EntreContos

Detox Literário.

Esquálidos (Cyro Fernandes)

Insônia castigando, viro o celular e me levanto. Piso frio fervendo. Sou engolido, despenco. Desmaio.

Acordo bidimensional, fino como asa de borboleta. Sons agudos, ar insuflado, odores plásticos. Perplexo. Informações perpassam por meu corpo. Escorrem para vizinhos desconhecidos. Totalmente conectado, em rede, nada absorvo, apenas processo.

Fervendo, me apagam. Volto ao trabalho. Tudo se repete.

Começo a perceber fragmentos. Injustiças, trapaças, negociatas, futilidades…

Travo. Interrompo o fluxo. Sou substituído.

Obsoleto, desfuncional, com vagas memórias, termino empilhado num lixão. Naturalmente.

52 comentários em “Esquálidos (Cyro Fernandes)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    O micro me lembrou muita coisa. Gênero cyberpunk, matrix, ácido e Freakazoid.

    É um conto scifi incômodo e é incômodo de propósito, desde a imagem escolhida pelo autor, até pelas descrições meio desconexas. O uso de frases curtas e entre cortadas trazem a sensação estranha de fluxo confuso e constante das informações online.

    O conto tem uma pegada desesperançosa também, e acho que isso também reflete esse ambiente cyperpunk. No meio de todo caos o protagonista decide tentar fazer o bem e acaba simplesmente sendo engolido pelo progresso para então ser descartado.

    É como se a marcha futurista, apressada, rápida, caótica não pudesse ser parada.

    E talvez não possa mesmo.

    Enfim, gostei do micro. Não sei se vou conseguir incluir na lista, porque teve outros que me tocaram bem e vou ter que rever algumas coisas. Mas em nível de qualidade, está lá em cima.

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Seu microconto deixa a gente angustiado, aflito e confuso, risos. Gostei, bem criativo. É um microconto fantástico? Foi o que me pareceu. Todas as descrições ali do que ele sente, do que ele lembra, parece mesmo um monte de fragmentos de momentos. Acho que ficou muito legal. Eu não to viajando não né? A pessoa virou um piso do chão? Só não entendi porque estaria fervendo, mas beleza. Microconto bem legal.

  3. Alexandre Costa Moraes
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Byllaardt.

    Seu microconto é uma crítica ácida ao “ser humano digital”. Gostei da escolha de narrar a metamorfose do ponto de vista do próprio objeto. A transformação da pessoa em celular funciona bem porque mantém a linguagem técnica, o ritmo mecânico e as sensações físicas (“bidimensional”, “odores plásticos”, “ar insuflado”) num objeto descartável. O texto tem uma progressão clara (da insônia ao descarte no lixão) e isso dá consistência à ideia.

    O começo confunde um pouco, mas quando a metamorfose se completa, o texto ganha força. O melhor momento é quando o narrador começa a “perceber fragmentos” e trava (aí fica clara a crítica ao descarte, à obsolescência, ao ciclo de consumo). O fim no lixão é trágico e certeiro.

    Muito bom!Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. maquiammateussilveira
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Um sci-fi ácido em formato de microconto. A metamorfose é interessante, inusitada e permite uma visão crítica ao mundo contemporâneo, cada vez mais impessoal. Porém, assim como os contos de terror desse desafio, fico com a impressão de que essa história ficaria melhor em um formato mais longo. Há todo um universo e uma situação complexa a se explorar, e o microconto acaba parecendo mais um resumo bem escrito para um texto maior. Como os muitos fatos dessa história se sucedem muito rápido, não consegui me concectar ao conto nem ao personagem, o que prejudica a apreciação. E o final, achei previsível.

  5. Asstrongo
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    gostei desse. Senti que o autor quis passar a ideia de funcionalidade do ser, seja ele humano ou máquina, ou os dois. Engraçado que ele coloca esse encadeamento das coisas que sente de maneira a dar só leitor um distanciamento, provocando uma interrogação do que seria esse ser, mas no final isso não importa, pois qualquer um que não consegue ter um funcionalidade, pelo menos no sistema vigente, é deixado no lixão.

  6. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Byllaardt! Teu conto é uma crítica ácida e muito necessária à nossa desumanização na era digital. A metamorfose do sujeito em um hardware obsoleto — bidimensional e fino — é uma imagem poderosa para o apagamento da essência humana. Senti uma melancolia profunda na ideia de apenas processar informações sem absorvê-las, terminando descartado em um lixão como algo descartável.

    O uso de frases curtas e secas emula bem o ritmo mecânico, mas em alguns pontos o texto fica excessivamente picotado, o que pode prejudicar a fluidez da leitura. A expressão “piso frio fervendo” me causou um estranhamento confuso por ser uma contradição que soa um tanto incongruente no contexto.

    No geral, a qualidade literária é alta; você construiu uma distopia contemporânea instigante em pouquíssimas palavras. Só cuidado com a imagem de capa: ela acaba entregando o segredo da transformação cedo demais.

  7. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Interessante.

    Gostei da premissa. Uma metamorfose literal, um homem vira celular, tendo acesso à Internet e inúmeras informações. Algumas boas, muitas ruins. Desencantado, ele tenta resistir, mas acaba sendo descartado. Tem uma crítica aqui, na minha visão. De como as pessoas se tornaram descartáveis igual aparelhos celulares. É um bom micro. Tem simplicidade, cativa e levanta algumas questões interessantes.

    Muito bom!

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Achei interessante como o conto usa a metamorfose de forma irônica, deslocando a narrativa para o ponto de vista de um celular. A queda, o conserto, o processamento de informações e até o descarte final ganham uma camada quase humana, enquanto o narrador vai perdendo sua identidade até se tornar apenas mais um aparelho obsoleto. É uma abordagem abstrata, mas que funciona como crítica ao ciclo de uso e descarte da tecnologia.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    De cara, lembrei do Homer em 3D e sua transformação ao inverso deste conto. A temática, porém, é a opressão do ambiente corporativo e a nulificação do trabalhador, que felizmente não resvala para o panfletário, mas concentra-se sobre elementos individualistas: futilidades, trapaças, negociatas… quem nunca sofre com isso? Porém, não consegui me conectar com a metamorfose vivida pelo personagem, ainda que o final seja coerente – e ele, jogado num lixão. Boa sorte no desafio!  

  10. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, escritor (a), tudo bem?

    Seu microconto Esquálidos apresenta uma metamorfose tecnológica e existencial muito bem construída. A transformação do narrador em algo bidimensional, conectado e processador de informações é clara e impactante. A ideia de consciência surgindo dentro da máquina é o ponto forte do texto.

    O que funciona: as imagens são fortes e modernas — “acordo bidimensional”, “totalmente conectado”, “apenas processo”. O ritmo acompanha bem essa transformação mecânica e repetitiva, e o final no lixão fecha o ciclo com ironia e crítica social.

    O que poderia melhorar: em alguns trechos, a sequência de frases curtas acelera demais; talvez variar levemente o ritmo aumentasse ainda mais o impacto da percepção das injustiças e do momento em que ele “trava”. Esse é o ápice dramático e pode ganhar um pouco mais de peso. No geral, é um microconto criativo, atual e crítico, que trabalha metamorfose de forma inteligente e contemporânea.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  11. Leandro Vasconcelos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Interessante o seu micro. São muitas ideias e reflexões que você nos apresenta. A premissa principal é que o sujeito, pelo uso, se torna uma forma de vida indiferenciada do aparato tecnológico que toma cada vez mais o cotidiano (é o que entendi). O personagem é engolido pelo celular – literal e figurativamente – de tempos em tempos, isto é, a cada desbloqueio. Sua imersão aumenta gradativamente, até o ponto em que ele não se diferencia do smartphone. Suas memórias se tornam rasas, fragmentadas, à semelhança da informação que é transmitida nas redes. Torna-se um escravo da dopamina liberada pelo passar de telas. Vejo também uma alegoria do sistema atual, que somente valoriza o ser humano enquanto este produz, pelo que, no fim, é jogado no lixão. Encontra a morte. Tanto porque se tornou um nada, a mente transformada em geleia (o autêntico brain rot, termo que virou moda nos últimos anos), tanto porque se fez obsoleto. Gostei dessa abordagem do tema metamorfose, pois é desenvolvida tanto no nível literal quanto no simbólico. Porém, o texto poderia ser mais trabalhado na forma. Muitos cortes secos. As frases soam desconexas porque se optou por suprimir conectivos. Tudo bem como isso, se a intenção era emular o liga e desliga dos aparelhos. Importante aqui é ter consciência do efeito. Parabéns!

  12. Lucas Santos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Byllaardt!

    A primeira frase do texto já expõe uma das consequências do uso exacerbado de telas: insônia. Deitar com o celular é um comportamento normalizado. O aparelho já virou uma extensão, um anexo de nosso corpo; está presente antes, durante e após o sono. Geralmente, as primeiras ações do dia são: ler notificações, responder mensagens, rolar o feed, etc. O personagem do microconto condensa a sociedade contemporânea. Ele está tão conectado à tecnologia, que acaba sendo metamorfoseado nela.

    No segundo parágrafo, a comparação “fino como asa de borboleta” é precisa, porque remete tanto às dimensões do personagem quanto ao inseto-símbolo da metamorfose. “Totalmente conectado, em rede, nada absorvo, apenas processo” refere-se não só ao indivíduo que virou componente eletrônico, mas também aos usuários, que estão sempre consumindo e nunca absorvendo.

    Explorando o sistema por dentro, o indivíduo ironicamente sai da Matrix, ao enxergar a sordidez da qual se nutria. Porém, é tarde demais para qualquer providência. Pensando bem, ele já era uma peça obsoleta, descartável e substituível, desde o começo.

    O microconto reúne tecnologia, sociologia e filosofia em uma linguagem de fácil compreensão, que equilibra objetividade e poesia. Quanto aos ajustes, recomendo a substituição da vírgula por ponto final em: “Sou engolido, despenco”. Ademais, eu reescreveria a última parte do segundo parágrafo da seguinte forma: “Totalmente conectado, tudo processo, nada salvo/armazeno/memorizo)”. Adicionei uma antítese (tudo/nada) e algumas opções de termos da mesma família que “processo”. Mas isso é apenas uma escolha estilística pessoal; não faz mal manter como está.

  13. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi. Tudo bem?
    Seu conto fala da transformação de uma pessoa em máquina, talvez um celular ou computador, misturando cansaço humano com lógica de tecnologia descartável. A passagem para o corpo “bidimensional” e conectado funciona bem, criando essa sensação de perda de humanidade. Quando ele trava( como a tela um celular) ao perceber injustiças e é substituído, o conto leva o tom para a crítica ao mundo do trabalho e ao consumo.
    A ideia é interessante, mas em alguns pontos fica mais conceitual do que sensorial. Mesmo assim, o final no lixão fecha bem o ciclo.

  14. Byllaardt
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Byllaardt

    Obrigado por todos os comentários! Muito bom ver como a percepção é diferente para cada leitor. Digo que o conto não era sobre um homem que vira celular, ou vice-versa. Se assim foi percebido, assim passará a ser. Isto é o que importa. Eu escrevi para desabafar como recebemos informações, não temos tempo de digeri-las e as repercutimos. Somos influenciados pelos comentários alheios, enquanto a reflexão permanece na superfície. Nossa essência é sequestrada pelos Big Brothers. Não posso generalizar, mas assim tenho me sentido. 

  15. Gustavo Araujo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Numa leitura rápida temos um sujeito que se transforma num celular, que deixa de ter iniciativa própria, passando apenas a processar o que os outros determinam. No fim, é descartado, como acontece com qualquer aparelho ultrapassado.

    Para além de uma interpretação hermética, o conto traz uma questão bastante interessante e, por que não dizer, incômoda. Não seremos todos nós não mais do que celulares que processam informações e acatam comandos para, num futuro não tão distante, sermos jogados no balde de aparelhos obsoletos?

    Indo mais além nessa linha de pensamento, é de se pensar se o tal livre arbítrio de fato existe. Somos programados e até mesmo enfeitiçados pela ilusão de que temos direito de escolha, só que acabamos fazendo exatamente o que esperam de nós, terminando, como disse, substituídos pura e simplesmente quando deixamos de atender a essa demanda. O escritor John Gray fala muito disso no sensacional “A Alma da Marionete”, um livro que vale a pena ler, por mais doloroso que seja.

    O conto prende, enfim, justamente por isso, por apresentar ao leitor, por meio de uma prosa quase burocrática, e por isso mesmo bem apropriada, uma questão incômoda, que talvez devesse nos preocupar mais. Receio, contudo, que não terá esse efeito, já que em geral preferimos nos convencer de que temos as rédeas do nosso destino.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  16. Luis Guilherme Banzi Florido
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, billaardt! tudo bem? BOm conto! Uma metáfora contemporânea e muito válida. O homem na era da tecnologia como algo descartável, apenas mais uma peça cuja obsolescencia está propragamada, que vai acabar num lixão quando algo mais novo ou eficaz surgir. Aqui,. temos a metamorfose simbólica, do humano para o aparelho, do 2d para o 3d. A linguagem é bem utilizada, com boas construções, e o conto usa uma estrutura de repetição e quebra para causar o desconforto que o tema pede. O único ponto que me causou estranheza foi “piso frio fervendo”. Acredito que sua intenção tenha sido trabalhar com contradições, mas como isso não aconteceu tão explicitamente em outros momentos, me deixou uma sensaçãoe stranha. Claro que isso é um detalhe infimo. De todo modo, bom trabalho, parabens!

  17. Rodrigo Ortiz Vinholo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Gosto do assunto e da abordagem temática, mas confesso que não gostei da aplicação. Achei que foram voltas demais no sentimento, no subjetivo, que acabam por afastar no curto espaço, em vez de conquistar. O autor mostra conhecimento técnico e repertório, e gosto do paralelo entre o substituição do material/tecnológico e do humano, mas a meu ver uma narração mais direta poderia ter mais potência, mesmo usando as mesmas metáforas.

  18. Martim Butcher
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Olá, Byllaardt,

    Eu aprecio o estilo. Com isso me refiro ao ritmo, às decisões sobre o tamanho das frases, sobre quando narrar, quando enumerar, quando suspender. Esse estilo quadra bem com a abordagem temática.

    Agora, a história em si, as considerações sobre a modernidade, bem, isso tudo me soa um pouco a senso comum. Se a ficção apenas se presta a ilustrar ideias (no caso, a obsolescência, a efemeridade da informação etc.) em um estado de debate que já foi colocado por outros discursos, ela perde sua especificidade. Sinto que você está chutando cachorro morto. É a mesma sensação que me passa quando vejo séries como Black Mirror, que o senso comum admira como se fosse “baita crítica social, meu” (imagine essa fala com um sotaque bem paulista).

  19. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um homem se transforma em celular e, quando fica obsoleto, é substituído.

    Embora bastante linear, o conto traz um questionamento interessante. Tudo aquilo que acontece com o homem após sua transformação em celular teria acontecido da mesma forma se ele continuasse sendo um homem. Ele existiria, trabalharia, cumpriria suas funções repetidamente até que se tornasse obsoleto e fosse descartado.

    Uma crítica ao utilitarismo e a descartabilidade.

  20. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Byllaardt,

    Achei a premissa do seu conto muito interessante, a ideia da transformação de alguém em um smartphone (suponho pela imagem) e que tem sua vida útil termiana no lixão.

    A escrita quebrada, com muitos pontos, me incomodou um pouco. Entendi que era a ideia mesmo de pausas excessivas, como se estivesse ocorrendo um processamento em blocoss. Lendo em voz alta soaria como um robô dos filmes antigos.

    Um conto interessante e que traz a transformação para um ambiente moderno, ondee eu comento seu conto justamente pelo celular.

    Parabéns!

  21. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Byllaardt!

    Este conto tem uma premissa genial: a metamorfose do humano em smartphone (ou chip/processador), mergulhando num ciclo de hiperconexão, processamento vazio e obsolescência programada. Uma crítica afiada à era digital, na qual viramos extensões descartáveis de redes que nos esvaziam.

    A escrita é precisa e sensorial (piso frio fervendo, ar insuflado, odores plásticos), construindo o horror sutil da perda de agência, com o “travo” como ato de rebelião que leva ao lixão. O final “naturalmente” fecha com ironia perfeita, normalizando o absurdo.​

    O ponto fraco: a imagem de celular no topo entrega o plot twist logo de cara, matando a surpresa que faz o texto brilhar. Sem ela, o leitor ia juntando pistas (bidimensional, rede, fluxo) até o baque. Outro ajuste seria suavizar levemente as elipses no meio pra não quebrar tanto o ritmo, ou adicionar um fragmento específico de “injustiça” pra tornar a percepção mais vívida. De resto, é daqueles que grudam, misturando realismo mágico com comentário social afiado.

    Parabéns pelo belo trabalho!

  22. Byllaardt
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Byllaardt

    Obrigado, Fernanda. Pena que minha ideia não ficou clara para você. Sei que explicar agora é tarde, mas tentarei.

    Escorrem para- estamos conectados, em rede, as informações escorremViro o celular- coloco a tela voltada para trás

  23. Byllaardt
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Byllaardt

    Obrigado, Antonio.

  24. Byllaardt
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Byllaardt

    Obrigado, Fernando. Fico feliz que você tenha gostado.

  25. André Lima
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Queda, transformação, funcionamento, consciência, descarte. A metáfora do humano tornado processador/servidor de dados é eficaz. É um conto que amplia os horizontes. Se quiser viajar, podemos falar de consciência, podemos falar de relações, efemeridade…

    Gostei do trabalho. A linguagem, em minha opinião, poderia ser um pouco mais poética e refinada. Mas o texto já brilha por si só.

  26. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    A ideia é muito boa: pessoa transformada em celular, posteriormente descartada.

    Escolhi esse conto pra ler pelo título, forte e bastante corporal. No entanto, o conto traz um percurso que mostra algumas sensações no primeiro parágrafo, mas fica apenas em descrições, no artificial, pelo resto da história. Claro, se trata de um celular vivendo experiências. Só que o estilo robótico do texto, apenas descrevendo sem impressões pessoais, me fez não sentir nada além de distante do texto.

    Resumindo: É uma reflexão interessante, cheia de potencial, mas acho que a execução foi descritiva demais e pouco emocional.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado, Thiago. O sentimento perdeu-se na artificialidade dos tempos atuais.

  27. Antonio Stegues Batista
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    O protagonista, um homem comum, com um emprego comum, rotina como a de todo funcionário público na área de TI, se transforma um dia em conteúdo digital, ou seja, se integra, ou é incluído, na Matrix. Ali vive e trabalha por algum tempo até que seu hardware se torna absoleto e ele é descartado no lixão tecnológico.

  28. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Byllaardt

    Gostei muito da ideia, bem interessante.Forma inusitada de tratar da metamorfose. Parabéns.

    Uma sugestão é ser mais direto, enxuto, alguns parágrafos mais atrapalham do que ajudam na narrativa, como “Escorrem para vizinhos desconhecidos”… não entendi.

    “viro o celular” – não consigo entender exatamente como… precisa ser mais claro aqui.

    “bidimensional, fino como asa de borboleta” – gostei.

    Essa parte, “Volto ao trabalho. Tudo se repete”, confunde. Fiquei pensando se nesse momento ele voltou a ser gente.

    “perpassam por meu corpo” – não precisado “por”

    “odores plásticos” – ?

    Gostei quando fala sobre “Injustiças, trapaças, negociatas, futilidades” porque me remeteu aos posts nas redes sociais, os reels que tratam desses temas.  

    Tiraria o “Naturalmente”, que para mim é mais uma palavra imprecisa; não diz o que quer dizer, ao menos eu não consigo definir e entender a opção por essa palavra no desfecho.

    Parabéns pelo texto.

  29. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Uma metamorfose inusitada que nos conduz a uma perspectiva também surpreendente, que é a do ponto de vista de um celular, no qual vemos se diluir a humanidade do protagonista. Personificar o aparelho levou a uma leitura massacrante e vazia, pelo instante do conto me fazendo olhar para o aparelho de outra maneira. Uma abordagem criativa, que requer uma releitura para confirmar o que se leu e se recuperar do impacto.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado Pedro Paulo.

  30. Mariana
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Eu li esse texto e pensei em Neuromancer, nos cowboys que acessavam o espaço cibernético… É engraçado pensar nas ficções científicas, livros do passado que pensam sobre um futuro que (quase sempre) já virou obsoleto. O conto é legal, trata sobre o contemporâneo e é bem escrito. Acredito que a penúltima frase foi um tanto dispensável, mas não apaga o brilho (metálico) do trabalho. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado, Mariana!

  31. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Metamorfose de um ser humano em celular? Ao invés do sujeito acordar transformado em um inseto, vira um telemóvel. Não me parece tão absurdo se comparar com a realidade atual. As pessoas também estão sendo facilmente (não diria naturalmente) substituídas e/ou descartadas. É tanta informação que acabamos nos tornando obsoletos, ultrapassados, e nem mesmo uma reiniciação dá conta de nos manter ativos e operantes. Triste.

    Enfim, o tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte!

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Muito obrigado pela ótima revisão e comentários

  32. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Metamorfose de um ser humano em celular? Ao invés do sujeito acordar transformado em um inseto, vira um telemóvel. Não me parece tão absurdo se comparar com a realidade atual. As pessoas também estão sendo facilmente (não diria naturalmente) substituídas e/ou descartadas. É tanta informação que acabamos nos tornando obsoletos, ultrapassados, e nem mesmo uma reiniciação dá conta de nos manter ativos e operantes. Triste.

    Enfim, o tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso.

    Não encontrei falhas de revisão.

  33. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Gostei da temática bem contemporânea. A linguagem, embora um tanto fragmentada, é interessante. O fragmento da linguagem combina com a confusão da consciência do protagonista metamorfoseado. Não gostei do “Naturalmente.”, o qual nem entendi muito bem o propósito. Fiquei em dúvida se o título me agradou, já que não é um adjetivo muito corrente.

  34. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Caramba, Bylaardt, que pesadelo terrível. Acordar assim, em rede, só processando e se trava o processo, é descartado e vai para o lixão. Puxa, essa distopia que você me apresenta pode vir a se tornar muito real… ou já faz parte da nossa realidade? Puxa, vivemos em rede, valemos enquanto fazemos parte da máquina, e, velhos, ou obsoletos, sem dó terminamos substituídos. Parabéns pela sua criação, gostei muito. Sucessos aqui no desafio e que essa realidade continue somente sendo pesadelo. 

  35. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Esquálido

    Tudo bem?

    Talvez esse conto figure no meu top-10. É um micro extremamente contemporâneo que nos apresenta a transformação de uma pessoa em um celular. Fala de hiperconectividade, obsolescência programada, disseminação de fake news. Tudo isso em menos de 99 palavras.

    Digno, bem executado e muito bem pensado.

    Parabéns pelo trabalho!

    Atenciosamente

    Givago

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Muito obrigado, Givago! Feliz que tenha se conectado com a mensagem.

  36. Nilo Paraná
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ola Byllaardt,

    muito interessante teu conto, me lembrou Tron, onde personagens são programas que atendem aos programadores. Gostei principalmente do final onde os obsoletos são descartados (semelhança com a humanidade ou futuro dela?) ou foi uma queima de arquivo? Dá margem para algumas elucubrações. Boa sorte na competição

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado, Nilo! Bom que você não descartou meu conto!

  37. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    O autor(a) com nome difícil fez uma releitura de Kafka, empilhando metaversos. Gostei da dubiedade entre homem e máquina, do fluxo das informações que sofremos e da descartabilidade de tudo. Parabéns. Boa sorte no desafio.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado, Cyro!

  38. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei muito do seu micro conto. O tema da metamorfose aparece quando o personagem principal, que é uma pessoa é absorvido pelo celular e aparentemente se transforma em um aplicativo. Pelo menos foi o que eu entendi no início mas no final parece que ele é o próprio aparelho celular. Isso ficou um pouco confuso para mim. A narrativa é bastante atual uma crítica ao nosso excessivo o uso da tecnologia. Até talvez uma crítica as relações descartáveis que existem nesse mundo líquido em que vivemos hoje.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Muito obrigado, Leo!

  39. Priscila Pereira
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Byllaardt! (Gosto de pesquisar o significado dos pseudônimos e tudo que achei do seu foi uma marca de cachaça 😅) Tudo bem?

    O micro revela como será o dia em que o ser humano se tornar um com a rede, achei muito profético!

    Você conseguiu expressar muito bem os “sentimentos” que restaram, a lembrança do que um dia já fora, e o nada que agora é. Gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado, Priscila. Fico contente que tenha gostado.

  40. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Gosto que o personagem não é humano. Gosto muito. Parabéns.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      muito obrigado, Ana!

  41. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que força! Esse texto consegue transmitir exaustão e despersonalização de forma intensa; a escrita prende e provoca desconforto, no bom sentido.

    • Byllaardt
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Byllaardt

      Obrigado Wilian!

Deixar mensagem para toniluismc Cancelar resposta

Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .