EntreContos

Detox Literário.

[EM] Palavras ao vento (Mercador do fim do mundo)

Eu amo John, mas ele é uma pessoa complicada.

A velha fazenda foi o resultado da soma insana dos medos dele. Nunca partilhei dessa paranóia obsessiva, pois a única coisa que realmente dividíamos era um forte sentimento de longa data que eu achava ser amor. John comprou e modificou aquele lugar com quase todas as economias que tinha, mas, por algum motivo decidiu não mexer em um centavo do meu dinheiro. Foi sincero ao dizer que eu não tinha nenhuma obrigação de seguir aquele caminho, e que poderia pular do barco quando bem quisesse.

Ambos tínhamos pedido demissão de nossos empregos três meses antes, e foi nesse tempo que nosso relacionamento, já um tanto ruído, começou a definhar lentamente. Eu com certeza o amava, mas toda aquela conversa sobre a proximidade de uma guerra nuclear estava tirando meu sono noite após noite. Era cansativo demais ouvi-lo falar sobre como cada ação e reação da dança política mundial nos colocaria em rota de colisão com uma grande guerra atômica, e o quão terríveis as consequências daquilo poderiam ser. “Tínhamos que sobreviver, a humanidade tem de sobreviver”, dizia ele em seus inflamados discursos ao pôr do sol.

Estávamos isolados numa antiga fazenda caindo aos pedaços, longe o bastante para fazer a cidade mais próxima parecer apenas um conjunto de pequenas luzes brilhantes e achatadas na longínqua linha do horizonte. O lugar tinha falido cerca de três anos antes, por isso não foi tão cara sua compra, diferente da construção do maldito bunker entre a casa e o celeiro. John tinha gasto quase sessenta mil naquela construção monstruosa.

Tinha tudo lá, muita comida, bastante água e filtros, um pequeno quarto com banheiro, até mesmo armas ele colocou lá, tudo dentro de uma fúnebre caixa de concreto reforçado, enterrado bem perto da nossa sala. Era loucura, pura e palpável. Mesmo assim sempre estive do lado dele. Por mais que as ideias sobre a provável extinção da humanidade como resultado da próxima guerra não me entrassem muito na cabeça.

Já tinha se passado mais de um ano e meio desde nossa mudança, mas John ainda mantinha o mesmo genuíno espírito paranoico de sempre, mantendo em dia a manutenção do abrigo, checando a validade dos mantimentos e até mesmo repetindo à exaustão todos os malditos treinamentos e procedimentos no caso de ataque.

Não me lembro de quantas noites perdi após despertar sob o pânico agudo do alarme e dos gritos dele, enquanto me puxava às pressas para a escotilha do abrigo no meio da madrugada. Foram tantas as vezes que quase me acostumei com o desconfortável e fino catre que ele fixara em uma das paredes de concreto de nosso “quarto” subterrâneo.

No início até foi bom. Nosso relacionamento era tão bom quanto o de um casal normal, mas aos poucos tudo mudou. John só conseguia pensar e se preocupar com a iminência do fim do mundo. Com o passar do tempo fiquei amarga, me perguntando centenas de vezes por que deveria passar por aquilo. Todas as vezes que me indagava nunca chegava perto de uma simples conclusão lógica. Era como se eu tivesse que estar ali cuidando de uma criança doente, de um menino teimoso, birrento ou algo assim. Era triste pensar que não teríamos um futuro saudável juntos, pelo menos não daquela maneira patética e louca.

Numa manhã ensolarada de domingo, John estava em seu escritório, mexendo em seu grande rádio e monitorando as notícias como sempre. Eu entrei e sentei perto dele, ele porém pareceu não perceber, continuou focado no som ruidoso do maldito aparelho como se eu nem estivesse ali. Toquei seu ombro em busca de alguma atenção e tudo que recebi foi um olhar vago e sem sentimento por um segundo, até que ele se voltou para o rádio.

Nunca me senti tão só. Nunca me senti com tanto ódio. Todos os sentimentos que tinha enterrado afloraram de uma vez. Fui até o celeiro e arranquei o velho machado do antigo dono, voltei correndo na direção de John, que ao perceber meu olhar de ódio apenas cruzou os braços numa frágil tentativa de se defender do golpe. O machado percorreu um arco perfeito, descendo num golpe duro com ajuda da inércia do aço em movimento. John sentiu o golpe passar a poucos centímetros dele, com a lâmina enferrujada se enterrando bruscamente no console sobre a mesa.

Ele caiu sentado, paralisado por algum tempo sem entender o que havia acontecido, olhou pra mim e depois para o rádio destruído. Pensei que sua reação fosse ser violenta, dada a perda do aparelho, mas ele apenas se levantou com calma, pegou as chaves da picape e disse que ia até a cidade comprar um novo. Eu desabei em choro, mesmo assim ele não ligou, apenas pegou o carro e saiu. Não sei quanto tempo chorei aquele dia.

Depois de algumas horas me recompus, fiz minhas malas e me preparei para fugir dali. Precisava sair daquele lugar imediatamente para nunca mais voltar, pois agora estava mais do que decidida a deixar toda aquela merda para trás. Peguei tudo e fui até a porta da casa, saí e olhei pela última vez o pôr do sol por longos segundos. estava tão lindo quanto deveria ser. Ao longe a cidade parecia silenciosa e calma. John tinha passado quase o dia todo fora, talvez não tivesse encontrado o maldito rádio. Não importava, eu não iria esperar.

Antes de sair voltei até o escritório e peguei um mapa da região e um dos nossos telefones por satélite. Ao voltar para o rádio percebi que mesmo com o machado fincado ainda funcionava, porém reproduzindo as conversas roucas e cheias de estática de sempre, só que agora com bastante dificuldade. Por um minuto achei o tom mais agitado do que o normal, mas decidi não me importar. Desliguei tudo e saí, tomando o caminho entre as plantações mortas da fazenda.

Depois de alguns metros ouvi o barulho abafado do telefone dentro da bolsa, olhei e era John, desliguei e segui meu caminho. O aparelho tocou novamente, e de novo era ele. Decidi colocar no silencioso ou algo do tipo, mas não fazia ideia como. Foi então que eu ouvi. Era um barulho baixo vindo de cima da minha cabeça, como um sibilo quase mudo de algo rápido cortando o ar entre as nuvens. Olhei melhor e vi que a coisa que fazia aquele barulho soltava um rastro fino de fumaça branca atrás de si. A coisa então pareceu perder altura e mergulhou com velocidade sobre o centro da cidade.

Nunca imaginei ver algo como aquilo. Quando a bomba caiu, um clarão branco tomou conta de tudo. Um grito agonizante da cidade ecoou ao longe. Fechei meus olhos, mas mesmo assim eles sentiram a grande onda de calor os cozinhando. Foi como estar de frente para o centro do próprio sol. Lembrei do que Jhon tinha falado, então corri o mais rápido que pude de volta para a fazenda enquanto a terra tremia sob meus pés. A cada passo que dava sentia o calor aumentando cada vez mais. Era a onda de choque a caminho. Depois de alguns metros pude ver os contornos da escotilha de metal do abrigo. Aquilo me deu alguma esperança, porém não fui tão rápida.

Não houve tempo de fugir. Fui jogada longe pelo impacto da onda e rolei na grama seca até próximo da entrada do bunker. Tentei me colocar de pé, mas a torrente de furiosa de fumaça quente me manteve no chão, enquanto grandes destroços voavam a poucos metros da minha cabeça. Me arrastei com dificuldade até a escotilha e toquei o metal quase incandescente, o soltando com gritos de dor logo depois. Mais pedaços voaram da casa em minha direção, até que um deles, um grande pedaço de madeira, me atingiu em cheio. Desmaiei na hora.

Quando dei por mim estava coberta pelo que restou da casa, que aparentemente não existia mais, assim como o celeiro que tinha ido pelos ares. Gritei de dor assim que percebi que ainda estava viva. Me arrastei com dificuldade pra fora daquela pilha de madeira fumegante e tropecei sem rumo por alguns metros. Eu estava coberta de fuligem quente e uma grande soma de fumaça preta envolvia tudo, dificultando muito a visão. Tentei abrir um pouco mais os olhos, mas uma dor imensa me alertou a não fazê-lo. Toquei com uma das mãos em carne viva o olho direito e percebi que havia pele queimada e um líquido grosso escorrendo aos poucos pela ferida.

Olhei ao redor com o olho esquerdo semi cerrado e vi que tudo tinha sido varrido pelo impacto, nada estava em pé, nem mesmo uma tábua. Olhei então na direção onde deveria estar a cidade, mas tudo que pude ver foi uma grande nuvem escura em formato de cogumelo tocando o firmamento. Era um pesadelo, um pesadelo real, quase como uma piada infame do destino. Algo então começou a cair do céu. No início parecia neve, mas logo depois percebi que eram cinzas da explosão da cidade. Sem forças, me ajoelhei e chorei lágrimas e sangue enquanto pensava o quanto de John poderia estar naquela neve maldita.

Eu amava John.

Ele era uma pessoa complicada.

Mas infelizmente estava certo.

15 comentários em “[EM] Palavras ao vento (Mercador do fim do mundo)

  1. Alessandra Cotting Baracho
    10 de maio de 2021

    Ambientação: Um lugar remoto, distante e tranquilo. Gosto do espaço descrito e da forma da descrição.

    Enredo: Muito bom. A eminência da guerra em detrimento da tranquilidade rural. Gostei dos direcionamentos da narrativa e do desfecho.

    Escrita: Dentro dos padrões. Tem fluência e atenção às construções frasais.

    Considerações finais: O texto tem qualidades. Particularmente gosto de histórias mais curtas o que e o caso.

  2. Marcia Dias
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Uma fazenda antiga e afastada de tudo é um ambiente muito bom para se ver o fim do mundo com mais chances de sobreviver. Um horizonte limpo em que se vê apenas o sol e a cidade minúscula ao longe dá muito corpo ao conto. A ideia não é nova, mas me empolguei. Não me empolgo só com novidades.

    Enredo: Muito envolvente. A história de um casal que vive em função da espera de uma guerra nuclear causa muita expectativa. Entendemos o ambiente de loucura que domina os dias em que passam treinando para encarar o fatídico dia. E quando ele vem, eles não estão preparados! Quem está?

    Escrita: Muito boa, fluente e caprichosa.

    Considerações finais: A história é curta, mas é completa. Não senti falta de complemento nenhum, apenas queria ler mais. Não para entender a trama, mas para mergulhar nela e apreciá-la. Conto gostoso de ler!

  3. Anderson Prado
    5 de maio de 2021

    Ambientação: A ambientação na fazenda é boa. E a descrição da explosão e suas consequências beira o fantástico (tudo bem próximo das descrições reais dos eventos em Hiroshima e Nagasaki).

    Enredo: A parte da descrição da paranoia do marido é excelente (a realidade, sobretudo a americana, é prolixa de casos como esse). Também é fantástica a descrição da explosão e seus efeitos (achei muito realista e competente).

    Porém, em dois momentos odiei o enredo. O primeiro foi a parte do romance, que, pra mim, beirou, principalmente no desfecho, o piegas. Porém, eu poderia ignorar esse ponto. No entanto, houve um segundo momento em que sofri um ódio desmedido pelo enredo: quando os receios do homem se concretizaram, quando o ataque nuclear realmente ocorreu. Pra mim, ficou parecendo uma solução fácil, conveniente.

    O autor realizou dois grandes acertos: 1. descrever com excelência a paranoia do homem e 2. descrever com excelências as consequências de uma explosão nuclear, mas estragou tudo adotando uma solução fácil: o evento paranoicamente temido se concretizou, matando o paranoico e, ao mesmo tempo, provando que ele estava certo e, mais, dando uma “lição de moral” na companheira que o ignorou, que duvidou dele: agora, ela terá de suportar o fardo das consequências de sua descrença.

    Enfim, o autor perdeu a oportunidade de escrever um grande conto sobre um tipo muito específico de paranoia (esse tipo de paranoia já foi muito bem explorada no filme “O abrigo”). E perdeu também a oportunidade de escrever um conto sobre as consequências dramáticas das explosões nucleares, quem sabe ambientando seu conto em Hiroshima ou Nagasaki (nesse conto, poderia falar do drama dos sobreviventes de uma maneira séria, respeitosa e comovente e, não, adotando uma solução fácil para “dar uma lição” numa personagem descrente e, até certo ponto, bitolada, já que suportou por tanto tempo as agruras de um relacionamento desequilibrado).

    Quase ia me esquecendo: houve outro momento em que o autor se revelou magistral (além da descrição da paranoia e dos efeitos da bomba atômica) – foi na cena da machadada. Esse cena foi bastante aterrorizante. Repleta de suspense mesmo. Fui enganado. Pensei que o conto descambaria para o terror. Pensei que a machadada seria no homem.

    Escrita: A escrita é boa. Não me deparei com erros reprováveis.

    Considerações gerais: É um conto nota 9,8.

  4. Luis Fernando Amancio
    4 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO
    Competente, ainda que não seja precisa. A história se passa em uma fazenda afastada da cidade, com um bunker para abrigar seus moradores em uma eventual guerra nuclear. Pode ser um conflito futuro ou do passado. Não faz diferença.
    ENREDO
    Marido paranoico se muda com a esposa para uma fazenda afastada, com bunker, após os dois abandonarem seus empregos. O relacionamento está em crise, a esposa desconfia que o marido esteja levando a sério demais o perigo da guerra. Ela perde a paciência com a situação, o que faz o marido ir para a cidade em busca de um rádio novo. É quando ocorre a explosão. Enredo simples e desenvolvido de forma adequada.
    ESCRITA
    Também competente, embora com pequenas falhas (emprego de vírgulas e frases mais longas do que o recomendado em alguns momentos). O foco do autor é contar a história, o que faz de forma objetiva.
    CONSIDERAÇÕES GERAIS
    É um texto que cumpre com o prometido, com bom ritmo. Parabéns ao autor. O desenvolvimento da narrativa, na minha opinião, não foi o melhor. Não há construção de tensão. Logo no princípio o centro da ação, que é o relacionamento do casal, é apresentado como “em crise”. Fica assim até o final. Faltou uma evolução, algo que culminasse melhor com o ataque de machado ao rádio.

  5. davenirviganon
    4 de maio de 2021

    [EM] Palavras ao vento (Mercador do fim do mundo)

    Ambientação: Focou no medo nuclear, muito presente na época da Guerra Fria, provavelmente se passando nos EUA, onde eram comuns a aquisição de bunkers no quintal de casa. Senti mais falta do ‘fantástico’ no teu conto, houve apenas a explosão e ela foi no fim.
    Enredo: Simples e eficiente. Girou entorno da paranoia e fez um final infeliz do tipo além da imaginação.
    Escrita: Simples e eficiente. Não houve problemas suficientes para atrapalhar a experiência. Narrou o dilema da protagonista, que tinha razão mas se ferrou do mesmo jeito. Gostei que não enrolou demais. O conto era curto e é isso. Não é porque havia um limite de palavras no desafio, que o autor tenha que usar para explicar alguma coisa ou explorar outros personagens.
    Considerações gerais: O final, com a explosão, não foi o suficiente para imergir no mundo fantástico e isso pesou contra, a favor temos a concisão, história bem contada sobre a paranoia.

  6. KellyHatanaka
    3 de maio de 2021

    Olá, Mercador.

    Muito boa, a sua história! Meus comentários, abaixo.

    Ambientação:
    Eficiente. Sem mirabolancias, desenha muito bem o espaço físico e a sensação de solidão. Esta sensação de solidão é importante para dar voz ao sentimento descrença e impotência da narradora.

    Enredo:
    Enredo simples. Há rumores do fim do mundo e ele, de fato, ocorre. O ponto aqui é o relacionamento entre uma pessoa que acredita que o fim está cada vez mais próximo e outra que não crê.

    Escrita:
    Escrita fluida e correta, na qual é possível sentir a irritação crescente da narradora e suas dores. Muito bom!

    Considerações gerais:
    É uma história bem feita e bem contada. Porém, ficou uma sensação de quero mais. Dado o limite de palavras, acho que teria caído bem um pouco mais de história. Mostrar um pouco mais de John ou do que aconteceu com a narradora após a explosão.

  7. opedropaulo
    2 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO: Fazendas isoladas, bunkers nucleares e sujeitos paranoicos. Parece uma reedição do medo sentido na Guerra Fria, quando um conflito nuclear era iminente e o “Doomsday Clock” aproximava seu ponteiro maior da meia-noite. Nesse sentido, o atrofiamento do relacionns me pareceu ser um bom ângulo para se adotar para contar essa história. O cenário ficou bem representado, embora, como já dito, puxando de uma imagem bem típica de um período, a inspiração parecendo influenciar também os personagens, o marido se chamando “John”. Chuto que a cidade deve ser uma das principais capitais dos Estados Unidos, o ano é algum da década de 60!

    ENREDO: Nesse tópico vou abordar o tema e a estória. Achei que o “fim do mundo” pedido pelo certame ficou em segundo plano, enquanto que o principal mote da história é o relacionamento entre os dois personagens, fendido pela paranoia de um deles. Como bem observou um outro participante do desafio, caso seja o desejo do autor, um relacionamento pode significar o fim do mundo para uma personagem, mas não vi essa escala ser trazida para o texto e, assim, o principal que se leu foi os sentimentos de desespero e solidão se apossando da personagem na medida em que a distância entre ela e John foi aumentando. Sobre essa história, acho que tudo ocorreu de forma bem convencional. A paranoia sobrepôs o amor, a solidão enterrou a personagem e, numa perversa ironia, o fim do mundo atômico realmente ocorreu. Em certo momento imaginei que a história seria justamente sobre a esposa tentando sobreviver no bunker que por muito tempo desprezara, mas então o conto se encerrou, tangente no tema e sem personagens muito mais aprofundados do que o cenário pediu deles.

    ESCRITA: Gostei bastante da escrita empregada aqui, a narração em primeira pessoa agilizando os fatos enquanto também nos apresentando aos tormentos da narradora. Um bom exemplo disso é visto nos primeiros parágrafos, em que já da primeira linha sentimos a incerteza e insegurança da narradora ao mesmo tempo em que, como numa sequência de imagens, compreendemos o que está acontecendo em sua vida. Pude visualizar bem, por exemplo, o discurso caloroso e inflamado de John de frente ao pôr do sol, enxergando na beleza do poente o brilho fatal de uma explosão atômica.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: Acho que o cenário ficou bem representado, especialmente nos detalhes e na caracterização das personagens e do lugar em que se refugiaram. Por outro lado, acredito que teria sido bem-vinda uma expansão adentro das personagens, talvez trazendo mais dos seus passados e de quais anseios foram atropelados pela mudança para a fazendo. Por exemplo: certo, demitiram-se de seus empregos, mas qual era a relação deles com os seus respectivos trabalhos e, uma vez decididos pela fazenda, o que viam pela frente? São perguntas que, uma vez respondidas, poderiam ter enriquecido as personagens, da mesma forma que dar mais ênfase ao fim do mundo traria o texto mais para dentro do tema do certame.

    Boa sorte!

  8. Danilo Heitor
    2 de maio de 2021

    Ambientação: gostei da construção do ambiente, a fazenda afastada, o rádio, o bunker, elementos clássicos de fim do mundo nuclear.

    Enredo: um pouco batido, embora clássico. Imaginei que mais coisas fossem acontecer entre o casal para além do distanciamento afetivo. Talvez pudesse ter descrito mais o dia a dia na fazenda, para além das coisas relacionadas à paranoia de Jonh.

    Escrita: um tanto confusa. A personagem começa dizendo que ama John, depois diz que julgava que era amor. As ações no tempo estão demarcadas de uma forma um pouco bagunçada, tornando um pouco difícil entender em que momento do tempo a história está. Também há alguma repetição de palavras em certas passagens. Achei que a ação, concentrada no final, teve um ritmo bom, embora a conclusão tenha ficado um tanto aberta. John estava na fazenda de volta? Ou estava ainda na cidade/voltando da cidade?

    Considerações gerais: acho que a ideia é muito boa, mas poderia ter sido melhor explorada. Reorganizando algumas passagens, por exemplo, o ritmo do conto ficaria melhor. E acho que poderia ter tido mais acontecimentos inesperados/marcantes, a machadada foi interessante mas se resolveu de uma forma meio frustrante.

  9. thiagocastrosouza
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Ambiente isolado, eficaz para aumentar a tensão do casal , auxilia no desenvolvimento da narrativa. Você não se demorou nas descrições. Colocou os personagens no cenário e pronto, o que para mim nesse caso, foi ilum ponto positivo.

    Enredo: Enredo simples, cujo desdobrar, quando ocorre, não surpreende. Fiquei pensando em como essa relação se deteriorou ao longo do tempo, mas como a narrativa já se inicia com a personagem cansada da companhia de John, o desfecho do arco dos dois não teve tanto impacto. O final é belíssimo! Tivesse desenvolvido melhor a relação/tensão entre os personagens, ele seria muito bem aproveitado.

    Escrita: Direta, sem poeticidade ou volteios. A personagem conta o que viu e sofreu. Há alguns lugares comuns, como “Numa manhã ensolarada de domingo”, além de um erro de revisão em “torrente de furiosa de fumaça quente”. O ponto positivo é que não há confusões no seu conto.

    Considerações gerais: No geral, gostei, apesar dos lugares comuns, está bem escrito e o final é excelente!

    Parabéns e Boa sorte!

  10. Αθήνα
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Boa, descreveu bem o lugar sem gastar mais linhas do que o necessário

    Enredo: Gostei, não tem muita ação mas tudo bem, é um estilo mais realista eu gosto da trama psicológica

    Escrita: Fluida e clara, parágrafos bem divididos

    Considerações gerais: Eu gostei do texto, só fiquei confusa na hora da explosão que não consegui identificar muito bem para onde ia a bomba e aonde estava as personagens. Pareceu que as duas personagens foram atingidas pela bomba mas elas estavam em lugares distintos.

  11. Ana Caroline de Arimathea
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Gostei muito, acho que você descreveu o ambiente na medida certa, com linhas suficientes pra gente entender o que está acontecendo mas sem perder muito tempo

    Enredo: É um enredo mais psicológico do que de ação, e não tem nada de errado nisso, eu gosto, são duas vidas comuns no fim do mundo.

    Escrita: Muito bem feita, fluida e clara

    Considerações gerais: O texto é bem bom, só tenho uma coisa a comentar, na parte da bomba, não ficou claro pra mim a posição da personagem no ambiente, ela não tinha saído? Onde foi que a bomba atingiu, na cidade ou na fazenda? Ela desmaiou com a explosão mas quem morreu foi o companheiro que estava em um lugar distinto, não? A história é legal, mas essa parte ficou um pouco confusa.

  12. Lucas Julião
    1 de maio de 2021

    Ambientação: A ambientação está boa. As imagens estão legais e bem construída. O único problema é que uma explosão nuclear é mais rápida do que o descrito… Não daria tempo dela ir e voltar como imaginou.
    Enredo: Tranquilo, bem desenvolvido o único problema é que a personagem principal poderia ter ido embora muito antes… Pense! Qualquer pessoa em situação normal teria desaparecido meses antes dela. E não há nada na história que indique que ela tinha alguma dependência emocional dele.
    Escrita: Tá muito bem escritinho.
    Considerações gerais: É um conto 7,5/10. Só tem os dois problemas que descrevi.

  13. Ana Lúcia
    1 de maio de 2021

    Ambientação: achei meio chato de início toda a explicação sobre o relacionamento do casal, e no final a garota dizendo que amava John pra fim foi meio estranho e talvez desperado, mas pode fazer sentido pelo fato de ela estar à beira da morte.
    Enredo: gostei de como foi construída a trama, mesmo que meio devagar. Porém um ponto que pra mim foi ruim, foi quando a garota simplesmente ataca o amado por raiva. Como ela mesmo disse, ele deixaria ela sair quando quisesse, então ela não precisava tentar atacá-lo.
    Escrita: achei bem fluida.
    Consideração gerais: Achei bem mais pontos positivos do que negativos e a fluidez da escrita contribuiu muito para isso.

  14. antoniosbatista
    1 de maio de 2021

    Ambientação= Conto de acordo com o tema. Boas descrições, imagens visuais perfeitas.

    Enredo= O enredo não é nada espetacular, original, mas gostei da trama, do suspense que cresce e se intensifica no final contundente, apesar de comum.

    Escrita= Também gostei da escrita simples, sem grandes ornamentos mas claras, precisas e objetivas.

    Considerações gerais= Acho que houve uma falha na narração, quando a protagonista/narradora, se refere ao seu sentimento pelo companheiro- “…era um forte sentimento que eu achava que era amor”. Logo adiante ela diz; “Eu com certeza o amava”. Não sei, acho que primeiro ela tinha dúvida e depois ficou com certeza. Deve ser isso. No mais é um bom conto, embora não tenha me surpreendido com o final.

  15. Tolbert Dzowo
    1 de maio de 2021

    Ambientação : foi um pouco parado para um fim do mundo, não ouve lá grande desenvolvimento, estava esperando mais impacto é fim do mundo, sendo assim deveria haver aquela correria do fim do mundo.
    Erendo: foi calmo e suave, se calhar pelo número de páginas, ouve pouca acção e muita imaginação.
    Escrita : não notei nenhum problema foi bem elaborado
    Considerações gerais : gostei da narração, porém esperava por acção que não houve, as crises que ocorrem no final do mundo a luta pela sobrevivência, tirado isso gostei.

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Informação

Publicado em 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo.