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Detox Literário.

Despedidas (Givago Thimoti)

Depois de anos distantes, o falecido assombrava Cristiano, quase homem feito; noivo, doutor formado, riquíssimo, de postura importante. Não lembrava em nada o jovem choroso, sonhador, exilado que a cidadezinha viu partir.

Quando chegou a despedida, a revolta juvenil abafada pelo passar dos tempos retornou; as grosserias proferidas pela voz brutal e alcoolizada, bem como as agressões certeiras das mãos calejadas do pai reabriram cicatrizes antigas. 

Estava pronto para regurgitar o ressentimento acumulado, até perceber, com muita dor, as lágrimas sinceras dos demais presentes. Entendeu que Justiniano, ou Seu Juju, havia sido um pai para muitos, menos para Cristiano.

77 comentários em “Despedidas (Givago Thimoti)

  1. Vanilla
    1 de fevereiro de 2020

    Uau que escrita bem feita, não tenho comentários, parabéns!

  2. Daniel Reis
    1 de fevereiro de 2020

    Um conto cinematográfico, sem dúvida, e que consegue, em poucas palavras, contextualizar os acontecimentos e sentimentos de Cristiano em relação ao pai. Não tenho nenhum reparo. Parabéns!!

  3. Tom Lima
    1 de fevereiro de 2020

    Que paulada. Minha identificação com seu conto vai num nível difícil de dizer.
    É interessante que o texto não diz explicitamente em que tempo passa a história, mas me passou a ideia de uma cidadezinha de Minas, ou do interior do Rio, em algum momento do final do século XIX, no máximo início do XX, mas antes das guerras. Acredito que tem muita força o texto que diz sem dizer, que traz seus efeitos com sutileza.
    Parabéns, e abraços.

    • Maria Rita
      1 de fevereiro de 2020

      Olá, Tom!! Tudo bem??
      Ironicamente, imaginei realmente que a história se passasse no interior. O interessante é que você citou o interior do RJ, de onde parte da minha família. Muito obrigado pelo seu comentário!!

      • Maria Rita
        1 de fevereiro de 2020

        Interior de Minas*

  4. Carolina Langoni
    1 de fevereiro de 2020

    As pessoas pensam demais no que é coisa de jovem e coisa de adulto (na minha visão não existe isso e sim o que as pessoas querem fazer)
    Coisas joviais e fantasiosas são vistas negativamente de forma imatura.
    E, coisas que trazem dinheiro são vistas como maduras e intelectuais.
    As coisas são só coisas as histórias, não deixam de serem histórias, somos nós que taxamos como imaturidade e futilidade. (o texto me fez pensar nisso, embora não fosse o objetivo do autor)
    Triste ver que ele não se dava bem com o pai e ele morreu sem se darem bem.
    Gostei da trama, da narrativa e da descrição dos personagens

  5. Ana Maria Monteiro
    1 de fevereiro de 2020

    Olá, Maria Rita. Gostei muito do seu micro que aborda um tema raramente aflorado: a extrema diferença entre a pessoa pública e a privada. Efetivamente, não faltam filhos (e filhas e mulheres e outros coabitantes) vítimas da violência e maus-tratos de alguém que é uma pessoa apreciada por todos quantos a conhecem, por vezes encantadora e bom amigo. Porém… Cristiano teria certamente preferido ser filho do vizinho e não desse pai. Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Rubem Cabral
    1 de fevereiro de 2020

    Olá, Maria Rita.
    Bem triste o microconto. Muitas vezes isso ocorre de verdade. Incrível vc ter colocado tantas camadas em tão poucas palavras. Muito bom!
    Boa sorte no desafio!

  7. Carlos Vieira
    1 de fevereiro de 2020

    Oi, Maria Rita! O interessante do tema abordado com tão pouco espaço disponível é que não permite desenvolver muito as razões de um conflito sério entre Cristiano e o falecido pai. Achei nessa limitação um ponto interessante para a própria reflexão sobre o remorso, porque às vezes simplesmente sintetizamos o sentimento de raiva e guardamos o rancor a sete chaves. O arco do personagem demonstra uma superação ou sucesso do ponto de vista financeiro e amoroso, justificando inclusive o “exílio” de Cristiano, consagrando-o com retorno “por cima” à cidadezinha. Os personagens, no entanto, me apareceram sob um viés superficial, um que se supera, vitimizado, outro que sucumbe, alcoólatra e bruto, o que me leva a inferir que a história foi narrada sob o ponto de vista do próprio Cristiano. De todo modo, parabéns e boa sorte!

  8. Matheus Pacheco
    1 de fevereiro de 2020

    É algo difícil de perdoar um pai que nunca foi um pai, mas ainda assim é mais difícil ver que este foi para outros o que nunca foi para você.
    Talvez ele buscasse remissão pelo jeito que tratou o filho, talvez ele não soubesse demonstrar o que sentia e só conseguia se expressar pela violência.
    Um conto muito reflexivo, adorei.
    Um abraço

  9. M. A. Thompson
    1 de fevereiro de 2020

    Filho rancoroso retorna para o enterro do pai e descobre que ao olhos dos outros o algoz era outro. Parabéns.

  10. Thata Pereira
    1 de fevereiro de 2020

    Achei o micro bonito, mas me abriu espaço para três possibilidades:
    – O pai foi um carrasco com o filho e quando ele foi embora o pai se arrependeu;
    – O filho que se sentia injustiçado e não via o lado bom do pai;
    – O pai era um ruim para o filho e bom para a comunidade.
    Queria que essa respostas viesse no conto.
    Boa sorte!!

  11. Gustavo Azure
    1 de fevereiro de 2020

    Gostei bastante desse conto. A maneira como descreveu a vida do protagonista e depois o trouxe de volta para casa e a relação com o pai, morto. Viu como ele era bom com outras pessoas menos com o próprio filho. Questiona a paternidade, ou a falta dela, tão naturalizada. Parabéns, boa sorte

  12. Renata Rothstein
    31 de janeiro de 2020

    Excelente micro conto….a vida passa, as pessoas se modificam, muitas conseguem emergir quando vítimas de relacionamentos abusivos, outras não…
    Mas quando a hora da despedida chega, é difícil, mega difícil, sobretudo para o alvo do abusador, quando percebe que tal pessoa era tida como quase santa, para muitos.
    Parabéns por trazer tanta história e fazer pensar tanto, em tão poucas palavras.
    Boa sorte!

  13. Marco Aurélio Saraiva
    31 de janeiro de 2020

    Forte, belo e profundo. Um conto que precisei reler para pegar todas as nuances. Voce usou muito bem o espaço dado e escolheu muito bem as palavras; nada aqui foi escrito sem antes ser pensado e medido. Em pouco tempo você nos mostrou Cristiano e seu pai, e vimos uma vida passar diante de nossos olhos para entao nos vermos no velório. Posso dizer que foi um microconto escrito com maestria pelas mãos de quem sabe o que faz.

    Escrita: Excelente
    Conto: excelente

    • Maria Rita
      31 de janeiro de 2020

      🤧😍🙏🙏🙏🙏

  14. Sarah S Nascimento
    31 de janeiro de 2020

    Olá, você escreveu um bom microconto. Achei interessante as descrições do Cristiano no presente e o Cristiano do passado.
    Porém, o microconto é confuso. No início diz que o personagem principal era atormentado pelo falecido pai.
    Depois dá a entender ou que Cristiano voltou para a cidade dele e os velhos hábitos ruins tomaram conta do pai, sugerindo que no presente o pai dele estava vivo. Ou toda a situação descrita aconteceu no passado. Mas, se foi no passado porque diz que na despedida retornou a revolta da juventude?
    É difícil entender em que tempo acontecem as coisas, se são lembranças ou não. Ainda assim, foi um bom microconto, parabéns.

    • Maria Rita
      31 de janeiro de 2020

      Olá, Sarah, tudo bem???

      Que bom que você gostou. Então, vim para tentar elucidar um pouco suas dúvidas.

      A situação é descrita no passado, já que Cristiano saiu de casa jovem. No enterro (que é a despedida), depois de anos, seu ressentimento “retorna”/”aflora”, com as lembranças dos seus problemas com o pai.

  15. Angela Cristina
    31 de janeiro de 2020

    Olá!
    Bom texto.
    Sentimentos fortes e bem identificados.
    Parabéns.

  16. Catarina Cunha
    31 de janeiro de 2020

    Homem evolui e releva maus tratos sofridos pelo pai na infância.
    Elementos fundamentais do microconto:
    Técnica — boa. Embora muito linear tem seu mérito.
    Impacto — regular. O perdão estava implícito na evolução.
    Trama — boa. Entendi que o “quase homem feito” estava na necessidade de perdoar o pai.
    Objetividade — regular. O uso excessivo de adjetivos prejudicou um pouco.

  17. Amanda Gomez
    30 de janeiro de 2020

    Olá,

    Gostei do conto, o personagem está bem composto, o passado dele o relacionamento com o pai. Ele saiu da cidadezinha ” venceu na vida” não olhou para trás até aquele momento em que deveria se despedir. E nisso vem tudo a tona, as mágoas, as lembranças a necessidade de expor aquilo, nem qu seja uma última vez…ou a primeira?

    O final é a boa sacada do conto, a fragilidade e impotência do personagem diante dessa constatação. O homem ali no caixão não era o vilão de todos, apenas dele. E nada que ele fizesse mudaria a estima e as lágrimas que os presentes derramaram por ele. Fiquei pensando no que ele fez depois desse velório.

    Parabéns!

    • Maria Rita
      30 de janeiro de 2020

      Oooi Amanda!!

      Bom, fica à vontade para me contar o que você acha que ele fez. Eu imagino ele voltando de carro, tentando aprender a conviver com esse tipo de sentimento! Pelo menos, é o que eu faria

  18. Fil Felix
    30 de janeiro de 2020

    Boa tarde! Um conto muito bom, que traz muito em suas entrelinhas. Temos o pai ausente e o alívio do filho ao tentar uma catarse, em reconhecer no homem que acabara de morrer uma pessoa diferente, tentando aceitar a situação. Mostra que as vezes nem o tempo é capaz de curar certas feridas.

    • Maria Rita
      30 de janeiro de 2020

      Obrigado por sua análise, Fil!

      Que bom que leu as entrelinhas. Elas são as mais complicadas de se absorverem

  19. Ana Carolina Machado
    29 de janeiro de 2020

    Oiiii. Um microconto sobre um homem que teve um relacionamento difícil com o pai e a sensação em seu peito piora quando nota que ele parecia ser outra pessoa para estranhos, como diz, foi um pai para eles. Acho que o texto é acima de tudo sobre a dificuldade de liberar o perdão pelas atitudes passadas. Parabéns pelo microconto e boa sorte no desafio!

  20. Cicero G Lopes
    29 de janeiro de 2020

    Gostei do seu conto, as reminiscências, a raiva represada, a conexão ruidosa, a conta que se fecha. Muito bem escrito e muito clara a sua mensagem. Boa sorte.

  21. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2020

    Olá, Maria.

    Eu entendo Cristiano. Tive um pai que, para mim, não foi pai. Ele está mais para desconhecido e agressor, tanto física como moralmente (principalmente isso), haha. Deve ter sido doloroso para ele encarar que seu monstro pode ter sido um anjo para outras pessoas. Sei disso, pois ele é isso para minha irmã: um amor de pessoa.

    O ser humano é plural. E isso é algo muito bonito e feio.

    Parabéns pelo conto que inspira emoções! E boa sorte!

    • Maria Rita
      30 de janeiro de 2020

      Olá, Fábio, tudo bem?
      Espero que esteja!
      Nesse conto tentei mostrar realmente essa dicotomia que existe em pessoas que nos magoam. No final, nem sempre nossos vilões são realmente vilões… Às vezes eles são os heróis de outras pessoas. Obrigado pelo elogio final!!

      MTA paz para você!

  22. Rafael Carvalho
    29 de janeiro de 2020

    Parabéns pelo conto, bem escrito e consegue trazer algo de empatia pelo personagem. Espero que não tenha sido inspirado biograficamente, mas trouxe um ar de realidade bem nítido ao enredo
    Parabéns pela escrita, boa sorte, abraço.

  23. Maria Alice Zocchio
    28 de janeiro de 2020

    Ia despedir-se do pai e ia também expor os ressentimentos, mas o conto dá uma virada quando ele observa os outros presentes chorosos. É possível pensar que , depois do observado, o filho carregará ainda pela vida mais esta mágoa represada. Bom texto.

  24. Claudio Alves
    28 de janeiro de 2020

    Interessante o conto, não só pelo ressentimento do filho que descobre como o pai era bom para os outros e começa a repensar a figura do “seu Juju” e quem ele teria sido de verdade. Já que o conto nos transpõe no tempo, a gente lembra que, “antigamente”, os homens eram educados para serem pais severos porque, pensava-se, assim os filhos seriam bons e bem sucedidos. Pois é. Bom Conto. Boa sorte no Desafio.

  25. Priscila Pereira
    28 de janeiro de 2020

    Olá, Maria Rita!
    Conto cheio de sentimento e ressentimento…deixou aquele sentimento de que nada cura a dor da falta de afeto dos pais, nada. Riqueza, status, realização pessoal, sentimental e financeira… nada compensa a falta de amor e carinho de um pai e uma mãe… Muito triste!
    Achei o micro com muita informação para um micro, não sei se vc me entende… rsrsrsr podia ter deixado algumas coisas no ar…
    No mais é um conto muito muito bom!
    Parabéns e boa sorte!

  26. Evandro Furtado
    28 de janeiro de 2020

    Um bom conto que discute paternidade sob uma perspectiva diferenciada. Acho que a única falha é a falta de foco na trama. Sinto que o(a) autor(a) quis lidar com muitos aspectos em um espaço muito curto.

  27. Davenir Viganon
    28 de janeiro de 2020

    Um enredo completo em um conto tão curto, deixou aberto os sentimentos certos para nos deixar pensando os motivos da decisão silenciosa do protagonista. Muito bom conto.

  28. Pedro Paulo
    27 de janeiro de 2020

    Muito bom. O microconto dispõe uma situação, dá profundidade e dá um desfecho que segue em duas frentes: a prática, com a decisão da personagem em guardar seus ressentimentos, e a interna, que se refere às feridas da personagem e a uma espécie de conclusão resignada que tanto serve ao personagem como ao microconto.

  29. Anderson Góes
    27 de janeiro de 2020

    Eu sei bem o que o personagem principal sentiu, rejeição, ressentimento, mágoa e tantos outros sentimentos que esse pai gerou nesse filho… Acho que cresceram mais devido ao fato de ele ser ruim apenas para ele e para os outros uma boa pessoa, ou será que ele exagerou ao se vitimizar demais e não perceber que a rigidez do pai não era maior que com os outros e ele só viu o lado negativo e não percebeu que o pai fazia aquilo por amor… Gostei do canto porque me fez pensar sobre os sentimentos dos personagens. Parabéns, bom conto!

  30. antoniosbatista
    27 de janeiro de 2020

    No enterro do pai, o filho descobre que ele foi bom par todo mundo, menos para ele. É um drama bem comum. Uma história simples, um final simples. A Autora tem boa escrita, mas essa ideia foi ruim. Meu conselho é trabalhar mais os argumentos, deixar a zona de conforte e aventurar-se mais em tramas complexos, suspense, terror, drama psicológico, com mistérios e reviravoltas. etc. e tal. Escrever contos é mais do que isso. É criando e escrevendo o que ninguém escreveu. É ser original,

  31. brunafrancielle
    27 de janeiro de 2020

    Bem, depois de ler umas 3x cheguei a conclusão que o conto se passa num velório.
    Fala sobre o relacionamento conturbado de pai e filho, onde talvez apenas o filho conheça verdadeiramente o pai, que ele se mostrava outra pessoa pro resto da sociedade.
    Uma história interessante, mas que poderia ficar melhor com uma reformulação da narrativa.

  32. Andre Brizola
    27 de janeiro de 2020

    Olá, Maria! Gostei do enredo e do desfecho de seu conto. As mágoas e angústias geradas por anos de maus tratos foram bem representadas em suas palavras. Meu senão é para com a organização do texto, um tanto confuso, em minha opinião. Mas é um bom conto. Boa sorte no desafio!

  33. Valéria Vianna
    26 de janeiro de 2020

    Momento da morte como revelação de aspectos do outro inimagináveis em contexto familiar. Quem já não viveu isso em menor ou maior grau? Com ou sem ressentimentos? Congratulações.

  34. Marília Marques Ramos
    26 de janeiro de 2020

    A confusão que o texto gera faz parte da sensação que o autor quis passar. Gostei muito!

  35. Luiz Eduardo Domingues
    26 de janeiro de 2020

    Como conto em si, acho que o texto cumpriu o seu papel. Quanto à história, penso que o desfecho deixa um pouco a desejar. Mesmo que o personagem perceba que o seu falecido pai havia sido um “pai para muitos, menos para ele”, isso não me parece suficiente para alterar a relação entre os dois.

    Parabéns!

  36. Sabrina Dalbelo
    26 de janeiro de 2020

    Olá,
    O filho que veio ao funeral do pai e descobriu que ele amava todos, menos ele. Ok.
    O que eu cuidaria no conto se fosse meu: há períodos longos e muito adjetivados que confundem a compreensão do leitor. Dá pra enxugar, dinamizando o conto.
    Outra coisa: a gente espera isso do conto, pois essa trama é conhecida. Não há surpresas.
    O teu vocabulário é muito bom, saiba disso!
    Um abraço!

  37. jowilton
    26 de janeiro de 2020

    A narrativa poderia ter sido mais trabalhada, para que o entendimento da história e o envolvimento com os personagens fossem maiores. Não me impactou muito. Boa sorte no desafio.

  38. Regina Ruth Rincon Caires
    26 de janeiro de 2020

    Um texto que traduz a carga de ressentimento que o filho carrega. No velório do pai, a vontade de “vomitar” o sofrimento represado é contida quando percebe que o velho era amado por muitos. A narrativa é densa, complexa, muitas informações aglomeradas, portanto, exige uma leitura detalhada, talvez mais de uma, para que a compreensão seja plena.

    Parabéns, Maria Rita!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  39. Raione LP
    26 de janeiro de 2020

    Confesso que numa primeira leitura me confundi um pouco, não notando que a “despedida” do segundo parágrafo se referia à partida de Cristiano e não ao velório/enterro (daí a breve imagem fantástica que formei: o morto revidando com socos as ofensas do filho). O conto me pareceu um tanto carregado no aspecto descritivo e com alguns rodeios frasais, de modo que não consegui acreditar na realidade emocional das personagens, que é tão importante pra história. O apelido do pai, contudo, seu Juju, me pareceu um achado, que dá cor a uma situação um tanto vaga/genérica. O reconhecimento final do filho de que o pai havia tido mais de uma faceta me pareceu também uma ótima conclusão.

    Observação pontual: achei estranho “de postura importante” (não seria “de posição importante” [aspecto social] ou de “postura imponente” [aparência] ?).

  40. Bia Machado
    25 de janeiro de 2020

    Oi, tudo bem? Então, gostei do seu texto, mas achei que precisa reestruturar um pouco melhor, da forma como está tive que reler umas quatro vezes, com medo de que talvez eu não tivesse entendido algo… Obrigada!

  41. Elisa Ribeiro
    25 de janeiro de 2020

    Um filho magoado e ressentido que descobre que o pai dedicou muito mais amor a pessoas estranhas do que a ele. O conto narra uma situação carregada de emoções e sentimentos com muito potencial para conectar os leitores, porém acabou prejudicado pela falta de fluidez na narrativa. Parabéns pela participação. Um abraço.

  42. Luciana Merley
    25 de janeiro de 2020

    Olá, Maria Rita. O enredo traz uma história emocionante que envolve muitas mágoas de um filho em relação ao pai. A cena final do enterro é bastante significativa para o fechamento da sensação sobre o conto: a percepção de que o pai amou mais aos outros, o que certamente traria maior sofrimento. Veja! Minhas ressalvas são em relação à técnica da escrita. Achei pouco fluida e muito explicativa, com introduções desnecessárias como “quando chegou a despedida”… Mas um bom conto. Parabéns.

  43. Gustavo Araujo
    25 de janeiro de 2020

    Aqui temos o filho que a casa torna, para o funeral do pai. A ele vem a lembrança da vez em que se despedira escorraçado, cansado das agressões. Ali, no velório, ele sente necessidade de libertar esse ressentimento, mas acaba se refreando porque percebe que o pai, que para ele havia sido um carrasco, era bem quisto pela comunidade.

    Há certa confusão, aparentemente intencional, no conto, já que os tempos verbais não permitem que o leitor diferencie passado de presente. Mas a leitura mais atenta possibilita enxergar através da névoa e observar uma história de superação, de arrependimentos e de amor. Uma boa sacada.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  44. Alice Castro
    24 de janeiro de 2020

    Eu me emocionei. Como pais sempre tencionamos o melhor para os nossos filhos, mas como humanos, nem sempre seremos o q esperam de nós. Há que se perdoar as falhas que vemos nos nossos próprios pais enquanto eles estão vivos, pois nem todas as lembranças doloridas da nossa infância são de fato oriundas de atitudes de desleixo, desafeto ou descaso. A vida nos mostra que várias correções que tivemos na infância não foram de fato tão maléficas, e nem todas as surras foram espancamentos. Eles eram de outra época, assim como nós somos hoje. Antigamente eles eram ensinados que para educar, tinham que bater, não fazer carinho e nem esmorecer por sermos pequenos. Homem não chora, lembram? Quanta confusão e desinformação. Perdoemos, pois, nossos pais. Para sermos perdoados no futuro pelos nossos filhos. Não somos perfeitos. Somos humanos em tempos de mudanças. Amém!

  45. Fabio Monteiro
    23 de janeiro de 2020

    O que me chama a atenção no micro é a capacidade que o personagem teve de se reerguer. Deixou seus traumas, suas dores, seus problemas com o pai para tras e seguiu em frente. Acabou sendo um homem bem afortunado (pelo que percebi). Triste a relação e ao mesmo tempo dolorosa. Infelizmente, ja vi muitas historias assim, mas, com desfecho bem ruim. Gostei muito. Boa Sorte no desafio.

  46. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2020

    Que bela história! Com tão pouco espaço, nos fez vislumbrar a vida desse homem e seu relacionamento com o pai.
    Mais de uma transformação acontece na trama – não só a mais óbvia, do filho, como sua própria mudança de estado de espírito na despedida e a percepção de que o pai carrasco tinha sido bom pra alguém.
    Parabéns e boa sorte!

  47. Fernando Cyrino
    23 de janeiro de 2020

    Olá, Maria Rita, cá estou eu às voltas com a sua narrativa. Complexa porque você mistura, com certeza de maneira intencional, o passado e o presente. A despedida do velho que para o filho tinha sido carrasco e para o povo da cidadezinha um homem bom. Ficou bacana isto e ele devia ser um homem justo por conta do nome e de apelido, paradoxalmente, tão fofo, né? Abraços.

  48. Fabiano Sorbara
    23 de janeiro de 2020

    Olá, Maria Rita! Um drama familiar bem construído. A relação desastrosa entre pai e filho. Você colocas bons adjetivos para Cristiano e gera um vínculo entre personagem e leitor. Depois quebra a expectativa com o passado traumático que o pai impunha ao filho, mas retoma a característica de “bom homem” do rapaz e que ele ainda nutre amor para com o pai ao citar a expressão “Seu Juju”. Um bom micro! Parabéns!
    Desejo boa sorte no desafio. Abraços.

  49. Fheluany Nogueira
    23 de janeiro de 2020

    O texto tematiza a dificuldade das relações entre pai e filho. São duas despedidas: quando o jovem sai de casa e, agora, quando veio para o enterro do pai. A surpresa está em notar que o pai era querido por todos, não pelo protagonista que traz dele más lembranças.
    O micro foi inspirado na música “Encontros e Despedidas” de Maria Rita?
    Uma história comum e uma narração com idas e vindas pelas quais é fácil se perder.
    Parabéns pela participação e boa sorte! Abraço!

  50. fernanda caleffi barbetta
    23 de janeiro de 2020

    Olá, Maria Rita você conseguiu tratar bem aqui de um tema bastante pesado. Precisei reler duas vezes para entender direito a trama, mas entendi e gostei.
    O inicio “Depois de anos distantes, o falecido assombrava Cristiano” me confundiu porque a primeira frase coloca o leitor no tempo presente, o agora depois de anos. Só que “o falecido assombrava Cristiano” remete a algo passado.
    “quase homem feito; noivo, doutor formado, riquíssimo, de postura importante”, já não é um homem feito?
    reabriram cicatrizes antigas, muito bom isso.
    Gostei do final. Quando a gente achava que ele ia rodar a baiana você nos mostra que o danado do homem só era ruim com o filho.
    Gostei do título mas não entendi o pseudônimo. Parabéns e boa sorte.

    • Maria Rita
      23 de janeiro de 2020

      Olá, Fernanda, tudo bem?
      Acho que você resumiu bem o conto que escrevi. O pseudônimo é por conta da cantora, Maria Rita. A “confusão” dos tempos verbais ali no início foi proposital; mesmo depois de vários anos, os atos de Justiniano ainda assombravam Cristiano.
      Cristiano ainda não é homem feito por ainda não ter uma família.

  51. Paulo Luís
    22 de janeiro de 2020

    Voltou o romance e (novela), Tieta do Agreste, em versão masculina? Esse enredo é bem comum na vida real. Conheço muitos casos. O difícil foi o Cristiano só ter percebido no dia do velório, normalmente essas arengas familiares duram uma vida inteira. Mas o conto retrata muito bem a dor que perdura no protagonista. Enredo muito bem desenvolvido. Parabéns autor (a). Boa sorte no desafio.

  52. Angelo Rodrigues
    22 de janeiro de 2020

    Conto que fala do distanciamento entre pai e filho, quase um “causo” posto sobre uma cidade pequena, onde os desacertos estão centrados no amor paterno e filial.
    Boa a sacada de que seu Juju fora legal com todo mundo, embora não com Cristiano.
    Passa a ideia subvertida do filho pródigo que retorna ao lar, onde, a prodigalidade não estava naquele que voltava, mas naquele que permaneceu, o pai. Interessante isso. Talvez transformando um filho pródigo em um outsider / outlier relativamente aos que ficaram na cidade, embora a dor seja a mesma.
    Boa sorte.

  53. Augusto Schroeder Brock
    22 de janeiro de 2020

    Olá!
    Fiquei com a sensação de estar perdendo algo no texto. Quando estava no segundo parágrafo, senti que precisava reler o primeiro. O mesmo aconteceu com o terceiro, fazendo-me retornar ao segundo. Há o drama, há uma história pesada, mas não consegui ser absorvido.

  54. Rodrigo Fernando Salomone
    22 de janeiro de 2020

    Passagem triste da vida do protagonista, perceber que o amor que gostaria de ter recebido de seu pai foi para outros e não para ele. Mas também é o tipo de coisa que torna uma personagem muito mais atrativa no meu ponto de vista. Parabéns e boa sorte.

  55. leandrociccarelli2
    21 de janeiro de 2020

    É preciso atenção neste texto. O conto foi cuidadosamente escrito, precisei ler duas vezes para entender (ponto negativo para fluidez). Entretanto, o texto é bárbaro, poderoso pela temática e cativante pela dor de Cristiano. Eu amei, parabéns e boa sorte!

  56. Anorkinda Neide
    21 de janeiro de 2020

    A história é boa, é muito real ( o inferno das relações familiares costumam ficar entre quatro paredes) e ficamos tocados com a descoberta de Cristiano.
    Mas o texto precisa de arrumações…
    ja no começo fala do falecido, entao pensei q fazia tempo q o pai estava morto assombrando o filho em suas memorias traumaticas… dae vem o dia da despedida… precisei reler varias vezes pra entender q despedida era aquela, acredito q precisa introduzir aquele paragrafo com a noticia da morte de seu Juju.
    eu sei do limite de palavras, mas pra isso se fazem os cortes 🙂

  57. Nilo Paraná
    21 de janeiro de 2020

    Achei confuso o texto. quem é o narrador? demorei a entender “quando chegou a despedida” não era a ida do Cristiano da cidade mas o enterro do velho.

  58. Emanuel Maurin
    21 de janeiro de 2020

    O pai era alcoólatra, e todo pai que bebe e bate no filho em casa é bom para os outros na rua. Eu entendo Cristiano, coitado. Seu conto é gostoso de ler é mostra um lado da vida que pouca gente conhece. Boa sorte.

  59. angst447
    21 de janeiro de 2020

    Cristiano volta para sua terra natal, mudado, bem sucedido, mas no fundo ainda carregada velhas mágoas em relaçao ao pai. Durante o enterro, percebe que só ele parece nao ter boas lembranças do seu Juju. A passagem “as grosserias proferidas pela voz brutal e alcoolizada, bem como as agressões certeiras das mãos calejadas do pai reabriram cicatrizes antigas. ” confunde o leitor, pois faltou dizer que A LEMBRANÇA das agressões é que reabriram cicatrizes. Do jeito que está, parece que o Seu Juju o recebeu a porradas na sua volta.É só uma sugestão. Boa sorte!

  60. Jorge Miranda
    21 de janeiro de 2020

    Achei um conto bem construído e que, para mim, fluiu tranquilamente. Acredito que Cristiano iria se deparar com outro problema: porque só ele teve um tratamento diferenciado dado por seu pai? Desejo-lhe sorte no desafio.

  61. Jorge Miranda
    21 de janeiro de 2020

    Olha só!! Muito bom esse seu conto, bem construído e com uma leitura que flui facilmente. Acredito que uma nova dor se instalaria em Cristiano: porque só ele merecia um tratamento diferenciado? Parabéns!

  62. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2020

    Ou o texto tem muito a oferecer, escondendo nas entrelinhas a mensagem, ou, simplesmente, é um filho que foi brutalizado pelo pai, voltando de “vencer na vida” para descobrir que foi o único que não foi agraciado com a sua bondade.
    A morte afasta e separa as convicções e cala a mente em ebulição.
    Texto um pouco confuso e, se, para entender, precisamos ler mais do que uma vez, todo o impacto do conto se dilui.
    Sorte!

  63. Nelson Freiria
    21 de janeiro de 2020

    Me fez lembrar de outros contos perdidos que já li por aí ao longo da vida. O tema de drama familiar é algo bem comum e é difícil torná-lo interessante. Acredito que a melhor maneira seria surpreender, causar um grande impacto. Mas não foi isso que aconteceu aqui, já que a história termina mais dramática do que começou. É uma bela história? Sem dúvida. Mas faltam alguns atrativos.
    Vale ressaltar a interessante ambientação e referência musical que é trazida pelo título e pseudônimo.

  64. Andreza Araujo
    21 de janeiro de 2020

    Eu precisei ler algumas vezes para entender. O tema do texto é complexo, as imagens não ficaram claras na minha cabeça num primeiro momento. Cristiano retornou para ir ao enterro do pai e percebeu que ele era possivelmente o único que sofrera na infância. Na última frase, quem “entendeu”? Achei estranho aquele “menos para Cristiano”, me faz pensar se não era outra pessoa refletindo. É complexo e tocante, mas como precisei ler várias vezes pra entender, não me causou tanto impacto quanto eu gostaria, pois o texto é realmente profundo.

  65. Luiza Moura
    20 de janeiro de 2020

    Uma linguagem simples para retratar um tema tão pesado torna o texto bastante interessante!

  66. Gio Gomes
    20 de janeiro de 2020

    Boa reflexão, triste. Leve passada de pano para violência doméstica, mas no todo uma história bem contada.

  67. drshadowshow
    19 de janeiro de 2020

    Em vez de usar o verbo “regurgitar”, poderia ter usado “vomitar”. Uma mágoa daquelas não se regurgita. Esse verbo me lembra o que as vacas fazem. Ficam mastigando o mato, depois engolem, regurgiram, e tornam a engolir. Aquela mágoa deveria ter sido vomitada, e no túmulo daquele pai horroroso e cruel. Gostei.

  68. Eder Capobianco
    19 de janeiro de 2020

    Profundo………é sempre interessante confrontar como os valores familiares e de vida nem sempre são os mesmos, ou coerentes………..possibilitar este confronto é um dos papéis da arte………….o léxico usado é fantástico……….digno de um bom texto literário……….parabéns!

  69. jetonon
    19 de janeiro de 2020

    O microconto retrata a lavagem da alma. Os ressentimentos são corrosivos…
    Boa sorte!

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Publicado às 19 de janeiro de 2020 por em Microcontos 2020 e marcado .