EntreContos

Detox Literário.

Nuances (Natália Koren)

O vestido era amarelo e sem graça. O sorriso também. Não conseguia entender aquele lugar. Como podia ser cidade grande quando tudo era tão pequeno? As ruas estreitas, o apartamento minúsculo, o sapato apertado. Até o coração encolhera, de tanto que doía. Lembrou da casa da fazenda, cheia de janelas e ventos, e todo o verde que cabia em volta. Olhou ao redor e só viu cinza. Até a tia era cinza, da lã do vestido aos cabelos grisalhos. Só os olhos eram verdes, como os da mamãe.

Pensar na mãe era pior. Ela também estivera cinza naquele dia. Cinza e fria. E morta. De olhos fechados, não tinha nenhum verde nela. A esse pensamento, o sorriso amarelo morreu também. Uma lagriminha se formou no canto do olho, mas antes que pudesse engordar e cair, a tia se aproximou.

-Vem, meu anjo, vem conhecer o teu quarto.

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Os meses foram apagando o pouco de cor que restava, até que o inverno cobriu tudo de branco. Nessa altura, nem sorrisos amarelos restavam. Aprendeu rápido que não havia espaço pra ela por ali. Espremida entre aulas e rotinas, precisava se diminuir para caber. Cabelo preso, voz mais baixa, passos menores. E abaixava a cabeça até se encaixar.

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A primeira vez fora um acidente. Ajudando a tia com o almoço, um escorregão da faca e o sangue brotou aos poucos, contrastando com a mão pálida. A dor foi pouca perto do fascínio. Demorou quase um minuto para tapar o corte com um guardanapo e sair para fazer um curativo.

As vezes que seguiram foram premeditadas. Aula de costura, culinária, artes plásticas, apenas desculpas. Colecionava cicatrizes com um certo orgulho. Quando não havia mais situações a inventar, roubou uma navalha e escondeu embaixo do travesseiro.

A última vez seria bem planejada. Já visualizava o vermelho brotando abundante, tingindo a camisola branca. Os lábios ficariam azuis perto do final? Tinha que lembrar de deixar um espelho ao lado da cama. Sorriu com o próprio pensamento.

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Voltava da escola perdida em devaneios quando trombou com Raul. Já o vira no bairro entregando jornais. À distância, nunca tinha reparado que seus olhos eram azuis. O rapaz ofereceu companhia e falou durante o trajeto inteiro. Na porta, perguntou se poderia voltar no dia seguinte.

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Ao se despedir da tia naquela noite, lembrou-se de não dizer “até amanhã”. Indo para a cama, pegou o pequeno espelho da cômoda e colocou na banqueta ao seu lado. Segurou a navalha contra o punho e respirou fundo.

Apenas uma coisa tinha ficado martelando na cabeça… Raul tinha olhos azuis. Tinha também sardas que se juntavam quando ele sorria, formando uma mancha cor-de-laranja. Mas com o cabelo escondido sob a boina, não tinha certeza se ele era ruivo como parecia. Percebeu que gostaria de descobrir.

Lançando um olhar furtivo para o espelho, sentiu uma pontada de calor: as próprias bochechas estavam coradas enquanto pensava no rapaz. Abaixou a navalha, em dúvida. Talvez aquele fosse todo vermelho de que precisava naquela noite.

29 comentários em “Nuances (Natália Koren)

  1. Elisabeth Lorena
    24 de julho de 2021

    9. Nuances –
    A solidão, o desespero, o desamor e o desafeto, principalmente de si mesma, mostram a vida de uma personagem campesina que passa a viver na cidade e é acachapada por ela. Todos os fatores desde a morte da mãe até esse diminuir forçoso para ser aceita em um espaço do qual não se sente parte faz com que o suicídio se torne uma possibilidade sedutora.
    Infelizmente o autor conseguiu descrever de forma real o que sente alguém que acaba encontrando na morte seu destino, sua alegria.
    Parabéns! E sucesso no Desafio.

  2. Welington
    24 de julho de 2021

    Um conto bem escrito. Tem uma temática depressiva, o que a meu ver é algo que afasta muitos leitores: já existe muita depressão solta por aí, as pessoas gostam de ver algo além, uma saída criativa para um problema amplamente difundido. Na música, na literatura, na arte em geral, essas temáticas cinzentas e lúgubres abundam. Há algo de bela adormecida nessa história, uma pessoa cujo prazer pela vida depende exclusivamente da existência de outro. Particularmente, eu não gosto desta temática. Mas não é meu gosto que está sendo avaliado aqui e sim a escrita da autora. Como disse, está bem escrito, há uma bela poesia sobre o amor como um redescobrir da vida; sobre um renascer pela magia oriunda do outro. Uma metáfora muito bem trabalhada sobre como o amor vai lentamente aquecendo a vida, expulsando o inverno das emoções, como uma primavera mais que bem-vinda.

    Parabéns, autora! Apesar de eu não gostar da temática, foi um prazer ler seu conto e confesso ter achado bem poético o uso que você fez das cores na tua narrativa. Um conto muito bem escrito.

  3. Rafael Carvalho
    24 de julho de 2021

    Lembrei de Clarisse do Legião Urbana, enquanto lia seu texto.
    Gostei muito do estilo da escrita, acredito que as frases curtas e diretas no inicio do conto, ditaram um ritmo interessante para a leitura.

    Assim como a intenção do texto, fui levado a imaginar um fim trágico e fiquei satisfeito com o desfecho trazendo uma luz de esperança. Sem dúvida foi um ótimo conto, com várias camadas de fundo e um crescimento da história que foi possível sentir até pela forma como o texto foi fluindo, partindo para frases maiores e mais abertas ao final.

    Parabéns pela escrita, muito obrigado por propiciar uma leitura de dualidade tão interessante, onde o belo e o triste caminham de mãos dadas em tarde de chuva e sol. Boa sorte.

  4. gisellefiorinibohn
    23 de julho de 2021

    Ah, Amarelo, que conto legal você escreveu! Adorei!
    Com tão poucas palavras você conseguiu fazer uma excelente ambientação, dar vida aos personagens e a seus sentimentos, criar expectativas e nos conduzir com leveza a esse final belíssimo! Gostei muito mesmo!
    Na parte técnica, nada a comentar: está impecável.
    Entre os meus favoritos. Parabéns e boa sorte! 🙂

  5. acapelli
    22 de julho de 2021

    Uma história terrível contada com leveza e desfechada de forma positiva. Funcionou. A associação do estado de ânimo da personagem com as cores que a cercam valorizou o conto. Gostei do requinte do espelho para ver os lábios se tornarem azuis. Embora a narrativa seja eficiente, pareceu-me tolhida pelo pouco espaço para o desenvolvimento, ou seja, a história contada se adequaria melhor em um texto mais longo.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  6. mariasantino1
    21 de julho de 2021

    Opa!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK).

    G=4. Vou dar nota máxima para você neste quesito, mas, se me permite, sugiro uma atenção a mais no penúltimo parágrafo onde há repetição do termo “tinha” em curto intervalo:

    Apenas uma coisa TINHA ficado martelando na cabeça… Raul TINHA olhos azuis. TINHA também sardas que se juntavam quando ele sorria, formando uma mancha cor-de-laranja. Mas com o cabelo escondido sob a boina, não TINHA certeza se ele era ruivo como parecia.

    Aqui também pede um PARA no lugar de PRA:…Aprendeu rápido que não havia espaço pra ela por ali

    F=2. Pois sim, há um autor chamado MURILO RUBIÃO que possui um lance de cores e insólito muito bacana, onde na morte ele retira o melhor de si (algo que valha) no escrito “O pirotécnico Zacarias”. Bem… Lembrei de algo ao ler seu texto e o uso recorrente de cores para evocar percepções.
    Particularmente agrada observar os atos com outra percepção (o lance das cores) e senti uma narrativa singela com um cerne duro, embora tenha ficado (pelo menos pra mim) com ar de apresentação do início ao fim.
    Incomodou também o uso de alguns termos como mamãe: …Só os olhos eram verdes, como os da mamãe… Pois pareceu querer, a todo custo, trazer algum padecimento por parte do leitor. Mas… reitero que curti bastante.

    C=3. É bonito pensar que a pessoa encontrou algo pelo que viver. Esse lance de romantizar suicídio está tão batido, e seu conto parecia cair nesta cilada, mas aí houve a guinada e as pessoas são assim mesmo. Há muita fragilidade em ser humano e foi bem repassado o lance de que os detalhes muitas vezes ditam nossas escolhas, temperam nossa vida. É bonito também o contato primeiro com o amor (pareceu ser o primeiro).
    .
    Parabéns e boa sorte.

    Média final: 9

  7. antoniosbatista
    20 de julho de 2021

    Ficando órfã, uma garota que mora no campo, é obrigada a morar com uma tia na cidade. Lá ela fica deprimida, começa a se agredir, a se automutilar. Não entendi qual a razão. Um distúrbio mental, com certeza. Pensa no suicídio mas muda de ideia. O autor (a) tentou incorporar a cada ação, uma referência a cores. Já li histórias com esse recurso muito mais elaboradas. Achei que ficou um pouco superficial. Talvez o limite de palavras tenha prejudicado o desenvolvimento do argumento, torná-lo mais coeso, com ações mais coloridas e contundentes.

  8. thiagocastrosouza
    19 de julho de 2021

    Olá, Amarelo. Um conto bastante trágico, mas com final esperançoso. No geral, achei a escrita boa, contudo, apesar da construção da protagonista como alguém a flertar sempre com a morte, triste pela perda da mãe e da vida alterada, a resolução foi muito conveniente e repentina. Há uma mensagem, há esperança, mas, para mim, faltou algo mais pungente para a história, que me trouxesse a surpresa.

    Apesar de tudo, gostei da frase final e da brincadeira com a cor vermelha: há uma transição do amarelo para o vermelho, que se reflete na mudança da personagem.

  9. Matheus Pacheco
    18 de julho de 2021

    Resumo: O texto fala de uma menina que gostava de colecionar cicatrizes, que gostava de ver o vermelho do sangue e, que um dia, decidiu se matar só pelo esporte, entretanto ela percebeu que talvez o vermelho que ela procurava fosse o dos cabelos de uma pessoa que gostava muito.

    Pontos que gostei: Eu gostei muito do desenvolvimento do texto, gostei muito do desenvolvimento da personagem em poucas palavras, gostei muito da personagem, gostei muito da trama, gostei muito da conclusão.

    Pontos que não gostei: Gostei do texto em sua totalidade.

  10. Raquel
    18 de julho de 2021

    Belíssimo!!!
    Linda narrativa em analogias e metáforas.
    Primoroso, poético e com final feliz!
    E Viva Raul!
    Nota 10.

  11. Catarina Cunha
    16 de julho de 2021

    MINI – Um mini gigante. A longa separação dos parágrafos deu profundidade ao espaço de tempo. A técnica apurada, contida como a personagem, traduziu a agonia crescente.

    CONTO – Este é bem “Iolandinhanesco”. Mas poderia ser da Claudia, ou da Amana, ou da Amanda? Enfim, um puta conto de uma d’As Contistas; e se não for deveria ser.

    DESTAQUE – “Como podia ser cidade grande quando tudo era tão pequeno?” Muito bem traduzida a dificuldade da personagem em se encaixar.

  12. DAYANNE DE LIMA PINHEIRO
    15 de julho de 2021

    Conto muito bonito e sensível, as emoções se expressando através das cores. “O inverno veio e cobriu tudo de branco”… Talvez não fosse neve, só tristeza.
    Adorei!!!

  13. Regina Ruth Rincon Caires
    14 de julho de 2021

    Nuances (Amarelo)

    Comentário:

    Texto denso, de escrita perfeita. O amor é surpreendente, salva. A narrativa é muito bem construída. O autor semeia a tristeza de maneira crescente até que ela se transforma em desalento, desesperança, beco sem saída. A leitura provoca a expectativa de um desenlace triste, fatal. Mas o mar azul dos olhos do entregador de jornais foi a prancha de resgate daquela pobre alma. Eita! Coisa boa é esse sentimento chamado AMOR!!!

    Trabalho muito bem feito, estruturado, sem qualquer deslize de escrita. Menina, a gente fica com o coração batendo na goela! Que alívio a gente sente quando ela guarda a lâmina!

    Parabéns, Amarelo, você construiu um belo conto!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    13 de julho de 2021

    Olá, Amarelo, que belo texto o seu. Gostei bastante. A ideia das cores e a forma como as utilizou, permeando todo o texto, foram muito boas.
    O único problema é que o enredo precisava de mais palavras, esta história merecia um espaço maior. Quando optou por colocá-la aqui neste desafio, precisando restringir-se a 500 palavras, percebi que ficou um conto apressado, muitas coisas aconteceram em pouco espaço. A parte do Raul, por exemplo, foi muito “atropelada”.

    Como podia ser cidade grande quando tudo era tão pequeno? – adorei isso kkk

    se formou – formou-se

    esconder todo o cabelo em uma boina foi um pouco forçado…

    Principalmente neste texto, que precisava ser enxuto (na minha opinião, sempre), você poderia eliminar muitas informações desnecessárias. Exemplo: “Lançando um olhar furtivo para o espelho, sentiu uma pontada de calor: as próprias bochechas estavam coradas enquanto pensava no rapaz”. Se parasse na palavra “coradas”, seria suficiente. Entendemos que ela pensava nele. É só uma dica, não está errado como colocou.

  15. Paulo Luís Ferreira
    12 de julho de 2021

    Resumo: Nuances, camuflagem para um suicídio prenunciado
    Gramática: Linguagem correta, sem problemas gramaticais
    Comentário: Um conto um tanto hermético, mas com um enredo lógico, cuja narrativa consistente, conduz o leitor com maestria até o desfecho previamente prenunciado. Ótimo trabalho.

  16. Simone Lopes de Mattos
    12 de julho de 2021

    Muito bom. O medo crescente de que aconteça o suicídio e o alívio com o final. Uma pessoa fazendo toda a diferença naquela vida, dando sentido a ela. A referência às cores da tristeza. Tudo muito triste e bonito. Coisa de escritor experiente. Nota 10

  17. Giovani Roehrs Gelati
    11 de julho de 2021

    Amei o conto.
    Muito denso, intenso e envolvente. O leitor fica na angústia para saber qual será o desfecho da história. Começa a partir de um trauma pessoal e vai levando o leitor ao contato do protagonista com sangue e pontas pontiagudas, culminando na hipótese de suicídio.
    O tema é bastante delicado e muito pertinente entre todas as idades, em especial nos adolescentes, faixa etária que parece ser a da protagonista, o que deixa ainda mais verossímil o enredo.
    Parabéns ao(à) autor(a).

  18. Júlio Alves
    10 de julho de 2021

    Anos atrás, saiu uma série chamada Treze Porquês, na Netflix, que tinha como argumento o suicídio de uma jovem. A história era tenebrosa, e caótica e (eu vi a primeira temporada) ofensiva e perigosa por trabalhar com temas sem pensar nas consequências da narrativa.

    O que pego deste conto é essa despreocupação social. “Ah, mas devemos pensar como escritores” — pois bem. Dito isto da relevância social dentro da literatura, temos um conto que mostra uma garota branca vindo de uma fazenda (provavelmente norte-estadunidense, pelas descrições e nomes das personagens), e não se adaptando a cidade. Tudo bem, até aí é um conto normal, e aceitável. O que se desenvolve a partir disso é de certa forma uma jovem que no tédio (como só garotas brancas saídas de fazendas do sul dos EUA podiam se sentir (e digo podiam porque me parece algo de época, pela forma como a narrativa é estruturada e se dá)) vai se entediando até decidir se matar para animar algo.

    Não seria problemático se não fosse uma narrativa tão racializada e não trouxesse a depressão por ter saído de um lugar como algo resolvido por olhos azuis; não seria se fosse consciente sobre essas coisas. Acho que, pra mim, foi o que mais matou no conto. De resto, o trabalho com as cores e como a personagem reage a elas foi bem trabalhado, inclusive na hora da descrição física das personagens. Bom uso de ritmo e na escolha de algumas palavras.

    • mariasantino1
      25 de julho de 2021

      Oi!

      Posso estar enganada, mas pelo que percebi a moça não está entediada só por sair do campo e ir para cidade, mas sim porque havia perdido a mãe. Veja>>>> Pensar na mãe era pior. Ela também estivera cinza naquele dia. Cinza e fria. E MORTA.

      Tenho certeza que a tristeza de perder um ente querido é doloroza em qualquer faixa etária, cor, raça, religião… Ouso dizer ainda que o autor aqui usou as cores como forma de colorir a vida da menina que estava agora tão cinza.

  19. Andre Brizola
    10 de julho de 2021

    Olá, Amarelo!

    Um conto triste sobre uma garota que se vê órfã, privada de seu lar no campo, e que, então, planeja seu suicídio.

    Achei muito bem escrito e muito bem ajustado no que diz respeito ao tom do enredo. Muitas construções sóbrias e melancólicas (“os meses foram apagando o pouco de cor que restava”) que, aliadas à essa sinestesia visual toda do conto, com a constante menção às cores, propõe ao leitor uma experiência bastante emocional.

    Embora não goste muito de contos abordando o suicídio, achei que esse merece um pouco mais de atenção por ser muito bem construído. Parabéns.

    Boa sorte no desafio!

  20. iolandinhapinheiro
    9 de julho de 2021

    Olá, Amarelo.

    Um conto fofo sobre uma órfã que começa a ver tudo cinza a partir da morte de sua mãe, e no processo as cores, inclusive o cinza, começam a sumir, assim como ela própria.

    Uma menina sobrando na casa da tia, tentando ficar invisível para não incomodar. Gostei bastante do jogo com as cores, da maneira que ela arruma para inserir cores na vida sem graça e gostei ainda mais porque ela encontrou uma solução menos drástica. O amor nos salva, não é?

    Gostei de tudo. Vc é um escritor muito cativante.

    Parabéns e sorte no desafio.

  21. Victor O. de Faria
    9 de julho de 2021

    BOI (Base, Ortografia, Interesse)
    B: Muito bom. Começa simples, básico e depois investe numa pegada mais tensa, terminando num quase romance. Gostei das imagens geradas pelas cores. Combinam bem com a narrativa. É um tema um tanto batido, mas do jeito que foi apresentado, ficou excelente.
    O: Boa escrita, flui muito bem. Acho que só uma frase travou. Não sei por que essa aqui soou estranha: “Aprendeu rápido que não havia espaço pra ela por ali.”. Deve ser coisa minha.
    I: Melancolia, poesia, drama, nuances. Um conto digno de nota 10.
    Nota: 10

  22. Kelly Hatanaka
    8 de julho de 2021

    Olá Amarelo!

    Muito interessante essa conexão que você fez entre as cores e a graça da vida. O impulso de se cortar era um jeito de trazer cor a um mundo cinza. O amor traz a alegria e o interesse de volta, na figura das cores de Raul e diminui a necessidade da navalha, bem na hora em que a personagem partia para uma atitude drástica.

    Excelente!

  23. Fabiano Sorbara
    8 de julho de 2021

    Texto muito forte, tenso e dolorido. Gostaria que antes do início tivesse um aviso de gatilho pelo tema delicado. Feito o pedido, vamos a narrativa em si.
    A construção e o desenvolvimento da obra está muito bem feita. O jogo com a paleta de cores da vida que vai sendo transformada em cinza é um ponto que ficou show, e foi utilizado junto ao tormento da personagem, que teve seu escalonado bem criado, aquela coisa de mudar de cidade, perder a família, crescer em meio a solidão fez o drama ser coerente com a triste consequência. Por sorte o pior não aconteceu, acho que foi ótimo não acontecer, ou eu me sentiria muito mal com o outro resultado.

  24. claudiaangst
    8 de julho de 2021

    Conto elaborado com base na simbologia das cores e a sua ligação com os fatos da vida de uma menina. O luto traz cores pesadas, o preto e o cinza, além do amarelo do sorriso da órfã. A melancolia vivida, o vazio, o planejamento do suicídio coroado com o vermelho do sangue e o azul dos lábios. No entanto, para a felicidade que ainda poderia existir, quis o destino que ela encontrasse Raul, que também tinha cores e mais alegres. Assim, a menina trocou o vermelho do sangue perdido pelo vermelho que corava suas bochechas com a expectativa de reencontrar o rapaz.
    Gostei do jogo de cores e de sentimentos. O final traz uma esperança de momentos felizes, descartando a brevidade da vida como opção. E assim caminha mesmo a humanidade com bons e maus momentos, desviando do caminho que vai dar para o abismo.
    Bom texto, com linguagem limpa e sensível. Leitura fluída e um toque de poesia.
    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  25. Priscila Pereira
    7 de julho de 2021

    Oi, Amarelo!

    Gostei bastante do seu conto!
    Já imaginava que seria mais um a abusar do impacto no final, entregando o mais trágico e sangrento possível, mas não! Grata surpresa!
    Gostei de seguir a triste história dessa menina, ficou bem verossímil, contada com sensibilidade e elegância! E o final com uma promessa de renovação foi linda! Gostei muito!
    Parabéns!
    Boa sorte! Até mais!

  26. Ana Carolina Machado
    7 de julho de 2021

    Oiiii. Um miniconto sobre uma menina que é órfã de mãe, essa garota passa a ter uma certa obsessão pela cor vermelha do sangue e chega ao extremo de querer cortar provavelmente de forma fatal. No final um raio de esperança surgi após o encontro dela com Raul. Achei o final muito bonito, pois mostrou ela desistindo da morte e escolhendo a vida. Também mostrou como alguns encontros que parecem serem rotineiros, como o dela com o Raul, podem mudar pensamentos e até evitar tragédias. Acho que a gente nunca vai saber o impacto que um encontro, uma conversa ou mesmo um sorriso tem na vida do outro. Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio.

  27. Eduardo Fernandes
    6 de julho de 2021

    “O vestido era amarelo e sem graça. O sorriso também.” Adoro. Só essa frase já captou a minha atenção e me fez querer ler o resto do texto.

    A primeira parte é muito boa. Os contrastes, o ritmo, excelente.

    A segunda nem tanto, muito por causa da escolha dos verbos compostos da primeira frase. Parece que metes o pé no freio e isso quebra muito o ritmo do texto. Depois consegues recuperar, mas já perdi um bocado do meu tesão inicial.

    A terceira parte continua a derrapar. O gerúndio aqui mata o texto. Foda-se, o ritmo marcado da primeira parte estava maravilhoso. Se tivesses continuado daquela maneira, ganhavas fácil o desafio. Corta o gerúndio. A partir de agora, a tua religião proíbe-te de usar gerúndio.

    A última parte está melhor, mas precisa de alguma edição. É uma pena. Tanto potencial… Dos textos que li ate agora, o teu não é o melhor, mas é o que tem o maior potencial. Faz uma edição como deve ser que vais ver só como ele fica bunitim bunitim.

  28. Anderson Prado
    6 de julho de 2021

    Jovem suicida encontra salvação no amor.

    O conto prometeu muito, mas entregou pouco. Gostei da abertura e do desenvolvimento, mas me decepcionei com o desfecho. Com um número limitadíssimo de palavras, o autor conseguiu construir, com muita habilidade, uma ótima história. Deparei-me com diversas frases muito inspiradas, repletas de significado. Minha implicância com o desfecho foi por ter achado os motivos para o não cometimento do suicídio muito frágeis, ainda que eu tenha me esforçado para aceitar a ideia de que a protagonista talvez fosse uma adolescente. Devo estar velho demais para um amor [romântico] redentor, que que me salve de um suicídio.

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Publicado às 5 de julho de 2021 por em Minicontos 2021, Minicontos 2021 - Finalistas, Minicontos 2021 - Grupo Pinscher e marcado .
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