EntreContos

Detox Literário.

Quando o adeus não machuca (Regina Ruth Rincon Caires)

Dia sim, dia não, a peleja se repetia. De casa, até pisar na estação do trem, era um bom pedaço, e eu sempre chegava esbaforido. Esperava o trem iniciar o movimento de partida e, furtivamente, subia pela escada lateral. Tinha pavor do risco. Não via a hora de me aninhar num canto do teto e abrandar o tormento. O coração ficava aos pulos.

E, nem bem me acomodava, já sofria com a preocupação da volta. A mochila estaria pesada e, então, a dificuldade dobrava de tamanho. Pra mim, era difícil administrar sentimentos tão incombináveis. Lidar com a alegria de conseguir os alimentos e o medo de ser mais um número na estatística dos desaventurados mortos. 

Aquela baderna que os “surfistas” aprontavam, pulando entre os vagões de maneira aluada, dava agonia, acabava com o meu sossego. Evitava olhar. Sentado, metia a cabeça entre os joelhos e implorava para que o trajeto fosse rápido. Eu não compreendia o desapego daqueles aventureiros, agiam feito loucos, destemperados.

Tentava esquecer as inúmeras vezes que testemunhei mortes. Sofria, com recorrentes pesadelos, vendo os rostos apavorados de moleques que perdiam membros estraçalhados nos pilares e nas pontes que cruzavam a linha. Inconsequentes, eles desafiavam o espaço, o tempo, a sorte. E quantos foram derrotados.

Hoje, particularmente, sinto um afago no peito. Aqui, encolhido, faço a última viagem, de ida, no teto do trem de subúrbio. É chegada a hora do adeus. Um alento. Não terei mais a tarefa de buscar alimentos no expurgo do mercadão.

Foram anos e anos de conversa, de discussão. Eu não aguentava mais ouvir as súplicas da mãe e as falas berradas do pai. Sujeito teimoso! E sempre torcia para que a mansa persistência dela derrotasse o desvario do matuto. Aqui nunca foi nosso lugar.    

Finalmente, esse dia chegou.

Amanhã, bem cedinho, todos nós partiremos. O sertão nos espera.

33 comentários em “Quando o adeus não machuca (Regina Ruth Rincon Caires)

  1. Bertamé
    1 de setembro de 2021

    gostei, pesado e reflexivo. voltei na minha infância indo pra escola de irajá a brás de pina e vendo os surfistas no teto do trem.

  2. Pingback: Resultados do Desafio Minicontos 2021 | EntreContos

  3. Anderson Prado
    24 de julho de 2021

    Protagonista deixa a capital a caminho do subúrbio.

    Gostei da temática, mas achei as escolhas para o contar muito apelativas: há um excesso de adjetivos e de advérbios. Tudo soa grandioso, grandiloquente, quando, na verdade, o que temos é só uma gente pobre, pouco instruída, reconhecendo suas derrotas, suas misérias e retomando o caminho de volta.

  4. Dayanne Lima
    24 de julho de 2021

    Um conto de regresso, um êxodo reverso, e a alegria de voltar. Muito bom seu conto, parabéns e boa sorte!

  5. Priscila Pereira
    24 de julho de 2021

    Olá, Cadu!
    Esse foi um dos meus preferidos!
    Muito bem escrito, com uma história bem interessante, que vai se desvendando aos poucos. Uma situação comum em grandes centros que aqui no interior é impensável. Dá pra sentir todo o pavor e apreensão do personagem e do alívio de não ter que voltar mais! Ótimo texto!
    Parabéns!
    Boa sorte! Até mais!

  6. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de julho de 2021

    Olá, Cadu Cabrerão, muito bom o seu texto.
    Todas as ações foram muito bem descritas. Fui vendo e sentindo junto com o protagonista. Texto fluido, muito bem escrito. Não encotrei erros gramaticais.
    O final é um alívio. Você criou muito bem a expectativa de que ele cometeria o suicídio. Eu realmente comprei essa ideia e estava apreensiva pela hora em que ele se jogaria do trem. Bom trabalho.

    “Eu não aguentava mais ouvir as súplicas da mãe e as falas berradas do pai. Sujeito teimoso! (quem dizia isso? O pai ou o protagonista?), após ler algumas vezes, entendi ser o pai o teimoso, mas a exclamação em “sujeito teimoso!” logo após ter dito “falas berradas do pai”, causou esta confusão. E este entendimento muda o entendimento de parte do texto. Precisei reler algumas vezes.

    A frase “Aqui nunca foi nosso lugar”, onde foi colocada, ficou estranha porque ainda não sabíamos que ele se referia à mudança… ali eu ainda pensava no suicídio e esta frase precipitou um pouco a revelação, sem revelar, apenas criando confusão e truncando a leitura.

    Parabéns pelo belo texto.

  7. Kelly Hatanaka
    21 de julho de 2021

    Oi Cadu Cabrerão.

    Curti esse personagem tão diferente, que está feliz com a possibilidade de uma vida melhor em outro lugar. Muito se fala de quem sai do sertão, da roça, e vem pra cidade grande em busca de uma vida melhor. Mas, cada vez mais, a vida melhor parece mesmo ser outra. A gente termina o conto torcendo por esse personage e por sua família.

    Gostei muito!

  8. Catarina Cunha
    21 de julho de 2021

    MINI – o foco na perigosa movimentação do surfista ferroviário desvia a atenção do leitor da história principal: a origem; técnica certeira.

    CONTO – Final feliz quase imprevisível. O título deu a dica, o que não desmerece a intensa crônica cotidiana.

    DESTAQUE – “É chegada a hora do adeus.” – Hora da virada rumo ao clímax.

  9. claudiaangst
    21 de julho de 2021

    O retrato de uma aventura cotidiana bem perigosa, mas que já virou história contada e recontada. Aqui, há outro prisma, um outro olhar para os meninos que surfam sobre os vagões de trem. Alguém que está ali, mas que não se diverte, apenas está porque não tem outra opção. E fica contente quando sabe que voltará com os pais para o sertão, e faz sua última viagem no teto do trem de subúrbio. Mas fiquei em dúvida por causa do “faço a última viagem, de ida” e a chegada da hora do adeus, ele morreu ou ia mesmo partir com os pais para o sertão?
    Enfim, conto muito bem escrito, com linguagem que esbanja sensibilidade e sinaliza habilidade para abordar fatos cotidianos. Parabéns!

  10. Andre Brizola
    20 de julho de 2021

    Olá, Cadu!

    Lembro que, quando eu era criança, os jornais viviam cheios de notícias sobre a situação dos trens urbanos. E, ainda criança, eu já conseguia entender o risco absurdo que aquelas pessoas viviam como rotina. Seu conto conseguiu captar aquelas imagens vividamente. Fiquei realmente impressionado.

    O conto é muito bem escrito e gostei da opção de utilizar a narração em primeira pessoa, pois ela adicionou àquelas imagens um ponto de vista mais humanizado, ao invés da visão crítica, ou documental, das reportagens. O perigo é real, e a angústia do passageiro é bastante verossímil.

    Entendo que a visão do personagem é bastante centrada em seus próprios receios. Ele não se preocupa com a vida ou a morte de seus companheiros de teto de trem, e sim o quanto daquilo tudo vai afetá-lo, com agonias e pesadelos. Ele não busca justiça social, nada. Ele deseja abandonar tudo aquilo, da forma como aquilo está. A mudança que ele deseja é algo egoísta, ou talvez ele entenda que aquela realidade não mudará e teme, um dia, tornar-se parte dela de forma inseparável. Gostei muito dessa linha de atuação do personagem, que me pareceu fora do padrão.

    Não tenho nada a pontar que tenha me incomodado. Achei que é realmente um dos melhores contos do desafio.

    É isso, boa sorte no desafio!

  11. Victor O. de Faria
    19 de julho de 2021

    BOI (Base, Ortografia, Interesse)
    B: Gostei. Tem uma boa construção sem apelar para uma “novela mexicana”, mas traz toda a melancolia e sensatez de um cotidiano sofrido. É um dia a dia bem comum, contado do ponto de vista do protagonista, mas que convence justamente por isso. A imagem combina bem com o conteúdo.
    O: Sem grandes floreios, mas também sem pedantismo. Excelente. Na medida certa. Até traz um ar sombrio inesperado no meio que faz o leitor refletir, mas depois volta aos trilhos (literalmente).
    I: É um dramalhãozinho com o coraçãozinho no lugar certinho. Mas se supera por não abusar dessa tática. Tem um final esperançoso, inclusive. Ponto por isso.
    Nota: 10

  12. Fabiano Sorbara
    18 de julho de 2021

    Gostei, gostei. De certa forma me vi no texto. Toda aquela jornada para a subsistência de ter que ganhar a vida indo e vindo enlatado nos vagões. Nunca tive esses espírito aventureiro de ser surfista de trem, mas tinha uns amigos corajosos, um deles perdeu o braço. Contei essa história para dizer que o conto é bem verdadeiro. Por sorte, o drama que você criou, termina com esperança.
    Ficou bem legal. Parabéns.

  13. Amarelo Carmesim
    18 de julho de 2021

    O jogo entre a esperança pelo novo e o desespero da atualidade do personagem narrador constroem uma boa história. Há aqui material para um conto maior, quem sabe é um caminho reconstruir com mais palavras.

    A parte da antítese entre mochila cheia da alegria de comer a o peso que poderia ser a porta da morte foi muito bem construída.

    Entretanto, alguns podem reclamar que o filho de um matuto que tem poucas oportunidades possui uma reflexão com palavras bem arranjadas em frases bem construídas, mas particularmente gostei da história e não me importei com o detalhe.

  14. Rafael Carvalho
    17 de julho de 2021

    Quando vi o titulo, a foto e comecei a ler o texto, pensei: Lá vem sofrimento.
    Fico feliz de estar enganado, e os trilhos do trem trazer uma dose de esperança, se ingênua ou vazia, aí é outra história.

    Lembrei de um outro miniconto, de um desafio de minicontos distante, de um homem e seu cavalo. Algo no seu conto me lembrou ele, é seu? Bem, de qualquer forma, a comparação é com viés de elogio, foi um dos contos que mais gostei do desafio que participei da vez anterior.

    Gostei muito da escolha da imagem e do titulo, fizeram um pelo conjunto com o restante da obra. O texto também está muito bom, da vontade de seguir acompanhando o personagem, saber mais sobre ele e como tudo aconteceu depois. Acho que boas histórias são assim, terminam nas palavras, mas seguem se montando na cabeça da gente.

    Não consigo pensar em nada para agregar a sua obra. Então deixo aqui meus parabéns e meu desejo de boa sorte.

  15. Welington
    16 de julho de 2021

    Uma história de êxodo urbano trazendo um protagonista-narrador que observa a rotina agitada da metrópole com a angústia do homem do interior saudoso de sua terra. Deixar para trás uma vida é sempre algo dolorido, posto que o hábito faz tudo parecer parte de nós. Desse modo, deixar uma rotina para trás para muitos é como deixar um pedaço de si. Não foi assim, contudo, com o protagonista desta narrativa, que por sinal é muitíssimo coerente com seu título: aqui, não há saudades do que se deixa porque o que fica para trás nunca fez parte daquele que nos conta a história. Gosto de histórias assim, pequenos brasis cotidianos.

  16. Elisabeth Lorena
    15 de julho de 2021

    olá, Cadu Cabrerão.
    Você viveu os anos 90 de fato! Surfar, viajar na porta do trem. E esse retorno é divino. Confesso que sofri lendo seu conto. Sua narrativa é perfeita, profunda, dolorosa até, principalmente para mim que tenho nítido três acidentes de trem e um, em especial, mais marcante, o choque de 1987, ocorrido na entre Itaquera e meu Bairro. Nosso primeiro pensamento foi exatamente nos surfistas. E olha que eu tinha só 16 anos… Perdemos muitos amigos que “surfavam” por necessidade, por desespero de chegar em seu bairro a tempo de irem para a aula noturna. E muitos que iam exatamente ao Mercadão e Seasa buscar “xepa” e refugo.
    Saber que seu serzinho venceu e retornou ao sertão reconforta. Seu texto atende todos os requisitos de um conto. A quebra de expectativa é bem construída, o tema é perfeito e o final reconforta. Parabéns. Pelo conto, pela narrativa e pela malha semântica. Você mostra uma escrita segura e bem profissional.
    Nota 10.

  17. Jowilton Amaral da Costa
    15 de julho de 2021

    Dia sim dia não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão… Quando comecei a ler veio no ato essa música na cabeça. Eu gostei do conto. A narrativa é boa e o plot é bem interessante, o dia a dia de uma pessoa que pega conduções lotadas e toda a correria da cidade grande. No final vem a surpresa, que o personagem iria se livrar daquilo indo para o sertão. Achei bem legal. É como um êxodo rural às avessas. Boa sorte no desafio.

  18. Natália Koren
    14 de julho de 2021

    Nossa, que conto certeiro. Rápido e objetivo, mas em poucas palavras conta tantas histórias, de tantas pessoas… Consegue se aprofundar nos sentimentos do personagem e ainda contextualizar perfeitamente a situação em volta, a família dele, os outros “surfistas”…
    Excelente, parabéns!!

  19. Felipe Lomar
    12 de julho de 2021

    Gostei do seu texto no geral. Porém, acho que ficam algumas pontas soltas. Por que o protagonista tinha que subir no teto? Acho que não ficou muito bem explicado. O final tambpem deixa aberto à interpretação, mas isso não é um problema, é até bom quando isso acontece. No mais, interessante voçê ter descortinado esse episódio histórico obscuro e pouco conhecido dos “surfistas de trem”.

  20. acapelli
    12 de julho de 2021

    Um texto sentimental que procura estabelecer empatia com leitor por meio do personagem e finaliza com uma surpresa, num fecho bastante otimista. Experimentei uma leitura algo truncada nos dois primeiros parágrafos que atribuo a um excesso de vírgulas, nem sempre necessárias. Sugiro revisar a pontuação.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  21. Ana Maria Monteiro
    12 de julho de 2021

    Olá, Cadu.

    Começo com uma introdução comum a todos os participantes: primeiro li os dois conjuntos completos de contos, um por um e rapidamente, para colher uma primeira impressão geral e já mais ou menos gradativa e agora regresso a cada um deles e releio com mais calma, para comentar.

    Ah, quando o adeus liberta, quando alivia, quando o adeus é um finalmente. É bom, é bom. Não deixa dor nem saudade, também não deixa rancor. O que se leva se um adeus sem mágoa, é todo um aprendizado que fará parte da bagagem que se leva e poderá ser muito útil no futuro.
    Não sou brasileira, nunca fui ao Brasil, consigo compreender a situação que retrata, mas não a alcanço, é uma realidade que me é estranha; no entanto, partir em busca de um futuro melhor é universal e o sentimento que suscita essa partida, não será assim tão diferente.
    Imaginei as viagens desse menino, cada dia: o medo, a fome, o perigo, a mochila que ia enchia com o que catava lá no mercado. Esta frase: “Lidar com a alegria de conseguir os alimentos”, lidar com esta frase já é todo um exercício de imaginar que alimentação seja sinónimo de alegria, é incrível – e nas condições descritas, mas incrível até.
    Isto bem adaptado dava um daqueles filmes que fazem chorar e toda a gente quer ver. Tem a dose certa de incómodo para poder dar um final feliz ao protagonista, sem que estrague o filme.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. mariasantino1
    12 de julho de 2021

    Oi!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK). Sendo assim. Partiu!

    G=4.Então, o texto está bem escrito. Não percebi nada defectivo neste sentido, então dou nota máxima, mesmo sentindo algumas dificuldades que vou explicar nos demais quesitos.

    F=1. Entendo que a forma é escolha pessoal, mas sinto que seu texto teve mais contar que mostrar. E levar o leitor para o teto do trem com o personagem seria um recurso que destacaria mais seu conto no certame. Encontrei alguma dificuldade em assimilar o universo criado, pois o personagem é pacífico demais para alguém que utiliza bem os recursos narrativos, ou seja, ele parece ser mais velho, com mais entendimento, por isso ressalto a importância de maior descrição de sensações e sentimentos para ficarmos mais centrados dos motivos dele estar aí (uma criança, um jovem, se presta a esse papel sem reclamar, alguém de entendimento maior precisa de outros recursos para seguir fazendo o descrito no conto). Talvez com a retirada da narrativa em “tempo real” no plot poderíamos julgar ser alguém narrando do futuro, ou seja, uma lembrança de algo ocorrido no passado. Mas não sei se o plot iria ser prejudicado, uma vez que ele se edifica na ideia de indução ao leitor em pensar que se trata de uma libertação por suicídio. Em todo caso, com maior empatia e fixação de universo, haveria maior impacto, porque haveria mais importância do leitor para com o personagem e suas decisões.

    C=2. É passível de compreensão o ir e vir sobre o trem ao invés de no interior do transporte, mas senti falta dessa pequena explicação: Ele subia, porque não possuía dinheiro para pagar a passagem. É uma realidade que, felizmente, não é mais sentença como vista até meados dos anos 90. Os retirantes já possuem mais escolhas com os projetos de melhorias com perfuração de poços, implementação de cisternas, melhorias na saúde emprego e renda que não havia antes, mas ainda assim a pobreza é latente, claro. Há também algum passeio pela inconsequência dos atos, relações familiares (havia amor/respeito para com o filho?) e otimismo. Mas talvez o conteúdo esteja sendo prejudicado pela forma, que por sua vez estar sendo prejudicada pelo espaço limitado. É o que consigo captar.

    Boa sorte no desafio.

    Média final: 7

  23. Fabio D'Oliveira
    11 de julho de 2021

    Olá, Cabrerão!

    Serei bem sucinto nesse desafio, avaliando com as impressões imediatas que tive do miniconto.

    BELEZA

    O sonho desmantelado de uma família retornando para casa. Foi assim que enxerguei o final. Não importa muito se a intenção foi outra. Arte é isso, também. A pessoa entende o que deseja entender, às vezes. Vejo uma beleza muito grande nisso. Na interpretação livre e no retorno pra casa depois da frustração. Alento, como o narrador pontuou.

    IMPACTO

    Acredito que uma história do ponto de vista dos “surfistas” de trem poderia ter mais impacto. A liberdade dos loucos. Seria diferente. Refletir sobre as visões de um covarde miserável está um tanto degastado, atualmente.

    ALMA

    O final é belo. Mas não acho que o restante do conto acompanha o fechamento. Achei algumas reflexões um tanto perdidas, principalmente quando se apega aos “surfistas” de trem. O título do conto, ao menos, também carrega a beleza do final.

  24. Simone Lopes Mattos
    10 de julho de 2021

    Nos três primeiros parágrafos me perguntei por que aquela rotina era necessária, para onde ia aquele menino? Por que enfrentava aquele risco?
    Já perto do final entendo que ele buscava alimentos, meio de vida.
    Sentimos com ele o alívio de sair do risco. Descobrimos que a família fará o movimento inverso, voltará para o sertão.
    A dificuldade por lá é menor? Há pobreza, mas há vida sem risco de acidente fatal.
    Prosseguirá a luta pela vida no seu lugar, na sua terra.
    Muito bem contada a história do retorno. Talvez seja o fim do sonho de uma vida melhor na capital, por isso é triste também.

  25. Elisa Ribeiro
    9 de julho de 2021

    Olá autor, como vai?

    O texto traz uma temática social e finaliza com uma surpresa num fecho otimista. Um duplo impacto positivo. Não sei se gosto do seu narrador, muito literário, me pareceu, para um jovem certamente pouco escolarizado. O excesso de vírgulas, sobretudo no começo do conto, atrapalhou um pouco a fluidez da leitura.

    Um bom conto. Parabéns pela participação.

  26. alicemariazocchio
    8 de julho de 2021

    Gostei deste surfista de trem inseguro e reflexivo e do final libertador para uma vida deslocada do seu no lugar de origem. Na construção do texto, eu tentaria excluir alguns advérbios e em vez de só contar os inúmeros acidentes presenciados, tentaria descrever um deles para dar mais força às memórias perturbadoras do menino. A história é muito boa. O título é ótimo.

  27. Angelo Rodrigues
    8 de julho de 2021

    06 – Quando o adeus não machuca (Cadu Cabrerão)

    Um bom conto. Passa a ideia do conflito daquele que, não tendo dinheiro para a passagem de trem, assemelha-se àqueles que se arriscam “surfando” sofre os vagões.
    A ideia da volta ao “sertão” parece confortar o nosso protagonista. Se por lá as coisas não são boas, viver numa cidade grande em busca de migalhas parece não ser melhor.
    Acho, no entanto, que o autor construiu um conto a partir de uma idealização, notável no momento em que diz que “O sertão nos espera”. Sertão é, a rigor um lugar vago, uma ideia. Quem retorna à sua terra chamada “sertão”, retorna à Paraíba – por exemplo -, ou à sua cidade natal. Nunca ouvi, também por exemplo, um sertanejo dizer que retorna ao “sertão”, mas à sua terra natal, e ela sempre tem um nome, não uma generalidade.
    Se posso interferir, diria que o conto ficaria mais “verídico” se houvesse uma plena localização da terra do protagonista.
    Boa sorte no Desafio.

  28. gisellefiorinibohn
    8 de julho de 2021

    Muito bom! Um enredo simples, mas bem conduzido, dramático sem perder a mão, com um final melancólico e ao mesmo tempo esperançoso. Gostei muito.
    Na parte técnica, nada a comentar: trata-se de um texto muito bem escrito. Dá pra perceber o cuidado na construção da narrativa.
    Parabéns e boa sorte no desafio! 🙂

  29. Luciana Merley
    7 de julho de 2021

    Quando o adeus não machuca

    Um enredo bem interessante, invertendo algumas lógicas quase matemáticas às quais fomos expostos desde sempre.

    Coesão – O texto começa bem angustiante com esse relato em primeira pessoa do que parecia ser mais um surfista qualquer de trem. Mas, logo no início você inverte essa coisa de romantização da pobreza e do burlar regras como forma de expressão. O menino fazia aquilo para não morrer de fome e sonhava em sair daquilo. Aí vem a segunda subversão: o desejo de retornar ao sertão, fazendo o caminho contrário ao habitual de ir tentar a vida na cidade grande. Ou seja, existe aí uma negação de tudo o que é ruim: a pobreza (que nunca é romântica e é sempre muito ruim), o risco, a diversão inconsequente, o desvalor da vida, o menor valor das suas raízes. Esse personagem é um herói moderno, com falhas como todos, mas valores profundos. Tudo isso sem pedantismo, moralismo explícito e com uma escrita muito eficiente.

    Impacto – Muito bom, por tudo o que descrevi, mas principalmente pela coragem na subversão de certos conceitos.

    Parabéns. Um abraço.

  30. antoniosbatista
    6 de julho de 2021

    Acho que há melhores maneiras de ir ao mercado. Não sei porque usar o teto do trem. Faltou dinheiro para a passagem, talvez. Deu a entender que a família, que comia os restos da feira, iria para o sertão. Talvez o pai arranjou um bom emprego de vaqueiro e o filho que andava no lombo do trem, andaria no lombo de um cavalo.

  31. Emanuel Maurin
    5 de julho de 2021

    Olá, Cadu Cabrerão.

    Resumo: Um garoto viajava no teto de um trem para buscar alimento para a família. Ele tinha medo e via muitas pessoas sendo mortas ou com membros arrancados. Até que deu um basta e abandonou a mãe por causa do pai malvado.

    Parecer: O conto tá bem escrito, a narrativa deslancha e é de fácil entendimento. O que me admira é que você consegue exprimir a narração através de imagens, isso é difícil de fazer. Parabéns. Mas achei a trama bem fraquinha e sem emoção. O final não me surpreendeu e achei o garoto covarde.

  32. thiagocastrosouza
    5 de julho de 2021

    Obrigado por este conto, Cabrerão. Tudo nele gera empatia: o garoto arriscando a vida pela fome, o risco dos surfistas de trem, o desejo do retorno, da mudança de vida e a cidade não como desumanização do trabalho. O jeito é voltar, de trem, carro, carroça ou fretado. Gostei mesmo deste conto, da maneira como narrou pelo ponto de vista do personagem e do final num tom positivo, depois de tanta dor.

    Parabéns. Como os comentários são fechados, posso afirmar: meu favorito, até agora!!

  33. Eduardo Fernandes
    5 de julho de 2021

    O teu texto ganharia tanto com o presente. Quero dizer, se ao invés de ter sido escrito no passado estivesse no presente.

    “Dia sim, dia não, a peleja se repete. De casa até pisar na estação do trem, chego acabado. Um apito. Me agarro á escada lateral com o coração aos pulos. Os trilhos passam rápidos me desafiando. Pânico. Subo rápido e ce aninho num canto do teto.”

    Há aqui alguns problemas que a mim, me incomodaram. Porque ele precisa ir no teto? Quero dizer, se ele já entrou na estação, porque não entrar no trem? Acho que isso poderia ter sido aproveitado. Talvez com um parágrafo a explicar um porquê dele não…

    Acho que o texto ganharia muito se começasses com ele na ultima viagem e pensar no início.

    Apesar de não ser perfeito, é o melhor texto até agora. Parabéns.

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