até ficar maior do que a cena. Dá pra ler como luto digerido em silêncio. Assim, o menino-pássaro não é “devolução”, é reencontro. Não exatamente o que ela pediu, mas algo vivo que se mistura num mesmo estado… Parabéns, adorei!

    Boa sorte no desafio.

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Gaia! Teu conto é de uma delicadeza absoluta. A metamorfose aqui é lírica: o luto que finca raízes até a mãe se fundir à paisagem para reencontrar o filho. A imagem final do menino-pássaro é de uma sensibilidade ímpar, transmitindo uma paz melancólica e um pertencimento profundo.

    O que mais me agradou foi a força das imagens sensoriais, como o “assossego de folha”. No entanto, notei algumas oportunidades de melhoria. O uso repetido do possessivo “seu” em frases muito próximas torna o ritmo um pouco pesado. Além disso, a expressão “pousou nele” no desfecho gera um pequeno ruído de referência; embora se refira ao braço/galho, “nela” manteria a unidade com a figura materna de forma mais fluida.

    No geral, é uma obra-prima de síntese e realismo mágico. Um texto que faz o leitor sentir a terra.

  6. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Conto sensível e muito bem escrito. A linguagem é lírica sem ser forçada, o que acontece na maioria desses textos. Simples e claro, sem muitos adornos, permite a compreensão e a indentificação com os sentimentos da personagem. Foi um dos poucos contos nesses desafio que se manteve fiel ao tema e que é bom de ler. Funciona para o formato microconto, pois não levanta perguntas involuntárias, que não serão respondidas, já que a história se concentra numa única imagem, muito bem escolhida. É notório que a pessoa que escreveu esse conto já tem uma boa experiência de escrita e de muita leitura. Parabéns! Com certeza, vai estar na minha lista.

  7. Asstrongo Goonie
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo Goonie

    Bonito pra cacete. Apesar de não termos como alongar no texto por causa de ser micro o tema, o autor ou autora conseguiria passar essa impressão de passagem calma do tempo, transformando essa mulher em um dos seres mais bonitos e tranquilos da natureza, que são as árvores. Descrições primordiais, escolha ótima de tema e linguagem simples. Me fez lembrar os filmes do Apichatpong. Junto com o do Cisne, meu preferwdo até agora.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Achei muito bonito como o texto transforma o luto em metamorfose, fazendo a mãe se integrar à paisagem até que o filho retorna em outra forma, a de passarinho. A linguagem e a delicadeza dessa transfiguração me lembraram um pouco Manoel de Barros, especialmente nessa fusão entre humano e natureza e em alguns termos utilizados. Um micro sensível, que trata a dor com poesia. Parabéns.

  9. leandrobarreiros
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Um conto bonito sobre reencontro e retorno cíclico.

    Me lembrou alguns textos indígenas que li aqui e ali, provavelmente por conta do título. Se partimos da ideia de que a divisão entre natureza e homem é mera ilusão ocidental, nossa morte é só a passagem de um estado da vida para o outro, aqui ainda na Terra e mesmo essa passagem terá reencontros, pois são todos os homens que se transformam.

    Provavelmente estou bem longe da intenção do autor, mas curti a viagem que o conto proporcionou.

  10. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Este microconto tem um grande paralelismo com outro que mandei em desafio aqui, chamado Homens-Árvore. Porém, neste caso, a metamorfose é a da espera, e não do estranhamento. E isso é tratado de forma muito sensível e lúdica, com a recompensa do retorno com o pouso do menino-passarinho; portanto, a metamorfose não foi só dela. Um dos contos que mais me tocaram o coração. Muito obrigado!

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Gaia!

    Então, seu microconto é uma metamorfose de reencontro…explora de forma muito bonita a transformação da mãe em elementos da natureza, integrando-se ao rio, à pedra e à terra. A metamorfose é sutil e poética, e a entrega final — o menino-pássaro pousando sobre o galho que ela se tornou — transmite delicadeza, vínculo e renascimento.

    O que funciona: a linguagem é poética e sensorial; a narrativa transmite a metamorfose de maneira simbólica e emocional, criando imagens memoráveis e uma sensação de conexão profunda entre mãe, filho e natureza.

    O que poderia melhorar: a narrativa é curta e densa; pequenas pistas sobre o tempo ou o processo da transformação ajudariam o leitor a se situar melhor, sem perder a sutileza poética.No geral, é um microconto poético, delicado e simbólico, que trabalha metamorfose de forma muito eficaz, explorando identidade, vínculo e renascimento.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  12. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Entrega.

    Foi o que vi neste micro. Maravilhoso, por sinal. Vemos uma mãe que busca um filho. Não de forma literal. Mãe e filho representam um amor verdadeiro. Puro. Livre de amarras. Ela busca isso. E se entrega. Nesta procura, ela se torna um com o todo. Neste momento, o filho a encontra. Mas por que temos a natureza representando o todo? Quem fez uma trilha sabe o motivo. Escalada, acampamento, também. Estar na natureza é como estar em contato com algo que parece termos esquecido. É difícil explicar.

    Gostei muito deste micro, muito mesmo.

  13. Wilian Cândido Corrêa
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gaia,

    Meu primeiro comentário foi curto demais. Eu disse que achei lindo, que havia conexão com a natureza e transformação poética. Tudo isso continua sendo verdade, mas não explica por que Mãe-terra está no meu Top 10.

    Relendo com mais atenção, percebi que o que me prende aqui não é só a temática, é a forma como você constrói essa fusão entre humano e terra sem forçar nada. A transformação não acontece como um choque ou ruptura. Ela vai se insinuando. Quando a gente percebe, já não sabe mais onde termina o corpo e começa o chão. E isso, para mim, é um dos acertos do texto.

    Gosto muito de como você trabalha a ideia de origem e retorno sem precisar explicar. Nada soa didático. A conexão com a terra não é discurso, é sensação. Está nas imagens escolhidas, no ritmo, na maneira como tudo parece circular. Existe um movimento ali que lembra ciclo, e essa circularidade sustenta o micro.

    Outra coisa que me chamou atenção é que a metamorfose não é apenas física ou literal. Ela é de consciência. O eu que narra parece se dissolver, mas ao mesmo tempo se expandir. Não é perda, é pertencimento. Isso muda completamente o tom do texto e o diferencia de outras abordagens de transformação que apostam mais no conflito.

    Ele entrou na minha lista porque consegue ser delicado sem ser frágil, simbólico sem ser confuso e poético sem perder clareza. Quando termino a leitura, não fico só com a imagem, fico com a sensação. E isso, para mim, é sinal de que o micro fez mais do que contar uma história, ele me deslocou um pouco por dentro.

  14. Pedro Paulo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Concebo que o micro seja uma arte de cálculo, necessitando de uma combinação precisa de palavras para atingir o sentimento pretendido. Aqui, este cálculo foi muito bem realizado. A primeira frase contextualiza e aprofunda ao leitor o sofrimento da personagem, enquanto em seguida se inicia a transformação-tragédia que angustia pela compreensão de que talvez aquele seja o fim. Mas aí a última frase vem e reencontra o luto apresentado no começo, redimindo a espera, concedendo a graça do reencontro nas duas transformações. Nos faz olhar para um pássaro pousado em um tronco e imaginar uma linda história de reconexão.

  15. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Gaia! Tudo bem?

    Lindíssimo! Amei! ❤️

    Tão simples e tão profundo! O luto, o amor que nunca desaparece, o se integrar com o todo e então rever o filho também transformado! Eu creio que depois da vida aqui enfim estaremos realmente vivendo o que fomos criados para ser, e lá (re)encontraremos os nossos (já tive dois abortos espontâneos e sei que lá verei meus filhos)! Enfim, lindo demais! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  16. Leila Patrícia
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Gaia

    Entendi seu micro como um luto que vai se transformando em permanência. A mãe espera tanto que acaba virando parte da paisagem, quase uma árvore. O menino-pássaro pousando no braço traz um consolo simbólico, não devolve o filho, mas dá uma forma de encontro. A imagem é bonita e sustenta o texto até o fim. Lindo de ler! Parabéns

  17. Lucas Santos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Gaia!

    Ela visitava diariamente o trecho do rio em que sua criança havia, supostamente, morrido afogada. A natureza, compadecida de sua interminável dor, atuou como uma entidade e atendeu às suas súplicas: a transformou em árvore para reaproximá-la de seu filho, o menino-pássaro.

    No começo, disse que seu filho supostamente havia se afogado, porque é provável que ele tenha sido apenas transformado em ave, assim como ela, depois, foi transfigurada em vegetal. Nessa teoria, quando seus vizinhos notassem sua falta no vilarejo, testemunhas afirmariam que ela havia ido ao rio e concluiriam imediatamente que também morreu afogada. Em suma, talvez o curso d’água seja encantado e tenha a capacidade de metamorfosear pessoas em animais e plantas.

    Outra possível interpretação seria a de que ela, não sabendo lidar com o luto, tenha abreviado a própria vida, afogando-se deliberadamente no mesmo rio que seu filho. Assim, a transformação dela em árvore seria um eufemismo para a sua decomposição. Em outras palavras, elementos químicos que constituíam seu corpo teriam nutrido o crescimento de uma planta, afinal de contas, é o que ocorre na realidade. Essa ótica, inclusive, dialoga com o título.

    “Mãe-Terra” é um microconto que equilibra precisamente poesia e objetividade. Além disso, reiterando o que o colega Givago comentou, a escrita é bela e singela. Destaque para o trecho: “seu corpo se moldou à robustez de tronco, os pés se aprofundaram na terra arenosa e os olhos ganharam um assossego de folha”.

    Pode emoldurar, Gaia! É obra-prima!

  18. Givago Domingues Thimoti
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Givago Domingues Thimoti

    Olá, Gaia! Tudo bem? Achei seu conto de uma beleza encantadora: escrita singela (sem ser simplória) com uma estética simbólica e uma dose de realismo fantástico. A metáfora nos traz a metamorfose de uma mãe em uma árvore, a beira do rio onde perdeu seu filho. Ela finca suas raizes na dor do luto. Mas também há outras analogias presente no conto: considerando que viemos da natureza, da própria natureza nos tornaremos! Lindo, lindo, lindo, lindo, lindo, lindo! Irretocável Parabéns!

  19. Leandro Vasconcelos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor/autora? Seu micro é bonito. É o primeiro adjetivo que me veio à cabeça. Você nos concede um pequeno vislumbre do que pode ter sido o conflito: uma mãe que perdeu um filho (afogado?). Ela o quer de volta, não aceita a perda. Então o espera todos os dias na margem do rio, num luto que engessa toda a sua vida, de modo que ela vai se tornando lentamente um ser imóvel: uma árvore. Mas aí recebe um sinal: a volta do filho. A espera rendeu frutos. Eles se uniram de novo, não como antes, mas em formatos diferentes e belos. Há também outras camadas. Do pó viemos e ao pó retornaremos: somos todos parte de uma mesma rede, de uma mesma vida, e por isso devemos nos amar mutualmente. Outra: talvez a própria Terra chore a perda de seus filhos por causa da devastação ambiental. Mas, no fim, há uma mensagem otimista, de que a vida continua apesar de tudo. Bonito. Bonita também a metáfora: “os olhos ganharam um assossego de folha”. Em suma, um conto belo. Obrigado!

  20. Mariana
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Profundidade não é sinônimo de escrita complicada. Aqui temos, com um vocabulário simples, um baita conto sobre maternidade, luto e redenção. Bastante poético, cada sílaba conta uma história de perda e reencontro. Atende ao desafio com a mãe árvore e o filho pássaro (ótimas metáforas) Parabéns e boa sorte no desafio, entrará na minha lista.

  21. Rodrigo Ortiz Vinholo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    O que muda por dentro e o que muda por fora? Um bom conto que consegue com uma linguagem poética e tranquila transmitir algo profundo. O tema ficou bem trabalhado, resultando em uma ótima entrega sobre as coisas que superamos, sobre luto, e além.

  22. Thiago Amaral
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Esse foi um dos contos que melhor atendeu ao tema proposto. Sem transformações metafóricas ou mudanças naturais, ele literalmente descreve a transfiguração da mulher em árvore. Lembra os mitos gregos, como já comentaram.

    Mas não deixa de ser uma história metafórica. Provavelmente influenciado pela imagem, associei ela sentada num processo de meditação, onde ela lida com e digere o luto, tornando-se, assim, mais natural, ou mais sábia, mais próxima de um entendimento que concilia a perda com o curso natural da vida. Depois o aparecimento da criança-pássaro simboliza que algo positivo resultou, apesar de não ser necessariamente o que ela quis no início.

    Um conto simples, direto, mas bem-feito. Acho que talvez não figure na minha lista por carecer de impacto, mas isso é culpa de estarmos num desafio mais que por demérito do texto.

  23. Gustavo Araujo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Um conto sinestésico, para dizer o mínimo. Ao ler, pude sentir eu mesmo a textura da terra, o contato da água, o cheiro de mato. Só isso já seria incrível, mas o texto vai mais longe porque tem nas entrelinhas uma história de resignação, de amor, de esperança. A mãe que, à beira do rio, espera pela volta do filho, em vão provavelmente. Não há como não afeiçoar-se a ela, torcendo, mesmo nessas poucas linhas, por uma espécie de redenção, que o menino surja no horizonte. De certa forma isso acontece, vê-se, no momento em que a mulher passa a se confundir com a mata, quando o passarinho nela pousa. Para além da sinestesia, para além da história de fundo, há, também, esse caráter poético, essa sensibilidade. Enfim, um conto de muitas camadas, como se diz por aí. Parabéns e boa sorte no desafio.

  24. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Ei, Gaia, cá estou eu com o seu bonito conto. Sim, está bonito e a história também se faz completa. Gostei do que escreveu sobre a Mãe-terra que aguarda, ansiosa, que o filho lhe seja devolvido. Tudo no seu devido lugar, você tem um vocabulário rico. Só um detalhe para você de repente prestar atenção para o futuro. Use a dica tanto quanto sinta que ela realmente faz sentido e lhe ajudará na escrita. Reparei que você, duas vezes e de maneira bem seguida, usa o pronome possessivo “seu” no microconto. Quem sabe poderia ter precindido deles, eis que somente tornam a frase mais pesada, eis que não interferem no sentido. Só isto. Parabéns pelo seu trabalho e fica com o meu abraço de sucesso no Desafio.

  25. Kelly Hatanaka
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um micro lindo que fala de luto e aceitação. A mãe espera à beira do rio pelo impossível: o retorno do filho. Ela não é capaz de prosseguir com sua vida, parada, esperando. Acaba por se moldar à natureza, a se transformar em árvore. O pouso do menino-pássaro é uma ideia belíssima, poética, doce. Sugere que o filho se integrou à natureza, retornou à fonte, na forma de pássaro, da mesma forma que ela, na forma de árvore. Nesse além, estarão sempre próximos.

    Um final melancólico e belo.

  26. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    A dor conduzindo à mudança foi bem explorada neste conto enxuto. Boa sorte no desafio.

  27. toniluismc
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Gaia!

    Esse conto é um ótimo exemplo de como dá para construir uma metamorfose forte com pouquíssimas palavras: a mulher que vai, aos poucos, se tornando árvore é uma imagem muito poderosa de luto enraizado e espera infinita.

    A linguagem é econômica, mas extremamente expressiva: o corpo que vira tronco, os pés que afundam na terra, o olhar que ganha calma de folha. Tudo isso desenha uma transformação completa, física e simbólica ao mesmo tempo.

    O menino-pássaro pousando no galho fecha bem o arco, sugerindo um reencontro possível, ainda que em outra forma, e amarra de maneira delicada a relação entre perda e renascimento.

    A única pedra no caminho é a expressão “pousou nele” que está no final: o “nele” remete a um sujeito masculino e causa um ruído, já que acompanhamos uma protagonista mulher; trocar por “nela” manteria a coerência e deixaria o final tão preciso quanto o resto do texto.

    De todo modo, parabéns e boa sorte no desafio!

  28. Antonio Stegues Batista
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Mais um conto surreal, poético, que se concretiza no campo das ideias, porém, essa poesia se baseia no real, na realidade da vida cotidiana. Uma tragédia se transforma, ou, é transformada, em poesia diante da impotência, da incapacidade de poder mudar os fatos. Uma história do gênero fantástico, e Realismo Mágico. Muito boa escrita, boa ideia, sem rebuscamento exagerado. Gostei.

  29. Fabiano Dexter
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Gaia.
    Um conto que soube não apenas usar o tema e as poucas palavras, como nem precisou de todo o limite para contar uma bela história de amor entre uma mãe e seu filho.
    A transformação ocorre de forma gradual e o final é muito bonito.
    Parabéns!

  30. andersondopradosilva
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Embora eu tenha gostado da qualidade técnica e da beleza poética das construções e das escolhas de linguagem, percebo que estou cada vez mais enfadado do realismo mágico e na saída fácil que ele oferece para fazer de umas coisas outras (metamorfose) sem nenhuma explicação minimamente plausível. O aprumo técnico e a prosa-poética me fizeram querer gostar mais do conto, mas o caminho escolhido para atender ao tema do desafio me desagradou bastante. Ainda assim, não excluo da presença na minha lista, vai depender dos demais concorrentes.

  31. Luis Guilherme Banzi Florido
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Gaia! tudo bem? um microconto bem curtinho que consegue contar muito, usando pouco. Aqui, temos muitos elementos subentendidos: o luto, a perda, a impermanência da vida. E mais, sua metamorfose: a vida, de algo impermanente para algo eterno. Da perda para o pertencimento, à partir da percepção de que tudo é eterno e todas as formas de vida se reconectam, se interligam. Pode ser entendido no sentido metafórico do ciclo da vida, ou no sentido literal de uma mae que supera o luto da perda do filho ao senti-lo vivo no mundo ao seu redor. Parabens, bastante sensivel!

  32. Martim Butcher
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Olá, Gaia,

    Me parece que o seu conto pertence a um tipo de relato que pretende restituir uma unidade com a natureza que foi perdida há muito tempo. Esse anseio, creio, é legítimo. Há prosas e poesias de enorme qualidade ao longo da modernidade que dão forma a uma aspiração utopista de reaver um estado de encantamento. Mas justamente o mérito dessas literaturas depende da consciência, algo melancólica certamente, de que esse anseio é irrealizável. O seu texto parece crer que essa restituição ainda é possível, o que lhe dá certa ingenuidade ou, no pior dos casos, pretensões de mito em um mundo em que o mito já não existe, salvo como forma disfarçada da ideologia.

    De qualquer forma, fico aqui pensando que seria mais interessante que o destino de mãe e filho, transfigurados em árvore e pássaro, reiterassem à eternidade o desencontro em vida. O pássaro, por mais que tentasse, jamais conseguiria pousar na árvore, por exemplo.

  33. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso e poeisa. A mãe em luto espera por um reencontro. Aos poucos se transforma em parte da natureza e nos seus braços (agora galhos) pousa o menino-pássaro (o filho que havia partido, provavelmente, engolido pelas águas do rio).

    Belas metáforas, linguagem bem trabalhada. Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  34. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    olá Gaia, seu conto lembrou a transformação de Daphne ao ser perseguida por Apolo. Embora Daphne tenha sido transformada por desespero, a sua foi pela tristeza. Você desenvolveu com maestria a transformação e finalizou com poesia. Parabéns, e boa sorte na competição.

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu micro conto muito bom. O tema da metamorfose aparece quando a personagem principal vai se transformando lentamente em árvore. É uma narrativa bastante emocionante que fala de uma perda talvez uma mãe que perdeu um filho para o Rio. Nessa perspectiva fala de perda e luto. Mas também fala de paciência resistência resiliência. Não fica claro se o menino pássaro é o filho dela, mas eu gosto de acreditar que seja.

  36. Nipar
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nipar

    olá Gaia, seu conto lembrou a transformação de Daphne ao ser perseguida por Apolo. Embora Daphne tenha sido transformada por desespero, a sua foi pela tristeza. Você desenvolveu com maestria a transformação e finalizou com poesia. Parabéns, e boa sorte na competição.

  37. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    uau, forte! Para uma mãe tem um peso quase tátil.
    parabens

    • Ana Paula Benini
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Ana Paula Benini

      aprofundando: esse aqui me pegou muito, ao falar do filho (que pode até ser no sentido figurado, mas que absorvi como literal) me tocou de uma maneira muito visceral.
      Entrou para minha lista

      obrigada por escrever e nunca pare!

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Achei lindo! O texto transmite uma conexão com a natureza e uma sensação de transformação poética.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .