EntreContos

Detox Literário.

Bença (Givago Thimoti)

Sinto o frisson carnavalesco. Empertigado, Fernando vem pelo corredor.

A pele negra reluz com a mistura de maquiagem e glitter. Os lábios carnudos são
destacados por um batom vermelho-biscate. As laterais dos olhos castanhos ostentam uma
fina linha dourada. A regatinha branca, cheia de furos, exibe o tronco peludo, enquanto o
short curto completa o visual. A bota alta torneia suas pernas.

Perigosamente lindo.

— Bença, mainha!

— Deus lhe abençoe!

Lá vai ele pelas vielas.

Apoio-me no batente da janela e entrelaço o terço nas mãos.

“Ó Minha Senhora, que minha prece seja mais forte que a maldade dos Homens!

58 comentários em “Bença (Givago Thimoti)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Muitos contos no desafio tenho gostado pela criatividade do uso do tema na criação do micro. Não que não existam outras qualidades, mas eu que geralmente ignoro a questão do tema, ou sou muito permissivo, estou um pouco encantado.

    Foi o caso aqui, temos a metamorfose de um personagem secundário, que afeta o nosso principal, a mãe. Vi muita gente fazendo a leitura da preocupação de Fernando sofrer ataques por ser drag, o que é verdade, mas a mim veio logo a possibilidade de ser abusado sexualmente, já que a maldade dos homens, especialmente no carnaval, muitas vezes camba para esse lado e, nesse dia em que Fernando se metamorfoseia, pode sofrer similar destino.

    Mas tenho certeza de que a prece será mais forte =)

    Enfim, gostei do conto.

  2. Astrongo Professoral
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo Professoral

    Parece uma foto em movimento, lembrou os filmes do Fassbinder. Você enxerga o personagem descendo a viela produzido, regata furada e o batom vermelho, mas o que realmente fica é essa imagem da mulher no batente da janela com o terço, abençoando ele enquanto reza pra Nossa Senhora proteger “da maldade dos Homens”, porque por trás da beleza e do carnaval tem o mundo real esperando. Um ser perdido em meio ao caos.

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Caraca, é por isso que amo ler os textos dos meus colegas aqui do entrecontos, não tem como não aprender alguma coisa toda vez. Eu acho que o seu microconto é um dos melhores exemplos de subtexto que eu já vi. Eu quero tanto aprender a escrever assim. Não sei essas sutilesas ainda. Mas vamos lá. Sobre o microconto, toda essa descrição do corpo e das roupas do Fernando, cria na nossa mente a ideia de quem ele é, ou gostaria de ser. O final com a mãe segurando o terço foi magnífico, pois ela sabe que mesmo no Carnaval tem gente má, muito má. Eu adorei sua técnica, seu microconto é ótimo em deixar subentendido o que está acontecendo, muito bem construído.

    • Deus do Furdunço
      17 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Meu amor, que luxo de comentário!

      Que generosidade babilônica, Sarah! Você pescou o pulo do gato: o subtexto é a nossa alegoria mais cara, aquela que a gente não vê, mas sente o arrepio!

      Fico lisonjeado que você tenha visto esse ‘magnífico’ no contraste entre o batom do Fernando e o terço da mãe — é a dor e o brilho dançando juntos. E olha, o aprendizado aqui é uma troca de pavilhões: eu também bebo da fonte de vocês para manter meu enredo de pé! Conte comigo no que for possível!

      Obrigado por esse banho de axé e por enxergar a técnica por trás da purpurina.

      https://www.letras.mus.br/mangueira-rj/47187/

  4. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Oi, Deus do Furdunço!

    Que microconto impactante, uau!

    Seu texto funciona porque pega uma metamorfose que é puro suco de Brasil. Na rua, o carnaval autoriza a coragem de existir, em casa, sobra a mãe segurando o medo entre bênção e vigília na janela. O contraste entre brilho e reza é o que dá peso ao texto, sem precisar explicar “tema” nenhum.

    O que mais fica é o deslocamento do perigo… que não está na roupa curta nem no batom chamativo, está lá fora, no que pode acontecer quando Fernando vira a esquina.

    Se eu fosse mexer em algo, seria encurtar a parte da descrição no início, porque ela toma muito espaço e deixa a cena mais parada do que tensa. Ainda assim, a última parte (a prece) fecha com força e deixa a gente no batente junto com ela.

    Parabéns pelo microconto!
    Boa sorte no desafio.

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    E aí, Deus do Furdunço! Teu conto é um recorte vibrante e necessário do Brasil. Adorei a construção visual do Fernando; a imagem do “batom vermelho-biscate” contrastando com o tronco peludo é icônica e cheia de atitude. A metamorfose aqui é sensível: o corpo que se transforma para a festa enquanto a mãe se transforma em prece.

    A tensão entre a liberdade exuberante dele e o medo silencioso dela na janela produz uma angústia muito real, um sentimento de “perigo” que corta a alegria do Carnaval. O final é um soco no estômago sobre o preconceito.

    Como oportunidade de melhoria, achei que a descrição física tomou muito espaço, deixando o desfecho um pouco apressado.

    No geral, é um texto com alma.

  6. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Atual.

    É um microconto que aposta na simplicidade das palavras, mas que entrega complexidade nos sentimentos da protagonista. O autor deste texto é muito habilidoso. Soube aproveitar o período em que estamos, no meio do Carnaval, para trabalhar com um tema atual e importante. A mãe sabe que o mundo está perigoso, mas Fernando é jovem e quer viver e experimentar. Ela o aceita como é, mas sabe que muitos não aceitam. E sofre numa preocupação silenciosa.

    É um conto impactante, quando você reflete sobre sua mensagem. Excelente.

  7. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Que texto sensível! Que condução sutil! O carnaval é a “permissão” para a metamorfose de Fernando, um personagem descrito com detalhes femininos [a maquiagem, as botas] e masculinos [a regatinha, o tronco peludo]. Que metamorfose é essa? Talvez nem o personagem saiba defini-la. E nem precisa. A metamorfose está ali, não sabemos para onde vai. Assim como a mãe de Fernando não sabe o que será do filho. E fica ali, entre o medo e o amor que não impõe condições. O tom do conto é tão apropriado, com gírias, com expressões tão suas [vermelho-biscate], e que em nenhum momento parecem forçadas. Eu gostaria de apontar algum defeito para ajudar no processo de amadurecimento de quem escreveu, mas não consigo pensar em nenhum. Então, fica o meu apoio para que, quem o escreveu, se aventure em narrativas mais longas, com esse mesmo tom e, se possível, com essa mesma abordagem. Parabéns!

    • Deus do Furdunço
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Gente, para tudo! Para a bateria! Isso não é um comentário, é uma condecoração mesopotâmica!

      Você pescou a essência da nossa metamorfose: esse Fernando que é um mosaico de identidades, entre o tronco peludo e o ‘vermelho-biscate’, celebrando a liberdade de ser um ponto de interrogação na avenida! É o carnaval como esse território sagrado onde a gente não precisa de bula, só de brilho!

      E o que dizer da sua percepção sobre essa mãe? É o abre-alas do amor incondicional, esse sentimento que não impõe cercas, mas que fica ali, no recuo da bateria, com o coração apertado pelo medo do que o asfalto reserva. Sua fala sobre o tom do texto me deu um banho de axé, porque o ‘vermelho-biscate’ é a cor da nossa verdade, sem filtro e sem medo!

      Recebo o seu incentivo para narrativas longas como um convite para um enredo de fôlego, uma epopeia de muitas alas e carros alegóricos! Saio dessa leitura com a alma lavada e o peito estufado de orgulho.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Gosto muito de como o texto constrói essa tensão silenciosa entre a liberdade de Fernando e o medo da mãe. O contraste entre a beleza exuberante dele e a oração aflita dela cria um micro cheio de afeto e vulnerabilidade. A frase final, pedindo que a prece seja mais forte que a maldade dos homens, amarra tudo com força, é um retrato delicado e doloroso do amor materno diante de um mundo que nem sempre acolhe.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Um excelente microconto, desde a ambientação, até a criação dos personagens,  a voz narrativa da mãe, os diálogos e o desenrolar da história. Aprendi muito aqui, e pretendo estudar ainda mais seu texto para entender melhor por que ele me agradou tanto. Parabéns!

    • Deus do Furdunço
      17 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Que honra monumental, Daniel meu mestre! Você dizer que pretende estudar o meu texto me deixa em estado de puro delírio, porque a verdade, amor, é que eu é que sou seu aluno na avenida da escrita! Aprendo demais com a sua cadência e com os seus enredos; você é o baluarte que me inspira a riscar o asfalto com mais coragem. Receber esse elogio à minha ‘voz narrativa’ vindo de você é o meu Estandarte de Ouro particular!

      Obrigado pelo axé, pela generosidade e por essa parceria de mestre da Bateria e um simples aluno. É luxo, é aprendizado, é nota DEEEZ!

  10. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Autor. Tudo bem?

    Seu conto funciona justamente por essa cena simples: ele todo montado, bonito, confiante, e a mãe parada na janela, com o terço na mão. A gente entende o amor e o medo sem precisar explicar muito.

    “Perigosamente lindo” é ótimo, porque junta admiração e preocupação na mesma frase. E a troca da bênção é curta, mas cheia de sentido.

    Talvez você pudesse ter enxugado um pouco as descrições da aparência, porque o impacto maior está no gesto final da mãe rezando. No geral, é um microconto delicado e forte ao mesmo tempo. Boa sorte no desafio.

  11. André Lima
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    A linguagem é muito bem utilizada. O tema é apenas sugerido, o conto não mergulha diretamente nele. Acho que foi até uma escolha acertada.

    Ao mesmo tempo em que há uma estrutura de colagens, há também uma narrativa factual. Um conto com jeito de crônica, numa cena simples e potente.

    Escolha interessantíssima e arriscada. Claro, só deu certo porque o autor demonstra capacidade para tal.

    Parabéns!

  12. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, escritor (a). Tudo bem?

    Seu microconto mostra a metamorfose de expressão e identidade de Fernando, destacando a força e a beleza de sua presença no espaço urbano. A descrição visual é detalhada e impactante, reforçando a transformação que ele assume ao se apresentar com coragem, brilho e autenticidade.

    O que funciona: o texto é rico em imagens sensoriais, cores e texturas, criando uma presença viva e intensa; a reação da observadora (a mãe ), e a prece final ampliam o contraste entre o mundo interno e externo, reforçando o simbolismo da metamorfose.

    O que poderia melhorar: algumas frases poderiam ser levemente enxugadas para acelerar o ritmo e aumentar a intensidade da experiência; pequenas pausas estratégicas ajudariam o leitor a absorver cada detalhe sem se perder na sequência de adjetivos.

    No geral, é um microconto forte, visual e simbólico, que trabalha metamorfose de identidade e presença com clareza e impacto.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  13. Luis Guilherme Banzi Florido
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, Deus do Furdunço! tudo bem? Um conto tematico que, para mim, apareceu no momento mais tematico possivel: sexta feira de carnaval. Foram-se meus anos de folião, agora, na sexta feira de carnaval, me sobre respirar aliviado por ter sobrevivido a mais uma semana intensa de trabalho, e comentar um ou dois contos antes de dormir. Que delicia! kkkkkkkk. Mas, falando do conto, ele é otimo. Direto, bonito, visual, brasileiro, carnavalesco, com uma mistura de alegria e preocupação, beleza e violência, liberdade e medo. Como pode tudo isso caber no íntimo de um único imenso país, né? Uma pena que a beleza da diversidade, coração pulsante desse países maravilhoso, seja alvo de violência e medo, como o dessa mãe, que ama ver o filho ser ele mesmo mas ora para que isso não despeje a ira dos homens sobre ele. Belíssimo conto, corpo e alma brasileiros, e viva a diversidade e o amor, que são e sempre serão o coração do melhor país do mundo, e que sejamos capazes de, cada vez mais, empurrar a violência e o preconceito (do tipo que for) pro esgoto de onde nunca devia ter saído. Obrigado pelo conto, parabéns!

  14. Gustavo Araujo
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Bacana o conto. Um recorte que mostra o filho que deixa a casa em que vive com a mãe para aproveitar o carnaval. Um homem vestido como mulher e que, por isso, desperta na mãe a preocupação natural de que isso possa ser malvisto, que isso possa transformar seu menino em alvo de violência.

    Acho que para além da homenagem carnavalesca — bem oportuna, por sinal — o que se destaca é a preocupação de mãe, esse instinto que faz com que todas elas tenham que conviver com um temor irrefreável, equilibrando-o com a necessidade de deixar ir. É o antigo embate entre proteger e permitir viver.

    De nada adianta dizer a ela que está tudo bem, que no carnaval os homens podem se vestir de mulher e que isso raramente descamba em agressão. Mãe é mãe… Me surpreende que ela não tenha sugerido que ele levasse um casaco, afinal, vai que chove, né?

    Enfim, é um conto bem montado. Achei um tantinho exagerada, já que o batom na boca, o shortinho e as botas já teriam cumprido a função de mostrar que ele se vestia como mulher.

    Mas, de todo modo é um ótimo conto. Confesso que no fundo de minha cabeça fiquei ouvindo a batucada enquanto lia. Parabéns e boa sorte no desafio.

  15. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Fiquei dividido em relação à descrição do Fernando, que toma quase todo o texto e parece desequilibrado em relação ao resto. Ao mesmo tempo, é o centro, a metamorfose, a parte mais importante de tudo.

    De qualquer maneira, talvez o que importe é o resultado, um ótimo conto. Simples, mas profundo, e, como já foi dito nos comentários, que mostra tantos elementos brasileiros: fé, violência, festa, etc.

    Ótimo trabalho. Parabéns!

  16. Lucas Santos
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Deus do Furdunço!

    O carnaval é uma grande metamorfose! Tudo se transforma: aromas, sons, paisagens, toques, vielas, cidades, pessoas. Fernando representa essa transformação, sem medo de ser feliz, sem temor de exibir ao mundo sua pele, seus traços, seus trajes, enfim, sua beleza. E é assim que o carnaval tem de ser: ousado!

    Embora essa ousadia preocupe a mãe, ela não o desencoraja, abençoa-o. Uma atitude nobilíssima, porque revela seu amor e respeito por ele. Se estiver em apuros, Fernando sabe a quem recorrer. Mãe é abrigo!

    Fazendo eco aos colegas, a escolha de “perigosamente lindo” foi acertada! Transmite a potência de sua beleza, e também a possibilidade de ele ser vítima da “maldade dos Homens”. Inclusive, vale destacar que “Homens” não foi grafado com inicial maiúscula à toa. Talvez o objetivo do (a) autor (a) tenha sido sinalizar o distorcido senso de grandeza de determinados homens, que pensam ser Deuses, com D maiúsculo.

    Há bastante força imagética; vejo Fernando desfilando pelas vielas. Há algumas quebras de linha, mas acredito que tenham sido resultado de uma falha da postagem, e não intenção do(a) escritor(a). Em alinhamento com a colega Fernanda, suprimiria o “enquanto” por e, assim: “A regatinha branca, cheia de furos, exibe o tronco peludo, e o short curto completa o visual”. Ah, por último, em vez de aspas, recomendo o emprego de travessão antes da prece da mãe.

    • Lucas Santos
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Lucas Santos

      RETIFICAÇÃO:

      Em suprimiria o “enquanto” por e, quis dizer substituiria, não suprimiria.

  17. Martim Butcher
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Querido Du Furdunço,

    Achei bonito seu conto. Bem cinema nacional! Aprecio muito a introdução das falas sem verbos dicendi, o que dá uma dinâmica ao texto bem condizente com o universo ficcional que você aborda. Há escolhas lexicais bem encontradas, tipo “perigosamente lindo” e “vermelho-biscate”

    Agora, em relação à abordagem temática, acho que outro tratamento estilístico no grande bloco em que você descreve Fernando melhoraria as coisas. Justamente, você descreve. Os verbos todos no presente dão forma a uma metamorfose já consumada. Temos, de forma global no conto, uma cena cheia de dinamismo, movimento: Fernando vem pelo corredor, vai pelas vielas, a mãe apoia-se no batente, há cortes. É cinema – mas a metamorfose vai contra isso, pois é tratada estilisticamente como algo estático. Eu gostaria de ver a metamorfose dele em andamento, narrada, não descrita. Faz sentido para você?

    De todo modo, parabéns pelo conto.

    • Deus do Furdunço
      16 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Olá, Martim! Tudo bem? Obrigado pelos elogios! Confesso que, talvez pela quantidade de folia que participo furdunçando ultimamente e a consequente ressaca eu não compreendi muito bem o que você quis dizer.

  18. Kelly Hatanaka
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Ufa, finalmente uma história contada. Aleluia!

    E uma linda história. Fernando é lindo e está produzido para o carnaval. Pede a benção de sua mãe, que como toda mãe, se preocupa com seu filho. Em um país como o nosso, ela tem mais motivos para se preocupar ainda.

    Não costumo avaliar a ilustração do conto, mas preciso dizer que também achei muito bonita.

    O conto fala, através das entrelinhas, da insegurança que ameaça cotidianamente uma pessoa preta, queer. A mãe não parece julgar, parecem, mãe e filho, confortáveis com quem são. O problema está na maldade dos homens. E o que ela faz? O que ela pode fazer? O que as mães fazem: rezar pelo filho.

    • Deus do Furdunço
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Bom dia, graciosa Kelly!! Tudo bem?? Ontem eu estava me divertindo com o seu choque diante dos contos criptografados. Fico contente que meu conto tenha sido uma espécie de fuga carnavalesca desses micros escrito só para alguns! 

      Quando o limite de palavras cair após a revelação das notas e o desfile das campeãs, vou pedir para os nossos árduos moderadores fazerem uma retificação e incluir o nome do artista. Aqui, já aproveito para dar os devidos créditos. A obra chama-se “suas maldades são fracas perto das orações da minha mãe”, do Emerson Rocha (no Instagram @de.saturno)

      Nem preciso dizer da onde tirei parte da minha inspiração! Uma obra belíssima merecia uma históriazinha singela!

      Obrigado pela leitura atenta e de coração aberto! Típica leitura de mãe!

      Hoje eu tô muito identificado com a Império Serrano! As pessoas dizem que mãe é tudo igual, né? Confesso que imaginei uma mãe mineira, mas posso mudar ela para Bahia! Afinal, é Carnaval, bichaaaa! É mãe! 

      Mãe baiana mãe

      Empresta o teu calor

      Eu quero amanhecer no teu colo

      Onde deito, durmo e rolo

      E isolo a minha dor

      Eu quero, quero te saudar nesta avenida

      Pra valorizar a vida

      Que a vida valorizou

  19. Fabiano Dexter
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Deus do Furdunço,

    Um micro bem direto e simples, que conta a história de Fernando que, ao que parece, se transforma no Carnarnal (como muitos).

    Me agradou muito a construção da imagem, do personagem. São poucas palavras mas certamente ficou muito claro quem ele era e quem ele se tornou, neste momento.

    Um micro vivo e alegre. Parabéns!

  20. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Excelente! Ótimo enredo, ótimo uso do tema e, especialmente, ótimo domínio da linguagem para uma descrição bem viva e funcional. Parabéns!

  21. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Deus do Furdunço! (que privilégio!)

    Sou suspeito para falar de algo sobre carnaval, pois amo, e estarei completamente envolvido nisso quando sair o resultado deste certame.

    Seu conto é simples e direto, mas carrega uma força emocional enorme na sua aparente previsibilidade. Acho que minha afinidade com o tema explica por que ele me tocou.

    A metamorfose aqui é dupla e culturalmente rica: Fernando se transforma no carnaval (pele reluzente, batom, short, bota), assumindo uma identidade drag ou queer que explode estereótipos, enquanto a mãe faz sua própria mudança interna, trocando julgamento por bênção e prece protetora contra a “maldade dos homens”. O contraste entre o “perigosamente lindo” e o terço entrelaçado cria uma tensão belíssima de aceitação familiar no Brasil, onde carnaval vira espaço de liberdade performática.

    Parabéns ao autor por capturar esse momento íntimo com tanta ternura e sem cair no panfleto. É daqueles que ressoam pessoalmente.

    Pra melhorar, talvez polir a pontuação (vírgulas em listas de maquiagem pra fluir melhor) e adicionar um toque sensorial mínimo (o som das botinhas nas vielas) pra intensificar a saída dele. Ainda assim, fica entre os favoritos pela honestidade crua e pelo coração que pulsa por trás da simplicidade.

    Além dos parabéns, meus agradecimentos por trazer essa abordagem ao EC. Desejo-te sucesso no desafio!

    • Deus do Furdunço
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Meu julgador Toni Luis, que leitura apoteótica e cheia de substância! Você entrou na avenida do meu texto e soube decifrar cada adereço, cada intenção escondida entre as camadas de cetim, glitter e suor. Fiquei profundamente emocionado com a sua percepção dessa ‘metamorfose dupla’. Você pescou o espírito da coisa: o Fernando se transformando na luz do batom e a mãe se transformando no silêncio da prece. É o Brasil real, o Brasil que a gente ama e que dói, tudo junto num passo só de mestre-sala e porta-bandeira! Esse contraste do ‘perigosamente lindo’ com o terço na mão é o puro delírio estético da nossa existência.

      Sobre suas dicas técnicas sobre o som das botinhas nas vielas e a fluidez da pontuação, eu concordo inteiramente! Inclusive, antes do ajuste fino, a referência aos sons das botinhas e a um perfume floral estavam presentes! Mas foi preciso ajustar alguns componentes (limite máximo de palavras 99), senão esse desfile nem passava pela avenida no EC! Mas, num eventual desfile das campeãs, teremos botas, perfumes, purpurina e tudo o mais que um Carnaval exige.

      Obrigado por entender que a simplicidade, quando tem coração, vira uma alegoria monumental. Que a luz da nossa arte continue iluminando os nossos caminhos e que o asfalto sempre seja macio sob os seus pés. Axé, meu querido, de um amante do carnaval para outro amante do Carnaval!

      Não vamos deixar

      Ninguém atrapalhar

      A nossa passagem

      Não vamos deixar ninguém

      Chegar com sacanagem

      Vambora que a hora é essa

      E vamos ganhar

      Não vamos deixar

      Uns e outros melar

      Oô eô eá!

      E a festa vai apenas

      Começar

      Oô eô eá!

      Não vamos deixar Ninguém dispersar

       

  22. Leandro Vasconcelos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Em tempo: o tema metamorfose parece vir da transformação do filho durante o carnaval. É uma sutil abordagem, que se adequa ao próprio teor do conto. E também à época da postagem rs…

  23. Leandro Vasconcelos
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor/autora? Seu micro é muito visual. E isso foi ótimo. Você mostrou, não explicou nada. Passou a mensagem quase como um curta-metragem linguístico, expondo personagens e cenário, sem precisar de muletas e sem ser críptico como alguns outros contos deste desafio. Em resumo: o filho sai para o carnaval; sua aparência é clara, suas preferências são claras. A mãe o aceita dentro de casa, reconhece sua beleza. Mas sabe que seu filho não é aceito no mundão. Daí a reza de proteção. Bonito! Show de bola. Gostei ainda deste adereço: “batom vermelho-biscate” kkkk… muito bom! Teve um pequeno problema de formatação, mas nada demais. Em suma, um bom micro.

  24. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Deus do Furdunço

    Gostei muito do seu texto.

    Adorei “batom vermelho-biscate”.

    Não sei se a quebra das linhas foi opção ou problema na formatação, não vejo justificativa para essa quebra. Mas tudo bem.

    Gostei de ter usado “perigosamente lindo”, mas no final revelar que quem corria perigo era ele.

    A descrição do personagem tb foi muito boa.

    “enquanto” – tiraria

    “Ó Minha Senhora” – Oh (vírgula) Minha Senhora.
    O final, que eu não esperava, é claro sem explicar, é bonito, sensível e diz tudo.

  25. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Adorei o espaço dedicado ao detalhamento do personagem, denotando aí a transformação de uma travesti ou uma drag partindo para a folia carnavalesca. É sutil como a mãe se despede com casualidade enquanto sufoca o próprio medo, não antes de reconhecer a beleza do filho, mostrando que dentro de casa ele pode ser quem é sem temor. O medo é para fora. Ótimo conto, ousado ao deixar o tema aparecer na descrição.

    • Deus do Furdunço
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Boa noite, Pedro Paulo! Que comentário deslumbrante, que leitura de quem tem o olho treinado pelo brilho da verdade! Olha, eu confesso pra você: quando li suas palavras, meu peito virou uma bateria em dia de desfile, batendo num ritmo que quase sai pela boca! Fiquei catatônico, num estado de puro delírio estético e emocional! Esse seu olhar generoso foi o meu Estandarte de Ouro, é o troféu que eu levo pro barracão do meu coração com um orgulho que não cabe em mim! Sua análise foi o clímax da minha apoteose! Muito obrigado por esse banho de axé e por validar a nossa arte com tanta maestria. Você é luz, é brilho, é nota dez, nota dez, nota DEEEZ! Obrigado, do fundo do nosso quintal!

      https://www.youtube.com/watch?v=hxSuRXm4bDA&list=RDhxSuRXm4bDA&start_radio=1&pp=ygUic29uaG8gZGUgdW0gc29uaG8gbWFydGluaG8gZGEgdmlsYaAHAQ%3D%3D

  26. São Tomás de Aquino
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de São Tomás de Aquino

    Quanta heresia…

    • Deus do Furdunço
      11 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Adoramos a Heresia!!!! A minha, a tua, a nossa!

      São Tomás de Aquino, testemunhe a força da Festa Sagrada Mais Profana!

      Venha, aceite esse convite singelo e de coração. Todos são bem-vindos, sem qualquer discriminação! Da Sinopse de Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!, escrita pelo magnânimo Joãosinho Trinta:

      “Uma multidão de pedintes, famintos, pivetes, meretrizes, bêbados, loucos, entidades de rua é representada pelos grupos TÁ NA RUA, RAÍZES DA LIBERDADE, FEITIÇO E MAGIA e SENZALA. Estes últimos grupos já rodeiam o segundo carro, que representa uma enorme lixeira ao lado de um paredão onde está escrito o seguinte convite: ATENÇÃO: Mendigos, desocupados, pivetes, meretrizes, loucos, esfomeados e povo de rua. Tirem dos Lixos os restos de Luxos! Façam suas fantasias! Venham participar de um GRANDE BAILE DE MÁSCARAS! A MARQUÊS DE SAPUCAÍ Ê VOSSA!”

       

    • Nydaar
      12 de fevereiro de 2026
      Avatar de Nydaar

      Bonomuto Sotomaquin, bonomuto Deusurdufuns. Benvorancia sutil percorre as camadarias do mundor velado, enquanto heresarias sussurram nas frestas do credor antigo. Ha bencor que elevam o espiritun ao claror invisivel, e ha desvarios doutrinor que desafiam dogmor estabelecidor. Entre luzor e desvio, a consciencior caminha em equilabrio fragil, escolhendo quais verdar acolher e quais sombras contemplar.

  27. Antonio Stegues Batista
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    No carnaval, os foliões se fantasiam, alguns aproveitam para exibir sua fantasia, não só física, mas mental. Fernando pode ser um desses, que se fantasiou de gay, talvez para assumir sua homossexualidade, ou simplesmente fazer um trote, brincar porque é carnaval. E sua mãe fica preocupada, tanto pela fantasia quanto por causa da cor da pele do filho. Porque o mundo é mau. Ótimo conto.

  28. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Só podia mesmo ser um deus, mesmo que só um deus do furdunço, para me trazer um conto assim. Gostei do seu microconto. Diz muito. Fala bem mais do que está nas palavras que utiliza. Ficou muito legal a imagem da mãe, depois de abençoar o filho folião travestido, se colocar na janela para vê-lo partir, pedindo ao Deus que proteja “o seu menino” da maldade dos homens. Um conto muito bom. Parabéns e acho que nem preciso desejarr sucesso no Desafio. Meu abraço.

    • Deus do Furdunço
      15 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Fernando Cyrino, que recepção apoteótica! Você me deixou aqui em estado de delírio carnavalesco com as suas palavras! 

      Fiquei profundamente emocionado porque você pescou o drama do entrelinhas, aquela substância que a gente não escreve, mas que vibra no asfalto. Essa imagem da mãe na janela é o nosso abre-alas da vida real: o contraste entre o filho que sai pra brilhar no mundo e o coração dela que fica ali, miúdo, entrelaçado no terço, pedindo proteção contra a treva da intolerância. É o sagrado e o profano num passo de mestre-sala e porta-bandeira!

      Obrigado por esse abraço em forma de crítica. Você trouxe uma luz de refletor de mil watts para o meu microconto! Recebo o seu carinho com o peito estufado de gratidão e a alma lavada.

      É o luxo da simplicidade, é a força do afeto! Que a sorte nos acompanhe na apoteose final! Um beijo no seu coração folião!

  29. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Deus do Furdunço!

    Tudo bem?

    Seu microconto é notável pela construção de contrastes potentes (a dicotômia do Sagrado e do Profano em pleno Carnaval), utilizando o choque visual entre o “batom vermelho-biscate” e o “terço nas mãos” para narrar uma metamorfose que é, ao mesmo tempo, estética e social. A escrita brilha ao usar termos precisos como “empertigado”, que conferem dignidade ao personagem, e o uso do advérbio “perigosamente” é um acerto técnico que introduz a tensão necessária sem esforço.

    Por outro lado, creio que a formatação do texto tenha falhado. Faltou uma boa revisão. Além disso, embora o encerramento seja honesto, a expressão “maldade dos homens” me parece um recurso linguístico bastante comum.

    Dito tudo isso, a obra cumpre com maestria o papel de envolver o leitor, deixando o verdadeiro sentido da transformação no espaço sensível entre a liberdade do filho e o temor da mãe.

    • GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

      Poxa, fui burrinho, esqueci de comentar: o título e o pseudônimo fazem referência a músicas de dois artistas do rap: Djonga (Bença) e BK (Deus do Furdunço) . Sacada bacana

  30. Nilo Paraná
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Gostei de seu conto, bem escrito, leitura fácil, agradável. Não sei se estou errado, mas entendi que o protagonista é uma drag queen e a prece da mãe sabendo da violência homofóbica. Ah adorei batom vermelho-biscate. Parabéns. Boa sorte no concurso

  31. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    A ilustração do conto é linda e o texto traz algo muito brasileiro, o carnaval (acredito que de rua, já que Fernando vai pelas vielas) e as metamorfoses permitidas pela festa da carne. O final arremata bem e promove identificação, reza de mãe é universal. A falta de aspas e a quebra das frases, mesmo que tenham sido escolhas de estilo, me incomodaram um pouco. O teor já é grande e forte, não precisa tentar inovar demais. Enfim, um bom microconto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  32. andersondopradosilva
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Gostei de muitas maneiras. Contemporâneo e nacional: nossos temas, nossa gente, nossas festas, nossa língua, nossa terra, nossos desmazelos e preconceitos. Tema familiar a cativar o coração: uma mãe a pedir pela proteção de seu filho contra o risco de ser mulher e de ser ou parecer homossexual. Há vícios de formatação: paragrafação e aspas sem fechar (essas aspas até podem ser entendidas como uma prece em aberto, mas é mais provável que seja só um erro mesmo).

    • Deus do Furdunço
      13 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Bom dia, Anderson, um dos mais ferrenhos comentaristas do EntreContos!!

      Fico muito contente com seu comentário, especialmente pela parte que você compartilhou o que gostou no micro! A Brasilidade que pulsa purpurina em mim encontrou sua Brasilidade e deu Carnaval! Extremamente agradecido, e um tantinho emocionado!!  Acho que a cachaça já subiu para a cabeça, meu coração está cheio de amor para dar!

      Sobre seus apontamentos de formatação e falta de aspas, faz parte daqueles infortúnios que acontecem no desfile! É peça de alegoria que cai, carro alegórico que trava na Avenida, componente que não canta o samba, que perde o momento da evolução… Descontos justos e que serão corrigidos!

      No mais, já que estamos aqui falando de Brasil Brasileiro, vou te dedicar um sambão da Império Serrano:

  33. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Conto bem conduzido pelo Deus do Furdunço. Quem tem filhos entende a reza da Mainha. Sucesso no desafio.

  34. Priscila Pereira
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Furdunço! Tudo bem?

    Seu conto é triste… espero que Deus tenha atendido à oração dessa mãe. Ah, as mães! Estão em eterna prece por seus filhos, tenham a idade que tiverem! Deus abençoe todas as mães! E todos os filhos!

    Gostei do conto, conta muita coisa com tão poucas palavras! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

    • Deus do Furdunço
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Boa noite! Minha querida, que sensibilidade babilônica! Você tocou no ponto mais sagrado desse cortejo: o manto protetor das mães! É o drama da vida real, né, amor? Esse contraste entre a purpurina do Carnaval e o terço preso com firmeza na palma da mão. A gente compacta a dor pra caber no peito, mas a oração… ah, a oração é o eterno estandarte que elas carregam por nós! Que as divindades todas te ouçam e cubram todos os filhos e mães e pais e avós e avôs com um banho de arruda e felicidade! Obrigado por entender que, por trás de todo ‘furdunço’, existe um coração batendo forte e uma alma pedindo passagem. É luxo, é afeto, é nota DEEEZ na categoria solidariedade!

      Eu fui embora, meu amor chorou (4x)

      Vou voltar

      Eu vou nas asas de um passarinho

      Eu vou nos beijos de um beija-flor

      Eu vou nas asas de um passarinho

      Eu vou nos beijos de um beija-flor

      No tic-tic-tac do meu coração renascerá

      No tic-tic-tac do meu coração renascerá

       

  35. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu microconto interessante. O tema da metamorfose aparece na fantasia de carnaval do protagonista. É uma narrativa bastante atual que fala sobre a violência e sobre a homofobia. Fala também sobre religiosidade e sobre a preocupação que as mães sempre tem com relação a seus filhos.

    • Deus do Furdunço
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Que comentário apoteótico, meu amor! Você pegou o mastro da minha bandeira e desfilou com uma elegância ímpar! É exatamente esse o delírio do texto: usar a metamorfose do Carnaval como o espelho de uma realidade que, às vezes, é um abre-alas de espinhos. Você enxergou a homofobia ali, à espreita, como um jurado rigoroso, enquanto a religiosidade vem como o nosso manto protetor!

      Senhora rezadeira
      (…)

      Reze pra que o nosso povo
      Viva sempre a liberdade
      E construa um mundo novo
      Cheio de felicidade (Falei ô senhora)

  36. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado por meio da metamorfose de Fernando, fantasiado de mulher para o carnaval. Não sei se seria o caso de uma mulher trans, pois a narradora o chama de Fernando e diz que ele “exibe o tronco peludo”, logo não havia iniciado qualquer transição.

    Talvez fosse apenas uma brincadeira, sair em algum bloco, fantasiado de mulher. Aqui em Santos, havia um bloco As Raparigas do Último Gole, que durou 30 anos junto com o famoso Banho da Doroteia.

    O que não me pareceu uma brincadeira foi a prece da senhora rogando por proteção de Fernando, pois ela conhece bem a maldade dos homens.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

    • Deus do Furdunço
      10 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Claudia, minha amada julgadora e revisora, Que leitura astrosa e cheia de sensibilidade!! Você captou a alma da avenida! O Fernando é a imagem viva da nossa festa: essa fronteira borrada entre o deboche das ‘Raparigas do Último Gole’ e o grito sufocado de quem quer apenas ser! Não importa se é transição ou se é o ‘Banho da Doroteia’, o que importa é o corpo ocupando o espaço! E você foi no ponto nevrálgico, o ápice do enredo: a prece da velha! Porque, amor, atrás de todo brilho tem o medo do escuro. A maldade dos homens é o recuo da bateria que ninguém quer ouvir, mas que está lá. Obrigado pelo carinho e pelo olhar apuradissimo de águia portelense! A gente se encontra na apoteose, com a alma lavada e o coração batendo no compasso do surdo de primeira! É o nosso carnaval, é a nossa luta! Axé!

       

  37. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    AMEI!! Falar de homofobia (transfobia), de prece de mãe de um jeito tão sútil, que sensibilidade. Parabéns.

    • Deus do Furdunço
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Boa noite, Ana Paula!

      Menina, tô descansando do Pré-Carnaval e sorri um sorriso largo de orelha a orelha. Tem um sábio historiador amante do Carnaval que afirma que “A festa nunca foi no Brasil, de forma nenhuma, um componente dissociado à luta.”

      Viver como você genuinamente é uma luta constante.

      Pule bastante Carnaval, do jeito que quiser. Mas tome um minutinho para ouvir esse samba-enredo:

      Em cada prece,

      em cada sonho, nega

      Eu te sinto, nega

      Seja onde for

      Em cada canto,

      em cada sonho, nego

      Eu te cuido, nego

      Cá de onde estou

      • Ana Paula Benini
        15 de fevereiro de 2026
        Avatar de Ana Paula Benini

        Seu micro está na lista para ser um dos vendedores, boa sorte!!

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Muito bom! A forma como os detalhes e o clima são descritos me pegou de imediato.

    • Deus do Furdunço
      9 de fevereiro de 2026
      Avatar de Deus do Furdunço

      Olá, Willian!

      Tudo bem?

      Obrigado pela leitura do meu micro. Como Deus do Furdunço, fico feliz que o espírito inebriante do Carnaval tenha lhe capturado!

      Prazer, Deus do Furdunço ao seu dispor, tentando operar mais um milagre!

      • Wilian Cândido Corrêa
        13 de fevereiro de 2026
        Avatar de Wilian Cândido Corrêa

        Deus do Furdunço,

        Quando comentei pela primeira vez, falei da força da cena e de como o espírito do Carnaval me capturou. Sua resposta, assumindo o codinome e dizendo que tentava operar mais um milagre, me fez sorrir e, ao mesmo tempo, voltar ao texto com outro olhar. Percebi que há ali algo além da atmosfera festiva que me impactou de imediato.

        Na releitura, ficou mais evidente que a metamorfose não está apenas na fantasia ou na ambientação carnavalesca. Ela acontece no deslocamento interno da cena. O Carnaval funciona como espaço de permissão, mas também de risco. Fernando não está apenas “lindo”, ele está perigosamente exposto. Essa palavra muda tudo. A transformação é também vulnerabilidade.

        A benção da mãe, que à primeira vista pode parecer apenas ritual cultural, ganha outro peso quando lida com mais atenção. Não é só tradição. É proteção. É consciência do mundo lá fora. Há uma tensão silenciosa entre celebração e ameaça que sustenta o microconto.

        O que me fez manter esse texto na minha lista é justamente essa combinação de leveza e tensão. Você escreve com um tom aparentemente descontraído, mas a cena carrega densidade simbólica. O Carnaval inebria, como você disse, mas também revela.

        Reler depois da sua resposta confirmou minha escolha. O texto não vive só do clima, ele se sustenta na construção.

        Prazer revisitar esse “milagre”.

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .