Nicete desejava saber se Litério, seu marido, ainda tinha quentura nos lábios. Da boca dele, só recebia resmungos e reclamações.
A solidão dela transbordou em um aneurisma; no velório, Litério encarava a morta em silêncio. O correr dos dias lhe mostrou que lar de homem sozinho é pior que um caixão. Esperou a noite sem estrelas. Ninguém reparou na terra revirada ao amanhecer.
Litério não demorava mais no bar. Passou a ir rápido para casa, apaixonado pela brancura rija que um dia foi Nicete. Feliz, admirava a sua esposa que se transformou em relíquia.
Esse texto funciona muito bem; a narrativa mistura ironia e intensidade emocional de forma impactante.