EntreContos

Detox Literário.

Overmind (Lucas Rezende)

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Respondendo e-mails e atendendo telefonemas no escritório onde trabalhava, Maurice harmonizava com seus colegas. Costas arcadas e olhar opaco. A passagem para a vida adulta causou uma hemorragia nos seus mais intensos sonhos, ficavam cada vez mais distantes, cinzas de uma fogueira amanhecida.

Seu país, que enfrentava o período eleitoral, estava completamente polarizado: ou está conosco, ou contra nós. O candidato à reeleição enfrentava a ameaça iminente de perder a disputa eleitoral, a oposição não media esforços para minar a credibilidade do governo. Uma onda de protestos extremistas, que exigiam um governo militar, foi o estopim para jogar a sociedade e a economia do estado na lama. A nação estava um caos.

Ao fim do expediente, abandonou a matéria que lia em um site jornalístico qualquer para ir embora. Sempre mais um protesto, sempre mais um debate sujo, mais um desaparecido, uma grande empresa falindo, uma desgraça. No modo automático, foi até seu carro no estacionamento, jogou a pasta no banco do carona e a única coisa que queria era chegar em casa e assistir inutilidades fumando seu narguile.

Durante seu percurso, parado em um cruzamento, divagava sobre sua atual condição. A monotonia de sua rotina arfava quente e opressora mantendo no chão a pouca motivação que tinha. Viajava nos cantos longínquos de sua memória, tentando reviver mesmo que minimamente, os pequenos prazeres que abandonara aos poucos. As recordações embaçadas e jocosas de quando se fantasiava de seus heróis favoritos, e como estes moldaram seu espírito de justiça mesmo depois de crescido. Um pequeno sorriso foi pintado, com cores ainda não muito vivas, sob a promessa de viver melhor, mais feliz. Firmou um acordo consigo mesmo, seus dias seriam sempre incertos e diferentes. Fariam com que voltasse a sonhar. Pois, um homem que para de sonhar, não tem pelo que viver.

Sinal verde, permissão para seguir. Infelizmente algumas pessoas são irreversivelmente inconsequentes. Ao prosseguir com o carro para atravessar o cruzamento, um motorista movido pelo sentimento de “dá tempo”, bateu violentamente no carro de Maurice. O acidente ocorreu em uma fração de segundo, sem tempo, nem mesmo, para sentir medo.

 

•••

 

Envolto em uma nuvem de repetições e desfechos diferentes da cena de seu acidente, completamente confuso e entorpecido, pergunta para o nada:

– Que merda é essa? Eu morri? – Não esperava uma resposta, contudo, ela veio.

– Isso depende de você, humano. – A voz difusa que lhe respondeu parecia ser emitida por diversos locutores.

Um arrepio percorreu todo seu corpo, só havia uma pergunta a ser feita:

– Você é Deus?

– Não. Mas estou muito próximo disso.

– Então quem é você? Onde eu estou? O que aconteceu?

– Como todos os outros, você faz muitas perguntas. Estou habituado a respondê-las. O meu nome é Amantur. Você está no limiar de sua existência em todas as realidades paralelas, como pode ver ao seu redor.

Um pouco mais tranquilo, porém, não menos confuso, começou a raciocinar e tentar entender tudo aquilo.

– Tem como explicar o que está acontecendo? Por que isso está acontecendo comigo?

– Não escolhi você, foi com quem primeiro me deparei. Como já disse, está no limiar de toda sua existência, uma bolha atemporal entre as realidades paralelas em que você existe.

– Amantur, não é? Olha, eu estou totalmente perdido e confuso, só responda mais duas perguntas, tudo bem? Depois me deixe ir embora, por favor. O que é você e o que quer de mim?

– O que precisa saber é que meus irmãos confinaram-me por meus anseios em Zher’im, uma dimensão onde tempo e espaço não existem. Não há como escapar, não fisicamente. Não contavam que eu ascendesse a minha existência, que em meu cárcere encontrasse a libertação e aprendesse os segredos mais obscuros do universo. Foi na ausência de tempo e espaço, que descobri como dobrá-los à minha vontade. Agora sou uma consciência, não existo em matéria, mas existo única e individualmente em milhões de realidades paralelas e como um todo, na forma de um só ser acima de todas elas. Uma consciência superior e compartilhada. E o que quero com você, homem, é um acordo.

A física que Maurice conhecia não permitia que concebesse o que acabara de ouvir, Amantur estava mesmo próximo de ser um Deus. Os objetivos do poderoso ser também continuavam obscuros.

– Que tipo de vantagem você teria em um acordo comigo? – Começava a mostrar-se totalmente tranquilo e interessado no que Amantur tinha a dizer.

– Conceberá permissão para que me funda à sua mente, será minha materialização na sua realidade. Em troca, irei oferecer-lhe o poder que conquistei. Tornar-se-á o indivíduo mais supremo do mundo, poderá realizar suas mais inesperadas utopias. Saiba que é um processo que não tem volta, ao menos que você morra.

– Você quer uma marionete, é isso?

– Estarei em seus pensamentos, não terei poder algum sobre suas ações.

O misto de medo e empolgação bailava no peito diante tal proposta, com tanto poder, seus desejos mais sádicos seriam inócuos. Viveria em nome da própria satisfação. Uma proposta irrecusável.

Aceito”.

 

•••

 

O carro retorcido parou sua violenta trajetória antes do final, Maurice recobrou a consciência, o tempo estava parado. Sentiu como se sempre soubesse fazer aquilo, fácil como avançar ou voltar uma música no som do carro. Fez voltar o tempo, até antes de seu acidente. O semblante já não era o mesmo, demonstrava maldade e prepotência. A mudança era comparável a de uma borboleta saindo de seu casulo.

Após o sinal abrir, aguardou alguns instantes e observou o “apressadinho” rasgar o cruzamento em alta velocidade. A partir daquele momento, tudo seria perfeito, voltaria quantas vezes fosse preciso até que sua vontade fosse satisfeita. Independente da situação, o desfecho sempre seria o de seu desejo.

Em frente ao prédio em que morava, um pequeno grupo de manifestantes se reuniam para sair pelas ruas. Pintavam seus cartazes e escondiam suas barras de ferro e revólveres em suas mochilas. “Malditos desocupados, fanáticos” pensou.

– Faça desse mundo a sua vontade. Ninguém pode pará-lo.

Amantur tinha razão. Até então, só havia pensado em agir pelo favorecimento próprio. Queria enriquecer, conquistar belas mulheres, aprender todas as coisas que o encantavam e viver eternamente massageando seu ego. Apenas anseios humanos, mundanos. Estaria jogando no lixo o poder imensurável que havia recebido.

Decidiu por construir um mundo perfeito. Afinal de contas, seu senso de justiça sempre fora afiado. O sentimento era paternal, fazendo o que era melhor para o filho. Um filho mimado e birrento. Forjaria um mundo para os justos, para os bons. Seria venerado, louvado e aclamado. E então, partiria em uma jornada pelo universo. Acreditava que encontraria outras civilizações avançadas na infinidade do cosmos. O ponto de partida seria colocando os arruaceiros em seu devido lugar.

Desceu do carro e esbravejou:

– Deviam é encontrar um terreno para carpir.

Os manifestantes olharam curiosos e surpresos, Maurice prosseguiu:

– O melhor para o país é que o atual presidente continue no governo. Vocês estão cegos, completamente loucos. Então, antes que vocês se machuquem, vão pra casa, ok?

– O único que vai se machucar aqui é você, se não der o fora daqui! – Ameaçou o que parecia ser o líder do grupo, enquanto mostrava-lhe o revólver.

– Sua mãe sabe que anda brincando de rebelde sem causa?

– Se tivéssemos um governo rígido, esse tipo de palhaçada não aconteceria! Um animal tirando uma com a minha cara e querendo mandar em mim! Vai pra vala, otário. – Ergueu a arma e disparou como Maurice ansiava.

Com uma ínfima parte de sua capacidade, dobrou o espaço a sua frente redirecionando o projétil no olho do manifestante, que caiu inerte e desfigurado. Os demais do grupo ficaram estupefatos, imediatamente sacaram suas armas e atiraram. Inutilmente.

Apenas desacelerou o tempo para distorcer o espaço desviando as balas do seu corpo.

– Opositores de sua vontade, irão acabar com a ordem do seu novo mundo. Mate-os.

Era verdade, estavam apaixonados demais pela própria causa. Apenas os libertaria de suas prisões. Um a um, abateu todos. Sempre esquivando de ataques e tiros, criava vácuos para destruir o crânio de seus atacantes. Após o término do massacre, um painel esdrúxulo estava pintado na calçada onde estava.

– Perfeito. Vê a extensão de seus poderes? Pode rapidamente cumprir com o que deseja. Mais rápido ainda conseguirá, se começar por cima. Políticos influentes e líderes importantes. Pode transportar-se para onde quiser, matá-los não será problema.

O tiro saiu pela culatra, a tentativa de manipulação feita por Amantur despertou a integridade de Maurice. Os corpos destroçados a sua frente reforçaram seu pensamento.

– Isso não é certo. O que me deu esse direito?

– A força que concedi deu esse direito. O poder capacitou-lhe a fazer o melhor para seu mundo. Deu-lhe esta obrigação.

– O melhor para meu mundo não é que eu o escravize.

– Humano tolo! Se desperdiçar o que te dei…

– Não irá fazer nada. Lembro bem quando disse que o processo não pode ser desfeito.

Maurice então percebeu o que tinha de fazer. Sua vida pela Terra.

– Amantur, não sei quais suas motivações ou seus objetivos. Mas, meu palpite é que nos inveja. Uma existência tão breve e insignificante de alguma forma o seduziu, um ser inexplicável e supremo. Percebo agora como a perfeição não pode ser alcançada, nem ao menos se pode chegar perto dela. Você chegou tão alto, que desejou descer para preencher o vazio que sua existência abissal causou.

Sabe, nós os seres humanos, somos verdadeiras aberrações. Inventamos formas cada vez mais eficazes de exterminarmos uns aos outros. – Enquanto dizia, voltava no tempo em grandes marcos da história humana. Como uma apresentação de slides, para ilustrar seu discurso. – Pequenas diferenças de opinião sempre causaram grandes conflitos. No entanto, duvido que exista uma raça mais intrigante e apaixonante que essa. Nós amamos intensamente, também ajudamos uns aos outros. O mais importante, é que somos diferentes. Foi isso que nos impulsionou até onde estamos. As divergências sempre fomentaram nosso avanço. Se eu escravizar o mundo como pensei que devia, destruirei a alma de minha raça.

– Pretende então viajar pelo planeta fazendo caridade?

– Não, pretendo fazer com que tudo volte a ser como nunca deveria ter deixado de ser. Vou devolver a todas as realidades paralelas a sua independência, devem todas seguir seu destino sem interferência.

Amantur riu:

– E como pretende fazer isso?

– Você é uma consciência coletiva, pelo que entendi. Existe aqui e coletivamente em todas as outras realidades. Como está em minha mente, eu também posso estar em todas as outras realidades. – A entidade não respondeu. – Pelo seu silêncio, creio que estou certo. Vou caçá-lo, Grande Amantur. Conhecerei seus segredos, descobrirei como atingiu sua ascendência existencial e irei pará-lo.

– Inútil, nunca conseguirá. Mesmo que consiga, as realidades são infinitas, sempre que há um “se” uma nova se forma.

– Enquanto isso posso viver infinitas outras vidas nos mundos paralelos enquanto não te decifro.

– NUNCA CONSEGUIRÁ! O que ganha fazendo isso?

– Em minha juventude sempre sonhei com grandes façanhas, as responsabilidades da vida adulta enterraram meus sonhos. Agora posso realizar-me, irei superar todos os heróis que era fã quando criança. Prepare-se.

Maurice transportou-se para um canto remoto da galáxia e isolou-se em uma bolha atemporal e de espaço compartilhado com as condições do Planeta Azul.

Enquanto buscava a sabedoria e o poder, para derrotar a entidade que lhe concedera poder suficiente para acabar com o seu universo paralelo em um estalar de dedos, vivia as futilidades e sutilezas de infinitas vidas. Foi tudo o que alguém um dia já sonhou ser. Provou todos os prazeres e angústias que um humano pode sentir.

Dentro de sua bolha, seus lábios pintavam o sorriso perdido de sua infância heroica. Heroísmo esse, agora concretizado em seu sacrifício.

29 comentários em “Overmind (Lucas Rezende)

  1. Pétrya Bischoff
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Pétrya Bischoff

    Bueno, esse contos oscilou bastante, para mim. De início pensei que seria morno com mais um cara de escritório. Quando começaram as nóias cósmicas, apaixonei-me. Tudo entre o acidente e a retomada do acidente foi perfeito, todas ideias e suposições foram ótimas. Lembrou-me alguns contos meus, inclusive. No entanto, quando o cara volta à realidade e começa a encarnar o Matrix, me broxou um pouco. Também penso que o cara “caiu em si” muito rápido, arrependeu-se e mudou de ideia sem viver muito dessa maldade. E, por fim, a ideia de caçar essa coisa que está em si e em tudo e em nada dá bug na mente e é, definitivamente, legal. A narrativa conduz bem e a escrita é ótima. De maneira geral, gostei. Parabéns e boa sorte.

  2. Miguel Bernardi
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Miguel Bernardi

    Pra começar..: a ideia é ótima, mas poderia ser melhor trabalhada. Talvez ela tenha sido limitada pelo limite de palavras do desafio, pois daria material para muito. Gostei de sentir um ‘toque’ de filmes de ficção científica. Na narrativa, não vi muitos problemas; estes cabem ao desenvolvimento.

    Uma revisão seria bem vinda, pois a obra merece. Ela tem potencial para ser maior!

    Bem, boa sorte no desafio!

  3. Fil Felix
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Fil Felix

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 4/5

    A escrita está fluída e a temática se casou bem. Apesar da criatura estar mais para uma entidade espiritual que pra uma criatura, no sentido geral. Apesar de não haver erros visíveis, acho que precisa trabalhar na mudança de uma cena para outra e nas emoções dos personagens, tudo soou bastante artificial.

    = PESSOAL = 2/5

    Acho que faltou um pouco de emoção no conto, de entrosar o leitor. Todas as ações são rápidas, o protagonista sequer pensa, já vai aceitando tudo. Os diálogos soaram artificiais. Ele ganha os poderes, quer salvar o mundo, depois quer destruir, depois vê que não tem jeito… é uma coisa atrás da outra, um caminhão. O final achei parecido com Dr. Manhattan.

  4. Swylmar Ferreira
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Swylmar Ferreira

    Oi autor
    A trama do conto é muito interessante, daria para escrever um bom romance com este tema. A estrutura objetiva, a linguagem e a escrita são boas. Tenho a impressão que faltou algo, De qualquer forma não prejudica o texto.
    Parabéns!

  5. Sidney Muniz
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Sidney Muniz

    Bom, aí temos uma boa ideia infelizmente mal explorada.

    Torci muito para que o conto me cativasse mais, entretanto acho que o autor(a) se precipitou em várias cenas e descrições deixando a estória com ar de quero muito mais.

    Espero que tenha mais sorte em outra oportunidade.

    Desejo a você sorte no desafio!

  6. Eduardo Matias dos Santos
    9 de janeiro de 2015
    Avatar de Eduardo Matias dos Santos

    o texto é bem interessante, mas uma história maior valorizaria muito mais a obra. Não é um texto que agrade a meu gosto pessoal, mas creio que é bastante promissor. Boa sorte e parabéns!

  7. rsollberg
    9 de janeiro de 2015
    Avatar de rsollberg

    O conto tem um bom ritmo e a escrita é boa.
    A trama também é interessante, o problema é que o desenrolar é muito corrido. As coisas acontecem com muita velocidade e de modo aparentemente gratuito.

    O protagonista é um turbilhão de sentimentos, parece daqueles que aceitam conselho de uma brisa no ouvido. Alguns clichês pontuais como: “Pois, um homem que para de sonhar, não tem pelo que viver.”, mas nada que tenha grande relevância.

    Não curti muito os diálogos, ao meu ver, narraram muito e não soaram naturais.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte.

  8. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    7 de janeiro de 2015
    Avatar de Jefferson Lemos (@JeeffLemos)

    Sobre a técnica.
    Soube narrar. O texto foi fluído e sem interrupções. A primeira metade me deixou bem instigado. Fiquei imaginando inúmeras possibilidades para esse “deus” que apareceu de repente. Mas correu e acabou com a brincadeira.

    Sobre o enredo.
    Estava indo bem. A monotonia, o acidente (só não gostei da conscientização sobre a política), e tudo mais. Gostei muito da parte em que o ser aparece oferecendo o poder. Só que nessa parte começou a desandar. O cara aceitou rápido demais, usou o poder, matou geral, se arrependeu e deu uma de DR. Manhattan.
    Esperava um desenvolvimento muito maior na trama, algo mais conciso. As últimas partes correram tanto que tiraram a graça do começo. Acabei não gostando. :/

    Sugiro que trabalhe um pouco mais no desenvolvimento do evento principal, e no emocional e nos acontecimentos que sucedem a obtenção do poder. Vai ficar muito melhor. E se tirar essa parte da política (pelo menos suavizar um pouco) vai ficar muito melhor!

    De qualquer forma, parabéns!
    Boa sorte!

  9. bellatrizfernandes
    7 de janeiro de 2015
    Avatar de isabellafernandes

    Achei fraco. Embora não haja nada que eu considere um erro na técnica, a história é modorrenta e nenhum dos personagens me inspirou nada. Maurice me fez dar um bocejo e a criatura escolhida foi mais um ser prepotente que enlouqueceu com o poder e a imortalidade.
    Desculpe 😦
    Boa sorte!

  10. Marcellus
    6 de janeiro de 2015
    Avatar de Marcellus

    O início me prendeu, mas logo a narrativa tornou-se muito linear, “mastigadinha”… o material e a imaginação do autor prometem muito. Espero que continue a trabalhar no conto.

    Há algumas correções a fazer, como sempre (só o quarto parágrafo tem sete “seu”/”sua”), mas nada que desmereça o autor.

    Continue trabalhando e boa sorte!

  11. Laís Helena
    6 de janeiro de 2015
    Avatar de Laís Helena

    A narrativa é boa, prendeu-me do início ao fim. Porém, o conto me pareceu um pouco inverossímil. Em primeiro lugar, Maurice aceita um acordo um pouco duvidoso e sem volta com uma entidade sem corpo que foi aprisionada devido ao que fez. Ainda que fosse muito ganancioso, parece-me que aceitou o acordo com muita facilidade, sem desconfiar.
    Em seguida, aprende a usar os novos poderes imediatamente. Ainda que a fusão com a mente da entidade lhe tenha dado conhecimentos plenos sobre como usar esses poderes, ele provavelmente precisaria de algumas tentativas para usá-lo com perfeição.
    Por último vem a parte com os manifestantes. Não acho impossível que alguém os odeie tanto a ponto de querer matá-los, mas nada no conto indicou que Maurice fosse uma pessoa tão radical. Ainda assim, pode-se considerar que estivesse fazendo isso por influência da entidade, por isso achei passável.
    A parte em que ele “cai em si”, entretanto, foi mal trabalhada. Foi explicada de maneira vaga demais para que se tornasse convincente.
    O próprio personagem parece incoerente: primeiro ele é uma pessoa totalmente comum, desanimado com a vida e preso à rotina, depois ganancioso e sedento de poder, então passa a ser justo e a querer salvar o mundo. Precisa ser melhor trabalhado.

  12. piscies
    5 de janeiro de 2015
    Avatar de piscies

    TRAMA 3/5
    Achei a história mediana. Lembrou-me muito do filme recente “Lucy”, cujo enredo detestei, rs. Amantur parece uma criatura interessantíssima, mas achei estranho como que ele destrói o plano que teve bilhões de anos para desenvolver com uma oferta dessas. Maurice também seria um personagem interessante não fosse melhor trabalhado. Pessoas matando gratuitamente contribuíram para um cenário não muito realista.

    Enfim… é uma excelente ideia que merece uma atenção maior.

    TÉCNICA 5/5
    Vi algumas poucas vírgulas equivocadas, mas a verdade é que o autor escreve de forma cristalina. O texto flui muito bem, não cansando o leitor. As construções e metáforas também estão muito boas.

    Boa sorte no desafio!

    • piscies
      6 de janeiro de 2015
      Avatar de piscies

      **Maurice também seria um personagem interessante SE fosse melhor trabalhado.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    5 de janeiro de 2015
    Avatar de Jowilton Amaral da Costa

    É um bom conto. Acho que entendi as dobras no tempo, só acho. Achei forçado demais um grupo de manifestantes com todos seus integrantes armados, ficou inverossímil, ao meu ver. Desanimou-me ele ter mudado de atitude e querer ajudar o mundo ao invés de se divertir como bem entendesse, pareceu-me muito politicamente correto, aliás, a maioria dos contos do desafio estão impregnados de lições de moral ou coisas do tipo. Só um desabafo, hehehe. Boa sorte.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    4 de janeiro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    Demorei para entender certas construções, mas depois do primeiro espaço a história se desenvolveu de forma mais compreensível e sucinta. O enredo é bem criativo por ter um desfecho diferente. Senti um certo clima de filmes de super-heróis do meio para o final, no entanto, pareceu-me resumida demais a resolução adotada pelo personagem. É uma abordagem diferente para o tema, sem erros aparentes.

  15. Ana Paula Lemes de Souza
    3 de janeiro de 2015
    Avatar de Ana Paula Lemes de Souza

    Olá autor, gostei muito!
    O tempo todo eu me lembrava do mangá Death Note, que conta a história do jovem Yagami, um estudante que descobre um caderno “Death Note”, pertencente a um shinigami chamado Ryuk, no qual pode matar pessoas se os nomes forem escritos nele enquanto o portador visualizar mentalmente o rosto de alguém que quer assassinar.
    O único detalhe que eu tenho a acrescentar é que a mudança abrupta do seu personagem principal de uma pessoa gananciosa para um super herói não me convenceu, o que exige um melhor desenvolvimento. Fica a dica.
    Abraço e boa sorte!

  16. rubemcabral
    2 de janeiro de 2015
    Avatar de rubemcabral

    Gostei da criatividade quanto à criatura. A trama, contudo, pedia mais desenvolvimento, o conflito moral do Maurice com o Amantur não foi o bastante e o final tem cara de um corte abrupto.

  17. williansmarc
    1 de janeiro de 2015
    Avatar de williansmarc

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 9
    Técnica: 8
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Gostei muito da primeira parte do conto, até começar a usar os “super-poderes”, após isso, entraram várias referências comuns à ficção cientifica, mas sem desenvolver o protagonista, fazendo-o tomar varias decisões importantes sem muita reflexão. Em termos técnicos o autor(a) é muito bom, mas acho que escolheu mau o desenvolvimento do conto.

    Boa sorte no desafio.

  18. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2014
    Avatar de Anorkinda Neide

    Bocó, vou te contar uma coisa.. bocó sou eu.. hehe
    tô a tarde toda aqui tentando comentar o conto e nada… essa parada de realidade paralela me deixa confusa demais e o pior é q eu gosto!
    Gostaria de dar meu 10 e ponto, mas.. as regras…

    Enfim, eu gostei, entendi, o que dá pra ser entendido na dimensao em q habito aqui no site EntreContos e achei que vc foi bastante competente com seu conto e o que ele quis passar.
    Parabens

  19. Claudia Roberta Angst
    27 de dezembro de 2014
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    A ideia de realidades paralelas é bem apresentada com o elemento fantástico em foco. No entanto, algo na execução da trama tirou um pouco o impacto da narrativa. Talvez, seja o caso de desenvolver a ideia com um limite maior. Também senti um tantinho de lição de moral em algumas colocações. No geral, foi um bom trabalho. Boa sorte!

  20. Andre Luiz
    26 de dezembro de 2014
    Avatar de Andre Luiz

    O texto traz uma proposta interessantíssima de realidades paralelas, em que a criatura fantástica e nada menos que um deus multidimensional. Até aí, adorei a ideia. O autor entende o que faz, cria períodos interessantíssimos, como: “está no limiar de toda sua existência, uma bolha atemporal entre as realidades paralelas em que você existe.” Além do mais, a ambientação ganha um “que” especial, principalmente nesta parte, cuja descrição – a meu ver – é sensacional: “Seu país, que enfrentava o período eleitoral, estava completamente polarizado: ou está conosco, ou contra nós. O candidato à reeleição enfrentava a ameaça iminente de perder a disputa eleitoral, a oposição não media esforços para minar a credibilidade do governo. Uma onda de protestos extremistas, que exigiam um governo militar, foi o estopim para jogar a sociedade e a economia do estado na lama. A nação estava um caos.” No mais, concordo com a posição do Fábio Baptista – a de que a história não cabe em 3.000 palavras. O personagem dominou muito rapidamente seus poderes incondicionais, de forma que “domou” o tempo e o espaço em poucos parágrafos. Além disso, o final é bom, porém acredito que poderia ser melhor. Outra coisa: autor soube retratar muito bem a ganância do personagem, principalmente nesta passagem: “O misto de medo e empolgação bailava no peito diante tal proposta, com tanto poder, seus desejos mais sádicos seriam inócuos. Viveria em nome da própria satisfação. Uma proposta irrecusável.” Bom demais de ler! Parabéns e sucesso no concurso!

  21. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014
    Avatar de daniel vianna

    É também um texto que peca um pouco no quesito verossimilhança. O protagonista aparentemente aprende muito rápido a manusear seus poderes e, no final, ele se isola em uma bolha ‘atemporal e de espaço’, quando sabemos, no início, que a tal bolha é uma prisão em que Amantur foi jogado por seus irmãos. E um físico pode esclarecer melhor, mas tempo e espaço não seriam as dimensões básicas? Deveria haver uma explicação (sutil, para evitar a quebra da narrativa) para a ausência de tempo e de espaço, a fim de se conferir mais plausibilidade ao texto. Por fim, por meio dos diálogos, principalmente, o escritor conta muito e mostra pouco. Já tive mais desse problema e, às vezes, ainda me defronto com ele (e às vezes consigo reparar na reescrita, noutras passa sem que eu perceba), e o ideal é dar mais dinamismo, mais ação, mexer mais com os personagens para evitar que se tornem ‘cabeças pensantes’. É isso. De todo modo, é uma boa história, com algumas ideias muito interessantes, como, por exemplo, consegui imaginar, como se fosse um filme, o momento do acidente, quando o protagonista se vê ‘envolto em uma nuvem de repetições e desfechos diferentes da cena de seu acidente’, quando ocorre seu arrebatamento por parte de Amantur. Muito legal (mas também podia ser melhor). Além da própria ideia da bolha que se liga a todas as outras dimensões, como se fosse um eixo cartesiano (que, como dito acima, precisaria apenas de uma trabalhada). Enfim, dá pra garimpar isso aí, mas trabalhe na dinâmica. Creio que seja esse o foco: dinâmica, sobretudo nos diálogos. Um abraço.

  22. Gustavo de Andrade
    23 de dezembro de 2014
    Avatar de Gustavo de Andrade

    Boa tarde!
    Provavelmente foi o conto mais pretensioso (no sentido da palavra, de querer atingir bastante coisa ou ao menos abrir um grande leque de possibilidades) do desafio, e isso sempre é legal. Divertido ver e se pegar pensando “como seria se eu estivesse no lugar do personagem” ou coisas do gênero. Esse tipo de habilidade é bem louvável.
    Mas a história acabou não convencendo. Talvez por sua abrangência, foi desenvolvida de uma forma apressada demais para entregar a mensagem ou o impacto, de fato, fazendo com que todos os pontos “decisivos” da trama ficassem um tanto forçados.

    Anotações:
    “(…)A mudança era comparável a de uma borboleta saindo de seu casulo.” Achei extenso demais. Talvez sem o ponto anterior, falando que “demonstrava maldade e prepotência… era uma borboleta, recém-saída de seu casulo” ou “demonstrava maldade e prepotência. Era como uma borboleta saindo [aliás, ele já saiu do casulo, não?] de seu casulo”.
    E por que escolheu ele, dentre todas as pessoas que morreram, morrerão e morreriam (porque ele insinua ter esse espectro de influência)?
    “Decidiu por construir um mundo perfeito. Afinal de contas, seu senso de justiça sempre fora afiado.” Ué. Mudou meio rápido de filosofia, não? Explicado por “- Isso não é certo. O que me deu esse direito?” e que ele estava sendo manipulado por Amantur, talvez… mas não achei o suficiente.
    Todas as motivações são momentâneas e instantâneas demais, instáveis. Fica difícil ter empatia por um personagem tão indeciso e incoerente consigo mesmo :/

    Boa escrita!

  23. Fabio Baptista
    22 de dezembro de 2014
    Avatar de Fabio Baptista

    ======== TÉCNICA

    É boa, consegue dar ritmo e tornar a leitura gostosa.
    Mas não tem muitos atrativos além disso.

    – fumando seu narguile
    – Durante seu percurso
    >>> Não gosto do emprego da palavra “seu”. Nesses dois casos, por exemplo, poderia ser evitado.

    – O único que vai se machucar aqui é você, se não der o fora daqui!
    >>> Diálogo mais teatral, impossível… 😀

    ======== TRAMA

    Então… me lembrei de um monte de coisas durante a leitura.
    Lembrei de alguns contos meus (alguns ainda inacabados) kkkkkkk, de Preacher, de Crise nas Infinitas Terras.

    A ideia em geral não é ruim, pelo contrário. Mas a execução deixou a desejar. Uma história dessa não cabe em 3.000 palavras.

    – Decidiu por construir um mundo perfeito
    – Sua vida pela Terra
    – Você é uma consciência coletiva, pelo que entendi
    >>> As reviravoltas no modo de pensar do protagonista, bem como suas decisões, se dão de modo muito afoito.

    Também achei o texto muito carregado de lição de moral, empurrando as reflexões goela abaixo do leitor. O ideal é deixar que as coisas aconteçam com mais naturalidade.

    ======== SUGESTÕES

    Tentar desenvolver mais um pedaço menor da história, não deixando que as mudanças de rumo no comportamento do narrador sejam tão abruptas.

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: **
    Impacto: **

  24. Sonia
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de Sonia

    A idéia é excelente.
    O problema foi a trama. Cheia de lugares comuns, reptições (dizer uma única vez que o sujeito estava entendiado e insatisfeito com a vida ou então só mostrar em meia dúzia de ações)
    Acho que introduzir logo no começo uma das características do personagem como uma pessoa ética. Para mim o sujeito parecia um medíocre ignorante até que, do nada, o sujeito resolve peitar a criatura e defender o planeta. Sabe, dizer no começo que um dos motivos de ele estar entendiado era, por exemplo, percever que as nulidades triunfam, citando Rui Barbosa, ao invés de descrever longamente com frases chavões “a situação atual do país” pois, afinal, qual é a situação do país? para muita gente está ótímo, quero dizer, explicar o ponto de vista do personagem.
    O final poderia ser mais elaborado, o sujeito poderia aproveitar de uma maneirao engraçada ou inovadora o ser aprisionado em seu corpo.
    Falta amadurecer a idéia, pois é uma idéia excelente.

  25. Tiago Volpato
    19 de dezembro de 2014
    Avatar de Tiago Volpato

    Gostei do conto no geral, me prendeu na leitura, trouxe uma ideia interessante, quem não gostaria de super poderes pra trazer o caos pra esse mundo? No finalzinho achei que se perdeu um pouco, mas terminaste no momento certo, antes que me aborrecesse. Gostei!

  26. Virginia Ossovsky
    19 de dezembro de 2014
    Avatar de Virginia Ossovsky

    Então, gostei mais da primeira metade do conto. Para mim a melhor cena foi quando ele foi discutir com os manifestantes. No entanto, acho que a razão dele ter mudado de opinião ficou meio vaga, não ficou claro para mim qual era a verdadeira personalidade do Maurice. A ideia do conto é muito legal. Parabéns e boa sorte !

  27. Leonardo Jardim
    19 de dezembro de 2014
    Avatar de Leonardo Jardim

    A narrativa é boa, a leitura ocorre de maneira fácil e sem percalços. Uns poucos problemas, como a falta de acento em “O que é você e o que quer de mim?” e uma vírgula em excesso em “Um pouco mais tranquilo, porém, não menos confuso, começou a raciocinar…” (depois de “porém”), nada grave.

    Sobre a história, gostei do poder de manipular o tempo e o espaço. A forma como ele utilizou foi bem narrada e não ficou muito “viajante”. O problema é que achei que Amantur foi ingênuo em dar poderes ilimitados a Maurice sem uma contrapartida mais forte que apenas viver como espectador na mente dele. Um ser de tanto poder (quase um deus) não deveria nunca confiar tanto em um simples humano. O final também não me agradou muito. Não consegui pensar em nenhuma sugestão que me agradasse mais, talvez apenas ele fazendo alguma “cagada” cósmica ou acabando por perder seus poderes. Ele manter seus poderes e praticamente abdicando de usá-los e optar apenas por “caçar” eternamente Amantur ficou estranho, mas acho que é coisa pessoal minha.

    Um abraço e boa sorte!

  28. mariasantino1
    19 de dezembro de 2014
    Avatar de mariasantino1

    Olá, autor(a)

    Gostei das ações, da ambientação e da narrativa até a parte que ele sai do carro para confrontar os protestantes. Destaque para algumas comparações que gostei — “Hemorragia nos sonhos” e “uma fogueira amanhecida.” Quando li essa introdução já sorri e esperei mais. Infelizmente quando Maurice sai do carro e faz lá seus desvios com “Q” de Matrix (foi o que veio a mente) tudo esbarrou nos meus gostos pessoais. Por perceber que não gostar do seu conto é deficiência minha, paro por aqui.

    Boa sorte no Desafio e que os colegas possam apreciá-lo mais do que eu.

    Ah! Narguilé tem acento.

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Publicado às 19 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .